quinta-feira, setembro 24, 2015

LIÇÕES DOS BANQUETES E DOS SOLSTÍCIOS!
Leandro Siqueira – Agosto 2015
Loja Plácido de Castro – Santa Cruz do Sul

INTRODUÇÃO
O Banquete Ritualístico é mais um dos preciosos conjuntos de ensinamentos da Maçonaria e reúne, desde as tradições antigas, conhecimentos concretos para a vida humana, em qualquer tempo. A cerimônia preferencialmente chamada de “Loja de Mesa” ou “Trabalhos de Mesa” faz parte da tradição maçônica e indica uma celebração ritualística específica para as duas festas solsticiais: em 24 de junho e 24 de dezembro. As alegorias deste ritual se traduzem em ensinamentos peculiares para os maçons e sugerem avanços sobre uma reflexão sempre atual, desde as sociedades mais antigas: a noção de equilíbrio na relação do Homem com o Ambiente. O pensamento ecológico vigente, com sua proposta de sustentabilidade, guarda relação íntima com estes aspectos místico-religiosos do passado.
Aprofundar estudos sobre as Festas Solsticiais remete necessariamente à reflexão sobre a interação dos Homens com as forças naturais, sobretudo no que diz da relação entre duas grandezas: o Sol e a Terra. Tendo em vista a condição de dependência da Vida terrestre para com a Luz do Sol, a temática se oferece como alegoria para aspectos fundamentais do relacionamento do Homem com a Natureza, dos Homens entre si e do Homem consigo mesmo. Desta lição surgem parâmetros para compreender os fundamentos do Ser: no embate interno entre coragem e medo ou no anseio pela retidão; na vida em comunidade, no espírito de fraternidade ou no sentido da celebração; remete ao pensar sobre a alma humana e sua capacidade de conexão com o cosmos; a crença nas forças astrais na relação com a terra; à produtividade da Semente e da renovação da vida; da força da natureza ao senso respeito para com ela; enfim, da ordem das coisas!
Em nossos dias, a desorganização do senso de comunidade, a violência desenfreada, as superpopulações, a injustiça, a pobreza e a ganância, ou mesmo o temor com a poluição das fontes naturais e da atmosfera são fatores que denotam desequilíbrio e geram insegurança. A falta de consciência ambiental desta sociedade abstrata e materialista teria se distanciado da compreensão do Equilíbrio Cósmico? Para os antigos chineses, o solstício de verão era um tempo em que a energia terrena Yin (feminina) nascia e começava a crescer, enquanto a energia Yang (masculina) começava a diminuir. O equilíbrio era tão considerado que todos tomavam cuidado para evitar qualquer ação que pudesse perturbar esse momento crucial. Por exemplo: ninguém viajava no solstício de verão.
DOS SOLSTÍCIOS E EQUINÓCIOS
Solstício (sól móvel – do latim) é o momento único de cada ano em que os raios solares caem verticalmente sobre os trópicos. O movimento do Sol guarda relação com a Luz, fonte de toda a vida na Terra, daí toda a tradição e adoração. O Solstício de Inverno coincide com o aparente curso do Sol quando ele atinge o ponto mais distante da terra, em seu curso ascendente até o horizonte. No Solstício de Verão acontece exatamente o contrário. O Sol, em seu curso descendente, chega ao ponto mais próximo da terra. Durante os meses precedentes, o Astro Rei se levanta sobre o horizonte numa distância, em arco, cada vez menor, por isso as horas de luz são diminuídas - o Sol nasce mais tarde e se põe mais cedo. Daí a ideia que o solstício marca o renascimento do Sol, que parecia morrer no horizonte, o que remete a um tempo de renascimento, de renovação da Luz.  
Na metade do período compreendido entre os solstícios, no final de março e de setembro, há dois dias nos quais os hemisférios Norte e Sul recebem a mesma quantidade de luz solar; o dia e a noite possuem a mesma duração.  Neste caso, a inclinação do eixo da Terra não está voltada para o Sol, mas forma um ângulo reto com a linha imaginária Terra-Sol. Estes dias são chamados de equinócios – ‘noite igual’. Por serem entremeios dos ciclos das estações, os povos antigos viam nos equinócios momentos de equilíbrio e também de intensa mudança. Para boa parte dos povos antigos, o equinócio da primavera (vernal) era tempo de nova vida, enquanto o equinócio de outono um festival comemorativo à colheita.
As Festas Solsticiais eram praticadas por gregos e romanos, em suas religiões, mistérios e orgias pagãs. As festas Eleusianas, as Saturnais, as Dionisíacas ou Bacanais, a ceia dos apóstolos e os ágapes dos cristãos primitivos são exemplos de celebrações, sempre de maio a junho e de dezembro a janeiro. Segundo Richard Heinberg os povos antigos sabiam que tudo precisava de um oposto ou complemento para ter significado e vitalidade. Os solstícios, como dobras das estações, sempre foram vistos como tempos nos quais os dois mundos se aproximavam, tempos de perigo e de oportunidades, de vigília e de abundância.
Este autor define a celebração como fator de equilíbrio a comunidade, reforçando a noção de harmonia e dando às pessoas a oportunidade de mostrar mais carinho, discutir assuntos coletivos e combinar festança e política. O Sol, a lua, as árvores, a colheita e os animais eram todos incluídos na celebração. Para Heinberg, mais que relíquias culturais, os festivais sazonais ainda são eventos alegres, divertidos e profundos, que comemoram a vida para nos conectar profundamente com a Terra, com o céu e com a fonte de abundância que temos dentro de nós mesmos.

De qualquer forma desde os selvagens da Idade da Pedra registros históricos evidenciam o culto religioso distribuído segundo a marcha do Sol e da Lua. Os mais toscos monumentos de pedras tinham a orientação de acordo com o sol nascente. Leon Zeldis, em edição da Trolha (1995) observa que o Oriente é a direção sagrada para todas as religiões - antigas e modernas – justamente por ser ali que surge o Sol, a Luz, o Calor e a Vida. Esta tradição se revela na religião, na cultura e mesmo na linguagem. A palavra “orientado” significa olhar para o Oriente. “Um Homem desorientado significa que perdeu seu rumo, seu oriente”, lembra o autor.
A Maçonaria também aproveitou essas duas festas para organizar seus banquetes solsticiais, o que se tornou uma tradição levada muito a sério na Europa. Por falta de documentos, autores contemporâneos negam suposta relação desta tradição com os Templários, já que naquele período os operários se alimentavam na própria obra. Mas ainda na Idade Média, a partir de 1.356 há registros de reuniões fechadas, com privilégios a uma elite ressurgente, os Aprendizes escolhidos, que passaram a ter um local especial para suas reuniões e refeições. Fazer parte dessa elite que surgia era tão importante que o convidado, depois de certo tempo, chegava a pagar um pequeno banquete aos novos companheiros. Com o passar dos anos e séculos, esse costume passou a ser quase que obrigatório entre as corporações de pedreiros.
Quando os Maçons Aceitos começaram a ingressar na Ordem, além de prestigiarem as reuniões e banquetes iniciáticos, eles criaram outro costume: o ingressante, além de pagar as despesas do banquete, ainda oferecia de presente ao seu padrinho e alguns membros, normalmente seu mestre da loja, um avental e um jogo de luvas. Com o predomínio dos Aceitos, eles deixaram os avarandados das construções e passaram a se reunir em locais especiais, como tavernas, estalagens ou cervejarias. Aí o costume evoluiu, adquirindo requintes e um cerimonial organizado, marcando as cerimônias de recepção de um novo membro com as saudações à saúde.
Este costume passou a tomar parte importante em todos os banquetes, resultando na Loja de Mesa, um Banquete Ritualístico adotado pelos ritos Emulação, Francês ou Moderno, Adonhiramita e Escocês. Nos países de língua latina, entretanto, a Loja de Mesa foi adotada somente para os solstícios de Inverno e Verão. José Castelani (1.989) aponta a forte tradição teísta da franco-maçonaria para associar a herança dos banquetes solsticiais como homenagem ao padroeiro São João, em suas duas representações: São João Batista, como precursor de Jesus e anunciador da Luz, em 24 de junho e, a São João Evangelista, em 27 de dezembro. Vale lembrar que é deste, o Evangelho do Espírito, que abre o Livro da Lei em Loja de Aprendiz no verdadeiro e original Rito Escocês Antigo e Aceito.


LINGUAGEM E SIGNIFICAÇÃO
Como vimos, diversas influências sociais e místicas colaboram para a consagração do antigo costume maçônico dos brindes à saúde e as formalidades do Banquete Ritualístico na forma como se pratica hoje. No século XVIII, França e Inglaterra, países de onde o Brasil importa grande parte de seus costumes, os trabalhos em lojas maçônicas, principalmente em sessões de Iniciação, completavam-se com celebrações de ágapes fraternais. No século XIX surgiram os primeiros rituais escritos e com eles as sessões de Loja de Mesa formalizadas com sete “Baterias de Saúde”. Por tradição, estes brindes são feitos com bebidas alcoólicas, com predomínio do vinho tinto. A tese mais aceita como origem se trata do ‘ritual das sete libações’, que consistia em derramar líquidos (vinho, óleo, leite ou mel) como oferendas aos deuses pagãos ligados aos sete planetas conhecidos na antiguidade. No Banquete, pode lembrar os atributos da água, que combate o comportamento egoísta, vaidoso e prepotente.
São permitidas variações culturais locais e alguns autores defendem a necessidade de haver iguarias, alocuções, brindes outros além de itens como música, flores e homenagens, para que o banquete seja de fato uma confraternização. Mas as características alegóricas são semelhantes em todos os lugares. A própria degustação se faz durante toda a duração da cerimônia, inclusive das bebidas. O Fogo Maçônico foi consagrado como uma prática ritualística, porém, não há certeza se o uso nas cerimônias surgiu na França ou na Inglaterra. Conforme o escritor Paulo Marinho de Almeida, a transcrição do comando, sua trilogia e os movimentos dos brindes para a ritualística atual vem de um ritual francês de 1.810. 
É certo que as Lojas Militares exercem forte influência na afirmação da cerimônia da Loja de Mesa. Vem daí a terminologia (Tiro de Canhão, Pólvora, Barrica, Espada...); o Sinal de Saudação feito com a espada, além da trilogia: Fogo, Bom Fogo e o Mais Vivo de Todos os Fogos! O Fogo, na celebração, afasta do mundo profano e representa o amor pelo semelhante. Aliás, o termo “ágape”, para muitos autores, vem do grego e significa amor. Paulo Marinho Almeida relaciona o termo com o Ser supremo e com o próximo, na benevolência, compaixão e beneficência. “Os maçons reunidos ao redor de uma mesa devem prezar pela Liberdade que congregam; pela Igualdade que os une e pela Fraternidade que prodigaliza”, diz ele.
A ritualística do banquete se caracteriza de duas partes dialogais distintas. Os diálogos de abertura e encerramento seguem o rito adotado pela loja e sua obediência e devem ser objetivos e simples, para preservar o motivo da solenidade, que é a celebração solsticial, pelo grande ágape fraternal. A outra parte é a que homenageia os Irmãos e a Irmandade pela alegoria do Fogo Maçônico e dos brindes à saúde, que exaltam a memória da Ordem. O que se consolida ao redor da mesa, neste ato, é o espírito de solidariedade e igualdade entre seus membros. A linguagem, a música e os brindes visam acrescentar beleza e harmonia ao ato de confraternizar.
Para Leon Zeldis, a Maçonaria atribui relevância e sustenta seu ritual em aspectos histórico-culturais para sugerir aos maçons um interesse mais refinado pela Astronomia e lições mais profundas de suas alegorias. Na Loja de Mesa, o maçom não adora o Sol como ser natural ou como Deus, nem glorifica o renascimento do Astro Rei; não celebra a reintegração de Osiris, nem o triunfo da Luz sobre a Treva. Na essência de Homem Construtor, o aspecto do solstício que faz alegoria ao maçom está na ordem e periodicidade dos movimentos estelares, já que exercem efeito sobre a vida no planeta; no ritmo do dia e da noite e no curso das estações.
“Esta regularidade, este ritmo, esta dança sagrada do Cosmos, como a chamam certas teologias, ensina que o Universo segue Leis Imutáveis, ritmos inesquecíveis, tempos e prazos fixos para toda a ‘Eternidade’. A tarefa do Homem esclarecido está em descobrir esses ritmos e ajustar os seus, adquirindo assim esta identificação com a natureza que é a única fonte da verdadeira Felicidade. Todos os mitos da criação insistem que o primeiro ato da Divindade Criadora foi introduzir a Ordem, ali onde imperava o caos. ‘Ordo ab Chao’ é uma das divisas do Rito Escocês. ‘Da Desordem à Ordem’. A Desordem é a Lei da demência; a Ordem caminho da Razão, da Justiça e da Concórdia”. (ZELDIS - 1995)
Neste pensamento, cabe ao Aprendiz, com o trabalho na Pedra Bruta, conhecer a própria personalidade e desbastar as asperezas, procurando ajustá-la a personalidade dos irmãos, pouco a pouco, de forma esclarecida e racional, para construir de forma ordenada o Templo da Virtude. Essa tarefa só pode ser cumprida aperfeiçoando os costumes, ordenando os pensamentos e as palavras, obrigando a razão a tomar controle dos atos. Os rituais e costumes orientam o maçom, com certa ordem, a atuar de forma reta, falar de forma reta e finalmente a pensar de forma reta. É esta regularidade e retidão que lembram a marcha inelutável do Sol. Celebramos o Solstício para recordar essa Regularidade.


CONCLUSÃO
Diversas influências sociais e místicas colaboram para a consagração do antigo costume maçônico, dos brindes de Saúde e as formalidades do Banquete Ritualístico, conforme conhecemos hoje. Mas o quê a celebração do solstício pode nos instigar de concreto para a sociedade de hoje? O discurso da sustentabilidade talvez possa catalisar boa parte desta herança. A evolução da sociedade e dos instrumentos já dispensa superstições comportamentais, mas o temor da “vingança da natureza” parece ser o mesmo das sociedades antigas! Portanto, os sentimentos que inspiram as festas solsticiais ainda podem ser os mesmos.
A Ecologia pode ser a ciência a reunir parâmetros para estes ensinamentos hoje. Entendida de forma plural, ela remete justamente à reflexão sobre a relação do Homem com seu meio e com os semelhantes. A incapacidade de dimensionar os resultados da ação coletiva dos Homens parece ser o fundamento para qualquer debate neste sentido. Seguimos em busca da razão! A marcha do tempo segue como inspiração para lapidar o Homem! No atual estágio da civilização, várias funções da comunidade estão fragmentadas e são raras as pessoas que vivem experiências enriquecedoras. Neste aspecto, a maçonaria se põe como uma rara comunidade, que mantém a essência ao cultivar regularmente os aspectos comuns.  Para o maçom, esta celebração pode ser uma maneira significativa de relembrar a ordem natural das coisas e reafirmar a consciência sobre a força da natureza. 
É certo que ações individuais são insuficientes para provocar qualquer alteração na Humanidade, mas uma vida conduzida com o propósito da retidão pode ser um catalisador de mudanças. O que se precisa é tomar consciência que cada um tem a capacidade de determinar as próprias ações e dirigir os próprios passos, seja na relação com o ambiente, com a comunidade ou consigo mesmo. Escolher a palavra que fala, o livro que lê, o gesto que usa, a atitude que toma, os amigos que cultiva e a forma de tratá-los está ao alcance de cada um. Que fique como lição das celebrações dos Solstícios, o propósito de ordenar os pensamentos, as palavras, ações e sentimentos, para que cada gesto resultante desta determinação possa contribuir com a firmeza do Templo Espiritual, simbolicamente representado na Loja Maçônica, onde ela estiver formada.

BIBLIOGRAFA:
- MANUAL DO BANQUETE RITUALÍSTICO - (2008) – Editora A Trolha – Paulo R. M. de Almeida
- CELEBRANDO OS SOLSTÍCIOS - (2002) - Editora Madras – Richard Heinberg
- ESTUDOS MAÇÔNICOS – História, Simbolismo e Filosofia (1995) – Ed. A Trolha – Leon Zeldis
- A MAÇONARIA – USOS E COSTUMES - (1994) – Editora A Trolha – Assis Carvalho
- CONSULTÓRIO MAÇÔNICO II - (1989) - Editora a Trolha – José Castellani


terça-feira, setembro 22, 2015

Bactéria encontrada na Sibéria pode ser a chave para o 'elixir da vida'

Por  | Super Incrível – 19 horas atrás
 
(Foto: The Siberian Times)(Foto: The Siberian Times)O homem desde os primórdios sonha com a mítica poção conhecida como elixir da vida, capaz de dar a quem bebê-la vida eterna. Este desejo, apesar de parecer fantasioso, pode se tornar uma realidade após o trabalho de um grupo de cientistas russos.

A equipe do professor Sergey Petrov, pesquisador chefe do Centro Científico Tyumen, obteve progresso nas análises de uma bactéria “eterna” de 3,5 milhões de anos conhecida como Bacillus F. De acordo com o estudo, ela é capaz de aumentar exponencialmente a longevidade dos humanos.

Após meses de tentativa, os cientistas conseguiram acessar o DNA da bactéria e começam a entender os genes que permitiram que ela tenha sobrevivido por tantos anos nas geleiras da Sibéria.

A bactéria foi encontrada em 2009 na região de Yakutia, conhecida como um sítio arqueólogico riquíssimo. Testes da bactéria em organismos vivos como células humanas, ratos, moscas de frutas e cereais obtiveram resultados positivos.

(Foto: The Siberian Times)(Foto: The Siberian Times)

“Em todas as experiências, a Bacillus F estimulou o desenvolvimento do sistema imunológico e ainda o reforçou”, disse o professor Sergey Petrov. “Os testes em eritrócitos humanos e leucócitos também foram muito promissores”, continuou.

Entretanto, mesmo com o resultado positivo, o grupo de cientistas crê que ainda há muito o que fazer para a utilização da bactéria em testes com humanos. “A bactéria de fato tem um impacto na longevidade e na fertilidade das cobaias. Mas não sabemos ainda como ela de fato age. Não entendemos o mecanismo, mas entendemos seu impacto”, completou Petrov.

Viktor Chernyavsky, epidemiologista do Centro Científico Tyumen, se mostrou esperançoso no uso da bactéria para benefício humano.

“A bactéria cria substâncias biologicamente ativas durante toda a vida do animal, ativando seu sistema imunológico. Ratos já idosos tiveram uma melhora significativa na saúde e alguns deles até chegaram a acasalar e produzir filhotes”, continuou.  Desta forma, Viktor crê que a bactéria pode ser a chave para o desenvolvimento de um “elixir da vida”, capaz de melhorar a saúde dos seres humanos.

TESOUREIRO

DUAS CHAVES CRUZADAS



É o que simboliza a riqueza, tendo como atividade primordial receber os metais e organizar o movimento financeiro da Oficina. É um cargo de extrema responsabilidade à vida da Loja. Sua Joia é representada por uma ou duas chaves cruzadas. 

A sua Joia é representada por duas Chaves Cruzadas, símbolo maior da sua atribuição de zelar pelo numerário da Loja. 

Compete ao Tesoureiro: 

I – arrecadar a receita e pagar as despesas; 
II – assinar os papéis e documentos relacionados com a administração financeira, contábil, econômica e patrimonial da Loja; 
III – manter a escrituração contábil da Loja sempre atualizada; 
IV – apresentar à Loja os balancetes trimestrais conforme normas e padrões oficiais; 
V – apresentar à Loja, até a última sessão do mês de fevereiro, o balanço geral do ano financeiro anterior, conforme normas e padrões oficiais; 
VI – apresentar, no mês de Novembro, o orçamento da Loja para o ano seguinte; 
VII – depositar, em banco determinado pela Loja, o numerário a ela pertencente; 
VIII – cobrar dos Maçons suas contribuições em atraso e remeter prancha com aviso de recebimento, ao obreiro inadimplente há mais de 2 (dois) meses, comunicar a sua irregularidade e cientificar a Loja e a Potência; 
IX – receber e encaminhar à Grande Secretaria Geral e a Grande Tesouraria da GL ou a que estiver jurisdicionada a Loja, as taxas, emolumentos e contribuições ordinárias e extraordinárias legalmente estabelecidos pela tabela de emolumentos; 
X – responsabilizar-se pela conferência, guarda e liberação dos valores arrecadados pela Loja

segunda-feira, setembro 21, 2015

A PARTIR PEDRA



 - Silêncio este que é imposto a todos os Aprendizes e Companheiros durante o seu tempo de frequência nesses graus -.

Aqui fica o seu testemunho:

"Ao escolher este tema presto homenagem ao silêncio dos aprendizes em loja e em particular ao seu significado e objetivos, dado considerar que ele contribuiu decisivamente para a minha aprendizagem e para a minha evolução como pessoa e, espero que, como Maçom.

Nas conversas prévias que tive com os Irmãos Mestres J:. R:. e R:. B:., integradas no meu processo de admissão à Maçonaria, houve desde logo algo que me causou alguma apreensão – como iria eu conviver com o silêncio que se impunha aos aprendizes em Loja. Ter uma opinião para transmitir e não o poder fazer, só poderia ser uma forma sofisticada de praxe ou de tortura, para ver se eu me aguentava....

Sendo normalmente uma pessoa interventiva, o ficar calado significava para mim quase que uma prova de fraqueza ou ignorância, e isso era algo que não estava habituado. No mundo profano, nomeadamente nas esferas empresariais, é normalmente preferível dizer alguma coisa, mesmo que inútil, do que não dizer nada, já que isso parece ser apreciado.

As minhas primeiras sessões em loja foram muito conflitivas – se não podia falar e só podia ouvir, o que é que eu estava ali a fazer? Durante este período, passei por várias fases evolutivas: equacionei ir-me embora, já que não queriam ouvir o que eu tinha para dizer e eu tinha muito para dizer; ponderei os inconvenientes de desrespeitar a regra, rompendo o silêncio; efetuei comparações entre os argumentos que eram utilizados e os que eu utilizaria na mesma situação, etc.. Creio que posso afirmar que a minha permanência na Maçonaria se deve a um ato de teimosia, já que decidi não desistir e ir até ao fim.

Gradualmente, fui começando a alterar a minha atitude perante o silêncio, principalmente a partir do momento em que conclui ser inútil preocupar-me em construir uma argumentação que depois não teria continuidade. Já que não podia falar, talvez existissem outras formas de rentabilizar o tempo que ali passava e a forma mais lógica e imediata parecia ser, ouvir e assimilar o que estava a ser dito. Tal “descoberta” fez-me começar a escutar de forma consciente, o que efetivamente se dizia, o que me conduziu a uma nova descoberta acerca de mim próprio: tinha tendência para só escutar os outros em função da resposta que teria de lhes dar e não por aquilo que tinham para me dizer.

Esta constatação levou-me a começar a tentar escutar os outros de forma desinteressada e sem reservas ou intenções. Foi um processo intencional, lento, com avanços e retrocessos mas extremamente agradável - sentir que começava a descobrir os outros e ver que a atitude destes se alterava gradualmente. De forma tímida no inicio, primeiro nos círculos familiares e depois entre amigos e em ambientes profissionais, foi encorajante ouvir frases como “não sei porquê, mas agora é mais agradável conversar contigo”...

No campo estritamente profissional e nomeadamente nos processos negociais, em que cada argumento antecipado pode constituir uma vantagem para os outros, descobri também que o escutar me permitia analisar melhor a situação e sobretudo preparar melhor a argumentação necessária à consecução de estratégias ganhadoras.

E no entanto toda esta simplicidade parece ser fruto de uma sabedoria milenar que já Hiram utilizava quando formava os seus aprendizes e companheiros, para os preparar para a construção do Templo de Salomão.

Quando o recém iniciado é advertido de que não poderá falar em loja, desde a sua iniciação até à sua passagem a mestre, devendo apenas ouvir e observar, está-se simplesmente a dar continuidade a um dos mais antigos costumes das ordens iniciáticas: o silêncio.

Voltado para si mesmo, calado, numa postura de reflexão e recepção, o Aprendiz Maçom deverá evitar resvalar para uma atitude passiva ou desinteressada. Pelo contrário, todos os seus sentidos devem estar atentos para o que se passa em loja. Ver, ouvir, receber, refletir e guardar, são as palavras chave deste processo de aprendizagem e evolução interior. Juntar e interligar todas as informações que lhe chegam ao cérebro, estranhas e diferentes das que já conhece, formulando hipóteses e conclusões que lhe permitam uma visão cada vez mais elevada das observações que faz. Esta deve ser a maior preocupação do iniciado.

O ainda candidato é exposto pela primeira vez perante a regra de silêncio quando é introduzido na Câmara de Reflexão, permanecendo sozinho e ladeado por símbolos, palavras e frases, estimulado a pensar e a penetrar no fundo do seu interior. No silêncio da meditação, vai ao encontro de si mesmo, examinando minuciosamente o que lhe vai na alma. É então confrontado com a sigla Vitriol (Visita Interiora Terrae, Retificandoque, Invenies Occultum Lapidem), que na sua tradução para português significa: "desce ao interior da terra, e perseverando na retidão, poderás encontrar a pedra oculta".
Após toda a cerimônia de iniciação, o candidato profano transforma-se em recipiendário silencioso, o recém iniciado assume o papel do hermetista, ou do alquimista na sua busca incessante da Pedra Filosofal, que uma vez descoberta, o transformará no homem perfeito. Este é o sentido que o maçom busca quando luta para transformar a sua Pedra Bruta na Pedra Cúbica, que poderá utilizar e encaixar perfeitamente na construção do seu novo Templo interior.

O conselho "lege, lege, relege, ora, labora et invenies", que significa lê, lê, relê, ora, trabalha e encontrarás, era dado ao eleito para conhecer e assimilar os mistérios da Alquimia. Hoje, continua sendo este o conselho dado ao iniciado. O maçom afasta lentamente todas as suas paixões, os seus vícios, os seus desejos incontroláveis, para vê-los transformarem-se em virtudes, domínio de si mesmo, tolerância e prudência, alcançadas no silêncio e na introspecção. O iniciado reconhece como fundamentais, as palavras "Vigilância e Perseverança" nas metodologias do seu estágio de observação. Quem fala muito pensa pouco, ligeira e superficialmente, e a Maçonaria quer que seus membros sejam melhores pensadores do que faladores.

Todo este processo pretende, na sua essência, preparar e induzir ao Aprendiz a necessidade da reflexão como método de transformação interna. Embora indiretamente, é possível estabelecer vários paralelismos e interações com o Catecismo do 1º grau, nomeadamente:
  • Quando o Aprendiz afirma vir “vencer as suas paixões, submeter a sua vontade e realizar novos progressos na Maçonaria”, logo seguido de “Porque um Maçom deve desafiar-se a si próprio e evitar juízos de valor antes de consultar a sabedoria dos irmãos”. O silencio proporciona-lhe um método de progressão e impõe-lhe uma prática de reflexão que o levará a ponderar os seus juízos de valor em função de conhecimentos que deve reconhecer como mais profundos.
  • Na resposta “Antes queria ter a garganta cortada do que revelar os segredos que me foram confiados”, que pressupõe não só dedicação e respeito pela Ordem, mas também a capacidade de responder ou reagir após um processo de interiorização e valoração, que a pratica do silencio poderá ajudar a tornar inconsciente e natural.
  • Na resposta “Porque todas as forças destinadas a desenvolverem-se utilmente no exterior devem primeiro concentrar-se em si mesmas”, em que claramente transparece a necessidade de um trabalho interior prévio em que o silencio pode e deve ser uma peça fundamental.
Se mais não houvesse para aprender na Maçonaria, o ter conhecido o valor do silencio e tudo aquilo que este me proporcionou, já teria valido a pena.

Partindo de um silencio imposto, cujas motivações se fundamentam na sabedoria milenar do grupo e que constitui como que um tirocínio para o recém iniciado, passa-se para uma fase de utilização em termos interiores do silencio, evoluindo finalmente para um estadio de admiração pelo silencio em que a imposição se transforma em voluntariado que assim se transforma em sabedoria, fechando o círculo e preparando o iniciado para novas fases da sua evolução e do seu crescimento interior."

A. Jorge em 27.04.6000

quarta-feira, setembro 16, 2015


"Igualdade, Diversidade, Tolerância

Os maçons prezam a Igualdade. Esta está na matriz genética do que é a Maçonaria. Na Loja, todos são essencialmente iguais, mesmo que alguém dirija, alguém assista quem dirige, alguém ensine e alguém aprenda. Porque todos foram e potencialmente serão tudo, todos fizeram e potencialmente farão tudo em Loja. A dignidade da condição humana é exatamente igual em todos e cada um, quaisquer que sejam as suas habilitações, as suas aptidões, as suas realizações. Cada maçom está entre iguais quando está entre os seus Irmãos. Mais: cada maçom reconhece e preza a essencial Igualdade entre todos os membros da  espécie humana, independentemente de cores de pele, de nacionalidades, de crenças, de lugares ou de estilos de vida.

Os maçons prezam, também, e em igual medida, a Diversidade e o corolário desta, a diferença. Em Loja, é patente a riqueza advinda do confronto e da cooperação de diferentes experiências, capacidades, opiniões, formações. Por isso, não tiveram nem têm normalmente êxito avulsas experiências de criação de Lojas "monocolores", de médicos ou de músicos ou do que quer que seja, acumulação de experiências semelhantes que, por regra mais cedo do que tarde, se revela entediante e pouco apelativa. Os maçons aprendem e praticam o inestimável valor da diversidade, aprofundam o estimulante potencial da diferença. Cada um contribui com as suas valências, os seus saberes, os seus gostos, as suas experiências, em suma, com a sua individualidade, para enriquecer o grupo e os demais. E cada uzm aprende, enriquece-se, com o que depara de diferente, com diversos pontos de vista que lhe aguçam e estimulam o intelecto e o espírito crítico.

A  Igualdade não pressupõe, não se faz, de similitude. A Igualdade aceita, resulta, da multitude de diferenças que existem na Diversidade.

A Tolerância é a ferramenta que harmoniza a Igualdade e a Diversidade. Entender que os nossos iguais não deixam de o ser porque pensam diferente de nós, aceitar que as diferenças de aspeto, de cor de pele, de experiências, de culturas, não afetam a essencial Igualdade da natureza humana, expressa na individualidade de cada um, é a natural postura que permite, mais do que possibilitar, mais do que meramente compatibilizar, efetivamente rentabilizar a Diversidade existente na Igualdade. Por isso a Tolerância não emerge de qualquer sentimento de pretensa superioridade do que tolera em relação ao tolerado; pelo contrário, a Tolerância pressupõe, enraíza-se, cresce a partir da noção de que o outro é essencialmente igual a mim e acessória e inevitavelmente apresenta diferenças em relação a mim. Diferenças que é estulto julgar, catalogar ou, pior, ridicularizar ou ostracizar; pelo contrário, diferenças que me enriquecem na medida em que as considerar, com elas aprender, integrar nos meus saberes, nas minhas posturas, na minha individualidade - que, por natureza, é diferente de todas as demais... 

A Igualdade é o campo que cada ser humano tem em comum, o solo que todos pisamos, a terra que a todos nós molda. A Diversidade são as diferentes culturas que sobre essa terra comum se semeiam, granjeiam  e, a seu tempo, se colhem, todas diferentes, todas importantes, apesar das suas diferenças, afinal devido às suas diferenças. A mesma terra dá o cereal de que se faz o pão, cria o fruto de que se fabrica o vinho, desenvolve o algodão de que se faz tecido. A Tolerância é a alfaia que trabalha a terra e semeia, granjeia e colhe as culturas.

A essencial Igualdade de todos os seres humanos é uma indispensável base com um inestimável potencial, concretizado numa miríade de diferenças que constituem a formidável riqueza da Diversidade. A Tolerância é o meio pelo qual se aproveita o potencial e se cria a riqueza, a forma como, assumindo a comum base de partida, se propicia a inestimável infinidade de caminhos que podem ser traçados, cruzados, percorridos por iguais com diferentes anseios e diversas caraterísticas, sementes diversas lançadas à mesma terra produzindo inumerável variedade de frutos.

Compreender que todos somos essencialmente iguais, valorizar as diferenças inerentes à nossa individualidade, articular o que é comum com o que é diverso com a harmonia da Tolerância, são caraterísticas imanentes da Maçonaria, presentes desde sempre na sua matriz formadora. Para os maçons, reconhecer a Igualdade e Tolerar, isto é, aceitar, valorizar e aproveitar a Diferença, é pura rotina, algo tão natural como respirar.

No dia em que todos em toda a Humanidade conseguirem compreender e praticar que o ser humano, sendo essencialmente Igual aos seus semelhantes só se valoriza. se potencia, se realiza pelo exercício e aproveitamento das suas diferenças, constituindo o conjunto de todas elas a enriquecedora Diversidade da espécie humana, tão mais enriquecedora e propiciadora do progresso e do bem comum quanto mais bem Tolerada, aceite, fomentada for por todos e cada um, nesse dia finalmente as trevas do obscurantismo serão vencidas pela Luz da razão.

Para que esse dia chegue trabalham, dia a dia, incansáveis formiguinhas obreiras, os maçons. Esta a Grande Conspiração Maçónica! Esta a Nova Ordem Mundial por que anseiam! Os maçons e todas as pessoas de bem e livres de preconceitos!"

Rui Bandeira

sábado, setembro 12, 2015

O Mito da Fênix

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“Existe outro pássaro sagrado, também, cujo nome é fênix. Eu mesmo nunca o vi, apenas figuras dele. O pássaro raramente vem ao Egito, uma vez a cada cinco séculos, como diz o povo de Heliópolis. É dito que a fênix vem quando seu pai morre. Se o retrato mostra verdadeiramente seu tamanho e aparência, sua plumagem é em parte dourado e em parte vermelho. É parecido com uma águia em sua forma e tamanho. O que dizem que este pássaro é capaz de fazer é incrível para mim. Voa da Arábia para o templo de Hélio (o Sol), dizem, ele encerra seu pai em um ovo de mirra e enterra-o no templo de Hélio. Isto é como dizem: primeiramente molda um ovo de mirra tão pesado quanto pode carregar, então abre cavidades no ovo e coloca os restos de seu pai nele, selando o ovo. E dizem, ele encerra o ovo no templo do Sol no Egito. Isto é o que se diz que este pássaro faz.” – “E a fênix, ele disse, é o pássaro que visita o Egito a cada cinco séculos, mas no resto do tempo ela voa até a Índia; e lá podem ser visto os raios de luz solar que brilham como ouro, em tamanho e aparência assemelha-se a uma águia; e senta-se em um ninho; que é feito por ele nas primaveras do Nilo. A história do Aigyptos sobre ele é testificada pelos indianos também, mas os últimos adicionam um toque a história, que a fênix enquanto é consumida pelo fogo em seu ninho canta canções de funeral para si” – Apolônio de Tiana
O mito da Fênix é um dos arquétipos mais compartilhados pelo inconsciente humano em todos os tempos. Iremos encontrá-lo em quase todas as tradições antigas, geralmente conectado com o anseio humano de imortalidade, ou de um renascimento em outra forma ou condição de vida.
Diz a lenda que a fênix (em grego ϕοῖνιξ) é um pássaro que, quando morre, seu corpo entra em combustão espontânea, e depois de algum tempo, de suas cinzas nasce outro pássaro. A tradição sustenta que ela é uma ave muito forte, que é capaz de transportar cargas muito pesadas, e se atacada pode se transformar numa bola de fogo.
A lenda descreve a fênix como sendo um pássaro de porte superior a uma águia, com lindas penas brilhantes, da cor de ouro, com matizes vermelho-lilás. Teria uma vida bastante longa, podendo chegar a quinhentos anos. Mas houve quem dissesse que ela poderia viver até 97.200 anos, sendo por isso, o pássaro símbolo da imortalidade.
O mito da fênix ficou famoso na mitologia grega, mas provavelmente é bem mais antigo do que a própria civilização grega. Há registros milenários no Antigo Egito que falam de um pássaro chamado Bennu, que tinha exatamente essas características da fênix grega. Ele era o pássaro de Rá, portador da chama do sol. Diziam que ele era o mensageiro desse deus, e seu ciclo de vida representava exatamente a duração dos ciclos de vida da natureza, ou seja, quando grandes mudanças ocorriam na terra. Assim, quando um ciclo estava para terminar, esses pássaros voavam ao Santuário de Heliópolis, pousavam na pira do deus Rá e se imolavam na fogueira. Depois de algum tempo, de suas cinzas nasciam novos pássaros, indicando o renascimento da terra.
Os historiadores, de uma forma geral, tendem a reconhecer nesse mito um comportamento natural de certo tipo de garças (hoje extintas) que viviam no antigo Egito. Quando o ciclo natural das enchentes do Nilo, que ocorriam invariavelmente de sete em sete anos, diminuía, esse tipo de aves se retirava para o deserto e botavam seus ovos na areia. Depois morriam em função do sol sufocante. Os ovos eram chocados pelo calor da areia e dai nasciam os filhotes.
A lenda egípcia dizia que a ave, sentindo a proximidade da morte, fazia um ninho com ramos de canela, sálvia e mirra, a qual sendo aceso pelos raios do sol se transformava numa pira onde ela se imolava. Era um sacrifício natural oferecido ao Deus Sol (Rá), para garantir o renascimento natural da vida na terra. E das suas cinzas erguia-se então uma nova fênix, que recolhia os restos mortais da sua antecessora e os levava até o Santuário de Heliópolis, onde os colocava no Altar de Rá.
Os sacerdotes egípcios diziam que as cinzas da fênix tinham o poder de ressuscitar um morto. Esse mito era tão divulgado entre os povos antigos que o próprio imperador romano Heliogábalo (204-222 d. C.) quis comer a carne desse pássaro com o objetivo de conseguir a imortalidade. Mas sendo uma ave mítica, cuja existência era duvidosa, as pessoas encarregadas de providenciar o bizarro repasto não conseguiram encontrar um desses pássaros e lhe enviaram uma ave-do-paraíso, que tinha uma aparência bem próxima da mítica ave. O doido imperador comeu a ave, mas foi assassinado dois anos depois.
Provavelmente, a lenda da fênix é uma alegoria adaptada das crenças egípcias a respeito da morte e renascimento diários do sol. Na religião de Heliópolis, o sol era visto como um astro-deus que morria e renascia todos os dias. Como ele era sempre o mesmo, renascido de si mesmo, a analogia com o mítico pássaro ficou estabelecida e ganhou status de lenda.
Em algumas tradições ela era identificada com a estrela Sótis. Na Grécia ela era também reconhecida como o pássaro de Hermes. Na China e no Japão era o símbolo da felicidade, virtude, força e inteligência. Na tradição cristã, a fênix tornou-se o símbolo da ressurreição de Cristo. E para os alquimistas era o símbolo da regeneração da natureza, momento sublime em que a matéria da Obra começava a sua regeneração para se transformar na Pedra Filosofal.
A fênix na Maçonaria
No moderno ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito, o mito da Fênix é uma alegoria que aparece no grau dezoito, consagrado ao Cavaleiro da Rosa-Cruz. Por se tratar de uma alegoria essencialmente alquímica, ela integra a tradição hermética da morte ritual e do renascimento em outro nível de consciência, como acreditavam os alquimistas poder fazer com o material trabalhado em seus laboratórios e com os seus próprios espíritos.
Aqui, o recipiendário “perdido nas trevas, na encruzilhada dos caminhos, perto do total abatimento e da morte, ouve uma voz misteriosa saída do fundo da sua alma”. É nesse momento que ele reencontra a P.’. P.’., oculta sobre as asas da fênix, no instante em que ela renasce das cinzas. E ele se sente como se “um sopro o penetrasse, no momento em que murmura, afastando-se, a P.’. que para ele é a revelação de uma nova Luz.” E dali ele sai reanimado, renovado, porque agora sabe que a P.’. P.’. significa “Igne Natura Renovatur Integra”, ou seja que a natureza inteira se renova pelo fogo, e que essas são justamente as iniciais colocadas sobre a cruz de Cristo (INRI).
É nesse instante que ele tem a revelação final e fundamental do mistério contido na Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, ou seja, o verdadeiro significado desse mistério magno da cristandade.
Na Maçonaria o mito da fênix é invocado em toda sua grandeza iniciática para mostrar a natureza que se renova em toda sua integridade, pela ação fogo, que aqui significa tanto o trabalho do alquimista no seu forno, cozendo e recozendo o material da Obra, quanto o batismo cristão, conforme preconizado por João Batista. Ambos são analogias que simbolizam a prática da doutrina renovadora da Maçonaria.
A rosa mística, centralizada no ponto de encontro dos braços da cruz é esse ponto crucial do universo, ou da alma humana, onde a P.’. P.’. é recuperada e faz nascer, da própria morte, a vida renovada. A mística do ensinamento iniciático se alia à poesia para dizer ao espirito humano que existe uma esperança, mesmo na mais sombria e aterradora das situações, que é a própria morte.
Na tradição Rosa-Cruz, a luz do mundo morre e renasce no centro de uma cruz. Por isso essa morte e renascimento eram comemorados pelos cavaleiros Rosa-Cruzes nas vésperas das sextas-feiras santas, em cerimônias que evocavam a última ceia de Cristo com seus apóstolos, ocasião em que dividiam um carneiro. Nesse significativo ritual se promove, não só uma evocação à Páscoa hebraica, mas também o retorno do sol no equinócio da primavera, ocasião em que a natureza morta pela ação do inverno, recomeça um novo ciclo.
Aí está, em toda a sua grandeza simbólica e beleza poética, o mito da fênix.
Autor: João Anatalino
Da Obra “Conhecendo a Arte Real”, Ed. Madras, São Paulo, 2007

quarta-feira, setembro 09, 2015


A Introdução do Rito Moderno no Brasil


Supremo Conselho do Rito Moderno
Oriente do Rio de Janeiro, 1994


A Maçonaria se introduziu no Brasil quando este era Província da Monarquia Portuguesa. Por isso é importante voltar à Maçonaria em Portugal.
Remonta até cerca de 1730 a fundação em Portugal das primeiras Lojas sob a influência da França e Inglaterra (Clavel, 1843).
Em 1738 o Papa Clemente XII proíbe aos católicos exercerem atividades nas Lojas Maçônicas e o rei de Portugal D. João V ameaçava com penalidades os maçons. (Thory – “Histoire de La Fondation du Grand Orient de France”). Na verdade, nem a Bula do Papa, nem o Decreto do Rei, impediram as atividades maçônicas em Portugal.
Posteriormente, durante governo do del-rei D. José I (1750-1777) as Lojas Portuguesas funcionavam sigilosamente.
Daí em diante, até a Revolução Francesa,  Portugal recebia grande influência das Lojas de Paris, de nada valendo as proibições de D. João VI e de D. Maria I.
Ao redor de 1793, existiam em Coimbra e em Porto e delas fizeram parte vários estudantes das províncias ultramarinas inclusive do Estado do Brasil (Lívio e Ferreira, 1968).
O Grande Oriente Lusitano foi construído em 1800, tendo como Grão-Mestres o desembargador Sebastião de São Paio e em seguida, em 1803, o general Gomes Freire de Andrade (O Regresso da Maçonaria, Angel Maria de Lera; prefácio de Armando Adão e Silva, 1986).
Em 1807, Junot conquista Portugal obrigando a Corte portuguesa procurar abrigo no Brasil. “Assim a Maçonaria do Brasil desde o século XVIII esteve ligada a Portugal. Enquanto a sede da Monarquia Portuguesa foi em Lisboa, a Maçonaria sentia ser mais fácil os movimentos revolucionários no Brasil, daí as Inconfidências Mineira (1789) e Baiana (1799). Com a transferência da sede da Monarquia Portuguesa para o Rio de Janeiro, já surgiu em 1817 uma revolução simultaneamente no Brasil (em Pernambuco) e em Portugal (chefiada por Gomes Freire de Andrade)”, (Lívio e Ferreira, 1968).
A revolução liberal triunfante nas colônias inglesas da América do Norte, na França, na América Espanhola, estão também prestes a explodir na Nação Portuguesa.
Nos primeiros anos do século XIX, as Lojas Maçônicas espalharam-se consideravelmente nas províncias de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. Umas sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano, outras sob o de França. A Loja “Virtude e Razão”, por exemplo, foi instalada em Salvador, em 1802, atuando no Rito Moderno.
“De lembrar que a Independência do Brasil, longe de consistir apenas no Grito do Ipiranga em 7 de setembro de 1822, antes teve o seu início com a Revolução Constitucional em 1820, no Porto, Portugal, por via de protesto contra as medidas recolonizadoras”. (Armando Adão e Silva, prefácio; O Regresso da Maçonaria, 1984).
O Grande Oriente do Brasil foi fundado em 17 de junho de 1822. Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira foram líderes destacados nesse movimento, ambos da Loja Comércio e Artes, fundada em 15 de novembro de 1815.
Assim, as Lojas “Comércio e Artes”, que se subdividiu em “União e Tranqüilidade” e “Esperança de Nictheroy”, formaram a base do Grande Oriente do Brasil, que recebeu a Carta Constitutiva do Grande Oriente Lusitano de Portugal. Seu primeiro Grão-Mestre Geral foi José Bonifácio de Andrada e Silva.
“A Loja Comércio e Artes e as que dela se derivaram trabalharam inicialmente no Rito Adonhiramita” e o “Grande Oriente do Brasil foi logo reconhecido pelos Grande Oriente de França, da Inglaterra e dos Estados Unidos” (Melo, Livro Maçônico do Centenário).
De acordo com Lima (Nos Bastidores do Mistério): “A Maçonaria Brasileira é filha espiritual da Maçonaria Francesa. Da França, veio o Rito Moderno com que o Grande Oriente atingiu a maioridade e, dez anos mais tarde, o Rito Escocês Antigo e Aceito.”
O Grande Oriente do Brasil foi fechado por D. Pedro I, Príncipe Regente, sendo restaurado em 1832 por José Bonifácio de Andrada e Silva.
O Grande Oriente do Brasil, restaurado em 1832, adotou o Rito Moderno e a Constituição do Grande Oriente de França de 1826, adaptada por Gonçalves Ledo e promulgada em 24 de outubro de 1836 (Viegas, 1986). O Rito Moderno, portanto, passou a ser o Rito Oficial do Grande Oriente do Brasil, nos trabalhos de seus Corpos Legislativo e Administrativo, ou seja, para o funcionamento de seus Altos Corpos.
A Loja Comércio e Artes nº 1, a partir daí, adota o Rito Moderno (posteriormente, através do Decreto 2405, de 13 de agosto de 1974, esta Loja mudou do Rito Moderno para o Rito Escocês Antigo e Aceito).
A Loja “Seis de Março de 1817”, de Pernambuco, se regularizou em 7 de outubro  de 1832 junto ao GOB, também trabalhando no Rito Francês (Albuquerque, A Maçonaria e a Grandeza do Brasil).
Datam de 1834 os manuais do Rito Francês publicados pelo GOB e de 1835 o estabelecimento de Capítulo neste Rito.
Em 1º de setembro de 1839 foi redigida outra Constituição, sendo logo substituída por outra de 1842. Em 1841, o Grande Oriente do Brasil foi de novo reconhecido pelo da França (Viegas, 1986).
Já na República, entre 1891-1901, o Grão-Mestre Antonio Joaquim de Macedo Soares, tendo como Secretário-Geral Henrique Valadares, deram à Maçonaria grande influência francesa e, “julgando-se dentro do espírito da lei da separação entre a Igreja e o Estado, conseguindo dar ênfase ao Rito Francês, o qual eliminava a Bíblia do Altar dos Juramentos e suprimia as referências ao Grande Arquiteto do Universo” (Viegas, 1986). A reforma constitucional de 1877 só alcançava a jurisprudência do Grande Oriente de França, mas o Grande Oriente do Brasil, onde se praticava o Rito Francês, acompanhou àquela Potência.
Em 1927 houve uma grande cisão no GOB com a formação das Grandes Lojas, sendo que estas últimas mantiveram o Rito Escocês.
“A Grande Loja da Inglaterra que considera condições indispensáveis para a vida maçônica a crença em Deus e em uma vida futura, e que rompeu com os Grandes Orientes da França e da Bélgica em defesa desses princípios, fez com o Grande Oriente do Brasil, em 1935, um tratado de aliança indissolúvel, firmando-se as relações cordiais entre os dois corpos”. (Viegas, 1986).
Hoje (1994), o Grande Oriente do Brasil possui 33 Lojas e 11 Capítulos, atualmente no Rito Moderno. Até o momento, não existem na América do Sul, dominada pelas Grandes Lojas, exceto no Brasil, Lojas que atuem no Rito Moderno.
O Rito Moderno desempenhou um importantíssimo papel no Brasil, de caráter positivo nas transformações nacionais, na fase da Independência, durante o Reinado Brasileiro e na Proclamação da República, em busca de uma sociedade mais perfeita e pelo triunfo do ideal fraternal.


Rito Moderno – Um pouco de sua história


O início da Maçonaria na França 
François Marie Arouet, Voltaire, o demolidor de mitos, desapareceria logo depois de iniciado na Loja “Neuf Soeurs”, em 1778, no mesmo ano em que, coincidentemente, desaparecia Jean Jacques Rousseau, sendo, ambos, os intelectuais que mais influenciaram o pensamento da sociedade francesa – – – e da mundial – – – nas épocas posteriores. Eles mostravam, todavia, grandes diferenças de pensamento. Voltaire tinha, por base de sua obra, o racionalismo, como, no dizer de Diderot, um verdadeiro filósofo setecentista, que se conduz pela razão, juntando, ao espírito de reflexão e de justeza, os costumes e as qualidades sociais. Isso o coloca em oposição à inteligência mística de Rousseau, filósofo e moralista, nascido em família calvinista e convertido, ainda adolescente, ao catolicismo. Voltaire tem o melhor do seu pensamento exprimido no “Dictionnaire Philosophique”, de 1764, no “Lettres Anglaises”, de 1734, e nos diversos contos, entre os quais “Cândido”, de 1754, é sua obra prima. Rousseau tem, como sua obra fundamental, “Du Contrat Social”, onde formula a teoria do Estado baseado na convenção entre os homens, defendendo o princípio da soberania do povo. Publicada em 1762, essa obra, junto com o restante da produção literária de Rousseau, teve grande influência revolucionária, por exprimir as injustiças sociais da época, numa crítica violenta ao cristianismo dogmático e ao ceticismo filosófico. 
Assim, a obra de Rousseau foi muito mais importante, no ideário da Revolução Francesa, do que a de Voltaire, que, dentro da atitude racional da inteligência, desejava não a revolução, mas a reforma das instituições monárquicas, pregando a tolerância ideológica e defendendo os direitos civis. Ambos, entretanto, influenciariam, um século depois, a grande reforma institucional de 1877, no Grande Oriente da França, que sepultou o dogmatismo, combatido por Rousseau, e implantou a tolerância ideológica, pregada por Voltaire.
Em 1778, ano da morte de ambos, havia 554 Lojas no território francês, surgidas da primeira Loja genuinamente francesa, criada, em Paris, a 3 de abril de 1732, já que, antes, as existentes eram mais britânicas, surgidas na esteira do séquito dos Stuarts, refugiados na França, após a revolta de 1649. Depois dessa primeira Loja, outras foram sendo criadas, ocorrendo, no caso, um fato importante, em setembro de 1734 : no dia 7 desse mês, um jornal de Londres relata que, no castelo da duquesa de Portsmouth, em Paris, Charles Lennox, duque de Richmond, junto ao qual se encontrava Montesquieu, procedeu à recepção de muitos neófitos da mais alta nobreza francesa. A 20 de setembro de 1735, nova reunião, com a presença de Théophille Désagulliers – – – um dos fundadores da Premier Grand Lodge, em Londres, em 1717 – – – e lord Waldegrave, embaixador de Sua Majestade britânica, ao lado de Montesquieu. A Maçonaria, assim, espalhou – se pelo território francês, no século XVIII, sob a égide de Montesquieu, o grande filósofo e autor de “´L´Esprit des Lois” (O Espírito das Leis), obra de fundamental importância no desenvolvimento da Ciência Política.
Em 1737, cinco Lojas existiam em Paris. Em 1741, já eram vinte e duas, quando a propaganda maçônica já atingia a província, tendo sido fundada uma Loja em Lions, em 1740, além de outras em Rouen, Caen, Nantes, Bordeaux, Montepellier e Avignon. Em 1738, o duque d´Antin é nomeado Grão – Mestre vitalício dos maçons franceses, embora ainda não houvesse, oficialmente, uma Obediência francesa, o que só aconteceria em 1765. Em 1743, Henri de Bourbon, conde de Clermont, o sucede, apesar dos muitos votos dados ao príncipe de Conti e ao marechal de Saxe. Um outro nobre sucede ao conde de Clermont, em 1771, o duque de Chartres, que, com a morte de seu pai, tomou o título de duque de Orleans, cuja cadeira de Grão – Mestre é conservada no museu do Grande Oriente da França e cujo retrato, com todas as insígnias da Ordem, acha – se no castelo de Chantilly.
O Grande Oriente e o Rito Moderno 
A Maçonaria francesa passaria, porém, por grandes vicissitudes. A federação denominada Grande Loja da França, oficialmente existente a partir de 1765, para reunir as Lojas esparsas, não chegara a uma boa gestão, o que fez com que, em 1771, ocorressem reuniões destinadas a preparar uma nova organização, culminando, a 24 de dezembro daquele ano, com a assembleia das Lojas, que, depois de declarar extinta a antiga Grande Loja, anunciava que ela era substituída por uma Grande Loja Nacional, que seria denominada, dali em diante, Grande Oriente da França. A 17 de junho de 1773, a Grande Loja protesta, declarando o Grande Oriente cismático, degradando o título de maçom de todos os componentes deste. Sem se preocupar com esses ataques, o Grande Oriente persiste, sendo solenemente instalado a 24 de junho de 1773. 
E foi tão grande o desenvolvimento do Grande Oriente, que, das 547 Lojas francesas existentes em 1778, 300 estavam sob a sua jurisdição e ele mantinha correspondência com 1.200 Lojas estrangeiras. Nessa altura já existia o Rito Francês, ou Moderno, que havia sido criado em 1761, constituído a 24 de dezembro de 1772 e proclamado pelo Grande Oriente, a 9 de março de 1773, chegando, já na época da Revolução Francesa, à maior importância, dentro do Grande Oriente da França. E desde essa época, começava a rivalidade entre o Grande Oriente e a Grande Loja inglesa, que exigia ser reconhecida como Grande Loja Mãe, embora isso não fosse mais do que uma satisfação moral, não criando laço de subordinação. O Grande Oriente desejava tratar de igual para igual, sob todos os pontos de vista e solicitava que as Lojas anteriormente fundadas, sob patente inglesa, lhe fossem repassadas, com o que Londres não concordava. Embora a Grande Loja inglesa reconhecesse o Past – Master e o Royal Arch, como “complementos do mestrado”, considerava irregulares os Altos Graus escoceses, que haviam, anarquicamente, proliferado na França, causando desordem. E o Rito Moderno nasceu, exatamente, do desejo do Grande Oriente de remediar a situação, perseguindo uma política de unidade, aceitando os diferentes ritos, à qual Londres fez oposição.
O rito, embora criado sob moldes racionais, seguia a orientação dos demais, em matéria doutrinária e filosófica, baseada, entretanto, na primitiva Constituição de Anderson, com tinturas deístas, mas largamente tolerante, no que concerne à religião, como se pode ver na primeira de suas Antigas Leis Fundamentais (Old Charges): “O maçom está obrigado, por vocação, a praticar a moral; e, se bem compreender os seus deveres, jamais se converterá num estúpido ateu nem em irreligioso libertino. Apesar de, nos tempos antigos, os maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observava nos países que habitavam, hoje crê – se mais conveniente não lhes impor outra religião senão aquela que todos os homens aceitam e dar – lhes completa liberdade com referência às suas opiniões particulares. Essa religião consiste em serem homens bons e leais, ou seja, honrados e justos, seja qual for a diferença de nome ou de convicções”.
A Revolução Francesa – – – da qual a Maçonaria, nas palavras de Henri Martin, foi o laboratório – – – não interrompeu totalmente os trabalhos do Grande Oriente. a Loja “La Bonne Amitié”, de Marmande, recebeu sua constituição a 20 de dezembro de 1792; mesmo no auge do Terror, três Lojas da capital, “Le Centre des Amis”, “Les Amis de la Liberté” e “la Martinique des Frères Réunis” não deixaram de promover reuniões. Mas houve uma grande diminuição da atividade maçônica, prejudicando as relações com a Grande Loja inglesa. Passado o auge do movimento, Roettiers de Montalau – – – cujo retrato orna a sala do Conselho da Ordem, em Paris, acima da cadeira do Presidente – – – empenha – se, a partir de 1795, na reconstituirão do Grande Oriente, tentando conciliá – lo com a Grande Loja. Graças aos seus esforços, a 21 de maio de 1799, as duas Obediências redigem um tratado de união, completando a união maçônica na França, a qual pouco iria durar, já que, em 1804, ela seria comprometida pela introdução do Rito Escocês Antigo e Aceito, de 33 graus, com a fundação do Supremo Conselho do conde de Grasse – Tilly (o primeiro Supremo Conselho foi fundado em Charleston, Carolina do Sul, EUA, em 1801).
 A regressão dogmática
Em 1815, ocorreria a regressão dogmática, que tanto influiria nos destinos da Maçonaria francesa: a Grande Loja Unida da Inglaterra, que surgira em 1813, da fusão da Grande Loja dos “Modernos” (de 1717) e a dos auto – denominados “Antigos”, de 1751, alterava a primitiva Constituição de Anderson, tornando – a absolutamente dogmática e impositiva, como se pode ver no texto da primeira das Antigas Leis (que, aí, deixou de ser antiga lei):
“Um maçom é obrigado, por seu título, a obedecer à lei moral e, se compreender bem a Arte, nunca será ateu estúpido, nem libertino irreligioso. De todos os homens, deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira diferente do homem, pois o homem vê a aparência externa, ao passo que Deus vê o coração. Seja qual for a religião de um homem, ou sua forma de adorar, ele não será excluído da Ordem, se acreditar no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e se praticar os sagrados deveres da moral….”
Ou seja: ao liberalismo e à tolerância da original compilação de Anderson, foram sobrepostos os teísmo pessoal, o dogmatismo e a imposição, incompatíveis com a liberdade de pensamento e de consciência.
Apesar disso, quando o Grande Oriente promulgou, em 1839, seus primeiros “Estatutos e Regulamentos Gerais da Ordem”, estes conservavam o melhor da tradição da Maçonaria dos Aceitos, dentro do espírito da original Constituição de Anderson, de 1723, como se pode ver em seus três primeiros artigos, sem qualquer dogmatismo:
“Art. 1º – A Ordem Maçônica tem por objeto o exercício da solidariedade, o estudo da moral universal, das ciências, das artes e a prática de todas as virtudes.
Art. 2º – Ela é composta de homens livres, que, submissos às leis, reúnem – se em Sociedade constituída de acordo com estatutos gerais.
Art. 3º – Não pode alguém ser maçom e gozar os direitos inerentes a esse título:
1. se não tiver 18 anos completos, se não for livre e de bons costumes e se não obteve o consentimento de seu pai, ou de seu tutor; essa última condição só será exigida até à idade de 21 anos;
2. se não for livre e honrado;
3. se não for domiciliado há pelo menos seis meses no local em que se encontra a Loja à qual se apresenta;
4. se não tiver grau de instrução necessário para cultivar sua razão;
5. se não for admitido nas formas determinadas pelos Regulamentos e Estatutos Gerais”.
Todavia, em 1849, por obra e graça dos partidários de uma reaproximação, que degelasse As relações com a Grande Loja Unida da Inglaterra, eram reformados esses estatutos – – – e transformados em Constituição – – – sendo incluídos, neles, as cláusulas inspiradas pela revisão de 1815, das Constituições de Anderson, como se pode ver no texto aprovado:
“Art. 1º – A Francomaçonaria, instituição essencialmente filantrópica, filosófica e progressista, tem por base a existência de Deus e a imortalidade da alma…”
…………………………………………………………………………………………………………
Art. 3º – Para atingir esse objetivo, eles (os maçons, referidos no Art. 2º) devem, respeitando a consciência individual, empregar todos os meios de propaganda pacífica, dos quais os principais são o exame e a discussão de diversas questões que podem esclarecer os espíritos e, sobretudo, conciliar os corações”.
A incoerência salta aos olhos, pois, à exigência dogmática do Artigo 1º, era aposto, no Artigo 3º, o respeito à consciência individual. Diante disso, foi feita, em 1865, uma pequena alteração, sem mudar o texto dogmático, na parte referente à liberdade de consciência, assim redigida:
“Ela (a Maçonaria) vê a liberdade de consciência como um direito próprio de cada homem e não exclui a ninguém por suas crenças”.

Landmarks no Rito Moderno


 Como o nome já diz: LANDMARQUES, aportuguesado do inglês “Landmarks”, significa marca de terra, lindeiro. Em Maçonaria significa limites entre o que seja Maçonaria e aquilo que não se pode intitular como tal. A prática de se relacionar, de se classificar os Landmarques só teve início a partir do século XIX. Anteriormente só se refere a landmarque num sentido genérico, utilizando – se mais o termo regra (rule), como fez a Grande Loja da Inglaterra em seu princípio.
Mas, o que seria efetivamente um Landmarque se os autores Maçons os classificam desde 3 até 54? Quem seria o correto coletor desses landmarques? A maioria deles relacionam problemas simplesmente administrativos de uma Potência Maçônica como se Landmarque fosse.
A classificação mais aceita pelos brasileiros é daquelas a que mais fere o princípio evolutivo da Maçonaria, aceita universalmente. Além de relacionar como se Landmarque fosse problemas administrativos, exigências recentes, a classificação de Mackey, feita em 1858, relativamente nova, afirma em seu último item a inalterabilidade de sua redação, numa atitude evidentemente papal. Teria sido Mackey o ungido de Deus?
A própria Grande Loja Unida da Inglaterra nunca relacionou ou citou uma determinada classificação de Landmarque. Ela aceita como Landmarque os Antigos Deveres citados na Constituição de Anderson. O que ela fez foi citar os oito pontos que exige para reconhecimento de uma Potência Maçônica, que nós aceitamos, pois o Grande Oriente do Brasil tem Tratado de Amizade e Reconhecimento com ela..
O Rito Moderno, coerente com seus princípios aceita como mais concernente a compilação de Findel, que é a seguinte:
1. – A obrigação de cada Maçom de professar a religião universal em que todos os homens de bem concordam. (praticamente transcrevendo as Constituições de Anderson, primeiro documento oficial da moderna Maçonaria)
2. – Não existem na Ordem diferenças de nascimento, raça, cor, nacionalidade, credo religioso ou político.
3. – Cada iniciado torna – se membro da Fraternidade Universal, com pleno direito de visitar outras Lojas.
4. – Para ser iniciado é necessário ser homem livre e de bons costumes, ter liberdade espiritual, cultura geral e ser maior de idade.
5. – A igualdade dos Maçons em Loja.
6. – A obrigatoriedade de solucionar todas as divergências entre os Maçons dentro da Fraternidade.
7. – Os mandamentos da concórdia, amor fraternal e tolerância; proibição de levar para a Ordem discussões sobre assuntos de religião e política.
8. – O sigilo sobre os assuntos ritualísticos e os conhecimentos havidos na iniciação.
9. – O direito de cada Maçom de colaborar na legislação maçônica, o direito de voto e o de ser representado no Alto Corpo.
Como vemos, dificilmente poderemos fazer alguma ressalva a respeito desta relação, razão porque a aceitamos como a que mais se coaduna com aquilo que possamos efetivamente chamar de LANDMARK.


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A Liturgia Adonhiramita

  • Peculiaridades do Rito Adonhiramita
  • Algumas das principais peculiaridades do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos são: A sua tradição e fidelidade aos antigos mistérios; A sua profunda espiritualidade;O tratamento de "Am.ʹ. Ir.ʹ.” ; O uso do nome histórico; Adonhiram como personagem central; O Cerimonial do Fogo; O uso de velas e não de lâmpadas; O pé direito à frente na marcha do Grau; As doze badaladas; O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada; O uso das luvas brancas; O uso da gravata branca; A posição dos AAm.ʹ. lIr.ʹ. VVig.ʹ.; A posição das CCol.ʹ. J e B; A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no evangelho de João; A formação do Pálio; A Cerimônia de Incensação; A proteção mística do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. Int.ʹ.;O uso do sinal do G.ʹ. na circunavegação; A circunavegação em forma do símbolo do infinito; O uso do chapéu em todas as sessões pelos MMestr.ʹ.; O uso da espada pelos MMestr.ʹ., a palavra de Aclamação , além de muitas outras particularidades que fazem o Rito Adonhiramita singular, místico e esotérico.
  • Fundamentos e tradições do Rito Adonhiramita
  • Este Rito é histórico e tradicional, um Rito característico e essencialmente metafísico, esotérico e místico. Constitui um drama psicológico organizado para produzir experiências transcendentais nos participantes e, ao se tornar esotérico no exercício do magistério de sua Liturgia, de um modo geral, induz a mente objetiva a certo grau de relaxamento, o que permite a imersão do subconsciente, resultando em um estado de harmonia e bem estar, tornando-o um Rito de profunda espiritualidade. Têm por base teológica os mistérios egípcios, a volta dos judeus do cativeiro e as verdades bíblicas reveladas no Antigo e Novo Testamento, particularmente, no que concerne à construção do Templo de Salomão e às origens do Cristianismo, com atenção especial voltada para os aspectos proféticos e apocalípticos de ambos os documentos sagrados. Podemos constatar esta profunda espiritualidade ainda no Átrio, quando da entrada ao Temp.´., no momento em que o Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. diz: "... Silêncio meus AAm.ʹ. llr.ʹ.! Eu vos peço um momento de reflexão a fim de ingressarmos no Templ.ʹ.. Neste momento observa-se uma viagem interior, o V.I.T.R.I.O.L. cuja tradução é: "Visita o interior da Terra e, retificando-se, encontrarás a Pedra Oculta". É uma viagem solitária e profunda, um resgate dos mais puros valores inerentes ao ser, à busca do universo interior, a busca do "conhece-te a ti mesmo". Uma viagem para a qual, as condições sociais profanas, a cor, a raça, os credos religiosos e políticos, assim como os metais que distinguem o rico do pobre, tornam-se fardos desnecessários e incômodos. Forma-se então, a Egrégora, uma reflexão agora coletiva elevada ao Supremo Criador dos Mundos, desejando a paz entre os homens, que todos possam se transformar em homens de boa vontade, que os desesperados encontrem a esperança e os tiranos possam encontrar o caminho da justiça.
  • O tratamento de "Am.ʹ.Ir.ʹ." e o uso do Nom.ʹ. Hist.ʹ. no Rito Adonhiramita
  • "Am.ʹ. Ir.ʹ. "era o tratamento usado entre os adeptos das comunidades religiosas mais antigas, para significar o apreço, o respeito e a confiança mútua entre esses adeptos. Era o tratamento escolhido pelos primitivos cristãos, até para se identificarem entre si; tratamento este que ainda hoje é empregado pelos pregadores cristãos, ao se dirigirem ao público dentro das Igrejas e Templos. Tratamento este que deverá ser conquistado pelos méritos maçônicos de cada Ir.ʹ..Sejam quais forem as relações que um maçom tiver com o outro é proibido usar de outra denominação que não seja a de Am.ʹ. Ir.ʹ., isto basta para o elogio na Maçonaria, porque este nome sagrado, encerra em si, todos os sentimentos bons de que o coração humano é capaz de vivenciar. O Nom.ʹ. Hist.ʹ. é de todo útil, no momento da iniciação e durante toda a vida maçônica, receber a guarda, a proteção e o exemplo de espíritos luminosos que, ricos de virtudes nesta vida, sobretudo como maçons, se comportam, de certo modo, como Anjos-da-guarda, mensageiros fiéis do G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ. Por isso, no Rito Adonhiramita, a cada Ir.ʹ., quando de sua iniciação, é atribuído o nome de um personagem virtuoso em prol da Humanidade, da Pátria, da Sociedade, etc., Maçom ou não, e que já tenha partido para o Oriente Eterno, para ser seu Patrono, absorvendo-lhe o nome a que denominamos "Nome Histórico". Com esse Nome Histórico, o Ir.ʹ. é batizado em momento próprio da Iniciação com os seguintes dizeres: "E para que de profano nem o vosso nome vos reste, eu vos batizo com o Nome Histórico de....” A prática tem grande valia para o sigilo e a preservação da identidade civil, ao mesmo tempo em que constitui um símbolo de profunda significação. Se a Maçonaria tem por objetivo transformar o homem profano no homem iniciado, o gesto de lhe dar um novo nome por ocasião da iniciação está a indicar que ele, dali em diante, deve se transformar num novo ser.
  • A denominação Adonhiramita
  • De acordo com a Bíblia, HIRAM era o arquiteto que se encarregara dos projetos da construção do Templo de Salomão, filho da viúva de NEFTALI. A seu lado havia outro HIRAM, o rei de Tiro, que fornecera a Salomão grande parte dos materiais utilizados na obra. Já ADONHIRAM, filho de Abda, era o funcionário encarregado dos tributos na corte de SALOMÃO, por este estar incumbido do recrutamento dos operários quando da construção do Templo. Como tal, vem designado no 1º Livro dos Reis, Cap. IV com o título de “preposto às corvéias”. ADONHIRAM era a pessoa que recrutava os operários, selecionava-os, dividia-os segundo suas capacidades ou necessidades da obra e, por certo, também lhes pagava o salário, até porque era o tesoureiro de SALOMÃO. Sendo assim para nós ADONHIRAMITAS é o personagem central da Construção do Templo de Salomão, Adonhiram (Hiram de Deus), conforme nos asseguram os versículos 6 do capítulo IV e 13 e 14 do capítulo V do 1°Reis no Antigo Testamento. Acreditamos que a verdadeira palavra é Adonhiram, ou Hiram composto do pré-nome Adon (dominus), que os hebreus usam frequentemente quando falam de Deus; este prenome agregado à palavra Hiram, faz-se Adonhiram, que significa Hiram, "O consagrado ao Senhor", "O bom Senhor” ou "O divino Hiram'', de onde foi derivado o título de Maçonaria Adonhiramita.
  • O Cerimonial do Fogo
  • Dos quatro elementos tradicionais: terra, água, ar e fogo, o fogo é tido como princípio ativo ou dinâmico, transformador, germe da geração, é o mais puro, animador e fonte energética. Simboliza a força impulsionadora do universo, além de movimento e energia. Seu movimento é para o alto, ascendente, e seu poder é de criação por transformação. O Cerimonial do Fogo alude a uma invocação ao Senhor de Todas as Luzes, ao G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. cujos atributos infinitos estão novamente sintetizados nas três palavras pronunciadas, por cada uma das Luzes da Loj.ʹ. Ven.ʹ. Mestr.ʹ. - Sabedoria; 1° Vig.ʹ. - Força; e o 2° Vig.ʹ. - Beleza.
  • A razão de utilizar velas e não lâmpadas
  • As velas que usamos, sempre de cera pura de abelhas, como manda a tradição, emitem uma chama pura e sem fuligem, emitem fogo, o que não acontece com as lâmpadas elétricas. O fogo sempre acompanhou a humanidade desde os mais primitivos ancestrais, e nesta sua marcha através da história foi assumindo sempre mais o aspecto de ligação entre o homem e os espíritos, entre o homem e o G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ.. O fogo, desde que o homem começou a percebê-lo conscientemente como um dos elementos da natureza, foi sempre olhado como um elemento mágico e de origem divina, motivo pelo qual, seu simbolismo foi mantido em nossas cerimônias.
  • O pé direito à frente na marcha do Grau
  • Simbolicamente o lado direito é ativo, positivo, criativo, masculino e representa o poder de realização, enquanto o lado esquerdo é passivo, negativo, receptivo, feminino e representa a capacidade de modelação. Romper a marcha com o pé direito, representa que o nosso poder criativo, masculino, positivo, se sobrepõem aos nossos aspectos negativos que devem ser submetidos à nossa vontade e superados com a prática das virtudes. Em simbologia, o lado direito sempre esteve ligado ao poder da Luz, e o lado esquerdo ao poder das Trevas. Todavia, nada tem a ver com superstições, mas sim, posturas que guardam um sentido simbólico.
  • Doze badaladas
  • Antigamente, na Maçonaria, o sino era de uso comum nas Cerimônias das Lojas Simbólicas, a fim de anunciar a hora dos trabalhos. O Rito Adonhiramita, procurou coexistir com o seu uso, não perdendo a tradição dos antigos, assim como a tradição religiosa e os costumes iniciáticos dos mistérios. Em muitas civilizações antigas, o sino era utilizado no sentido de conclamar todos os seres humanos, e, também, os sobrenaturais, além de evocar as Divindades, se tornando daí, o símbolo do chamamento ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ.! Assim, juntamente com a Cerimônia de Incensação o Cerimonial do Fogo e as Doze Badaladas harmonizam as vibrações místicas e esotéricas da egrégora formada em sintonia com a Luz Maior emanada pelo Supremo Criador dos Mundos.
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada simbolizam a ligação do antigo com o novo, a continuidade e a ligação com o G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ., em consciência compartilhada e identidade comum. Desde os antigos tempos a cultura da Chama Sagrada era tida como primordial e essencial para a busca e manutenção da harmonia e da paz, tanto para os lares, quanto, até mesmo, para as cidades da antiguidade.
  • O uso das luvas brancas
  • As luvas brancas representam a candura que reina na alma do homem de bem e a pureza de seus atos, de coração e intenções. Motivo pelo qual o Am.ʹ.Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. antes da entrada ao Temp.ʹ., exclama: "... Meus AAm.ʹ. llr.ʹ., se desde a meia-noite, quando se encerraram nossos últimos trabalhos, se conservastes vossas mãos limpas, calçai as vossas luvas...". O calçar das luvas é para que as mãos de todos os obreiros fiquem iguais. Tornam as mãos calejadas do operário, tão macias quanto às mãos do intelectual, do médico, do engenheiro etc, assim como se igualam pelo uso uniforme das outras peças do vestuário. As luvas simbolizam a pureza que deve estar presente em todos os atos de um maçom. Pela mão direita se dá pela esquerda se recebe. Dá-se com pureza e recebe-se com pureza.
  • A gravata branca
  • A gravata branca, por sua cor, está associada à paz e guarda a sua origem na aristocracia francesa. Na prática, a gravata é uma peça da indumentária e de criação recente, inspirada nos cordéis utilizados para o fechamento das camisas antes da invenção dos botões, que terminava em um laço à altura do pescoço. Logo, a gravata é um complemento da camisa, e assim, parte integrante da mesma. Sendo a camisa branca, consideramos que a gravata também deve ser branca para se manter em harmonia interior.
  • Onde se colocam os VVig.ʹ. e porque desta posição?
  • No Oc.ʹ., para melhor observarem a passagem do Sol pelo meridiano. O Sol vem do Oriente, e, portanto, para observá-lo, os VVig.ʹ. devem, ambos, estarem postados numa mesma linha, de frente para o Oriente, o que só pode ocorrer se eles estiverem sobre o mesmo meridiano. Por isso, os dois VVig.ʹ. no Rito Adonhiramita se posicionam ao Ocidente, numa mesma linha, perpendicular à linha do Equador Or.ʹ. – Oc.ʹ. no mesmo meridiano.
  • Porque no Rito Adonhiramita, as CCol.ʹ. J e B ficam em posições invertidas em comparação com outros Ritos?
  • Os estudiosos do Rito afirmam que a posição das CCol.ʹ. J e B, e dos próprios VVig.ʹ., se deu quando das primeiras "revelações dos segredos da maçonaria", ou seja, em 1730, quando foi publicado na Inglaterra, o livro Maçonaria Dissecada, de autoria de Samuel Pritchard.Esta obra em questão foi o fruto da traição perpetrada pelo autor que a 13 de outubro de 1730, prestou depoimento juramentado perante um magistrado, no qual relatava detalhes de sua iniciação na Maçonaria, inclusive ao Grau de Mestre. O livro continha todos os sinais, toques e palavras utilizados à época, bem como citava HIRAM, as marchas e todo o acervo sigiloso. Esta traição obrigou a Ordem a processar algumas mudanças necessárias a confundir os curiosos profanos "bem informados", que se utilizando de tais informações demandavam a invadir as Lojas como se fossem verdadeiramente iniciados. Renomados autores veem nestas mudanças a origens das diferenças existentes entre o Rito Adonhiramita em relação aos demais Ritos no que se referem à posição das colunas, os respectivos vigilantes e todos os detalhes oriundos de suas posições. O Rito Adonhiramita permaneceu fiel às antigas tradições, adotando os antigos costumes. Motivo pelo qual, em comparação com alguns ritos, se constata que as CCol.ʹ. e algumas funções estão invertidas. Todavia, mesmo havendo, comparativamente, a inversão das CCol.ʹ., os AAm.ʹ. Ilr.´. AApr.ʹ. continuam na Col.ʹ., da Beleza, ou seja, na Col.ʹ. do 2° Vig.ʹ..
  • A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João
  • O Evangelho de João é o mais profundo dos quatro Evangelhos, cuja terminologia significa "Boa Nova", e é o mais místico, o que mais causou polemica devido a sua linguagem e filosofia. Todas as correntes ortodoxas do cristianismo primitivo, destacando os antigos Gnósticos, se apoiavam nos escritos de João. A espiritualidade é tema fundamental para o Rito Adonhiramita, assim como a tradição, e por esta, registra-se que primitivamente todas as Lojas de origem Francesa abriam o L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João."Houve um homem enviado por Deus que se chamava João." Este João, é o Batista, ou seja, aquele que batizava, que iniciava aos antigos mistérios. Lembrando ainda, que no momento da abertura do L.ʹ. da L.ʹ. a leitura do texto sagrado e a colocação do esq.ʹ. e o comp.ʹ. na posição do grau, o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ. está protegido pelo Pálio.
  • O Pálio
  • No Rito Adonhiramita, o Pálio, é formado, tal qual uma pirâmide, pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. juntamente com um M.ʹ. da Col.ʹ. do S.ʹ. e outro M.ʹ.da Col.ʹ. do N.ʹ.. Estes AAm.ʹ. llr.ʹ. o formarão postando suas espadas como extensão de seus braços direitos estendidos em ângulo de 52°, tocando-se e cruzando-se no alto sobre o Alt.ʹ. dos JJur.ʹ. e o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ.. Estando na abertura, a espada do Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. por baixo das demais, dando sustentação, e no encerramento, por cima das demais, sobrepondo-as. As espadas, como condutoras de energias em forma de pirâmide, voltadas para cima, estão absorvendo as energias do alto, protegendo a abertura do L.ʹ. da L.ʹ. pelo Oc.ʹ. pelo S.ʹ. e pelo N.ʹ. deixando livre apenas o lado do Or.ʹ. do qual se emanará a Luz e a onipresença do G .ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ..
  • A Cerimônia da Incensação
  • A Incensação tem origem nos mais remotos costumes religiosos da civilização humana. Esta cerimônia representa uma espécie de profilaxia ambiental, a Incensação deixa o ambiente físico do Templo impregnado do agradável odor da essência utilizada, tais como Benjoim, Mirra e Incenso entre outras. Por outro lado, a tradição nos informa que esta cerimônia afasta do meio místico e esotérico do Templo as sombras ou entidades maléficas, que por acaso, se disponham a perturbar as Luzes da Loja, e, consequentemente, os seus trabalhos. A incensação tem como valor simbólico a associação do homem à divindade, do finito ao infinito e do mortal ao imortal. Ao espargir a fumaça se está purificando o ambiente tanto no sentido físico por tratar-se de substância com propriedades anti-sépticas, como espiritual, pois o incenso tem a incumbência de elevar a prece para o céu. A incensação gera uma atmosfera de aroma agradável e magnetiza com fluidos benéficos os obreiros e o ambiente, contribuindo para a formação da egrégora e propiciando à reflexão. No ato da Incensação são invocadas as três palavras que sintetizam atributos do G.ʹ. A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. SABEDORIA, FORÇA e BELEZA. Por esses motivos, é que, ao nos incensarmos, nos limpamos nos purificamos a nós e ao ambiente, favorecendo a permanência da egrégora. Também, se torna necessário lembrar que durante a cerimônia da incensação, depois que o Am.ʹ. Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. efetua a incensação do Templ.ʹ. e de todos os llr.ʹ. ele troca de lugar e função com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. e este, com a porta entre aberta, sem sair do Templ.ʹ. incensa o átrio. Esta tarefa de incensar o átrio somente pode ser executada pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. porque ele é o único que está protegido e capacitado mística e esotericamente para se expor às energias que circulam fora do Templ.ʹ..Tanto é que o nosso próprio ritual aconselha que este cargo seja ocupado pelo ex-Ven.ʹ. Mestr.ʹ. mais recente, pois este, dentre todos, é quem possui os atributos místicos e esotéricos para suportar tais energias e impedir que as mesmas adentrem o interior do Templ.´..Por este motivo também, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. ocupa o seu lugar sobre a linha simbólica do equador, de frente para o Ven.ʹ. Mestr.ʹ. invertendo a polaridade das energias, ou seja, atraindo para si, todas as energias negativas que excedam o suportável pela Egrégora da Loja, como se fosse um para-raios.A própria troca de funções do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Mest.ʹ. de CCer.ʹ. através do giro, é um ato personalíssimo do Rito Adonhiramita, pois ambos se interligam formando um X (xis) com as mãos, ou seja, mão direita com mão direita e mão esquerda com mão esquerda, doando e recebendo, ao mesmo tempo em que, girando, as energias e atributos são permutados qualificando um e outro para sequência cerimonial. Destrocando logo em seguida, na mesma forma.
  • A circunavegação
  • Realizamos a circunavegação com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. uma vez que não seria possível ao Obr.ʹ. caminhar com o Sin.ʹ. de Ord.ʹ. pois neste, o Obr.ʹ. necessita, além de estar com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. estar também com os pp.ʹ. em esq.ʹ. formando a tríp.ʹ. esq.ʹ. com o p.ʹ. dir.ʹ. voltado para a frente. Assim procedemos em respeito aos antigos costumes e desde que o Obr.ʹ. não esteja conduzindo material litúrgico, quando então fica dispensado do Sin.ʹ. do Gr.ʹ.. A circunavegação, é realizada em forma do símbolo matemático do infinito visto que este símbolo representa, esotericamente, a estrada do tempo e da continuidade da vida, pois todo começo contém em si o fim, e todo fim contém em si o começo. É o caminho do constante renascimento. E o Rito Adonhiramita, por sua profunda espiritualidade, filosofia mística e esotérica, concede ao seu adepto a possibilidade de caminhar nesta senda na busca do conhecimento, da evolução e aprimoramento espiritual.
  • MMestr.ʹ. usam chapéu em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso do Chapéu na Maçonaria é bem antigo; estes, conforme nos narra a história, surgiram para substituir as antigas carapuças usadas na Idade Média. Os Chapéus foram primeiro usados pelos sumérios e os egípcios na Antiguidade e posteriormente pelos gregos que usavam um chapéu de palha de fundo pontudo que era denominado de "THOLIA", e só se tem conhecimento do seu uso na Europa após o século XVII. Na Maçonaria, o Chapéu passou a ser usado a partir do século XVIII como símbolo hierárquico e esotérico. A maçonaria ocidental é também chamada de maçonaria salomônica, devido ao fato da influência judaica ser indiscutível em sua base filosófica.Trazendo da influência cabalística, o uso do chapéu como forma de cobertura da primeira Sephirah da Árvore da Vida, como faz o povo semítico nas cerimônias de culto ao Deus Único. O chapéu assume assim dois significados. O primeiro, de origem cavalheiresca, advém da tradição que remonta ao início do século XVIII da qual somente os pertencentes da aristocracia tinham o direito de usar chapéus, sendo a princípio tolerado como uma regalia. O segundo, de caráter esotérico, simboliza que apesar da eterna busca da verdade, a inteligência humana reconhece seus limites ante o grande mistério da criação, motivo pelo qual devemos nos descobrir quando seja feita menção ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ..
  • MMestr.ʹ. usam espada em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso da espada é símbolo de autoridade de uma casta distinta e considerada nobre em todas as sociedades antigas, os guerreiros. Quando o Rito de Heredon, fonte de origem do Rito Adonhiramita, Escocês Antigo e Aceito e o Moderno, foi introduzido na França, era praticado quase que exclusivamente por membros da aristocracia, pessoas que possuíam o direito do uso da espada, símbolo naquela época, de condição social elevada. Dos Ritos que tiveram origem no Rito de Heredon, somente o Adonhiramita permaneceu fiel à tradição dos MMestr.ʹ. usarem a espada e o chapéu em todos os graus do simbolismo. Devemos esclarecer também que, muito embora o uso das espadas tenha se originado na aristocracia francesa, não é por este motivo que o Rito Adonhiramita a mantém em suas cerimônias. Tão pouco tem ligação a ser guerreiro ou militar! Seu uso no Rito Adonhiramita se dá exclusivamente ao misticismo e esoterismo relacionados aos efeitos geomagnéticos, uma vez que todo o desempenho do Rito Adonhiramita, interfere diretamente em correntes energéticas. Devido a isto, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. (Nom.ʹ. Hist.ʹ.) Dig.ʹ. Cobr.ʹ. neste exato momento, assim como durante todo o tempo em que permanece sentado, estará com a sua espada voltada com a lâmina para baixo em contato com o solo, descarregando as energias que absorve na função de para-raios, conforme já mencionado anteriormente.
  • A palavra de Aclamação
  • A palavra de Aclamação Vivat (pronuncia-se Vivá) é a antiga saudação utilizada ainda no inicio do Século XVIII. No Rito Francês ou Moderno, após a Revolução Liberal de 1789, ela foi substituída pela aclamação Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Vivat tem o mesmo significado da saudação escocesa que se pronuncia Huzzé, Huzzé, Huzzé, cuja tradução do hebraico é Vivá, Vivá, Vivá, que em latim corresponde ao Vivat, Vivat, Vivat. Vivat deriva do verbo Latino 'Vivere' significando "VIDA" e expressa o profundo querer por tudo o que existe. Os três Vivat, correspondem a estes três pedidos: "Que Ele viva. Que todas as pessoas vivam, que toda a criação viva". Podemos lembrar-nos de outras peculiaridades do Rito Adonhiramita, como o estalar dos dedos na aclamação, a subida um a um dos degraus na circunavegação, a ausência das CCol.ʹ. Zodiacais, a entrada em Procissão, a forma de executar a bateria do grau, além da cena da traição e da câmara ardente na Sessão Magna de Iniciação. AAm.ʹ. llr.ʹ. em todos os seus graus e qualidades, estas são algumas das principais peculiaridades da ritualística e da liturgia do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos. Mas deixamos bem claro, que estas peculiaridades não o tornam nem melhor e nem pior que os demais ritos, apenas diferente, mas, com o mesmo objetivo de todos os Maçons e da Maçonaria Universal, a busca do aperfeiçoamento de todos os seres humanos.http://www.adonhiramita.org/liturgia.htm