terça-feira, janeiro 26, 2016



É do conhecimento comum a frase de Descartes

Cogito ergo sum

Também é comum que esta frase apareça traduzida para português como

Penso, logo existo

Porém, como diz um também muito citado provérbio italiano, "traduttore, traditore"... Traduzir sum por existo é gramaticalmente correto, mas não é a única opção. Talvez mesmo não seja a melhor. Com efeito, uma pedra não pensa, mas existe. Indubitavelmente que existe. Podemos vê-la, pegar-lhe, arremessá-la, trabalhá-la ou simplesmente ignorá-la. Mas existe - não pensando. Logo, existir não é consequência de pensar.

No meu entendimento, a melhor tradução para português da célebre frase é a mais simples e direta:

Penso, logo sou

Com esta tradução, o significado da frase enriquece-se em vários sentidos. Se, ao contrário de existir, ser é uma consequência de pensar, então ser é bem mais do que meramente existir. Logo, eu, que penso, não me limito a existir (como qualquer pedra...), mas realmente sou. Por outro lado, se sou na medida em que penso, quanto mais penso, mais sou. e quanto melhor penso, melhor sou.

(A contrario sensu, aquelas cabecinhas loucas que não pensam, ou melhor, mal pensam e pensam mal e pouco, naturalmente  podem ser pouco, apesar de - como a pedra... - indubitavelmente existirem...).

Ser é bem mais do que meramente existir. Uma pedra existe. Um animal existe. Mas só o ser dotado de pensamento racional realmente é. Logo, se sou porque penso, também sou o que penso. O que eu sou não é o que mostro, o que faço, o que digo. Tudo isso integra apenas a imagem que os demais têm de mim. Realmente, o que sou é o que penso, não o que mostro, ou digo, ou faço.

Sendo assim, se o que mostro, digo e faço é diferente do que penso, ou sou dissimulado, ou sou mentiroso, ou sou hipócrita, ou sou tudo isso junto. Hipócrita, se finjo ser diferente do que sou. Mentiroso se digo, faço ou mostro algo diverso ao que realmente sou (penso). Dissimulado se não mostro, faço e digo tudo o que penso. Enfim, ninguém é perfeito...

A hipocrisia é sempre um mal, algo de errado. O hipócrita tem o propósito de enganar os demais, de mostrar uma imagem propositadamente diferente do que realmente é (pensa).

A mentira é normalmente um mal, mas pode pontualmente ser bem-intencionada (a mentira piedosa...) e, afinal, um bem. Pode mentir-se de forma bem-intencionada e com isso atingir-se um bem, que não se atingiria com a verdade, ou mesmo a verdade causar um mal que é evitado com a bem-intencionada mentira.

Já a dissimulação tem uma medida que é inevitável - medida em que é socialmente aceite -, que se pode designar por reserva. A vida em sociedade implica uma certa reserva, um setor de nós que é só nosso, que não expomos aos demais. É até socialmente imprescindível que esse setor de reserva individual exista, porque condição de salvaguarda do relacionamento saudável entre indivíduos. 

Portanto, sou o que penso, e devo mostrar, fazer e dizer o que sou, exceto na restrita matéria da reserva da minha privacidade que é socialmente aceite (até mesmo imprescindível) que eu guarde.

A reserva de privacidade é uma defesa, mas também é um ônus, um fardo. Aquilo que guardo para mim pesa-me a mim e, não podendo partilhá-lo, também não posso partilhar o  fardo. 

É por isso que, sendo socialmente aceite (e necessário) que eu mantenha um certo nível de reserva em relação ao que penso, ao que sou, também é natural e socialmente pacífico que o nível de reserva que eu mantenho seja diferenciado. Assim, é normal que eu mostre menos de mim aos estranhos do que aos meus conhecidos, menos aos meus conhecidos do que aos meus amigos, menos aos meus amigos do que aos meus familiares próximos e finalmente que mesmo estes não tenham acesso à totalidade de mim, 

A extensão variável da reserva sobre mim é por mim determinada, em função do nível de intimidade e, assim, de confiança do laço que me une a alguém. 

(É por isso que a traição à confiança depositada por parte dos mais próximos é bem mais dolorosa - e quiçá acarreta mais graves consequências - do que idêntica ação levada a cabo por quem nos é mais distante).

Em resumo: sou o que penso, não o que mostro, faço ou digo. Mas devo mostrar, fazer e dizer em consonância com o que penso em tudo o que não contenda com a reserva sobre mim que é socialmente aceite (e útil) que guarde. E essa reserva é tanto menor quanto mais próximos de mim estiverem aqueles a quem mostro, digo ou faço.

Rui Bandeira  

domingo, janeiro 24, 2016

Um Panorama da Maçonaria no Mundo (2012)

Por: Ir.´. Kennyo Ismail      (contribuição do Ir.´. Sergio Ruas)
INTRODUÇÃO
O presente estudo foi realizado com base nos dados informados pelas Obediências e publicados no “List of Lodges 2012”, publicação anual de âmbito internacional que divulga dados das Obediências que são reconhecidas por Grandes Lojas norte-americanas. A intenção é compreender quantitativamente a Maçonaria no Mundo, tratando os dados fornecidos pela publicação.
MAÇONARIA NOS CINCO CONTINENTES
Atualmente, 185 Obediências constam no List of Lodges, abrangendo os cinco Continentes. O Continente Americano atualmente concentra 71% das Obediências reconhecidas internacionalmente, 56% das Lojas Maçônicas do mundo, e 78% dos maçons regulares.
CONTINENTE AMERICANO, O CONTINENTE MAÇÔNICO
Um olhar mais detalhado sobre a Maçonaria no Continente Americano mostra que os números do Continente são impulsionados pelos EUA, onde está concentrado mais da metade das Lojas e mais de ¾ dos maçons de todo o Continente.
O Brasil vem em 2º lugar no ranking do Continente, com 26% das Lojas e 11% dos maçons. Essa diferença deve-se a uma maior média de membros por Loja nos EUA, 116 membros por Loja, enquanto que a média no Brasil é de 36. Essa também é a razão de Cuba, apesar de ter menos Lojas do que o México, possuir mais membros: sua concentração média é de 92 membros por Loja, ficando atrás apenas dos EUA.
 Outros países não foram considerados por apresentarem índices inferiores a 1%.
VISÃO MUNDIAL
Os EUA, Inglaterra e Brasil são os três grandes nomes da Maçonaria Mundial, ocupando o pódio em número de Lojas e de membros. Se o estudo levasse em consideração os números dos Grandes Orientes Independentes, filiados à COMAB, provavelmente o Brasil ultrapassaria a Inglaterra, postando-se como a segunda maior nação maçônica do mundo.

A inversão de posições que se vê entre França e Canadá ocorre por conta da média de membros por Loja. Enquanto o Canadá está entre os 10 países com melhores médias de membros por Loja do mundo, de 72 membros por Loja, a França encontra-se entre as 15 piores, com uma média de apenas 26 membros por Loja. O Brasil, infelizmente, parece ter herdado esse baixo índice da França, apresentando média de 36, a mesma do vizinho Paraguai e abaixo de outros países sul-americanos como Venezuela (43), Uruguai (50), Chile (51) e Bolívia (60).
Cuba, 4º lugar no ranking do Continente, aparece em 7º lugar no ranking mundial, entre as maiores nações maçônicas do planeta. A Escócia, apesar de informar o número de Lojas, não declara o número de membros filiados, o que impossibilita sua participação no ranking de membros.
MEMBROS POR LOJA
O impacto da média de membros por Loja nos ranking chama a atenção para esse dado e um estudo sobre esse índice nos diversos países foi realizado:

A Noruega ocupa o 1º lugar, com extraordinários 300 membros por Loja, seguido do Japão, com 130 e Haiti com 125. É interessante observar que um grupo dos 10 melhores está concentrado próximo dos EUA (Cuba, República Dominicana, Canadá), enquanto que outro grupo é do norte da Europa (Noruega, Islândia e Dinamarca).
 Algumas Grandes Lojas norte-americanas apresentam médias superiores ao do Japão, mas nada próximo à média apresentada pela Noruega: Pensilvânia, com 263 membros por Loja; Ohio, com 201; New Jersey, com 200. Um total de 17 Grandes Lojas Norte-Americanas apresentam médias de membros por Loja superiores ao Japão, mas muitas Grandes Lojas da região Meio-Oeste e Oeste dos EUA puxam sua média geral para baixo.
BLOCOS MAÇÔNICOS
É comum a união de Grandes Lojas de uma mesma nação em blocos com fins de fortalecimento institucional, padronização de procedimentos, união fraternal e organização de relações exteriores. Isso ocorre em países cujas Grandes Lojas adotaram formato similar ao modelo norte-americano, com uma Grande Loja por Estado, Distrito ou Província (EUA, Canadá, México, Austrália), ou mesmo no caso de diferentes tipos de Grandes Lojas dividindo um mesmo território, mas que se unem em prol de um bem comum (Ex.: Alemanha).
Esses blocos podem receber diferentes tipos de nomes e adotar diferentes formatos, como Confederação, Grandes Lojas Unidas ou mesmo Conferência. Tais blocos maçônicos têm discursos em uníssono de seus integrantes e por isso é importante compreender suas dimensões, em contraste com Obediências Nacionais que trabalham de forma federativa, seguindo modelo similar ao inglês.

Nessa visão por quantidade de membros por bloco, o Brasil ocupa dois lugares entre os 05 maiores blocos nacionais, com a CMSB, a Confederação das Grandes Lojas Estaduais, em 3º lugar, e o GOB, uma Federação, em 5º lugar. Importante observar que, se os Grandes Orientes Independentes fossem considerados no List ofLodges, provavelmente a COMAB estaria em 7º lugar, acima de Cuba, dando três posições ao Brasil entre os 10 maiores blocos maçônicos nacionais do mundo.
 Apesar da Confederação das Grandes Lojas Prince Hall constar em 11º lugar, esse número não corresponde com a verdade, visto que apenas 04 Grandes Lojas Prince Hall (Califórnia, Connecticut, New York e Carolina do Norte) constam no List of Lodges de um total de mais de 40. A estimativa é que as Grandes Lojas Prince Hall englobem mais maçons que a Grande Loja Unida da Inglaterra, perdendo apenas para as Grandes Lojas convencionais norte-americanas.
Em 15º lugar têm-se as Grandes Lojas Unidas da Alemanha, um caso de sucesso, em que 05 Grandes Lojas de origens distintas e de abrangência nacional se uniram em uma única Obediência, porém, mantendo suas autonomias. Essa nova instituição (Grandes Lojas Unidas da Alemanha) administra as relações públicas e exteriores da Maçonaria Alemã e funciona como um “Senado Maçônico”.
LIMITAÇÕES DO ESTUDO
List of Lodges apenas publica dados das Obediências Regulares que possuem reconhecimento de Grandes Lojas norte-americanas, não abrangendo muitas Obediências Regulares e expressivas, como a maioria das Grandes Lojas Prince Hall, várias Grandes Lojas Mexicanas e os Grandes Orientes Independentes filiados à COMAB, por exemplo.
A soma de membros dessas Grandes Lojas Prince Hall ainda não presentes no List of Lodges é superior ao total de membros da Grande Loja Unida da Inglaterra, que ocupa o 2ºlugar no ranking de país com maior número de maçons. Isso é um exemplo do quanto o List of Lodges, apesar de útil nas questões de relações internacionais, não reflete a realidade daMaçonaria Regular no mundo.
Além disso, muitas Grandes Lojas não informam ou atualizam seus dados, algumas delas históricas e expressivas, como é o caso da Grande Loja da Irlanda. As Grandes Lojas da Irlanda, da Grécia, da Suécia e do Equador não informaram número de Lojas e número de membros. Outras tantas como a Grande Loja da Escócia informam o número de Lojas, mas não o de obreiros. Essas omissões prejudicam a avaliação.
Há ainda os dados que precisam ser revistos. Exemplos claros podem ser vistos no Brasil, mais precisamente nas Grandes Lojas do Amazonas e do Ceará que, pelos números publicados, apresentam uma média superior a 100 membros por Loja, números esses que não seguem o padrão brasileiro, mas que podem corresponder a uma realidade local.
CONCLUSÕES
Apesar das limitações verificadas, o presente estudo colabora para o entendimento da Sublime Ordem Maçônica em âmbito mundial. Os números levam à compreensão de que a Maçonaria Regular possui atualmente menos de 3 milhões de membros, apesar de algumas fontes ainda divulgarem números de 4 a 6 milhões, reais nas décadas de 60 e 70, mas distantes da realidade atual.
Outra percepção interessante evidenciada pelos dados é a de diferentes realidades de tamanho de Lojas nos diversos países, variando de uma média de incríveis 300 membros por Loja (Noruega) a poucos 15 membros por Loja (Espanha). Tais disparidades indicam diferentes conceitos da filiação maçônica, pois se sabe que em alguns países não há a exigência e cobrança de presença como ocorre na tradição maçônica inglesa, alemã e latina de uma forma geral.
Este estudo também serviu para mostrar o destaque que a Maçonaria Brasileira tem no cenário maçônico mundial, apresentando-se como uma das grandes nações maçônicas do mundo. Espera-se que essa evidência sirva para conscientizar os maçons brasileiros da relevância do Brasil no meio maçônico, em especial aqueles que, talvez pelo famoso “complexo de vira-lata”, costumam enxergar alguma supremacia ou autoridade moral em Obediências estrangeiras.
CRÉDITOS
“Daí a César o que é de César”. Com esse ditado popular, de origem bíblica, credito a ideia de realização desse estudo ao Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro, Deputado do Real Arco Internacional para a América Latina.
BIBLIOGRAFIA
List of Lodges (2012). Ed. Pantagraph. Illinois, USA.

13:13:39
As Bruxas do Paraná
altNo dia 23 de janeiro de 1775, o ouvidor da Comarca de Paranaguá, Antonio Barbosa de Matos Coutinho, lançou um edital na Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba para avisar que haveria uma devassa geral para inquirir testemunhas sobre alquimistas, benzedeiras, feiticeiras e pessoas com pacto com o diabo, dentre outros crimes. Na época, as investigações e julgamentos cabiam às Câmaras Municipais, que responderam pelo Poder Judiciário até a Independência do Brasil, em 1822.
Segundo documentos históricos do Arquivo Público do Paraná, a devassa geral resultou na denúncia de duas mulheres, mãe e filha. O levantamento foi realizado pela advogada Danielle Regina Wobeto de Araujo, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisadora da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ela analisou, para a tese inédita de doutorado (ainda não defendida), os processos contra feitiçaria em Curitiba entre 1763 e 1777.
“A cidade teve, nesse período, 560 processos, sendo 60 contra mulheres. Dois deles foram por feitiçaria, em pleno auge do Iluminismo. O crime era atribuição das justiças eclesiástica, a Igreja, e comum, a Câmara Municipal”, diz Danielle. Ela destaca que o escrivão da Casa, Antonio Francisco Guimarães, foi um dos quatro denunciantes das rés, acusando-as de terem feito feitiços e pacto com o diabo. A mãe, Francisca Rodrigues da Cunha, tinha cerca de 60 anos, enquanto a filha, Luiza Rodrigues da Cunha, declarou ter 23 anos.
Os registros apontam que as mulheres eram indígenas, da “nação carijó”, e estavam descalças no dia do julgamento. O marido e pai das acusadas de feitiçaria, de acordo com o processo, era “escravo do hospício”. “Outra denunciante, Romana Álvares Teixeira, falou que elas tinham matado seu marido com um feitiço e seduzido juízes para escapar do processo. Também teriam sacrificado bichos e aleijado uma pessoa”, relata Danielle.
“Uma curiosidade do processo é que foi chamado um feiticeiro do povoado de Ponta Grossa, que confirmou que o homem realmente morreu vítima de feitiço. No entanto, ele fugiu antes de se pronunciar no julgamento”, conta a pesquisadora. Já a defesa argumentou que a testemunha queria se casar com Luiza, que o rejeitou. Ele então teria feito a acusação para se vingar. Outra justificativa apresentada para pedir a absolvição foi que as rés haviam recebido educação católi
ca. Presas desde 6 de fevereiro de 1775, mãe e filha foram absolvidas pelo ouvidor Coutinho no dia 22 do mesmo mês, por falta de provas.
Exorcismo
O outro processo da Câmara Municipal de Curitiba contra feitiçaria, no período pesquisado, foi instaurado no dia 7 de março de 1763. A “negra forra” Sipriana Rodrigues Seixas, casada e grávida, na faixa dos 40 anos, foi acusada por Manuel da Cunha de provocar doenças em sua esposa, quatro filhas e uma irmã. “O denunciante afirmou que ela ‘tinha um cartório’ com mulheres de nome ‘Fuã’ (não é possível identificar quantas eram). Ou seja, que elas estavam organizadas”, relata Danielle.
“Ele disse que, devido aos feitiços de Sipriana e das Fuãs, suas familiares vomitavam baratas vivas, pedaços de ossos, cabelo e pernas de sapo, entre outras coisas”, completa. O processo menciona que foi chamado o reverendo vigário, e que apenas com exorcismos as supostas vítimas melhoravam. Outra acusação é que as mulheres faziam bolos envenenados, com os quais mataram algumas pessoas.
Segundo a pesquisadora, uma das testemunhas afirmou que a reigão da Vila de São José dos Pinhais tinha muitas feiticeiras, subentendendo-se que as rés moravam na região. “O interessante é que a Romana, que 12 anos depois acusaria Francisca e Luiza, foi uma das pessoas que defendeu Sipriana, alegando sua inocência”, afirma.
A sentença saiu no dia 14 de junho de 1763, pelas mãos do juiz ordinário de Curitiba Manoel Gonçalves de Sam Payo. Elas foram condenadas à prisão pela prática de feitiçaria, sem um tempo estipulado. Sipriana, então, fez uma apelação à Ouvidoria de Paranaguá (Curitiba só se tornou sede da Comarca em 1812), mas não há informações sobre a continuidade do processo.
Há uma possível referência ao caso no “termo de vereanssa” da sessão de 10 de setembro de 1763. O juiz ordinário Sam Payo discorreu sobre mulheres que estavam presas na cadeia da vila “por crime que lhe arguirão partes que dellas denunciarão” e deveriam ser enviadas a Paranaguá, sede da Comarca.
Ele pediu dinheiro ao Conselho para a remessa das detentas, mas o tesoureiro da Câmara Municipal de Curitiba argumentou que não seria possível, devido às “muitas despezas que se havião feito”. Não foi localizada, nas demais atas do ano e nas de 1764, outra menção às mulheres presas que deveriam ser enviadas a Paranaguá.
Outra pesquisadora, Liliam Ferraresi Brighente, já havia realizado um levantamento no Arquivo Público do Paraná sobre processos contra a feitiçaria entre 1700 e 1750. Ela identificou um caso de 1735, em Paranaguá. Denunciada por Manoel Gonçalvez Carreir, a índia Maria do Gentio da Terra foi considerada culpada e “degredada” (expulsa) da vila.
Análise
“São processos típicos da época, sem lógica cartesiana e materialmente desgastados pelo tempo”, analisa Danielle. “Eles indicam a imposição da Igreja Católica por meio do direito e que a sociedade ainda tinha uma visão mágica do mundo. Apontam que as autoridades da Câmara Municipal preocupavam-se em manter a religiosidade”.
O zelo pela religiosidade é corroborado por diversos documentos da época. Primeira correição da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e base para posturas dos futuros ouvidores e da Câmara Municipal, os provimentos do ouvidor Raphael Pires Pardinho, de 1721, não trataram apenas de questões para aorganização da cidade.
Dividido em 129 “artigos”, o documento trata, por exemplo, do pagamento do dízimo e da obrigação de todos assistirem e prepararem suas casas para as procissões de Corpus Christi e de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, dentre outras, sob a pena de multa de uma “pataca”.
Já os provimentos de 1800, do ouvidor-geral e corregedor João Baptista dos Guimarães Peixoto, afirmam que os juízes ordinários deveriam prezar pela conservação da decência e respeito. Caberia a esses oficiais da Câmara Municipal “dar parte” ao corregedor de “pessoas que mostrarem publicamente pouca religião e que forem escandalosas”.
“O Brasil não reproduziu a caça às bruxas vista na Europa. A Inquisição, de uma maneira geral, esteve mais preocupada em investigar novos cristãos (judeus convertidos) e sodomitas (homossexuais)”, complementa Danielle. “O perfil dos acusados de feitiçaria, tanto pela Igreja quanto pela justiça comum, era de mulheres pobres. Negras, pardas ou índias”.
De acordo com o “Dicionário do Brasil Colonial”, o país teve, entre os séculos 16 e 18, 200 acusações de fetiçaria. “Poucos foram os processos completos do Santo Ofício português nessa matéria. (…) Menos preocupada com a feitiçaria que com o Judaísmo, a Inquisição portuguesa perseguiu pouco a feitiçaria, rastreando mais o shabat judaico que o sabá diabólico”, explica a obra.
Matérias nos jornais
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No final do século 19 e início do século 20, quando já circulavam jornais em Curitiba, há diversos registros na imprensa sobre supostos casos de feitiçaria. O Diário da Tarde, por exemplo, possuía a seção “Vitrina do Diabo”, com viés sensacionalista. Uma das personagens das notícias é Anna Formiga. Segundo pesquisa publicada em 1991, do historiador Johni Langer, ela residia na rua Doutor Pedrosa, em trecho hoje denominado Benjamin Lins, e “era famosa por suas supostas ligações com o demônio”.
O Diário da Tarde publicou, no dia 8 de maio de 1889, uma nota intitulada “Feiticeira – Artes de Satanaz”. “Anna Formiga é o nome da mulher que diz ter relações com Satanaz, cuja vontade domina. É moradora à Rua Dr. Pedroza. Em noite passada, teve uma questão com um cabo do 13º regimento de cavallaria e jurou vingar-se”, dizia. A publicação afirmou que ela então lançou um feitiço contra o homem, cuja esposa adoeceu. “A polícia tomou conhecimento do facto”.
Dois dias depois, o Diário da Tarde veiculou a nota “O caso da feiticeira – Novas notícias”. O jornal denunciava “novas bruxarias”, sem vinculá-las a Anna Formiga: “Não seria máu que a polícia diligenciasse na descoberta dessas bruxas, feiticeiras ou encantadas, como quer que se lhes chame”.
Autora do livro “Lendas Curitibanas”, a escritora Luciana do Rocio Mallon publicou uma história na internet sobre Anna Formiga, apelidada de “bruxa de Curitiba”. O texto afirma que ela se chamava Ane O’Neil e fugiu da Escócia para escapar da acusação de matar crianças em “rituais macabros”. Em Curitiba, oferecia serviços de curandeira e lia a sorte das pessoas.
“Como a mulher tinha o traseiro avantajado, igual o de uma tanajura, e comia muitos doces, recebeu o apelido. Esta feiticeira tinha hipoglicemia e toda vez que sua taxa de glicose baixava, passava mal. Por isso, muitas vezes aceitava doces como forma de pagamento pelos seus serviços”, relata. A lenda urbana justifica que o cabo a prendeu por furtar guloseimas de uma confeitaria, e então Anna lançou-lhe o feitiço, responsável por matar sua esposa. Já a fiança teria sido paga pelos clientes da “bruxa”.
Mas nem só das histórias da Anna Formiga vivia o Diário da Tarde. No dia 25 de setembro de 1901, por exemplo, o jornal trouxe a nota “Cartomantes e desordeiros”. “Alguns moradores da rua S. José, nas proximidades da rua Silva Jardim, queixão se contra a permanência n’aquelle ponto de uma família de cartomantes, que reunindo a noute em sua casa uma porção de desordeiros passam-n’a toda em um sabbat infernal, cantando obscenamente e fazendo enorme barulho com grande escandalo da visinhança”, dizia.
Nesta época, porém, a Câmara de Curitiba não respondia mais pelo Poder Judiciário. “Com a Independência do Brasil, as funções institucionais das Câmaras sofreriam algumas alterações. A mais digna de nota foi a perda de atribuições judiciárias”, destaca o “Livro dos 300 Anos da Câmara Municipal de Curitiba”.
Tais histórias, então, passaram a fazer parte do imaginário popular. “A Anna Formiga realmente existiu, mas não há provas dos rituais atribuídos a ela. As lendas urbanas são exatamente isto: causos que o povo conta, sem comprovação científica”, conclui Luciana.
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A sociedade curitibana no final do século 19, época em que Anna Formiga era noticiada pelos jornais como feiticeira. A foto é da rua João Gualberto, em 1880

Câmara de Curitiba instaurou vários processos contra feitiçaria no século 18 -Foto: acervo Casa da Memória.


domingo, janeiro 17, 2016


Corrupção e Impunidade

Corromper – Induzir a realizar ato contrário ao dever ou à ética;
Impunidade – Escapar a punição;
Violência – Ato em que se faz uso se força bruta. Contrário ao direito ou à justiça.
Essas palavras são tão usadas no dia-a-dia que ninguém precisa de dicionário para conceituá-las. Mas é sempre bom reforçar os seus significados. Assim é mais fácil interligá-las.
Corrupção e impunidade estão juntas quando se descobre o escândalo e os autores, mas não se pode (ou não se quer) reaver o bem corrompido e nem punir os culpados.
Impunidade é violência na certa
Pessoas que são capazes de praticar a corrupção, em qualquer sentido da palavra, são capazes de qualquer atrocidade (quando ficam impunes!). A maioria das pessoas que entra no mundo do crime não começa com um assassinato ou coisa parecida. Os maiores bandidos começam com pequenos atos. Mas num país em que reina a impunidade, esses pequenos atos nunca são barrados e acabam crescendo cada vez mais. Assim não demora para que uma criança que roubou um biscoito no supermercado, cresça e roube numa residência, e depois se junte com uns “amigos” e assalte um banco. E depois, comande o tráfico de drogas na cidade. Uma cidade, por sinal, que não dá o devido valor às suas criança. Talvez porque o governante “desvia” o dinheiro da educação para a sua conta bancária! Uma cidade que tem também, um poder judiciário e uma polícia muito fraca. Talvez porque os seus policiais fazem parte da gang que assaltou o banco!
E o que será que aconteceria se a gang de jovens invadisse a casa do prefeito? Talvez este ficaria furioso e pediria para que alguns policiais (que conhecem muito bem os criminosos, apesar de nunca os terem punido) dessem um “sumiço” nesse grupo de jovenzinhos arrogantes. De um jeito que a justiça nunca descobrisse (ou admitisse) quem estava por trás de tudo. E assim acaba um capítulo da história corrupção, impunidade e violência. Exagerada? Não. É a mais pura realidade do Brasil. Onde tudo é movido pelo orgulho e pela ambição.
Agora, vamos imaginar que essa cidade de que estamos falando fosse bem organizada. As crianças todas estivessem na escola. Uma escola bem estruturada, com professores profissionalizados, com pagamentos em dia… Órgãos governamentais cuidariam da fiscalização das crianças que não fossem à aula. O prefeito fosse um “cara” super honesto e humilde. Exigisse competência e agilidade a polícia, que por sua vez seria muito bem paga. A legislação bem organizada e a lei a palavra de ordem. Os habitantes se respeitassem. Fossem solidários uns com os outros. Ninguém teria arma ilegal em casa. A família seria a instituição mais valorizada por todos. Enfim, a cidade dos sonhos. Parece até um conto de fada! Isso seria o ideal para que todos vivessem bem, mas os próprios brasileiros desacreditam que isso possa acontecer.
Temos de dar os parabéns para o Espírito Santo pelo trabalho que tem sido feito pela Polícia Federal, promotores, procuradores… em combate ao narcotráfico, uma das maiores causas do crime no Brasil. Porém muito ainda tem que ser feito. Tanto pelo governo, quanto por nós que moramos aqui e buscamos um lugar mais pacífico.
A corrupção, a impunidade e a violência, principalmente, são fatores que caracterizam a cultura brasileira desde 1500. Ao menos é isso que pensa a maior parte da sociedade. Mas pensando bem, esses males não atingem somente o nosso estado ou o nosso país. Desconhecemos a realidade social de muitos outros países. É claro que o Brasil está entre os dez países mais corruptos do mundo, porém é bom sabermos que ele não é o único com empresas fraudulentas, políticos corruptos… A diferença mais visível é a que diz respeito à impunidade, que no nosso país é a causa do acelerado crescimento do número de criminosos. Às vezes, o problema se encontra na própria lei. A maioria dos que fiscalizam e/ou fazem as leis estão envolvidos nos esquemas de corrupção. Chegamos a um ponto onde quem é honesto é que se dá mal na vida. Recentemente 2 juízes, famosos pelo combate ao crime organizado, foram brutalmente assassinados.Por quê? Porque, a lei agora é ser do crime. Este já é maioria e tem poder suficiente para aniquilar os vestígios de caráter que ainda restam no país.
O problema é que o crime organizado (literalmente, quem está no comando normalmente são pessoas super inteligentes, cultas, estudadas, mas que não souberam aplicar tal sabedoria!) lesam o nome do país e a nossa dignidade quando “levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima”. Ou seja, concluem suas falcatruas sem nenhuma “puniçãozinha”. Bom, até o nosso Código Penal (de 07/12/1940!) favorece a isso. Além de que, as instituições democráticas são fracas, a gestão dos bens públicos é feita por debaixo do panos e fiscalizada por órgãos incompetentes…
Toda essa impunidade favorece ao esquecimento e banalização dos fatos pelos próprios lesados. Assim a indignação, força motriz, “fica para lá”. E povo não protesta, não age. Só reclama…
Esses fatos são bons para questionarmos a democracia. Será que essa forma social tão exaltada por nós é realmente democrática? Ultimamente o que se vê é o abuso de poder de uns poucos, na maioria das vezes corruptos, prejudicando a liberdade e estabilização de muitos. Muitos esses, que ao serem lesados, em vez de se indignarem, acabam passando para o outro lado, pois crêem que lá a vida é melhor e mais “fácil”.
As soluções para acabar com essas falcatruas no nosso país têm de começar com a mudança da legislação, ou melhor, com a reforma total no nosso poder judiciário. E sem medo, punir, de forma radical, os corruptos (até mesmo se forem grandes autoridades).
Os nossos bens públicos deviam ser administrados com mais clareza. O povo tem de ficar sabendo o que acontece com os seus pertences. Para isso, deveria haver mais informação. Incentivar a população a denunciar quando sabe de algum crime, sem medo.A televisão e o rádio deveriam enfatizar sobre esse assusto. Mas não de forma enjoativa, com um político falando duas horas sem parar. Talvez através de propagandas criativas, novelas, sites na internet… Uma mobilização nacional para discutir as relações Sociedade X Estado. De uma forma que convidasse o cidadão a participar. Talvez com enquetes, pesquisas, campanhas nas escolas… questionando as pessoas comuns se elas têm conhecimento de para onde vão os seus impostos, ou informando da importância da declaração do imposto de renda. Falando nisso, essa declaração deveria ser uma ação muito valorizada e bem acompanhada pela Receita Federal, pois é nela que sabemos onde está sendo aplicado o dinheiro desse país. E descobre-se também se o dinheiro desses corruptos vem somente do salário deles mesmo!
Deve-se também acabar com alguns privilégios de algumas classes sociais e transformá-los em direitos. Direitos iguais para todos! Que lema bonito… pena que, muito distante.
Outra coisa que o Brasil precisa urgentemente é de uma reforma no sistema penitenciário. Promovendo um programa ressociliador, para que os presos não saiam da cadeia piores do que entraram. Além disso, devem ser construídos mais presídios de segurança máxima. Onde os presos sejam vigiados, onde não entre celular, ou qualquer outra possibilidade de comunicação. Enquanto isso não acontecer, os presos irão continuar comandando e encomendando mortes de dentro das celas. E isso nós não podemos admitir.
Como é fácil falar sobre os problemas do Brasil. Apontar soluções como as acima, mais fácil ainda. Talvez colocá-las em prática seja o mais complicado. Diria mais, o complicado é formar cidadãos que as coloquem em prática. Que, além de melhorar as leis, a respeitem. Que, acima de tudo, façam por onde chamar o Brasil de país democrático. Isso sim, é difícil.
A humanidade chegou a um ponto em que a educação, desde a repassada às crianças, é feita de forma errada. O Brasil só melhorará quando as crianças virem honestidade nas atitudes dos pais. Virem solidariedade e confiança entre as pessoas. Uma criança formada dessa maneira não entrará, jamais, nessa onda de corrupção e violência.
Amor ao próximo. È isso que Jesus sempre pregou, contudo o que menos se vê na sociedade. Talvez esteja faltando religiosidade e crença nas pessoas. E esses valores devem ser incentivados a todo momento. Pois é o maior dever do homem para com Deus.
Por mais que isso seja duro de aceitar, é a realidade. O homem de hoje não tem amor. Se seduz fácil. É movido pela ganância. Aprendeu a sempre querer mais dinheiro. E o pior, aprendeu a passar por cima das pessoas para atingir seus ideais (se é que isso pode ser chamado de ideais!). Hoje se traem amigos, desviam (roubam!) dinheiro e até se assassina por ambição. Como que uma sociedade onde “os fins justificam os meios” vai se ver livre de corruptos? É como pensa o filósofo francês Rousseau: “ninguém nasce mau-caráter, a sociedade é que corrompe os indivíduos”. O mesmo vele para os corruptos, se eles existem é porque a própria sociedade os induz a serem assim.
Somos um povo muito contraditório. Temos ideais maravilhosos, mas o  que gostamos é de ganho fácil. Votamos em quem nos ajudou ou pensando em algum benefício (particular!). Reclama-se do narcotráfico, mas somos consumidores desenfreados de drogas.
Critica-se o governo, porém o povo reelege políticos corruptos. Por que, por exemplo, Gratz (político capixaba conhecido em matérias nacionais e internacionais que envolvem o crime organizado no Brasil) se reelegeu? Porque parece que o povo gosta de quem, de alguma forma, lhe ajudou, mesmo que ilegalmente. Hoje não se pensa mais coletivo. Então, como acabar com corruptos se sempre temos os corruptores e aqueles que ficam vendo tudo de boca fechada?
Quando o povo quiser, tanto a corrupção, quanto a impunidade e a violência diminuirão, consideravelmente. Não se pode esquecer que, quem está lá, do lado do crime, não são pessoas de outro mundo. São pessoas comuns, mas que tiveram uma má formação de caráter e deixaram o dinheiro falar mais alto.
Então qual seria a solução definitiva para esses problemas? Implantar um sistema sócio-econômico socialista em todo o mundo, do jeito sonhado por Marx e Engels? Nessa altura do campeonato, isso é utopia. A solução está na educação do povo. Primeiro, tem de se mudar o homem, para depois mudar o  mundo!


O Problema da Regularidade Maçônica
O mundo maçônico está dividido em dois blocos. De um lado, estão as potências Regulares, ou seja, aquelas que possuem a chancela da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI) e, do outro, as Irregulares, potências que não reconhecem a GLUI como instituição reguladora da Maçonaria Universal.
Dentre as regras de regularidade e reconhecimento que a GLUI tenta impor, algumas têm origem na maçonaria operativa, mas outras foram criadas após 1717, e tinham por objetivo submeter as potências da maçonaria mundial sob a tutela daquela instituição. O critério que a GLUI utiliza para reconhecer uma potência maçônica é complexo e, por vezes, até incoerente. As contradições são muitas. Segundo as palavras do ir:. Bartlomeu M. dos Santos, MI, da ARLS Cavaleiros e Antares:
A Grande Loja Unida da Inglaterra vê-se hoje obrigada a aceitar que a poderosa Maçonaria Norte Americana emita Warrants (certificados) de “regularidade”, por tabela. E tem mais: em situação recente, a Inglaterra retirou o reconhecimento do Grande Oriente da Itália (dirigido por Virgilio Gaito), e os EUA ( 1994 ) o manteve. Situação semelhante ocorreu na Grécia.
Tal balbúrdia nos obriga a buscar respostas para as seguintes perguntas: a) o que é Reconhecimento e Regularidade? b) Quais documentos maçônicos abordam este tema, e quais autorizam uma instituição maçônica a reconhecer outras? c) Será que os critérios de reconhecimento e regularidade estão baseados nos Landmarks ?
Ao explorarmos este tão polêmico tema, tentaremos responder a estas e a outras questões, analisando com profundidade o porquê desta divisão imposta pela GLUI, de modo a nos certificarmos de sua validade.
Definições
Definição de regularidade e reconhecimento segundo dicionários–
1) Regularidade: “que e ou que age conforme as regras, normas, as leis, as praxes; relativo a regra”.
2) Reconhecimento: também segundo o vernáculo: “declarar (um governo) reconhecido legitimamente; admitir como bom, verdadeiro ou legitimo; admitir como certo; admitir como legal.”
Para a GLUI, Regularidade e Reconhecimento são condições distintas: uma potência pode ser regular e não ser reconhecida. Em contrapartida, se uma potência não for regular, ela não poderá ser reconhecida. Desta forma, segundo aquela instituição, a primeira providência para o reconhecimento de uma potência é certificar-se de sua regularidade.
Documentos históricos
Os documentos datados de 1248 a 1782 (Estatuto de Bolonha, Manuscrito Regius, Manuscritos de Cook, etc.) tratam de assuntos importantes, tais como comportamento dos maçons no trabalho e no convívio social, processos e prazos de admissão e permanência como aprendiz, tratamento das viúvas, eleições, assembleias, etc. No entanto, nenhum deles nomeia qualquer loja ou instituição que tenha a incumbência de reconhecer uma potência como Regular. É importante ressaltar que “somente após 1782 é que existem atas e documentos dos quais se tem conhecimento e certeza de data ou ocasião, autor, objetivo e público alvo”, e que em nenhum desses documentos há registros sobre qualquer acordo entre lojas ou potências, informando que uma determinada potência possa ter autoridade para reconhecer outra.
Reconhecimento e regularidade nos dias de hoje
Para um melhor entendimento desta questão, tomaremos como referência a Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI). Estabelecida em 1717, e considerada como a responsável pelo aparecimento da Maçonaria Especulativa, a GLUI se julga no direito de controlar a maçonaria em todo o mundo. Aquela instituição inglesa determinou que o primeiro requisito para o Reconhecimento de uma potência maçônica é que esta seja Regular. Desta forma, em 4 de setembro de 1929, a GLUI declarou os seguintes Princípios de Regularidade:
1 - A crença num DEUS revelado; o Grande Arquiteto do Universo.
2 - Fazer juramentos sobre o Livro da Lei.
3 - Trabalhar somente na presença das três grandes luzes: o Livro Sagrado, o Esquadro e o Compasso.
4 - Abster-se de discussões políticas e religiosas em Loja.
5 - Somente admitir membros do sexo masculino.
6 - Ser soberana no exercício de sua autoridade sobre as Lojas Azuis e seus graus (aprendiz, companheiro e mestre).
7 - Respeitar as tradições. Ou seja, fazer com que em sua obediência sejam respeitados os Landmarks, os antigos regulamentos e os usos e costumes praticados pela Franco-maçonaria.
8 - Ser regular em sua origem, o que pressupõe ter sido obrigatoriamente fundada por uma potência já constituída, que possua pelo menos três lojas regularmente consagradas por uma Potência Regular.
E quanto ao reconhecimento? Quais são os critérios? Parece que não existem critérios estabelecidos para se reconhecer uma loja ou potência. Se existem, não foram divulgados; e se não foram divulgados, não devem ser transparentes.
Potências maçônicas não reconhecidas pela GLUI – A maioria das potências regulares do mundo não é reconhecida pela GLUI. Por exemplo, no Brasil somente são reconhecidas o Grande Oriente do Brasil e a Grande Loja dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. As demais Grandes Lojas do Brasil não são reconhecidas pela GLUI. Também não o são todos os Grandes Orientes estaduais da COMAB no Brasil. A França possui atualmente treze potências maçônicas, das quais somente uma é reconhecida pelo GLUI. Detemo-nos por aqui, pois a lista é interminável.
Cabe ainda salientar que os critérios estabelecidos pela GLUI são também muito complexos, o que torna quase impossível a sua aplicação. Como exemplo desta complexidade, tomemos o princípio da territorialidade, o qual determina que somente uma potência por país pode ser reconhecida. Sua aplicação, na prática é tão controversa que, no território francês, somente a Grande Loja Nacional da França (GLNF) foi reconhecida, ao passo que nos EUA são reconhecidas mais de cinqüenta potências estaduais. Diante de tal fato, é inevitável questionar: por que somente a GLNF foi reconhecida na França? Existiria alguma regra especial para os americanos, velhos aliados da Inglaterra?
Os Landmarks – O Ir. Michael A. Botelho, grau 33, presidente do Conselho de Kadosh de Arkansas, EUA, afirmou em artigo recente que:
“saber o que é e o que não é importante nos Landmarks é uma das questões mais debatidas atualmente.” Segundo ele, o termo “Landmarks” foi criado por Albert Mackey, em 1865, quando o eminente escritor declarou: “os antigos e universais costumes da Ordem, aprovados e implantados pela autoridade competente, vêm de uma época tão distante que não foi possível localizar registros escritos a seu respeito ao longo da história”.
Assim, Mackey definiu três requisitos básicos dos Landmarks, os quais continuam a ser adotados até hoje: 1) universalidade; 2) irrevogabilidade; 3) existência desde tempos imemoriais.
Ainda, segundo o ir: Michael Botelho, em 1856, o Dr. Albert Gallatin Mackey, grau 33, tentou implantar os atuais Landmarks conforme a ótica de sua época, definindo um total de vinte e cinco Landmarks. Sete anos mais tarde, em 1863, George Oliver publicou o livro Freemason’s Treasury, no qual listou quarenta Landmarks. No século passado, algumas Grandes Lojas americanas se lançaram na difícil tarefa de quantificá-los, o que gerou o seguinte resultado: As Lojas do Estado da Virgínia Ocidental definiram sete; as Lojas de Nova Jersey a Nevada, dez; e as do Kentuck encontraram cinqüenta e quatro.
O ir: Joseph Fort Newton, em seu livro The Builders, tentou definir os landmarks com uma simples declaração: “ A certeza de que Deus é pai, a irmandade dos homens, a lei moral, a regra de ouro, e a esperança da vida eterna”. Dentro de uma linha de raciocínio semelhante, encontramos os seis Landmarks listados por Roscoe Pound:
1- A crença num ente supremo.
2- A crença na imortalidade da alma.
3- A obrigatoriedade de se manter o Livro da Lei no altar da Loja.
4- A manutenção da Lenda de Iran no terceiro grau.
5- A manutenção do simbolismo herdado da maçonaria operativa.
6- O maçom tem de ser livre e de bons costumes.
Como é possível observar pelo acima exposto, não se sabe com certeza quantos e quais são os verdadeiros Landmarks, ficando, por conseguinte, muito difícil adotá-los como referência para se estabelecer critérios de Reconhecimento e Regularidade
O componente político do problema
Algum tempo depois do nascimento da maçonaria especulativa, a antiga e bem conhecida rivalidade política entre a França e a Inglaterra veio à tona. O Grande Oriente da França (GOF), seguindo as tradições progressistas de seu país, e sob a alegação de que não queria discriminar os homens livres e de bons costumes, retirou de sua Constituição a obrigatoriedade de se crer em Deus para que um candidato pudesse ser feito maçom. Como conseqüência, o GOF foi excomungado pela GLUI.
Segundo as palavras do ir:. Bartlomeu M. dos Santos, da ARLS Cavaleiros e Antares, “a citação da Bíblia como Livro Sagrado foi um dos obstáculos históricos que provocaram o cisma entre a Maçonaria Francesa e a Maçonaria Inglesa”. Oswald Wirth complementa-o dizendo que “ os anglo-saxões, ao exigirem a Bíblia, e somente a Bíblia, negam a universalidade da Maçonaria e, se encararmos o problema desse ponto de vista, a ‘irregularidade’ está do lado deles, e não do nosso”. Wirth afirmava ainda: “Somos obrigados a nos inclinar diante dos fatos. Os anglo-saxões querem ter sua Maçonaria particular e renunciam ao universalismo proclamado em 1723”.
A maçonaria, não sendo propriedade de ninguém, não pode ser controlada por um poder central mundial. A esse respeito, Morivaldo C. Fagundes ressalta:
Embora a maçonaria seja universal no sentido filosófico e doutrinário, não o é administrativamente, pois não possui uma organização mundial única. Nessas condições, em cada país e muitas vezes, em cada estado membro ela se organizou soberanamente, com ampla e total autonomia administrativa. O fato ensejou, como não poderia deixar de acontecer, o aparecimento do fenômeno político dos reconhecimentos ou tratados de amizade interpotências, em conseqüência do qual surgiu o discutido e discutível conceito de regularidade maçônica.
Voltando à questão do Princípio da Regularidade, analisemos então a sua legitimidade, segundo o estabelecido pela GLUI:
Os Princípios 1, 2, 3, 4 e 5, anteriormente mencionados, parecem ser oriundos da Maçonaria operativa; são universais e compatíveis com o que se entende por Maçonaria Universal. O Princípio 7, que exige respeito às tradições, parece ter sido baseado nos chamados Old Charges, e o Princípio 6 trata de uma questão administrativa.
Conforme os critérios unilateralmente estabelecidos pela GLUI, todas as lojas e potências do Brasil, que não aceitam mulheres e atuam em conformidade com os oito princípios estabelecidos por aquela instituição, são regulares. Logo, a pergunta que precisa ser respondida é: Porque a COMAB (GOMG e demais orientes estaduais), a GLMMG e tantas outras entidades não são reconhecidas?

Conclusões

Nos documentos da maçonaria operativa não se encontra nenhum registro onde qualquer loja ou instituição tenha autoridade para reconhecer outras como regulares. Esta conclusão também é válida para os documentos produzidos pela maçonaria especulativa.
Em nenhum dos documentos históricos da maçonaria há registros sobre qualquer acordo entre lojas ou potências, informando que uma determinada potência possa ter autoridade para reconhecer outra.
Não sabe com certeza quantos e quais são os verdadeiros Landmarks, ficando, por conseguinte, muito difícil adotá-los como referência para se estabelecer critérios de Reconhecimento e Regularidade.
A maçonaria não é propriedade de ninguém, não pode, portanto, ser controlada por um poder central mundial.
Uma vez que nem a GLUI e nem qualquer outra potência tem autoridade para exercer o Reconhecimento, o fato de ser ou não ser reconhecido por ela ou por qualquer outra potência do planeta não é significante. O que importa é que cada loja ou potência esteja ciente de sua idoneidade e espírito maçônico, de forma a poder reconhecer a si mesma como membro da Maçonaria Universal. O restante vem por acréscimo.
Elias Mansur Neto
Past Master Imediato da Loja Maçônica Cavaleiros Templários
Literatura Consultada
1. DA SILVA, José Vicente Menezes. Regularidade e Reconhecimento Maçônico - Trabalho apresentado em Loja
2. LAGE, Hiroito Torres. A Regularidade e o Reconhecimento Maçônicos - Trabalho apresentado em Loja.
3. MENDES, Alceny José. Reconhecimento e Regularidade: reconhecendo a certeza da dúvida - Trabalho apresentado em Loja em 17/10/06.
4. FONTES, Wyllen José – Da Regularização e do Reconhecimento Maçônico, de acordo com as Normas da Maçonaria Universal - Trabalho apresentado em Loja.
5. BOTELHO, Michael A., gr 32, K.C.C.H., Os Landmarks DOS SANTOS.
6- Bartlomeu Martins. Irregularidade, um aspecto meramente político

quarta-feira, janeiro 13, 2016



Palavra do Presidente
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O tempo não para e temos o dever de realizarmos ações que possam atingir e oferecer o bem estar ao maior número de pessoas em atos certeiros. Eis aqui a tarefa de todos os dirigentes da mais simples instituição ou ao magnânimo empreendimento de milhões que esta a sua frente e gestão. A mão do Mestre dosa as medidas, o preparo do remédio a ser oferecido ao tema ainda sem solução, porém a demora na solução causa estragos indigestos e curva-se para a descredibilidade de quem esta a frente da questão. Todos tem a árdua tarefa de vencer os desafios diários e ainda lhe sobrar tempo para novas ideias e viabilidades de executá-las sistematicamente.
No passado tínhamos a força da Agricultura (manuseio da terra) como fonte de renda e sustento; depois evoluímos para a tarefa Industrial e agora estamos na era da Democratização da Internet, do conhecimento online. Vejam que o galope ocorrido situa-se melhor assim: em 1.900 o homem demorava até 100 anos para dobrar de tamanho seus conhecimentos; em 1.945 este espaço cai para 25 anos, em 2.015 a cada 13 meses os conhecimentos são renovados e se a velocidade das informações continuar neste ritmo, há de se prever que em 2.020 a cada 12 horas haverá conhecimentos novos. Neste aspecto, devemos observar que o tempo é quem governa as ações e devemos nos adaptar a essa velocidade em nosso dia a dia. Diante disto, podemos perceber que o que há de mais importante neste duelo do tempo e da tecnologia, é a capacidade de administramos tudo isto, através de nossas ideias, saber, inteligência, raciocínio lógico, pois será o que nos restará, uma vez que já há estudos que em 2.030 as máquinas serão à força de trabalho nas empresas utilizando o mínimo de pessoas.
Vejam que o investimento na educação, na reciclagem de conhecimentos, é um dos maiores patrimônios que temos, pois as Empresas que estão saindo do mercado competitivo são exatamente aquelas que não investem em sua mão de obra, pois acreditam que estão criando e preparando pessoas para os seus concorrentes, mas por outro lado, se não investirem para melhorar o conhecimento de seus colaboradores estarão inativos e falidos em pouco tempo.
O homem sempre conviveu com várias gerações em seu redor, seja na família, no colégio, na universidade, no trabalho, etc., porém atualmente este contato ficou mais acirrado, pois os nascidos após 1.990, são uma geração da conectividade (computadores, internet, aplicativos, celulares, tabletes, iphone, whatsapp, etc.). Antes, quando perguntávamos aos nossos pais sobre alguns assuntos, opiniões e como fazer para darmos soluções dos problemas que nos incomodavam, recebíamos seus conselhos e orientações, e era o que nos bastava.
A geração dos nascidos após l.990, quase nunca perguntam aos mais velhos a respeito de suas dúvidas, pois tem ao seu alcance o “mestre das questões – Sr. Google”, e o que irá prevalecer sempre são as “respostas” que lá encontram e assim tomas as suas opiniões.
Apliquemos estas informações a um âmbito empresarial, onde além do faturamento, temos também que colocar em pauta, a manutenção de todas estas 3 ou 4 gerações em um mesmo ambiente de trabalho, e aqui sim, teremos que estar munidos de inteligência emocional e intelectual suficiente para gerenciar as faixas etárias, de modo que os mais velhos ofereçam experiências e os mais novos, com sua energia e velocidade entendam a necessidade de atentar para a vivência dos que já traziam resultados sem a tecnologia de hoje.
Finalizando, não só o nosso Brasil continente passa atualmente por dificuldades diversas, seja ela econômica e/ou política, mas também o mundo, está aldeia global, muda a todo instante, e por isto a necessidade de estarmos sempre trabalhando novos rumos, opções, demandas, dinâmica do conhecimento, pois tudo ao redor esta em transformação frenética e cibernética.
Temos que sair de nossa zona de conforto e contribuir para este mundo maravilhoso que nos acolhe.

Fraternalmente,
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Ir\ Márcio Corrêa Fernandes
Presidente do Conselho Gestor da Ação Maçônica Internacional - AMI

quinta-feira, janeiro 07, 2016



Certo dia, estando a conduzir liguei o rádio do automóvel (naquele preciso momento, não em outro qualquer). O rádio estava ligado numa determinada estação emissora (não em outra qualquer). Estava a ser transmitida uma determinada música (não outra qualquer), que me agradou muito e me reforçou a boa-disposição e abriu o sorriso.

Eu ia tratar de um assunto complicado e algo delicado num Tribunal, para o que necessitava que um funcionário judicial (sempre assoberbado de trabalho) me desse assistência, gastando razoável tempo e algum esforço. Ainda por cima, o tal assunto era desagradável para o dito funcionário, pelo que antecipava alguma má-vontade dele em auxiliar-me.

Mas eu estava tão bem-disposto com a música que por acaso ouvira, na estação de rádio que por acaso estava sintonizada no momento em que, por acaso, decidi ligar o rádio do meu automóvel, que me dirigi ao dito funcionário com um largo sorriso nos lábios, o cumprimentei alegremente, disse uma piada que também o fez sorrir e... quando lhe disse ao que ia, em vez da antecipada má reação, vi que a minha boa-disposição o contagiara e, com toda a amabilidade e todo o zelo, auxiliou-me no trabalho que eu ia fazer.

Isso reforçou a minha boa-disposição e, quando alguém seguidamente me pediu algo, não só me prontifiquei a corresponder ao pedido, como o fiz com gosto e prazer. Muitas vezes, depois disso, aquele a quem, naquela ocasião, auxiliei, retribuiu...

A boa-disposição manteve-se e, no final desse dia, ao fazer o balanço do que nele ocorrera, verifiquei que a minha boa-disposição influenciara todos aqueles com quem eu tinha interagido, que os meus sorrisos geraram muitos outros sorrisos de volta, que congregara muitas boas-vontades e que se gerara um ciclo virtuoso que levara a que tudo corresse bem e que a satisfação e boa-disposição imperassem, em mim e em todos com quem contactara.

Nesse dia, comprovei que, tal como o mal conduz ao mal, o bem gera o bem. E consolidou-se-me a noção de que tratar bem o próximo, ser simpático e empático, não só faz com que o próximo reaja no mesmo sentido, como aumenta o nosso bem-estar, a nossa boa-disposição. Em suma, que se recebe o que se dá - e exponencialmente mais.

A chave da felicidade é contribuir para a felicidade de quem nos rodeia. Poucas coisas nos aquecem mais o coração do que um sorriso feliz de uma criança. Mas, se bem pensarmos, também a constatação de um momento de felicidade num adulto influi positivamente em nós. Assim sendo, não faz sentido que ignoremos as necessidades do próximo. Pelo contrário, faz muito mais sentido ajudar o próximo a ter momentos de felicidade - porque isso nos fará duplamente felizes a nós próprios: felizes por vermos o próximo feliz, felizes porque o próximo, por sua vez, nos há de retribuir. Há quem chame a isto karma. Eu chamo-lhe, simplesmente... bom-senso.

O bem gera o bem. O belo conduz ao belo. Pelo contrário, do mal só virá mal, o abjeto só gera abjeção. E a indiferença, essa, é estéril.

O verdadeiro sentido da vida está em sermos felizes. E sermos felizes implica fazermos feliz quem nos rodeia. Logo, o verdadeiro sentido da vida está em gerar a felicidade ao torno de nós e, assim, ganharmos também a nossa felicidade.

Este é, pelo menos, o meu sentido da minha vida. Serve para mim. Está certo para mim.

Mas, afinal, qual a importância do acaso na minha descoberta do meu sentido da minha vida? Para ser completamente verdadeiro... NENHUMA. Não cheguei a esta noção porque uma bela manhã liguei o rádio e ouvi uma música que me agradou. Se assim fosse, teria de concluir que, se tivesse ouvido uma música que me fosse muito desagradável, isso viria a fazer de mim um patife da pior espécie...

O caráter gera-se e aperfeiçoa-se. Mais do que consequência de uma música ouvida ao acaso, aquilo que sou e que penso resulta de toda a minha vivência, dos princípios em que acredito e procuro seguir. E muita importância nisso tem a minha condição de maçom e a vivência com os meus Irmãos, em Loja e fora dela. 

Então porque intitulei este texto "Da importância do acaso na descoberta do sentido da vida"? Porque é um título muito mais apelativo do que se simplesmente escrevesse "O sentido da vida", ou algo semelhante. Provavelmente, haverá muito boa gente que só leu este texto até aqui porque aquele título suscitou a sua curiosidade... Considere-se, pois, este título uma piada, um piscar de olho meu na tentativa de ajudar quem ler este texto a ter um momento de felicidade - e, já agora, a motivá-lo para dar felicidade aos que o rodeiam.

Façam o favor de ser felizes. Para isso, a melhor forma é... espalhar Felicidade. E verão que, no final, a vossa vida teve muito mais significado do que simplesmente viver uma vidinha de procurar ter...

Rui Bandeira