quarta-feira, outubro 30, 2013


FATOS DESTAQUE, CULTURA E REFLEXÃO MAÇÔNICA
+ COMEMORAÇÕES 30 DE OUTUBRO

1740 – FUNDAÇÃO da GL Provincial de HAMBURGO, Alemanha, sob a GL da Inglaterra.

1899 – FALECIMENTO do IR.´. HERMANN BLUMENAU, na cidade de Braunschwieg, Alemanha. Doutor em Filosofia, pela Academia Real Ludovico, em 23.03.1846. Ela fundou a colônia que leva seu nome. Quanto à sua vida maçônica, entretanto, perdura ainda bastante discussão: Segundo Kurt PROBER o Dr. Blumenau foi iniciado em 1845, na Loja "CARL ZUR GEKROENTEN SAEULE”, de Brunsviga (sic), na Alemanha. Ir.´. Hermann Blumenau, foi o fundador de nossa linda Blumenau/SC.

1910 – FALECIMENTO do suíço JEAN HENRI DUNANT (maçom) em Heiden, na Suíça. Criador da Cruz Vermelha Internacional e Prêmio Nobel da Paz em 1901. Ele nasceu em 08.05.1828, em Genebra, na Suíça. A Cruz Vermelha é uma organização que ajuda pessoas doentes no mundo inteiro. Ele também criou a Convenção de Genebra.

1937 – INICIAÇÃO, na Johnson City Lodge, do IR.'. LYNDON B. JOHNSON, futuro presidente americano, Texas, mas ficou adormecido.

1983 - FUNDAÇÃO da Loja Maçônica SEGREDO DE FRATERNIDADE no. 167 – Oriente de BELO HORIZONTE MG. G L M M G – Reunião: Sexta-Feira – Rito: REAA.

1993 - FUNDAÇÃO da Loja Maçônica CAVALEIROS DA PAZ no. 87 – Oriente de COROMANDEL MG. G L M M G – Reunião: Segunda-Feira – Rito: REAA

Fonte: Grande Secretaria De Educação E Cultura
Gou (Grande Oriente Universal)

CULTURA MAÇÔNICA

SÍMBOLO, ALEGORIA E EMBLEMA
Em linhas gerais, o ensino maçônico abrange História da Maçonaria, Ritos, Ritualística e Liturgia, Simbolismo, Direito e Legislação Maçônica, Administração Maçônica, Ética e Moral Maçônica, Filosofia.
Todavia, a Maçonaria transmite a maior parte das suas ideias e seus ensinamentos através de símbolos, alegorias e emblemas. Daí a importância do estudo do simbolismo.
Os símbolos, na Maçonaria, são uma forma de transmissão velada, exatamente para que seus ensinamentos e ideias sejam acessíveis somente aos Iniciados. Os não Iniciados, por maior esforço e livros que leiam sobre Maçonaria, jamais chegarão ao conhecimento dos augustos mistérios maçônicos. Esta sé uma prática comum adotada por várias escolas iniciáticas do passado.
Em muitos estudos maçônicos, escritos ou orais, são feitas referências ora a símbolos, ora a alegorias e emblemas. No entanto, nem sempre fica claro para o estudioso maçom o que vem a ser símbolo, alegoria e emblema.

Quando citamos, por exemplo, isoladamente, o Compasso, ou o Esquadro, sob o ponto de vista do simbolismo maçônico, estamos nos referindo a eles como símbolos. Todavia, quando juntos, Esquadro e Compasso formam um emblema. Assim, quando temos juntos Compasso, Esquadro e Livro da Lei, temos as Três Grandes Luzes Emblemáticas da Maçonaria. São Luzes porque levam ao esclarecimento, à sabedoria, ao conhecimento. Essas Luzes, isoladamente, podem ser vistas como símbolos, mas quando reunidas, formam um Emblema na Maçonaria.
Mas vamos, passo a passo, fazer a distinção necessária entre Símbolo, Alegoria e Emblema.

Símbolo, segundo o Irm. Joaquim Gervásio de Figueiredo é a representação gráfica ou pictórica de uma ideia ou princípio. Assim, quando nos deparamos em um texto maçônico com uma escada podemos interpretá-la como um símbolo, ou seja, como uma representação pictórica que exprime a ideia de ascensão.

No dizer do Irm. José Castellani os Símbolos Maçônicos representam a maneira velada através da qual a instituição maçônica dá, aos seus Iniciados, as lições de moral e ética, que fazem parte de sua doutrina. E eles são, de maneira geral, os instrumentos ou figuras, ligados à arte da construção, e tanto podem ter uma interpretação alegórica, ou mística.

Embora haja uma certa liberdade quanto à interpretação dos símbolos é bom que se diga que eles têm uma origem definida e têm significados específicos. Assim, não é lícito em nome de um pretenso esoterismo ou ocultismo sair por aí dando interpretações completamente descabidas. A Loja Maçônica não é um lugar de psicanálise, onde cada qual interpreta os Símbolos como lhe aprouver, diz o Ir. Theobaldo Varoli Filho. Isto ele fala em resposta àqueles que afirmam que as Colunas Vestibulares são os órgãos masculino e feminino, que o Esquadro e o Compasso unidos representam o coito, que a letra "C" alude ao órgão gerador masculino. Ora, tudo isso não só é pura licenciosidade, como tolice e irresponsabilidade, pois não atenta para um mínimo de lógica, coerência e bom senso.
Portanto, a liberdade na interpretação dos símbolos, deve vir acompanhada da necessária responsabilidade.

Alegoria é a exposição de um pensamento sob forma figurada. Alegoria é palavra de origem grega que significa "falar de outra maneira". No dizer do mesmo Irm. Castellani, representa uma imagem literária, que, além do siginificado literal, possui um sentido oculto, sendo, as abstrações, ou coisas inanimadas, representadas por personagens, situações, ou enredos e, sempre, através de uma contínua linguagem figurada. Em geral, as alegorias envolvem ensinamentos de ordem moral. Na Maçonaria, muitas lendas utilizadas em seus vários graus, são puras alegorias.

Um exemplo típico de uma alegoria é o quadro de um Aprendiz desbastando uma pedra bruta. Por isso se diz "Painel Alegórico do Aprendiz". Ao observarmos esse quadro extraímos imediatamente vários ensinamentos ocultos relativos ao aprendizado do primeiro grau. Já o Painel do Grau de Aprendiz está repleto de símbolos relativos à arte da construção. Devido a isso, ele é chamado de Painel Simbólico do Grau de Aprendiz. Mas também existe um Painel no Grau de Aprendiz contendo alegorias. É chamado de Painel Alegórico do Grau de Aprendiz.

Emblema é o distintivo ou insígnia de uma dada instituição, sociedade ou associação. É a mais simples representação de uma ideia. Em geral o emblema não requer grandes interpretações, pois o seu significado é fixo e de rápida percepção, o que o diferencia bastante de um símbolo ou uma alegoria. Assim, quando vemos uma âncora, de imediato, a ideia que nos vem à mente é a Marinha. Uma mulher com os olhos vendados, segurando em uma das mãos uma balança e na outra uma espada, nos leva à associação, de pronto, com a Justiça. Um Esquadro e um Compasso com a letra "G" ao centro, lembra a qualquer um, maçom ou não, a Maçonaria. Uma pomba, a paz.

É importante, ainda, ressaltar que, embora os símbolos maçônicos sejam praticamente os mesmos nos vários Ritos, no que diz respeito ao Rito Moderno eles devem ser interpretados sob os aspectos ético e ideológico, excluindo-se interpretações de ordem metafísica, mística ou religiosa. Isto porque o Rito Moderno, embora deísta em sua origem, evoluiu sob a influência do iluminismo. Assim, a interpretação dos símbolos no Rito Moderno deve ser feita basicamente sob a ótica do racionalismo, entendendo-se este como a posição filosófica que afirma a primazia da razão humana. Nesse sentido, o Delta Radiante, nos Ritos teístas simboliza a divindade, enquanto no Rito Moderno (Triângulo Luminoso) representa a ciência que ilumina e há de iluminar sempre e cada vez mais a humanidade. O olho aberto, no interior do Delta, simboliza a sabedoria que observa e prevê a vitória do bem sobre o mal.

Vejam, portanto, como varia a interpretação de um mesmo símbolo de um Rito para outro. Isto contudo não significa que a interpretação desse ou daquele Rito é a mais correta. Significa apenas que, em Maçonaria, a interpretação de um determinado símbolo deve levar em conta os princípios e diretrizes estabelecidos pelo Rito.
Fonte: Ir. Robson Rodrigues da Silva/web

REFLEXÃO

COLUNAS DO TEMPLO = COLUNAS DA VIDA A vida na terra, por toda sua composição, por todo seu ordenamento, pelas formas mais diversas, por suas características, pela composição harmônica, pelos batimentos cardíacos dos seres, por qualquer evento natural, devem-se a estas duas exclusivas colunas neste espaço do Universo.

Estas Colunas, que estão em nosso Templo, também está dentro de cada um de nós, por sermos um Templo em construção constante.
Esta escolha, mostra-nos conscientemente, que estamos presentes como uma parte, de toda criação, ligados em todo um sistema, onde o equilibrio é a razão principal da vida.
Cada giro, cada suspiro, cada movimento, cada evento, faz com que sentimos e vivemos esta realidade fenomenal.
O Sol, e nossa Irmã Lua.

Que ideia sensacional, nosso Pai criador proporcionou-nos.
Amamos tanto tudo isto, que se de dia, no Sol, trabalhamos e notamos que toda a energia abastece-nos com alimentos de ampla diversidades, temos a noite, com Ela, a Lua, presente ou ausente, influindo até em nossas relações humanas.
Não vivemos sem estas duas colunas. Seja o Sol a direita, seja a Lua a Esquerda, ou incrivelmente inversas, mas sempre dependemos dos Dois juntos; Neste movimento, dentro do Templo; Na freqüência de nossos Corações. Pulsando nossas Vidas.

Richard Maia SGMG/GOU
Grande Oriente Universal.

Mensagem do Pedreiro Livre: A Maçonaria transmite a maior parte das suas idéias e seus ensinamentos através de símbolos, alegorias e emblemas. Daí a importância do estudo do simbolismo.

Os símbolos, na Maçonaria, são uma forma de transmissão velada, exatamente para que seus ensinamentos e idéias sejam acessíveis somente aos Iniciados. Os não Iniciados, por maior esforço e livros que leiam sobre Maçonaria, jamais chegarão ao conhecimento dos augustos mistérios maçônicos. Esta sé uma prática comum adotada por várias escolas iniciáticas do passado.
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terça-feira, outubro 29, 2013




Só pode ser admitido maçom regular quem seja crente num Criador, qualquer que seja a sua concepção Dele, e creia na vida para além desta vida. Só assim faz sentido o processo iniciático maçônico, só assim é profícuo o labor de análise, interpretação e aprofundamento da simbologia maçônica, alguma dela diretamente baseada em elementos extraídos de textos de natureza religiosa.

No seu processo de construção de si mesmo segundo o método maçônico, o estudo, a meditação, a associação livre, a descoberta de significados dos significantes que são, afinal, os símbolos, o maçom, se bem fizer o seu trabalho, inevitavelmente que nalgum momento se confrontará com a busca do significado da Vida, do seu lugar no Mundo e na Vida, com a Vida ela mesma e com a morte do seu corpo físico.

Se bem faz o seu trabalho, o confronto com a morte física, à luz da sua crença na vida para além da vida e dos elementos colhidos nos seus estudos simbólicos, algo de muito positivo lhe traz: a perda do medo da morte! Pausada, calma e profundamente analisada a questão, quase que intuitiva é a conclusão de que a morte é simplesmente parte da vida, do percurso que efetua a centelha primordial que nos anima e que é o melhor de nós, que é, afinal o essencial de nós, a Vida em nós, que permanece para além da deterioração, desativação e destruição do invólucro meramente físico a que chamamos corpo. Porventura adquirirá mesmo a noção de que essa morte física é indispensável ao processo vital, à essência da vida, que é feita de energia e transformação e mudança.

A perda do medo da morte é uma imensa benesse conferida àquele que dela beneficia, por isso que o liberta para apreciar plenamente a Vida, vivê-la em pleno, colocando nos seus justos limites tudo o que de bom e tudo o que de mau se lhe depara.

A perda do medo da morte propicia enfim a Sabedoria para apreciar a Vida da melhor forma que se tem para tal: vivendo-a, sem constrangimentos, sem medos, sem dúvidas, sem interrogações sobre quanto durará o bem de que se desfruta, quanto se terá de suportar até superar o mal que se atravessa. É a perda do medo da morte que nos ilumina para o essencial significado da Vida: ela existe para ser vivida, para ser utilizada e modificada (na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, disse-o, há muito, Lavoisier...), força perene essencial que existe e prossegue existindo através da sua contínua transformação.

A perda do medo da morte assegura-nos a Força para continuamente persistirmos na nossa melhoria, na nossa purificação, não porque interesse ao nosso corpo físico, mas porque disso beneficia a nossa centelha vital, que melhor evoluirá quanto mais beneficiar do que aprendemos, do que acrescentarmos eticamente a nós próprios e portanto a ela. A nossa melhoria, o nosso aperfeiçoamento ético liberta a nossa consciência para alturas que as grilhetas do egoísmo, da materialidade, dos vícios e paixões impedem que atinja. É a nossa Força nesse combate que constitui o cais de partida da nossa identidade para a viagem possibilitada pela purificação da nossa essência, que terá lugar após a libertação do peso do nosso corpo físico (será isto o Paraíso, a Salvação?). Pelo contrário, a insuficiente libertação da nossa essência do peso do vício e das paixões, do Mal enfim, inibirá essa nossa essência de subir tão alto e ir tão longe como poderia ir se liberta, quiçá limitando o valor futuro da nossa vida que permanece, quiçá impondo a continuação de esforços de purificação e transformação (será isso o Inferno, a Perdição?)

A perda do medo da Morte permite-nos enfim desfrutar plenamente da Beleza da Vida - sem constrangimentos, sem temores, sem interrogações. Como diz a canção, o amor poderá não ser eterno, mas que seja imenso enquanto dure. Apreciar a Beleza da Vida sem temer ou lamentar a mudança, que algum dia inevitavelmente ocorrerá, permite a suprema satisfação de sentir realmente toda a beleza que existe na Beleza, toda a vida que há na Vida. Verdadeiramente. Um segundo que seja que se consiga ter deste clímax vale por toda uma vida...

Encarar a morte à luz da Vida e, portanto, deixar de a temer, liberta o nosso Ser para além dos constrangimentos da materialidade, reduz o Ter à sua real insignificância, dá-nos finalmente condições para, se tivermos atenção no momento preciso e irrepetível que antecipadamente desconhecemos quando surgirá, podermos entrever a Luz - a Luz da compreensão do significado da Vida e da Criação, da sua existência e da direção e objetivo do seu Caminho. Poucos, muito poucos, ainda que tendo trabalhado bem, ainda que persistentemente tendo polido sua Pedra, têm a atenção focada na direção certa quando esse inefável e intemporal momento passa. Esses são os afortunados que de tudo se despojaram e afinal tudo ganham ainda neste plano da existência. Esses passam verdadeiramente pelo buraco da agulha, porque o peso das suas paixões é inferior ao de uma pena e nada os distraiu. Esses aproveitam a Vida tão plenamente que o comum de nós nem sequer suspeita da possibilidade de existência desse aproveitamento. Esses, sim, são templos vivos onde se acolhe o mais essencial do essencial: tão só e simplesmente, a essência da Vida (será isto afinal o elo ao divino?).

O maçom que faz bem o seu trabalho perde o medo da morte e pode viver plenamente a Vida. Mais não lhe é exigível. O resto que porventura venha, se vier, vem por acréscimo...         

quarta-feira, outubro 16, 2013




Desde que, no século XVI, Thomas More inventou a palavra e dela fez título de uma das suas obras que se designa por Utopia a sociedade ideal, perfeita.

Em termos sociais, os maçons procuram contribuir para a construção dessa Utopia. Fazem-no desde logo procurando melhorar a qualidade dos materiais de que se fazem todas as sociedades: os homens, suas ideias e suas ações.

Nenhuma sociedade organizada, qualificada e funcionando com um exigível nível mínimo de organização, qualidade, liberdade e eficiência pode assentar em pessoas desqualificadas, seja em termos de conhecimentos e preparação, seja do ponto de vista da Moral e dos Valores inerentes a uma sã, agradável e produtiva vida em comum.

Não há Valores sociais que se fundem perenemente em homens de baixo caráter e inferiores qualificações pessoais e relacionais. Homens apenas primários, sem capacidade para ver e agir para além dos seus interesses pessoais egoísticos e imediatos não geram nem acalentam valores essenciais a qualquer sociedade eticamente relevante. 

As sociedades são compostas por pessoas. Quanto melhores forem estas, melhores podem ser as Sociedades, os seus valores, os seus níveis de organização e cooperação. Por isso, ao construir-se a si próprio, ao melhorar-se a si mesmo, cada maçom está também a contribuir para a melhoria da sociedade em que se insere, a favorecer um pequeno, quiçá quase insensível, mas sempre significante, avanço da sociedade em que se insere na construção da Utopia.

Mas a Utopia não se constrói apenas com os materiais, as pessoas. Essa construção necessita também de ferramentas, os valores. Neste campo, muito se avançou, na parte mais desenvolvida do Mundo: a Liberdade é reconhecida como indispensável à existência de uma Sociedade digna dos seus cidadãos; a Igualdade é uma aspiração que se busca concretizar mais e mais; a Fraternidade emerge como uma condição indispensável à coesão social; a Tolerância emerge cada vez mais como uma necessidade; a Justiça consolida-se como uma essencialidade; a Solidariedade aparece como um elemento indispensável à reação comum ao infortúnio, ao cataclismo ou simplesmente à adversidade. Paulatinamente, estes e outros essenciais valores adquirem o estatuto da naturalidade e ascendem ao patamar da indispensabilidade. Mas muito ainda há e haverá ainda a fazer, para que esses valores sejam efetivamente para todos tão naturais como o ato de respirar.

Porém, a construção social não se basta apenas com bons materiais e sólidas ferramentas. Há que limpar o espaço, que afastar, tudo o que prejudique a edificação que se busca. Há, assim, que lutar com, afastar, remover, os preconceitos que tolhem o avanço comum - mas sem os substituir por novos preconceitos, quiçá de sinal contrário. Também neste campo muito se avançou. Também aqui muito mais há ainda a fazer. O racismo perdeu o estatuto de naturalidade que ainda há cerca de meio século (tão pouco tempo ainda; não mais de duas gerações...) detinha em sociedades tão importantes como, por exemplo, alguns Estados dos Estados Unidos. Mas subsiste teimosamente em muitas mentes e manifesta-se ainda insidiosamente em demasiadas situações e abertamente numas quantas delas! A igualdade entre sexos evoluiu notavelmente no último maio século, mas ainda é, manifestamente, um valor ainda frágil, que muitos afastam sem rebuço à menor dificuldade social (basta ver as diferentes taxas de desemprego e os não coincidentes níveis de remuneração entre os dois sexos). A Igualdade afirmou-se quase universalmente como princípio absoluto na teoria, mas é muito insuficientemente ainda na realidade concretizada na prática, continuando - infelizmente! - ainda a ser válida a frase de O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, de que "Todos são iguais... mas há alguns mais iguais do que os outros". Os fundamentalismos existem, estão à vista de todos e não são extirpáveis por decreto.

 Muito se andou, mas muito caminho está ainda por percorrer, se se quiser ficar perto de ver ao longe uma Sociedade que possa aspirar a comparar-se levemente com a Utopia... E esse caminho tem de ser percorrido passo a passo, incansavelmente, inabalavelmente, persistentemente, por cada um que aspira à Utopia.

Ao dedicarem-se ao seu aperfeiçoamento, os maçons fazem esse caminho, dão o seu contributo à Sociedade para a evolução desta. O que cada um dá é ínfimo, quase imensurável, no contexto da imensidão do que é necessário. Mas o conjunto do que todos proporcionam possibilita o avanço, ajuda a que a evolução se torne visível.

Os maçons são, por natureza, construtores da Utopia. Não se afirmam, nem pretendem ser os únicos. Todos não são demais, que a tarefa é enorme e prolongada!

quarta-feira, outubro 09, 2013




No século XVIII, quando se expandiu a Maçonaria Especulativa, esta seguia e divulgava os princípios do Iluminismo. A Maçonaria foi então um farol que apontou o caminho da evolução social, da conceção laica, livre, igual, fraterna e tolerante do mundo, da sociedade e do lugar nela do Homem. 

O pensamento escolástico é substituído pela Ciência Experimental; racionalismo e empirismo substituem o pensamento arcaico apenas fundado nas interpretações teológicas dominantes; Locke teoriza a Tolerância como valor social; emerge o reconhecimento e proteção dos direitos humanos; o absolutismo é substituído pela submissão à Lei; a soberania por direito divino é substituída pelo conceito de que a soberania pertence ao Povo e deve ser exercida em nome do Povo, para o Povo e pelos representantes designados pelo Povo; emerge e triunfa a noção de que as sociedades devem prezar e preservar a Liberdade, assegurar a Igualdade, possibilitar a vivência em Fraternidade; o princípio da separação de poderes triunfa. Em toda esta evolução os maçons deram o seu contributo.

Trezentos anos depois, o mundo e a sociedade são radicalmente diferentes em relação ao que eram no início do século XVIII. Os valores que a Maçonaria adotou implantaram-se progressivamente em toda a sociedade e - felizmente! - hoje são essencialmente valores da sociedade, não de qualquer estrutura social, Maçonaria incluída.

Trezentos anos depois, verificando-se que o essencial do ideário maçónico venceu e está institucionalizado no mundo desenvolvido, inevitavelmente que surge a interrogação: continua, nos dias de hoje, a Maçonaria a fazer sentido? Não será hoje uma instituição ultrapassada pelo sucesso do seu ideário, transitada da modernidade no passado para o arcaísmo no presente? 

Em termos sociais, só o que mantém utilidade e sentido permanece. Tudo o que não preenche já o requisito da necessidade, do interesse, inevitavelmente estiola, fenece, cai em desuso, desaparece. Ou então transforma-se, assegurando a sua existência e pujança pela assunção de valores e interesses socialmente úteis e necessários no momento presente. Qual a função da Maçonaria hoje? Apenas a defesa dos valores que o tempo e a evolução social consagrou? Apenas uma instituição "anti-reviralho"? Ou será que a matriz genética da Maçonaria lhe permite vislumbrar, aprofundar, consensualizar novos caminhos ainda por explorar ou desenvolver, valores a implementar? Se assim é, quais os caminhos a que dar atenção, como consensualizar a direção a tomar?

Os tempos de hoje são radicalmente diferentes dos de há trezentos anos, de há duzentos anos, de há cem anos, mesmo de há cinquenta anos. As sociedades complexizaram-se visivelmente. A comunicação e os meios de a efetuar evoluíram, modernizaram-se, democratizaram-se, vulgarizaram-se. Onde antes havia poucos meios apenas ao alcance de uns poucos privilegiados, hoje tudo está praticamente à disposição de todos. A informação hoje é tudo menos escassa. Pelo contrário, começamos a ter dificuldade em selecionar, em determinar de entre a abundante cascata que incessantemente jorra sobre nós o que verdadeiramente interessa e o que é dispensável, o que é fundamentado e o que é apenas boato, palpite ou mesmo patranha. A segmentação de interesses e a extrema variedade de temas para os múltiplos interesses pessoais instalou-se. A informação hoje é multipolar e mundividente, cabendo ao indivíduo - a cada indivíduo - selecionar o que lhe agrada, o que lhe interessa, o que pretende. Neste circunstancialismo, qual o papel da maçonaria? Como pode e deve comunicar? Com que meios? Seguindo que estratégias? Procurando assegurar que objetivos?

Trezentos anos depois, estamos no fim do caminho, chegámos a uma encruzilhada ou simplesmente somos nós que temos de desbravar o caminho para que a Humanidade chegue aonde ainda não imaginou sequer poder chegar? O nosso - dos maçons, da Maçonaria, mas também da Humanidade - caminho chega até ao horizonte ou vai para além dele?

Tudo isto são interrogações que hoje se abrem à reflexão dos maçons e que é bom que os maçons se coloquem, em reflexão individual ou em análise coletiva, mas sempre plural.  

Por mim, penso que há ainda muito a fazer, que os sonhos e anseios do ideário maçónico estão ainda por completar. Quanta intolerância ainda campeia! Como são ainda vulneráveis muitos dos valores que, muitas vezes ligeiramente, consideramos solidamente implantados! E continua a haver - sempre continuará, acho - espaço e meio para cada um de nós poder melhorar e contribuir para a melhoria da sociedade. 

Mas também penso que as interrogações que atrás coloquei devem ser postas e que é tempo de lhes darmos atenção, de estudarmos os seus contornos e de buscarmos as respostas mais adequadas para cada uma delas. Nesse aspeto, a Maçonaria tem em si mesma uma caraterística organizacional que constitui uma poderosa ferramenta: a sua estrutura nuclear, com plena autonomia de cada Loja e, dentro destas, com plena aceitação dos caminhos e reflexões individuais de cada um. Isto permite que todas as interrogações acima colocadas - e muitas outras - sejam tratadas de formas diferentes, por gente diferente, em tempos diferentes, com diversas perspetivas. Cada Loja escolhe ou naturalmente dedica-se a um pequeno aspeto de um problema. Cada maçom interroga-se sobre o que lhe chama a atenção. Umas e outros buscam caminhos, propõem soluções. Cada Loja por si. Cada maçom em si. Em aparente desorganização e descoordenação. Mas é precisamente essa desorganização que se revela, afinal, muito bem organizada, na medida em que permite e gera o máximo de liberdade na reflexão dos grupos e dos indivíduos. Desse cadinho, a seu tempo emerge uma ideia que se espalha. Das ideias que se espalham, algumas fortalecem-se. Das que se fortalecem, algumas atingirão o patamar do consenso. E assim as ideias e os valores que o tempo presente reclama emergem e fazem o seu caminho, em sociedades modernas cada vez mais complexas.

Daqui a outros trezentos anos, quem então viver e se interessar fará o balanço sobre o êxito dos trabalhos, pistas, soluções e caminhos que agora efetuamos, buscamos, encontramos e prosseguimos.

Rui Bandeira