sexta-feira, abril 22, 2011

CONCEITO DE SOCIEDADE, SOCIEDADES CULTURAIS E SUAS INFLUÊNCIAS NA CIÊNCIA MODERNA NOS SÉCULOS XVII E XVIII, REAL SOCIEDADE

CONCEITO DE SOCIEDADE, SOCIEDADES CULTURAIS E SUAS INFLUÊNCIAS NA CIÊNCIA MODERNA NOS SÉCULOS XVII E XVIII, REAL SOCIEDADE
Edson de Souza Couto[1]
RESUMO
           A análise das Sociedades Culturais dos séculos XVII e XVIII, principalmente na Inglaterra, desde suas formações, objetiva estabelecer as relações intrínsecas entre as diversas correntes de pensamento da época e fixar quais os elementos que aglutinaram divergências políticas e religiosas em torno de único propósito: “ Ciência Moderna”. A Real Sociedade será o resultado deste equilíbrio intelectual, onde opiniões e posturas pessoais dão lugar ao interesse coletivo e às mais nobres intenções.
Palavras-chave: Sociedades Culturais, Ciência Moderna, Real Sociedade, História Cultural.
Introdução
      Conhecer o pensamento humano talvez seja o maior desafio da ciência. O homem enquanto individualidade é um complexo quebra-cabeça formado de sentimentos, ideais, éticas,moralidades, culturas e verdades. Contudo existe uma dificuldade ainda maior, compreender este homem no seu meio, em sociedade, diante do amálgama de necessidades e de sonhos, de ambições e realidades.
      Todavia, foi no crepúsculo da Era da Razão e no alvorecer da Era da Luzes que se nos apresenta uma das mais surpreendentes sociedades civis, a Real Sociedade, engendrada e constituída pelos mais notáveis homens de sua época, mas que no entanto tinham motivos de sobra para serem inimigos.
       Em assim sendo propõe-se desvendar este mistério trazendo à luz, conceitos primordiais à compreensão dos agrupamentos sociais, suas inter-relações, suas nuances, sem contudo parecer um Tratado Sociológico à moda Durkheim, nem tão pouco enveredar-se pela Psicologia Social de Piaget, embora necessário beber destas fontes, irrefutavelmente.

“O homem é reconhecido como um animal social: “qualquer um que não consegue lidar  com a vida comum ou é totalmente auto-suficiente que não necessita e não toma parte da sociedade,  é um bicho ou um deus” (Aristóteles, 384-322 a.C.)”



1.    Sociedades e Sua Formação
      O homem é um ser social[2]. Desde a mais remota antiguidade até os dias de hoje necessita do outro para viver e compartilhar a vida. No princípio por questões de pura sobrevivência, como combater o frio pelo calor dos corpos, a caça em comum e a auto-proteção contra as ameaças externas. As relações de consangüinidade, de prole, de preservação da espécie, de afinidades formam a primeira unidade social, a família. A família é uma sociedade complexa e, portanto, nos exige conceituá-la. No entanto surge um paradoxo neste contexto, o homem é uma personagem única, individual, sem igual na natureza; poderá haver milhares de seres humanos e, no entanto, todos guardarão diferenças inquestionáveis. Estas diferenças vão se manifestar em todos os campos da identidade humana seja, psicologicamente, intelectualmente, fisicamente, etc. Nem citaremos a questão do gênero, assunto para outro momento.  Então porque se associar? Que elementos fazem ou exigem do homem a necessidade de se unir a outros homens, tão diferentes entre si? O que é uma sociedade? Qual sua finalidade? No que se assenta sua natureza? Quais suas influências na vida e na cultura do homem? O que ciência moderna obteve de benefício com as sociedades?
2.    Sociedade, Contrato Social, Estado, Nação
         O homem é um ser pensante que por ser frágil não sabe viver isolado, precisa da interação com seus semelhantes a fim de buscar o seu autoconhecimento, capta e retêm informações e, portanto atinge níveis de consciência melhorando assim o convívio social.
        Socializa-se não apenas porque depende de outros para viver, mas porque os outros influenciam na maneira de conviver entre si mesmos e com aquilo que deseja e fazem (Eugênio Mussak)[3].
        Todavia houve um tempo em que estas associações tornaram-se tão importantes para vida humana que passaram a relacionar-se entre si, formando a idéia de Estado, ou seja, as sociedades juridicamente organizadas.
         Por outro lado se analisarmos a citação do epílogo esta sugere que nós somos, pela nossa diferente natureza, rebanho de animais dirigidos por uma irreconhecível e persvasiva predisposição biológica de associar-se a outros membros de nossa espécie. Esta colocação filosófica é também um axioma. No entanto, o problema está no processo cognitivo que faz com que as pessoas se auxiliem, reciprocamente ou não, ou até sintam-se renitentes ao ato de auxiliar. O homem como ser social está envolvido de alguma forma evidente de relacionamento com outros: dando suporte, demandando, ditatorial, justa, explorativa ou altruísta. Tais características poderiam aumentar ou diminuir o bem-estar social subjetivo das pessoas. A participação em grupos já tem sido objeto de pesquisa de muitos estudos.
           Um senso comum sobre “viver em grupos” tem sido estabelecido desde o início do século 20. Freud (1922), nos seus escritos sobre psicologia de grupos e na análise do ego, considerou que sendo membro de um grupo satisfaz necessidades e desejos psicológicos básicos. William McDougall[4], citado por Forsyth (1996), em um trabalho intitulado “Uma Introdução à Psicologia Social”, 1908, argumenta que um “instinto de rebanho” nos dirige para nos reunirmos em grupos. Segundo o autor, acredita-se que a dureza da vida no campo faz as pessoas emigrarem para as cidades. Porém, outros argumentos talvez invertam esta verdade. Talvez, a alta densidade populacional nas cidades, o vasto rebanho humano é que exerce atração naqueles que vivem fora dele.
             Outros autores entendem que o homem vive em sociedade como forma de suprir suas necessidades funcionais e de provisão social. Esta característica funcional evidencia que a vida em grupo seja preferida do que a solidão; grupos suprem-nos com recursos que nós necessitamos para uma existência social. Este conceito não se limita a uma necessidade física de estar com os outros. Shaver (1973) conclama que “provisão social” deve ser entendida entre intimidade psicológica, integração e envolvimento. Nesse sentido, Bale (1980) analisou dominância / submissão e seus aspectos negativos em grupos, e Weiss (1986) também solicita que haja distinção entre solidão social e emocional.
             Alguns autores têm sugerido modelos para analisar as funções da vida social e a necessidade humana para unir-se em grupos. Forsyth (1996) [5] apresenta um modelo teórico chamado de “as cinco grandes tradições nos grupos”:
• Pertencimento – Supre a oportunidade para contato e relacionamento com outros indivíduos em uma organizada rede social, promove comunicação geral e interação social entre as pessoas;
• Intimidade – proporciona oportunidade para um caloroso, suportável, amigável e solidário relacionamento com outros. Além de propiciar coesivo trabalho de grupo;
• Produtividade – Oferece oportunidade para a produção, aquisição, sucesso, controle de recursos e execução de tarefas orientadas;
• Estabilidade – Fornece aos indivíduos sentido de aumento de estabilidade ou decréscimo de ansiedade, diminuindo dúvidas pessoais, tensão, vulnerabilidade, insegurança e autopiedade; enquanto aumenta a auto-estima, relaxamento quanto à dureza da vida, satisfação pessoal e identidade (suporte social);
• Adaptabilidade – Oferece oportunidade para criatividade, refinamento de idéias, melhoria pessoal, aumento da capacidade de entender a si mesmo e os outros, melhoria das relações interpessoais (aprendendo habilidades sociais e sociabilizando-se como membro).
           De outra forma a Ciência Social, a Sociologia, nasce para tentar entender e explicar cientificamente esta nova realidade afirmando que o homem enquanto ser social partilha uma herança genética que o define como ser humano. A nossa estrutura cerebral permite-nos desenvolver a linguagem e interpretar os estímulos provenientes do meio.
          É na capacidade de o ser humano se adaptar ao meio e de transmitir ás gerações seguintes as suas conquistas, é na sua capacidade de aprender que reside a linha que distingue o ser humano do animal. O homem só se realiza como pessoa na relação com os outros, relação essa que tem vários níveis e assume múltiplas formas:     Universalidade; Sociabilidade e Intimidade.  
         Ao nível da intimidade a pessoa encara-se como um ser dotado de uma consciência de si, baseada na racionalidade e nas emoções que, embora seja individual e interior, só se constrói com base em relações significativas com outros seres humanos...
          Ao nível da sociabilidade a pessoa encontra-se como membro de uma sociedade organizada, necessitando de passar por um longo processo de socialização até que  possa assumir-se como um membro ativo da sociedade a que pertence. Não se pode dizer que a sociedade é uma mera soma de indivíduos, uma vez que cada indivíduo é, em si mesmo, um produto da cultura da sociedade a que pertence...

"Dentro de ti estão todos os que te viram como gente ou não, cada palavra que te dirigiram é uma luz ou uma ferida, às vezes, um clarão que cega  ou mostra que sim, outras vezes um muro de sombra e um rio que secou sem razão porque a palavra não pode semear-se no campo largo do contentamento fazendo crescer uma floresta morta de desencanta no que podia ser um jardim ou um campo verde sem principio nem fim"
"Não podemos viver isolados porque as nossas vidas estão ligadas por mil laços invisíveis"  Herman Melville





 
           A filosofia, a arte,a religião, a literatura, a ciência...são vias para alcançar a Universalidade, uma integração do individuo no COSMOS, no TODO, realizando-se como Pessoa, no encontro do que o transcende e pode dar um sentido à sua existência.

Pensadores Modernos, a fim de justificar as causas das associações humanas apresentam duas Teorias. Do ponto de vista sociológico podemos citar as duas versões clássicas da teoria contratualista que são hoje expostas como simples curiosidade histórica, contudo que muito nos dizem.
           Em sua obra LEVIATHAN, Hobbes[6] afirmava que a princípio, durante a vida primitiva, os homens viviam isolados, em absoluta liberdade, que nessa interdependência, os homens se mostravam desprovidos de moral e extravasavam seu egoísmo violento num mundo prematuramente em guerra. Daí seu refrão: “homo homi ni lupos”. (o homem é o lobo do homem).
Para bloquear a autodestruição, os homens resolveram fazer um pacto – social em que todos abriam mão dos seus direitos, inclusive da sua liberdade, entregando–os à autoridade de um príncipe, - o LEVIATHAN. Assim, criava-se artificialmente, a sociedade civil, dirigida a ferro e fogo, pelo autoritarismo arbitrário, - por onde Hobbes esperava agradar a monarquia absolutista inglesa.
          Rousseau[7] descrevia um quadro oposto ao de Hobbes, para chegar à teoria de “contrato social”, - precisamente o nome de sua obra. Afirmava que o homem, originalmente, vivia livre e feliz, em contato direto com a natureza. Em certo momento, o homem reconheceu que a vida associativa lhe daria certas vantagens, embora prejudicasse sua liberdade e, conseqüentemente, sacrificasse sua felicidade. Para lograr aqueles benefícios, o homem teria feito àquele “contrato social”; mas, sua tendência é retornar ao estado primitivo e natural.
          Para Hobbes, o homem nascia mau: a sociedade é que o punha nos eixos, assim mesmo sob a autoridade de Leviathan.
Para Rousseau, o homem nascia bom e feliz: a sociedade é que o pervertia, tornando-o mau e infeliz - razão pela qual recomendava o governo liberal, em que as obrigações civis ferissem menos a liberdade de cada um.
Rousseau fez uma reflexão interessante (conquanto igualmente errada), a respeito da vivência de um casal. Assim, quando se diz que ele era anti-social, poder-se-ia indagar se recusaria a viver com uma mulher... Certamente não, - diria ele. Só que aí no seu entendimento, não há um fato social. Este se caracteriza pela existência de um bem-comum. Importante verificar que a formação das sociedades modernas levou em conta inúmeros fatores, desde o caráter natural, bem como psicológico, econômico, cultural, religioso, estratégico, etc.
           Os séculos XVI, XVII e XVIII sob forte influência dos resquícios da Renascença e efervescência do Iluminismo, principalmente na Inglaterra e na França, desempenharam papel importante no surgimento do pensamento científico e, no implemento daquilo que chamaríamos, mais tarde, de Ciência Moderna.          Nomes como Hipócrates[8], Galeno[9], Copérnico[10], Galileu[11], Grosseteste[12], Bacon[13], Occam[14], constituirão a base e os alicerces da das teorias científicas modernas. Tudo culminando com as descobertas de Isaac Newton[15], que foi um dos Presidentes da Real Sociedade, uma das mais prestigiadas academias de ciências da Inglaterra.
          Uma vez estreitada à relação existente entre a natureza humana e suas necessidades para bem viver, fica fácil compreender que o surgimento das diversas sociedades visava atender os desafios da vida entre os seres humanos. A formação da família como elemento central, unidade celular da sociedade, formadora, inclusive, da religião antiga[16], estrutura da base civilizadora, vai oferecer os elementos da constituição das pequenas comunidades, que em se organizando, através de um pacto social gerarão as vilas, os condados, as cidades e o Estado, propriamente dito, como sociedade politicamente organizada.
          O Estado Moderno emergirá das profundezas dos feudos pela formação da sociedade agrícola (camponeses), da sociedade religiosa (Igreja), da sociedade econômica (mercantilismo), da sociedade burguesa, da sociedade secreta (heresia), da sociedade militar (exército), da sociedade cultural (universidades), da sociedade real (nobreza), todas sob braço “protetor” e judicante, centralizador do Monarca, absoluto, senhor da vida e da morte, dono de tudo e de todos, o “Deus-Sol Encarnado”, o representante da vontade divina.
          A diversidade de interesses individuais, as posturas políticas, as necessidades sociais variam de Estado para Estado, de País para País, de Sociedade para Sociedade. Como explicar a formação de uma Sociedade Científica, num país cujos conflitos políticos entre monarca e parlamento, entre religiões católicas, protestantes e anglicanas que dividem as opiniões da Elite Cultural, da própria Nobreza, mas ao mesmo tempo une todas as mentes conflitantes em um objetivo específico : A Real Sociedade. Que estranho elemento de ligação interage neste amalgama intelectual? Por que as divergências políticas, religiosas são sublimadas para formação desta Sociedade na Inglaterra?
3.    Sociedades do século XVII e XVIII, Inglaterra            
           O objetivo geral deste projeto é investigar os elementos externos às relações político-religiosas conflitantes na Inglaterra dos séculos XVII e XVIII, que possibilitaram a formação da maior e mais prestigiada Sociedade Científica da Europa, a Real Sociedade, e se possível determinar as causas que uniram pessoas tão diferentes, que em situação normal, nunca se associariam.
            Lembre-se que diferentemente das outras Nações Européias, a Inglaterra adotou um sistema peculiar na formação do Estado Nacional. Enquanto na França, Espanha, Portugal, etc., imperavam um Monarca Absoluto, com poderes inquestionáveis e irrestritos, os ingleses pretendiam condicionar  o Rei ao Parlamento, instituto criado desde o século XII.
            O Parlamento Inglês com sua Câmara dos Lordes e Câmara dos Comuns, vai ser responsável pelas profundas mudanças no pensar político-econômico da Inglaterra, que desde Henrique VIII vinha enfrentando problemas com a Igreja Católica, graças aos devaneios amorosos do Rei. Via-se na antiga terra dos bretões grupos que defendiam uma Igreja Inglesa (Anglicana) e outros que defendiam a Igreja Romana. No entanto entre eles havia ainda os Puritanos (Calvinistas, protestantes radicais) que se opunham aos dois grupos anteriores, os Jacobitas (católicos e anti-protestantes) que apoiavam o retorno da Casa dos Stuarts.
            O panorama desenhado pela história inglesa tinha características próprias, quando governada por um rei católico, os protestantes, anglicanos, judeus e outros eram hostilizados e as relações com países também católicos eram estreitadas mesmo quando se tratava de antigos inimigos políticos como Espanha e França. Contudo quando alcançava o poder um Rei Protestante, invertiam-se as situações a perseguição recaia sobre os católicos e seus aliados.
             Porém outro fator que interferia diretamente nas relações de poder na Inglaterra, impulsionados pela idéias iluministas, muitos ingleses acreditavam que o regime monárquico absoluto deveria dar lugar ao regime Parlamentarista, mais democrático e justo. As sociedades culturais, as elites, a nobreza, a burguesia, os ruralistas dividiam e divergiam de opiniões. Note-se que estas questões não surgem nos séculos XVII e XVIII, são anteriores a tudo isto e fruto de reformas sociais que vem ocorrendo desde disputas dos Yorks, Lancasters, Plantagenetas, Tudors, Stuarts[17].
            Neste palco se desenrola o teatro da vida, e de ato em ato, e de cena em cena, vão se delineando as matizes da nova peça, do novo quadro, da nova sociedade.  
            Os Stuarts foram os primeiros reis do Reino Unido, Rei James I, de Inglaterra que começou o período quando também já reinava na Escócia como James VI, e juntou pela primeira vez os dois tronos em uma só monarquia.
            A Dinastia dos Stuart reinou na Inglaterra e Escócia por 111 anos, cobrindo praticamente o século XVII, um período extremamente agitado politicamente, de muita instabilidade civil interna, de pestilências e guerras.
           Apesar de certa evolução cultural, foi uma idade de intenso debate religioso e políticas radicais que mergulhou a nação em uma sangrenta guerra civil (1642-1649) que interrompeu este período monástico por mais de uma década (1649-1660), entre a Coroa e o Parlamento, os Cavaleiros e os Roundheads[18], resultando na vitória dos parlamentares de Oliver Cromwell (1599-1658) e a execução dramática do Rei Carlos I (1649) e a instalação de um pioneiro regime republicano, a Commonwealth[19], e o herdeiro do trono Carlos II exilado.
          Com a derrota dos realistas escoceses (1651), a guerra civil terminou, o Parlamento foi dissolvido (1653) e assumiu o governo como Lord Protetor da Inglaterra, da Irlanda e da Escócia, partilhando o poder com um conselho tutelar (1653-1658). Seus sucessores, especialmente seu filho Richard (1626-1712), não tiveram competência suficiente para evitar confrontos entre o parlamento e as forças militares e a monarquia foi restaurada com a volta de Carlos II do exílio e sua coroação como soberano do Reino Unido, dois anos depois. Outra guerra civil estourou por ocasião da sucessão de Jaime II, a Revolução Gloriosa, quando William e Maria de Orange  ascenderam o trono como os monarcas em comum e defensores de Protestantismo, seguidos pela Rainha Ana, a segunda das filhas de James II. Com a oficialização do Ato de Determinação (1701), segundo o qual, só protestantes pudessem assumir o trono, decretou-se por antecipação o fim dos Stuarts na coroa.
          Justamente, neste período, onde e quando as circunstâncias parecem menos favoráveis ao surgimento de boas obras, é que um fato inusitado passa a operar, sob a influência de Sir Robert Moray[20], homem forte nas relações políticas entre Escócia, Inglaterra e França, começam ser escolhidas e convidadas pessoas de renome acadêmico, como cientistas, alquimistas, astrólogos, engenheiros, físicos, matemáticos, religiosos, para fazerem parte de uma sociedade em formação que tinha apoio do próprio Rei Carlos I[21].
          O fato que mais causa estranheza neste evento, certamente, não é as diferenças de pensamento e linhas científicas, por mais ecléticos que possam parecer às pessoas envolvidas, mas sim a evidência de que muitas delas eram inimigas mortais politicamente. Dentre os nomes oferecidos estavam apoiadores do regime monárquico de Carlos I e seus arqui-rivais, protegidos de Oliver Cromwell.
           Revendo alguns nomes desta lista: Reverendo John Wilkins (inventor-parlamentarista), Visconde William Brouncker (matemático-monarquista), Robert Boyle (físico-monarquista), Conde de Kincardine Alexander Bruce (trabalhava com minas de carvão e sal,monarquista), Sir Robert Moray (negociador político-monarquista), Sir Paul Neile (ótico-monarquista), Dr. Jonathan Goddard (médico-parlamentarista), Dr. William Petty (estatístico-médico e químico, parlamentarista), Sr. William Ball (Cientista amador, monarquista), Sr. Lawrence Rooke (geômetra-monarquista), Sir Christopher Wren (cientista-arquiteto, monarquista), Sr. Abraham Hill (comerciante rico, monarquista), Elias Aschmole (alquimista, astrólogo,monarquista). Não é preciso ser “expert” para perceber os antagonismos políticos culturais destas pessoas e verificar que o convívio e o diálogo seriam dificultosos, salvo se houvesse algum elemento capaz de uni-los passando por estas diferenças.
          Toda preocupação inicial que se teve com a abordagem sobre as sociedades visava preparar terreno para esta constatação referida acima. O paradoxo das diferenças necessita um elo, um “elo perdido”, para que se faça a ligação de mundos diferentes dentro de uma mesma realidade. Este enigma somente pode ser desvendado quando conhecemos a concepção de sociedade e permitimos uma viagem mental por todas as vias de ação do homem. A transparência das idéias possibilita ver o “outro” lado, mas não a si mesma. Somente diante do desafio, das vicissitudes ousamos criar mecanismos capazes de satisfazer nossas carências. “Tudo que existe foi criado pela mente humana, salvo aquilo que sempre existiu”.
            A Real Sociedade, sociedade de cunho científico, nascida em 1660, na Inglaterra e difundida pelo mundo moderno, que abarcou em sua nave as maiores e melhores mentes da época, tinha um segredo. Este segredo era a “chave oculta” que abria a porta de outra sociedade, mais antiga, misteriosa, silenciosa. Uma sociedade que tinha como característica eliminar diferenças, fazer todos iguais.
           Assim como na Real Sociedade, seus membros eram escolhidos, criteriosamente, e submetidos à aprovação dos demais membros. Porém os quesitos a serem preenchidos por esta sociedade discreta, eram insólitos. Opção religiosa, orientação política, situação social eram valores de somenos importância.
          Esta sociedade nascida do sangue de muitos, cuja  origem remonta a Escócia, precisamente em Roslim[22], antes de 1440, só exigia alguns requisitos de seus futuros membros, que fossem “livres, maiores de idade e de bons costumes”.
          Contudo tinha uma regra básica e inquestionável para permanência de seus membros dentro do quadro social, restava proibida qualquer discussão de natureza religiosa ou política. E foi evidentemente esta norma que permitiu que pessoas tão diferentes no pensar pudessem fundar uma organização com fins científicos sem desviar sua atenção para dogmas religiosos ou para cores partidárias. Os membros da Real Sociedade, antes de tudo e acima de tudo eram francos-maçons[23].
         O que mais  agrada pensar é que o homem se une a outros homens com o propósito de constituir “uma força”, chamada sociedade, para atingir os objetivos comuns, e quando esta se apresenta ineficaz ou insuficiente, ela  busca dentro de outras sociedades os elementos necessários a se auto-complementar. As sociedades culturais dos séculos XVI, XVII e XVIII alimentaram-se de fontes mais antigas para suprir e romper os grilhões da intolerância política e dos ranços religiosos, imbuídas de um propósito maior. Se nos dias de hoje gozamos de conforto e felicidade e conhecemos as possibilidades de uma vida melhor devemos a um desconhecido chamado “Sir Robert Moray”, que como maçom, investido de valores morais, e revestido uma vontade ferrenha, vislumbrou o futuro como uma realidade exeqüível, sonhou e fez o sonho acontecer. Ele não era cientista, nem um gênio, nem era um visionário ou profeta, era simplesmente um franco-maçom.           

4.    Referências
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ADONIAS FILHO, Ricardo Coração de Leão / 1983 Tecnoprint
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COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. Ed. Martin Claret, São Paulo, 2007
DEFOE, Daniel, Um diário do ano da peste / 2002 Artes e Ofícios
FRASER, Antonia, As seis mulheres de Henrique VIII / 1996 Record 
GERBER, Lambert, Historia da Inglaterra / 1941 Editorial Labor
HARTLEY, Harold. The Royal Society, Its Origins and Founders, Ed. Sir Harold Hartley
HILL, Christopher, O eleito de Deus / Oliver Cromwell e a Revolução Inglesa / 2001 Companhia das Letras
KEIGHTLEY, Thomas. Sociedades Secretas da Idade Média. Ed. Madras, São Paulo, 2006

LOMAS, Robert. A Maçonaria e o Nascimento da Ciência Moderna, O Colégio Invisível, Ed. Madras, São Paulo, 2007

LYON, Henry. The Royal Society, 1660-1940. Inglaterra

MACNULTY, W. Kirk. Maçonaria, Uma Jornada por Meio do Ritual e do Simbolismo. Ed. Madras. 2008. São Paulo.

MANTOUX, Paul, A revolução industrial no século XVIII / estudo sobre os primórdios da grande industria moderna na Inglaterra / 1988 Ed. UNESP / Hucitec
PLAIDY, Jean, Assassinato real / a vida e a morte de Ana Bolena na corte de Henrique VIII / 2000 Record 
PURVER, Margery. The Royal Society, Concept and Creation, Inglaterra.
RESTON, James, Guerreiros de Deus / Ricardo Coração de Leão e Saladino na Terceira Cruzada / 2002 Imago
ROBINSON, John J., Nascidos do Sangue, Os Segredos Perdidos da Maçonaria. Ed. Madras. 2005. São Paulo
STEVENSON, David. As Origens da Franco-Maçonaria. Ed. Madras, São Paulo, 2006.
THOMPSON, E. P. Os românticos / a Inglaterra na era revolucionária / 2002 Civilização Brasileira
ZIERER, Otto, Inglaterra / 1986 Circulo do Livro







1Acadêmico do Curso de Licenciatura em História, pela Ulbra/Torres, formação em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-RS, graduação em Tecnologia de Informação, com especialização em Redes Sequenciais, CCNA1, pela Unisul/Araranguá e Cisco Networking Academy Program. Pesquisador em Ciências Antigas, História das Religiões, Mitologia, Hermetismo. Terapeuta Holístico.
[2] Aristóteles, filósofo grego, século V a.C.
[3] Eugênio Mussak, Educador e Consultor de Empresas, notabilizou-se por discorrer sobre temas como Cultura e Sociedade/Saúde e Qualidade de Vida.
[4] William McDougall (1871-1938) foi um psicólogo experimental e teórico de largo espectro de interesses.
[5] Forsyth, J. P., & Eifert, G. H. (1996a). Systematic alarms in fear conditioning I: A reappraisal of what is being conditioned. Behavior Therapy, 27, 441-462.
[6] Thomas Hobbes, Leviatã, obra publicada em 1651 que trata da Teoria do Contrato Social.
[7] Jean Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo, escritor e compositor francês, com sua filosofia política influenciou  a Revolução Francesa, bem a Revolução Americana. Pensador político, sociológico e educacional moderno.
[8] Hipócrates de Cós (460-370 a.C.) considerado o Pai da Medicina, famoso por seu juramento usado até hoje pelos formandos de Medicina.
[9] Galeno (129-200 a.C.) médico romano dos gladiadores, desenvolveu estudos da fisiologia dos animais, influenciou consideravelmente a medicina árabe.
[10] Nicolau Copérnico, 1543, publicou  a “De revolutionibus orbium coelestium” onde contestava a Teoria Geocêntrica de Aristóteles.
[11] Galileu Galilei,  polímata (físico, matemático, filósofo, astrônomo) italiano, aperfeiçou o telescópio e desenvolveu a Teoria Heliocêntrica, confirmando as bases teóricas de Copérnico. Em 1633 enfrentou a Santa Inquisição por suas idéias (heréticas) tendo que abjurá-las para não ir à fogueira.
[12] Robert Grosseteste (1175-1253) religioso e matemático: “o mundo só podia se compreendido pela matemática”.
[13] Roger Bacon (1214-1294) também religioso católico, estudou em Oxford, desenvolveu estudos em ótica, matemática e alquimia. Ficou notável pelo seu método empirista de observação cuidadosa.
[14] Gulherme de Occam (1288-1347) defendeu a idéia da simplicidade das hipóteses, conhecida como “Navalha de Occam”.
[15] Isaac Newton,(1643-1727) filosófo, matemático, físico, alquimista, teólogo, formulou a Teoria da Gravitação.
[16] COULANGES, Fustel de. A Cidade Antiga,Ed. Martin Claret, São Paulo, 2007.
[17] Stuarts, Dinastia Inglesa de Reis Católicos que sobrevieram aos Tudors cuja última representante foi Elizabeth que não deixou herdeiros, vindo a herdar o trono da Inglaterra os descendentes de Maria Stuart, Jaime VI da Escócia ( Jacob )
[18] Roundheads foi o apelido dado aos apoiadores do Parlamento durante a Guerra Civil Inglesa. Também conhecidos como parlamentaristas, eles lutaram contra o Rei Carlos I e sua Cavaliers (monarquistas) que reivindicou o poder absoluto e o direito divino do rei.
[19]Commonwealth é um termo inglês tradicional para uma comunidade política fundada para o bem comum. Historicamente, tem sido por vezes sinônimo de "república".
[20] Sir Robert Moray, escocês, 1º maçom iniciado na Inglaterra, serviu na Guarda Escocesa de Luis XIII, prestava serviços ao Cardeal Richelieu, ajudou o Rei Carlos I, da Inglaterra em várias ocasiões. Nitidamente monarquista.
[21] Lomas, Robert. A Maçonaria e o Nascimento da Ciência Moderna, pg. 42-44.
[22] A Maçonaria e o Nascimento da Ciência Moderna, Robert Lomas, pg. 99.
[23] Francos-maçons: Expressão que denomina os membros de uma sociedade secreta,chamada “Franco-Maçonaria”, também  chamados de “Pedreiros Livres”

quinta-feira, abril 21, 2011

PRANCHA 'HUZZÉ':



PRANCHA 'HUZZÉ':                                                                             

 A palavra HUZZÉ tem origem hebraica, embora em árabe seja pronunciada "HUZZA",para os antigos árabes 'HUZZA" era o nome dado a uma espécie de acácia consagrada ao sol, como símbolo da imortalidade, e sua tradução significa força e vigor, palavras simbólicas que fazem parte da tríplice saudação feita na Cadeia de União: Saúde, Força e Vigor. Na Inglaterra (aclamation ouze) a aclamação "HUZZÉ" tem a pronúncia UZEI, tomada do verbo TO HUZZA (aclamação) como sentido "viva o rei".                                                                            
Significados: No pequeno Vademecum Maçônico do Ir.´. Ech Lemos: "Houzé" - Grito de alegria dos maçons do rito escocês. No dicionário de maçonaria do Ir.´. Joaquim Gervasio de Figueiredo: Houzé - Grito de aclamação do maçom escocês. No dicionário maçônico do Ir.´. Rizzardo da Camino, Huzzé é apresentado como uma corruptela de HUZZA, que seria a expressão de alegria e louvor usada pelos maçons ingleses traduzida por "viva".                                                                           
Biblicamente, HUZZÉ era o nome de uma personagem. Pronúncia: Deve-se pronunciar "HUZZÉ", dando ênfase ao som da letra "H", a qual exige um sopro mais forte, e "ZZÉ" como afirmação, como que solfejando um Dó bem longo e terminando em Fá, tendo a sensação de estar passando do escuro da noite para o alaranjado da manhã, da dúvida para a certeza, da angústia para serenidade.Em maçonaria, HUZZÉ é uma exclamação, e como tal, deve ser clamada com um sopro forte, quase gritado, em dois sons, para que possa ser respeitada a harmonia musical do vocábulo, a fim de que se conserve todo efeito esotérico desta saudação ao GADU.´., significando que Deus é sabedoria, força e beleza.                                                                           
HUZZÉ, HUZZÉ, HUZZÉ, ou seja, salve o GADU.´. , salve o GADU.´. , salve o GADU.´.O valor do HUZZE está no som, a energia provocada elimina as vibrações negativas. Quando em Loja, surgirem discussões ásperas e o V.´.M.´. receiar-se que o ambiente possa ser 'perturbado" suspenderá os trabalhos, e comandará a expressão HUZZÉ, de forma tríplice, reiniciando os trabalhos, o ambiente será outro, ameno e harmônico.Dentro de Loja, o V.´.M.´. comanda no início dos trabalhos a exclamação HUZZÉ, que deve ser pronunciada em uníssono.                                                                            
Essa exclamação prepara o ambiente espiritual, afastando os resquícios de vibrações negativas trazidas para dentro do templo pelos IIr.´. Ao término dos trabalhos é exclamado para "aliviar" as tensões surgidas. Toda liturgia maçônica compreende os aspectos místicos, físicos e psíquicos. O HUZZÉ que provoca a expulsão do ar impuro, substituído pelo "Prana" que se forma no Templo, harmoniza o ambiente numa escala única, num nível salutar, capacitando o maçom para receber em seu interior os benefícios da Loja.Quando um maçom é solicitado à exclamação o HUZZÉ que o faça conscientemente para obter, assim, os resultados mágicos dessa manifestação física de seu organismo, portanto deve ser aprendida e ensinada,para que possas ser exercitada com Sabedoria Força e Beleza.

sexta-feira, abril 15, 2011

A Origem do Rito Adonhiramita

Fuad Sayar
Obs. Publicado na comunidade Adonhiramita da rede social MAÇONS ONLINE

VERBA VOLANT, SCRIPTAMANENT
Discutir a Origem do Rito, é necessário abordar com muita coragem, e com documentos, uma vez que o tema é extremamente polemico e para alguns, até tabu. Entretanto, se faz necessário a derradeira elucidação da Origem do Rito. Muito se tem falado, escrito e divulgado sobre a origem do Rito. Há algumas versões, que chegam a ser até cômica. A grande maioria das versões são especulações e o que é pior, sem provas documentais. Infelizmente, essas especulações só vem denegrir o nosso belo Rito. A questão de provas documentais é muito importante exatamente porque a História não admite o eu acho, ou ouvi dizer ou me disseram. ( Raimundo Rodrigues A Filosofia da Maçonaria Simbólica ) Vários estudiosos/pesquisadores Maçons Brasileiros, de renomada credibilidade, tais como José Castellani, José Daniel, Nicola Aslan, Xico Trolha e outros, já demonstraram cabalmente a verdadeira história da Origem do Rito. Entretanto são Brasileiros,. . . e como Brasileiros, não tem valor para alguns. Dessa forma, acrescentarei dados documentados, de conceituados estudiosos e pesquisadores alienígena, de assuntos da Maçonaria Universal,prova definitiva e cabal, que o criador do Rito Adonhiramita, foi Louis Guillerman de Saint - Victor.

Dictionnarie des Franc-Maçons et de la Franc-Maçonnerie de MELLOR (Alec)

As Escrituras falam de Adonhiram somente como encarregado das corvéias quando da construção do Templo pelo Rei Salomão, entretanto, em 1744, Louis Travenol publicou sob o nome deLéonard Gabanon o seu Catéchisme de Francs Maçons ou le Secret des Francs Maçons, onde confundia Adonhiram com Hiram Abif. Como Adon , em hebraico significa Senhor, essa palavra apareceu como prefixo de honra. Os ritualistas dividiram-se . Para uns, Adonhiram e Hiram eram a mesmo personagem Outros sustentavam a teoria dualista, mas divergiam quanto aos papéis respectivos de Adonhiram e Hiram na construção do Templo, uns sustentando que Adonhiram não fora senão um subalterno enquanto outros nele viam o verdadeiro herói da lenda do 3º Grau. Foi assim que nasceu uma Franco Maçonaria denominada Adonhiramita, oposta, pelos seus teóricos, à dos hiramitas. Ela nos é conhecida pelo Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite, publicada em 1781, por Louis Guillemain de Saint Victor, e abrange os quatro primeiros graus.

Em seu livro Orthodoxie Maçonnique , Jean Marie Ragon, atribuiu ao Barão de Tschoudy a criação da Franco Maçonaria Adonhiramita. É um erro total. 

Encyclopaedia of Freemasonry de MACKEY (Albert G. )


A criação do Rito Adonhiramita, foi atribuída erroneamente por Ragon ao Barão de Tschoudy, criador da Ordem da Estrela Flamejante. A coletânea relativa aos Altos Graus do Rito, foicompletada em 1785, cuja hierarquia se apresenta com se segue:

1º Aprendiz; 2º Companheiro; 3º Mestre; 4º Mestre Perfeito; 5º Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove; 6º Segundo Eleito ou Eleito de Perignan; 7º Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze; 8º Pequeno Arquiteto ou Aprendiz Escocês; 9º Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês; 10º Mestre Escocês; 11º Cavaleiro da Espada, Cavaleiro do Oriente ou da Águia; 12º Cavaleiro Rosa Cruz .

Esta é a lista completa dos Graus Adonhiramita. Thory e Ragon erraram ambos ao darem-lhe um 13º, a saber: o Noaquita ou o Cavaleiro Prussiano. Praticaram esse erro, porque SaintVictorinserira este Grau no fim do seu segundo volume, mas somente como uma curiosidade maçônica, que tinha sido traduzida do alemão, com ele disse, pelo Senhor de Berage ( Ragonerrou duas vezes grifo meu ) Não existe qualquer ligação com a precedente série de Graus, e Saint Victor declarou positivamente que o Rosa Cruz é o nec plus ultra ( 2ª parte pag. 118 ), o ápice e término do seu Rito

OBS.- Os grifos em negrito são meus.

Esse erro de Ragon, levou os precursores e alguns pseudos estudiosos, da atualidade, a defenderem, como criador o ilustre escritor Maçom Théodore Henry Barão de Tschoudy. Contudo, não há uma única literatura de sua autoria, com citação a Maçonaria Adonhiramita. A sua obra capital é LÉtoile Flamboyante , de 1766. Tschoudy nasceu em 1720 e faleceu em 1769. A coleção RecueilPrécieux de la Maçonnerie Adonhiramite foi publicado em 1781, isto é, 12 anos após a morte deTschoudy, e até os dias atuais , ninguém conseguiu provar, com documentos, que ele tenha deixado manuscritos para edições futuras..

Todavia, se os conceitos emitidos por pesquisadores estrangeiros, também forem contestados, vamos concentrar numa analise do próprio livro Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite

Na edição, publicada em 1787, traduzida e editada para a lingua portuguêsa, pela ARJS Gilvan Barbosa de Campina Grande PB -, que abrange os quatro primeiros graus, há algumas citações que, não foram ou não quiseram - observadas pelos pesquisadores interessados em manter o status quosem a devida humildade de reconhecer o erro.

Senão vejamos:

Na apresentação do Editor Francês da Edição de 1787, do Recueil.....

Para Guillemain Saint Victor, Adonhiram não parece ser esse preceptor, mas um parônimo de Hiram, o Mestre Maçom. (pag 86).

O autor faz seus comentários, apresenta as indicações do comportamento em Loja, os catecismos e os rituais dos quatros primeiros graus, como parecem ter sido praticados em 1781, tentando relatas apenas verdades, pelo menos, de valor histórico .

Na Advertência do Autor: (Edição de 1787)

Quando mandei imprimir minha Compila ção Preciosa da Maçonaria Adonhiramita, em 1781, anunciei a história da Ordem. Seis anos de reflexão provaram-me que apresentar a origem desta maçonaria seria infinitamente mais interessante.

No Catecismo dos Aprendizes. (do Autor da Edição de 1787)

Esperando que a História da maçonaria, que vou publicar brevemente, persuada muitos Irmãos, poucos instruídos de que esta pergunta dever ser a primeira de seu catecismo.....

A primeira edição do Recueil Precieux....., foi publicado em 1781, e a edição traduzida pela Loja Gilvan Barbosa é a de 1787. Analisando esses dados da Edição de 1787, sem muito esforço mental, podemos concluir:

1º - Quem faz a citação que Guillemain de Saint Victor é o autor, foi editor Francês.
2º - Que a edição de 1787 é uma complementação da edição de 1781, fica claro com a citação do editor.
O autor faz seus comentários, ... como parecem ter sido praticados em 1781..

3º - No tópico Advertência do Autor, determinou peremptoriamente que Saint Victor, mandou imprimir em 1781 a primeira edição, e seis anos depois de reflexões, ele mandou imprimir outra edição (1787).

Se o Barrão de Tschoudy, faleceu em 1769, como em 1787 ele poderia ter feito reflexões e mandar editar outra edição ?

4º - Já no tópico Catecismo dos Aprendizes o autor diz que, vou publicar a Historia da Maçonaria, o que fez em também em 1787, com o titulo Origine de la Maçonnerie Adonhiramite. Que felizmente, sou um dos poucos a possuir um exemplar original.

Como dizia o renomado escritor maçom, Irmão José Castellani: ( A Trolha - nº 107 setembro de 1995 ) : História é pesquisa, é documento e não especulação .