quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Arqueóloga encontra muros da antiga cidade de Jerusalém que podem ter sido construídos por Salomão


Arqueóloga encontra muros da antiga cidade de Jerusalém que podem ter sido construídos por Salomão


arqueologiadabiblia.com


Salomão 05 - Eilat Mazar Arqueóloga Eilat Mazar com o muro de Salomão ao fundo. (A fonte de todas as imagens está citada ao final)

Jerusalém, 22 de fevereiro de 2010 - Uma seção de um muro da cidade antiga de Jerusalém, do século X a.C. - possivelmente construído pelo rei Salomão - foi revelado em escavações arqueológicas dirigida pela Dra. Eilat Mazar e conduzido sob o apoio Universidade Hebraica de Jerusalém.
A seção da muralha da cidade revelada, possui 70 metros de comprimento e 6 metros de altura, está localizado na área conhecida como Ofel, entre a cidade de Davi e na parede sul do Monte do Templo.
Também foram descobertas no complexo da muralha da cidade:
  • uma portaria interna de acesso para as quartas real da cidade;
  • uma estrutura real junto ao portão;
  • uma torre de canto com vista para uma parte substancial do vale do Cedrom e adjacentes.
As escavações na área Ofel foram realizadas ao longo de um período de três meses com os financiamentos concedidos por Daniel Mintz e Berkman Meredith, um casal de Nova York interessados em Arqueologia Bíblica. O financiamento suporta tanto a conclusão das escavações arqueológicas e processamento e análise dos achados, bem como trabalhos de conservação e preparação do local para a visualização por parte do público dentro do Parque Arqueológico Ofel e do parque nacional em torno das muralhas de Jerusalém.

Salomão 01 - Dr. Eilat Mazar next toan 8 meter section of the corner tower that was excavated
Mazar servindo como referência para altura do muro atribuído à Salomão, no séc. X a.c.

As escavações foram realizadas em cooperação com a Autoridade de Antiguidades de Israel, Autoridade Israelense de Natureza e Parques e a Companhia de Desenvolvimento de Jerusalém Oriental. Contou com o auxílio de alunos do curso de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, bem como alunos voluntários das Herbert W. Armstrong College, em Tulsa, Oklahoma, e trabalhadores contratados para participaram nos trabalhos de escavação.
"O muro da cidade que foi descoberta uma testemunha a presença dominante. Sua força e sua forma de construção indicam um alto nível de engenharia ", disse Mazar.
O muro da cidade fica no extremo leste da área de Ofel, numa localização estratégica no alto a oeste do vale do Cedrom.
"Uma comparação entre esta última descoberta com muralhas e portões do período do Primeiro Templo, assim como a cerâmica encontrada no local, nos permitem postular com um grande grau de certeza de que a parede que foi revelado é o que foi construído pelo rei Salomão, em Jerusalém, na última parte do século X aC ", disse Mazar.
"Esta é a primeira vez que uma estrutura a partir desse momento verificou-se que pode se relacionar com descrições escritas de construção de Salomão, em Jerusalém",acrescentou ela.
Salomão 02 - Muro vista do altoVista do alto do muro atribuído à Salomão.

A Bíblia nos diz que Salomão construiu - com o auxílio dos Fenícios, que foram os construtores em circulação - o Templo e seu novo palácio e cercado deles com uma cidade, muito provavelmente ligado à parede mais antigas da cidade de Davi. Mazar cita especificamente o terceiro capítulo dos primeiros livros dos Reis, onde se refere que:
Até que acabasse de edificar a sua casa, e a casa do SENHOR, e a muralha de Jerusalém em redor.” (I Reis 3:1)
Os 6 metros da portaria alta do complexo ao ar livre do muro da cidade é construído no estilo típico daqueles da época do Primeiro Templo como Megido, Beersheva e Ashdod. Tem plano simétrico de idêntica quatro pequenas salas, duas de cada lado do corredor principal. Também houve uma torre, grande adjacente, cobrindo uma área de 24 por 18 metros, que se destinava a servir como uma torre de vigia para proteger a entrada da cidade. A torre situa-se hoje sob a estrada nas proximidades e ainda precisa ser escavado. Durante o século XIX o Arqueólogo britânico Charles Warren, havia realizado uma vistoria no subsolo da área, e descreveu pela primeira vez o esboço da grande torre em 1867, mas sem atribuí-la à época de Salomão.
"Parte do complexo do muro da cidade serviu como espaço comercial e parte como centrais de segurança", explicou Mazar.
O que confirma o costume daquele povo, conforme podemos ver, por exemplo, quando Boaz procurou resgatar Rute às portas da cidade.
Enquanto isso, Boaz subiu à porta da cidade e sentou-se, exatamente quando o resgatador que ele havia mencionado estava passando por ali. Boaz o chamou e disse: “Meu amigo, venha cá e sente-se”. Ele foi e sentou-se.
Boaz reuniu dez líderes da cidade e disse: “Sentem-se aqui”. E eles se sentaram.” (Rute 4:1-2 NVI)
Dentro do pátio da grande torre havia difundido atividades públicas, disse ela. Ele serviu como um ponto de encontro do público, como um lugar para a realização de atividades comerciais e de culto, e como um local para as atividades econômicas e jurídicas.

Salomão 03 - Muro vista do alto 2  Outra vista dos muros sendo escavados.

Cacos de cerâmica descoberto no preenchimento do piso inferior do edifício real perto da portaria também atestam que a datação do complexo é do século X a.C. O que foram encontradas no chão eram restos de jarros de armazenagem, com cerca de 1,15 metros de altura, que sobreviveu a destruição pelo fogo e que foram encontrados em quartos que aparentemente serviu de área de armazenagem no piso térreo do edifício. Em um dos frascos há uma inscrição em hebraico antigo parcial indicando que pertencia a um alto funcionário do governo de nível superior.
"Os frascos que foram encontrados são os maiores já encontrados em Jerusalém", disse Mazar, acrescentando que"a inscrição que foi encontrada em um deles mostra que ela pertencia a um funcionário do governo, aparentemente, a pessoa responsável por supervisionar o fornecimento de produtos de padaria para a corte real. "
Salomão 04 - Jarros encontradosFragmento de jarros encontrados nas escavações do muro de Salomão.

Além dos cacos de cerâmica, estatuetas de culto também foram encontradas na área, assim como as impressões de selos na jarra lida com a palavra "ao rei", que atestem a sua utilização dentro da monarquia. Também foram encontrados impressões de selos com os nomes hebraicos, também indicando a natureza real da estrutura. A maioria dos pequenos fragmentos descobertos vieram de peneiração húmida intrincada feito com a ajuda do Projeto de Restauração Monte do Templo, dirigido pelo Dr. Gabriel Barkai e Zweig Zachi, sob o patrocínio da Autoridade Israelense de Parques e da Natureza e da Fundação Ir David.
Entre a grande torre na entrada da cidade e do edifício real os arqueólogos descobriram uma seção da torre de canto que é de 8 metros de comprimento e 6 metros de altura. A torre foi construída em pedra talhada de invulgar beleza.

A leste do edifício real, uma outra seção da muralha da cidade que se estende por cerca de 35 metros também foi revelado. Esta seção é de 5 metros de altura, e é parte do muro que continua a nordeste e uma vez delimitada a área de Ofel.


Fotografias disponíveis no seguinte link:http://bit.ly/cRvAeH

Fonte: http://www.huji.ac.il/dovrut/Ophel.doc (Adaptado por Hugo Hoffmann)

http://www.huji.ac.il/cgi-bin/dovrut/dovrut_search_eng.pl?mesge126691593732688760

terça-feira, fevereiro 22, 2011

A Faca e o Fogo




A Faca e o Fogo

  I
É sempre com respeito, e algum remorso, que abordo a obra de Herberto Helder. Comentá-la é restringir o seu alcance, por outro lado o comentário pode, para alguns leitores, alargar o sentido, se acaso acharam hermético o seu imaginário.
É imenso, como não podia deixar de ser, o universo cultural de Herberto Helder: dos antigos mitos, rituais, magias que foram ao seu encontro - a nossa geração, a dos anos sessenta, é feita de devoradores de livros - até às práticas mais modernistas, entre as quais o surrealismo e a escrita automática  se inscrevem , renovando-as, abrindo a palavra poética à imensidão das vagas do inconsciente. 
Herberto ora transmite ora oculta, no seu dizer,o impulso que o move. Sobre ou sob imagens poderosas, arquétipos e mitos fundadores. Não é por acaso que ao lermos e relermos a sua poesia de cada vez algo de novo se encontra, que nos perturba e seduz.
Acontece de novo, com este novo livro, A Faca Não Corta o Fogo, de que já me ocupei, para o "lançar", a meu modo, nestes blogues.
Permanente é a interpelação da Mãe, a interpelação da Mulher, do seu corpo, do seu sangue, da energia de que ela e só ela é portadora, e nos conduz ao primordial impulso da palavra, do Verbo que exige ser dito para que não definhe e morra.
Eu gosto de regressar, como ele faz, neste livro, ao mundo maravilhoso de A Colher Na Boca, o primeiro que li, há tantos anos, andando pela Editora Ática:
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva.Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras.
Imagens da mulher, da água (da chuva) e do fogo (das candeias) dando a pressentir uma espécie de fusão alquímica dos elementos que serão a base estruturante do poema.
A mulher hierática, como a deusa Ishtar, Grande Mãe primordial,  inicia e devora, consome, o filho que é ao mesmo tempo amante.
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
O amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que ela levitam.
Caminha-se para a iniciação, não tanto ao real que a suporta, como ao imaginário subtil, do mundo interior, que sublimará pela palavra o mundo terreal, elementar, quotidiano ( a mesa, as chávenas, os garfos em que a mãe vai mexendo).
Depois da água e do fogo surgirá a terra, com as flores:
Flores violentas batem nas suas pálpebras. 
E estas flores são já as de Perséphone, outra variante do mito primordial.
Filha de Zeus e Deméter ou, noutra variante, de Zeus e de Styx ( a ninfa do rio dos Infernos)  passa o seu tempo durante três estações na terra e uma estação no inferno. Simboliza o renascer da vida, na Primavera, aguardado como esperança e sinal de perpétua renovação. Amante de Adónis, levá-lo-á aos infernos consigo, quando parte.
O interessante é descobrir a dupla face do mito: morte e renascimento, treva e luz, figurações também  da condição humana no universo criado.
As mães, entenda-se aqui o Feminino, o Eterno Femino, é condutor, como em Goethe e tantos outros poetas.
As mães são a mais alta coisa
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos...

II
A imagem do fogo, como elemento de fusão e de sublimação, é permanente em Herberto Helder, e de novo dá o tom ao seu novo livro, nos inéditos escolhidos que intitulou de A Faca não corta o Fogo.
Poderemos recordar Bachelard (La Psychanalise du Feu) e ver com ele a dimensão do "fogo sexualizado", e do "fogo idealizado", sublimado em luz pura de pura transformação. 
Definir é limitar, e o poema escapa a qualquer tentativa de limitação, o que torna humildes quaisquer comentadores, no grupo dos quais me incluo. Não pretendo limtar o âmbito do poema, mas sim e apenas viajar à minha medida pelo poema dentro, seguindo pistas que me surgem, como poderiam surgir outras. 
Uma das mais interessantes que me ocorreu foi a de ver na Faca a Espada dos alquimistas, fazendo precisamente o seu trabalho de fogo. A espada corta e sublima, e por outro lado ela própria é "temperada" no fogo. O trabalho secreto do adepto, do ferreiro, é dar forma à matéria difícil dos metais que vão do negro chumbo da vida ao ouro da imortalidade que os poetas celebram, ou porque a temem ou porque a desejam, ainda que inconscientemente. 
A chama é vertical, mas pode ser suavizada no interior da lanterna, do candieiro que a aprisiona e contém.Torna-se chama do lar, íntima, permitindo o sonho, ou no calor da casa, da cama, a experiência do amor.
Encontramos em Michael Maier, conhecido médico e alquimista alemão do século XVII, uma bela gravura, da Atalanta Fugiens, que pode ajudar a entender o simbolismo da espada e do fogo, ou neste caso da faca e do fogo. A espada não corta o fogo, é sublimada por ele; o mesmo acontece à faca.
A dinâmica do simbolismo imaginal permite aproximar o fogo da Luz, e a espada do Espírito que por ela é inspirado e conduzido. Fala-se da Luz da Razão, mas pode igualmente falar-se da Luz da Iniciação, a tal vidência que é apanágio das Mães antigas e de seus filhos amados e amantes.Toda a iniciação passa por sacrifício, o que acontece na combustão do fogo íntimo do Verbo, do Poema de Herberto:
a vida inteira para fundar um poema,
a pulso,
um só, arterial, com abrasadura,
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,
 só quase pressentimento fonético,
filológico,
mas que atenção, paixão, alumiação
- e se me tocam na boca?

Está situada a aventura: é do Poema que se trata, sempre se tratou, da sua substância viva, ao mesmo tempo etérea e corporal, o poema pode doer e dói, no corpo como na alma. 
E de novo somos empurrados para um fundo mítico próprio: o da natureza do Verbo criador, da primeira energia, a anímica, que na tradição da Kabala, por exemplo, é equiparada à Shekinah, a face magnânima de Deus, eterna como ele e feminina.Dos poemas ou do Poema de Herberto se pode dizer o que Bernardim Ribeiro disse da sua Menina e Moça : "o livro há-de ser do que vai escrito nele" . E mais ainda esta verdade se comprova neste caso de que estamos a tratar.
A Shekinah é definida por G.Scholem (A Kabala e a Mística Judaica) como "o momento Passivo-Feminino da Divindade":" Se quisermos começar por determiná-la dum modo muito geral, a Shekinah é a personificação e a hipostasiação da Habitação ou Presença de Deus no mundo". E adiante conclui, "o seu nome é feminino mas a sua natureza é masculina".(trad. port. ed.Dom Quixote).
 Se tudo na obra de Herberto remete para a Palavra Dita,para umDizer da poesia feita experiência viva, em carne viva, em combustão que a água não apaga nem dissolve, antes ajuda a solidificar, também tudo remete para uma personificação, na Mulher, de uma sabedoria antiga, de cariz religioso, mítico, hermético e por isso difícil de explicar. 
O Corpo da Palavra é como a Pedra alquímica: em ambos se reúnem opostos, se fundem contrários, se completam energias primordiais e pulsões emanadas de um fundo anímico comum, o inconsciente (a matriz dos arquétipos universais, como gosta de dizer Jung). Citando agora um alquimista francês do século XIX, de pseudónimo Sedir: 
"Eros é um agente muito secreto, é aurifíco; por isso se esconde nos véus da Noite; Orfeu te ensinará a extrai-lo (ao ouro)  de toda a matéria em putrefacção; deixa que primeiro este Saturno se transforme, por meio do fogo que forma os Metais nas entranhas da terra, numa Vénus filosófica...É por isso que o amor é uma beatitude". (Vénus Magique, contenant les Théories Secrètes et les Pratiques de la Science des Sexes, ed.Pierre Belfond)
Neste tratado se encontram todos os temas da panóplia alquímica, a geração do microcosmos, da Grande Obra,  como análoga à macrocósmica,ou Criação do mundo por Deus; e ainda o mito do andrógino, transformado na Conjunção do macho e fêmea, a Virgem fecundada, o Fogo dos Sábios como filho de Vénus, etc.

Em A Faca não Corta o Fogo, no poema com que termina o livro, surge outro elemento muito caro ao poeta: "o animal intuitivo, de origem" : a pulsão que o move e no universo da palavra faz mover o mundo do poema, faz brilhar o "nome" do poeta, e no ar lança a interrogação:
onde?
fora? dentro?
no aparte,
no mais vidrado,
no avêsso,
 no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,
fibra lavrada sangrando, 
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha eléctrica
como alma: plenitude,
através de um truque:
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre a mesa,
poema trabalhado a energia lternativa,
a fervor e ofício,
enquanto a morte come onde pode a vida toda
...
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse : tinha paixão? 

O forno, o fogo, a faca, a espada, o ovo (feminino-mãe, matriz primordial). 
Se lermos o poema todo, como no Todo se funde esta Escritura mágica, sentiremos pela própria leitura, de preferência em voz alta, deixando bater o ritmo ( o pulsar do coração) que sim, tinha paixão, antiga como a que levou Deus a amar em Si-mesmo o Belo, o Bom ,o Verdadeiro - ainda que em toda a crueza.Da Obra nasce o tempo em que ela se constitui, nasce o destino, que um fio (pelas Parcas, ou pelas Mães)  será um dia cortado:
arranca ao maço de linho o fio enxuto,
nascido assim, ali, na roca, o fio,
e que gire no fuso para dentro do que fica pronto,
e vá até ao fim o trabalho que brilha,
o toque transitivo,
que a luz se mova nas pupilas,
ese ficares cego é para veres tudo unido,
escuta então como te chamam pelo nome
daquilo que te cerca,
mas não acumules nada,
amaina o fio bravio quando irrompe
e,
pálpebras cerradas, sente como estremece tudo, o centripeto e o centrífugo,
e morre de ti mesmo
Extraído do Simbologia e Alquimia


segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Irmãos Brigam?

 Irmãos Brigam?
Charles Evaldo Boller
Sinopse: Ensaio sobre o 'amor ação' que existe entre os maçons. Contenda no plano das ideias.

Existe uma sociedade onde as pessoas se tratam por irmãos. É uma sociedade onde existe o irmão que raramente aparece, um age mais outro menos, existe o tímido, o retraído, o mais adiantado, o noviço cheio de sonhos, o comumente exaltado e o de ânimo calmo qual ovelha no pasto. Mas todos são irmãos e se amam em ação; com vontade, sabedoria e inteligência.
Significa que, por se autodenominarem irmãos e se amarem profundamente, eles nunca brigam? É claro que não! Estes irmãos debatem sim! Porque não! Podem disputar, afinal são seres humanos inteligentes, livres e de bons costumes. É regra irmãos se desentenderem no plano das ideias! A querela, quando motivada para o bem, para estabelecer limites e promover progresso é atitude positiva - mesmo que os meios não sejam lá satisfatórios, os irmãos que assim agem estão lutando para que prevaleça o bem comum. Ação assim é sinônimo de amor; de amor fraterno. O mesmo amor que grandes iniciados intuíram como a única solução de todos os problemas da humanidade. E toda ação assim dirigida resulta em mudanças com objetivo e não simplesmente mudar pela mudança.
O "amor ação" não é o "amor sentimento" com que aquele é normalmente confundido. É o amor alicerçado na vontade. Quando alguém está cheio de intenção, mas não faz o propósito ser acompanhado de ação, obtém resultado nulo. De outra forma, quando este soma intenção e ação, o resultado é aflorar sua vontade. E vontade é sinônimo de amor porque resulta em ação, o "amor ação". E assim, vontade é força. E onde existe ação entre seres humanos, encontram-se disputas. É por isto que irmãos brigam, mas só o fazem por amor e não por vaidade. Daí a necessidade de equilibrar a vontade com sabedoria e inteligência. Um não existe sem os outros dois.
O destempero entre irmãos aflora sempre? Não! Os irmãos convivem em ambiente com limites claros e definidos, numa sociedade caracterizada por padrões preestabelecidos e onde todos são responsáveis. Na maioria das vezes eles elogiam e apoiam, haja vista o elogio ser uma necessidade essencial nos relacionamentos saudáveis. Irmãos desenvolvem a humildade, que é outra expressão do amor, pois significa que são autênticos, sem arrogância, pretensão ou orgulho.
Em seu progresso pessoal desenvolvem autocontrole; sustentam as escolhas que fazem; dão atenção aos seus irmãos; apreciam e incentivam os outros irmãos; são honestos, forçam evitar o engano; visam satisfazer as necessidades dos outros, não fazem necessariamente o que o outro deseja; seria escravidão, mas o que o outro irmão precisa, o que é convertido em liderança; existe ocasião em que o irmão põem de lado sua própria vontade e necessidade apenas para defender um bem maior para seus irmãos; e acima de tudo, o irmão perdoa. Se houver dano prefere recolher-se, isolar-se por uns tempos, nunca fechando questão a ponto de nunca mais oportunizar reconciliação. Mesmo prejudicado, o irmão desiste do ressentimento. Tudo isto o tempo, o treinamento constante, a convivência frequente desenvolvem nestes que são verdadeiros irmãos. Explicar isto em palavras é difícil, senão impossível, daí a necessidade da convivência frequente e rotineira.
No passado alguém disse que o Grande Arquiteto do Universo só está onde as pessoas se tratam como irmãos e se amam uns aos outros. Hoje os verdadeiros irmãos que praticam o "amor ação" tudo fazem para que a divindade em cada um esteja presente de fato em todos os momentos de suas vidas. Assim são os irmãos maçons que honram seus juramentos.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

A MAÇONARIA E O CINEMA


A MAÇONARIA E O CINEMA


Arthur Conan Doyle, escritor inglês, criador do famoso detetive Sherlock Holmes, faz uma infinidade de referências maçônicas em suas obras.
Assim, relacionamos alguns títulos de filmes e livros, onde podemos encontrar símbolos maçônicos e referências à Maçonaria.
Referências Cinematográficas
"A Lenda do Tesouro Perdido"
O protagonista (Nicolas Cage), neto de um maçom, dá continuidade à busca de um tesouro, que há muito está escondido.
"Magnolia"
Este filme, de Paul Thomas Anderson, também contém referências maçônicas. Em uma das cenas, aparece um símbolo maçônico em uma enciclopédia, no instante em que um garoto estuda pela TV através de um game show. Em uma outra cena, um produtor de TV apóia sua mão no ombro do apresentador, mostrando um anel com símbolo maçônico, e dizendo "Nos encontramos entre o nível e o esquadro.". No elenco, Tom Cruise, Jeremy Blackman e Melinda Dillon.
Murder by Decree
Assassinato por Decreto
Sherlock Holmes investiga os mais infames casos londrinos de Jack, o Estripador. À medida em que ele investiga, ele descobre que o Estripador tem amigos nas altas classes, envolvendo os Maçons. No elenco, Christopher Plummer e James Mason.
Peggy Sue Married
Peggy Sue - O Passado a Espera
O avô de Peggy pertence à loja dos viajantes do tempo, mostrando um altar e um ritual usando a batida de martelo. No elenco Kathleen Turner e Nicolas Cage. Dirigido por Fancis Ford Coppola.
"Fim dos Dias"
"The End of Days"
Filme de 1999, onde o super astro do cinema Arnold Schwarzenegger ,enfrenta o maior e mais poderoso inimigo de todos os tempos - o próprio satã. Arnold faz o papel de um oficial de polícia. Em determinado momento ele diz: "Agora este amuleto é da ordem maçônica do antigo sub-heredom dos Cavalerios do Vaticano, Cavaleiros do Olho Sagrado. Eles aguardam a volta do anjo negro à Terra." Também, logo na abertura do filme, pode-se ver rapidamente, a figura famosa do Baphomet, de Eliphas Levy. No elenco, Gabriel Byrne, Kevin Pollak, Rod Steiger. Direção de Peter Hyams.
"Teoria da Conspiração"
"Conspiracy Theory"
Neste filme de 1997, Mel Gibson faz o papel de um motorista de táxi (Jerry Fletcher), na cidade de Nova Iorque. Ele acredita que o mundo em que vivemos está repleto de conspirações perigosas. Sua vida é uma loucura completa, sempre está em estado de alerta... sempre pronto para o pior. O emprego como motorista é apenas uma fachada para seu verdadeiro trabalho: reunir informações sobre novas ameaças ao redor do mundo e reuni-las em um informativo chamado "Teoria da Conspiração". Ninguém nunca se importou com as idéias absurdas de Jerry - até hoje. Perseguido por inimigos desconhecidos, Jerry sabe que finalmente desmascarou uma conspiração de verdade. Só não sabe qual delas ! Agora sua única chance de sobreviver é contar com a ajuda da advogada Alice Sutton (Julia Roberts), para descobrir qual a verdade que deve ser revelada ao mundo... antes que seja tarde demais! Em uma das cenas, Mel Gibson diz: "Os Maçons estão tentando melhorar o mundo." "George Bush é maçom, grau 33".
No elenco, Mel Gibson, Julia Roberts, Patrick Stewart. Direção de Richard Donner.
"Do Inferno"
"From Hell"
Johnny Depp, Heather Graham (de Boogie Nights - Prazer Sem Limites e Austin Powers, o Agente Bond Cama) e Ian Holm (O Senhor dos Anéis) estão juntos neste filme, baseado na história de Jack, o Estripador.
From Hell gira em torno de um investigador da Scotland Yard (Depp) que tenta desvendar os assassinatos do final do século 19 e acaba descobrindo uma série de falcatruas políticas relacionadas à família real. Graham faz o papel de uma prostituta perseguida pelo assassino. Um filme que envolve a Maçonaria como responsável pelos assassinatos. No elenco, Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm. Direção de Albert Hughes.
"Horizonte Perdido"
"Lost Horizon"
Este filme de 1937 é uma fantasia clássica romântica, dirigido pelo aclamado diretor Frank Capra. A história mostra um corajoso diplomata britânico e um grupo de pessoas que sofrem um acidente no Himalaia. Eles são resgatados pelos misteriosos habitantes do paradisíaco vale de Shangri-la. Edward Everett Horton diz "Eu encontrei um manuscrito que explica o significado oculto por trás de todos os símbolos maçônicos".
"Mad Max - Além da Cúpula do Trovão"
"Mad Max beyond Thunderdome"
Depois de perder todos os seus pertences para uma gangue, o herói Mad Max (Gibson) vai parar em Bartertown, uma cidade sem-lei governada pela astuciosa Aunty (Tina). Para recuperar o que é seu, Max tem que obedecer às duras leis locais: participar de um a luta que só acaba com a morte de um dos lutadores contra um gigante (Larsson). Destaques: Terceiro e último capítulo das aventuras do herói futurista Mad Max, que traz a participação de Tina Turner, cantando o sucesso We Don't Need Another Hero. Neste filme de 1985, quando o apresentador da luta, entre Mad Max e Blaster, anuncia a entrada dos lutadores, uma imagem de um Esquadro e um Compasso, aparece, um pouco desbotada, na parte da frente de sua camisa. No elenco, Mel Gibson, Tina Turner. Direção de George Millar.
"The Majestic"
"Cine Majestic"
Sem relação com a história, o símbolo do esquadro e do compasso pode ser visto uma vez no mausoléu na cena do cemitério e uma vez no edifício da avenida principal na segunda metade do filme. Drama. No elenco, Jim Carrey.
"The Man Who Would Be King"
O Homem que queria ser rei
Baseado na história de Rudyard Kipling. Soldados mercenários convencem a população da tribo do Kafiristão que eles são deuses, depois de descobrirem símbolos maçônicos e artefatos religiosos. No elenco Sean Connery, Michael Caine. Dirigido por John Huston. Drama/Ação.
"Sons of the desert"
Filhos do deserto
Ollie finge estar doente e pede para um médico, que na verdade é um veterinário, prescrever uma viagem para o Havaí. Stan e Ollie enganam suas esposas dizendo que vão para um cruzeiro medicinal para irem a uma convenção, mas elas descobrem a verdade. Eles aprendem que a honestidade é o melhor negócio.
O Imperador e o Rei
A história do Barão de Mauá.
Referências Literárias
Arthur Conan Doyle
Criador das histórias de detetive de Sherlock Holmes, Doyle fez muitas referências à Maçonaria em seus livros.
Umberto Eco
Em "O Pêndulo de Foucault", três ediores de Milão que tinham passado muito tempo juntos reescrevendo os manuscritos sobre teorias de conspiração e ocultismo, decidem escrever suas próprias explicações para os eventos mundiais. O mundo de ficção que eles criaram se torna realidade.
Ernest Hemingway
No livro "Adeus às Armas", um dos oficiais diz que não acredita em religião, mas acredita na maçonaria.
Rudyard Kipling
No livro "O Homem que Queria ser Rei", diz "Um Deus e o Grande Mestre do Ofício sou eu, e a Loja no Terceiro Grau eu abrirei, e então lenvantar a cabeça dos padres e dirigentes das cidades."
Robert Shea e Robert Anton Wilson
No livro "Illuminatus" aparecem numerosas referencias ao Iluminati da Bavaria e muitas referências à Maçonaria.
Leon Tolstoi
Descreve a iniciação de Pierre Bezukhoi em uma Loja russa.
Fernando Pessoa
Possui muitas referências místicas e simbólicas em seus textos e poemas.
Texto de Fernando Pessoa sobre o entendimento dos símbolos:
"O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo."
Fernando Pessoa
Nota preliminar do livro Mensagem

Visite o site de Fernando Pessoa.


Mais:

A MAÇONARIA E O CINEMA



O MASSACRE DE ROSEWOOD

Sinopse
No início de janeiro de 1923, na Flórida, a comunidade negra de Rosewood é atacada, queimada e tem parte da população morta por brancos de uma cidade vizinha em um espaço de quatro dias. Tudo isto pelas falsa alegações de uma mulher branca (Catherine Kellner), que foi espancada pelo amante (Robert Patrick) também branco mas teve medo de contar ao marido (Loren Dean) e achou mais "conveniente" dizer que tinha sido atacada por um negro. O xerife (Michael Rooker) tem dúvidas quando a veracidade dos fatos, mas é uma verdade que convêm, pois permite aos brancos darem vazão ao seu enorme preconceito. Mas um negro, que tinha chegado recentemente em Rosewood e pretendia se estabelecer por lá após ter lutado na Grande Guerra, decide combater os agressores e salvar quantos negros forem possíveis. Para isto pede auxílio ao único comerciante branco de Rosewood, que não sabe se fica com os brancos ou com a verdade.

Ano de lançamento: 1997 – EUA
Estúdio: Warner Bros. / Peters Entertainment / New Deal 
Direção: John Singleton
Elenco:
Jon Voight (John Wright)
Ving Rhames (Mann)
Don Cheadle (Sylvester Carrier)
Bruce McGill (Duke Purdy)
Loren Dean (James Taylor)
Esther Rolle (Tia Sarah)
Elise Neal (Beulah)
Robert Patrick (Amante de Fanny)
Michael Rooker (Xerife Walker)
Catherine Kellner (Fanny Taylor)
Akosua Busia (Jewel)
Paul Benjamin (James Carrier)
Kevin Jackson (Sam Carter)

Notas do colaborador:
      O filme é baseado em fatos reais.
      
A comunidade é constituída de maçons, sendo o Esquadro e Compasso visíveis em várias cenas, inclusive na parede frontal de um salão que é utilizado pelos moradores, tanto para reuniões como para festejos.
      Quando da fuga do elemento que realmente cometeu as agressões (que deram origem ao massacre), este ao encontrar-se com um negro, identificou-se maçonicamente e pediu ajuda, sendo respondido por seu interlocutor. É fato que, pela tradução das legendas,  o diálogo desse reconhecimento não está conforme é praticado no Brasil, não sabendo o colaborador a que atribuir essa discrepância, o quê, a propósito, considera deveras salutar.

A LENDA DO TESOURO PERDIDO
(National Treasure) - EUA, 2004 - Gênero: Aventura - Diretor: Jon Turteltaub

Sinopse
Benjamin Franklin Gates (Nicolas Cage) a um caçador de tesouros, função que já esta na 3ª geração em sua família. Durante toda sua vida Benjamin procurou um tesouro que ninguém acredita existir, tendo sido acumulado durante séculos e transportado por vários continentes para evitar que fosse roubado. As investigações de Benjamin sobre a localização deste tesouro fazem com que ele descubra que existe um mapa codificado escondido na Declaração de Independência dos Estados Unidos. Só que para conseguir Benjamin terá que enganar o FBI e roubar um dos documentos mais vigiados do país. Ma
Maçonaria
Não dá para destacar passagens - o filme inteiro dá uma grande referência à Ordem.

DO INFERNO
(From Hell) - EUA, 2001 - Gênero: Suspense - Diretores: Albert e Allen Hughes

Sinopse
No tempo em que Jack, O Estripador atacava nas ruas de Londres, o terror reinava. A selvageria de seus assassinatos indicava insanidade, mas a precisão diabólica comprovava que havia um método em tal loucura. Johnny Depp e Heather Graham estrelam este triller intrigante, narrado com grande estilo, que aperta sua garganta de forma esmagadora e fere profundamente como uma faca afiada à medida que revela uma conspiração chocante que, segundo alegações, envolveu os grandes poderosos da Inglaterra daquela época.
Maçonaria.
A Maçonaria aparece como pano de fundo para os assassinatos de Jack é ele próprio um maçom.

MAGNÓLIA
(Magnolia) - EUA, 1999 - Gênero: Drama - Diretor: Paul Thomas Anderson
Sinopse
Big Earl Partridge (Jason Robards) é um produtor de TV à beira da morte que deseja reencontrar o filho. Phill (Phillip Seymour Hoffman) É seu dedicado enfermeiro e Linda (Juliane Moore), sua jovem esposa. Frank (Tom Cruise), É um célebre guru machista, É o filho que Big Earl procura. Jimmy Gator (Philip Baker Hall) É o apresentador do famoso programa de TV que também está com câncer e procurando se entender com a filha Cláudia, cocainomaníaca. Stanley É um garoto-prodígio manipulado pelo pai oportunista. O ponto comum entre essa gente? Todos vivem num bairro de Los Angeles cortado por uma rua chamada Magnólia.
Maçonaria
Em uma das cenas, aparece um símbolo maçônico em uma enciclopédia, no instante em que um garoto estuda pela TV através de um game show. Em uma outra cena, um produtor de TV apóia sua mão no ombro do apresentador, mostrando um anel com símbolo maçônico, e dizendo "Nos encontramos entre o nível e o esquadro".

FIM DOS DIAS
(End of Days) - EUA, 1999 - Gênero: Terror - Diretor: Peter Hyams

Sinopse
Jericho Cane (Arnold Schwarzenegger) É um ex-policial que se vê diante de uma terrível luta entre a encarnação humana do demônio (Gabriel Byrne) e uma jovem e inocente mulher (Robin Tunney) escolhida para ser a mãe do Anticristo. À medida que os ponteiros do relógio avançam para a realização da profecia que pode levar ao fim do mundo, Jericho, sozinho; precisa proteger essa garota e livrar toda a humanidade de um destino completamente apavorante.
Maçonaria
Em determinado momento Jericho diz: "Agora este amuleto É da ordem maçônica do antigo sub-heredom dos Cavaleiros do Vaticano, Cavaleiros do Olho Sagrado. Eles aguardam a volta do anjo negro à Terra.

TEORIA DE CONSPIRAÇÃO
(Conspiracy Theory) - EUA, 1997 - Gênero: Suspense - Diretor: Richard Donner

Sinopse
O motorista de táxi Jerry Fletcher (Mel Gibson) acredita que o mundo em que vivemos está repleto de perigosas e assustadoras conspirações. Sua vida É uma loucura completa, sempre está em estado de alerta...sempre pronto para o pior. O emprego como motorista É apenas uma fachada para seu verdadeiro trabalho: reunir informações sobre novas ameaças ao redor do mundo e reuni-las em um informativo chamado "Teoria da Conspiração". Ninguém nunca se importou com as idéias absurdas de Jerry - até então. Perseguido por inimigos desconhecidos, Jerry sabe que finalmente desmascarou uma conspiração de verdade. Agora sua única chance de sobreviver É contar com a ajuda da advogada Alice Sutton (Julia Roberts), para descobrir qual a verdade que deve ser revelada ao mundo.
Maçonaria
Em uma das cenas, Mel Gibson diz: "Os Maçons estão tentando melhorar o mundo. George Bush É maçom, grau 33."

COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE
México, 1992 - Gênero: Drama - Diretor: Alfonso Arau

Sinopse
Baseado em romance do mesmo nome de Laura Esquivel, Como água para Chocolate acompanha a história de um camponês chamado Pedro (Marco Leonardi) que, em 1910, em plena Revolução Mexicana, se apaixona por Titi (Lumi Cavazos). Ele quer voltar para a Guerra, mas ela o enfeitiça com seu amor e seus dotes culinários. Podia ser apenas mais uma história de amor, mas se trata de um dos mais belos filmes do cinema latino-americano em todos os tempos. Foi a produção estrangeira de maior bilheteria nos Estados Unidos em 1993.
Maçonaria
Ritual fúnebre de corpo presente; explicações sobre o sentido da vida com símbolos que remetem à maçonaria.

PEGGY SUE O PASSADO A ESPERA
(Peggy Sue Got Married) - EUA, 1986 - Gênero: Comédia Romântica - Diretor: Francis Ford Coppola

Sinopse
Peggy Sue (Kathleen Turner), mãe, divorciando-se de Charlie Bodell (Nicolas Cage) aos 43 anos de idade, ao organizar uma festa de ex-alunos da Escola, volta no tempo. Apesar de poder redirecionar sua vida, acaba fazendo as mesmas escolhas.
Maçonaria
O avô de Peggy pertence à Loja dos viajantes do tempo, mostrando um ritual da mesma.

REVELAÇÕES PERIGOSAS
(Secrets) - Inglaterra, 1983 - Gênero: Drama - Diretor: Gavin Millar

Sinopse
História de uma garota de 13 anos, Louise (Anna Jones), que vive com sua mãe (Helen Lindsay). Louise descobre que seu falecido pai possuía documentos secretos, e, através de sua curiosidade, descobre que o mesmo era Maçom. O filme foi feito para uma série da televisão inglesa, "First Love", e não há registro de ter sido lançado em vídeo ou DVD.
Maçonaria
Louise tenta explicar às suas amigas o que é a Maçonaria, além de tentar repetir seus rituais.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE
(Independência ou Morte) - Brasil, 1972 - Gênero: Histórico - Diretor: Carlos Coimbra

Sinopse
Tendo como ponto de partida o dia da abdicação de D. Pedro I (Tarcísio Meira), É tratado um perfil do monarca, desde quando ainda menino veio da Europa, quando sua família fugia das tropas napoleônicas e sua ascensão à Príncipe Regente, quando D. João VI (Manuel da Nóbrega) retornou para Portugal. Em pouco tempo a situação política torna-se insustentável e o regente proclama a independência, mas seu envolvimento extraconjugal com a futura Marquesa de Santos (Glória Menezes) provoca oposição em diversos setores e José Bonifácio de Andrada e Silva (Dionísio Azevedo) pede demissão do Ministério, mas este não seria o único caso, que ministros e nobres entrariam em choque com o imperador por causa da marquesa, que permanentemente influenciava as decisões do soberano, mas tudo isto causava um inevitável desgaste político.
Maçonaria
Cenas da Iniciação de Dom Pedro, do discurso de Gonçalves Ledo, do fechamento do Grande Oriente.

ASSASSINATO POR DECRETO
(Murder by Decree) - Inglaterra/Canadá, 1979 - Gênero: Ação - Diretor: Bob Clark

Sinopse
Sherlock Holmes (Christopher Plummer), auxiliado pelo Dr. Watson (James Mason), tenta decifrar as pistas que levarão ao assassino Jack, o Estripador, mas, descobre uma conspiração para acobertá-lo.
Maçonaria
Dentre os amigos que tantam acobertar Jack, vários são maçons.

O HOMEM QUE QUERIA SER REI
(The Man Who Would Be King) - Inglaterra/EUA, 1975 - Gênero: Aventura - Diretor: John Huston

Sinopse
Daniel Dravot (Sean Connery) e Peachy Carnehan (Michael Caine) são dois amigos que firmam um contrato um com o outro: viajar para um país distante, Kafiristan, e ajudar os líderes locais a vencerem seus inimigos. Quando tiverem conseguido seu intento, eles derrubariam estes 'líderes' e se tornariam os reis da região. Em caso de perigo, um deve ajudar o outro, reza o contrato, assinado por ambos e por uma testemunha: o editor de um pequeno jornal, Rudyard Kipling (Christopher Plummer).
Maçonaria
No início do filme, Carnehan rouba um relógio de Kipling e, ao abrir o mesmo, vê que são Irmãos... Se identificam como maçons... A partir daí, o filme passa à aventura até que se descobrem em uma tribo perdida cujo último grande Rei teria sido Alexandre o Grande.

HORIZONTE PERDIDO
(Lost Horizon) - EUA, 1937 - Gênero: Aventura - Diretor: Frank Capra

Sinopse
O diplomata inglês Robert Conwal (Ronald Colman) e outros sobreviventes de um desastre aéreo chegam à cidade perdida de Shangri-lá, nos Montes Himalaias. Isolados do mundo em guerra, os habitantes da cidade têm um mistério e motivos para não saírem de lá.
Maçonaria
Alexander (Edward Everett Horton) diz: "Eu encontrei um manuscrito que explica o significado oculto por trás de todos os símbolos maçônicos".

MANDANDO BALA
(Shoot 'em Up) - EUA, 2007 – Gênero: Ação

Sinopse
Durante um tiroteiro, mulher dá à luz um bebê, ajudada por Smith (Clive Owen). Este homem misterioso recebe, então, a missão de proteger o recém-nascido de um grupo de assassinos e descobrir por que querem matá-lo. Para isso, busca a ajuda de DQ (Monica Bellucci), uma mulher sensual, enquanto foge do perigoso sr. Hertz (Paul Giamatti).
Maçonaria
O Sr. Hertz tem o botton da Maçonaria (esquadro e compasso) preso em seu sobretudo. Em todas as cenas que aparece o Sr. Hertz, percebe-se a presença do botton.


quinta-feira, fevereiro 10, 2011

JACOB BOEHME



JACOB BOEHME

Jacob Boehme (1575-1624), o Filósofo Teutônico, "Príncipe de todos os Videntes medievais", nasceu de uma família camponesa de Alt Seidenberg, a cerca de dois quilômetros de Goerlitz, na Silésia alemã. Embora não recebesse nenhuma educação formal além de aprender a ler e escrever, ele estava destinado a descobrir o significado interno da Bíblia e o coração místico da vida espiritual.
Quando menino ele passava longas horas observando o gado de seus pais a pastar perto da vila. Em meio à solitude ele teve sua primeira visão. Ele viu um grande recinto cheio de riquezas, que ele interpretou como sendo os poderes ocultos que ele havia de possuir. Ele fez um voto de jamais usá-los para propósitos egoístas. Sobre a visão, ele disse: "Só posso compará-la a uma ressurreição dos mortos". Desde então ele começou a ler a Bíblia e os escritos de Paracelso numa abordagem esotérica.
Embora fisicamente saudável, ele não era nem grande nem robusto, e em 1589 seus pais o levaram a um sapateiro para que ele aprendesse o ofício. Uma vez, estando a cuidar sozinho da loja, um estranho entrou e perguntou pelo preço de alguns sapatos. Boehme, notando um olhar extraordinário no estranho, disse não saber dos preços dos sapatos, mas o estranho, antes do que procurar o sapateiro, disse a Boehme que, embora ele fosse de baixa estatura, se tornaria grande entre os homens e "causaria muita admiração no mundo". Advertindo Boehme para que permanecesse fiel ao seu voto original, o estranho desapareceu tão misteriosamente como havia surgido.
Em 1599, com vinte e quatro anos, Boehme tornou-se mestre-sapateiro e casou com uma mulher que o amou e confortou até a morte. Sua família enfim incluía quatro filhos e duas filhas.
No ano de 1600 Giordano Bruno foi queimado na fogueira, por ousar ensinar que o universo é infinito e por causa do seu ataque geral ao dogmatismo Cristão sob todas as formas. O mesmo ano testemunhou a segunda iluminação de Boehme. Em 1610 ele já tinha tido uma terceira visão, na qual ele experimentou o esplendor divino de toda a natureza: "Enquanto estava naquele estado", escreveu ele mais tarde, "meu espírito via imediatamente através de tudo". 'Aurora', seu primeiro e maior livro, foi iniciado em 27 de janeiro de 1612 e publicado mais adiante, no mesmo ano.
Quando Gregorius Richter, o pastor Luterano local, leu o relato de Boehme sobre "o Rubor da Aurora no Nascimento do Sol, isto é, a Raiz e Mãe da Filosofia, Astrologia e Teologia", ele explodiu numa ira indignada. Correndo para o Conselho Municipal de Goerlitz, ele solicitou que Boehme fosse banido da cidade. Surpreso e atemorizado, o Conselho cedeu e exilou Boehme, só para envergonhar-se de sua decisão contra um homem cuja reputação, trabalho e vida religiosa eram inatacáveis. O Concílio retificou sua ordem no dia seguinte mas só sob a condição de que Boehme deixasse para sempre de escrever. Logo depois disso Boehme vendeu sua sapataria em declínio e passou a viajar freqüentemente, como comerciante, para as grandes cidades da região, incluindo Praga e Dresden. O impulso interno de compartilhar de sua percepção interior com seus irmãos se tornou forte demais para poder ser reprimido, e a última década de sua vida viu a publicação de uma série de obras, incluindo 'Sobre a Verdadeira Resignação', ''A Assinatura de Todas as Coisas', 'Sobre a Regeneração', e o belo diálogo devocional 'Sobre a Vida Supra-sensorial'.
Richter investiu novamente, denunciando no púlpito Boehme e diante do próprio. "Seguireis vós", bradou Riochter, "as palavras de Jesus Cristo" - um carpinteiro - "ou as palavras de um sapateiro?". Boehme calmamente respondeu: "Não é o eu que eu sou quem conhece estas coisas, mas Deus as conhece em mim".
Quando Abraham von Franckenburg publicou 'O Caminho até Cristo', uma coleção de escritos de Boehme, a fúria de Richter impôs um novo exílio sobre Boehme. Ele retirou-se para Dresden sem que lhe fosse permitido despedir-se de sua família. Na mesma época, o Imperador reuniu um grupo de eminentes teólogos, e Boehme foi convidado a expor e explicar suas concepções. Sua pureza de alma e expressão modesta comoveram tanto os membros do concílio que eles expressaram publicamente que havia sido um privilégio aprender com ele e julgaram-se incompetentes para questionar sua ortodoxia. Os Doutores Gerhard e Meissner se tornaram seus seguidores.
Vingado pelas melhores mentes religiosas de sua época, Boehme soube que seu trabalho estava terminado. Ele previu a hora de sua morte, preparou-se, deixou seus negócios em ordem, e morreu em 17 de novembro de 1624, dizendo: "E agora rumo ao Paraíso" - uma declaração oculta de acordo com sua teologia esotérica. Seus inimigos em Goerlitz impediram seu funeral até que o Conde Hannibal von Drohna os obrigou. A magnífica cruz colocada em sua tumba foi destruída pelos seus oponentes. Mas seus seguidores, muitas vezes perseguidos, continuaram a imprimir suas obras e viram que elas acabaram caindo nas mãos daqueles que apreciavam seu caráter transcendente e espiritual.
Os escritos de Boehme formam um todo sinfônico, articulando temas centrais, embelezando-os em muitos níveis de significado, voltando a eles e fundindo-os em uma visão unificada de Deus, do Homem e da Natureza. Seus vasto sistema místico e metafísico é expresso em termos metafóricos, freqüentemente de sua própria lavra, e em uma linguagem bíblica simbólica.
De acordo com os 'Seis Pontos Teosóficos' de Boehme, o Sem-raiz eterno, "que existe e também não existe", se manifesta primordialmente como vontade, "uma falta de raiz que deve ser considerada como um eterno nada".
"Não é um espírito, mas uma forma do espírito, como o reflexo em um espelho. Pois a forma de um espírito é vista no reflexo ou no espelho, e ainda assim não há nada que o olho ou o espelho vejam; mas é vendo em si mesmo, pois não há nada mais profundo do que ele.
"Esta vontade primeira, dirigida para o Sem-raiz, percebe a potencialidade abstrata do espírito como um véu sobre ele. Quando a vontade volta-se para fora de si mesma, o véu se torna uma luminosidade informe.
"Pois se a imagem se separa do espelho, o espelho passa a ser uma clara luminosidade, e sua luminosidade é um nada; e mesmo assim todas as formas da Natureza estão ocultas ali como um nada; mas ainda são verdadeiras, embora não em essência".
"E assim", conclui Boehme, "um é livre do outro, mas o espelho é o verdadeiro continente da imagem". O Sem-raiz permanece alheio a toda relação com a Natureza numenal, embora a contenha".
O desejo pristino surge nesta vontade e produz essências, a base do ser, manifestando-se como o Coração, "pois é a Palavra da vida, ou sua essencialidade". O movimento em direção ao Coração, "indo para dentro de si mesmo até o centro da raiz" é chamado Espírito, "pois ele é aquele que encontra, e desde a eternidade encontra onde não há nada". Estes três - Vontade, Palavra e Espírito - são a "santa Tri-unidade de Deus", a Deidade manifesta contra o Sem-raiz absoluto, e a fonte da natureza.
O poder pelo qual a Natureza evolui é a Magia. "A Magia é a mãe da eternidade, do ser de todos os seres", escreveu Boehme em seu 'Seis Pontos Místicos', "pois ela cria a si mesma, e é entendida no desejo".
Em si ela não é nada mais que uma vontade, e esta vontade é o grande mistério de todas as maravilhas e segredos, mas faz vir a ser a si mesma pela imaginação daquele que deseja. É o estado original da Natureza.
A Verdadeira Magia não é uma entidade, mas antes o espírito desejoso ou criativo de todos os seres.
É uma matriz sem substância, mas manifesta a si mesma no ser substancial. A Magia é espírito, e o ser é seu corpo; mas os dois são um só, e corpo e alma são apenas uma só pessoa. A Magia é o maior segredo, pois está acima da Natureza e conforma a Natureza à sua vontade. É o mistério do Ternário, isto é, é a vontade no desejo seguindo em direção ao coração de Deus.
Os três aspectos da Deidade dão cada um nascimento aos outros, e a magia é a potência criativa que surge em sua reciprocidade e que faz com que todas as coisas venham a ser. "Em suma: a Magia é a atividade do espírito-Vontade". Assim, os aspectos material, moral e espiritual da existência manifesta têm suas origens na Magia.
A natureza manifesta tem duas qualidades, chamadas, em seus aspectos éticos, de bem e mal, embora ambos sejam na realidade a vontade eterna. A qualidade boa leva ao coração da Deidaede, e a qualidade raivosa afasta da Divindade (Godheit) em direção à diferenciação. Em seu comentário sobre 'Aurora', Louis Claude de Saint-Martin assinala: "Pela palavra 'ira' o autor entende o poder eterno em si, separado do amor, justiça e luz". A ira de Deus, exemplificada em numerosas lendas Bíblicas, é o poder eterno da vontade invocado e canalizado através das vontades refletidas dos homens, quando eles se afastaram do amor universal, da justiça imparcial e da iluminação interna.
A Árvore da Vida é, portanto, também a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e "o fruto que cresce da árvore significa os homens". O homem tem inclinações para o bem e para o mal. Quando ele é atraído para o mundo da manifestação, o mal predomina; mas quando ele responde à seiva vitalizante da árvore, o bem o eleva à Deidade, que é a própria seiva. A maioria da humanidade agora "está meio-morta" e "conhece apenas em parte", embora a natureza "tenha em todas as épocas guiado e instruído os homens sábios, santos e inteligentes" que "sempre com seus escritos e ensinamentos têm sido uma luz para o mundo".
"Quando a alma é acesa ou iluminada pelo Espírito Santo, então ela triunfa no corpo, como um grande fogo, que faz o coração e os afetos tremer de alegria".
A Filosofia, a Astrologia e a Teologia são os três ramos do conhecimento que constituem a Aurora, simbolizada na Árvore da Vida. A Filosofia trata da vontade divina, da natureza da Deidade, dos arquétipos de todas as coisaas e das qualidades boa e irada na natureza. A Astrologia, "de acordo com o espírito e os sentidos, e não de acordo com a especulação", demonstra os poderes da natureza, dos astros e dos elementos, e como estes afetam todas as criaturas. A Teologia explica a natureza do princípio Crístico, como ele constitui um reino em guerra contra o princípio irado do mundo perecível, e como os homens se tornam habitantes de um ou de outro reino.
Os mundos espiritual, sideral e terrestre estão em relações mútuas e são unidos por correlações e correspondências através do poder deífico que se irradia através das formas ou matrizes abstratas até os diversos graus de objetividade. Em 'A Assinatura de Todas as Coisas' Boehme escreve:

"Todo o mundo externo visível, com todos os seus seres, é uma assinatura, ou figura, no mundo interno espiritual; o que quer que haja internamente, e qualquer que seja sua operação, terá seu caráter externo conformado do mesmo modo; como o espírito de cada criatura estabelece e manifesta a forma interna de seu nascimento através de seu corpo, do mesmo modo o faz o Ser Eterno".
Os seis dias da criação simbolizam as "seis formas do poder atuante" na natureza, através do qual o mundo visível vem a expressar a "divina corporalidade pela qual são gerados todas as coisas e vêm a formar um ser", isto é, o cosmo. Eles têm seu repouso e síntese no sétimo, que superintende mas jamais anima diretamente seja a substância divina seja a matéria terrestre. Os seis poderes que ele emite são "o divino som... pelo qual são manifestas todas as formas".
A Natureza pode ser entendida em termos de sete propriedades.
Existem especialmente sete formas na natureza, tanto na natureza eterna como na externa; pois o externo procede do eterno. Os filósofos antigos deram nomes aos sete planetas de acordo com as sete formas da natureza. Mas eles, com isso, entenderam outra coisa - não só os sete astros, mas as propriedades sétuplas na geração de todas as essências.
Saturno representa o desejo-energia de uma matriz, que nutre-se da vontade livre da eternidade, e que se torna energia harmoniosamente ordenada, a imagem da eternidade. Esta condição é representada por Júpiter. Saturno permite ao eterno se manifestar como essência, e Júpiter significa a potência de sensibilidade. Marte representa a manifestação do desejo-energia como poder ardente, a origem do sentimento e ]om isso do sofrimento. Ele também é a origem do desejo-amor e, portanto, é o princípio que pode aspirar à unidade com o eterno, ou à separação dele. O Sol simboliza a "luz da natureza" pela qual são contemplados os outros planetas. Vênus é o começo da corporalidade e dá origem ao desejo falso ou terrestre. Mercúrio é o símbolo da discriminação, o separador de todo pensamento e consciência. Quando desperto, é santo e divino, mas pode matar tão facilmente como pode criar. A Lua é "a essência reunida" da corporalidade. O artista espiritual sabe como os 'planetas' devem ser reunidos, as combinações cujas influências são daninhas e aquelas onde se rejubilam mutuamente e conjugam suas potências em uma exaltação divina.
Talvez o maior ensinamento de Boehme a respeito da senda espiritual seja seu 'Diálogo sobre a Vida Supra-sensorial'. Um Discípulo questiona seu Mestre: "Como posso chegar à vida supra-sensorial?" O Mestre responde:
"Filho, quando puderes te lançar n'AQUILO, onde residem todas as criaturas, mesmo que só por um momento, então ouvirás o que Deus fala... Bendito serás doravante se puderes ficar longe do pensamento em ti mesmo e da vontade pessoal, e puderes parar a roda de tua imaginação e de teus sentidos... então passarás ao supra-imaginário, e à vida intelectual, que é um estado de vida acima das imagens, figuras e sombras".
Então nada poderá fazer mal à pessoa, pois ela se torna como todas as coisas. Mas "se fores como todas as coisas, deves esquecer todas as coisas". Desejar uma ou outra coisa é estabelecer um laço com ela, e este laço separa a pessoa do resto da natureza ao mesmo tempo que permite à pessoa ser afetada e modificada em sua própria natureza. O único desejo que leva à vida supra-sensorial é o desejo do Cristo, o Coração da Deidade, pois nele a pessoa entrega toda a vontade à vontade original do ser.
Quando o Discípulo pergunta: "O que é aquilo que devo abandonar?", o Mestre responde que todos os amores parciais devem ser abandonados em favor do amor de Cristo, pois "no amor há certa grandeza e amplitude de coração  que é inexprimível". Neste amor "a pessoa não pode ter vontade alguma de amigos espirituais e relacionamentos, que estão todos enraizados juntos com ela no amor que vem de cima".
"A virtude do amor é NADA e TUDO, ou aquele nada visível de onde procedem todas as coisas; seu poder está em todas as coisas; sua altura é a de Deus; sua grandeza é tão grande como Deus. Sua virtude é o princípio de todos os princípios; seu poder sustenta os céus e mantém a terra; sua altura é mais alta do que os mais altos céus; e sua grandeza é até maior do que a própria manifestação da Divindade na luz gloriosa da essência divina, sendo infinitamente capaz de manifestações cada vez maiores em toda a eternidade. O que mais posso dizer? O amor é mais alto do que o mais alto. Sim, de certa forma é maior do que Deus; embora no sentido maior de todos, Deus é AMOR, e amor é Deus. Sendo o Amor o princípio mais alto, é a virtude de todas as virtudes, pois elas derivam dele. Sendo o Amor a maior majestade, é o poder de todos os poderes, pois a partir dele eles operam variadamente. E é a raiz mágica e santa, ou o poder espiritual de onde todas as maravilhas de Deus foram produzidas pelas mãos de seus servos eleitos, em todas as suas gerações sucessivas. Quem quer que descubra isso, descobre todas as coisas".
O Discípulo, tendo aprendido que a sabedoria do mundo é loucura quando comparada à sabedoria divina, pergunta como a luz da sabedoria inferior deve ser usada. O Mestre responde que "em tua alma existem duas vontades, uma inferior, para te levar para as coisas externas e inferiores, e uma vontade superior, que te leva para as coisas internas e superiores". Estas duas se colocam uma contra a outra no homem não-regenerado. Similarmente, a alma tem dois olhos, que encontram sua imagem nos olhos da forma física.
"O olho direito busca em ti à frente, na eternidade. O olho esquerdo em ti procura atrás, no tempo".
Assim como "devemos aprender a distinguir bem entre a coisa e aquilo que é só uma imagem sua", devemos sacrificar a vontade inferior à vontade divina da qual ela é a imagem. Então os dois olhos podem se fundir numa unidade de visão na qual contemplamos "com o olho da eternidade as coisas eternas" e "com o olho das coisas naturais, e ambos contemplando assim as maravilhas de Deus, e com isso sustentando a vida do veículo externo ou corpo". Nas palavras do 'Evangelho de Mateus', "A luz do corpo é o olho: se portanto tiveres só um olho, todo o teu corpo ficará cheio de luz".
Tendo instruído seu Discípulo de que "Tudo está na vontade", o Mestre adverte:
"... quando o corpo terrestre perece, então a alma deverá ser aprisionada na mesma coisa que tiver recebido e deixado entrar; e se não deixares entrar a luz de Deus, sendo privado da luz deste mundo, não poderá senão se encontrar em uma prisão escura".
A alma iluminada, tanto na morte como na vida, transcende as condições de lugar e tempo, pois sua luz é a luz primordial que vela o mistério daquele Sem-raiz que está além da deidade.
A despeito de virulenta oposição, os ensinamentos deste homem de visão que penetrou no cerne universal do pensamento Cristão se espalharam rapidamente pela Europa e Inglaterra. Eles indicaram o caminho em direção a uma percepção da verdade e a uma devoção ao divino que transcendeu o dogma e a intolerância das igrejas, atravessou as superstições e embelezamentos da teologia, e abriu o livro da Natureza tríplice onde o Eterno incessantemente inscreve suas palavras.