domingo, novembro 30, 2014

 O Verdadeiro Maçom 


1. Sobe a Escada de Jacó pelas Iniciações da Vida sem ferir os Irmãos neste percurso;

2. Realiza o sonho de desbastar pelo pensamento e pelas ações as arestas dos vícios e da insensatez;

3. Socorre o Irmão nas dificuldades, chora com ele as suas angústias e sabe comemorar a seu lado as suas vitórias;

4. Reconhece nas viúvas e nos órfãos a continuidade do Irmão que partiu para o Oriente Eterno;

5. Vê na filha do Irmão a sua filha e na esposa do Irmão, uma Irmã, Mãe ou Filha;

6. Combate o fanatismo e a superstição sem o açoite da guerra mas com a insistência da palavra sã;

7. É modelo da eterna e universal justiça para que todos possam concorrer para a felicidade comum;

8. Sabe conservar o bom senso e a calma quando outros o acusam e o caluniam;

9. É capaz de apostar na sua coragem para servir aqueles que o ladeiam, mesmo que lhe falte o próprio sustento;

10. Sabe falar ao povo com dignidade ou de estar com reis e presidentes em palácios suntuosos e conservar-se o mesmo;

11. Sendo religioso e político respeita o direito da religião do outro e da política oposta à sua;

12. Permite e facilita o desenvolvimento pleno das concorrências para que todos tenham as mesmas oportunidades;

13 Sabe mostrar ao mundo que nossa Ordem não é uma Sociedade de Auxílios Mútuos;

14. Dominado pelo princípio maior da TOLERÂNCIA suporta as rivalidades sem participar de guerras;

15. Abre-se para si e permite que outros, vendo-o, sigam-no no Caminho do Conhecimento e da Iniciação;

16. Conforma-se com suas posses sem depositar inveja nos mais abastados;

17. Absorve o sacerdócio do Iniciado pela fé no Criador, pela esperança no melhoramento do homem e pela caridade que abrir-se-á em cada coração;

18. Sente a realidade da vida nos Sagrados Símbolos da Instituição;

19. Exalta tudo o que une e repudia tudo o que divide;

20. É Obreiro de paz e união, trabalhando com afinco para manter o equilíbrio exato entre a razão e o coração;

21 Promove o bem e exercita a beneficência, sem proclamar-se doador;

22. Luta pela FRATERNIDADE, pratica a TOLERÂNCIA e cultiva-se integrado numa só família, cujos membros estejam envoltos pelo AMOR;

23. Procura inteirar-se da verdade antes de arremeter-se com ferocidade contra aqueles que julga opositores;

24. Esquiva-se das falsidades inverossímeis, das mentiras grosseiras e das bajulações humanas;

25. Propõe-se sempre a ajudar, amar, proteger, defender e ensinar a todos os Irmãos que necessitem, sem procurar inteirar-se do seu Rito, da sua Obediência, da sua Religião ou do seu Partido Político;

26. É bom, leal, generoso e feliz, ama a Deus sem temor ao castigo ou por interesse á recompensa;

27 Mantem-se humilde no instante da doação e grandioso quando necessitar receber;

28. Aprimora-se moralmente e aperfeiçoa o seu espírito para poder unir-se aos seus semelhantes com laços fraternais;

29. Sabe ser aluno de uma Escola de Virtudes, de Amor, de Lealdade, de Justiça, de Liberdade e de Tolerância;

30. Busca a Verdade onde ela se encontre e por mais dura que possa parecer;

31 Permanece livre respeitando os limites que separam a liberdade do outro;

32. Sabe usar a Lei na mão esquerda, a Espada na mão direita e o Perdão à frente de ambas;

33. Procura amar o próximo, mesmo que ele esteja distante, como se fosse a si mesmo.

terça-feira, novembro 25, 2014

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O PAPEL DO MESTRE DE CERIMÔNIAS
 
 
 
            Nascido em tempos remotos, a figura do Mestre de Cerimônias se confunde com a história do cerimonial.
            Rituais, cerimônias faziam parte da rotina do homem primitivo.  Temor ao desconhecido, necessidade de acreditar em algo, solidão, disputa pelo poder, tudo se transformava em cerimônias de adoração, de oferta. Nobres à frente, súditos atrás, assessores ao lado, o anunciador dessas solenidades estava sempre em destaque. Era o início da figura do Mestre de Cerimônias.        Encontramos sua presença entre os gregos, três mil anos a.C., anunciando as fases das reuniões que aconteciam nos anfiteatros.
            Mil anos a.C., a China e o Japão utilizavam o Mestre de Cerimônias, para a narração dos torneios de arco e flecha. Já nessa época, ele utilizava a força e ritmo da voz para destacar as equipes mais importantes, calcado num conceito de poder e nobreza.
            Na Roma antiga, ele surge na figura do chefe dos trombeteiros que, sobre seu cavalo, após o toque das trombetas, anunciava a passagem do Imperador ou as medidas reais como aumento de taxas, maior submissão, proibições e sanções.
            Em nossa era, ele aparece na figura do arauto. vestido de acordo com os costumes da época, anunciava a entrada dos convidados em festas da nobreza batendo três vezes um bastão sobre um batente, produzindo um som alto e seco.
            Assim, foi se firmando a figura do Mestre de Cerimônias. Sempre em
posição de destaque, iniciando e conduzindo as fases de uma solenidade, hoje diríamos que é uma das pessoas mais importantes para a implantação de um evento, pois a partir de sua presença "as coisas começam a acontecer".
            Em hipótese nenhuma estamos desprezando os outros integrantes da organização de um evento - o coordenador do cerimonial, as recepcionistas, os operadores de  equipamentos específicos, tradutores, manobristas, pessoal de serviços gerais. Cada um tem sua função específica na organização do evento.
            Por isso, o Mestre de Cerimônias não deve ser confundido com o Chefe do Cerimonial .     E isso é o que vemos  sempre,  resultando  num acúmulo de f u n ç õ e s   p a r a   e s t e   ú l t imo e comprometendo o sucesso do empreendimento.
            O Chefe do Cerimonial ou Coordenador de Eventos é responsável pelo planejamento, coordenação e organização do evento, em todas as suas fases, além do protocolo de implantação com as precedências e tratamentos de acordo com a legislação específica, planejando o roteiro da solenidade.
            Neste momento, entra o Mestre de Cerimônias que, a partir desse roteiro, produzirá o script final, anunciando as fases do evento.
            É impossível para o Chefe do Cerimonial ser o Mestre de Cerimônias, pois o primeiro tem tantos detalhes para verificar que necessitaria, volta e meia, sair da tribuna para resolver os percalços que acontecem durante um evento. Esse corre-corre  resultaria em uma ansiedade natural, comprometendo a fase mais bela do evento: a sua implantação.
            Quem deve ser o Mestre de Cerimônias?    Quais características precisa ter?.    Precisa de conhecimento, treinamento e aperfeiçoamento de sua função; necessita saber o que faz, como sair de imprevistos, como se dirigir e conquistar a platéia, sem aparecer. Sim, sem aparecer, porque mesmo conduzindo o acontecimento, existem os anfitriões, os convidados especiais, os
conferencistas e a platéia. São esses os donos do evento.
            Vaidade, prepotência e arrogância não fazem parte da função do Mestre de Cerimônias. Também humildade excessiva, timidez,  medo  do público e pâ-
nico não combinam com ele.
            Diz o estudo da oratória que para o bom orador "não adianta apenas falar com elegância, é preciso persuadir e convencer".      E conta ainda que, "a
diferença entre os dois maiores oradores que o mundo conheceu, Demóstenes e Cícero (Roma, ano 106 a.C.); quando Cícero discursava o povo exclamava: 'Que maravilha', e quando Demóstenes falava, o povo seguia em marcha. É isso que o bom Mestre de Cerimônias precisa ter: determinação e entusiasmo, que convençam a platéia que está apresentando aquilo que corresponde às suas expectativas, complementados por clareza e objetividade, utilizando acima de tudo, aquilo que temos de mais forte: o dom da palavra.

Publicado no Jornal Do Aprendiz,   edição de novembro / 2014

segunda-feira, novembro 17, 2014

Posted: 17 Nov 2014 04:05 AM PST
(imagem proveniente de Google Images)
 
Falarmos de Alma Humana é abordarmos algo quase que inefável e insensorial, o que pode parecer à primeira vista como algo de paradoxal.
Digo inefável, porque como pouco a conhecemos, quase não a conseguimos “pronunciar” na sua especificidade ou a definir em profundidade. E também afirmo que a alma pode ser considerada como algo insensorial, porque é algo que não é mensurável e assumo que não conheço alguém que tenha afirmado que a tenha sentido, num sentido sensorial e não num sentido metafísico.
Creio que a alma humana é a nossa essência, logo à partida algo que será imutável. Mas na realidade a mudança pode existir. Tanto devido a fatores externos como a fatores internos.
A nossa educação, a nossa formação acadêmica e profissional, e principalmente, a nossa formação de cariz “social” (a forma como nos relacionamos com os outros), será quiçá o mais importante agente de mudança.
É através da nossa experiência de vida, das nossas vivências, que somos o que “somos”. E ao sermos “algo”, isso é o reflexo do nosso estado de alma. E como esse estado está em permanente mudança (fruto também das nossas alterações de humor), também Nós mudamos. É essa alteração/evolução que importa à reflexão. 
Victor Hugo (26/02/1802-22/05/1885), maçom, escritor e pensador francês, ao afirmar que “existe algo maior que o céu: a alma humana” disse a verdade. Não existe mesmo nada maior que ela.
Nós próprios somos maiores que tudo! E somos mesmo! Somos “maiores” que as nossas criações, as nossas suposições e que as nossas opiniões.
As nossas crenças, as nossas atitudes dependem somente de nósIndependentemente do meio que nos rodeia, que também nos poderá ajudar a modelar o nosso carácter; apenas a nossa vontade, os nossos pensamentos e ideias é que serão os nossos decisores comportamentais – aquilo que pensamos é realmente o que nos define!-  e numa análise mais estrita, as nossas crenças e correspondentes atitudes serão os nossos juízes morais. E mesmo que consideremos que dominemos a razão, se ela não se enquadrar no que é definido pelo bom-senso e pelo que é o senso comum do local onde nos encontremos – pois é possível a variação do que é assumido como a lei comum mediante o lugar onde nos encontremos…- nada disso nos valhará. Mas mesmo assim, se considerarmos que deteremos a razão sobre algo, se nos quisermos manter íntegros nessa tomada de posição (e se realmente a mesma seja a verdadeira e correta), teremos sempre de ser responsáveis e humildes por agirmos dessa forma independentemente das consequências que de aí poderão advir, sejam elas positivas ou em alguns casos mesmo, infelizmente, nefastas para quem age desta maneira.
Porém, também a mudança de opinião pode acontecer, seja para não por em perigo a nossa integridade física ou de outrem (nos casos em que tal pode suceder…), e nesses casos a mudança é apenas externa, mantendo-se a nossa opinião internamente, o que será refletido no nosso estado de alma(nessa altura poderemos ter alguns comportamentos que poderão ser considerados como hipócritas e/ou cínicos, resultantes das atitudes que tomemos); ou a alteração da nossa opinião também poder suceder por de facto constatarmos que realmente nos encontramos errados nas nossas assumpções e/ou de que não era de todo a mais correta a nossa opinião. E assumir a mudança nestes casos, é assumir uma verticalidade de carácter que nos permitirá nivelar pelos demais.
E neste caso, considero que a nossa alma quase se poderia mutar, uma vez que a nossa opinião e forma de ver algo evoluiu. O que poderá parecer irreal, mas se o pensamento mudou e em consonância com ele passarmos a agir de outra forma, porque não considerar que existiu também uma mudança na nossa alma, uma vez que houve uma alteração no nosso íntimo, do nosso ser?
Aliás, acredito que quem não for capaz de mudar também não me parece que tenha uma grande capacidade para aprender. Só os ignorantes não são capazes de mudar…
 Será que a alma permanecerá inabalável na sua “estrutura” e não ser passível de mudança, e o restante ser possível de ser alterado? 
Pois, creio que tal assim pode acontecer. A nossa alma é a nossa essência.
Logo, mesmo que aconteçam várias transformações, e mesmo sabendo que a própria matéria de que somos feitos se pode transformar(o nosso corpo sofre mutações, evoluções ao longo da nossa vida) sem que a alma sofra alterações com essas mudanças, acredito que a mesma registará algumas “marcas” que serão originadas pela  alteração da nossa consciência, fruto da sucessão de  determinados acontecimentos que podem alterar a nossa forma de pensar e de estar, ao longo do nosso crescimento e tempo de vida. Por isso tão facilmente se fala em “estados de alma”.  Acredito que esses estados apesar de passageiros em alguns casos, fiquem registados no nosso ADN e que assim dessa forma, fiquem “registados” na nossa alma e que esses mesmos estados, determinem o nosso comportamento. Até o conceito de Alma, é o de algo que nos anima, de algo que nos define, de algo que nos gere… Conceito que subscrevo na íntegra.
Ou seja, acredito que por muito que tudo mude - porque para mim tudo é possível de mudar, de ser alterado, de evoluir, de ser passível de alcançar novos horizontes ou adquirir novos objetivos - a alma permanecerá com a sua “integridade” inalterada. Pois é a nossa alma que nos caracteriza como somos e que nos difere dos restantes seres humanos. É a alma que nos cria a nossa identidade pessoal e confere aquilo que se pode designar por humanismo. Sem ela seríamos apenas mais uns, na grande cadeia animal…
Todavia e abordando também um pouco sobre a forma de como a nossa Alma interage no mundo através do nossa matéria/corpo e ideário/pensamento/mente, deparamos que quase tudo o que existe, depende ou se centra exclusivamente no Homem e/ou na sua dependência. A tecnologia foi criada pelo Homem para o servir, as estradas existem para que a humanidade possa estar ligada entre si, as habitações existem para que nos possamos abrigar, as comunicações existem para que seja possível estarmos todos conetados, etc etc… Ou seja, tudo advém do Homem, para o HomemDa sua matéria, da sua mente para o seu espírito, para a sua Alma 
E após esta abordagem que fiz acima, poderá existir ou se confirmar algum interesse da Maçonaria pela “alma” dos seus obreiros?
Naturalmente que sim! Não num sentido religioso, mas antes, num sentido metafísico.
A Maçonaria requer a mudança aos seus membros. A sua mudança pessoal, a sua evolução de consciência (do pensamento), a sua progressão enquanto pessoa. De aí advir a vontade de aprimoramento/aperfeiçoamento moral e espiritual dos maçons.
Tanto que é usual se afirmar “que à Maçonaria não interessa gente perfeita. Antes sim, gente que se quer aperfeiçoar”.  Logo, gente que deseja evoluir e mudar de estado de alma. Mudar algo que à partida se poderia levar a supor como sendo imutável.
 Interessa à Maçonaria ter nos seus quadros, gente que assumiu os seus defeitos e que os deseja “anular”, e que acima de tudo, queira potenciar as suas qualidades, para si e em prol dos outros que o rodeiam. Por isso, a Maçonaria lhes pede, ou mais claramente exige, que sejam honestos, íntegros e de carácter pobro. E nesse caso, será através da sua alma, que lhes poderá ser proporcionado tal comportamento; gerindo esta assim, os  seus pensamentos, as suas atitudes e a sua conduta no mundo profano. Desta forma, a alma humana tem um interesse particular para a Maçonaria, não por aquilo que ela será para os seus membros, mas por aquilo que ela poderá representar para esta Augusta Ordem, como sendo modeladora de carácteres.
Poderemos então constatar que existe algo maior que a alma humana?!
Quanto a mim, não! Já o mano Victor Hugo tinha a mesma opinião…

quinta-feira, novembro 13, 2014

O juiz, a carteirada e o camarote

Matheus Pichonelli – 15 horas atrás
 
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Há um aspecto simbólico (aliás muitos) na condenação de uma agente de trânsito pela ousadia de parar um juiz numa blitz no Rio de Janeiro*. O magistrado, como se sabe, infringia a lei ao dirigir uma Land Rover sem placa e sem documentação. A funcionária que o autuou foi condenada por lembrar o óbvio ao doutor: juiz não é Deus. Em outras palavras, a lei vale para todos.
A primeira lição do episódio é que, por essas bandas, o óbvio nunca é assim tão óbvio. Tanto não é óbvio que ofende, gera processo, pune. Ao menos Josef K., personagem de Franz Kafka em O Processo, desconhecia os motivos de sua perseguição. No caso da profissional, as razões vinham em cores gritantes: no Brasil há cidadãos de primeira e de segunda categoria, e só estes últimos estão, ou deveriam estar, sujeitos à lei. A sentença, se não conferia ao magistrado uma entidade divina, ao menos o garantia na primeira classe.
A condenação não poderia ser mais revoltante – e, no entanto, não poderia fazer mais sentido. Num país onde parte dos magistrados aposentados segue desfrutando de apartamentos funcionais, mantém sociedade em institutos de ensino, aceita patrocínios privados para eventos de classe, solta banqueiro corrupto e condena o policial que o investigou, o juiz da carteirada apenas agiu no conforto de quem sabe onde pisa. A carteirada, de toda forma, diz muito sobre as fragilidade e contradições de um dos pilares dos Três Poderes, embora, com a repercussão do caso, tenha sido alvo de críticas dos colegas e do próprio Conselho Nacional de Justiça.
Fato é que a negação de um servidor público em agir, na vida pública e privada, como um servidor revela, em si, o desprezo pela ordem semântica da própria função. Reitero: desprezo não é ignorância. Esse desprezo coloca em xeque o próprio funcionamento da Justiça em caixa alta: ela nem sempre está a serviço da justiça em caixa baixa.
A repercussão da carteirada nas redes sociais deixou claro, no entanto, que essa construção da barreira simbólica entre cidadãos de primeira e segunda categorias já não é aceita como antes. A mudança das relações de poder, mais horizontais que verticais, tende a incutir o elemento da petulância, no ótimo sentido, a esse tipo de abordagem. Sai o “sim senhor” dos subordinados e entra o “quem você pensa que é?” dos indivíduos conectados e cientes dos próprios direitos. Essa é a boa notícia.
A má é que essa transição só será completa quando compreendermos uma aparente contradição: o mundo que caminha para estabelecer relações horizontais entre professores e alunos, líderes religiosos e fieis, pais e filhos, representantes e representados é o mesmo que estimula a obsessão pelo camarote. Explico. Há alguns anos, conforme contei numa crônica antiga (clique AQUI), assisti incrédulo à cerimônia de colação de grau de uns formandos em odontologia em uma tradicional universidade pública. Lá o discurso de professores e coordenadores era uníssono: “comemorem, nobres formandos, vocês são uma casta privilegiada: poucos conseguem entrar em nossa faculdade, e pouquíssimos conseguem sair dela formados. Vocês representam 0,00000001% da população que tiveram esse privilégio”.
Num país onde ter dente ou não é razão suficiente para colocar indivíduos em primeiras, segundas e terceiras categorias, nada poderia soar tão anacrônico, mas aquele discurso não saiu do nada: o discurso do vencedor, por aqui, sempre esteve associado ao privilégio, e quase nunca às missões inglórias – entre as quais a possibilidade de usar o canudo para minimizar os efeitos de um país devastado em sua origem, das capitanias hereditárias à escravidão, passando pelos açoites, regulamentados ou não, das relações humanas. Essa perversidade nos legou um país de banguelas e aquela formatura era a graça da desgraça do banguela de que fala a música de Zeca Baleiro.
A mesma lógica (“não sou qualquer um”) levou, recentemente, uma professora universitária a fazer galhofa, em público, sobre um passageiro mal vestido no aeroporto. E levou uma jovem jornalista a se queixar, também em público, da segurança da balada por obrigá-la a pegar fila mesmo após ser avisada de que era jornalista, e não uma simples mortal. A carteirada, portanto, é quase um patrimônio. É mais grave, obviamente, quando oferecida por um servidor público, mas a origem da serventia é uma base tentacular de um país onde privilégios são vistos como direitos, e direitos são vistos como favores, como definiu brilhantemente o jornalista Luiz Fernando Viana em uma coluna recente na Folha de S.Paulo.
As sucatas dessa transição podem ser encontradas na separação entre o elevador de serviço e o elevador “social”. Ou no uso de ascensoristas para levar o patrão direto ao andar desejado sem ser incomodado. Ou nos slogans de propagandas para atrair os clientes prime. No Brasil o status é calculado pelo tamanho da fila: uns simplesmente adquirem, por dinheiro ou mérito próprio, o direito de dispensá-la. Ainda que esta fila seja a própria lei.
*Na foto, uma blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro (Clarice Castro/ GERJ)

quarta-feira, novembro 12, 2014

 A MAÇONARIA NA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL
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A maçonaria brasileira nasceu com o Brasil, e esteve presente em todos os principais acontecimentos históricos e que culminaram no País que hoje vivemos. Diferente não poderia ser a sua participação na Proclamação da República.
"A partir de hoje, 15 de novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, pois pode-se considerar finda a Monarquia, passando a regime francamente democrático com todas as consequências da Liberdade – Assim iniciava o editorial da  Gazeta da Tarde,  da edição de 15 de novembro de 1889.
implantação de um Estado Republicano foi, sem dúvida, o fato histórico mais importante de nosso País e teve como líderes e idealizadores deste movimento, Maçons ilustres que hoje estão nos nossos livros de História, tais como Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamin Constant, Ruy Barbosa, Campos Salles, Quintino Bocayuva, Prudente de Morais, Silva Jardim e outros mais.

A idéia republicana é antiga no Brasil; nós a vemos na Guerra dos Mascates (1710), na Inconfidência Mineira (1788), na Revolução Pernambucana (1817), na Confederação do Equador (1824), na Sabinada (1837) e na Revolução Farroupilha (1835-1845).

Portanto, o Brasil clamava pela República! Era uma questão de Tempo.

O Império Brasileiro estava desgastado e vagarosamente ruía-se. Iniciou a sua queda em 1870, após a Guerra do Paraguai, onde, mesmo o Brasil saindo vitorioso daquela campanha, o Exército, seu principal agente, não foi devidamente valorizado, causando sérios descontentamentos. A igreja, por sua vez queria a liberdade, pois, encontrava-se submetida ao padroado Imperial.

Mas o fato principal, que fez com que o Império perdesse a sua sustentação, foram as leis antiescravistas, defendidas fervorosamente nas Lojas Maçônicas Brasileiras. Leis como a do Ventre Livre (1871), dos Sexagenários (1885) e finalmente a Lei Áurea (1888).

Atentos a todos estes fatos, a Maçonaria, através de várias Lojas como a Vigilância e Fé, de São Borja – RS, Loja Independência e Regeneração III, ambas de Campinas - SP, aprovaram um manifesto contrário ao advento do Terceiro Reinado e enviaram a todas as Lojas Maçônicas do Brasil, para que tomassem conhecimento e que apoiassem esta causa. Mais uma vez a Maçonaria estava à frente para liderar um Movimento Democrático.

Em 10 de novembro de 1889, em uma reunião na casa do Irmão Maçom Benjamin Constant, onde compareceram os Irmãos Maçons Francisco Glicério e Campos Salles, que decidiram pela queda do Império. Benjamin Constant foi incumbido de persuadir o Marechal Deodoro da Fonseca, já que este era muito afeiçoado ao Imperador. Por fim, Deodoro assumiu o comando do movimento e Proclamou a 15 de Novembro de 1889, a República no Brasil.

Faz-se necessário aqui uma justiça ao Imperador D. Pedro II, um homem culto, ponderado, que contrariando a opinião pública, não lutou pelo trono, pois não queria ver derramado o sangue de brasileiros, demonstrando um alto sentimento altruísta,  reconhecendo que para o Brasil este seria o seu novo e melhor destino.



quarta-feira, novembro 05, 2014


(imagem proveniente de Google Images)

Na minha opinião (tendo ela a relevância que lhe quiseram atribuir), Antoine de Saint-Exupery(29/06/1900 – 31/07/1944) disse uma verdade suprema. Não a classificando como paragdigmática ou um dogma até, a sua frase Sei que só  uma liberdadea do pensamento”  envolve tudo aquilo que  é para mim a faculdade mais importante que o Ser Humano poderá ter,  a capacidade de pensar e refletir; bem como aborda também para mim, a forma de como nos devemos sentir na sociedade, sentirmo-nos livres, libertos de preconceitos e ideias que são repisadas por outros sem que nos preocupemos em aferir a sua veracidade e a sua causalidade, e assim manter a "mente aberta", limpa e disponível à aprendizagem que é inerente ao nosso processo de crescimento pessoal e às vivências próprias deste trilho em que caminhamos, a nossa Vida.
Há que discutir, há que debater, há que pensar... E só estando livres e nos sentindo livres, tal será exequível.
Tanto que a possibilidade de pensarmos por nós próprios e sermos nós mesmos é o que nos separa dos restantes seres vivos, pois temos a hípotese de refletir antes de agir e nada tem de acontecer apenas por instinto ou por impulsividade própria e isso torna-nos diretamente responsáveis pelas nossas ações.  E esta liberdade que nos é concedida pela Natureza ou pelo Grande Arquiteto do Universo - cada um assumirá o que melhor lhe convier - pode-nos levar a lugaresque de outra forma não os alcançaríamos.
Antoine de Saint-Exupery foi o autor do conto infantil “O Pequeno Príncipe”, estória essa que aborda a vida de um rapazinho noutro local fora do planeta Terra (o nosso mundo) e que contém algumas lições de vida  encapotadas no seu enredo.
Se não fosse a sua liberdade em pensar e em escrever, para além de não nos ser possível conhecer esta obra literária, o autor nunca nos levaria a “viajar” para fora do nosso mundo como o fez e da forma que o fez.
O acto de pensar, liberta!Torna-nos livres, pois também nos possibilita criar “novos mundos” ou alcançar mundos que não visitaríamos ou conheceríamos. E esta viagem através dos nossos pensamentos, a criatividade que pode surgir por o fazermos pode originar também ela outras obras, sejam elas mundanas ou do “pensamento” que nos impelem para mais longe, que nos fazem progredir como seres humanos..
Esta liberdade de pensar possibilitou a criação de um género literário e cinematográfico designado de “Ficção Científica”, género este baseado em algo que por norma não é nosso contemporâneo e que se acredita que se concretize num futuro próximo, bem como de realidades, mundos e “dimensões” que não existem fatualmente, mas que mesmo assim podem existir e persistir na nossa mente. E este género/categoria tem imensos seguidores por este mundo fora; logo existe gente que também imagina e que gosta de viveralgo fora daquilo que é existente, libertandoa sua mente para outras coisas que não vislumbra no seu quotidiano e práticas habituais, mesmo que tal não seja necessáriamente normal e aceite pela generalidade das pessoas, dou como exemplos as séries que abordam o vampirismo, zombies, seres alienígenas, possessões demoníacas e outros afins....
De facto,  a frase Sei que só  uma liberdadea do pensamento” supera-se a ela mesmo, pois também ela me possibilitou a reflexão que fiz quando tive o meu primeiro contato com a mesma. E ela obrigou-me a pensar… E pensar pode-se tornar perigoso para quem o faz ou para alguém que não pense no mesmo que o status quodetermine que se pense… Mas essa reflexão fica para um texto futuro, por agora prefiro pensar na liberdade que tenho apenas por pensar, e com isso viajar através do mundo e do tempo.
Quem nunca viajounos seus pensamentos ou através deles?
Quem nunca andou por vales ou cidades onde nunca passeou e com a simples observação de algumas imagens de paisagens, os conseguiu “visitar”?!
Quem nunca alcançou algo nos seus sonhos e/ou devaneios?
Para bem da Humanidade, foi graças a alguns pensadores que através dos seus sonhos e da sua imaginação que provenieram as ideias que nos tornaram naquilo que hoje somos e vivemos. Por isso estou grato a esta liberdade que me foi imposta pelo Criador, a de pensar.
Houvessem outras “liberdades” que fossem assim tão fáceis de alcançar e este mundo seria tão menos complicado…
As questões que deixo para vossa reflexão são:

·         O que fazer com esta liberdade que nos é garantida?

·         Teremos a coragem necessária para pensar e não querermos ser “carneiros” como alguns o preferem ser, apenas por facilitismo?!

·         Desejaremos assumir as responsabilidades e as consequências que provêm do acto de pensar?
      ·   Será que temos a consciência plena das nossas ações e das suas repercurssões à nossa volta e mesmo assim preferir  agir impulsivamente ?
 

E outras tantas questões se me impunham fazer e que as poderia ter feito apenas pelo simples facto de me ser possível pensar e com isso ter a liberdade de as poder propor e debater...

Por isso acredito que pensar não é tão fácil como o aparenta ser e pode até mesmo ser um processo “doloroso” para quem o faz, mas se temos esta capacidade, este enorme poder, convinha para o bem de todos não o desperdiçarmos. Temos é de ter a sabedoria e a inteligência suficiente para a usar, porque de que outra forma haveria de ser concedida pelo Criador /Natureza esta potencialidade a uma espécie se ela não fosse merecedora de tal?!