segunda-feira, novembro 23, 2015

Posted: 23 Nov 2015 04:00 AM PST


 A “HIPÓTESE DEUS”
                          
Não faz muito tempo que os cosmologistas começaram a aceitar a possibilidade de que o universo pode ser uma estrutura perfeitamente planejada e que ele está sendo construído de certo modo. A crença de que ele era estático e igual em toda parte passou a ser substituída pela ideia de um “ser” em constante evolução, onde as leis naturais funcionam como uma espécie de “constituição” reguladora desse processo. 
Nesse sentido, esses cientistas começaram até a considerar a possibilidade da chamada ‘Hipótese Deus”, admitindo finalmente a existência de uma Mente Universal na origem desse planejamento. Essas constatações tem sido facilitada pelos próprios métodos científicos utilizados por esses estudiosos em suas investigações, que mostram, na organização estrutural da matéria física, uma perturbadora semelhança com a organização do próprio universo em sua estrutura cósmica. Com essas coincidências, perfeitamente prováveis por medições científicas, já não é mais possível admitir, de pleno, que o universo seja regido unicamente por leis mecânicas, sem uma Vontade a organizar esse processo, como antes se admitia no meio científico. Laplace, por exemplo, dizia que Deus era uma hipótese perfeitamente desnecessária. Mas quando se olha a estrutura de um átomo e a estrutura de um sistema planetário, não se pode deixar de perceber a estreita semelhança entre as duas. É nesse sentido que a pesquisa da estrutura da íntimo da matéria tem revelado aos cientistas o segredo da constituição do universo, e nele cada vez mais se nota a presença de uma “Vontade” que o governa. 
Hoje se sabe que o universo é constituído de tal modo que é difícil, se não impossível, não pensar em uma ordem natural a gerir o processo da sua formação. Essa constatação é feita pelo fato de que se pode reconhecer, no processo de geração da matéria universal, a existência de três funções que seriam impossíveis de ser encontradas em uma ordem puramente mecanicista: a complexidade, que permite aos elementos componentes da matéria física se organizar em graus de complexidade cada vez maiores; a mutabilidade, que permite a mudança gradativa de suas composições e a perenidade, que admite a mudança de sua estrutura sem, no entanto, eliminar as propriedades particulares de seus componentes. Tudo isso só é possível na existência de um Sistema perfeitamente planejado, como bem o definiu Mallowe.[1]


          


Em um de seus mais interessantes trabalhos, o físico Stephen Hawking situa o início do tempo no momento de nascimento do universo conhecido, momento esse chamado de big-bang.[2] Assim, o tempo, para os cientistas, começou junto com o espaço, e por isso ele sempre é representado por duas linhas que começam em um ponto zero e se alongam na mesma proporção, em setas orientadas em duas dimensões: a dimensão do tempo, que nos faz pensar em eternidade e a dimensão do espaço, que nos faz pensar em infinidade.
       
Quando se começa a especular sobre esse tema, surge a intrigante pergunta: Se foi Deus que fez o universo, o que Ele era e o que fazia antes de começar a fazê-lo? Ele já existia antes disso? Ou Ele “nasceu” junto com o universo? 
     “Há cerca de 15 bilhões de anos”, escreve Hawking, “ todas (as galáxias) teriam estado umas sobre as outras, e a densidade teria sido enorme. Esse estado foi denominado átomo primordial pelo sacerdote católico Georges Lemaiter, o primeiro a investigar a origem do universo que agora chamamos de big-bang.” A partir desse momento, segundo essa tese, o universo, que estava contido nessa região extremamente carregada de energia, tornou-se uma imensa bolha de gás que nunca mais deixou de se expandir.[3]                                            
A Bíblia, ao registrar esse fato não é menos metafórica e misteriosa do que os compêndios científicos que procuram explicar como o universo nasceu. Ela fala que “no início Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia e as trevas cobriam a face do abismo.” E então, do meio ás trevas Deus fez sair a luz. E Deus viu que a luz era boa e por isso a separou das trevas.[4]
O texto bíblico parece sugerir que Deus já existia antes de começar a fazer o universo. Assim, Ele não pode ser o universo, como sustentam os adeptos do panteísmo, que identificam Deus com a sua própria criação, como se esta fosse algo capaz de existir por si própria.[5]
A Bíblia identifica Deus como “o Espírito que movia-se sobre as águas.” Expressão enigmática que nunca pode ser explicada a contento dentro da lógica comum, já que, se o mundo ainda era pura trevas e a terra era informe e vazia, que “águas” eram essas sobre as quais o Espírito de Deus se movia? Pois, ao que parece, elas já existiam antes de Deus separar a luz das trevas. Assim, a Bíblia nos dá uma identificação e uma ideia do que era Deus antes de começar o mundo: Ele era “Espírito”, seja qual for o significado que o cronista bíblico quisesse dar á essa expressão. Mas não responde á segunda pergunta: O que Ele fazia antes de começar o mundo?
Essas especulações se tornaram tão intrigantes que os próprios rabinos israelenses, produtores e comentadores da Bíblia, tiveram que quebrar a cabeça para responder á multiplicidade de perguntas que surgiram a esse respeito. Foi então que nasceu, entre os mestres cabalistas, a chamada Grande Assembleia Sagrada, que se refere a um grupo de rabinos dedicados ao estudo da personalidade do Ser Supremo, sua natureza e seus atributos. Das especulações produzidas por esse grupo surgiu a chamada Siphra Dtzenioutha, conhecido como o “Livro do Mistério Oculto”, parte mais misteriosa do Sepher há Zhoar, a bíblia cabalista. [6]

Para responder á intrigante pergunta de quem era Deus e o que fazia antes de começar a fazer o universo físico, esses estudiosos criaram os conceitos de “Existência Negativa” e “Existência Positiva” termos utilizados pelos cultores da Kabbalah mística para designar Deus “antes” e “depois” de fazer o mundo. Nesse sistema, Deus (Ain em hebraico), é visto como uma forma de "energia" que em dado momento expandiu-se para fora de si mesmo, tornando-se o universo material (Ain Sof Aur- אין סוף). Esse termo, na Kabbalah, significa Luz Ilimitada. É a luz que se espalhou pelo nada cósmico, dando origem a tudo que existe. Essa visão mística do nascimento do universo, expressa no Livro do Mistério Oculto (Siphra Dtzenioutha), é definida com a misteriosa frase “antes que o equilíbrio se consolidasse, o semblante não tinha semblante[7].
Aqui está inserta a estranha ideia de que antes de fazer o mundo, ou seja, antes de Deus manifestar-se como existência no mundo das realidades sensíveis, Ele já existia como potência, que embora não manifesta, já continha todos os atributos do universo manifestado. Ele já era todas as coisas, que viviam uma “existência negativa”, na qual a mente humana não pode penetrar justamente porque ela só pode conceber um plano de existência positiva, onde as ações podem ser identificadas e suas causas recenseadas.
Agora, como capturar uma realidade que está além da nossa capacidade de mentalização? Sabemos que ela existe porque suas manifestações emanam para o plano da realidade sensível e é causa de fenômenos observáveis e mensuráveis. Quem sabe definir o que é a eletricidade, por exemplo? Sabemos como ela se manifesta, como atua e até já aprendemos a usá-la para as nossas finalidades, mas o que ela é nenhum cientista, ou filósofo, até agora, ousou afirmar.
“Antes que o equilíbrio se manifestasse, o semblante não tinha semblante” é uma forma metafórica de explicar aquilo que a nossa linguagem não consegue articular num discurso lógico. Então os cabalistas recorrem á metáfora, ou ao símbolo, para dizer que a criação divina já existia antes de existir. Ou seja, antes que o universo adquirisse uma forma, ele já estava na Mente de Deus, como presença sem forma, sem nome, impossível de ser pensado pela mente humana. Era o próprio Caos primordial, no dizer dos filósofos gnósticos, que ao “vazar” para além de si mesmo adquiriu uma organização.  
Deus já era antes de ser o universo. Ou como diz Rosenroth “o universo inteiro é a vestimenta da Divindade: Ele não apenas contém tudo, mas também Ele mesmo é tudo e existe em tudo”. Essa é outra maneira de dizer que Deus, em sua Existência Negativa, é o “Espírito que se move sobre as águas” e na sua “Existência Positiva”, ele é o próprio universo.[8]
Outra visão dessa realidade pode ser posta em forma de analogia, seguida de um símbolo mediato. Os cultores da Kabbalah mística dizem que “Deus é pressão”, e que sua manifestação no mundo das realidades fenomênicas tem a forma de um círculo cujo centro está em toda parte e cuja circunferência está em parte alguma. Sabemos que todo círculo tem um centro e uma circunferência. O centro é o ponto de onde ele emana e a circunferência uma corda que o limita. Dizer que o centro do círculo está em toda parte e que sua circunferência está em parte alguma é falar de um espaço que não começa em ponto algum e não acaba em lugar nenhum, uma dimensão sem início nem fim. Ou como diz MacGregor Mathers, “ O oceano sem limites da luz negativa não procede de um centro, pois não o possui. Ao contrário, é essa luz negativa que concentra um centro, a qual é a primeira das sefiroths, manifestas, Kether, a Coroa.”  [9]

Assim, essa idéia da divindade supre a necessidade que a mente humana tem de situar um início para o universo e imaginar, não um fim para ele, mas uma finalidade. Destarte, a dimensão da Existência Negativa é um momento anterior á qualquer manifestação da Divindade no terreno das realidades positivas, ou seja, um estado latente de potência concentrada em si mesma, que em dado momento cedeu á “pressão” interna da sua própria potencialidade e “gerou a si mesmo”. Figurativamente, o big-bang seria o “parto de Deus”, o qual, simbolicamente poderia ser representado por um ponto dentro do círculo, como o faz Madame Blavatsky em sua cosmogonia da Criação.

                                

                                                        
Em analogia ao conceito bíblico de criação, poderíamos dizer que o big-bang dos cientistas equivale ao momento em que Deus “separou a luz das trevas”, ou seja, o momento em que o Grande Arquiteto do Universo “pensou” o universo, na tradição maçônica.
Essa é a base da formidável arquitetura universal que a inteligência dos sábios rabinos de Israel conceberam e que a sensibilidade mística dos espíritos que não se contentam em viver no estreito território que a linguagem lógica nos obriga a permanecer adotou. Entre estes estão os maçons espiritualistas, que veem na sua Arte muito mais do uma mera prática social derivada de uma tradição que incorpora ideias esotéricas.
 O conceito de que Deus é o Grande Arquiteto do Universo tem sido empregado em muitos sistemas de pensamento e o cristianismo místico o tem adotado em várias de suas manifestações. Ilustrações de Deus como o arquiteto do universo podem ser encontradas nas nossas Bíblias desde os primeiros séculos da Idade Média e tem sido regularmente empregadas pelos doutrinadores cristãos de todas as tendências.

São Tomás de Aquino, um dos mais respeitados filósofos da Igreja Católica, sustentou a existência de um Grande Arquiteto do Universo, que seria a Primeira Causa de todas as coisas. Por seu turno, João Calvino, um dos mais influentes divulgadores da Reforma Protestante, também se refere á Deus como sendo uma espécie de Arquiteto, pois seu trabalho de construção do universo material, o cosmo, e do universo espiritual (a humanidade em sua história moral) assemelha-se á construção de um grande edifício.[10]
Na Maçonaria, o termo Grande Arquiteto do Universo é uma metáfora que, na sua origem, tem inspiração cabalística. Era um termo aplicado á divindade pelos maçons operativos, construtores de catedrais e grandes obras públicas, que viam em Deus o autor dos planos estruturais do edifício cósmico e por analogia, da humanidade. Nesse sentido, o mundo físico e mundo espiritual eram construídos a partir de uma estratégia desenvolvida por Deus, que como se fosse um arquiteto, pensava os planos do universo e seus mestres (os anjos) e pedreiros (os homens) o construíam.
Essa era uma idéia extraída da interpretação cabalística da Bíblia, pois a Kabbalah vê o universo como se fosse um edifício sendo construído em dez etapas de manifestação da potência divina, que é simbolizada na chamada Árvore da Vida, ou Árvore Sefirótica, símbolo de extraordinário conteúdo esotérico, que se presta às mais diversas analogias e ilações, unindo a mística das antigas religiões do oriente com as modernas descobertas da física atômica.
O termo “Grande Arquiteto do Universo” também foi apropriado pela filosofia gnóstica, sistema de pensamento onde o Criador “gera” um casal real (Cristo e Sofia, o primeiro par de eons), a partir do qual a sabedoria (gnosis) é trazida para o mundo. Através da atuação desse “casal cósmico”, nascem os “eons” (anjos, para uns, arquétipos para outros) que orientam os homens em suas ações. Constrói-se assim, o mundo e o homem, com o Grande Arquiteto traçando os planos estruturais e seus agentes trabalhando para executá-los. 
Assim, o Grande Arquiteto do Universo, que os maçons, em sua linguagem simbólica, abreviam para G. '. A.' .D. '. U. '. , é o termo utilizado para representar Deus em seu trabalho de arquitetura cósmica. Os anjos são seus mestres supervisores e os homens seus pedreiros. Fecha-se, dessa forma, o círculo místico que explica a forma maçônica de pensar um começo do universo e abre-se, para todos os temas do seu catecismo, uma justificativa do porque a Arte Real os trata desse modo.
O G.‘.
 A.’. D.’. U.’., portanto, é um símbolo que representa a “Hipótese Deus” dos cientistas, pois somente através dessa ferramenta linguística a mente humana pode conceber realidades que estão fora do alcance da seu alcance lógico.  
Qualquer coisa, para ser entendida, precisa ter um começo. Deus é o começo. Não satisfaz ao maçom pensar nele como um ancião de barbas brancas, semelhante a um velho patriarca bíblico, que procura criar e manter sua família confinada ás tradições de um clã, nem se comunga, na Maçonaria, com a visão – por muitos chamada de científica – que vê a Divindade orientando um processo de criação que se assemelha ao trabalho de um pecuarista selecionando crias para melhorar a sua espécie. Ao contrário, aqui a idéia é a de que aqui estamos como funcionários Dele, construindo alguma coisa que Ele arquitetou. Por isso o maçom é o pedreiro da obra universal e Deus é o Grande Arquiteto do Universo. 
Destarte, para a Maçonaria, a Hipótese Deus já está suficientemente provada. 

 


[1] Eugene Franklin Mallove (1947 – 2004) The Quickening Universe  –St Martins Pr; 1º edition, 1987.
[2] Stephen Hawking- Uma Breve Históriado Tempo- Círculo do Livro, 1988
[3] O universo em uma casca de nóz, citado, pg. 22
[4] Gênesis, 1: 3
[5] O panteísmo é a crença de que Deus é a própria natureza e não se distingue dela como entidade. Nesse sentido, Deus(theos) é o “tudo”(pan), e só existe como um princípio, uma energia, que dá geração a tudo que existe, mas não existe independente desse tudo. Nesse sentido, Deus seria o próprio universo, com suas leis físicas e morais.
[6] Knor Von Rosenroth-  A Kabbalah Revelada- Madras, 2010
[7] Idem, pg. 65                                                                    
[8]  A Kabbalah Revelada, op citado, pg 63
[9] Citado por Dion Fortune- Cabala Mística, pg 36
[10] Institutos da Religião Cristã , 1536.

DO LIVRO KABBALAH PARA MAÇONS- NO PRELO

João Anatalino
Publicado neste blogue no uso da licença Creative Commons, constante no sítio da publicação original deste texto, http://www.joaoanatalino.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5439823.
Rui Bandeira

domingo, novembro 22, 2015

Os Dois Coveiros da Maçonaria

Por Ricardo Vidal

Meus prezados Irmãos!
Meus amados irmãos Aprendizes e Companheiros!
Mais de uma década de rica experiência na Maçonaria, de convívio com pessoas que pensam e agem das mais diversas maneiras; de observação, pesquisa, investigação e busca incessante da verdade, permitiu-me identificar inúmeros tipos de maçons, dois  dos quais são altamente deletérios à saúde da nossa sublime instituição, fonte de seus principais problemas: o místico supersticioso e o vaidoso arrogante. Conhecer um pouco da personalidade desses dois impostores,  existentes em nosso meio em razoável número, bem como as desordens psicológicas que definem o comportamento  anormal e antimaçônico de ambos, é uma boa maneira de proteger-se deles, em especial em situações em que não é fácil ou possível evitá-los.
Estou certo de que o presente trabalho será de grande valia para os irmãos mais novos, sobretudo para aqueles que ingressaram em nossa instituição com a mente cheia de pensamentos honestos e ideais elevados. Servirão também para fazer corar de vergonha aqueles que se enquadram em nossa análise, persuadidos de que estão a salvo dos olhares atentos de irmãos mais esclarecidos.

PARTE I
O MÍSTICO SUPERSTICIOSO
(O paraíso do idiota é o mundo de ilusões por ele criado)
Antes de iniciarmos a análise desse tipo de maçom, seria interessante passarmos os olhos em alguns princípios fundamentais da Maçonaria que ele contraria ou ignora, total ou parcialmente:
a) A Maçonaria não impõe limites á livre INVESTIGAÇÃO DA VERDADE e exige de todos a maior TOLERÂNCIA;
b) A Maçonaria é acessível a homens de todas as CLASSES, CRENÇAS RELIGIOSAS E OPINIÕES POLÍTICAS, excetuando-se aquelas que privem o homem da liberdade de consciência, restrinjam os direitos e a dignidade da pessoa humana, ou que exijam submissão incondicional aos seus chefes, ou, ainda, PRIVEM O HOMEM DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO;
c) O objetivo da Maçonaria é COMBATER A IGNORÂNCIA em todas as suas modalidades;
d) E o FANATISMO e as paixões que acarretam o OBSCURANTISMO (*)
_________________________________
(*) Ritual do Simbolismo do Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, págs.1-2. (Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo-GLESP).
(a) Intolerância e mediocridade
Violador contumaz dos regulamentos acima, e de dezenas de outros que disciplinam as nossas relações, incluindo os landmarques, o maçom supersticioso é inimigo da verdade e amante da mentira. A facilidade com que se entrega aos encantos de certas imposturas – algumas fabricadas por bárbaros e alucinados que viveram na Idade do Bronze–, chega, em alguns casos,  a ser revoltante. Preguiçoso  mental por excelência – característica notória de todo indivíduo supersticioso –, ele nunca se dá ao trabalho de investigar o que lhe apregoam ou as falsidades que instila deliberadamente na própria cabeça,  permanentemente cheia de minhocas e voltada para o mundo das coisas extravagantes. Ele absorve dogmas, fábulas e teorias mirabolantes sem jamais submetê-las ao crivo da razão. Quanto mais fantástico e absurdo é o mito que lhe apregoam, mais fácil e avidamente ele o devora. Para ele as coisas irreais valem mais  do que as reais; as invisíveis, mais do que as visíveis. Runas, mantras, chacras, cristais, sefirotes, bruxedos, pentagramas e amuletos valem mais do que pontes, pomares, diques, vacinas, adubos, medicamentos, escolas, asilos, Filosofia, Matemática, Medicina etc. A Ciência não é objeto de suas preocupações, a Filosofia o aborrece e da realidade ele foge como a barata das  cerdas de uma vassoura. São coisas incompatíveis com o seu cérebro indolente e obscuro, porque a Ciência requer investigação, a Filosofia  exige estudo e reflexão e a realidade não combina com a covardia. No seu tosco entendimento, esses assuntos maçantes devem ser deixados a cargo dos desprezíveis materialistas,  indivíduos afastados de deus.
O maçom supersticioso não vê com bons olhos o progresso da Ciência e raro é o que têm respeito pelos irmãos que só aceitam o que ela ensina e a experiência confirma. Nesses  costuma lançar a pecha de ateus, ímpios, descrentes e outros termos rebaixados, cujas etimologias muitas vezes nem conhece.  Autênticas e dignas de louvor são para ele apenas a confissão religiosa que professa, as quimeras que fermentam em seu cérebro, e as divindades nas quais crê. Tudo o mais ele rechaça como coisa vil e falsa.
Quais são os ídolos do maçom supersticioso? Os irmãos Francisco Miranda, George Washington, Simon Bolívar, San Martin e Gonçalves Ledo, que sacudiram o jugo do colonialismo e libertaram o continente americano de seus opressores europeus? Não, são os impostores Cagliostro e Saint-Germain, dois assíduos frequentadores de cadeias que perambulavam pela Europa no séc. XVIII, aplicando golpes por onde passavam! Por esses nutre um amor todo especial, ainda que em suas respectivas folhas de serviço não conste o registro de um único ato comprovado praticado em prol da humanidade.
Em quem se espelha esse tipo de maçom? Nos irmãos Tomas Jefferson, Tomas Paine e Lafayette, que fundaram a nação mais poderosa e próspera do planeta, os Estados Unidos da América? Talvez ele nem saiba quem foram esses três gigantes! Sua preferência é por gente ignota, paspalha e sem biografia, tais como Martinez de Pasqually e o Barão de Tschouldy, dois impostores que inundaram a coreografia maçônica de graus fraudulentos!
Quais são os “líderes espirituais” do nosso maçom? Algum filósofo que contribuiu para içar a humanidade das trevas da ignorância, abrindo-lhe as alamedas do progresso, tais como os irmãos Montesquieu e Voltaire? Não, são os visionários Emmanuel Swedemborg e Luís Claude de Saint-Martin, que em seus livros descreveram os mistérios da criação com a mesma autoridade que algumas doses de aguardente confere a um bêbado, que fala o que lhe vem na cabeça quando fica fora de si!
Nas palavras de quem nosso personagem dá crédito? Nas que se acham nas páginas monumentais deixadas pelos cientistas maçons Alexander von Humboldt e Samuel Hahnemann? Não, interessam-se mais pelas depravações saídas da pena de libertinos  como Charles Leadbeater e Aleister Crowley, dois notórios maníacos!
Quais são os poetas preferidos do maçom em exame? Os imortais e insignes irmãos Pushkin, Lessing e Goethe?  Não, conhece-os apenas pelo nome, quando os conhece! Em  compensação, tem na ponta da língua cada parágrafo escrito pelos impostores e visionários Eliphas Levi, Papus, Madame Blavastky e Anne Besant, que poluíram a Maçonaria com suas teorias absurdas!
Quais são as preferências musicais desse nosso irmão sonhador? Alguma sinfonia composta pelos irmãos Haydn, Liszt ou Mozart? Não, prefere ouvir ruídos eletrônicos conhecidos no mercado como música New Age, ou, opcionalmente, compassos repetitivos e distorcidos produzidos pela cítara de algum faquir esquelético!
Que livros figuram na estante do maçom supersticioso? Algum escrito pelos luminares maçons Franklin, D´Alembert e Knigge? Não, prefere orná-la com engendros sensacionalistas e inúteis do tipo Conceito Rosacruz do Cosmos (Max Heindel), O Casamento Alquímico de Christian Rozencreutz (autor desconhecido), A Força Oculta (Helena P. Blavatsky),  Dogma e Ritual da Alta Magia (Eliphas Levi), Eram os Deuses Astronautas (Erich von Daniken), O Despertar dos Mágicos (Jacques Bergier e Louis Pauwels) e outros lixos congêneres que usa para adubar diariamente o jardim do mundo de ilusões em que vive!
O que é comum encontrarmos na cabeceira da cama onde se deita o nosso maçom, quando ele nos convida a conhecer a sua residência?  Algum livro útil que fortaleça as funções do cérebro? Alguma obra que aperfeiçoe e aguce o raciocínio? Algum material útil à sociedade e ao progresso do país? Não,  mais fácil é acharmos amuletos de toda a natureza ou, como eu mesmo já tive oportunidade de presenciar, copos contendo pedaços de cristais imersos em água, cuja função é, segundo ele, atrair “vibrações positivas” e as “forças cósmicas do Universo”. (**)
(**) E também fêmeas de insetos e mosquitos transmissores de pragas e doenças contagiosas.
Inconsciente de sua própria pequenez, incapaz de enxergar um palmo na frente dos olhos embotados pelo véu da ignorância, ao discorrer sobre os enigmas da criação o maçom supersticioso acaba se revelando uma criança atrevida, quando não um perfeito idiota. Ele fala da criação dos mundos com uma fluência tal que torna difícil conter o riso. Da maneira como descreve o Grande Arquiteto Universo, chega a passar a impressão de ser o próprio, ou pelo menos de alguém com quem diariamente toma um trago no bar da esquina. No íntimo, ele não crê  nem aplica os pontos das doutrinas quiméricas que apregoa, sobretudo aqueles que versam sobre a prestação de ajuda aos pobres. Raro é o que não se omite nesse particular. Ele costuma deixar a máscara cair quando um irmão necessitado solicita a sua ajuda ou uma criança pobre aparece-lhe na frente mendigando algo para comer ou para se vestir.
(b) Lixeiros e Mercadores de Ilusões
O maçom supersticioso age como lixeiro na Maçonaria, só que de maneira inversa ao do valoroso funcionário do serviço público de limpeza, que cuida do asseio de nossas ruas. Toda a porcaria que consegue catar no esterco místico da sociedade ele traz para dentro da sua loja para fortalecer suas arengas,  conquistar sequazes, e gente com quem compartilhar suas  fantasias excêntricas. Se a loja dispõe de uma biblioteca, ele logo a transforma em depósito de lixo, em uma réplica quase idêntica da que possui em casa, entulhando-a com títulos iguais ou semelhantes aos citados lá atrás.
Por fanatismo, inocência, ou mesmo princípio de loucura, nosso personagem assim age porque julga ser uma criatura especial,  um verdadeiro “iniciado”, um iluminado com missão divina na Terra, quando na verdade não passa de um desequilibrado emocional, de um visionário movido por “delírios de poder”,  de um infeliz que nutre certo desprezo pela vida na Terra. Seu  comportamento proselitista, contrário ao regulamento que proíbe toda e qualquer discussão de caráter político ou religioso em loja, compromete o maior tesouro que a Maçonaria “ainda”  possui, único no planeta, que é o de poder reunir, sob um mesmo teto, irmãos de todas as nacionalidades, etnias e religiões.
Ao lado desse irmão não poderia faltar, é claro, o onipresente  mercador de ilusões, o maçom falsário que vive com ele em permanente estado de simbiose, que lucra com a sua credulidade. Este embusteiro começa a sua carreira na Maçonaria construindo pacientemente uma auréola mística em torno de si, deixando transparecer aos desavisados ser um homem sábio e virtuoso, de ser o “conhecedor da verdadeira Maçonaria”.  Sua única intenção é mais tarde colocar à venda no mercado as porcarias que vai  escrever com a sua pena fraudulenta, a partir de concepções  quiméricas geradas nos antros obscuros do seu cérebro ou de  material sensacionalista publicado dentro e fora do país.   Mais do que lixeiro, o mercador de ilusões atua na Maçonaria da mesma forma que o proxeneta na zona do baixo meretrício. Não há nada que fique a salvo de suas prostituições:   nossa filosofia maçônica de vida, nossos símbolos, nossas reuniões, nossas alegorias, nossas comemorações, nossos banquetes e,  lamentavelmente, nossos irmãos Aprendizes e Companheiros. Esses são as suas maiores vítimas, pois enquanto não adquirem resistência intelectual e conhecimentos maçônicos suficientes  para rechaçarem as suas imposturas (alguns não adquirem  nunca!), eles as assumem como verdades sublimes e, o que é pior, passam a apregoá-las por toda parte como tais, inclusive  no mundo profano, expondo nossa instituição ao ridículo. Em tudo esse defraudador põe o seu dedo ruinoso para corromper e mistificar, jamais se lembrando, porém, de usá-lo para ressaltar o real, simples, mas magnânimo propósito de nossas alegorias, QUE É O DE FAZER COM QUE O MAÇOM  (pedreiro por definição) JAMAIS SE ESQUEÇA DO SEU PAPEL DE CONSTRUTOR SOCIAL. Com o tempo, palavra dele vai adquirindo ares de autoridade e os erros que dissemina nas  calamidades que escreve passam a triunfar sobre a verdade.
 (c) Comportamento e atuação como Mestre Maçom
Como Mestre esse tipo de maçom desencoraja a livre  e sadia investigação dos fatos, de modo a fazer com que os Aprendizes e Companheiros assumam como verdadeiras suas  ridículas superstições. Por ser um zero intelectual, costuma tratá-los como crianças, apregoando-lhes pseudociências, anedotas místicas pueris, e bobagens de fácil assimilação. Só recebem o seu aplauso os trabalhos que estiverem floreados com as quimeras com as quais está de acordo. Ao mesmo tempo opõe-se aos Mestres que se esforçam para ministrar-lhes ensinamentos  maçônicos úteis. Sua estupidez ele a demonstra quando é questionado a respeito das doutrinas que tenta propagar em loja. Quando não as ignora por completo, como é de praxe, conhece-as muito superficialmente, limitando-se apenas a repetir chavões surrados assoprados em seu ouvido por outros visionários tão ou mais ingênuos do que ele. Com frequência, e às vezes sem se dar conta do desrespeito com que o faz, o maçom supersticioso costuma inserir  seus irmãos no âmbito de suas fantasias místicas particulares, negando esse mesmo direito aos outros quando está em seu poder fazê-lo. Como orador, ou mesmo quando pede a palavra nas reuniões, é quase sempre para arengar uma impostura que absorveu sem exame ou uma frase feita colhida em algum dos “livros” que enumeramos há pouco. Como Venerável, recorre com frequência ao expediente arbitrário da censura para defender da destruição uma fábula qualquer que cultiva no cérebro, ou mesmo para silenciar um irmão que tente incinerá-la com a tocha da razão.  Por fim, o maçom supersticioso tem carinho especial pelas “verdades reveladas” que, a rigor, nada mais são do que anedotas destituídas de sentido impressas em papel pintado, transmitidas em sonho por criaturas do além a um número seleto e reduzido de bárbaros que supostamente viveram nos pródromos da civilização. Esse amor é de certa forma compreensível porque, primeiro, essas “verdades” são brechas que facilitam o enxerto de imposturas (de  fabricação própria ou de terceiros) em nossas alegorias e manuais de instrução; segundo porque os rituais de alguns “altos graus”, que ele assume como maçônicos, acham-se repletos delas, de forma velada ou explícita, o que pode encorajar o seu “instinto reformador” a torná-los ainda mais fraudulentos do que já são, se estiver em seu poder fazê-lo, tal como muitas vezes ocorreu no passado; terceiro porque elas permitem-no transformar a Maçonaria – pelo menos em sua imaginação–,  em uma espécie de local de culto particular, em apêndice de alguma religião que o frustra ou frustrou. Quando se compara os rituais modernos com os originais – ou mesmo os atuais em circulação–, nota-se de imediato a enorme quantidade de invencionices grosseiras que foram sendo introduzidas ao longo dos anos por impostores como Cagliostro, Saint-Martin, Fessler, Willermoz e outros, de modo a adequá-los às suas personalidades excêntricas.  Não é demais sublinhar aqui que essas “verdades reveladas”,  que se esfarelam facilmente quando recebem o bafejo de um raciocínio bem aplicado, durante séculos foram empregadas para atrasar a marcha da Ciência, cobrir o planeta de místicos e monges inúteis; escravizar a humanidade; derramar rios de sangue e lágrimas; encher o mundo de órfãos e viúvas, inventar instrumentos de tortura e dor; destruir civilizações inteiras,  acender as chamas da perseguição; encarcerar cientistas, investigadores, poetas e filósofos honestos (muitos maçons); promover guerras; atiçar levantes sangrentos; semear o ódio e fazer milhares de vítimas por toda parte.
(d)  Prejuízos à Maçonaria
Essa fé que ordena-nos crer cegamente no que nos dizem, que não permite o emprego da razão, é a fé do ignorante; ou do estúpido que se converte em fácil instrumento dos demais. O homem que não estuda o que não compreende, que aceita sem exame o que lhe dizem, degenera sua condição, igualando-se ao bruto.
(Ritual do Grau 18o – Cavaleiro Rosa Cruz – Rito Escocês Antigo e Aceito)
A fé no desconhecido é patrimônio da ignorância.
(Ritual do Grau 19o – Grande Pontífice – Rito Escocês Antigo e Aceito)
O maçom supersticioso difere-se do obscurantista religioso apenas na arte da dissimulação e no que diz respeito aos seus objetos de culto. Ambos são inimigos da liberdade de expressão e amigos da censura e da arbitrariedade: o primeiro no íntimo e  o segundo de forma manifesta. No resto, são iguais em quase tudo.
Julgando-se acima da lei, nosso personagem não compreende que para que a “Fraternidade dos Maçons Livres e Aceitos” continue merecendo assim ser denominada e funcionando, é mister que seus membros guardem para si suas fantasias e crenças particulares, bem como respeitem outras formas de fé e maneiras de pensar, tal como mandam os nossos regulamentos.  Teimoso, intolerante e insolente, ele chega às vezes ao extremo de agir como um velho decrépito, não importando a sua idade e o ridículo que o seu comportamento  suscita. Em qualquer esfera da vida, ante um fato novo e  incontestável, uma descoberta científica que lança por terra uma  quimera que fermenta em seu cérebro, ele passa a odiar o fato e,  sobretudo quem o descobriu. Na Maçonaria, procede de modo idêntico: mesmo estando demonstrada a incompatibilidade de suas concepções com a realidade,  com a história e filosofia maçônicas, continua a defendê-las com unhas e dentes, caso creia nelas. De maneira alguma se curva às evidências e aos fatos, que falam mais alto do que qualquer opinião.
Os Landmarques 19, 20 e 21, que estabelecem, respectivamente, a obrigatoriedade do maçom crer em um “princípio criador”, crer em uma vida futura, e crer nas verdades reveladas em algum “Livro da Lei”, parecem ser os únicos regulamentos que o nosso maçom costuma obedecer, ou melhor, supõe-se que o faça, pois não há como saber no quê ele realmente crê na intimidade, sobretudo se for um hipócrita. E hipocrisia é o que não falta no meio religioso. (***)  Além do mais, como são bastante vagos nesses três pontos, esses landmarques obsoletos –que por estarem em frontal contradição com a liberdade de pensamento há muito tempo já deveriam ter sido suprimidos–, podem ser  interpretados de inúmeras maneiras e, por isso mesmo, serem empregados para impor o arbítrio a um irmão que professa uma crença incomum (ou nenhuma), censurar concepções a respeito da vida além-túmulo diferentes das que estão na moda, criticar o que alguns entendem como “revelação” e, ainda, anatematizar grupos religiosos minoritários que manifestem suas crenças particulares, ainda que de maneira honesta. Tente o leitor afirmar,  por exemplo, que crê em um deus diferente do judaico-cristão e observe o semblante de desaprovação do maçom em exame! Melhor ainda, diga com ar de seriedade que crê nos deuses indianos (Brahma, Ganesha, Xiva etc.) e veja o como o seu rosto se retorce! Teste a tolerância que ele diz praticar rejeitando a Bíblia como “Livro da Lei” e exigindo a sua substituição pelo Alcorão! Questione os dogmas e os sofismas que ele apregoa em loja dirigindo-lhe uma pergunta bem simples: com que autoridade você afirma isso? Peça pelas credenciais dos impostores cujas doutrinas abraçou e observe o seu tartamudear!
(***) É mais fácil fazermos passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que encontrarmos um crente que já se deu o trabalho de estudar o livro sagrado do credo que abraçou (ou que lhe foi imposto), usado geralmente como enfeite em prateleiras.
*    *    *
Com raras exceções e em inúmeros particulares, todo maçom supersticioso é um ser nocivo à Maçonaria, não importando que seja um cidadão de boa índole e honesto. Sua mentalidade irracional, sua intolerância, sua mediocridade, seu desprezo pela Filosofia, seus incontroláveis impulsos proselitistas, terminam por afugentar irmãos sóbrios e esclarecidos, causando um prejuízo incalculável à nossa instituição.  Por serem incapazes de conviver em harmonia com a diversidade, estes maçons buscam a companhia somente daqueles que creem nos mesmos devaneios místicos; que padecem dos mesmos preconceitos e desordens psicológicas. Com o tempo passam a constituir grupelhos de gente hipócrita e insuportável, excluindo de suas relações irmãos que cultivam valores com os quais não estão habituados, sobretudo aqueles que utilizam a Razão como guia e a Filosofia como farol nos caminhos da vida. Depois, fundam lojas não para trabalharem em prol da sociedade, da nação, da família, e de si mesmos, mas para entupirem-se de crendices e falsidades, prostituírem os objetivos da nossa Veneranda Instituição, e imbecilizarem-se mutuamente.
PARTE II
O VAIDOSO ARROGANTE
(a) Baixa autoestima e complexo de inferioridade
Nenhum ditador provocou ou vêm provocando tanto dano à Maçonaria quanto o maçom vaidoso, este sapador inveterado, este Cavalo de Tróia que a destrói por dentro, sem o emprego de armas, grilhões, ferros, calabouços, e leis de exceção. Ele é indiscutivelmente o maior inimigo da Maçonaria, o mais nefasto dos impostores, o principal destruidor de lojas. Ele é pior do que todos os falsos maçons reunidos porque se iguala a eles em tudo o que não presta e raramente em alguma virtude.
Uma característica marcante que se nota neste tipo de maçom, logo ao primeiro contato, é a sua pose de justiceiro e a insistência com que apregoa virtudes e qualidades morais que não possui. Isso salta logo à vista de qualquer um que comece a comparar seus atos com as palavras que saem da sua boca. O que se vê amiúde é ele demonstrar na prática a negação completa daquilo que fala, sobretudo daquilo que difunde como qualidades exemplares do maçom aos Aprendizes e Companheiros, os quais não demora muito a decepcionar. Vaidoso ao extremo, para ele a Maçonaria não passa de uma vitrine que usa para se exibir, de um carro de luxo o qual sonha um dia pilotar. E, quando tem de fato este afã em mente, não se furta em utilizar os meios mais insidiosos para tentar alcançá-lo, a exemplo do que fazem nossos políticos corruptos.
Narcisismo em um dos extremos, e baixa autoestima no outro, eis as duas principais características dos maçons vaidosos e arrogantes. No crisol da soberba em que vivem imersos, podemos separá-los em dois grupos distintos, porém idênticos na maioria dos pontos: os toscos ignorantes e os letrados pretensiosos.
A trajetória dos primeiros é assaz conhecida.
Por serem desprovidos do talento e dos atributos intelectuais necessários para conquistarem posição de destaque na sociedade, eles ingressam na Maçonaria em busca de títulos e galardões venais, de fácil obtenção, pensando com isso obter algum prestígio. Na vida profana, não conseguem ser nada além de meros serviçais; de mulas obedientes que cedem a todos os tipos de chantagem. Por isso, fazer parte de uma instituição de elite como a Maçonaria (isso mesmo, de elite!)  produz neles a ilusão de serem importantes; ajuda a mitigar um pouco a dor crônica que os espinhos da incompetência e da mediocridade produzem em suas personalidades enfermas.
O segundo em quase tudo se equipara ao primeiro, porém com algumas notáveis exceções.
Capacitado e instruído, em geral ele é uma pessoa bem sucedida na vida. Sofre, porém, desse grave desvio de caráter conhecido pelo nome de “Narcisismo”, que o torna ainda pior do que o seu êmulo sem instrução. Ávido colecionador de medalhas, títulos altissonantes e metais reluzentes, este maçom é uma criatura pedante e intragável, que todos querem ver distante. No fundo ele também é um ser que se sente rejeitado; sua alma é um armário de caveiras e a sua mente um antro habitado por fantasmas imaginários. Julgando-se o centro do Universo, na Maçonaria ele obra para que todas as atenções fiquem voltadas para si, exigindo ser tratado com mais respeito do que os irmãos que atuam em áreas profissionais diferentes da dele. Pobre do irmão mais jovem e mais capacitado que cruzar o seu caminho, que ousar apontar-lhe uma falta, que se atrever a lançar-lhe no rosto uma imperfeição sua ou criticar o seu habitual pedantismo! O seu rancor se acenderá automaticamente e o que estiver ao seu alcance para reprimi-lo e intimidá-lo ele o fará, inclusive lançando mão da famosa frase, própria do selvagem chefe de bando: Sabe com quem está falando!!! Desse modo ele acaba externando outra vil qualidade, que caracteriza a personalidade de todo homem arrogante: a covardia.
O número de irmãos que detesta ou despreza este tipo de maçom é condizente com a quantidade de medalhas que ele acumula na gaveta ou usa no peito. Na vida profana seus amigos não são verdadeiros; são cúmplices, comparsas, associados e gente que dele se acerca na esperança de obter alguma vantagem. E nisso se insere a mulher com a qual vive fraudulentamente. Todos os que o rodeiam, inclusive ela, estão prontos a meter-lhe um merecido chute no traseiro tão logo os laços de interesse que os unem sejam desfeitos. O seu casamento é um teatro de falsidades e o seu lar um armazém de conflitos. Raramente familiares seus são vistos em nossas festas de confraternização. Quando aparecem, em geral contrariados, não conseguem esconder as marcas indeléveis de infelicidade que ele produz em seus rostos.
Em sua marcha incessante em busca de distinções sociais, que supram a sua insaciável necessidade de autoafirmação, é comum vermos este garimpeiro de metais de falso brilho farejando outras organizações de renome, tais como os clubes Lyons e Rotary, e gastando nessas corridas tempo e dinheiro que às vezes fazem falta em seu lar. A Maçonaria, que tem a função de melhorar o homem, a sociedade, o país, e a família, acaba assim se convertendo em uma fonte de problemas para os seus familiares; e ele, em uma fonte de problemas para a Maçonaria.
Um volume inteiro seria insuficiente para catalogar os males que este inimigo da paz e da harmonia pratica, este bacilo em forma humana que destrói nossa instituição por dentro, qual um cancro a roer-lhe as células, de modo que limitar-nos- emos a expor os mais comuns.
(b) Comportamento em loja
Incapaz de polir a Pedra Bruta que carrega chumbada no pescoço desde o dia em que nasceu, de aprimorar-se moral e intelectualmente, de lutar para subtrair-se das trevas da ignorância e dos vícios que corrompem o caráter; de assimilar conhecimentos maçônicos úteis, sadios e enobrecedores, para na qualidade de Mestre poder transmiti-los aos Aprendizes e Companheiros, o que faz o nosso personagem? Simplesmente coloca barreiras em seus caminhos, de modo a lhes retardar o progresso! Ao invés de estudar a Maçonaria, para poder contribuir na formação dos Aprendizes e Companheiros, de que modo ele procede? Veda a discussão sobre assuntos com os quais deveria estar familiarizado, fomentando apenas comentários sobre as vulgaridades supérfluas do seu cotidiano! Ao invés de encorajar o talento dos mesmos, de ressaltar suas virtudes e estimular o seu desenvolvimento, o que faz ele? Procura conservá-los na ignorância de modo a escamotear a própria! Ao invés de defender e ressaltar a importância da liberdade de expressão e da diversidade de opiniões para a evolução da humanidade, como ele age? Censura arbitrariamente aqueles cujas ideias não estejam em harmonia, ou sejam contrárias às suas! Ao invés de fomentar debates sobre temas de importância singular para o bem da loja em particular e da Maçonaria em geral, como age ele? Tenta impedir a sua realização por carecer de atributos intelectuais que o capacitem a participar deles! E, nos que raramente promove, como se comporta? Considera somente as opiniões daqueles que dizem “sim” e “sim senhor” aos seus raramente edificantes projetos!
Tal como o maçom supersticioso, este infeliz em cujo peito bate um coração cheio de inveja e rancor nutre ódio virulento e dissimulado pela liberdade de expressão, que constitui um dos mais sagrados esteios sobre os quais repousam as instituições democráticas do mundo civilizado, uma das bandeiras que a Maçonaria hasteou no passado sobre os cadáveres da intolerância, da escravidão e da arbitrariedade.
Dos atos indecentes mais comumente praticados por este falsário, o que mais repugna é vê-lo pregando “humildade” aos irmãos em loja, em particular aos Aprendizes e Companheiros, coberto da cabeça aos pés de fitões, joias e penduricalhos inúteis, qual uma árvore de natal. Outro é vê-lo arrotando, em alto e bom som, ter “duzentos e tantos anos de Maçonaria” e exibindo o correspondente em estupidez e mediocridade. O terceiro é vê-lo trajando aventais, capas, insígnias, chapéus e colares, decorados com emblemas que lembram tudo, exceto os compromissos que ele assumiu quando ingressou em nossa sublime e veneranda instituição.
Cego, ignorante e vaidoso, nosso personagem não percebe o asco que provoca nas pessoas decentes que o rodeiam.
Como já foi dito, a Maçonaria serve apenas de vitrine para ele. Como não é possível permanecer sozinho dentro dela sem a incômoda presença de outros impostores – os quais não têm poder suficiente para enxotar–, ele luta ferozmente para afastar todo e qualquer novo intruso, imitando alguns animais inferiores aos humanos na escala zoológica, que fixam os limites de seus territórios com os odores de suas secreções e não toleram a presença de estranhos. Qualquer irmão que comece a brilhar ao lado desta criatura rasteira é considerado por ela inimigo. A luz e o progresso do seu semelhante o incomoda, fere o seu ego vaidoso. Por este motivo tenta obstaculizar o trabalho dos que querem atuar para o bem da loja; por isso recusa-se a transmitir conhecimentos maçônicos (quando os possui) aos Aprendizes e Companheiros, sobretudo aos de nível intelectual elevado, ou os ministra em doses pífias, para que futuramente não sejam tomados como exemplos e ofusquem ainda mais a sua mediocridade. Um maçom exemplar, íntegro, que cumpre rigorosamente os compromissos que assumiu quando ingressou em nossa instituição, não raro converte-se em alvo de suas setas, pois seus olhos míopes não conseguem ver honestidade em ninguém; sua mente podre o interpreta como potencial “concorrente”, que nutre interesses recônditos semelhantes aos seus.
O maçom arrogante mal conhece o significado de nossas belas e simples alegorias. Se as conhece, as despreza. Sua mente acha-se preocupada unicamente com o sucesso de suas empreitadas, em encontrar maneiras de estar permanentemente ao lado das pessoas cujos postos ambiciona. Fama e poder são os seus dois únicos objetivos, tanto na vida maçônica, como na profana. As palavras Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que compõem a Trilogia Maçônica, não fazem parte do seu vocabulário, e com frequência é visto pisoteando os valores que elas encerram. A história, a filosofia e os objetivos da nossa Veneranda Instituição não lhe despertam o menor interesse, pois é frio, calculista, e não tem sensibilidade nem conhecimento para compreendê-los e assimilá-los. Ele é diametralmente oposto ao que deve ser o maçom exemplar, em todos os pormenores. É a antítese de tudo o que a Maçonaria apregoa e deseja de seus membros: uma criatura vil e rasteira que semeia a discórdia, afugenta bons irmãos, e termina por destruir ou fragmentar a loja (ou lojas), resultado às vezes de anos de trabalho árduo, caso ela teime em não se colocar sob a sua batuta ou se mostre contrária às suas aspirações egoístas.
A insolência desse tipo de maçom – e também o asco que destila–, vai crescendo conforme ele vai “subindo” nos altos graus (ou graus filosóficos), lixo maçônico fabricado por impostores no passado unicamente para explorar a estupidez e a vaidade de homens como ele. Sentindo-se importante por ter sido recebido em determinado grau, com a pompa digna de um rei, ele passa a considerar-se superior aos irmãos de graus “inferiores”, em particular aos Aprendizes e Companheiros, ignorando o que reza o segundo landmark, que estabelece a divisão da Maçonaria Simbólica em apenas três graus. Mas reservar um tempo para dedicar-se à sua loja, um momento para confraternizar com irmãos íntegros e honestos, ler algo de útil que possa servir de instrução a si e aos demais, essas são as suas últimas preocupações. O seu tempo disponível ele o reserva inteiramente às festinhas fúteis, nas quais pode ser notado e lisonjeado, onde pode ajuntar-se a outros maçons falsos e vulgares, prontos para lhes enterrar um punhal nas costas na primeira oportunidade que surgir. Perceba o leitor com que velocidade esse “irmão” deveras atarefado arruma tempo quando é chamado para arengar em um tablado representando a Maçonaria! Note a pontualidade com que chega à passarela onde vai desfilar e ser fotografado com os seus paramentos. Observe como ele fica cheio de si quando é agraciado com uma rodela de lata qualquer ou vê o seu lindo rosto estampado nas páginas de alguma revista maçônica! Perceba como se curva aos pés dos que tem mais prestígio e poder do que ele! Note como ele os bajula!
Este prevaricador vagabundo não trabalha e não deixa os outros trabalhar para não ter de arregaçar as mangas também. Quando se mete a ministrar instruções aos Aprendizes e Companheiros ele o faz de modo precário, sem estar familiarizado com elas. Raramente sabe responder questões que os irmãos lhe dirigem. Tergiversa sempre com a mesma resposta: É preciso pesquisar! Ele não faz nada porque não sabe fazer nada, não quer aprender nada, e no íntimo não gosta da Maçonaria e não ama seus irmãos! Nossas reuniões são para ele um fardo. Nas vezes que comparece em loja, exige ser ouvido e jamais dá atenção ao que falam os demais, obrando para que a sua palavra sempre prevaleça nas decisões a serem tomadas. Quando o seu nome não consta na Ordem do Dia – o que significa que não terá a oportunidade de exibir a sua hipocrisia ou arengar as suas imposturas–, retira-se antes da reunião terminar ou, quando permanece, o faz com o olhar fixo no relógio.
Campeão em faltas e em delitos, quando este falso maçom comparece à loja ele o faz para dar palpites indevidos, censurar tudo e todos, propor projetos mirabolantes e soluções inconsistentes com os problemas que surgem em nossas relações. Jamais faz uso de críticas sadias e construtivas, aquelas que apontam erros e sugerem soluções para os mesmos.
(c) Comportamento na Sociedade
Passemos agora à exposição do comportamento deste detestável impostor na sociedade, outra praia onde adora se exibir, embora poucos o notem.
Ele circula pelas ruas do bairro onde vive de nariz empinado, cheio de empáfia, tentando vender a todos, sobretudo aos mais humildes, a falsa imagem de alguém assaz importante. Ostentando correntes, anéis, gravatas, broches e outros adereços maçônicos – alguns com peso suficiente para curvar o tórax–, tão logo se acerca de uma roda de amigos, ou melhor, de gente com paciência para aturá-lo, ele passa a ensejar conversas maçônicas desnecessárias, fazer alarde de sua condição de maçom e de ser membro de uma poderosa “gangue”, com o único propósito de colocar-se acima deles. Quando, porém, um profano lhe dirige algumas perguntas a respeito de nossa instituição, movido por uma sadia e natural curiosidade, ele responde geralmente o que não sabe, fitando-o de cima para baixo, com desprezo, como se estivesse encastelado sobre um pedestal de ouro.
Como o caracol, este tipo de maçom costuma deixar um rastro visível e brilhante por onde trafega, tornando muito fácil a identificação sua e do seu paradeiro, que é o que ele efetivamente deseja, embora afirme o contrário. Mas, para a sua infelicidade, pouca gente dá importância aos seus recados vaidosos. O automóvel, o lar e o local onde trabalha correspondem ao exoesqueleto deste animal, ao passo que os adereços e os objetos maçônicos que ele usa e espalha por todos os lados à gosma que libera. Impulsos provenientes de regiões recônditas do cérebro onde se alojam o seu complexo de inferioridade e a sua baixa autoestima dizem a ele onde derramá-la.
Do mesmo modo que prostitui nossa instituição, transformando-a em templo da vaidade, ele corrompe também a natureza de muitos objetos inanimados, desvirtuando os propósitos para os quais foram concebidos. Os vidros do automóvel não servem para proteger os passageiros do vento e da chuva, mas para ostentar adesivos maçônicos escandalosos que avisam os transeuntes e os motoristas dos carros que estão na retaguarda que “alguém muito importante” maneja o volante. As paredes da sua casa não servem como divisórias, mas de outdoors para a colagem de diplomas maçônicos que levam o seu nome. O isqueiro ele usa para tentar acender um cigarro que talvez nem fume ou sabendo que ele não funciona mais (o importante é as pessoas notarem o compasso e o esquadro colados nele!). A caneta com compasso encravado na tampa ele usa para mostrar que é maçom àquele que está perto do papel no qual finge estar escrevendo alguma coisa. O relógio da sala não serve para mostrar a hora certa, mas para dizer aos visitantes que o seu dono é maçom. As estantes da sala não servem para acomodar bons livros, mas para armazenar troféus, medalhas, placas comemorativas, mimos e tudo o mais que avise que há um maçom por ali. O mesmo vale para pratos, talheres, lenços, gravatas, bonés, bolsas, bonecos, malas, bengalas e, pasmem, até revólveres e espingardas! (ver fotos) Enfim, qualquer objeto que possa lhe servir de propaganda ele o corrompe.
d) Prejuízos
O Maçom arrogante sabe muito bem que é um desqualificado moral, que carece das virtudes necessárias para dirigir homens de caráter, mas mesmo assim quer assumir o cargo de Venerável e nele perpetuar-se por tempo indeterminado, se possível. Insolente, julga-se o único com aptidão para empunhar o malhete, menoscabando a capacidade dos demais irmãos. Sempre que pode procura manobrar as eleições para que os cargos em loja sejam preenchidos por integrantes de sua medíocre camarilha, que, uma vez empossada, vai aprovar seus atos malsãos e alimentar a sua vaidade. Dessa maneira ele trava as rodas da loja, impedindo-a de progredir, de desfraldar as suas velas.
Nosso personagem costuma mais faltar do que comparecer às reuniões, como já foi dito. Quando o faz, é quase sempre para tentar colocar-se em destaque, humilhar alguém, violar regulamentos, e fazer prevalecer os seus caprichos pessoais. É claro que ele não age só, pois se assim fosse a sua eliminação seria fácil e sumária. Ele conta com o respaldo de pequenos grupelhos de gente sórdida e submissa, que aprova suas ações, que corrompe e deixa-se corromper. Às vezes conta até com a cumplicidade dissimulada de alguns delegados, que, por motivos políticos ou de ordem pessoal, fazem vista grossa aos seus insidiosos manejos e prevaricam no que constitui uma das mais importantes missões dentro da Maçonaria.
Terminado o período de sua administração como Venerável, este impostor passa a meter o nariz em assuntos que não mais lhe dizem respeito, usurpando funções de outros irmãos da loja, incluindo as do seu sucessor. Quer mandar mais do que os outros, quer ser o dono da loja; quer admitir candidatos sem escrutínio para engrossar a sua camarilha; quer manobrar a todos e violar leis; expõe os Aprendizes e Companheiros a constantes querelas com outros Mestres, quase sempre motivadas pela vaidade e pela sede de poder.
Especialista em apontar erros nos outros, o maçom arrogante jamais admite um seu. Quando, porém, as circunstâncias tornam isso impossível, ele o faz rangendo os dentes e disparando setas em todas as direções, muitas vezes ferindo os poucos irmãos que o querem bem. Além de tudo é um indivíduo vingativo. Caso sofra uma contrariedade qualquer, ou veja descartada uma irracional conjectura sua, ele passa a fomentar intrigas e provocar cismas na loja. Aquele que for investigar as causas que levaram uma determinada oficina a abater colunas notará em seus escombros a marca indelével da sua mão, que muitas vezes deixa impressa com orgulho!
Elemento altamente desestabilizador e perigoso, o maçom vaidoso é o principal responsável pelo enfraquecimento das colunas de uma loja, pela fuga em massa de bons irmãos, e pela decadência da Maçonaria de uma forma geral. Quanto maior for o seu número agindo no corpo da Maçonaria, mais fraca, enferma e suscetível à contração de outros males ela se torna, mais exposta a escândalos e prejuízos ela fica. Sua eliminação é, portanto, condição si ne qua nom para a conservação da saúde da nossa Sublime Instituição


Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.


quinta-feira, novembro 19, 2015

Deserção e Baixa Frequência em Loja

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Os principais problemas de todas as Lojas são sempre os mesmos de toda a Maçonaria: deserção e baixa freqüência dos IIr.:.
Entendo que o iniciado abandona a Ordem, porque teria sido atingido por três males que, para simplificar, os identifico como: dois de nascimento e um de crescimento.

De nascimento: o mal escolhido (o candidato foi indicado por ser amigo do proponente e não por ter vocação; segue-se uma sindicância imperfeita); e o mal iniciado (cerimônia com passagens bisonhas; gracejos; visita a lugares estranhos).
De crescimento: o mal instruído (pobreza didática dos instrutores; falta de leitura dos clássicos maçônicos; acesso a invencionices e achismos). Este último item se agrava com a pressa na concessão de “aumento de salário”. Ensinar “é transmitir conhecimento”. Dispensar interstício é, assim, por demais prejudicial à formação do iniciado maçom.

Em relação à freqüência, ela tem uma forte vertente: as motivações. O maçom deve ir à Loja por amor e não por obrigação. O Venerável tem que ser um líder, que entusiasma seus obreiros.
A loja tem que ter projetos (metas e meios) que não só tenham a ver com a formação de seus quadros, mas também se refiram à sua ação filantrópica e social, em cuja execução todos se envolvam.

A monotonia é cansativa e estressante. Mas a reinvenção é animadora e cativante. A maçonaria não é o ócio. É o fascínio da lapidação do principal produto do Criador – o homem, tornando-o um “construtor social”.
A recomendação das sagradas escrituras é de que, em cada dia, precisamos renascer. Pois a vida é ação. É trabalho. Quem se entranhou de maçonaria sabe o quanto ela é superior dentre todas as organizações humanas.
Lutar pela permanência dos irmãos, freqüentes e em atividade, no seio da Fraternidade, é uma missão relevante do maçom. Deixar de fazê-lo, é “mais do que uma infidelidade. É um perjúrio”.

As realizações maçônicas não foram e não serão medidas pelo número dos seus membros e sim pela capacidade que eles tiveram ou venham a ter no domínio de forças fenomênicas, nem sempre visíveis ou sensíveis. Se uma escada fosse composta pelas três formas do Conhecimento Humano, o degrau de cima seria o da Filosofia, o do meio, o da Ciência e o primeiro, o da Tradição.

A Maçonaria independente do número de obreiros evoluiu por essa escada e se perpetuou como tem evoluído e se perpetuado no tempo. Exatamente porque exaltando a Tradição como a sua força propulsora, ganhou um conhecimento maior e também um maior domínio das demais forças da Mãe Natureza, possibilitadas que foram pelo Saber em todas as suas formas de Conhecimento.

A Tradição é o primeiro degrau a ser escalado. Foi assim no começo com uns poucos e também poderá e deverá sê-lo por todo o sempre com qualquer número, nada havendo, pois a temer em razão de vazios, desde que os antigos costumes sejam respeitados e preservados
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quarta-feira, novembro 18, 2015

Sois Maçom?

Ser um iniciado não significa ser um maçom, há quem passe uma vida inteira na maçonaria sem conseguir ser um maçom. Ser iniciado, na maçonaria, é assumir o dever de procurar dimensionar e viver uma nova situação social mais humana e progressista, que leve o planeta a uma melhor condição de vida, ser justo e perfeito na condução desse dever, estando todo o tempo voltado para sua lapidação interior e para o melhor aperfeiçoamento do ser humano universal. Estar na maçonaria, ser um iniciado, é de imediato absorver e se adequar as seguinte condições básicas:
1. ser honesto
2. ser sincero
3. ser fiel
4. ser patriota
5. ser justo
6. ser trabalhador
7. ser organizado
8. ser estudioso
9. ser um líder
Isso é ser um iniciado, é condição primária para estar na maçonaria. Ser maçom é outra coisa.
Ser maçom envolve além disso tudo, uma condição espiritual e filosófica onde ainda vem-se a somar:
10. ser fraterno
11. ser tolerante
12. ser apaziguador
13. ser caridoso
14. ser humilde
15. ser compreensivo
16. ser generoso
17. ser educado
18. ser um bom exemplo
Esses 18 ingredientes juntos, misturados em proporção social adequada e estequiométrica, é que formam no cadinho divino do GADU a argamassa que molda os verdadeiros maçons.
O maçom verdadeiro, é um ser humano especial, diferenciado das outras pessoas, com o dever de melhorar e modificar a humanidade através de seu bom exemplo. O maçom verdadeiro tem que ser virtuoso e obstinado em sua missão de melhorar o mundo através da melhoria do ser humano e não deve nunca, por convicção, desistir ou se afastar desse objetivo. Vamos ver sobre você que nos lê agora e que está como membro integrante das hostes maçônicas: já mentiu de forma caluniosa sobre algum irmão?
- já quebrou a palavra empenhada a algum irmão?
- já conspirou contra algum irmão ou contra a sua Loja? seu Oriente?
- já ajudou o irmão ou a Loja ou a maçonaria em interesse próprio?
- já enganou algum irmão de forma matreira e/ou maliciosa?
- já boicotou o trabalho de algum irmão ou da sua Loja?
- já foi perdulário com seu irmão ou com sua Loja?
- já colocou a mão vazia no saco de beneficência tendo metais na carteira?
- já prejulgou seu irmão, sua Loja ou seu Oriente?
Maçom é mais que Iniciado, como já mencionado antes, maçom é uma condição espiritual e filosófica, onde a pureza da sua alma, das suas atitudes e dos seus sentimentos, são condições primordiais para sua existência como maçom e para a existência da verdadeira maçonaria.
Após a leitura desse texto, reflita sobre o conteúdo de sua vida maçônica: quem foi você esse tempo todo?, o que está sendo você nesse momento?, . . .
 Transcrito do Jornal Maçônico o Aprendiz pág.2, edição outubro 2013
   
Frase do Pedreiro Livre: “Eu não tive a sorte de conhecer muito sobre a Maçonaria, em compensação, tenho o grande prazer de conhecer muitos maçons, e por isso julgar a árvore pelos seus frutos. Eu conheço vossos altos ideais. Tenho visto que vocês, em suas sessões, têm a presença da Bíblia aberta, e eu sei que homens que observam tal formalidade possuem um elevado sentimento de cidadania, de palavra e de caráter. Isso representa a força da nossa comunidade e nação”. Calvin Coolidge (1924, Presidente dos Estados Unidos)

terça-feira, novembro 17, 2015


Pode um Maçom ser um Homem crente?
Pode um Maçom ser um Homem praticante de uma fé/crença?

Perguntas que muitos fazem, respostas que poucos as conseguem entender, pois por isso mesmo hoje decidi apresentar-vos a visão de um Maçom, face à sua vivência enquanto Maçom e enquanto Muçulmano.

O que diferencia um Maçom Muçulmano de ou outro qualquer Maçom, seja ele Cristão, Judeu, Deísta, Budista e ou apenas crentes no Grande Arquiteto Do Universo.

Deixo-vos a minha opinião suportada por uma vivência de um momento muito especial no que respeita à pratica Religiosa e a Observância Maçônica daqueles que são os princípios da Maçonaria, falo da Liberdade, da Igualdade, do Direito ao Livre Arbítrio, dos Bons Costumes e da Tolerância e Respeito.

O mês de Ramadão de 1435/2014.

- Um mês de Ramadão terminado!
- O dia de Eid al-Fitr comemorado!

E agora, agora vamos a mais um balanço:

Um mês de reflexão, de observação interior e de avaliação dos limites, limites esses que nem sempre julgamos poderem ser atingidos.

Um mês de auto disciplina física e intelectual, um mês onde acima de tudo a mente esteve, tanto quanto possível, apenas fixada no bem, na família, nos amigos, na partilha, no fazer o bem e deixar de lado todas as intenções e pretensões pessoais, ou seja um mês de trabalho individual para melhorar a minha postura, ação e atitude face ao colectivo e à sociedade.

Pois bem, do ponto de vista pessoal e é isso que interessa, pois cada um deve começar o trabalho por si mesmo e nunca pelos outros, digo-vos que o meu Ramadão foi completado a 100%.

No que respeita à convicção de fé/crença essa sai reforçada, olhando à mesma como um processo de evolução e aperfeiçoamento pessoal, no entanto esclareço que neste tema de fé/crença, cada um tem o direito em optar pelo processo/caminho que bem entender, desde que essa seja a sua vontade e opção feita de forma livre e consciente.

Esta minha escolha é mais um processo, adicionado a outros, com o qual me sinto bem e através do qual tenho vindo a reforçar as minhas convicções, enquanto Homem Livre e de Bons Costumes (assim espero ser reconhecido) o qual me tem ajudado a percorrer esta minha caminhada.

O que me torna diferente dos outros, findo o Ramadão?

Bem na verdade NADA!

Exatamente “NADA”, não consigo encontrar nada que me diferencie de todos os Meus Irmãos Maçons, sejam eles Cristãos, Judeus, Deístas, Budistas e ou apenas crentes no Grande Arquiteto Do Universo.

Em nada e em caso algum tenho o direito, ou posso sentir-me diferente, seja para melhor e ou para pior, apenas porque escolhi este ou aquele caminho, reconheço hoje, tal como sempre fiz, todos os Meus Irmãos de igual forma, sem qualquer diferença originada por qualquer Credo, Estatuto Social, Convicção Ideológica, Clubismo Desportivo e ou Opção Filosófica.

Depois desta caminhada chego à conclusão que na minha fé/crença, bem como todos os rituais e práticas executadas, em nada me tornam diferente e têm apenas os seguintes objetivos:

1 Tornar o Homem mais Humilde e menos Egocêntrico, pois a prática de nos dirigirmos ao Grande Arquiteto Do Universo, tem como principal objectivo tornar-nos mais Humildes aquando lidamos com todas as formas de vida, por Ele criadas.

Tornar o Homem totalmente consciente de que esta Caminhada (Vida) é apenas uma etapa de aprendizagem e que por isso mesmo devemos de olhar muito mais para o que está ao nosso lado e não apenas para o reflexo da nossa própria imagem no Espelho, pois quando a Luz se extingue também o nosso reflexo nos abandona e ai só quem está ao nosso lado e DEUS/YHVH/ALLAH, nos pode dar a mão.

3 Tornar o Homem mais consciente daquilo que são as necessidades de todos aqueles que jejuam permanentemente para lá do Ramadão, os quais jejuam infelizmente porque não tem meios para se poder alimentar, vestir e ou ter uma habitação condigna.

4 Tornar o Homem mais “Homem” e menos “Entidade Divina”, POIS neste período todos são elevados à mesma condição, O Rico, O Pobre, O Doutor, O Ignorante, O Inteligente, O sem Curso Superior, O Sacerdote, O Crente, O Homem e A Mulher, todos, mas mesmo todos, são iguais, todos passam pela mesma privação independentemente daquilo que são perante, ou aparentam ser, independentemente dos Rótulos e Medalhas com que se apresentam, ou se possam vir a apresentar no seu dia-a-dia Profano e ou Sagrado.

Por isso findo este processo apenas quero deixar um registo de desejo:

Que O Grande Arquiteto Do Universo nos proteja a todos das Trevas que vamos encontrando ao Longo desta nossa Caminhada (Vida), que a Luz do Sol, direta e ou na Lua refletida, nos Ilumine até que a Meia Noite do nosso Dia chegue e que lá no Oriente Eterno, onde todos nos voltemos a Reconhecer e a Reencontrar, sejamos o reflexo daquilo que aqui fizemos, pois lá seremos apenas mais uma Luz, junto de todas as outras, sem qualquer distinção, diferença e ou diferenciação.

Disse!

Alexandre T.