sábado, setembro 22, 2012

CRISTIANISMOS: CONFLITOS NA IGREJA PRIMITIVA

O beijo de Judas, de Giotto di
Bondone (1304-06).
Há quem fale em “cristianismo”, mas a religião dos seguidores de Jesus foi, desde os primeiros séculos, marcada pela diferença entre credos, costumes, cânon, disciplina, administração dos sacramentos e forma de liderança. Os primeiros problemas enfrentados pelos discípulos foram superados com certa facilidade. A substituição de Judas por Matias (At 1,26) e a nomeação de pessoas encarregadas de prestar assistência “às viúvas esquecidas na distribuição diária de alimento” (At 6,1) foi feita, pelo que nos conta Lucas, sem maiores problemas. Mas a entrada de uma nova figura, contada como apóstolo, mas que ao contrário de Matias não esteve com os Doze “desde o batismo de João até o dia em que Jesus foi elevado dentre nós às alturas” (At 1,22), logo suscitou problemas.

Paulo, que no início de Atos aparece ao lado de Barnabé (11,25; 13,12), em segundo plano, vai aos poucos ganhando proeminência. A dupla “Barnabé e Saulo (11,25; 13,12), torna-se, em 13,14, “Paulo e Barnabé”. Em listra, durante sua primeira viagem missionária o “apóstolo dos gentios” é comparado a Hermes, “porque era ele quem trazia a palavra” (14,12). Paulo é eloqüente, culto, dotado de um notável espírito de liderança e ainda possui cidadania romana. A sofisticação teológica de suas cartas não passou despercebida por Pedro, que chegou a confessar que possuem “algumas coisas difíceis de entender” (2Pe 3,16).  

O capítulo 15 de Atos marca a primeira grande controvérsia entre os cistãos. Na cidade de Antioquia, na Síria, alguns judeus convertidos estavam ensinando que os homens não circuncidados não seriam salvos. Uma reunião em Jerusalém (que ficou conhecida como Concílio de Jerusalém) com a participação dos apóstolos e presbíteros foi organizada a fim de eliminar a controvérsia.

O livro de Atos registra que Pedro e Tiago discursaram no concílio. O primeiro disse que o jugo da Lei não de deve ser imposto aos discípulos (At 15,10). Tiago segue na mesma linha, mas faz algumas ressalvas: “abstenham-se de  comidacontaminada pelos ídolos, da porneia (termo de tradução difícil), da carne de animais estrangulados e do sangue” (At 15,20). Ele explica o motivo das proibições: “Pois, desde os tempos antigos Moisés é pregado em todas as cidades, sendo lido nas sinagogas todos os sábados". Ao que parece tais recomendações visam facilitar a convivência entre judeus e gentios convertidos ao cristianismo. Mas isso não fica claro. O apego de Tiago aos costumes judaicos deixou sua impressão nos textos no Novo testamento. Note que ele usa o termo “sinagoga” (Tg 2,2) e não “ekklesia” para se referir aos locais de reunião dos destinatários de sua carta. A ênfase que Tiago dá às obras também chama a atenção. Suas doutrinas parecem entrar em confronto direto com o ensinamento paulino (Lutero que o diga!). Mas Lucas não cita nenhum atrito entre Pedro e Tiago com Paulo. Após o concílio de Jerusalém os discípulos se deslocam para Antioquia (cf. At 15,30). Lá algo importante acontece. É preciso ler com atenção o que nos diz Paulo na sua carta aos gálatas.  

Paulo tem uma posição clara: “ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo” (Gl 2,16). Ele diz que enfrentou Pedro face a face por sua atitude condenável (Gl 2,11). O motivo: Pedro comia com os gentios, mas se afastava deles após a chegada de “alguns da parte de Tiago” (v. 12). Paulo diz mais: “até Barnabé se deixou levar” (v. 14). De um lado Paulo. Do outro Pedro, Tiago e Barnabé. Anote isso e voltemos a Atos.

Atos também fala de um desentendimento de Paulo com Barnabé em Antioquia (15,36), mas apresenta outro motivo: Barnabé queria levar João Marcos na segunda viagem missionária, mas Paulo se opôs, alegando que ele os havia abandonado na Panfília (15,38). Aqui algo fica evidente. Além de Pedro, Tiago e Barnabé, o “apóstolo nascido fora do tempo” também se desentendera com João Marcos. Paulo, um homem difícil.  O motivo da separação entre Paulo e Barnabé parece ser duplo: divergências (após?) o concílio de Jerusalém (Gálatas) e recusa da companhia de João Marcos (Atos).

Quando confrontamos o livro de Atos com as demais cartas do Novo Testamento notamos que a manutenção da unidade foi algo difícil. As comunidades cristãs primitivas foram ganhando características próprias, moldadas de acordo com o líder que as conduzia. Paulo tinha bons motivos para fazer um apelo à unidade diante dos cristãos que diziam “Eu sou de Paulo"; "eu de Apolo"; "eu de Pedro"; e "eu de Cristo" (1Co 1,12).

Quando os apóstolos morreram a situação ficou ainda mais grave. A falta de unidade doutrinária, da figura de um líder e de uma relação de livros considerados inspirados por todos os cristãos impulsionou a elaboração de um credo apostólico, a eleição de um bispo que pudesse governar a igreja com autoridade e a definição de um cânon (que ocorreu só no final do século IV).

No primeiro século a opinião de Paulo prevaleceu sobre os demais apóstolos. Os judaizantes deixaram de representar uma grande ameaça. Nos segundo século surgiu um novo inimigo: os gnósticos. Mas esse é um assunto para outra ocasião.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, setembro 20, 2012

A relação entre Revolução Farroupilha e maçonaria

Eliane Lucia Colussi
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Professora do Curso de História da Universidade de Passo Fundo


A Revolução Farroupilha é considerada um dos episódios mais importantes e simbólicos da história política e cultural do Rio Grande do Sul. Entre os aspectos que freqüentemente justificam a sua grandeza está a vinculação com a construção da identidade regional. Os diversos episódios em torno da revolução sustentam as teses, com algumas variações, das diferenças de “ser gaúcho”. Porém, a temática “farroupilha” somente passou a ser foco de estudos mais aprofundados e sistemáticos nas primeiras décadas do século XX. As comemorações do “Centenário da Revolução”, em 1935, inauguraram a entrada da Guerra dos Farrapos no discurso historiográfico e na própria história do Rio Grande do Sul1.

Os aspectos mais relevantes na descrição e na interpretação da revolução residem na centralidade do descontentamento de setores da elite socioeconômica sul-riograndense com a política centralista imperial. Nesse sentido, pretendo propor algumas reflexões que possam contribuir para o debate sobre o papel da revolução na história do Brasil meridional. A abordagem principal focaliza os farrapos e a provável influência da maçonaria no decorrer da guerra. Antecipo meu posicionamento a propósito da questão: tal influência não foi fundamental e nem decisiva. Contudo, frente à complexidade da realidade social do Rio Grande do Sul no contexto, a maçonaria esteve presente e, em alguma medida, contribuiu para os resultados daquele movimento político histórico. 

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1 A valorização da temática sobre a Revolução Farroupilha deve muito aos intelectuais do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, que, no caso das comemorações do Centenário Farroupilha, organizaram um importante congresso de estudos e, posteriormente, publicaram na forma de anais o debate ali ocorrido. Ver: Anais do I Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense. IHGRGS. Porto Alegre, 1936.

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Considero relevante que não se perca de vista, ao analisar o quadro histórico do Rio Grande do Sul nas primeiras décadas do século XIX, as suas peculiaridades em comparação ao resto do Brasil. Na conjuntura em que eclodiram os movimentos de contestação ao colonialismo, a Província de São Pedro cumpriu, na minha opinião, um papel coadjuvante. Tal situação não poderia ser diferente, pois a tardia incorporação ao território brasileiro e sua localização de fronteira projetou, em muitos aspectos, uma condição periférica. Os protagonistas do movimento emancipacionista, com forte influência das idéias iluministas e liberais das correntes francesas, residiam ou atuavam próximos aos centros econômicos e políticos de maior envergadura. O processo que culminou com a independência do Brasil teve, evidentemente, a adesão, mesmo que tardia, também da elite política e intelectual sul-riograndense. O movimento maçônico, que crescera juntamente com a difusão dessas idéias, chegou ao Rio Grande do Sul três décadas depois que nas regiões centrais do Brasil.2
A maçonaria, a Revolução Farroupilha
e as narrativas historiográficas

A historiografia sul-riograndense dedicou pouco espaço ao estudo sobre a presença da ordem maçônica na história do Rio Grande do Sul. Sobre as narrativas historiográficas vinculadas ao tema, recorri a um trabalho já realizado anteriormente e específico sobre a maçonaria no Rio Grande do Sul. No referido trabalho, utiliza-se uma classificação das narrativas historiográficas a partir da análise de dois grupos de autores: a historiografia não-acadêmica e a historiografia acadêmica. 3 
Neste texto, darei ênfase apenas às questões envolvendo a maçonaria e a Revolução Farroupilha. A maçonaria freqüentemente é mencionada por historiadores não-acadêmicos, que quase sempre abordam a temática valorizando, de forma exagerada, a participação maçônica nos acontecimentos relativos à Revolução Farroupilha. É comum que se explique o espírito associativo, as academias e sociedades literárias como tendo sido o berço da maçonaria no Rio Grande do Sul.4

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2 O presente artigo é inspirado em outro trabalho de minha autoria: COLUSSI, Eliane Lucia. A maçonaria gaúcha no século XIX. 3. ed. Passo Fundo: Ediupf, 2003.

3 Idem.

4 Esta constatação confirmaria um fenômeno cultural e político ocorrido em esfera internacional nos séculos XVIII e XIX. O nascimento, divulgação e recepção do pensamento “burguês” ou iluminista e liberal encontrou nessas sociedades literárias um espaço de sociabilidade fundamental. 


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Na década de 1830, a elite intelectual gaúcha aderiu mais intensamente e quantitativamente ao pensamento iluminista e liberal, especialmente de origem francesa. Mesmo que alguns autores acreditem haver indícios da existência de atividades maçônicas na província antes da década de 1830, não há, até o momento, comprovação documental dessas atividades. Com base nessa constatação, é possível relacionar Revolução Farroupilha e movimento maçônico pois eles são, no mínimo, concomitantes e conectados no campo das idéias.

Em termos da abordagem encontrada entre historiadores não-acadêmicos, destaca-se o trabalho de João Pinto da Silva. Ao tratar do ambiente intelectual do Rio Grande do Sul às vésperas da Revolução Farroupilha, o autor explica a difusão das sociedades e clubes literários e secretos como fundamentais na vida política e cultural da província. As dificuldades econômicas enfrentadas pelo Rio Grande do Sul em razão de sua condição periférica, e de economia voltada para o mercado interno, teriam estimulado a resistência às políticas do poder central. Tal situação coincidia com um ambiente cultural propício à difusão de associações de “lojas misteriosas”. Entre as sociedades secretas, a de maior destaque, na perspectiva da organização maçônica, foi o gabinete de leitura “O Continentino”, instalado na cidade de Porto Alegre.5

Na visão da maioria dos autores desse grupo historiográfico, o clima de radicalização política que opunha “caramurus” e “liberais nativistas” havia sido, em muito, intensificado pela ação dos maçons gaúchos. A maior parte dos liberais gaúchos assumira a opção farroupilha em razão dos privilégios centralizadores do Império brasileiro, que desenvolvia uma política econômica vinculada à provável influência da instituição no campo cultural, isto é, na difusão do ideário que mais tarde seria assumido discursivamente pelos líderes farroupilhas.6

Um episódio extremamente valorizado por historiadores desse grupo, e que confirmaria a relação entre maçonaria e farrapos é o da fuga de Bento Gonçaves do presídio na Bahia. Walter Spalding dedicou um capítulo de seu trabalho à descrição desse episódio e aos detalhes da articulação maçônica que teria permitido a libertação do líder Bento Gonçalves.7 Bento Gonçalves foi aprisionado em 1836 e enviado, inicialmente, para o presídio Fortaleza da Lage, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, foi transferido para o Forte de São Marcelo, na Bahia. 

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5 SILVA, João Pinto da. A Província de S. Pedro (interpretação da história do Rio Grande). Porto Alegre: Globo, 1930, p. 121.

6 ANTUNES, Deoclécio Paranhos. Os partidos políticos no Rio Grande do Sul: gênese e desdobramento histórico desde a proclamação da independência à república. In: Anais do I Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense. IHGRGS. Porto Alegre: Globo, 1936. v. 2. p. 217.

7 SPALDING, Walter. Farrapo. Porto Alegre: Sulina, s/d, p. 134.

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Interessante em relação ao episódio da fuga do líder farroupilha é a menção que se fez da existência de uma trama maçônica com a finalidade de libertar Bento Gonçalves. Segundo alguns autores, a intervenção maçônica se efetivou a partir do momento em que Bento foi identificado como “irmão”. Com efeito, não se pode deixar de considerar o fato de que, efetivamente e de forma surpreendente, Bento Gonçalves retornou ao Rio Grande do Sul em setembro de 1837. Se tal complô se deveu à ação de maçons ou de liberais simpáticos aos farrapos é, ainda, uma questão em aberto.

Entre os historiadores não-acadêmicos encontram-se, também,,as obras publicadas por historiadores maçons. Essas narrativas são as que mais divulgaram a idéia de que a maçonaria foi fundamental para a eclosão e para o desenrolar da Guerra dos Farrapos. Deve-se considerar que, quantitativamente, o grupo não produziu um grande número de obras.
Entretanto, deve-se levar em conta que muitos intelectuais maçons integraram instituições culturais importantes, como, por exemplo, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e, dessa forma, direta ou indiretamente, produziram e influenciaram a divulgação de interpretações que valorizaram a temática maçônica. Selecionei dois autores que considero fundamentais para a tentativa de construção de uma história da maçonaria gaúcha. Nos dois casos, a inclusão do tema “Revolução Farroupilha” aparece com destaque.

Morivalde Calvet Fagundes é autor de inúmeros trabalhos sobre a maçonaria gaúcha. Um de seus méritos refere-se ao cuidado de comprovar suas afirmações com evidências documentais. Freqüentemente, o autor transcreve parte de documentos por ele localizados, o que sustentaria em muito suas explicações. Um exemplo é quando transcreve documentos do período farroupilha que confirmam a ocorrência de rituais de iniciação maçônica de Thomas Ferreira Valle, em 1839, na cidade de São Gabriel, e de David Canabarro, em 1841, na cidade de Alegrete. Evidentemente que, para o autor, o fato de vários líderes farrapos terem sido maçons confirmaria a influência da instituição naquele contexto.8 

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8 FAGUNDES, Morivalde Calvet. Revelações da história da maçonaria gaúcha. Hoy es historia, Montevidéu, ano 4, n. 20, 1989. p. 42-43.

9 Trata-se da obra DIENSTBACH, Carlos. A maçonaria gaúcha: história da maçonaria e das lojas do Rio Grande do Sul. Londrina: A Trolha, 1993. (4. v.).

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O segundo historiador maçom escolhido para este trabalho foi Carlos Dienstbach, autor que publicou uma importante obra sobre a maçonaria gaúcha.9 Entre um grande universo de informações, dados e documentos apresentados pelo autor, destaca-se, também, a questão da influência da maçonaria no processo revolucionário. Entre os documentos que reforçam suas convicções, ele aponta, em especial, um documento que conferia a Bento Gonçalves a missão de regularizar e filiar lojas e maçons nos locais percorridos pelos revolucionários. Muitas lojas maçônicas teriam suas raízes nessa modalidade de instalação.10

Quanto ao segundo grupo historiográfico em análise, e que denominei de acadêmico, aparecem poucas obras disponíveis que abordem temáticas relacionadas à participação da maçonaria na história do Rio Grande do Sul. Entretanto, destaco dois trabalhos que tratam do tema deste artigo: o de Spencer Lewis Leitman e o de Moacyr Flores. O primeiro autor explicou a relação entre maçonaria e Revolução Farroupilha com inserções como a que segue: “Na fronteira, Bento Gonçalves organizou lojas maçônicas aprendendo rapidamente todos os meandros da organização, e usando o serviço postal maçônico como uma alternativa para sua correspondência secreta. Alguns anos depois, um de seus filhos afirmou que Sucre, o codinome maçônico de seu pai, era prova suficiente de sua intenção de estabelecer uma república antes do dia 20 de setembro de 1835”.11

Moacyr Flores tratou dessa questão em capítulo específico de sua obra sobre o modelo político e as idéias que influenciaram os farrapos.12 O autor discorda que a Revolução Farroupilha tenha sofrido influência maçônica. Contudo, debruçou-se sobre algumas questões episódicas e outras de cunho interno da maçonaria. No caso dessas abordagens, considero a obra de Flores exemplar de um modelo historiográfico tipicamente do seu tempo. O autor procurou argumentar seus pontos de vista informando conceitos, informações e explicações de cunho interno da ordem maçônica.13 

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10 Idem, p.479.

11 LEITMAN, Spencer Lewis. Razões socioeconômicas da Guerra dos Farrapos: um capítulo da história do Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 61.

12 FLORES, Moacyr. Modelo político dos farrapos: as idéias políticas da Revolução Farroupilha. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.

13 Idem, p. 40.
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Será que a maçonaria foi importante para a Revolução? 
Não há, por certo, como responder de forma conclusiva a essa questão. As fontes documentais e bibliográficas disponíveis não falam o suficiente para que se chegue a uma conclusão plausível. Levando em conta esse ponto de vista, suspeito que, no caso de ter que se chegar a uma resposta, a Revolução Farroupilha foi mais importante para a maçonaria do que o contrário. Para pontuar essa perspectiva, lembro que as primeiras lojas maçônicas já estavam sendo implantadas em território brasileiro desde pelo menos o ano de 1800.
Por outro lado, somente três décadas depois se tem notícia oficial da instalação de loja no Rio Grande do Sul, a loja Filantropia e Liberdade, fundada em 25 de dezembro de 1831, na cidade de Porto Alegre.

A estreita vinculação entre a primeira loja maçônica e o gabinete de leitura da “O Continentino”, caracteriza uma das primeiras formas de atuação da maçonaria no Rio Grande do Sul. Os integrantes de lojas maçônicas atuavam discretamente em razão do caráter sigiloso da própria instituição. Também buscavam se proteger da perseguição política ou religiosa que por ventura pudesse se desenvolver.14

Volto à questão das origens da maçonaria gaúcha salientando que os liberais gaúchos, que já haviam aderido à causa emancipacionista em 1822, ganharam a adesão de setores descontentes com a política centralista da monarquia recém instalada no Brasil. Aliado a isso, havia o descaso para com as necessidades, sobretudo econômicas e fiscais, das províncias periféricas. A abdicação do imperador, em 1831, assim como as primeiras medidas dos governos regenciais, suscitaram um aumento da frustração por parte da elite gaúcha em relação ao governo central, e foram os integrantes dessa vertente política, muitos deles participantes de sociedades secretas, os responsáveis pela organização do movimento revolucionário de 1835. Nesse ponto, podemos, de alguma forma, ligar maçonaria e Revolução Farroupilha, pois as oficinas maçônicas eram, no entanto, um espaço privilegiado de debate e de aglutinação dos liberais radicalizados.

As primeiras lojas foram, certamente, de iniciativa de um pequeno número de maçons, familiarizados com os “segredos” da ordem no centro do país, ou mesmo no exterior, e que criaram ou encontraram espaços de atuação nos clubes ou sociedades de cunho liberal. O exemplo mais expressivo e já mencionado anteriormente foi, sem dúvida, “O Continentino”, cuja ênfase, dada neste trabalho, se deve ao fato de ser o mais bem documentado; com isso, não descartamos que outras sociedades ou gabinetes de leitura tenham sido embriões maçônicos. 

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14 Sobre esta questão ver o trabalho de MOREL, Marco. Sociabilidades entre luzes e sombras: apontamentos para o estudo histórico das maçonarias da primeira metade do século XIX. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, n. 28, p. 3-22, 2001.

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No decurso dos confrontos da revolução não existiam condições regimentais mínimas para que as lojas maçônicas ou prosseguissem com suas atividades ordinárias e extraordinárias. O clima geral de instabilidade política e social tornava difícil a regularidade das cerimônias e a observância sobre a correção que deveria existir para a realização dos rituais e dos procedimentos administrativos previstos nas constituições e regulamentos. Assim, em condições excepcionais, a ordem maçônica buscou alternativas de funcionamento para que a sua incipiente situação não retrocedesse.

Nessa mesma perspectiva, cito duas situações de lojas maçônicas que se posicionaram como aliadas das tropas imperiais: a loja União Geral, situada na cidade de Rio Grande, e que fora fundada no ano de 1840, portanto, em meio à revolução. Foi numa cerimônia no templo maçônico pertencente a essa loja que se deu a iniciação do Marquês do Herval, Manuel Luis Osório. Para que se entenda o posicionamento de Osório é importante lembrar que, na primeira fase revolucionária, ele compunha as forças farroupilhas. Entretanto, suas divergências vieram à tona quando da Proclamação da República Rio-grandense, em 1838, quando então aderiu às tropas imperiais15.

Outra situação similar ocorreu em São Leopoldo, na loja União e Fraternidade. Um dos maçons de destaque da loja, e que assumiu a posição política favorável às forças centralistas imperiais, foi o líder da comunidade alemã, João Daniel Hillebrand. Entre os aspectos biográficos que credenciam sua figura na história regional estão o fato de ter sido considerado um médico humanitário, presidente da Câmara dos Vereadores de São Leopoldo, fundador da Companhia de Voluntários Alemães e chefe geral da Colônia. Nos dois casos, fica evidenciado que a ordem maçônica não ficava imune aos confrontos e disputas políticas e ideológicas inerentes a cada realidade histórica.

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15DIENSTBACH, Carlos. Op. Cit., p. 518-519.

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Consideração final
Esses e outros exemplos historiográficos me fazem acreditar que a Revolução Farroupilha contribuiu decisivamente para a expansão de um tipo de pensamento político que aproximou parcela da elite regional à causa maçônica. Em sentido contrário, essa mesma revolução impediu a expansão maior da maçonaria, pois foi um obstáculo para a consolidação das estruturas administrativas maçônicas. A maçonaria encontrava-se em fase de instalação na província quando eclodiu a revolução. Dessa maneira, dificilmente teria a força, o prestígio, o sentimento conspirativo e liberal necessário para influenciar ou interferir decisivamente num episódio da proporção da Guerra dos Farrapos. Que alguns líderes farrapos tenham sido iniciados na maçonaria no período anterior à eclosão da mesma, ou no transcorrer da guerra civil, não restam dúvidas. Contudo, esse argumento por si só não garantiria sustentação nas teses de que a maçonaria foi fundamental na organização ou desenlace da guerra.

Lembro, ainda, que o debate sobre a questão da identidade regional deve levar em conta que a sociedade gaúcha se encontrava dividida política e ideologicamente. De um lado, lutavam homens identificados com a causa farroupilha e, de outro, os segmentos que combatiam com as tropas imperiais. Assim, importante, nesse contexto, é assinalar a presença de maçons em ambos os lados do conflito. Reitero o meu posicionamento assumido no início deste artigo, qual seja, acreditar que a influência da maçonaria no desenrolar da Revolução Farroupilha não foi fundamental e nem decisiva. Entretanto, a instituição contribuiu, e isso não é pouco relevante, na difusão das idéias liberais no seio da elite política e cultural na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Referências bibliográficas
ANTUNES, Deoclécio Paranhos. Os partidos políticos no Rio Grande do Sul: gênese e desdobramento histórico desde a proclamação da independência à república. In: Anais do I Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense. IHGRGS. Porto Alegre: Globo, 1936. v. 2. p. 215-266. 
COLUSSI, Eliane Lucia. A maçonaria gaúcha no século XIX. 3. ed. Passo Fundo: Editora da UPF, 2003.
DIENSTBACH, Carlos. A maçonaria gaúcha - história da maçonaria e das lojas do Rio Grande do Sul. Londrina: A Trolha, 1993. (4. v.).
FAGUNDES, Morivalde Calvet. Revelações da história da maçonaria gaúcha. Hoy es Historia, Montevidéu, ano 4, n. 20, p. 41-50, 1989. 
FLORES, Moacyr. Modelo político dos farrapos: as idéias políticas da Revolução Farroupilha. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.
LEITMAN, Spencer Lewis. Razões socioeconômicas da Guerra dos Farrapos: um capítulo da história do Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

MOREL, Marco. Sociabilidades entre luzes e sombras: apontamentos para o estudo histórico das maçonarias da primeira metade do século XIX. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n. 28, p. 3-22, 2001. 
SILVA, João Pinto da. A Província de S. Pedro (interpretação da história do Rio Grande). Porto Alegre: Globo, 1930. 
SPALDING, Walter. Farrapo. Porto Alegre: Sulina, s/d.
 

domingo, setembro 16, 2012



A Maçonaria e o Cristianismo

ESTATUTOS

Em 1723 foi publicado o primeiro estatuto da novel organização (A
Grande Loja de Londres) conhecido mundialmente como "Constituições de
Anderson", por ter sido compilada e redigida pelo Rev. Presbiteriano
James Anderson (1680-1739). Outros dizem ser as "Constituições" obra.
de seu prefaciador, o Rev. Anglicano João Teófilo Desaguliers
(1683 - 1744) de família huguenote francesa que emigrou para a
Inglaterra após a revogação do Édito de Nantes.

INFLUËNCIA PROTESTANTE

É inegável que a Maçonaria Moderna foi organizada sob
influencia protestante. Os redatores do primeiro Estatuto (Anderson e
Desaguliers) por suas crenças, não poderiam deixar de introduzir
princípios evangélicos na nova organização, principalmente
devido ao fim a que ela se destinava. Provavelmente devido a tais
princípios, a Maçonaria se desenvolveu muito nos países onde
predominava a influencia protestante (Inglaterra. Alemanha e América
do Norte), propagando-se depois para o resto do mundo.*

A MAÇONARIA E OS BATISTAS NO BRASIL

Os emigrados dos EUA que se estabeleceram em Santa Bárbara em São
Paulo fundaram em 10/09/1871 a Igreja Batista em Santa Bárbara (4.
pg. 230), a primeira Igreja Batista estabelecida em solo brasileiro (Pr.
Richard Ratcliff), fundaram também em 1874 a Loja Maçônica "George
Washington" (4, pg. 44), onde se encontravam cerca de oito batistas
sendo que pelo menos cinco deles foram também fundadores da Primeira
Igreja, entre eles estava o Pr. Robert Porter Thomas .

O Pr. Thomas foi interino por diversas oportunidades tanto na Primeira
Igreja quanto na Igreja da Estação (2a), fundada em 02/11/1879 (Pr.
Elias Hoton Quillin). O pastorado interino do Pr. Thomas nas duas
Igrejas somou cerca de 25 anos de profícuo trabalho, sendo o que mais
tempo pastoreou tais Igrejas.

Em 12/07/1880, a pedido da Igreja da Estação, foi formado um
Concílio reunindo as duas Igrejas, para Recepção e Consagração
ao Ministério do Irmão Antônio Teixeira de Albuquerque, tendo
sido batizado pelo Pr. Thomas. Foi moderador do Concílio que se
realizou no salão da Loja Maçônica, o Pr. Ouillin, conforme se
descreve na carta subscrita pelo moderador e pelo secretário do
Concílio (4, pg. 249 - tradução e pg. 407 fac-símile do
original) ao Foreign Mission Board of fhe Soufhern Baptist Convention
(Richmond, VA., U. S.A. ).

Destaco o fato curioso de que o Primeiro Pastor Batista Brasileiro,
além de ter sido batizado por um Pastor que era Maçom foi ainda
consagrado ao Ministério da Palavra no salão da Loja Maçônica.

É importante recordar que a Igreja em Santa Bárbara era uma igreja
missionária. Foi ela que insistiu e conseguiu, que a "Junta de
Richmond" nomeasse missionários para o Brasil, estabelecendo- se
então em Sta. Bárbara a "Missão Batista no Brasil". O primeiro
missionário foi o Pr. Ouillin (1878), com sustento próprio.
Seguiram-se, sustentados pela "Junta": Bagby (1880), Taylor (1882),
Soper (1885), Putheff (1885) e outros sendo que Bagby, Soper e Putheff
foram pastores da Igreja em Sta. Bárbara, que tinha entre seus
membros, um expressivo grupo de maçons

Em 1921, Salomão Luiz Ginsburg, Missionário da Junta de Missões
Estrangeiras de Richmond, publicou o seu livro "Um Judeu Errante no
Brasil ", sua autobiografia. Encontra-se em algumas partes de seu relato
a descrição de sua condição de Maçom (5, pg. 82 e 83 ).**

Da imensa obra de Ginsburg desejo destacar poucos tópicos. Foi
Ginsburg o editor do primeiro Cantor Cristão (16 hinos) em 1891 e na
edição atual do referido Cantor ele aparece como Autor ou Tradutor de
102 hinos. Destaco ainda, conforme nos informa o Pr. Ebenezer Soares
Ferreira (veja O Jornal Batista nº 30 de 24/07/94), Ginsburg foi o
fundador, na cidade de São Fidélis no Estado do Rio de Janeiro, da
Loja Maçônica Auxílio à Virtude (02/07/1894) e da "Egreja DE
CHRISTO, CHAMADA BATISTA" (27/07/1894) . que foi a primeira Igreja
Batista em São Fidélis Segundo o mesmo autor (9, pg. 64), o
primeiro Templo Batista construído no Brasil, foi o da Primeira
Igreja Batista de Campos, edificado sob o pastorado de Salomão
Ginsburg e com a colaboração financeira dos Maçons.

O Pastor José de Souza Marques, que foi Presidente da Convenção
Batista Carioca e da Convenção Batista Brasileira, tendo em 1940, na
Convenção da Bahia, organizado a Aliança dos Pastores Batistas
Brasileiros, que mais tarde tomou o nome de Ordem dos Ministros Batistas
do Brasil, permanecendo em sua Presidência até 1962, cujo fruto
todos conhecem, exerceu cargos importantes na administração
maçônica, tendo sido inclusive presidente, por muito tempo, do
Supremo Tribunal de Justiça Maçônica. Ainda hoje, a única foto
existente no Salão do Conselho do Palácio Maçônico do Lavradio,
é a do Pr. Souza Marques. No mesmo Palácio, a sala de Tribunal de
Justiça tem o nome de José de Souza Marques. Foi também Membro
Efetivo do Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e
Aceito, encontrando- se em sua sede em exposição, um retrato pintado a
óleo do Pastor Souza Marques.

Inúmeros outros Homens de Fé, verdadeiros cristãos, inclusive
batistas de relevância na Denominação, têm sido maçons sem
encontrar incompatibilidades entre a Fé Cristã e a prática
Maçônica. ***

OS ADVERSÁRIOS DA MAÇONARIA

Existem pessoas que têm razões para se oporem à Maçonaria.
Todos os que defendem princípios contrários aos princípios
maçônicos são adversários da maçonaria. Entre tais
destacamos: Os Papas da Igreja Romana, os sectários contrários ao
livre arbítrio, os totalitários (nazistas, comunistas, membros da
TFP e outros); os fanáticos e muitos outros.

A perseguição aos Maçons, devido aos princípios que defendem,
é antiga. O primeiro documento encontrado combatendo a Maçonaria
é uma Capitular de Carlos Magno do ano de 779, proibindo a reunião
de Guíldas. As autoridades laicas alegavam que os associados se
reuniam em banquetes periódicos a fim de se entregarem ao vício da
embriaguez, e as autoridades eclesiásticas afirmavam que a
perseguição que moviam contra as Guildas era por causa do juramento.
Diziam-se preocupadas pela salvação da alma do jurador no caso dele
perjurar-se. Na realidade, tentavam com semelhantes pretextos
especiosos, impedir o funcionamento das Gui1das temidas politicamente
(8, pg. 46).

A perseguição dos Papas da Igreja Romana contra a Maçonaria
começou pela edição da Bula "II Eminenti" (6, pg. 379) em 28 de
abril de 1738, por Clemente XII e até 1907 seguiram-se mais 25
documentos entre "Bulas", "Encíclicas" e outros, de ataque à
Maçonaria.

Em 18/05/1751, o papa Bento XIV publicou a Bula "Providas" (6, pg. 381),
onde, referindo-se à "II Eminenti", declarou: "Finalmente, entre as
causas mais graves das supraditas proibições e ordenações
enunciadas na constituição acima inserida a primeira é: Que nas
sociedades e assembléias secretas, estão filiados indistintamente
homens de todos os credos; daí ser evidente a resultante de um.grande
perigo para a pureza da religião Católica."

Seguem-se mais cinco causas; proclamando- se contra a obrigação do
segredo, a forma de compromisso, a liberdade de reunião e outras.
Conclama os Bispos, Superiores, Prelados e Ordinários, a não
deixarem de solicitar o poder secular, para a execução das referidas
regras.

Foi assim decretada a "Inquisição" contra os Maçons, pela
oposição papal à Instituição, com as conseqüências que a
história amplamente registra. Outros cristãos têm se
manifestado contra a Maçonaria; os Neopentecostais, os
Fundamentalistas modernos os Cismáticos e outros.****

É interessante notar que as causas de oposição dos modernos
adversários dos maçons são muito antigas, são as mesmas
utilizadas pelos papas na antiguidade.

Entre os cismáticos devemos destacar o Ex. Ministro presbiteriano
Eduardo Carlos Pereira, que no início do século, com a oposição
aos Maçons dentro da Igreja Presbiteriana, conseguiu separar-se com
seus seguidores estabelecendo a Igreja Presbiteriana Independente. O
tema tem sido tratado em muitas Igrejas, sempre visando provar que a
Maçonaria é Seita ou Religião, para poderem assim combatê-la
com facilidade no meio Cristão. O maçom Rev. Presbiteriano Jorge
Buarque Lyra, respondeu à altura as questões postas por Eduardo
Pereira".

NOTAS

* Bruno de Bonis é cristão evangélico, diácono da Igreja
Batista do Méier, no Rio de Janeiro, membro ativo da Loja Maçônica
Trabalho e Liberdade n° 1391, filiada ao Grande Oriente Estadual do
Rio de Janeiro (GOB).

** Salomão Luiz Ginsburg fundou, em 1902, o Seminário Teológico
Batista do Norte do Brasil, o qual, no próximo ano estará
comemorando o seu Centenário, inclusive com a realização da
Assembléia Anual da Convenção Batista Brasileira nesta Cidade do
Recife como parte da efeméride. Salomão Ginsburg toi membro da
"Duke de Clarence Lodge°, na Cidade de Salvador, da , Restauração
Pernambucana, em Recife e, na jurisdição da Grande Loja Maçônica
do Estado do Espírito Santo é patrono da Loja nº 3 - Loja
Salomão Ginsburg.

*** David Mein, reitor do Seminário Teológico Batista do Norte do
Brasil, durante quarenta anos, Pastor da Igreja Batista do Cordeiro
(segunda Igreja Batista fundada na Capital), Presidente da Convenção
Batista Brasileira em várias oportunidades, foi maçom atuante,
membro da Loja Cavaleiros da Cruz.

**** A obra "Antimaçonaria e os Movimentos Fundamentalistas do Fim do
Século XX". de autoria de Descartes de Souza Teixeira, cristão
batista, maçom ativo, membro da Grande Loja Maçônica de São
Paulo, traça um perfil detalhado dos movimentos antimaçônicos
entres os evangélicos.

REFERËNCIAS BIBLIOGRAFICAS

1 - Aslan, Nicola, A Maçonaria Operativa, Editora Aurora Ltda, Rio de
Janeiro (RJ), 1979.

2 - Constituições dos Franco-Maçons de 1723 (As), Reprodução do
original e tradução de João Nery Guimarães, Editora A
Fraternidade, São Paulo (SP), 1982.

3 - Autores Diversos, O Cantor Cristão, JUERP, Rio de Janeiro (RJ),
1971,4a. edição com música.

4 - Oliveira, Betty Antunes de, Centelha em Restolho Seco, Edição da
Autora, Rio de Janeiro (RJ), 1985.

5 - Ginsburg, Salomão Luiz, Um Judeu Errante no Brasil, Casa
Publicadora Batista, Rio de Janeiro (RJ), 1970, 2a. edição.

6 - Aslan, Nicola, A História da Maçonaria, Editora Espiritualista
Ltda, Rio de Janeiro (Rl), 1959.

7 - Ferreira, Ebenezer Soares, História dos Batistas Fluminenses ,
Rio de Janeiro (RJ), Edição do Autor, s.d

8 - Aslan, Nicola, Histórica Geral da Maçonaria - Período Opera
ivo, Gráfica e Fditora Aurora Ltda, Rio de Janeiro (RJ), 1979.

9 - Reimer, Haroldo, Maçonaria - A resposta a uma carta. Edições
Cristãs, Ourinhos (SP)- s.d.

10 - Pereira, Carlos Eduardo, A Maçonaria e a Igreja Cristã,
Livraria Independente Editora, São Paulo (SP), 1945, 3a edição.

11- Lyra,.Jorge Buarque, A Maçonaria e o Cristianismo, Editora
Espiritualista Ltda, Rio de Janeiro(RJ), 1971, 4a edição.

12 - Prober, Kurt, A História do Supremo Conselho do Grau 33 o
Brasil, Livraria Kosmos Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1 981.

13 - Pereira, I. Reis, A História dos Batistas no Brasil, JUERP, Rio
de Janeiro (RJ), 1982.


quinta-feira, setembro 13, 2012



O Grão-Mestre, com seu Vice-Grão-Mestre e Vigilantes, deve (pelo menos uma vez) visitar todas as Lojas da cidade durante a sua gestão.

Esta norma ainda hoje é seguida, embora, obviamente, devidamente adaptada ao grande crescimento da Fraternidade.

A regra de 1723 vigorava para uma Grande Loja cujo âmbito territorial abrangia a cidade de Londres e  Westminster e que agregava, então, vinte Lojas. A exigência de que o Grão-Mestre, acompanhado de uma comitiva que incluísse, pelo menos, o Vice-Grão-Mestre e os Grandes Vigilantes, visitasse todas as Lojas no decorrer do seu mandato era perfeitamente razoável e compreensível.

Hoje, as Grandes Lojas têm um âmbito estadual e dezenas, centenas e, nalguns casos (UGLE, designadamente), milhares de Lojas. É obviamente impossível cumprir-se esta determinação nos seus precisos termos.

No entanto, o cumprimento do espírito da mesma permanece, com as adaptações quea realidade impôs: em vez de uma obrigatória comitiva de Grandes Oficiais, distribui-se  o esforço entre vários Grandes Oficiais, designadamente o Grão-Mestre. o Vice ou os Vice-Grão-Mestres e os Grandes Inspetores dos Ritos. No decurso de cada mandato do Grão-Mestre, cada Loja deve receber, pelo menos, uma visita de um destes Grandes Oficiais. Em algumas Obediências introduziu-se ainda outra variante: criaram-se Grandes Lojas Provinciais, com Grão-Mestres Provinciais e Grandes Oficiais Provinciais, cada uma abrangendo uma parcela do território e uma parte das Lojas da estrutura principal e essa obrigação é assegurada pelos Grandes Oficiais Provinciais, cabendo ao Grão-Mestre estadual visitar, pelo menos uma vez no decorrer do seu mandato, todas as Grandes Lojas Provinciais.

Esta determinação visa dois objetivos essenciais. Por um lado, a manutenção de laços de proximidade e fraternidade entre a base e o topo, entre o maçom da Loja e os mais altos responsáveis da Fraternidade. Não se esqueça que a Fraternidade Maçónica é uma instituição que prega e vive e pratica o essencial conceito da Igualdade. O Grão-Mestre e o mais recente Aprendiz são eminentemenete iguais, simplesmente um tem obrigações amplas de gestão da instituição e o outro está na fase inicial da sua vivência maçónica. O convívio entre iguais, ainda que em estádios diferentes, é fomentado, é acarinhado, é praticado. Por outro, estas visitas permitem a avaliação da forma e qualidade de trabalho das Lojas, detetando eventuais variantes ou falhas ou "acrescentos" rituais que devem ser corrigidos, avaliando o estado de saúde da Loja, permitindo a tomada de medidas que fortaleçam uma Loja porventura em dificuldades, enfim ajudando a que seja corrigido o que deva ser corrigido, melhorado o que houver para melhorar, sincronizado o que houver a sincronizar.

O essencial é que tudo decorra num ambiente de sã fraternidade, de reconhecimento e respeito mútuo entre as várias posições, enfim, dentro dos valores maçónicos.

Fonte:

Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, página 141. 

Rui Bandeira

quarta-feira, setembro 12, 2012


Balandrau é uma palavra originada do latim medieval Balandrana, que definia a vestimenta de capuz e mangas largas abotoada na frente e, pelo uso, designava certas roupas usadas por confrarias, normalmente em cerimônias de cunho religioso.
Atualmente, a Maçonaria no Brasil de várias obediências tolera a veste talar negra, (que chega até aos calcanhares), de mangas longas, colarinho alto, que deverá estar sempre fechado, como opção ao terno escuro, por entender que só o avental seja paramento maçônico, alguns ritos como Emulation (erradamente chamado de York Inglês), não permitem o uso do balandrau, sendo exigido o uso do terno escuro.
De prático, o balandrau deixou de ser talar, tendo um comprimento abaixo do joelho, e muitas vezes portando as armas da Loja ou da Maçonaria.
Relembrando assuntos passados, é senhor realçar a cultura e a filosofia dos povos antigos, principalmente, no que diz respeito a nossa vida além túmulo.
Quando do movimento da Inconfidência Mineira, mencionam os documentos a existência de certos "encapuzados", que nada mais eram que maçons vestindo o "Balandrau".
O traje serve para unificar a vestimenta de todos, simbolicamente, igualar o rico como pobre.
Tem porém, outra função, igual a da "toga" usada pelos magistrados, para significar que o juiz está sob o manto da justiça e que julga em nome dela e não individualmente.
Quem veste o "Balandrau" está sob o manto da Maçonaria, não é o maçom individual que lá está, mas sim, um membro da maçonaria.
O "Balandrau" clássico é de cor negra, no passado encobria os Aventais, deixando assim de "revelar" a presença de "Graus", mas tão somente, de Obreiros.
O Balandrau negro, hoje usado habitualmente em nossas Sessões Econômicas está, portanto ligado a toda essa concepção de aceitação e compreensão da morte como forma de valorização da vida.

domingo, setembro 09, 2012



Maçonaria e Militares e gov. Lula... SINUCA DE BICO!!!

Por Jorge Serrão

A Maçonaria colocou, literalmente, o 'bode' na sala do Comando do Exército e da maior instância militar do Judiciário. O animal (símbolo dos maçons) terá de ser 'domado' no Forte Apache - como é conhecido o Quartel General do Exército, em Brasília. O oculto poder do ' bode' já provoca incômodos na sede do Comando Militar da Amazônia. O 'bicho' pode feder mais. Depende de uma decisão, esta semana, da presidência do Superior Tribunal Militar.O destino do 'bode' está com o ministro do STM Henrique Marini e Souza - que é Tenente-Brigadeiro- do-Ar. A grande questão é se o ' bode' será tirado (ou não) da sala dos militares. A polêmica gerada pela Maçonaria deve causar um efeito de tsunami nas conversas paralelas de um encontro fechado que mais de mil oficiais da ativa e da reserva do Exército promovem nesta segunda-feira, em Brasília. O evento tem o apoio do Clube Militar (coincidentemente, fundado por maçons, no final do século 19).Os maçons pedem a abertura de um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos e atribuir responsabilidades sobre o eventual uso das Forças Armadas para expulsar fazendeiros da Reserva Indígena Raposa do Sol, em Roraima. O IPM também teria de investigar provas objetivas de que a região - rica em minerais estratégicos - é dominada por ONGs que são 'laranjas' de potências estrangeiras. Pelo conteúdo direto e pela lógica jurídica da notícia-crime dos maçons, se o IPM não for aberto, os militares incorrerão em crime de prevaricação. Em tese, seriam passíveis de denúncia do STM ou da Procuradoria Geral da Justiça Militar.Quatro membros da Loja Maçônica Minerva Paulista apresentaram ao STM, na sexta-feira passada, uma grave e consistente notícia-crime de seis páginas (com algumas reportagens anexas). O envio do documento foi autorizado pelo Soberano Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Laelso Rodrigues. A Maçonaria brasileira lançou uma campanha nacional em defesa da Amazônia. A peça solicita ao STM que acione o Comandante Militar da Amazônia, General-de-Exército Augusto Heleno Pereira, para abrir o IPM. Na semana passada, a mesma Loja Maçônica já enviou um pedido idêntico de abertura de IPM sobre o caso Raposa do Sol ao Comandante do EB, General-de-Exército Enzo Martins Peri. Até agora, os maçons aguardam pela resposta oficial do chefe militar.A notícia-crime dos maçons parte dos indícios de que se pretende internacionalizar a Amazônia. No documento está escrito: 'A afirmação se funda na circunstância conhecida e provada que para 0,2% da população nacional (índios) o governo do presidente Lula está criando reservas, em áreas estratégicas, que se aproximam a 30% do território nacional, incluindo nelas faixas de fronteiras com outros países (notadamente a Venezuela de Hugo Chávez), áreas que deveriam estar sob a absoluta guarda das Forças Armadas'.Os quatro maçons que assinam a notícia-crime, em nome da Loja Maçônica Minerva Paulista (Vinicius F. Paulino, Paulo Von Bruck de Lacerda, José Carlos Ferreira Júnior e Marco Antônio Lacava) indagam ao STM a respeito da Reserva Raposa do Sol: 'Se lá é território brasileiro, por que os brasileiros lá não podem estar? Por que ONGs estrangeiras ali se localizam e comandam os índios como se fossem seus peões? Por que tremulam, no local, bandeiras de outras nações? Abdicamos da soberania nacional?'.Os maçons denunciam 'a insidiosa tentativa de internacionalizar a região ou parte do território nacional, em busca de pedras preciosas, metais e minerais estratégicos, que são levados para fora do País, por contrabando, através da faixa de fronteira subtraída do Exército nacional e fora do alcance dos brasileiros' . Os maçons informam que apelaram ao STM porque 'falece competência ao comandante militar da Amazônia para fazê-lo'.
Na avaliação legal dos maçons, 'o comandante militar da região tomada aos brasileiros e dada aos índios (entre aspas), como disfarce, da tentativa de submeter parte do território nacional á soberania estrangeira, impõe ao comandante da região o dever de abrir Inquérito Policial Militar, para apurar esses fatos e atribuir responsabilidades, sob pena de prevaricação'.Os maçons lembram que o artigo 139 do Código Penal Militar deixa claro:'Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra a expressa disposição de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal'. A pena prevista para o militar que incorre em tal crime é de detenção de seis meses a dois anos. Resta saber quem terá a sabedoria de vestir (ou não) a carapuça da lei exposta pelos membros da Loja Maçônica Minerva Paulista.A notícia-crime dos maçons deve gerar polêmica com o Comandante Militar da Amazônia. Afinal, no último dia 13 de outubro, o General Augusto Heleno Pereira criticou quem afirma que compete às Forças Armadas vigiar a fronteira do Brasil para impedir o avanço do tráfico e a devastação da floresta. Na avaliação do General Heleno - que é um militar com experiência em combate, pois comandou as tropas brasileiras da ONU no infernal combate ao crime organizado e á guerrilha urbana no Haiti -, 'a defesa da fronteira do País e da região amazônica não é um problema das Forças Armadas, mas da sociedade'.Agindo exatamente, de forma justa e perfeita, em favor dos interesses da sociedade, os maçons pegam muito pesado na crítica à situação atual do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Os maçons descreveram: 'São Forças Desarmadas e incapazes de exigirem meios para cumprir seu dever.Estrategicamente, é um crime de lesa-pátria. Nossas instituições estão em frangalhos e carecem da intervenção do Poder Judiciário Militar, para a exemplo do que faz o Supremo Tribunal Federal, suprir a inação que nos leva à ruína'.A notícia-crime dos maçons se baseia no cumprimento ao artigo 142 da Constituição Federal que é cristalino e fácil de ser lido por quem não seja um 'analfabeto político, administrativo ou jurídico': 'As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem'.No artigo 142, o Código Penal Militar considera crime a tentativa de:'I) submeter o território nacional, ou parte dele, à soberania de País estrangeiro; II) desmembrar, por meio de movimento armado ou tumultos planejados, o território nacional, desde que o fato atente contra a segurança externa do Brasil ou sua soberania; III) internacionalizar, porqualquer meio, região ou parte do território nacional'. Para quem cometer tais crimes, a pena prevista é de reclusão de 15 a 30 anos para os 'cabeças', e de 10 a 20 anos para os demais agentes criminosos.A regra é clara! A Defesa da Pátria não pode se subordinar à vontade política - de indivíduos, autoridades ou partidos - e nem aos interesses econômicos - nacionais ou transnacionais. Na defesa da Pátria e dos Poderes Constitucionais, a 'iniciativa' (prevista no Artigo 142 da Constituição Federal) deve e pode ser dos comandantes das Forças Armadas, em cumprimento do dever de ofício e do artigo 142 do Código Penal Militar (ainda em vigor, até insubordinação insurrecional em contrário). Agir de forma contrária aos dois 'artigos 142' significa incorrer em crime de responsabilidade ou até de prevaricação, dependendo do caso.Releia o artigo do editor-chefe deste Alerta Total Os artigos 142 contra os '171' , publicado em 17 de setembro de 2006. Também dê uma nova lida no artigo do economista Adriano Benayon, na edição de 25 de setembro do Alerta Total: Não ao desmembramento do Brasil .
Os maçons anexaram este texto na notícia-crime ao STM. Reveja ainda o artigo de Rebecca Santoro, em 15 de outubro, Perdemos Roraima? .
O fato objetivo é que estamos à beira de uma guerra civil naquela rica região no extremo Norte do Brasil. A grande imprensa amestrada, sempre nanica na avaliação editorial e na defesa dos interesses do Brasil, dá pouco importância ao problema.O Grande Oriente do Brasil fez jus ao seu lema latino de colocar ordem no caos (Ordo ab chao). O Grão-Mestre Lelso Rodrigues lançou uma grande campanha nacional da Maçonaria em Defesa da Amazônia. A Ordem também promete intensificar, com mais força e vigor, uma outra campanha nacional, lançada anos atrás, da'Maçonaria em favor da vida e contra as Drogas'.A Maçonaria brasileira retoma sua tradição de liderar grandes movimentos históricos, a exemplo que realizou no processo de independência do Brasil, na Abolição da Escravatura e da Proclamação da República. Tudo indica que o ' bode' vai ser colocado na sala de muita gente que abusa do poder ou se julga acima do bem e do mal.Vida que segue, uma armação que vai dar bode. O poderoso Lula (que desconvidou, oficialmente, a Maçonaria para a posse de seu primeiro mandato) aproveitou a comemoração de seus 62 anos de idade neste sábado para fazer jogo de cena. Publicamente, o Chefão voltou a rejeitar hoje a proposta de terceiro mandato, levantada por aliados políticos e cada vez mais forte entre a militância petista. Intimamente, Lula gostaria de 'repetir a dose' (perdão pela redundância) presidencial em 2010.Por enquanto, Lula alimenta a disputa (ainda cordial) entre dois nomes, nesta ordem. Primeiro, sua preferida Dilma Rousseff (que neste sábado foi internada no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, com diverticulite aguda - processo inflamatório no intestino grosso). A segunda opção forçada de Lula é o genérico de quatro estrelas Nelson Jobim (ministro da Defesa que gosta de vestir a farda camuflada de general quatro estrelas, para simbolizar que comanda as Forças Armadas, amadas ou não por ele). No fundo, Lula queria um terceiro nome: Luiz Inácio Lula da Silva.Enquanto isso, ganha força o movimento pelo terceiro mandato liderado pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). O parlamentar é amigo pessoal de Lula desde as lutas sindicais do ABC paulista, na década de 70. Sem devaneios, Devanir quer a realização de um plebiscito sobre a 'treleição' junto com as eleições municipais de 2008. Paralelamente, o deputado Carlos Willian (PTC-MG) consulta seus colegas da base amestrada do governo sobrepossibilidade de coletar assinaturas para uma emenda constitucional estabelecendo o terceiro mandato. 'Pelo menos para a platéia, Lula declarou:' Não apóio e não acho necessária uma proposta dessa'. Acredite nele quem quiser.Para quem gosta do mundo de Ali babá e dos 40 ladrões, as agências internacionais informam: Um beduíno foi condenado, no Egito, a pagar 46 camelos por ter ' cantado' uma mulher pertencente a outra tribo. Um tribunal formado por membros de um acampamento no Sul da Península do Sinai determinou que o beduíno folgado tivesse a língua arrancada. Mas os magistrados resolveram aplicar a pena econômica. A dor no bolso é mais profunda para a turma daquele oriente médio. Por estar dirigindo seu carro no momento em que incomodou a mulher, o beduíno acusado também terá de se desfazer do veículo.Daria o maior bode se as severas leis dos beduínos fossem aplicadas no Brasil, em relação à entrega da Amazônia. Na Ilha da Fantasia (cercada de políticos honestos), teríamos muita gente com dificuldades de fala e ficando a pé. O nosso azar é que no Brasil quase não tem camelo. Mas sobram burros, hienas, abutres e outros bichos menos dotados para nos governar. Por isso, o jeito é mesmo soltar o bode na sala dos 'poderosos', para combater o despotismo, a ignorância, os preconceitos e os erros, para glorificar a Verdade e a Justiça, para o bem-estar da Pátria e da Humanidade. Que o bode não seja leve!

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


                                       BUSCA

    O aprendiz, ou estudante maçom, pouco percebe as obrigações cósmicas que assume quando iniciado. Ele não deve se descuidar de seus votos, e precisa perceber que os antigos ensinamentos místicos, são perpetuados nos rituais modernos, são sagrados, e que poderes invisíveis e irreconhecíveis moldam o destino daquele que conscientemente e por sua livre escolha assume as obrigações da Nobre Arte Real.
    A Maçonaria não é uma coisa material; ela é uma ciência da Alma; não é um credo ou doutrina, mas uma expressão universal da Sabedoria Divina.
   Apenas aqueles que a veem como um estudo cósmico, um trabalho para esta vida, uma inspiração divina de pensar e agir melhor, de viverem melhores dias com a intenção espiritual de iluminação como fim, e com a vida diária do verdadeiro maçom como anseio, conseguem um vislumbre dos verdadeiros mistérios dos ritos ancestrais.
   O mundo que vivemos é meramente um laboratório experimental no qual nos homens estamos trabalhando e expressando veículos maiores e perfeitos. Dentro desse laboratório pululam miríades de raios procedentes das hierarquias cósmicas.
    Estes poderosos orbes focam sua energia na humanidade de forma ordenada, cada um em seu lugar e de sua maneira, trabalhando todas as hierarquias místicas do Universo. Por isto a verdadeira loja dos Maçons é o Universo, liberto das limitações de credo e facção, ele se mantém Mestres de todas as fés, e aqueles que estudam a maçonaria sem perceber a profundidade, a beleza e o poder espiritual de sua filosofia podem não ganhar qualquer benefício de manter este estudo.
   O irmão ao ser iniciado percebe que seus assim chamados símbolos e rituais são meramente anteparos fabricados pelo sábio pra perpetuar ideias incompreensíveis para o profano comum. Deve saber também que poucos maçons sabem ou apreciam o significado místico velado dentro destes rituais. Com fé religiosa perpetuamos a forma venerando-a em vez da vida, mas aqueles que não reconhecem a verdade no ritual cristalizado, que não liberam o germe espiritual da casca de palavras vazias, não são maçons, independente de seu grau físico e aventais expostos.
    A intenção deste trabalho não é discorrer sobre conceitos modernos da Ordem, mas considerar como ela é realmente e lhes mostrar o verdadeiro caminho, ou seja, pertencemos a um Grande Organismo Cósmico cujos verdadeiros irmãos e Crianças estão juntos, não por compromissos falados, mas por vidas vividas.
   Quando isto é feito e entendido pelo iniciado os mistérios do Universo se expõe perante o candidato então ele descobre verdadeiramente a Maçonaria. Seus aspectos matérias não lhe importam mais, pois ele reconheceu a verdadeira Escola de Mistérios que só lhe é reconhecível quando ele mesmo já tenha espiritualidade se tornando um verdadeiro membro.
   Entretanto hoje parece que o plano está perdido, pois na maioria dos casos da Maçonaria não é mais arte operativa, mas meramente especulativa, até o momento que cada irmão, lendo seus mistérios, seus símbolos e ponderando sobre suas alegorias reveladas nos verdadeiros rituais, pereba que ele mesmo possui as chaves e os planos perdidos há tanto tempo.
   A verdadeira maçonaria é esotérica; não é coisa deste mundo. Tudo o que temos aqui é uma ligação, uma porta pela qual o estudante pode adentrar no desconhecido. Consequentemente o iniciado esta apto a procurar, moldar sua vida àquela forma que o glorificará ao GADU cujo o templo ele vagarosamente dentro de si mesmo constrói  à medida que desperta um por um dos mistérios dentro de si mesmo e os dirige ao cumprimento do plano que lhe foi dado à saída do Céu.
   O verdadeiro maçom acaba percebendo que o trabalho da Escola de Mistérios no mundo é de natureza inclusiva e não exclusiva, e que a única Loja ampla o suficiente para expressar seus ideais será uma em que o domo é o céu, cujas colunas sejam os cantos da criação, cujo piso de mosaico seja composto das correntes cruzadas das emoções humanas e cujo altar seja o coração do homem. Credos não levam o verdadeiro buscador à verdade.
   Portanto um maçom não é nomeado, é EVOLUIDO, e ele precisa perceber que a posição que ocupa na Loja, não significa nada comparada com a sua posição na Loja Espiritual da Vida. Deve sempre descartar a ideia de que ser instruído nos Mistérios sagrados ou ser um membro de uma Loja o ajuda de alguma forma. Precisa entender que seu dever é construir e desenvolver os ensinamentos sagrados em seu próprio ser; que nada ou ninguém além de seu purificado pode destrancar as portas das bibliotecas seladas da consciência humana e que seus ritos maçônicos precisam ser eternamente especulativos até mesmo que ele os faço operativos à medida que viver a vida mística do maçom.
   Por estes motivos nossa Ordem é diferente em seus ensinamentos, pois não é simplesmente uma organização social, mas composta de todos aqueles (ensinamentos e maçons) que se uniram para aprender e aplicar os princípios do misticismo e os ritos ocultos são eles filósofos, sábios e sóbrios que se dedicaram sobre o altar maçônico e juraram por tudo que lhes é querido que o mundo fosse melhor e mais feliz depois deles. Aqueles que adentram esses ritos místicos e passam entre Colunas procurando prestigio ou vantagens comerciais, são blasfemas e embora possamos encontra-los com sucesso neste mundo, são em verdade fracassos cósmicos que se excluíram a si mesmo do verdadeiro rito cuja principal chave é o altruísmo e cujos trabalhadores renunciam às coisas da terra.
   O maçom bem-sucedido é o que passou e as Colunas na entrada do templo e percebeu a oportunidade sublime, sua divina obrigação e o privilégio místico ganho ao longo dos anos que foi preparado para este momento uma preparação especial que acabou concretizando-se pelo merecimento, a chance foi dada muitos a aceitam outros a refugam e este é o mistério (poucos conseguem aguentar a responsabilidade imposta pelas obrigações do cósmico).
   O Ritual Maçônico não é uma cerimônia, mas uma vida a ser vivida. Apenas estes se tornam verdadeiros maçons.
   Por este motivo nossa Ordem A Grande Loja Regular do Rio Grande do Sul, é e será sempre uma Ordem Operativa, ensinando o rito, o ritual e o misticismo a seus estudantes de forma mais pura e completa.
   Parabéns a todos que foram escolhidos e aceitaram esta caminhada, pois honre sua ordem, ela tem muito a lhes oferecer, aproveitem ao Maximo as instruções, pois em outras escolas não terão esta mesma oportunidade. T.’. F.’.A.’.

RONALDO LIMA- VENERÁVEL MESTRE- GR 33° -

A.R.L.S. GLÓRIA DAS ACÁCIAS 04                                 

quinta-feira, setembro 06, 2012


Se o Grão-Mestre abusar de seu poder e se mostrar indigno da obediência das Lojas, o caso deve ser tratado da maneira que vier a ser definida em nova regra; já que até ao momento esta antiga Fraternidade não teve necessidade de tal, já que os Grão-Mestres se têm comportado de acordo com esse honroso cargo.

Esta é uma regra deliciosa! Em bom rigor, é uma regra a dizer que não há regra e que, se for preciso, cria-se então a regra! Note-se bem: nunca um Grão-Mestre abusou do seu poder e se mostrou indigno da obediência das Lojas; por isso, não há regra para tratar dessa eventualidade; porém, se um dia algum Grão-Mestre abusar do seu poder e se mostrar indigno da Obediência das Lojas, então, nessa altura, decidir-se-á como tratar do assunto e criar-se-á a regra que se entender adequada.

Esta disposição soa estranha a quem está habituado a um sistema jurídico composto por leis, por normas, previamente fixadas, que abstratamente regulam as situações possíveis, resolvendo-se os casos concretos em função da previsão das normas existentes e aplicáveis - os países de tradição jurídica europeia continental e latino-americana.

Mas os ingleses criaram e habituaram-se a viver num sistema de regras, num sistema jurídico, conhecido comocommon law, em que é importante o sistema de precedente, isto é, cada problema concreto, na falta de uma regra que diretamente regule a situação, é resolvido em função de decisões concretas que anteriormente tenham sido tomadas para resolvercasos similares.

O sistema de common law tem muito menos leis e normas e regulamentos do que os sistemas jurícos do tipo continental. Em contrapartida, necessita de registar cuidadosamente todas as decisões regulatórias de conflitos que sejam tomadas, para possibilitar a busca de precedentes aplicáveis a um dado conflito específico, a uma qualquer situação concreta. É, se quisermos, um sistema que faz um grande apelo à faculdade do bom senso.

Tendo em atenção esta particular forma de regulação da vida em sociedade, já se nos afigura consideravelmente menos estranha, e, de alguma forma, até lógica, esta regra: se nunca aconteceu nesta antiga Fraternidade que um Grão-Mestre abusasse do seu poder, então nunca foi preciso decidir o que fazer nesse caso; por outro lado, não faz muito sentido estar a decidir agora o que fazer numa eventualidade que, pelo exemplo vindo de muito tempo atrás,possivelmente nunca aconteceráMas, se acontecer, então - e só então - decide-se o que fazer... Para quê, realmente, estar a antecipar dores futuras que até podem nunca vir a ser sofridas? Se e quando houver essa dor, então trata-se dela...

Esta é, realmente, uma regra deliciosa, não pela sua aparente falta de objeto, mas pela singular demonstração de puro e simples bom senso, que os maçons do século XVIII deixaram à disposição dos vindouros!

E efetivamente, em Inglaterra, quase trezentos anos decorridos sobre esta regra, nunca foi, afinal, preciso criar regra sobre o que fazer na eventualidade de o Grão-Mestre abusar dos seus poderes: tal como antes, continua a nunca ter sucedido essa eventualidade! Realmente eram dores que não valia a pena que fossem sofridas há trezentos anos...

Fonte:

Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, página 141. 

segunda-feira, setembro 03, 2012

DERRUBANDO MITOS - Grande Loja Unida da Inglaterra

VATICANO MAÇÔNICO
     Para muitos maçons mal informados, a Grande Loja Unida da
Inglaterra        exerce função de “xerife” do mundo maçônico, sendo a
legítima guardiã da regularidade maçônica, devendo ditar as regras a
serem seguidas pelas demais Potências Maçônicas.

Para esses, se a Maçonaria fosse uma religião, a GLUI seria uma
espécie de Vaticano Maçônico. É importante esclarecer que a GLUI não
tem essa autoridade e que isso é totalmente contrário a todos os
princípios maçônicos de autonomia, soberania e igualdade entre
Obediências.

A quase submissão das Grandes Lojas da Escócia, Irlanda, Índia e de
algumas Grandes Lojas da Austrália e Canadá é até tolerável,
considerando terem esses países pertencido ao Império Britânico e a
GLUI ter sido a provedora de tais Grandes Lojas.

Porém, a submissão presenciada por outras Obediências no restante do
mundo, e até mesmo no Brasil, é inaceitável e demonstra que o
“complexo de vira-lata” alcança até as fileiras maçônicas.

Para quem não está familiarizado com o termo, o complexo de vira-lata
é uma expressão de autoria de Nelson Rodrigues para se referir à
inferioridade e submissão que muitas vezes o brasileiro se impõe
voluntariamente. E, infelizmente, essa postura foi historicamente
institucionalizada na Maçonaria brasileira em relação à Inglaterra.

O desavisado que visitar a Maçonaria Regular nos chamados países
desenvolvidos descobrirá que essa idolatria à GLUI não é compartilhada
pelos mesmos. Muito pelo contrário: verdade é que a GLUI não faz parte
da vanguarda maçônica, seguindo várias vezes a tendência impulsionada
por outras Grandes Lojas, quase que pressionada pelas mesmas a sair da
inércia.

Antes de elevar a GLUI ao posto de “rainha do mundo maçônico”, posto
esse que os britânicos já estão familiarizados pelo modelo de Estado,
reflita um pouco sobre isso: A Maçonaria está diretamente ligada ao
princípio de Liberdade, considerado direito natural dos homens. E
enquanto o mundo ocidental ainda experimentava o gosto amargo das
monarquias absolutistas, a Maçonaria já sentia o doce sabor da
democracia em suas Lojas e Grandes Lojas.

Sendo precursora dos ideais libertários e democráticos, a Maçonaria
participou ativamente e de forma determinante da Revolução Francesa e
da libertação de praticamente todos os países do continente americano.
Atualmente, até mesmo em países como Cuba, que vive uma Ditadura
Castrista há mais de 50 anos, a Maçonaria mantém intacta a chama da
democracia em seu interior, elegendo periodicamente seu Grão-Mestre.

No entanto, eu pergunto:
Qual é a única Grande Loja do mundo que traiu esse princípio de
democracia, tirando do povo maçônico o direito sagrado de escolher
entre os seus membros um Grão-Mestre?
Resposta: A Grande Loja Unida da Inglaterra.

O Príncipe Eduardo, Duque de Kent, é Grão-Mestre da GLUI desde 1967,
ou seja, uma “ditadura maçônica” que dura 45 anos.

Alguns podem questionar essa afirmação, dizendo que ele é
constantemente “reeleito”. Porém, não devemos nos esquecer que Fidel
Castro também era. Ambos, por motivos óbvios, sempre foram candidatos
únicos.

Se a Maçonaria Regular Mundial acha por bem tolerar tal situação
proveniente da GLUI, entendendo que é uma questão de cultura dos
maçons ingleses que, assim como os cidadãos daquele país, ainda se
sujeitam em dividir os homens (e os maçons) entre nobres e plebeus, e
favorecer esse primeiro grupo em detrimento do segundo, isso é
fraternalmente compreensível. Afinal de contas, a tolerância é um dos
belos ensinamentos transmitidos pela Maçonaria.

Mas que fique claro ao Maçom que lê estas palavras:

A Grande Loja Unida da Inglaterra não é um modelo a ser seguido,
quanto mais uma autoridade a ser obedecida.

Fonte: Jornal do Aprendiz
Publicado pela ARLS AMPARO DA VIRTUDE 0276-GOB-PE
14-02-2012