sexta-feira, outubro 31, 2014

Escada de Jacó



Oriente de Porto Alegre, 29/05/2014.


Diogo Bueno da Silveira
M\M\ da L\ Luz e Ordem
           
            À G\D\G\A\D\U
           
           
Gênesis 28 - 10: "E Jacó seguiu o caminho desde Bersba e dirigiu-se a Harã". 11: "Com o tempo atingiu certo lugar e se preparou para ali pernoitar, visto que o Sol já se tinha posto. Tomou, pois, uma das pedras do lugar e a pôs como apoio para a sua cabeça e deitou-se naquele lugar ". 12: "E começou a sonhar, e eis que havia uma escada posta da terra e seu topo tocava nos céus; e eis que anjos de Deus subiam e desciam por ela". 17: "Jacó acordou do sono e disse "Verdadeiramente, Jeová está neste lugar e eu mesmo não o sabia". 18: "E ficou temeroso e acrescentou; "Quão aterrorizante é este lugar" Não é senão a casa de Deus e este é seu portão de entrada".
 Caros IIr\

A partir dessa passagem do Gênesis do L\L\, temos que o trabalho a ser apresentado é acerca da Escada de Jacó.
Como minha primeira Instrução como MM\, escolhi o tema acerca da Escada de Jacó por ser um assunto, a meu ver, de suma importância para a compreensão do porquê do aprimoramento humano.
Jacó é considerado o patriarca do povo de Israel, ao lado de Isaac e Abraão, tanto o é que foi rebatizado com o próprio nome da Nação que estava sendo criada.
Os adjetivos que descrevem Jacó, a partir da tradição bíblica, podem ser muitos, mas acredito que o personagem bíblico possa ser descrito como Astuto (Gn 25:31-33), Enganador (Gn 27:18-19), Pecador (Gn 27:42,43), Religioso (Gn 28:10,20,21), Afetuoso (Gn 29:18), Trabalhador (Gn 31:40), Habituado à oração (Gn 32:-12,24-30), Disciplinado (Gn 37:28,42:36) e Homem de Fé (Hb 11:21).
Depreende-se de tais descrições que há uma escalada, uma subida ou até mesmo uma melhora na personalidade do sonhador.
Na Maçonaria encontramos a Escada de Jacó disposta no Painel da Loja no Grau de Aprendiz onde representa o caminho entre a Terra e o Céu, ou a ligação entre o mundo terreno e espiritual, profano e sagrado.
A escada vista por Jacó em seu sonho simboliza o ciclo evolutivo da vida, em seu constante e eterno ir e vir.
Segundo a tradição maçônica, a Escada de Jacó consta de quatorze degraus. Na verdade seus degraus são tantos quantos sãos as virtudes necessárias ao aperfeiçoamento de cada um[1]. As três virtudes mais importantes são a Fé, a Esperança e a Caridade[2][3], ali simbolizadas pela Cruz, a Âncora e o Cálice.
A escada pode ser traduzida como a constância do aprimoramento do ser humano, e para nós maçons o aprimoramento de nossas obrigações, uma vez que as Virtudes para o profano é a obrigação do Ob:..
O Ap\M\, ainda neófito, galga os degraus da Escada de Jacó almejando o aperfeiçoamento de seu Templo Interior. Praticando as Virtudes como Obrigação inata ao Maçom, sua elevação espiritual é destino certo. A Tolerância e Perseverança, abnegação do espírito e fuga dos Vícios é o início da trajetória.
Devemos ter em mente que a Escada de Jacó é a escada das Virtudes e da Santidade. Para nós, maçons, devemos entender que é o caminho a ser trilhado entre o estar profano e o ser virtuoso.
As virtudes humanas que devem ser buscadas por todo maçom que almeja galgar os degraus da Escada de Jacó são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade, que regulam os nossos atos, ordenam as nossas paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé. Adquiridas e reforçadas por atos moralmente bons e repetidos, são purificadas e elevadas pela graça do G\A\D\U\.
Em resumo, a Escada de Jacó é o caminho que o maçom deve trilhar para alcançar a plenitude de sua vida terrena e almejar a plenitude espiritual. Nas palavras de São Gregório de Nissa, “O fim de uma vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus”.
      

Fontes de pesquisa:
DA CAMINO, Rizzardo. Simbolismo do Primeiro Grau “Aprendiz”. Rio de Janeiro. 1998.
CASTELLANI, José. Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom. São Paulo. 1985.




[1]                      Fé, Esperança, Caridade, Fidelidade, Justiça, Auto-Estima, Coragem, Temperança, Hospitalidade, Prudência, Gratidão, Simpatia, Humor e Tolerância.
[2]                      Virtudes Teologais.
[3]                      Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, pesquisado no site http://www.ecclesia.pt/catecismo em 09/08/2012, 16h.

terça-feira, outubro 28, 2014


Dos Maçons e seus Deveres

O Maçom, desde a sua iniciação, está obrigado a imprimir à sua existência um ritmo inflexível que o leve a cultuar a virtude. Na sua ascensão contínua em busca da Verdade e do aperfeiçoamento de suas qualidades morais, tem ele quatro espécies de deveres a cumprir: Os da Moral Individual, os da Moral Doméstica; os de caráter Cívico e os de Ordem Social.
DEVERES DE MORAL INDIVIDUAL
Os maçons devem ter sempre presentes em seu espírito o Ritual de Iniciação e seus preciosos ensinamentos. Entre estes, lutar infatigavelmente para conhecer a si próprio. É fácil inteirarmo-nos de nossas virtudes e até mesmo atribuirmo-nos, de boa fé, qualidades que não possuímos. Em compensação é muito difícil admitirmos nossas deficiências e nossos defeitos. A consciência de cada Irmão deve ser um Tribunal em que, através da meditação e do exame sereno e imparcial de nossos gestos e atitudes, formulemos um julgamento que nos oriente com segurança em nossa vida futura. A nossa divisa deverá ser: “OURO SOBRE AÇO”. Os bons livros, de bons autores, poderão constituir uma excelente ajuda nesta tarefa. Enfim, o Maçom, em face dos juramentos proferidos, está obrigado, para consigo mesmo a: Ser leal e verdadeiro. Combater as injustiças. Ter uma vida sã. Ser livre não ter apego a posições. Viver com simplicidade. Dar sempre o bom e sadio exemplo.
DEVERES DE MORAL DOMÉSTICA
A família é a base da sociedade e o Maçom, mais que qualquer outro, está obrigado a defendê-la e a prestigiá-la. É no lar que se forjam as virtudes morais de um povo. O Maçom tem três deveres fundamentais para com o seu lar: a) Subordinar seus interesses pessoais aos de sua família; b) conceder à família ampla liberdade religiosa; e, c) Guardar fidelidade conjugal.
DEVERES DE ORDEM SOCIAL
O Maçom tem de ser, necessariamente, um padrão de dignidade no meio em que vive. Deve ser um exemplo de boa moral e nunca perder a oportunidade de despertar, nos que o cercam, aspirações para uma vida superior. Cumprir com zelo os deveres de sua religião, respeitando, porém, as demais crenças, que todas elas pregam o Bem e exaltam a Virtude. Deve dar seu decidido amparo a todas as obras úteis à coletividade, pois é essa uma das melhores maneiras de amar ao próximo. Formular juízos próprios, mas respeitar as opiniões alheias. Praticar a caridade; fazer o bem, protegendo, especialmente, os seus Irmãos.
Este nosso trabalho é uma síntese de uma palestra feita em Loja e muito estimaríamos se visse ele de tema nas próximas reuniões da Oficinas da obediência.
Se todos os prezados Irmãos se esforçarem no cumprimento de seus deveres a Ordem será, em breve, a maior força espiritual e moral a serviço da Pátria e da Humanidade.
DEVERES DE CARÁTER CÍVICO
A Maçonaria, como escola de aperfeiçoamento moral, como Religião da Virtude, impõe aos seus adeptos deveres especiais para com a Pátria onde vive. O Maçom deve obediência à Lei, sem a qual não pode haver ordem nem progresso. Estar obrigado a cumprir o melhor possível, os seus deveres profissionais e cívicos. Deve subordinar os interesses de sua família aos da sua Pátria. Não se submeter, sem protesto, aos atos arbitrários ou ordens injustas das autoridades, por mais influentes que elas sejam. Ouvir sempre, sem irritação, as ponderações de seus subordinados, e, sem diminuição, ter a coragem de revogar uma ordem, ante a evidência de que ela é falha, prejudicial, injusta ou ilegal. Nunca criticar nem reclamar à surdina contra uma ordem de que não teve a coragem de discordar quando a recebeu.

segunda-feira, outubro 27, 2014

O Uso do Celular e/ou outras tecnologias dentro de uma Loja Maçônica
Ir. Edson de Souza Couto[1]



            A Maçonaria é uma instituição progressista, evolutiva, filosófica, filantrópica que opera pela iniciação a transformação do indivíduo comum em algo além-do-homem (Übermensch) na expressão de Nietzsche em sua obra “assim falou Zaratustra”.  Obviamente não é a Maçonaria que faz a transformação do homem, ela é o espaço, ambiente adequado para este processo. Através das orientações dos mestres, dos ritos e dos rituais o maçom tem as ferramentas ou os instrumentos de trabalho necessários ao auto aperfeiçoamento, ao auto conhecimento e à reforma íntima, que só pode ser efetivada por ele mesmo. Até aqui nenhuma novidade...
            Contudo o ambiente propício, o terreno fértil para realização desta “alquimia” ou deste processo alquímico, é a Loja (do sânscrito Loka = mundo). A Loja deve ser o “atanor”, o laboratório onde a experiência ou troca de experiências configura o universo em movimento. Este ambiente tomado do sagrado que lhe é investido na consagração, o respeito dado e conferido pelos irmãos e ornamentado dos símbolos e alegorias,  representações profundas da consciência superior, faz com que cada indivíduo ali presente construa uma egrégora, um campo energético individual, que somado com as dos irmãos lado a lado, ombro a ombro, forme um verdadeiro dínamo gerador de um consciente coletivo poderoso, curativo capaz de dissipar todas as forças contrárias do mundo profano. Por esta razão as Sessões Maçônicas nos fazem tanto bem. Quando faltamos alguma sessão sentimos um vazio, uma perda de energia inexplicável, mas que é dizimada no primeiro encontro com os irmãos em outra sessão. Pelo menos deveria ser assim...
            Sendo então a Loja um ambiente dotado de sacralidade, devidamente harmonizado para produzir este campo energético, resta a obviedade de que qualquer elemento estranho a esta realidade conduza a dispersão destas forças ou uma interferência maligna ao clima que se propõe obter. Todos sabem que relógios, determinados tipos de metais são recomendados ficarem nos passos perdidos, pois podem prejudicar o bom ambiente da Loja. Casos já foram registrados de relógios pararem de funcionar ou ficarem inutilizados depois  de uma sessão maçônica, assim como metais oxidarem ou perderem a coloração.
            Devemos lembrar a Loja é catalizadora e amplificadora de energias e que alguns aparelhos eletrônicos produzem radiação nociva ao homem, tanto isto é verdade que vários cientistas se dedicaram ao estudo destes fenômenos, criando inclusive uma ciência chamada Radiônica ou Radiestesia, onde foram desenvolvidos gráficos radiestésicos que tinham a finalidade de diminuir os efeitos nocivos destes aparelhos. Um deles é conhecido como gráfico SCAB ou Triângulo de André-Felipe. Veja a imagem a seguir:

            Algumas Lojas que se valem de equipamento elétrico-eletrônico para o uso do Mestre de Harmonia, como aparelhos de som, desktop ou laptop (também conhecidos como notebook) ou mesmo alguns irmãos que usam tablets ou smartphones para leitura dos “Rituais Digitais”, imprimem o gráfico acima para reduzir os efeitos destas radiações.
            Não posso negar que a Maçonaria é evolutiva, não posso negar que a tecnologia veio para facilitar a vida do homem, não posso negar que algumas Lojas são totalmente informatizadas, deste o controle das luzes, temperatura, música e outros elementos como telas retráteis, data-shows, etc.
            Não posso negar que algumas passagens ritualísticas foram alteradas em função disto, como a “Cerimônia do Fogo”, também conhecida como acendimentos das estrelas ou luzes, onde as velas foram substituídas por lâmpadas que emitam chamas em movimento ou até mesmo lâmpadas comuns.  Mas a pergunta é: A Maçonaria não se baseia na Tradição e nos Antigos Costumes?
            Confesso que em meu coração existe uma profunda incerteza. Creio que estamos confundindo evolução mental, evolução espiritual, evolução material com evolução tecnológica. A Loja Maçônica e,  por conseguinte,  tudo que nela se pratica é sacralizado, o objetivo deste espaço místico é nos afastar do mundo profano, para que num ambiente harmonizado previamente, possamos entrar em contato com nosso interior ( VITRIOL) e façamos a reforma daquilo que precisa ser mudado.
            É um espaço e um tempo fora do espaço/tempo, onde tudo do mundo para por algumas horas, e longe dos olhares e ouvidos mundanos, profanos, buscamos nossa essência primeira, nossa fonte real de saber, onde pela meditação, pelo silencio da mente e do coração, escutamos a voz do G.A.D.U.,  diretamente no nosso espírito. E assim em paz conosco apreciamos os trabalhos dos irmãos que abrilhantam a Oficina com seus conhecimentos, e com a Vigilância dos Mestres e com as Instruções do Venerável Mestre podemos nortear nossa jornada, nosso Caminho de Compostela, pelas vias seguras do saber e da prática das virtudes.
            Não sou contra a tecnologia, mas assim como o celular é proibido por Lei dentro da sala de aula (Lei Estadual 12.884/2008), por prejudicar a atenção dos alunos, também em nossas Sessões é desaconselhável pelas mesmas razões e outras mais já aventadas. Devemos nos manter próximos de nossas Tradições, pois elas têm um propósito relevante para nosso desenvolvimento, contudo devemos tolerar aqueles casos onde o porte do celular (pelo menos em modo silencioso) deva acontecer, pois como sabemos temos alguns irmãos que exercem atividades profissionais de extrema importância na rapidez de atendimento como médicos, juízes, militares, policiais e outros.
            Por fim deixo a seguinte mensagem: “Tudo é possível quando o bem é maior que o mal, que a tolerância seja a justa medida, que o amor seja nossa ferramenta, que a confiança seja o nosso juízo, que a bondade seja nosso motor, que a felicidade seja nosso destino.” Edson Couto/2014.  
REFERÊNCIAS:
BRANCO, Samuel Murgel. Energia e Meio Ambiente, Editora Moderna, São Paulo, 2001.
CHANDU, Jack F. Radiestesia, Manual Prático. Ed. Hemus, São Paulo 1984.
LUZY, Antoine. Radiesthésie Moderne, Théorie et Pratique Complètement Expliquées, 38ed. Éditions Dangles, Paris, 1943.
MENDONÇA, Sávio. A Arte de Curar Pela Radiestesia. Ed. Pensamento, São Paulo, 1980.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Crepúsculo dos Ídolos, Golden Books/DPL, São Paulo, 2009.
SAEVARIUS, Dr. E. Manual Teórico e Prático de Radiestesia, Ed. Pensamento, São Paulo, 1990.




[1] Professor de História e Filosofia, Pesquisador Ocultista, Mestre Maçom membro da A.R.L.S. Glória dos Buscadores do Templo da Luz nº 01, Grão—Mestre da GLRRS, em seu 3º Mandato consecutivo, Vice-Presidente da Confederação da Maçonaria Regular do Brasil, Vice-Presidente para América do Sul-Atlântico da Society Of  The Grand Lodges In Alliance, 2º Mandato consecutivo. Supremo Grande Comendador do Grau 33º do Supremo Conselho do Rito Antigo e Aceito para o Brasil.

sexta-feira, outubro 24, 2014



 

O CONCEITO DE INTELIGÊNCIA


Introdução

Conceituar a inteligência é uma tarefa peculiar porque a inteligência é a função psicológica responsável pela capacidade que temos de compreender o significado das coisas, de conceituar. No processo de conhecimento temos de um lado o objeto a ser conhecido, externo à inteligência, e do outro a inteligência, o instrumento mental que alcança o conceito desse mesmo objeto. Conceituar a inteligência é fazê-la objeto e instrumento simultaneamente, é ter consciência dos instrumento mental que nos permite conhecer o mundo e que está integrado à própria consciência. 
A consciência atua conjuntamente à inteligência sendo distinta dela, a inteligência "mostra" para a consciência o significado das coisas percebidas, que elas são diferentes, e mesmo quando fisicamente semelhantes podem ter finalidades diferentes. Por exemplo, uma cadeira é distinta de uma mesa, elas têm funções e aspectos diferentes, duas cadeiras iguais no entanto, podem ter funções diferentes, uma pode servir para o professor sentar-se e a outra para o aluno, o que será percebido a partir da disposição desses móveis numa sala de aula. A inteligência apresenta à consciência a circunstância em que se encontra, permitindo com que ela se situe no contexto em que se encontra, e para a partir disso tomar as decisões mais adequadas, um aluno ao entrar na sala de aula sabe onde pode e onde não pode sentar-se mesmo que ninguém lhe diga. A inteligência é o instrumento que permite a consciência saber que decisão tomar. Para compreender melhor a inteligência precisamos saber também quais são suas fronteiras com as demais funções mentais.
Antes de nos darmos conta do significado de um objeto, necessariamente nos damos conta da existência desse objeto. A tomada de consciência da existência é imediata à percepção. A captação do conceito desse objeto no entanto, seguirá um processo mais demorado, envolvendo experimentação, para que as diferentes faces do novo objeto se apresentem e possam ser compreendidas. Estamos o tempo todo nos dando conta de novos objetos e aprofundando no conhecimento dos objetos já conhecidos através de novas experiências com eles, a inteligência está constantemente atuando, o processo de conceituação está constantemente sendo aprimorado e atualizado.
Para estudar um objeto qualquer precisamos saber o que ele é, mas para sabermos o que ele é, precisamos estudá-lo, então por onde devemos começar? O que vem primeiro, a conceituação ou o estudo do objeto? Junto à informação da existência do objeto geralmente os sentidos nos oferecem informações sobre as características desse objeto, assim vamos completando a idéia, o conceito do objeto com que entramos em contato. Como não há possibilidade de conhecermos os objetos de forma completa e imediata, mas gradualmente, Isto significa que antes de termos conceitos, passamos por preconceitos, pois como não sabemos a extensão do conhecimento que temos dos objetos (se está completo ou não), não sabemos se temos conceitos ou preconceitos a respeito deles. Esta dificuldade nos mostra como somos susceptíveis à erros, ainda que queiramos fazer a coisa certa, estamos sujeitos a cometer equívocos por causa da incompletude do nosso conhecimento e da ignorância que temos sobre essa incompletude. Este pode ser o primeiro benefício da tentativa de conceituar a inteligência: a necessidade de reconhecimento de que pouco sabemos.
O processo de Conceituação

  Há objetos simples e outros complexos no que diz respeito à cognição. Simples são aqueles que podem ser compreendidos sem o auxílio de conceitos prévios como a idéia de triângulo ou de rigidez por exemplo. Os conceitos básicos aprendidos desde a infância tornam-se necessários para a compreensão dos conceitos complexos que precisam das idéias básicas para se formarem. Conceitos como vida ou humanidade, por exemplo, são complexos. 
A inteligência é um conceito complexo, não sabemos quantos nem exatamente quais são seus conceitos básicos. Conceituar a inteligência significa delimitar suas fronteiras, identificar suas características e diferenciá-las das demais funções mentais envolvidas nos processos cognitivos, como a memória, a atenção (a capacidade de manter ou desviar a atenção), a consciência, a percepção, o juízo, etc.. Além destas, outras funções mentais ainda pouco estudadas também podem estar envolvidas no processo cognitivo, como a auto-eficácia, que na prática influencia o exercício da inteligência, recentemente demonstrado por Ângela Perez (2002). Como ainda não conhecemos todas as fronteiras mentais da inteligência, nem a extensão de cada uma com a inteligência, temos que admitir que o conceito de inteligência na psicologia não está completo.
Para ilustrar o processo de captação do conceito tomemos por exemplo a idéia de cadeira. Perguntar o que envolve o conceito de cadeira é o mesmo que perguntar quais são suas características essenciais. Olhando apenas uma cadeira não há como saber se o que vemos é essencial ou acessório, por isso é indispensável olhar várias cadeiras. Após a inspeção de várias começamos a perceber o que há de comum entre todas elas, a idéia das partes comuns, daquelas que estão sempre presentes, constituem a essência da cadeira. Nossa inteligência é capaz de separar o acessório do essencial, ou seja, é capaz de diferenciar o que é comum a todas do que pode ou não estar presente, é capaz então de abstrair o conceito de cadeira após se deparado com várias delas.
O conceito é algo que não muda com o tempo nem com a localização de onde o objeto se encontra, a idéia que fazemos de um objeto não depende de quando nem onde esse objeto existiu. Os objetos mudam, evoluem, mas quando o fazem transformam-se noutra coisa, passam a constituir outro conceito. Os animais evoluem, deixam de ser uma coisa e passam a ser outra, mas a essência daquilo que eram continua existindo mesmo que o animal se extinga. O conceito pode tornar-se passado mas não evolui junto com o animal, conceitos não se transformam, não evoluem. Na medida em que as coisas antigas se transformam em novas, surgem novos conceitos e os antigos continuam existindo enquanto idéia, enquanto passado, não mais como objeto atual. O conceito que temos de cadeira hoje é o mesmo que havia na antigüidade, embora as formas e materiais empregados fossem outros naquela época.
Qual é então a essência de uma cadeira? Pela observação empírica vemos que precisa ser feita de material rígido e ser proporcional às dimensões humanas na posição sentada e encostada. Precisam ter pelo menos dois planos, um para assentar outro para encostar. A rigidez não exclui acolchoamento, basta obedecer à função de sustentar o peso de uma pessoa. O fato de ser ou não acolchoada muda a essência da cadeira? Não muda, mas muda uma cadeira em particular, muda um acessório, acrescenta uma característica que como não é essencial precisa ser conceituada, por isso ao nos referirmos às cadeiras acolchoadas temos que mencionar o acolchoamento porque senão pensaremos numa cadeira pura. As características acessórias então, por definição são aquelas que não precisam estar presentes, são variáveis. As cores da cadeira são outro aspecto dela, apesar da cor da cadeira ser necessária, não há necessidade de uma cor específica, a cor seria então uma característica essencial ou acessória? O fato de ter uma cor é um aspecto essencial, mas uma determinada cor é um aspecto acessório, porque sabemos de todos os objetos da natureza da mobília possuem cores, algo que as torne visíveis, como não existe cadeira invisível não precisamos citar a característica de visibilidade como um fator essencial pois ele estará presente sempre.
O exemplo da cadeira serve como base para mostrar os processos que envolvem a conceituação dos objetos. O nosso objeto é a inteligência, a característica psicológica responsável pela captação dos conceitos, pela abstração da essência dos objetos. Para conceituar inteligência precisamos realizar o mesmo processo feito com a cadeira, descrever suas características, identificar os aspectos essenciais e diferenciá-los dos acidentais, é necessário portanto estudar várias inteligências buscando o que há de comum (essencial) e o que há de variável (acessório) entre elas. 

A dificuldade de conceituar a inteligência

  Existem muitas dificuldades no processo de conceituação da inteligência, primeiro porque não podemos tocar nem vê-la, segundo porque é um conceito complexo e ainda nem sabemos seu grau dessa complexidade, terceiro porque enquanto característica psicológica ela interage com outras funções psicológicas confundindo-se com elas. Uma pessoa com uma memória prodigiosa pode ser confundida com uma pessoa inteligente. Se a inteligência é a capacidade de resolver problemas, uma pessoa com boa memória pode se lembrar de como se resolve determinados problemas, e usar a memória para isso, nesse caso não se está criando uma solução, mas recordando-se de uma. É difícil embora possível, isolar o comportamento para obtermos uma resposta pura em psicologia, como é feito em outras ciências. No teste de WISC onde é apresentado nove cubos com cores e formas definidos, pede-se para reproduzir certas imagens com eles. Esse tipo de testagem avalia a inteligência humana dispensando o uso da verbalização, da matemática, ou de assuntos que requeiram aprendizado. Uma pessoa analfabeta ou pertencente a qualquer outra cultura pode ter um bom desempenho nesse teste se for inteligente, ou ainda, podemos determinar padrões de inteligência para faixas etárias utilizando esse teste.
Um dos princípios científicos declara que para se estudar uma determinada grandeza é preciso saber que estamos observando apenas uma e não outras características "contaminantes". As técnicas psicológicas procuram e conseguem com certo grau de sucesso, elaborar testes que obtenham respostas "puras". Acima foi exemplificado o teste dos cubos de WISC, que mede a inteligência pura, isentando-se da contaminação do grau de formação educacional. Neste sentido, construir formas de testagem pura é necessário para se definir as fronteiras da inteligência e podermos defini-la com mais precisão. Os testes de inteligência podem então ser usados para se alcançar o conceito da própria inteligência.
Falamos acima de inteligência pura, isso significa que existe uma inteligência misturada? Em outras palavras, há partes, subtipos, categorias de inteligência? Admitir isso é partir do principio de que a inteligência é divisível, se é divisível suas partes são equivalentes? Existe alguma parte mais importante do que outra? As atuais teorias da inteligência falam a respeito de inteligência geral e específica, em cristalizada e fluida. Fala-se em capacidades intelectivas, em habilidades, em dons. Certamente muitas são as atividades mentais envolvidas com a inteligência, mas considerá-las todas como parte da inteligência seria correto? O homem sempre anda vestido, podemos por isso considerar a roupa como parte essencial do homem só porque as roupas sempre estão presentes? A experiência empírica prova relações entre a inteligência geral e capacidades intelectuais como para a matemática. Mas qual o fundamento para se afirmar que por existir uma relação trata-se de uma parte integrante? Com este princípio de raciocínio acaba-se encontrando tantas inteligências quantas capacidades cognitivas, para a área emocional, social, espacial, matemática, verbal, etc.. Quanto mais objetos tentamos juntar ao conceito de inteligência mais complicado este conceito fica, talvez a dificuldade de conceituar a inteligência seja devido à estratégias de conceituação equivocadas, e não somente devido à complexidade do conceito de inteligência. Por que não admitir então que a inteligência seja indivisível, como um bloco único operando na consciência?
Até o momento muitas pesquisas sobre inteligência forma feitas, muitas características foram identificadas pelos vários modelos, que foram cientificamente validados. Talvez agora seja o momento de rever a forma da definição, não a definição em si, mas a maneira como as informações relativas a ela são articuladas, não precisamos mais descobrir novas peças, precisamos saber como elas se encaixam. Acredito que a partir do momento atual não reste muito por descobrir em relação a definição da inteligência, resta convencionar como a inteligência deve ser definida, resta escolher o que é essencial para sua definição e o que é acessório.    

A possibilidade filosófica de definir inteligência

  Filosofia e ciência são atividades do conhecimento humano distintas e complementares. A filosofia para definir um objeto baseia-se na busca de sua essência, o que é feito pelo experiência pessoal de distinção de características essenciais e acessórias. O conceito é algo pertencente ao próprio objeto, o filósofo ou o cientista podem disputar quem chegou antes ao conceito, mas este em si já existia desde que o começo da existência desse objeto, antes talvez da existência do filósofo ou do cientista. A ciência não oferece conclusões, oferece dados, os cientistas é que a partir dos dados chegam às conclusões. Portanto cientificamente não teremos uma definição de inteligência, teremos informações a respeito dela, os cientistas é que através dessas informações, manipulam-na de forma a tirarem conclusões plausíveis. Mas se os filósofos já chegaram a um conclusão a respeito do mesmo objeto de estudo dos cientistas porque esses não aproveitam o conhecimento produzido pelos filósofos para juntamente aos dados científicos obtidos, formularem o conceito de inteligência. Em outras palavras, porque os psicólogos não aproveitam a definição de inteligência obtida pelos filósofos para tentarem validá-la dentro dos conhecimentos científicos?
 
Conclusão
 
As questões difíceis de serem respondidas muitas vezes são difíceis não por natureza, mas por equívoco. Tentar explicar o que é um círculo quadrado não é difícil, é insensatez porque tal coisa não existe, se não existe não pode ser definida. Querer definir uma cor que é simultaneamente branca e preta é insensato pois o cinza é uma outra cor que não é nem brando nem preto e uma coisa não pode ser duas simultaneamente, uma cor não pode ser ao mesmo tempo branca e preta. Com a inteligência acontece o mesmo, talvez a dificuldade de defini-la não seja por causa de sua natureza complexa mas por causa do modo equivocado como é feito. A inteligência é a aptidão psicológica que permite ao homem abstrair, captar, entender conceitos, a essência das coisas que tomamos consciência. Junto a essa aptidão outras atividades mentais se integram e atuam em conjunto, como as habilidades matemáticas, verbais, emocionais, etc. por exemplo. Tomar a inteligência pelas suas características acessórias talvez seja o erro que impede a realização de uma definição precisa, talvez a tentativa de resumir todas as aptidões relacionadas à inteligência na própria inteligência esteja dificultando o trabalho de explicar a própria inteligência.

Bibliografia
  • Sternberg, Robert . As capacidades intelectuais humanas. Artes Médicas. 1992
  • Maritain, Jacques . Introdução geral à filosofia. Agir. 1981
  • Flanagan, Genshaft & Harison. Comtemporaru intellectual assessment. Cap.9. Guilford Press 

terça-feira, outubro 14, 2014


(imagem proveniente de Google Images)
Durante o decorrer de uma sessão ritual maçônica existe o hábito generalizado de existir música ambiente. Música essa que deverá criar certos estados de espírito aos seus ouvintes para possibilitar uma certa harmonia entre todos os presentes na sessão.
A responsabilidade da condução musical numa loja maçônica é do Mestre da Harmonia, o qual também é designado por Coluna da Harmonia.
A seleção musical a ser utilizada deverá ser preferencialmente escrita e/ou musicada por autores maçônicos, nomeadamente Ludwig van Beethoven, Frédéric Chopin, Wolfgang Amadeus Mozart entre outros,  mas também pode ser utilizada música de qualquer tipo de autor sem prejuízo para os anteriormente citados. O gênero musical a ser utilizado também dependerá daquilo a que se proponha fazer o Mestre da Harmonia em consonância direta com o programa da respetiva sessão maçônica; sendo que ao conjunto de músicas que integram o seu trabalho se designar por Prancha Musical.
E para a elaboração desta prancha geralmente são utilizadas sonoridades mais clássicas na maioria das lojas, mas na Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues nº5, os gostos são muito ecléticos pelo que é habitual, dependendo de quem ocupe a Coluna da Harmonia, se ouvir desde música clássica, passando pelo Rock ao Ambient Lounge ou ChillOut e também às sonoridades new age. Daqui se poderá depreender que tal como ao nível da utilização das novas tecnologias, também ao nível da seleção musical, a Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues nº5 é também uma loja que se poderá assumir como p’rá frentex
No entanto, e apesar da liberdade de escolha musical propiciada pela loja ao Mestre da Harmonia, a este apenas lhe é pedido ( aliás, exigido por assim dizer…) que com a sua música proporcione o ambiente ideal ao desenrolar dos trabalhos maçônicos a serem efetuados.
Mas apesar da vasta e ampla seleção musical que pode ser utilizada numa sessão maçônica, não pode a mesma ser usada de qualquer forma nem em qualquer tempo. Existe uma temporização adequada e um tipo de  sonoridade específica que se espera escutar  em determinados momentos da sessão maçônica, sejam eles a Abertura ou o Encerramento dos Trabalhos, seja no momento da execução da Cadeia de União ou na circulação do Tronco da Viúva; a música deverá criar uma sensação própria a cada um que a ouvir em relação ao momento maçônico em concreto. Não devendo o estado de espírito dos maçons se encontrar contrário ao disposto, senão resultaria numa possível quebra da egrégora criada pela harmonia experimentada pelo conjunto dos irmãos presentes na respetiva sessão.
E se no decorrer de uma sessão maçônica existir um momento ritual relevante para a vida de um maçom, tal como uma Iniciação ou um aumento de salário, a música a ser utilizada deverá ser alvo de uma especial atenção pelo Mestre da Harmonia para que esses momentos fiquem marcados na memória de quem por eles passa, pois mesmo aqueles que apenas assistem e não têm uma intervenção direta no cumprimento do ritual, também estes acabam por rever esta mesma situação que anteriormente vivenciaram. E isto também faz parte da formação maçônica, o rever e meditar sobre o que se já viveu e retirar de aí a devida reflexão.
Pelo que aqui expus, já deu para perceber que o trabalho efetuado pela Coluna da Harmonia não é de somenos importância, porque apesar de não ter um papel ritual importante durante a sessão, este é um dos cargos mais ativos da loja; é ele que tem o dever de criar os ambientes específicos e respetivos estados de alma e isso não é tão fácil como se poderia imaginar à primeira vista. E é mesmo um trabalho demorado que ocupa algum do tempo disponível que o Mestre da Harmonia tem na sua vida pessoal, pois ele terá de ouvir bastantes músicas para poder selecionar aquelas que considere como as mais apropriadas para serem utilizadas no decorrer de uma sessão maçônica. Se este mestre for um apaixonado pela música ou inclusive um melômano até, a sua loja só terá a ganhar dada a riqueza dos conhecimentos que ele terá e que poderá propiciar aos seus irmãos.
Nem todos poderão gostar dos temas musicais que ouviram no decorrer da sessão, fruto das mais variadas preferências musicais de cada um, mas se a energia que brotou da sessão for a ideal, a melhor crítica que o Mestre da Harmonia poderá ouvir dos seus irmãos é que eles saíram contentes e satisfeitos da sessão e que o trabalho que ele desempenhou contribuiu para esse fato.
A Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues nº5 sempre teve excelentes responsáveis por "darem música" aos seus irmãos, pelo que se espera que assim o continue a ser...


sexta-feira, outubro 10, 2014

Maçonaria na Itália 
Grão Loja Italiana
É uma tarefa desencorajadora e talvez desesperançosa a de rastrear o curso da Maçonaria na Itália, e possivelmente uma conquista vazia quando terminada, sendo que houve raras Lojas Italianas com o verdadeiro significado Maçônicas reconhecidas pelas Grandes Lojas que falam a língua inglesa.
Não poderia haver melhor ilustração do caos da Maçonaria Italiana, que as condições que prevaleceram à época em que Mussolini fechou as Lojas e iniciou a campanha para destruí-las permanentemente naquele país. Esse caos, para as duas Grandes Entidades daquele período que se dispuseram, infelizmente, a voar uma contra a garganta da outra, pouparam o trabalho de Musolini de enviar não mais que um golpe de misericórdia.
Os lideres eram Torriagini e Palermi, cada um deles assumindo validos direitos de liderança na Maçonaria Italiana. Lá, assim como em outros países Latinos, um dos principais pontos de contenção foi a respectiva procura pela superioridade da Grande Loja Simbólica e do Supremo Conselho do Rito Escocês. A característica da Maçonaria Italiana era similar à Francesa com, talvez, menos brilhantismo e mais discórdia.
Talvez isso tenha ocorrido, pelo fato de que a velha Itália sempre esteve dividida, pois era um grande Feudo da Igreja Católica Romana. Mais de um terço da Itália, era composto de estados Pontifícios, onde a Igreja fazia e desfazia sobre o destino de seus súditos.
Durante 1124 anos, de 756 a 1870 de nossa era, a Igreja dominou os estados italianos, com mandos e desmandos. O último Papa foi o Pio IX. Obviamente, esse desconforto e descontentamento do povo, que queria uma Itália unida, geraram líderes rebeldes, que não queriam esse sufoco do domínio Papalino. Entre eles, o grande Maçom, General Giuseppe Garibaldi.
“O fato de a Carbonária lutar contra as forças militares do Papa e de Garibaldi, além de Carbonário, ser Maçom, também criou um grande atrito – Igreja Católica e Maçonaria. O atrito foi tão forte que levou o Papa Pio IX a assinar mais de 600 documentos contra a Maçonaria, cujos resquícios chegaram até nós.
A prisão domiciliar do Papa e a perda dos Estados Pontifícios, pela Igreja, foi uma derrota que a Igreja nunca conseguiu assimilar. “E grande parte de seu fracasso foi debitada à Maçonaria Italiana, indevidamente, pois os Antipapistas Italianos, que lutaram pela Unificação, em sua maioria, quase absoluta, não faziam parte da Maçonaria.”
A historia antiga da Maçonaria Italiana, como outras, nunca se sabe se é boato ou é verídica. É dito que Lorde Sackville fundou uma Loja em Florença em 1733, mas por qual autoridade, não nos foi revelada embora Lord Henry Fox Holland fosse dito ter sido o Grão Mestre. É contado, também, que outras Lojas foram fundadas em Pisa, Siena, Perugia e Roma (1735).
Em 1738 o papa Clemente XII publicou a Bula Papal contra os Maçons, e a Itália, sendo um país solidamente católico, permitiu com que esse decreto fosse aceito facilmente ao longo do país. Aquela acusação papal, de 1738, de vago conteúdo, foi suplementada pelo Decreto de 1739, proibindo a Maçonaria em qualquer lugar dentro do estado Papal, com pena de morte.
Tuscany, na parte central do norte da Itália, foi conquistada pela Áustria, na qual Francis de Lorraine, um firme Maçom, foi co-regente. Ele se deu conta da futilidade de opor-se ao Papa e ordenou que o decreto fosse aceito, mas não executado. Várias novas Lojas foram estabelecidas em Milão, Verona, Turim, Pádua e Venice, mas a Loja de Roma foi fechada em 1737.
A proibição da Maçonaria parece ter sido efetivada por cerca de um quarto de século.
Em 27 de fevereiro de 1764, a Grande Loja Nacional “Zelo”, foi fundada em Nápoles com 04 Lojas, assim como muitas outras em outras cidades. Essas fundações acabaram em 1783, como resultado da oposição real. No ano seguinte, o Grande Oriente da França estabeleceu um Grande Oriente, em Roma, em 1787, que infelizmente não durou mais do que dois anos.
Em 1801 uma Loja, seguida de um Grande Oriente em 1805, foi estabelecida em Milão, sendo que o ultimo foi reconhecido pelo Grande Oriente da França em 1808, mas expirado em 1814. Em 1805, o Rito Escocês foi introduzido na Itália vindo da França e em 1809, um Supremo Conselho foi formado. Em 1807, houve então, dois Grandes Orientes: um o Grande Oriente da Itália, que incluía o Reinado Italiano com Eugene Beauharnais como Grão Mestre; o outro em Nápoles com Giacchino Murat como Grão Mestre.
Em 1861, havia três Grandes Orientes localizados em Nápoles, Turim e Palermo, respectivamente, sendo o ultimo liderado por Giuseppe Garibaldi, o patriota italiano. Em uma reunião em Florença, 21 a 24 de maio de 1864, os três uniram-se no Grande Oriente da Itália com Garibaldi como Grão Mestre.
Abrindo um pequeno intervalo, falaremos sobre esse grande Maçom, que foi Giuseppe Garibaldi.
“nasceu  na Itália em Nice, em 04 de julho de 1807, na época em Napoleão estava no auge de suas conquistas, expulsando, inclusive, o regente de Portugal, Dom João VI, para o Brasil.
Seu pai era marinheiro, com o qual aprendeu a nobre arte de navegar. Na sua mocidade, conheceu dois importantes marinheiros, Carbonários – Mazzini e Henzo Cavour, que influenciaram muito em seus ideais e o levaram para a Carbonária. Já atuando nesta, teve que fugir de seu país, indo refugiar-se nas costas do nordeste brasileiro, mais precisamente, em Salvador.
Lá, as pessoas sabendo de suas habilidades como navegador, lhe solicitaram que conduzisse um refugiado do Forte de Salvador para o sul do país. Esse refugiado era Bento Gonçalves, com o qual manteve estreita amizade, sendo levado por este, para o seio da Maçonaria.
Não sabe ao certo o local onde foi iniciado, Brasil ou Uruguai:
“Giuseppe Garibaldi, iniziato alla Massoneria in Brasile nel 1844, Alla Loggia “Asilo de la Virtude” Montevideu – Uruguai, e affiliato alla Loggia “Tonpkins nº 471” di Stepleton (New York).
Nel 1863, fu acclamato Sovrano Gran Commendador della Giurisdizione Del Rito Scozzese Ântico e Accettato, sedente in Palermo.
Proclamato Primo Massone D´Italia e Gran Maestro Del Grande Oriente D´Italia (1864). Nel 1872 fu Grande Maestro Onorario a vita.”
Voltando ao nosso tema, sabemos que, em 1867, havia o Grande Oriente em Florença e um Supremo Conselho em Palermo e um Grande Conselho em Milão. Em 21 de junho de 1867, Garibaldi que havia se tornado líder do Supremo Conselho em Palermo, convocou uma reunião de todas as Lojas na Itália na quais várias Grandes Entidades uniram-se no que resultou um Supremo Grande Conselho do Grau 33 do Rito Escocês, uma Grande Loja Simbólica e um Supremo Conselho do Rito de Memphis.
Em 1870 o poder temporal do Papa foi aniquilado, os estados papais foram tomados por governos seculares e nacionalistas italianos emergiram. Em 1872, na primeira reunião geral das Lojas, uma Constituição foi adotada que perdurou até 1920. O Grande Oriente pode mostrar uma contínua lista dos Grãos Mestres desde Garibaldi, em 1864, até Públio Cortini em1953, embora três deles em exílio durante a segunda guerra Mundial.
Um grande cisma, atacou a Itália em 1908, resultando em 1919 na criação da Grande Loja Nacional de Palermo. Começa a se agravar, nessa época, a briga entre os Supremos Conselhos e as Lojas Simbólicas, agravada pela política de reconhecimento, principalmente das Grandes Lojas Americanas, que nem sempre concordavam com o reconhecimento das Grandes Lojas Inglesas, sem contar com o Grande Oriente da França.
Maçonaria dividida não dura para sempre. Em 1923, o Conselho Facista ordenou aos Maçons que escolhessem entre Maçonaria e Facismo. O Grande Oriente conscientizou-se do direito de seus membros de abandonar a Maçonaria e juntar-se aos Facistas e muitos deles o fizeram. Torrigiani publicou um livro sobre Maçonaria e Facismo. O terrorismo começou a surgir contra a Fraternidade. O Grão Mestre apelou para os oficiais da lei do Governo por proteção contra atos de violência. Em 1924, o Conselho Facista proibiu qualquer facista de ingressar na Maçonaria; Maçons que eram facistas foram ordenados a abandonar a Fraternidade e as entidades maçônicas que não eram simpáticas com o governo seriam fechadas.
Acordos anti-maçônicos circularam e comitês foram indicados para coletarem informação sobre a Maçonaria. Em 10 de janeiro de 1925, a lei anti-Maçonaria foi promulgada na forma de uma lei contra todas as sociedades secretas. Pela virtude de um poder especial, delegado a ele pelo Grande Oriente o Grão Mestre Torrigiani dissolveu todas as Lojas maçônicas sob a sua obediência. A data desse ato não é conhecida, mas foi provavelmente cerca de 1930. Em 09 de janeiro de 1926, os facistas ocuparam todos os prédios maçônicos.
Mesmo antes do inicio da II Grande Guerra o Grande Oriente tinha ido ao exílio. Torrigiani foi preso e levado a um campo de concentração, falecendo posteriormente, como resultado de seus sofrimentos como preso político na Ilha de Lipari, em agosto de 1932. O Governo Facista Italiano caiu em 25 de julho de 1943 e a completa liberação da Itália da Alemanha ocorreu em 25 de abril de 1945.
Depois disso, 200 lojas foram reativadas. Em setembro daquele ano, uma comissão maçônica americana constituída por Ray V. Denslow, Charles H. Johnson, George E. Bushnell e Claude J. MacAllister foram para a Itália e em 18 de novembro de 1949, as duas filiais divididas foram unidas em uma entidade nacional conhecida como Grande Oriente da Itália – Grande Loja Nacional, com Dott Guido Laj como Grão Mestre. Dentro dos mais conhecidos da Maçonaria Italiana estavam o Dr. Publio Cortini, formal Grão Tesoureiro, agora falecido, o qual era bem conhecido nos EUA, tendo organizado várias reuniões e impressionado a todos com sua alta personalidade.
Em 1956, o Grande Oriente foi reconhecido por 37 grandes Lojas nos EUA.
Houve outra Grande Loja organizada em 1948 que foi comumente chamada de Grande Loja Moroli ou grupo Moroli. Ela foi reconhecida por 05 Grandes Lojas nos EUA, e também o Supremo Conselho associado com aquele grupo foi reconhecido pelo Supremo Conselho da Jurisdição Sulista dos EUA. Vários pequenos grupos foram organizados e batalharam pela sua existência e reconhecimento.
Parece que os problemas do Grande Oriente pioraram em 1960, quando o Grão Mestre, Giordano Gamberini, confiou a Lício Gelli, um empresário, para melhorar a imagem da Loja, listando homens proeminentes para ingressar na Maçonaria.
Parece que ele conseguiu, mas não da maneira esperada pelos legítimos oficiais do Grande Oriente. A Loja de Gamberini, “Propaganda Due” (comumente chamada “P-2”) acreditou ser usada para propósitos políticos.
Segundo o historiador Martin Lunn, o nome completo da P2 era Raggruppamento Gelli Propaganda Due, fundada em 1966.
Infelizmente, de uma forma inadequada, essa pseudo facção maçônica se en¬volveu na luta contra o comunismo. Na opinião do líder do Partido Republicano da Itália na época, a P2 transformou-se no “centro de poluição da vida nacional- secreta, perversa e corrupta”.
Ela derru¬bou o governo do primeiro-ministro Arnaldo Forlani e agia como um canal para o fornecimento de fundos do Vaticano e da CIA, para organi¬zações anticomunistas na Europa e na América Latina. A P2 foi exposta quando o “banqueiro de Deus”, Roberto Calvi, foi encontrado morto, suspenso sob a ponte Blackfriars, em Londres, em 1982. Calvi canalizou milhões de dólares do Vaticano para o grupo revolucionário polonês “Solidariedade”
Quando o banco privado de Calvi teve problemas, ele pediu ajuda ao Vaticano, fazendo vagas ameaças de expor a origem do apoio da Solidariedade. Ele viveu por mais doze dias antes de sua morte repentina – e do desaparecimento de sua pasta, que o Vaticano, aparentemente comprou, mais tarde, por alguns milhões de dólares.
Alguns dizem que a P2 foi, e provavelmente ainda é, controlada pela Máfia. Outros, que a KGB, a CIA são responsáveis.
A P2 operava por intermédio do Grão-Mestre Licio Gelli, con¬vencendo os membros em potencial, de que ele tinha grande influencia, e eles acreditavam que Gelli poderia pavimentar o caminho para seu próprio sucesso pessoal. Este sistema se auto-perpetuava, e o poder de Gelli aumentava exponencialmente. Ele procurava extrair segredos oficiais de seus membros, segredos que poderia usar para aumentar seu poder e enganar outros.
Em 1981, quando a polícia invadiu propriedades de Gelli, foram descobertas as listas de membros que foram publicadas na imprensa italiana. Um dos membros estava listado como Giulio Andreotti, o político cristão democrata que foi seis vezes primeiro-ministro da Itália. Em 1995, ele foi acusado de vender favores políticos para a Máfia e de cumplicidade no assassinato de um jornalista em 1979. Em 1999, ele foi absolvido de ambas as acusações. Esta decisão foi sustentada na corte de apelação em 2003.
A Loja foi suspensa na metade de 1970. Posteriormente, soube-se que vários de seus membros, agora maçons suspensos, eram do alto escalão da política italiana. Muitos deles estavam envolvidos em fraudes bancárias, e outras repugnantes coisas.
A situação Maçônica na Itália em 1994 era tão confusa quanto foi a décadas atrás. Em setembro de 1993, a Grande Loja Unida da Inglaterra, retirou seu reconhecimento do Grande Oriente da Itália.
Ao longo dos anos, vários Supremos Conselhos do Rito Escocês ajudaram a manter ótima reputação da Maçonaria Italiana, que estava em dilema. Qual dos grupos deveria ser reconhecido? Uma questão difícil de responder.
Toda Grande Loja no mundo reconhece entidades que outras consideram irregulares. Isso será provavelmente sempre um fato na vida. Mas nessa época de comunicação instantânea, via telefone, televisão, computadores e meios ainda não vistos, as pessoas do mundo vivem próximas umas das outras, supõe-se que, um dia, o fato do reconhecimento de uma potencia maçônica por outras já estabelecidas e reconhecidas, se torne mais fácil e coerente e tudo tenderá a se normalizar.


quarta-feira, outubro 08, 2014



O PERFIL DO CANDIDATO À MAÇONARIA



Meus Irmãos:

Acreditamos que o tema proposto é um dos assuntos mais delicados e polêmicos que existe na Maçonaria. Trata-se da porta de entrada da Fraternidade:
- Que tipo de pessoas vamos trazer ou aceitar ao nosso convívio?
- Que expectativas geramos sobre essas pessoas e até onde o comportamento delas na vida profana poderá intervir positiva ou negativamente dentro da Fraternidade Maçônica?
- Podemos cobrar expectativas baseadas no nosso perfil comportamental sem nenhuma combinação prévia? E, nesse caso, será que nós atendemos as expectativas da Fraternidade?
- Qual o perfil ideal? Ele sempre foi o mesmo e permanece imutável?
São perguntas que certamente não temos uma resposta definitiva, mas tentaremos, com a ajuda dos Irmãos buscarmos alternativas mais adequadas.
Primeiramente devemos levar em conta que, mesmo sendo a Maçonaria uma Fraternidade conservadora, alicerçada em usos e costumes, se faz necessário que ela acompanhe a evolução da Humanidade e procure também modernizar seus conceitos, não só quanto a suas ações, mas também quanto ao perfil daqueles que a compõem.
Entendemos que a maior mudança pela qual passou o perfil do candidato à Maçonaria data do ano de 1717, quando (oficialmente) passou de Operativa para Especulativa.
A Maçonaria Operativa, cujo nome vem do latim “opera”, que significa trabalho, era uma corporação de pedreiros que percorriam diversos países imbuídos na construção de grandes edificações, geralmente a serviço de monarcas ou autoridades eclesiásticas. O perfil para ingressar nessa corporação era o de ser conhecedor da arte de construir. Por esse motivo também era conhecida como Maçonaria Profissional. Com o início da reforma de Lutero em 1517, a Igreja Católica se divide e enfraquece, perdendo seu poderio econômico, seguindo-se das guerras religiosas que inibem sobremaneira a prática de erguer grandes construções para homenagear o Criador. Esta nova situação que atingiu as corporações de pedreiros livres, fez com que os Irmãos da Maçonaria Operativa se reunissem para avaliar o rigorismo do perfil daqueles que quisessem entrar na Fraternidade Maçônica.
Surge então a Maçonaria Especulativa, cuja raiz deste termo “spec” significa mirar, espelho. Daí tem-se que a Maçonaria Operativa, com perfil de quem operava, fazia obras materiais, enquanto que o novo perfil na Maçonaria Especulativa, mirava, contemplava, pensava, erguia obras espirituais.
Outra grande mudança de perfil refere-se ao cidadão fisicamente incapacitado. Até pouco tempo, o 18º Landmark de Mackey era rigorosamente cumprido, barrando o acesso à Fraternidade de qualquer candidato que possuísse defeito físico. Hoje, sabe-se que a busca da perfeição moral é para nós,  muito mais importante que a perfeição física.
Atualmente, acreditamos que as Lojas devam estar preparadas para buscar na sociedade elementos que preencham requisitos dentro de valores, levando em conta princípios como moral e ética, considerando as mudanças econômicas e sociais. A tecnologia e o fácil acesso às informações permitem que o cidadão possa se qualificar, requisito que vemos como indispensável para quem quer pertencer a uma Fraternidade atuante.
Dito isto, pergunta-se:
- Existe uma fórmula para traçar o perfil ideal do candidato?
Que ele seja livre e de bons costumes.
- Mas que costumes?
- Será que o que é bom para ele, será também para nós, ou vice-versa?
Acreditamos que, poucos contatos, quer em sindicância ou quer em eventual encontro, são insuficientes para avaliar o perfil de um candidato. Existem pessoas que sabem se vender muito bem, quando, na realidade, não são tudo aquilo que ostentam. Em nossa atividade profana, podemos constatar inúmeras vezes esse acontecimento, porém, na Maçonaria não existe o estágio comprobatório. Uma vez Iniciado, o Neófito ingressa na Fraternidade e acerca-se dos seus mistérios e ritualística.
No nosso entendimento a mais fidedigna informação sobre o candidato deve partir do relato do seu proponente. Este irmão “nunca deverá propor a Loja uma pessoa de cuja probidade não tenha certeza absoluta”. Ele será seu Garante, padrinho e fiador, sendo que, uma vez aceito o candidato, o padrinho deverá monitorar toda sua caminhada maçônica até tornar-se Mestre Maçom. Seu compromisso com a Loja é tão grande que em alguns Ritos – citamos o Schröder – na Iniciação, ainda com o candidato no lado de fora do Templo, o Venerável Mestre pergunta: “Quem se responsabiliza por ele?” e a resposta deve ser confirmada pelo Garante (padrinho) dentro do Templo, só aí é dado ingresso ao candidato. Em algumas Lojas na Alemanha antiga se alguém indicasse um candidato que não correspondesse às expectativas da Loja, esse irmão sofria severas sanções.
Sem dúvida o apresentador é quem mais conhece a respeito do candidato. Ele deve estar ciente que a Maçonaria não foi criada apenas para amigos se encontrarem. Deve saber que o indicado tem que possuir afinidade com a Fraternidade Maçônica, possuir capacidade de colaborar com a Fraternidade, integrar-se e submeter-se a um conjunto de normas que se obrigará a respeitar.
O proponente conhece a Fraternidade, conhece sua Loja e conhece seu candidato, deve avaliar se a sua Loja é a mais adequada para seu apresentado. Não deve deixar que parcerias profanas, por mais agradáveis que sejam, o deixem influenciar em sua decisão.
Discordamos de algumas opiniões que sustentam o fato de que algumas Lojas já possuem excesso de Irmãos de determinadas profissões e que isso venha a atrapalhar. É perfeitamente normal que as pessoas procurem seus pares para seu convívio. O que deve ficar bem claro é que o convite é para ingressar na Maçonaria e não num clube social. O proponente, em seu convívio com o candidato - que não deve ser recente - deve avaliar o grau de compromisso dessa pessoa e se o mesmo tem capacidade moral, econômica e intelectual para frequentar nossa Fraternidade.
Em contrapartida, nossas Lojas têm a obrigação de preparar nossos Mestres para que os mesmos possam avaliar o perfil dos candidatos que eles venham a convidar. Somente com maturidade maçônica pode-se saber se um elemento se identifica com a Fraternidade ou não. Passa por essa maturidade também o fato de, em não aceito seu indicado por justificados motivos, nenhuma mágoa deve permanecer com relação aos irmãos do quadro. Nesse particular, embora aceita pela Fraternidade Maçônica, discordamos que um Aprendiz possa indicar um candidato através de um Irmão Mestre. Cremos que o Aprendiz ou Companheiro ainda não possui a maturidade que falamos anteriormente.
O exemplo deve partir de cima. Devemos abolir definitivamente a caçada a candidatos ou competições de padrinhos, quer seja para criar status, quer para reforçar o caixa da Loja.
Quanto à sindicância, deve sim ser feita, mas nunca com o objetivo
de confrontar informações já trazidas pelo Irmão que indicou o candidato. Ressalta-se a importância da conversa com a esposa do candidato para saber de sua concordância e se está ciente que, se aceito, seu esposo terá que se ausentar quando tiver trabalhos maçônicos.
Muito se tem questionado se o candidato deve saber que será investigado e quais as informações que deve receber sobre Maçonaria.
Mais uma vez louvamos o sistema adotado pelo Rito Schröder que possui nos seus Usos e Costumes originais uma sessão Branca Especial a campo, chamada de Noite dos Convidados.
No mínimo uma vez por ano em um local predeterminado, geralmente na antessala Templo (Sala dos Passos Perdidos) ou no salão de ágapes, são recebidos prováveis candidatos convidados por Irmãos do quadro ou de outras Lojas. Após uma invocação ao G.A.D.U., o Venerável se apresenta como presidente da Loja e saúda os visitantes. Passa então a palavra aos presentes que farão uma breve apresentação. Com o início dos trabalhos, é lido um texto previamente elaborado sobre O Que é a Maçonaria, em seguida os convidados são estimulados a fazer perguntas. O Venerável Mestre coordena quem dará a resposta a cada pergunta. Também é esclarecido aos visitantes sobre a parte administrativa da Loja, sindicâncias e outras informações que se fizerem necessárias.
Após, os visitantes são convidados para o ágape, onde os Irmãos
mais experientes procuram acercar-se dos mesmos sempre com o intuito de colher mais informações.
Este costume, original do Rito, consta no Ritual do Rito Schröder homologado pela M.R.G.L.M.E.R.G.S., sendo aplicado por Lojas Schröder da Jurisdição.
Finalizamos afirmando que é fundamental sabermos quem estamos trazendo para a Fraternidade. Tenham em mente, meus Irmãos, que aqueles que hoje são aceitos para “Ver a Luz”, serão nossos Irmãos não só para conviver conosco, mas também poderão vir a ser os dirigentes da nossa Fraternidade no futuro.
Com Um Fraterno Aperto de Mão.
Ir. Álvaro Germani, ex-V. M. da C.B.A.R.L.S.”Concordia et Humanitas”, Nr. 56 – Rito Schröder Colégio de Estudos do Rito Schröder

 BIBLIOGRAFIA:

- Uma Visão Introdutória da Maçonaria Operativa e da Maçonaria Especulativa, Iniciática, Moderna ou Simbólica. – Ir. Augusto Nibaldo da Silva Triviños – M.M.
- A Iniciação – Ir. Guido Bakos – P.M.
- Fisicamente Incapacitado – Ir. Kurt Max Hauser – P.G.M.
- Pedra Bruta Sim, Porém Escolhida – Ir. Hans Adolf Ruy Sailer – P.M.
- O Que é Noite de Convidados do Rito Schröder – Ir. Rui Jung Neto – P.M.
- A Importância do Padrinho no Rito Schröder – Ir. Rui Jung Neto – P.M.
- O Que é a Maçonaria – Tradução e Adaptação Ir. Kurt Max Hauser – P.G.M.
- Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Schröder – G.L.M.E.R.G.S
- Depoimentos pessoais – Ir. Kurt Max Hauser – P.G.M.

- Mensagens de Irmãos Grupos Mestre/Maestro e Schröder