quinta-feira, maio 31, 2012



Nenhum homem pode ser Iniciado ou admitido como membro de uma Loja sem prévia comunicação, à mesma, com antecedência de um mês, para que se faça uma investigação sobre a reputação e capacidade do candidato, a não ser com autorização como a do número anterior. 

Esta quinta regra determina dois princípios que ainda hoje continuam a ser escrupulosamente seguidos e que, sem dúvida, constituem pontos essenciais no processo de admissão de qualquer novo elemento: a Inquirição e a Exposição nos Passos Perdidos.

A Inquirição é o processo de tomada de conhecimento pela Loja de quem é aquele que se lhe quer juntar, quais os seus propósitos. Ou seja, de averiguação e certificação de que se trata efetivamente de alguém livre e de bons costumes, que de boa fé procura aceder e prosseguir no caminho do autoaperfeiçoamento, segundo o método maçónico. Ou ainda dito de outro modo, que se está perante um homem bom passível de se tornar um homem melhor.

Mas outros elementos são verificados no processo de inquirição, designadamente o enquadramento social e familiar do candidato e sua compatibilização com a atividade maçónica e as caraterísticas do candidato e sua capacidade de harmoniosa integração no grupo pré-constituído. Com efeito, muito difícil será que, por muito desejoso disso que esteja o candidato, proficuamente se trilhe um caminho maçónico com a oposição do cônjuge ou dos familiares próximos. A Maçonaria pressupõe sempre a prioridade que cada um dos seus elementos deve dar à família e, consequentemente, procura evitar conflitualidade entre a Família e a Maçonaria que, mais tarde ou mais cedo, obrigue à opção por uma ou por outra. A regra é a da harmonização entre as obrigações familiares (e também sociais e profissionais) e as obrigações maçónicas, não a do conflito entre ambas. Busca-se a coexistência e que cada vertente contribua para a melhoria do homem, assim mais bem integrado em cada uma das realidades. Sem a presença das necessárias condições de coexistência, o percurso maçónico, o propósito de melhoria, tornam-se impossíveis de concretizar. Por outro lado, a busca maçónica pressupõe que aquele que a deseja possua ideias próprias, assertividade e autoconfiança, mas implica também a necessária flexibilidade para se adaptar a um grupo que já existe e, oportunamente, poder contribuir para o seu fortalecimento, coesão e melhoria, não para ser fonte de conflitos, dispersões, enfraquecimento global.

Dentro de um padrão global, que se poderá considerar universal, cada Loja estabelece as suas práticas, métodos e prioridades no processo de Inquirição dos seus candidatos. A diversidade da natureza humana e dos grupos humanos é quase inesgotável. Não admira assim que um candidato que se acha adequado para se integrar numa Loja fosse, porventura pernicioso se incluído numa outra, tal como a integração numa Loja pode potenciar muito mais a evolução de um específico candidato do que se essa integração ocorresse numa outra Loja.

A exposição da candidatura nos Passos Perdidos, ou seja, a afixação do pedido de admissão à Iniciação do candidato em local próprio das instalações da Obediência para tal efeito, visa permitir que, no decorrer do processo de Inquirição, o máximo de elementos, quer da Loja, quer de outras Lojas da Obediência, tomem conhecimento do propósito existente e possa, assim, se for caso disso, expor qualquer objeção que tenha por pertinente. Procura-se assim evitar surpresas na avaliação do candidato, contraponto indispensável à plena e incondicional confiança que, uma vez admitido e iniciado, o grupo lhe devotará.

Uma referência à expressão "Passos Perdidos", que julgo exclusiva da Maçonaria Portuguesa. Em Portugal, os "Passos Perdidos" são o espaço, o hall exterior à sala das sessões da Assembleia da República. Nesta Casa da Democracia, muitos entendimentos são negociados, muitas estratégias políticas discutidas, muito do que é decidido na Sala das Sessões toma efetivamente forma nos Passos Perdidos. Por analogia, nas edificações maçónicas em Portugal designa-se por "Passos Perdidos" os corredores ou o hall exterior ao Templo onde se realiza a sessão maçónica. Por norma, é num desses espaços (por regra, não utilizáveis nem utilizados para atividades administrativas ou rituais) que se afixam as propostas de candidatura, para que fiquem disponíveis para apreciação de todos os obreiros. Daí que, em Portugal se designe essa afixação por exposição nos Passos Perdidos.

Uma única exceção existe para estas cautelas e este rigoroso processo de avaliação: a faculdade que assiste ao Grão-Mestre (ou Vice-Grão-Mestre em substituição do Grão-Mestre) de "fazer maçom à vista", isto é, iniciar alguém maçom, independentemente de prazos, inquirições ou exposições nos Passos Perdidos. Numa das existentes coletâneas deLandmarks, a de Mackey (popular, designadamente, no continente americano), integra mesmo o oitavo dosLandmarks elaborados. Na Regra dos Doze Pontos, documento fundamental da Maçonaria Regular europeia, não se faz expressamente referência a esta possibilidade de o Grão-Mestre "fazer maçons à vista". Mas a segunda Regra expressamente remete para a obediência aos Antigos Deveres, ou seja, às Regras Gerais dos Maçons fixadas por Anderson na Constituição de 1723. Esta é uma dessas Regras Gerais. Por esta via também a Maçonaria Regular europeia declara a prevalência do poder conferido ao Grão-Mestre de "fazer maçons à vista".´Este poder não se resume à Iniciação, estendendo-se à Passagem (ao 2.º grau, de Companheiro) e à Elevação (ao 3.º grau, de Mestre Maçom). Constitui uma das "válvulas de segurança" do sistema de regras maçónico para possibilitar a atuação excecional perante situações excecionais. É uma  regra de aplicação muito parcimoniosa, verdadeiramente excecional, hoje em dia francamente rara... mas existe e é aplicável, sempre que necessário o seja.       

Fonte:
Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, página 137.

quinta-feira, maio 24, 2012



Nenhuma Loja deve iniciar mais de cinco Irmãos ao mesmo tempo. nem nenhum homem com idade inferior a vinte e cinco anos pode ser Mestre, a não ser que tal seja autorizado pelo Grão Mestre ou seu Vice-Grão-Mestre.

A quarta Regra Geral dos Maçons constante da Constituição de Anderson de 1723 refere-se a uma condição limitativa relativa à iniciação.

A Iniciação é a cerimónia pela qual um profano que se candidatou a integrar a Maçonaria adquire a condição de maçom, no grau de Aprendiz. É uma cerimónia que, com pequenas variantes, é executada da mesma forma desde há cerca de trezentos anos pelas Lojas de todo o mundo, qualquer que seja o rito que pratiquem. O essencial da cerimónia é o mesmo, independentemente de ritos, localização geográfica, língua, costumes, épocas. É uma cerimónia destinada a marcar o espírito daquele que a ela é submetido. Para que esse objetivo possa ser atingido, é essencial que o candidato desconheça o que se vai passar. É por essa razão - e unicamente por ela! - que os maçons se comprometem formalmente a não revelar o seu teor a qualquer profano. Sem embargo desse compromisso, a que, naturalmente, estou também vinculado, já neste blogue dediquei dois textos (A Iniciação - I e A Iniciação - II) ao tema. Foram dois textos que me deram satisfação em escrever, precisamente porque, cumprindo o meu compromisso de não revelar o que não deve ser revelado, permitem ao leitor ter a noção do que é esta cerimónia. Os profanos ficam com a noção do que estruturalmente é e de qual o seu propósito. Os maçons reconhecem no seu teor o que se passou. 

A IV Regra Geral interdita que se processe, em simultâneo, mais de cinco iniciações. Este limite é, hoje em dia, na generalidade das Obediências maçónicas, muito mais severamente restringido. Por exemplo, no Regulamento Interno da Loja Mestre Affonso Domingues expressamente se interdita a iniciação em simultâneo de mais do que dois candidatos. E mesmo esta possibilidade de dupla iniciação em simultâneo deve ser entendida como exceção. A regra é de que se deve procurar iniciar apenas um candidato de cada vez. 

Estipula esta regra IV que nenhum homem de idade inferior a vinte e cinco anos deve ascender ao grau de Mestre. É uma regra que, hoje em dia, não está expressamente prevista. Mas, na prática, só muito excecionalmente poderá um maçom ser exaltado Mestre com menos de vinte e cinco anos. É requisito de admissão na Maçonaria a maioridade, pelo que só após a mesma se dá início a qualquer processo de candidatura (e deve ter-se em conta que raramente homens tão jovens se candidatam e vêm a sua candidatura viabilizada, seja por falta do amadurecimento indispensável ao real interesse e propósito de autoaperfeiçoamento, seja por falta de estabilidade económica, profissional ou social que permita que o homem se dedique a algo que ultrapassa a satisfação das necessidades básicas e essenciais, do próprio e da sua família). O processo de candidatura é moroso, não sendo inédito - muito pelo contrário - que decorra por mais de um ano, dois, ou mesmo três anos. O tempo de permanência no grau de Aprendiz só muito dificilmente é inferior a um ano e é corrente que dure dois anos - e já vi atingir os três e mais anos. Igual tempo, ou quase, passa o maçom no grau de Companheiro. Muito dificilmente se é exaltado Mestre Maçom com menos de vinte e cinco anos. Pelo contrário, raros são os maçons que atingem esse grau com menos de três décadas de vida - e isto numa Obediência que se carateriza por ter muita gente jovem, como é a portuguesa GLLP/GLRP! Por isso refiro frequentemente que uma das virtudes necessariamente cultivadas pelos maçons e pelos que o desejem ser é a Paciência!

A última indicação que esta IV Regra nos dá é que as condições limitativas nela expressas podem ser derrogadas pelo Grão-Mestre ou pelo Vice-Grão-Mestre. Em Maçonaria Regular, há regras estritas que nem o Grão-Mestre pode derrogar (os Landmarks) e regras que a autoridade do Grão-Mestre pode derrogar - obviamente, com caráter de excecionalidade. São poucas e cuidadosamente previstas, sempre de forma expressa. Constituem estas exceções como que válvulas de segurança para que sejam atendidas situações excecionais, que só com medidas excecionais adequadamente podem ser atendidas. E só àquele Mestre investido nas funções de Grão-Mestre (ou o seu substituto, o Vice-Grão-Mestre) é conferido o poder de, mediante o seu discernimento, e mediado pela sua prudência, determinar quando deve haver lugar a uma atuação excecional. Na prática, raramente sucede - e assim deve ser!

Fonte:

Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, página 137. 

quarta-feira, maio 23, 2012


Paz Pictures, Images and Photos
A SALA DOS PASSOS PERDIDOS
Ao perguntar a um profano o que lhe vinha à mente ao ouvir a expressão “sala dos passos perdidos”, recebemos como resposta:
- “É uma expressão estranha, a primeira vista sem significado. Mas refletindo melhor, parece ser um local onde se caminha sem chegar a lugar algum”.
Isto nos faz crer que os fundadores do Parlamento Inglês, em 1296, foram felizes em escolher o nome da sala de espera, onde as pessoas aguardam uma entrevista com os parlamentares. Pois ali, as mesmas circulam sem rumo definido, sem destino exato; daí a denominação “Passos Perdidos”, ou seja, que leva a lugar nenhum.
Quando, em 1776, a Grande Loja de Londres inaugurou o primeiro Templo maçônico, foi buscar no Parlamento Inglês a forma e até o nome da sala que antecede o átrio. Como curiosidade, também as mesas dos Oficiais, a grande cadeira do Venerável Mestre e os lugares dos Irmãos nas Colunas tem a mesma origem, pois o Parlamento Inglês é cerca de 500 anos mais antigo do que o primeiro templo maçônico. Sabemos que antes as Lojas, Especulativas ou dos Aceitos, reuniam-se nas Tavernas e usavam o nome das mesmas para identificá-las (“a Loja do Ganso e da Grelha”, “a Loja da Macieira”, etc.).
Já no campo simbólico podemos concluir que, fora da disciplina maçônica, todos os passos são perdidos. Os profanos, por desconhecimento, e os maçons, por esquecimento, ao não seguirem os ensinamentos da Arte Real, andam a esmo, sem rumo. Suas ações tornam-se dispersas e os esforços vãos. Porém, ao se voltarem para a doutrina Maçônica, o Templo Interior se organiza, a “Sala dos Passos Perdidos” passa a ficar fora da construção espiritual e aí podem, unidos com os demais Irmãos, dar um destino às suas ações em prol do auto desenvolvimento moral e espiritual e do bem estar da Humanidade.
“A denominação maçônica SALA DOS PASSOS PERDIDOS, tem sua origem em uma expressão profana”. É a ante-sala do Salão de Audiências ou de Sessão: da Prefeitura de Genebra; da Câmara dos Deputados da França e do Palácio da Justiça de Paris.
A Enciclopédia MACKEY diz: O sentido maçônico desta denominação se origina no fato de que todo o passo realizado antes do ingresso na Maçonaria, ou que não se coaduna com suas Leis, deve ser considerado simbolicamente como perdido.
Nas Lojas maçônicas do Brasil como as de Paris é assim denominada a ante-sala do Templo. Também na Hungria a Maçonaria adotou denominação neste sentido. Dali esta denominação também passou a ser usada pelas Lojas da Áustria. Na Alemanha, a expressão é completamente desconhecida.
No que tange a palavra PARLAMENTO, fora o Inglês, onde efetivamente se originou no século XIII, há a contrapor que o Parlamento da Islândia, que é considerado o mais antigo, originou-se no século X.
Para concluir, no Rito Schröder, em particular, e na Alemanha, em geral, usa-se a expressão “Ante-sala do Templo”
Inicialmente, temos a Sala dos Passos Perdidos, aonde a Irmandade se reúne, sem qualquer maior preocupação.
É um local destinado a receber os visitantes, onde as pessoas podem andar livremente de um lado para outro como se fosse uma sala de espera, onde os passos não são utilizados para ir a lugar algum, ou seja, são considerados como passos perdidos.
Chega, cumprimenta a todos, reata a conversação interrompida, dá conta do que aconteceu durante a semana, toma cafezinho, brinca, trata de negócios, o Tesoureiro faz as cobranças, é assinado o Livro de Presença, enfim, uma reunião tipicamente social.
Aos poucos, no ambiente agradável de verdadeira amizade, o Mestre de Cerimônias distribui os colares, dos quais dependem as Jóias, atributo do respectivo cargo e começa a preparação para o ingresso no Templo.
A Sala dos Passos Perdidos apresenta características próprias, de molde a que um profano verifique tratar-se de uma sala “diferente” das comuns, dos lugares públicos.
Nas paredes, quadros alegóricos, estátuas, avisos, retratos de personalidades, quer maçônicas, quer históricas, de filósofos ou heróis, enfim, uma ante-sala profusamente ornamentada; mesas, cadeiras, poltronas, para emprestar um aspecto acolhedor; cortinados, lustres, tapetes, para enriquecê-la.
Forma-se o ambiente adequado e que conduza a um “bem-estar”, um refugio aonde amigos irão se abraçar.
Uma vez que todos estejam devidamente aparamentados ou revestidos com suas insígnias, são convidados pelo Mestre de Cerimônias para ingressarem no Átrio

sexta-feira, maio 11, 2012


                                                          

QUEM É VOCÊ ?



A mente é passado, é memória, todas as experiências acumuladas num certo sentido.



Tudo o que você já fez, tudo o que já pensou, tudo o que já desejou, tudo o que já sonhou - tudo, seu passado inteiro, sua memória - mente é memória. E a menos que se livre da memória, você não conseguirá dominar a mente. Como se livrar da memória?



Ela está sempre ali, seguindo você. Na verdade, você é a memória, então como se livrar dela? Quem é você sem as suas lembranças?



Quando eu pergunto “Quem é você?” você me diz seu nome - isso é uma lembrança. Seus pais lhe deram um nome um tempo atrás.



Eu pergunto “Quem é você?” e você me fala de sua família, do seu pai, da sua mãe - isso é uma lembrança.



Eu pergunto “Quem é você?” e você me conta o que estudou, seu nível de instrução, que fez mestrado em Artes ou que tem doutorado ou que é engenheiro ou arquiteto. Isso é uma lembrança.



Quando eu pergunto “Quem é você?” se você de fato olhar para dentro, só terá uma resposta: “Não sei”.



Tudo o que disser será apenas uma lembrança, não você de verdade.



A única resposta verdadeira, autêntica, só pode ser “Não sei” pois conhecer a si próprio é a última coisa que você faz.



Eu posso dizer quem sou, mas não digo.



Você não pode dizer quem é, mas se apressa em dar a resposta.



Aqueles que sabem quem são, guardam silêncio sobre isso.



Pois, se toda a memória for descartada e toda a linguagem for descartada, então quem eu sou não pode ser dito.



Eu posso olhar dentro de você, posso dar a você um gesto, posso ficar com você, com todo o meu ser - essa é a minha resposta. Mas a resposta não pode ser expressa em palavras, pois tudo que é expresso em palavras faz parte da memória, da mente, não da consciência.



Como se livrar das lembranças? Observe-as, testemunhe-as.



E lembre-se sempre: “Isso aconteceu comigo, mas isso não sou eu.”



É claro que você nasceu numa determinada família, mas isso não é você, aconteceu com você, é um acontecimento externo a você. Alguém lhe deu um nome, você o tem usado, mas ele não é você. É claro que você tem uma forma, mas a forma não é você, ela é só a casa em que por acaso você está. A forma é só o corpo em que por acaso você está. E o corpo lhe foi dado por seus pais - é uma dádiva, mas não é você.



Observe e tenha discernimento.



Isso é o que no Oriente chamam de viver discernimento - você usa o tempo todo a sua capacidade de discernir. Continue fazendo isso - chegará um momento em que você terá eliminado tudo o que não é você. De repente, nesse estado, você se olha pela primeira vez e encontra seu próprio ser.



Continue jogando fora todas as identidades que não são você - a família, o corpo, a mente. Nesse vazio, quando tiver jogado fora tudo o que não for você, de repente seu ser vem à tona. Pela primeira vez você encontra si mesmo, e esse encontro passa a ser o domínio.
(Livro: "Consciência - A Chave para Viver em Equilíbrio"- Osho )                                                  

quinta-feira, maio 10, 2012



O Mestre de cada Loja, ou um de seus Vigilantes, ou algum outro Irmão, por sua ordem, deve manter um livro contendo o regimento interno, os nomes de seus membros, uma lista de todas as Lojas da cidade, a hora e local das suas Sessões, e tudo o que for necessário e deva ser registado.

Esta terceira Regra, este terceiro Antigo Uso e Costume, define o que é uma das caraterísticas essenciais da organização de uma Loja maçónica: o registo escrito do essencial da vida da Loja.

A existência de registos escritos referentes a Lojas operativas remonta aos finais do século XIV (o mais antigo documento conhecido é o manuscrito Regius, também por vezes referido como manuscrito Halliwell). Efetuada a transição para a Maçonaria Especulativa, é rotina assente a elaboração de atas, a manutenção do registo de obreiros, a existência de regulamento interno escrito, etc..

Hoje em dia todas as Lojas têm um responsável específico para assegurar a elaboração e manutenção dos registos da sua atividade, bem como a correspondência da Loja, o Secretário. O Secretário da Loja é, como a maior parte dos oficiais do Quadro (oficiais por exercerem ofícios, tarefas, específicos; não no sentido de detentores de postos de comando), por regra designado pelo Venerável Mestre, pelo período do mandato deste, do seu veneralato, salvo necessidade de substituição.

Não deixa de ser curioso e significativo que uma instituição que é tão acusada pelos seus detratores de secretismo tenha tanto cuidado no registo escrito, e respetiva manutenção, da sua atividade. Claro que os indefetíveis detratores da Maçonaria clamam que esses registos não são públicos, são ciosamente guardados pelos maçons, pelo que isso em nada afeta a real existência do nefando secretismo. Assim não é: os registos da atividade maçónica têm o mesmo estatuto legal que os registos da atividade de uma qualquer banal sociedade filarmónica ou clube recreativo. Estão abertos à consulta dos membros da organização e daqueles que tenham motivo justificado para tal. Só não estão disponíveis para inconsequentes impulsos voyeuristas ...  E, no estrito cumprimento da legalidade vigente, estão disponíveis para consulta, leitura, verificação, análise, perícias, tudo o que necessário e legal for, das autoridades competentes - dentro da lei e desde que a lei seja cumprida.

Tal como a documentação privada de qualquer cidadão, conservada na sua casa, não pode ser objeto de devassa sem a emissão por juiz competente do devido mandado de busca, também os maçons não autorizam que os seus documentos sejam vistos ou devassados fora do legal condicionalismo que determine essa consulta. Mas qualquer pessoa que de boa fé esteja percebe que isto nada tem a ver com secretismo, antes respeita à simples e corriqueira tutela da privacidade dos cidadãos que os maçons são. 

Os detratores da Maçonaria clamam contra o falado secretismo dela, mas guardam ciosamente para si (e fazem muito bem e têm todo o direito de guardar e é normal que o façam) os seus números de contribuinte, números e extratos das suas contas bancárias, as palavras-passe de acesso à sua banca eletrónica e aos seus clientes de e-mail e a sua correspondência particular... Dois pesos e duas medidas...

Pois bem: que todos fiquem, de uma vez por todas, a saber que, em matéria de registos das suas atividades e dos seus membros, a Maçonaria não é diferente de qualquer sociedade recreativa!

Há cerca de trezentos anos que, rotineiramente, nas Lojas maçónicas de todo o mundo, se elaboram e guardam atas das reuniões, se elaboram e conservam trabalhos apresentados, lidos e discutidos em Loja. Não admira que todo esse enorme acervo documental constitua espólio que é objeto de estudo de historiadores, maçons e profanos, historiadores da História da Maçonaria ou historiadores tout court. Assim é possível conhecer pérolas como a ata da sessão em que ocorreu a iniciação de Wolfgang Amadeus Mozart, mas também quando e para que sessões foram escritas algumas emblemáticas obras do genial compositor.

Tal como é possível afirmar, sem sombra de dúvida - porque tal está registado em uma ou mais atas -, que personagens famosos, artistas relevantes, cientistas insignes, foram maçons. Apenas com uma ressalva: os maçons acham que essa divulgação deve ser como a toponímia - não se deve utilizar em relação a quem ainda está vivo... 


Fonte:
Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, página 137.

quarta-feira, maio 09, 2012


Mestre Perfeito

imagem Recanto das Letras

O Templo apresenta decoração diversa; o recinto dos trabalhos denomina-se de Câmara; é a Loja do Mestre Perfeito.

As paredes são na cor verde e em cada um dos quatro ângulos, apresenta-se uma Coluna branca; em cada um desses ângulos é colocado um Candelabro de quatro braços.

Não sendo um Grau iniciático, mas por comunicação, inexistem Templos específicos; são adaptados com cortinados nas paredes. O Dirigente representa a Adoniram com o título de Três vezes potentíssimo e Respeitável Mestre.

Adoniram foi um dos principais recebedores de tributos do Rei Salomão e o chefe e 30.000 operários que foram ao Líbano para o corte dos cedros; seu nome significa: "O meu Senhor é excelso".
Diz a lenda que casou com a irmã de Hiram Abif.

Na Loja existe, apenas, um Vigilante com o nome de Zabud que foi ministro do Rei Salomão, sendo filho de Natan.

Os Irmãos tomam o nome de: "Veneráveis Mestres Perfeitos" e seu traje é o comum (em preto), com luvas brancas; usam um Colar verde com uma jóia que representa um Compasso aberto a 60 graus aposto sobre um semicírculo graduado.  Avental branco com abeta verde; no centro, sete círculos concêntricos e no meio,
uma pedra cúbica com a letra "J", inicial da Palavra Sagrada. Quanto a esse Avental, existem variações; uma delas, substitui os círculos, por duas Colunas cruzadas.

Existem palavra de Ordem, de Reconhecimento e o Toque, específicos e sigilosos. A marcha é formar um quadrado por meio de quatro passos. A idade é a de um ano para a abertura dos trabalhos e sete para concluí-los; a  hora para a abertura do trabalho é a primeira hora do dia; o encerramento é na quinta
hora.

A Lenda do grau é a trasladação do corpo de Hiram para a tumba final e a decisão da vingança. O Grau 5o é grau intermediário e é transmitido por comunicação, ou seja, dispensando a Iniciação; é convidado o Candidato para assistir à sessão do Grau, em Loja devidamente preparada, e lhe são ministrados os conhecimentos do Grau, cingindo-o com o Avental próprio e o Colar, instruindo-o quanto às Palavras de Passe e Sagrada, bem como Toque e a parte da Lenda correspondente.
 
Trata-se de um Grau que complementa o procedente. É um Grau de origem israelita-salomônica e sua lenda diz respeito ao terceiro sepultamento de Hiram (o primeiro, sob os escombros dentro do Templo; o segundo, fora de Jerusalém, numa cova provisória e o terceiro dentro do templo, com toda pompa). Sua filosofia prende-se ao conhecimento humano através da inteligência; são os conhecimentos genéricos que todos devem possuir para a própria subsistência intelectual e material e o conhecimento esotérico que nem todos alcançam, seja por falta de preparo, seja por falta de oportunidade. O Grau 4, do Mestre Secreto, inicia uma jornada dentro de um mundo desconhecidos na busca do centro do interesse; encontrado esse centro, deverá surgir o aperfeiçoamento; é, justamente, para esses poucos que surge o Grau 5.
 
A trasladação do corpo de Hiram caracteriza-se por uma cerimônia de "pompa fúnebre"; os funerais como ordenara Adoniram, deveriam ser executados com grande pompa. E a fase inicial das honrarias póstumas, quando se cerca o homenageado de todo esplendor, numa demonstração de reconhecimento pela passagem na vida com brilhantismo. Nos funerais todos os Obreiros da construção do Templo deveriam comparecer e participar, com cânticos, choro, lágrimas, atapetando o percurso com palmas e flores, perfumando o ambiente com essências preciosas. Simboliza o trabalho exterior o ensolaramento sobre o luto negrume da morte. É a iluminação de quem fora "apagado" injusta e prematuramente. O reconhecimento público, por meio de ondas sonoras vibráteis, em homenagem ao corpo e ao que executara trabalho relevante.  Os funerais iniciam-se com uma procissão; retirado o corpo putrefato de seu segundo e provisório túmulo, limpo da terra que o envolveu, lavado com essências  oleosas, vestido com ricos panos e finos paramentos, colocado em seu peito o Triângulo de ouro onde cotava inserida a sua "porção" da Palavra Sagrada, perdida com sua morte, foi colocado em um ataúde e conduzido sobre os ombros de nove Mestres, até o Grande Templo. A decoração do Templo para os trabalhos do Grau 5, reproduz, palidamente, o recinto onde se encontra o mausoléu. Eis a descrição contida no Ritual: "O Templo é forrado de verde, tendo dezesseis Colunas (há Rituais em que as Colunas são, apenas, quatro), quatro em cada ângulo, dispostas de modo a dar à Câmara o formato de um Círculo. No centro do Templo, fica o mausoléu, em forma de Pirâmide triangular, tendo numa face a letra "M", na outra, a "H" e na última, "C". No solo, em frente a cada face está uma pedra tosca e irregular, por fora da qual haverá uma cercadura baixa em forma de Círculo. Esse Círculo simboliza Deus, o Grande Arquiteto do Universo, que não tem começo nem fim; as pedras representam a ignorância, isso é, material imprestável à construção. No Tronos coberto por um pano verde, com franjas de ouro, ficarão: a Carta Constitutiva da Loja, os Estatutos do Supremo Conselho, um Malhete e uma Espada. Por sobre o Dossel do Trono, ver-se-á a Jóia do Grau. Em cada ângulo, um candeeiro de quatro braços. O Presidente representa Adoniram com o título de Três Vezes Poderosos, ou simplesmente: "Douto Mestre".

Não há registro quanto ao tempo dessas exéquias, a partir da morte de Hiram; contudo, "a carne desprendia-se dos ossos", o que atesta um estado de putrefação adiantado. Não seria o caso de embalsamamento, tanto porque não era costuma hebreu, como pelo estado do cadáver. Por outro lado, a construção do mausoléu demandaria algum tempo; o fator "tempo", aqui, não é aspecto relevante; tratando-se de uma lenda, posto envolvendo uma personagem que existira, realmente, a trasladação constituía a parte final de uma obra. Hiram, dentro do Templo, passava a ser mais um ornamento.

O ponto central de Lenda é a trasladação do corpo de Hiram e a vingança pela sua morte. É de estranhar a decisão de vingança que, indubitavelmente, tratar-se ia de um ato de Justiça e jamais de vingança. A morte dos três assassinos obedecia à tradição da época e o clamor do povo; a pena de morte era comum, daí não pensar-se em vingança, mas sim, em Justiça. 

O Mausoléu foi erigido em forma de Pirâmide Triangular, o que é um tanto, contraditório, pois, a própria marcha do Grau, que são quatro passos fechando um quadrado, demarcaria a base do Mausoléu, e se essa é quaternária, sem dúvida, a Pirâmide possuía quatro faces.

A Pirâmide é originária do Egito e talvez, na oportunidade houvesse a influência mística egípcia. O sepulcro sempre foi símbolo da última etapa de vi-a, no entanto, para o Maçom, é o símbolo da oportunidade de enclausurar-se como faz a larva em seu casulo, para ressurgir como ser alado, capacitado a elevar-se aos paramos celestes. A Pirâmide com sua base quaternária, ou seja, terrena e material, possui os seus lados em forma de Triângulo cujos lados se alongam até encontrar o Ponto, comum às oito linhas; a soma dos três lados de cada Triângulo, resultará no número doze que encontra na simbologia do Zodíaco, o caminho Místico de Natureza. A Loja em si constitui o próprio Sepulcro em forma circular; Sepulcro externo, eis que, em seu centro fica o Mausoléu. 

Todo Maçom aprende que ele é o Templo do Deus vivo, transformando-se em ser sagrado, e com isto obriga-se a um comportamento moral, exemplar, para não conspurcar o Templo de Deus. Não basta, porém, essa finalidade moral, dentro do Templo que é o ser humano, surge o Sanctus Sanctorum, que é o local do sentimento da razão, e no caso místico, o cérebro. Dizer que o coração representa o Sanctus Sanctorum, não é correto; o coração representa o túmulo. Para o Maçom, obviamente, o Túmulo de Hiram; para o cristão, o Túmulo de Jesus, o Cristo. A Vistoria nos apresenta a lenda da ressurreição; portanto, o Túmulo cristão,
dentro de nós, está vazio, mas jamais deixará de ser Túmulo. Trata-se de uma concepção religiosa, enquanto, o Túmulo de Hiram, ou seja, nosso coração maçônico, contém, sempre, a presença de Hiram, pois a lenda não o deu como ressuscitado.

A cor verde simboliza a Esperança; o branco, a Paz; esperança e Paz. A cor verde é composta da Azul e da Amarela; o azul simboliza o infinito; o amarelo, o ouro; ou seja, a preciosidade do infinito. 

O 5o Grau é outorgado por comunicação, ou seja, os fatos lendários são tornados conhecidos, ao Mestre Secreto. Durante a instrução ritualística as exéquias "pomposas" são revividas e o candidato participa colhendo as suas lições que o conduzirão ao recebimento de outro título: Mestre Perfeito. Hiram Abif passou à história hebraica pelo seu exemplo e conduta somados a uma alta especialização de artífice, ou seja, quem recebeu o encargo de "embelezar" o Grande Templo. A História Sagrada nos revela que esse Grande Templo foi festivamente inaugurado e consagrado, o que vem comprovar que Hiram Abif concluiu a sua obra.
 
Para nós, os Maçons, isso é exemplo do cumprimento do dever e da colaboração. O prêmio que Hiram recebeu foi o de seu corpo ser sepultado dentro do Templo e sua obra descrita na Palavra Divina, vencendo o tempo e permanecendo como Grande Artífice da casa de Deus.

Rizzardo da Camino

As 4 Faces da Deusa

 


Quando vamos abordar a questão do feminino temos que levar em consideração muitos aspectos.
Por esta razão nos artigos anteriores procurei localizar o tema dentro de um contexto mais amplo, demonstrando que estamos dentro de uma cultura de valores patriarcais.
Essa cultura patriarcal é um fenômeno histórico, que se desenvolve no tempo e no espaço numa interação dialética entre vários fatores, fatores esses que, a meu ver, estão relacionados em diversos graus de complexidade.
Quando as novas gerações em seu processo de amadurecimento absorvem os valores que lhe são transmitidos pelas gerações no poder, via de regra, o fazem por imposição.
Sendo mais claro.
Raramente permitem a uma criança que escolha de fato sua linha de pensamento, sua forma de ser.
O que acontece é que a criança vai absorvendo e reagindo aos estímulos externos .
O modo de viver do pai e da mãe, do ambiente familiar, a classe social, as condições de vida e a linha religiosa que o grupo familiar segue vão dando a criança referenciais sobre como deve agir no mundo.
Há um discurso educacional, informal no lar e formal na escola, mas este discurso está muitas vezes em grande contradição com os atos que as pessoas praticam.
Assim a criança aprende que mentir é errado, mas a medida que cresce surpreende seus pais em mentiras e há ainda contradições mais fortes, como a mãe que certa vez vi gritando para a filha: “Não grita!”.
No ambiente escolar temos ainda problemas mais sérios pois ainda é raro o número de escolas que, de fato, são centros de “educação” .
A maioria pode ser enquadrada como centros de condicionamento.
A questão da sexualidade é um tema polêmico pois é uma das áreas onde o ser humano mais encontra bloqueios.
Não podemos nos esquecer que a cultura dominante sempre considerou o sexo sinônimo de pecado.
A educação sexual na civilização dominante é tremendamente artificial e tardia, na maioria dos lares não há um diálogo aberto e franco quanto a esta temática.
A relação entre emoção e sexo é apenas uma das facetas desta multifacetada questão.
No ato sexual encontramos o homem novamente preocupado em exercer seu poder dominador e com os modismos recentes há agora uma exigência do homem para que a mulher sinta prazer, uma cobrança, pois sente o macho que sua condição de conquistador estará ameaçada se não conseguir produzir prazer na parceira.
As muitas faces da dominação masculina.
Antes era pecaminoso e vergonhoso a mulher sentir prazer, agora ela “tem” que ter prazer para o parceiro sentir-se o poderoso sedutor.
Assim , o homem cobra da mulher o prazer, o gozo para garantir que seu papel é perfeito, ele não apenas possuí a mulher, mas é tão poderoso que a faz sentir prazer.
Esse é o enfoque para muitos.
“Eu dou prazer a minha parceira”.
Aliás os termos associados ao ato sexual denotam bem como ele é encarado.
“Possuir uma mulher”; “Fazer amor”; são dois termos que revelam a profunda incompreensão por detrás da sexualidade. Pensem nos outros!
Não podemos deixar de lembrar que existe um componente biológico, instintivo no sexo, regulado por hormônios e mecanismos outros puramente ligados a continuidade da espécie.
Como Tantrista gostaria de abordar a sexualidade neste artigo.
O renascimento do feminino pode nos levar a um novo enfoque da questão sexual.
Novamente gostaria de lembrar que considero o renascer do feminino como algo muito importante não só às mulheres, mas também a nós homens que podemos recuperar o contato com nossa anima em toda sua amplitude e assim recuperar nossa condição de homens, perdida quando a civilização dominante nos limitou a sermos machos.
Mas o homem ao dominar o mundo impôs também quais seriam os arquétipos permitidos a mulher, assim a mãe se tornou a via predominante, ao lado da virgem.
A mulher pode então ser mãe, ou ser pura e virgem, mas é desprezada, de forma explicita ou implícita se ousa aderir a outros arquétipos, não oficiais.
Antes de mais nada o que é o Tantra?
Sob este termo existem linhas tão contraditórias que seria bom começarmos por estabelecer o que entendemos por Tantra.
Ao contrário das religiões que conhecemos , alguns ramos orientais não colocam o sexo como algo pecaminoso ou maligno.
Consideram que o sexo, como algo dotado de poder, pois é capaz de gerar uma vida, coisa que você nunca conseguiria rezando, por exemplo.
Como dizia um ocultista que conheci, com seu jeito irreverente:
- “Reze trinta terços ao lado de uma mulher e ela quando muito dormirá, mas uma única relação sexual concluída e o milagre da vida se manifesta.”
Para entendermos o Tantra temos de compreender certos paradigmas das culturas que o adotam.
A visão do ser humano é um dos pontos fundamentais.
Para o mundo racionalista o ser humano é um conjunto de átomos que se organizaram em moléculas que se organizaram em organelas, que se organizaram em células, que se organizaram em tecidos, que se organizaram em órgãos que se estruturaram num organismo.
No artigo anterior citamos a visão mecanicista ainda dominante no pensamento científico, dentro da qual somos apenas máquinas complexas, compostas de partes que se juntam e criam um corpo.
Assim faz parte dos instintos , uma espécie de “programa” dessas máquinas, estabelecer um conjunto químico de estímulos e respostas que levam um homem a procurar uma mulher e a liberar dentro dela seu sêmen para que os genes se encontrem e a vida continue.
Essa abordagem nada tem a ver com a visão de outros povos que consideram presente no ser humano um outro aspecto, algo que podemos chamar de espiritual, embora este termo também tenha sido muito deturpado.
Note que as religiões mais conhecidas apenas citam que existe um algo a mais no ser humano, confusamente chamam esse algo a mais de “alma” ou “espírito” e o contrapõe ao corpo.
Nas religiões oficiais a alma é algo que pode se salvar ou se perder pela eternidade se o seguidor acata ou não as verdades prontas que a religião lhe dá.
“Aceite sem questionar nossas verdades e será salvo, questione e penará no fogo eterno.”
No fundo esse é o regulamente implícito na maior parte das religiões.
Ainda, para uma grande maioria dos seres, mesmo entre os tidos por “esotéricos” o corpo é o veículo impuro e imperfeito onde a alma está “presa” neste mundo de dor e sofrimento.
Assim negar o corpo e seus “desejos” impuros é o objetivo mais ou menos confesso de muitos, e, por extensão, o sexo faz parte das impurezas a serem “sublimadas”.
Para os xamãs e certos ramos do misticismo oriental somos muito mais que isso.
Somos um todo complexo , energia em vários graus de manifestação.
Essa energia é dual, não em oposição, mas em complementação.
Assim o corpo físico é a densificação de uma outra realidade, uma realidade que podemos chamar de energética sutil.
Dentro do conceito físico moderno, que matéria é apenas energia condensada, fica mais claro, quer falemos do corpo físico quer de sua contraparte energética, que estamos apenas falando de dois aspectos de um mesmo fenômeno.
Num mundo onde sabemos que a luz e o elétron é um fenômeno complexo que se manifestaao mesmo tempo partícula e onda fica mais fácil lidar esse aparente paradoxo.
Assim como o gelo e a água num copo são dois estados diferentes da mesma substância o corpo de energia e o corpo físico são dois estados diferentes da mesma energia universal, atuando em meios distintos, mas mutuamente equilibrados.
Mas cada um desses dois planos tem suas leis e suas peculiaridades, entretanto não se opõe, complementam-se.
Em nenhum momento o puro misticismo apóia a divisão esquizofrênica que se estabeleceu entre corpo e espírito.
Para podermos de fato entrar em níveis mais amplos de consciência, nos chamados estados amplificados de consciência, ou ainda, nos estados de consciência intensificada precisamos de energia.
E aqui uma analogia pode nos ser útil.
Os elétrons ao redor dos núcleos atômicos não estão aleatoriamente distribuídos, mas existem áreas que eles tem a tendência de existir.
Essas áreas são chamadas de orbitais.
Para um elétron passar de um orbital mais perto do núcleo para outro mais distante ele precisa ter energia para isso.
Analogamente dizemos que a percepção para ir a níveis mais amplos de consciência precisater energia.
Sabendo o imenso poder do sexo fica claro que podemos dele tirar essa energia que necessitamos.
Estamos num campo científico, não o cientificismo estreito, mas ciência no sentido de conhecimento acumulado por observação e experimentação .
As religiões conhecidas são extremamente moralistas e se baseiam apenas em dados morais absolutos para falar de evolução.
A ciência dos iniciados, dos yogues, dos budistas esotéricos, dos lamas e dos xamãs tem um aspecto ético sem dúvida, mas vai muito mais além.
Sabe que estados mais amplos de consciência são atingidos por trabalhos específicos que envolvem a ampliação da energia pessoal.
Dois caminhos existem àquele que deseja ir a estes níveis mais amplos de consciência, não ocasional e acidentalmente, mas de fato nele mergulhar e aí viver.
Um é o celibato.
É um caminho válido para alguns e caracteriza-se pelo abrir mão da sexualidade, levando assim a energia a fluir para dentro e a sustentar os novos estados perceptivos.
Entretanto existem aqueles que mesmo sem abrir mão da sexualidade continuam no caminho da ampliação da consciência.
A estes o Tantra é a ferramenta adequada para que possam aprender a canalizar sua energia ao invés de desperdiçá-la inconscientemente.
O Tantra tem sido usado atualmente por muitos como desculpa para uma sexualidade desequilibrada por parte de indivíduos que possuidores da preguiça e da arrogância típica não desejam fazer nenhum trabalho sobre si mesmos e acreditam que a evolução acontece por inércia.
O aspecto sexual é um dos lados desse complexo caminho.
A meditação, os pranayamas (exercícios respiratórios) e outros tantos exercícios, além de um profundo trabalho psicológico são partes importantes e inseparáveis do Tantra, sem os quais teremos apenas desequilíbrio.
Não há como aprender Tantra em livros.
Como todo os conhecimentos profundos e dotados de grande poder o Tantra exige estudo e supervisão.
Aprender Tantra por livros é tão tolo e perigoso como se alguém tentasse aprender a nadar em um rio de forte correnteza a partir de um curso por correspondência.
Fomos criados em uma civilização muito desequilibrada e é óbvio que nossa psique ficou muito afetada por isso.
Portanto temos que trabalhar com nossa própria realidade interior antes de dar qualquer passo nesse caminho.
Certo dia, quando estava no começo de meus estudos, preparávamos um canteiro para plantar.
Cavamos um buraco e peneiramos toda a terra antes de montar o canteiro.
Quando estávamos colocando o adubo orgânico a pessoa que nos orientava nos alertou para o fato de que se não houvéssemos antes peneirado a terra , liberado das ervas que não serviam aos nossos propósitos , aquela adubação estaria na verdade fortalecendo da mesma forma as ervas medicinais que plantávamos e as ervas que iriam sufocá-las .
Essa imagem volta agora a minha mente intensamente quando abordo a questão de prepararmos nosso terreno psíquico antes de o adubarmos com a potente energia sexual.
Como homem não compreendo o treinamento feminino para o Tantra, embora saiba que é profundamente diferente do nosso.
Mas sei que nesta primeira fase ele é idêntico.
Homens ou mulheres temos que começar nosso trabalho pelo psicológico.
Temos que remover aquilo que não somos, que foi imposto pelo condicionamento desequilibrante que chamamos de educação.
Homens ou mulheres somos entidades complexas, essências adormecidas envoltas por personalidades que se desenvolveram em respostas aos estímulos do meio.
Se concordamos que o meio é desequilibrado diferente não pode ser o estímulo que dele recebemos e menos pior não é o efeito.
Fica pois o alerta aos que dominados por uma imaginação doentia vêem no Tantra uma nova forma de satisfazer suas taras sexuais.
Para um tantrista a mulher é o mistério supremo.
Gosto de comparar o Tantra ao surf.
No surf convencional você está ali, esperando antes da rebentação sua onda.
De repente ela vem, te leva, você faz parte da onda, flui com ela , mais e mais e mais e de repente ela se vai e acaba.
É uma rápida queda.
Como no sexo, quando vem a ejaculação .
Mas no Tantra é como se a onda não acabasse, mas em uma possibilidade espiral se tornasse mais e mais ampla, engolfando sua percepção num êxtase sublime , onde a mente concreta se cala, onde somem as fantasias e cada célula do corpo entra numa ressonância orgástica incapaz de ser expressa em meras palavras, estas toscas ferramentas nas quais nos apoiamos para descrever o que vai tão além delas.
Nada mais distante da vida que a fantasia.
Quando fantasiamos ao invés de estarmos presentes aqui e agora estamos jogando pela janela este dom maravilhoso, mágico que é o momento presente, único, irrecuperável.
Também no Tantra a fantasia inexiste.
É a contemplação entre os amantes, o observar do que são de fato, o brilho do olhar trocado, progredindo para as carícias, que vão pouco a pouco alimentando o fogo alquímico do sexo.
A mulher tem uma característica que noto é ignorada por grande parte delas.
Enquanto nós homens desde a puberdade até a andropausa somos sempre férteis, as mulheres todo mês tem um período no qual não são férteis.
Isso é muito revolucionário.
Vocês mulheres tem um período no qual estão livres do domínio biológico do instinto, não há um estímulo hormonal gritando:
“ Misturem os genes, continuem a espécie.”
A profundidade dessa informação não foi ainda suficientemente compreendida pela maioria.
Eu posso apenas dizer o que vejo nas mulheres xamãs com as quais convivo, que sabem ser a famosa T.P.M. (tensão pré menstrual) apenas um sinal da imensa porta que pode se abrir para todas as mulheres nesse período.
O nível de poder que observo nas minhas companheiras nesse período é algo que não posso descrever aqui, apenas citar, numa pálida alusão a este ser maravilhoso chamado mulher que felizmente pude aprender a respeitar e amar me libertando do condicionamento desta cultura decadente que ainda nos domina.
Portanto para um verdadeiro tantrista a mulher é o mistério supremo.
É a face amante da Deusa, que nos permite ir além de nossos limites, que nos nutre de uma nova energia, a qual não temos como encontrar em outra fonte.
Se a face mãe da Deusa nos amamentou quando éramos indefesas crianças é a amante que nos dá esse novo alimento que nos torna homens de fato, orgasticamente felizes.
A felicidade é profundamente ligada a realização orgástica, mas a realização orgástica não é apenas sexual.
Sugiro uma leitura atenta da obra de W. Reich para os que desejam ir mais fundo nessa questão partindo do enfoque psicanalítico.
Reich é importante porque ele é um cientista, que esteve dentro da psicanálise tradicional e depois foi se ampliando, indo mais longe, constatando e descobrindo o lado concreto do processo, o corpo, a energia, os “nós” que o corpo pode apresentar interrompendo o fluxo equilibrado da energia da vida.
Reich e Osho foram dois grandes nomes que abordaram a sexualidade de forma ampla e aberta e ambos foram mortos por esta coisa terrível, esse sindicato das sombras que mantém o poder nos Estados Unidos da América.
Nossa relação com a energia pessoal é muito equivocada.
Se não temos energia nos sentimos enfraquecidos, sem resistência.
Mas quando a energia está presente muitos se sentem agitados , sem saber o que fazer com ela.
Quantas vezes ouvimos frases do tipo: “Preciso descarregar um pouco , estou com muita energia.”
E para muitos o sexo é essa via de descarregar.
Note assim que tais pessoas praticam o sexo no sentido oposto do tantrista.
Eles se “descarregam” com o sexo, enquanto um Tantrista carrega-se .
Este carregar é importante e aqui está uma das chaves que os Xamãs vêm quando tentam entender a subjugação da mulher pelo homem.
Grande parte dos homens não conhece o prazer além do prazer animal, puro instinto.
Como já citei atrás o homem tem uma constância do período fértil.
É a velha justificativa masculina para o comportamento volúvel e infiel que a grande maioria apresenta.
Eu entendo bem isso...
Assim muitos homens vão ao sexo, para “descarregar” tensões.
Exercer sua vontade de poder, domínio ou manifestar outros pontos de desequilíbrio, pois não podemos deixar de considerar uma análise fundamental da sociedade dominante.
Ela é neurótica.
E essa neurose vem implantada em todos os cidadãos e cidadãs ajustados e ajustadas ao sistema.
Ajustados!
Neste sexo feito com muita fome, com sede terrível, num jogo onde fantasmas interiores, fantasias e projeções acompanham o estimular dos corpos em níveis crescentes de tesão o quem comparece para a grande fusão, que é o orgasmo, não é a essência mas os egos, as máscaras, as personalidades.
Qual o problema ?
Temos também muitas personalidades, a social, a familiar, a do trabalho, a de amantes.
Como somos como amantes?
Temos essa clara noção dessa face do Deus e Deusa?
Somos o Galhudo, o homem viril e guerreiro que na plenitude de seu poder e de sua vontade se funde à amante, à Terra, à mulher plena que na plenitude de seu poder e de sua vontadeé parceira na dança que ambos juntos agora executam?
Esse tipo de consciência, de fusão com o Deus e a Deusa não pode ser alcançado pela personalidade.
Embora uma falsa personalidade possa ser gerada e tomar contato com esses arquétipos essa falsa personalidade é um perigo.
Por isso se recomenda antes de ir para a fase de trabalho no Tantra o estudo atento de si mesmo, para que saibamos como somos de fato e avaliarmos com segurança se temos disciplina e estrutura para o que representa o Tantra.
Pois o subir das energias pela espinha, pelos 3 canais que ali estão, é apenas um aspecto do processo.
Há muito mais que isso.
Depois que o cérebro é ativado é que começa o trabalho mais profundo.
O cérebro também é um útero e se for fecundado pela energia que não mais se perde na ejaculação permite a entrada da consciência em outros níveis, uma volta ao Jardim.
Mas isto são mistérios que palavras não conseguem abranger.
E é importante entender que se não há um trabalho consciente com a energia acumulada é melhor nunca se aproximar do Tantra, pois seria o mesmo que aumentar a pressão dentro de um recipiente frágil.
A explosão seria o resultado final.
Para os que criticam os celibatários, inclusive certas correntes que negam a possibilidade de desenvolvimento espiritual por este caminho gostaria de lembrar que a Terra também é mulher e assim é não apenas mãe , mas também amante e um xamã pode dela ter o mesmo que um tantrista tem de uma mulher.
Pelo que sei as mulheres podem também Ter no Sol seu parceiro, mas aqui também entramos no campo dos mistérios.
Não segredinhos tolos , jogos de poder com palavras, mas quando falo mistérios falo de níveis de conhecimento que só podem ser vivenciados, onde todo falar é apenas aludir, nunca explicar.
Isto é dito de forma muito superficial, pois é parte do mistério que os Xamãs dominam.
Mas estou falando do celibatário equilibrado, não do reprimido.
O Tantra pode ser usado como perversão e o celibato como repressão, mas o fato de poderem ser deturpados não torna esses caminhos, quando equilibradamente praticados, menores.
Como tudo pode ser deturpado o Tantra também o pode de forma consciente ou inconsciente.
Uma das afirmações mais polêmicas que os videntes Toltecas fazem é de que a mulher não apenas mantém a vida biologicamente gerando e amamentando suas crias.
Quando um homem se relaciona sexualmente com uma mulher no momento da ejaculação ele deixa tentáculos energéticos dentro dela, que o alimentam de energia por 7 anos.
Dado a complexidade deste tema apenas o cito, como alerta para as mulheres que ainda não associaram sua condição de subjugação energética em nossa sociedade com o fato de os homens a possuírem.
A liberdade sexual é algo bem distinto da libertinagem.
Não somos moralistas, repudiamos mesmo essa abordagem, apenas estamos falando de equilíbrio.
A sexualidade é um tema sagrado, no mais puro sentido deste termo.
Estes raciocínios são importantes para aqueles que desejam trilhar um caminho de desenvolvimento mais profundo, iniciático.
Para uma vida “comum” não têm nenhum valor, não estão nessa esfera.
Assim como a disciplina de um atleta é desnecessária a uma pessoa de vida “normal”, mas ainda assim uma caminhada e uma alimentação balanceada ajuda a todos.
Insisto : Liberdade é algo bem diferente de libertinagem.
A famosa frase: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei” tem sido citada como os crentes citam frases da Bíblia.
Fora do contexto onde foi gerada.
Há que existir um “Tu” pleno em vontade, que não é desejo.
E a maioria das pessoas é um amontoado de egos em conflito, de estilos de agir, emocionar e pensar que lhes foi imposto.
Quando estamos num caminho iniciático, como o é o Tantra, outras considerações se fazem presentes que vão muito além do senso comum dominante em nossa cultura consumista.
O poder da mulher é fascinante .
A aparente fragilidade e desequilíbrio que encontramos em muitas mulheres tem a mesma fonte do aparente subdesenvolvimento que as populações negras estão presas em nosso mundo ocidental.
A linha dentro da qual foram criadas leva a este estado.
Há um absurdo citando o atraso das populações negras como karma de Lemurianos.
Isso é apenas preconceito disfarçado.
Cada ser é o momento e pode pelo momento trabalhar o que vem até ele nos fluxos do existir.
Mas se é criado dentro de um contexto que não lhe permita o pleno desenvolvimento de suas capacidades e mais, reprime e cria condições para prejudicar esse desenvolvimento é óbvio que a causa desse efeito não precisa ser buscado em passados tão remotos.
O mesmo ocorre com a mulher.
Uma mulher é enfraquecida desde cedo, limitada e muitas vezes tem pobres exemplos submissos e frágeis dentro do seu lar para se espelhar.
Como a população negra, ainda se recuperando da condição desumana a qual foi exposta por tanto tempo, isolados de sua linha cultural e doutrinados para se sentirem inferiores.
A analogia devia ser bem meditada sobre quem quer entender técnicas de dominação e limitação do desenvolvimento.
Embora usem agora outras tecnologias será que os donos do mundo nos vêm de forma diferente?
A energia sexual é a mais alta energia que o organismo gera em condições naturais.
A alquimia do Quarto Caminho a chama de “H SI 12”.
Assim é óbvio que este tremendo poder deve ser melhor compreendido.
A tremenda energia envolvida no sexo pode ser canalizada ao invés de ser apenas gasta.
O homem durante a relação sexual vai se estimulando mais e mais, vai sendo estimulado mais e mais até que em um dado momento uma resposta neuro-química libera uma descarga do fluído seminal, onde os espermatozóides são lançados no interior da mulher começando a misteriosa e bela viagem da qual , apenas um dos milhares envolvidos, vai fecundar o óvulo dando início a uma nova vida.
Este é o caminho comum.
Mas aquele que pretende seguir o caminho da iniciação deve saber que terá que ir muito além disso.
A natureza nos preparou para irmos até um certo ponto, onde atingimos um estado de desenvolvimento de acordo com o nosso papel a ser desempenhado dentro do grande organismo cósmico.
Pense nisso, ser parte de um grande organismo cósmico.
É assim que cada xamã ou um iniciado de qualquer caminho profundo se sente.
Se quisermos ir além temos que trabalhar para isso.
Com dedicação e disciplina.
A sexualidade é um campo muito importante dentro deste contexto.
No homem a condição de excitação é observável, pois se caracteriza pela ereção do pênis.
Assim o homem só consegue realizar o ato sexual completo se estiver excitado, mesmo que fantasie para atingir essa excitação quando a parceira não o estimula.
A mulher pela sua condição receptiva pode participar do ato sexual mesmo não estando estimulada.
A famosa cena na qual o homem afoito “possuí” uma mulher que enquanto geme e pede mais olha no relógio para saber se o ‘tempo’ cobrado já passou faz parte do folclore cinematográfico de nossa cultura.
Esse aparente domínio do homem sobre o ato sexual também permite a mulher ser vítima de violências inconcebíveis por parte do macho dominador nas mais diferentes culturas.
O homem macho, que é diferente do homem masculino, tem no sexo uma de suas bases de afirmação.
Desde a adolescência é a quantidade de conquistas e não a qualidade que os homens costumam apresentar como prova de sua “virilidade”.
Me lembro de meu próprio exemplo, da necessidade que tinha e a via em meus amigos, de “catar umas minas”.
Era um jogo social, uma atividade em que nos reuníamos em certos lugares determinados, impostos socialmente também, depois armávamos o que ia rolar e íamos caçar.
No outro dia na piscina do clube , na casa de alguém ou num bar era o momento dos comentários sobre o que tinha ocorrido, o que tinha “ rolado”.
Noto em grande parte dos homens com os quais convivo que não houve um amadurecer dessa fase.
Pelos papos , pela forma que colocam suas “conquistas” fica claro que ainda abordam o tema sobre o mesmo enfoque.
Aliás eu insisto sempre que poucos homens abandonam a adolescência, pois as questões que observamos ser o centro de gravidade nas questões masculinas são as mesmas desde a adolescência, apenas mudando matizes, mas permanecendo na mesma cor.
E é a maturidade que marca o momento no qual a qualidade vale mais que a quantidade.
Assim tenho percebido como tantrista que a mulher foi tragada pela famosa revolução sexual e como em outros campos acredita que sua liberdade é apenas imitar o homem em seus desatinos.
Depois de se sentir o prazer tântrico o outro nível se torna muito insonso.
A feminilidade não é fragilidade, muito pelo contrário, é um outro nível de manifestação de um poder sublime.
Uma mulher plena que tive o verdadeiro prazer de conhecer certa vez me deu um exemplo da força feminina, comparando-a a luz do sol.
O mesmo poder que mantém planetas girando ao seu redor é capaz de atravessar a vidraça sem quebrá-la e tocar suavemente a face da criança que dorme.
É esse poder que sentimos acordar no sexo tântrico, quando nos unimos num nível muito profundo a parceira, quando nossas almas comungam e nossos corpos se fundem.
Quando junto com o prazer das zonas erógenas se estimulando, cada célula do corpo descobre ser também erógena, cada respiração, cada murmúrio é ampliar o prazer que cala a mente , traz paz ao coração e na coluna ereta, que não é reta, pois o próprio mundo é curvo, flui o poder seminal.
Olhos se tornam também fogueiras, onde mergulhamos no mistério do feminino, que pode ser citado, mas só é compreendido se experimentado.
E não tenho dúvidas que muitos homens ainda fazem a guerra por nunca terem sido amados por nunca terem sido felizes, em seu desequilíbrio é como se vingam de nós que o somos.