quinta-feira, maio 19, 2016

Eu serpente secreta enroscada a ponto de saltar; no meu enroscar há alegria, Se levanto meu coração, eu e minha Nuit somos um. Se eu abaixo minha cabeça, eu lanço veneno, então há êxtase na terra e eu e a terra somos um.”
Livro da Lei II:26
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O arcano Delta é baseado nas várias técnicas da Magia Tântrica de Kundalini, estas técnicas são a síntese de ambas fontes ocidental e oriental. No oriente a relação entre magia sexual e a Kundalini é íntima e óbvia como esquematizada dentro dos Tantras. Contudo, no ocidente as chaves para a Magia da Kundalini têm sido escondidas sob a guisa de simbolismo Alquímico e de Tarot e portanto a conexão tem sido conhecida apenas pelos magos. O grau Delta delineia as técnicas para o despertar da Kundalini e discute a relação entre estas e o fluxo de Kalas e Amrita na forma de Veneno e Néctar. Esta conexão é claramente sugerida no verso do texto acima.
As Dez Facetas do Despertar da Kundalini
Quando examinanos as várias técnicas do despertar da Kundalini (incluindo a purificação e estimulação dos Chakras), descobrimos que pode ser dividida em dez aspectos. Estes dez aspectos devem ser dominados individualmente como facetas do treainamento dos magos dentro do arcano Delta. Estas dez facetas podem ser sumarizadas como segue :
1. Concentração Total
2. Drogas e enteógenos
3. Paradigmas Alternativos
4. Músika (música & mágika)
5. Dança
6. Técnica Sexual
7. Estados Extáticos
8. Estados Impessoais de Êxtase
9. Frenesi Religioso
10. Entusiasmo Dissolúvel
Embora estas dez técnicas possam ser bem sucedidas isoladas, a qualidade do estado de consciência resultante deve ser considerada bem como as demandas de procedimentos usados num estado isolado. O grau Delta da Magia da Kundalini deve integrar todos estes aspectos numa variedade de técnicas mágikas. A Magia Sexual, quando aplicada à ativação da Kundalini, abre uma porta ampla para a exploração pessoal, sendo impossível de cobrir todos os métodos potenciais facilmente. Portanto, esquematizaremos os vários requisitos do grau e uma seleção de técnicas possíveis e deixaremos a exploração para o próprio mago.
Embora todos aspectos do grau devem ser dominados, as facetas da Magia da Kundalini, especialmente em seus aspectos extremos, oferecem um amplo espectro de possibilidades para formar uma adaptação altamente individual e pessoal dos trabalhos dentro do grau Delta.
As Dez Facetas do Despertar da Kundalini na Prática
1. Na prática, a faceta da concentração total é a chave para trabalhar todas as outras facetas do grau Delta. Apenas centrando a mente e concentrando suas energias podem as várias forças internas das chakras serem manipuladas de acordo com as várias práticas da Magia da Kundalini. É portanto imperativo para o mago aumentar tanto sua Vontade e imaginação antes de embarcar na jornada do arcano Delta.
2. O uso de drogas, isto é, substâncias, naturais ou artificiais, que provoquem estados alterados de consciência é tradicional como parte do arcano da Kundalini. Nas antigas escolas várias formas de alteradores da mente eram usados para que fossem induzidos estados de consciência alterada. Embora estas técnicas fossem usadas com muito sucesso, falta a muitos magos modernos o antecedente cultural para usar estas substâncias de acordo ao seu natureza correta, e embora sendo parte do arcano, seu uso só deve se efetivar se o mago tiver total controle. Controle total significa um pleno conhecimento de seu uso e reações, perigos, etc. e experimentação cuidadosa (certamente não o vício).
3. Paradigmas alternativos formam um sistema de Raja ou Yôga mental baseada na Qabbalah que dispara estados da Kundalini através do controle da mente através do uso de programação mental. O mago acha pelo estudo de vários sistemas cabalísticos de correspondência uma situação que surge onde a mente está programada pelos vários esquemas de informação contraditórios. Esta programação dispara uma reação mental onde a mente é levada até a submissão, sob o controle do Eu Interníssimo e uma reação da Kundalini é disparada no processo.
Este sistema ocidental é afim ao da Raja Yôga.
Alguns exemplos mais avançados deste sistema são encontrados em estruturas teóricas mais complexas da Teosofia e da Qaballah onde a teoria torna-se uma Yôga dentro se si mesma.
4. e 5. O uso de Música e Dança na Magia da Kundalini pode ser examinada nas várias escolas tradicionais dos Sufis e dos Dervixes. Ambas usam som repetitivo, como percussão junto à dança para que um estado superior de estimulação corporal possa ser alcançado e a energia circular através do sistema. Alguns aspectos deste sistema, especialmente a respeito da técnica de dança dervixe, manipulava o fluxo da Kundalini através do organismo físico duma maneira afim à HatHa Yôga no oriente.
6. As técnicas sexuais da magia da Kundalini cobrem um amplo espectro de possibilidades, podendo usar todas da dez facetasda ativação da Kundalinibem com um número de variações sexuais.
7. Estados extáticos formam uma parte integral do arcano Delta, podendo ser induzidos através de uma variedade ampla de métodos incluindo aqueles sugeridos em facetas anteriores. A importância destes estados está no fato de que eles induzem à purificação dos chakras e na direção correta, a manipulação do fluxo Ojas e a ativação da força da Kundalini.
8. e 9. As formas como esses estados podem variar de acordo com os meios usados, por exemplo, por via religiosa (devoção ou Bhakti), através da meditação impessoal, através da absorção em um ideal, etc.
10. Meditações Kali ou dissolutivas formam uma das facetas esotéricas não apenas no grau Delta mas do Tantrismo em geral. Elas oferecem uma nova apreciação da morte e do uso de Thanatos (o impulso entrópico) como uma ferramenta de inciação. Extremos de estados de êxtase incluem tais possibilidades como dor controlada e trabalhos de prazer, asceticismo, hedonismo extremo, ‘body piercing’ e modificações físicas, etc.
Todas estas são consideradas como possibilidades válidas tanto quanto os trabalhos excessivos do grau são mantidos na mente sempre controlados pela Vontade. Obssessões por esta fórmulas podem causar desastre para o mago.
Mantendo estas dez facetas em mente oferecemos as seguintes técnicas para os trabalhos Delta, cada um podendo ser moldado de acordo com o conhecimento, experiências e preferências pessoais.
Alquimia Interna
A prática da Alquimia Interna é encontrada nas escolas de Magia da Kundalini tanto tântricas como não tântricas. As preliminares desta prática incluem trabalhos como o Mudra Khechari. Nesta prática a língua é parcialmente inclinada para trás em direção à garganta, alcançando mais fundo com a prática e repetição da técnica. Finalmente alcança a região da faringe nasal atrás e acima do palato e produz um efeito marcante reportando uma variedade de estímulos ao cérebro e induzindo um estado de purificação chákrica e um gradual despertar da Kundalini.
Os mecanismos deste mudra são a língua como representação do Pênis; a faringe nasal, o Orifício (vaginal ou anal) e a carne moldada na forma de um U do palato, o clitóris. Estas representações criam uma estimulação semi-sexual das forças da Kundalini e representam a técnica autosexual preliminar do arcano Delta. A partir disto um mago pode praticar as várias facetas da Alquimia Interna que são baseadas na bilocação de Ojas dos fluidos sexuais e seu redirecionamento através dos chakras em direção oa Sahasrara Chakra.
Estes procedimentos podem ser realizados por dois meios distintos. O método mais tradicional é baseado no uso de uma técnica de Karezza masturbatório ou Karezza Gamma/Epsilon, onde os fluidos, embora estimulados, não são ejaculados mas o Ojas é redirecionado através dos Chakras. Esta é a Via Seca.
Uma prática moderna é usar a ejaculação mas no orgasmo bilocar o fluxo de sêmen e redirecionar o Ojas através dos Chakras, os fluidos sexuais físicos deixados para trás após esta atividade não devem ser usados por sua falta de elementos de Ojas e portanto são excrementos em natureza apenas.
A Torre
A Torre é uma fórmula de sexo oral baseada no arcano Delta, a Torre pode ser entendida tanto como a coluna dorsal como o falo. Portanto, é um procedimento de base masculina. Conforme a estimulação seja aplicada ao falo (Torre), cuja letra é Pe ou a boca, o orgasmo resultante deve ser relacionado ao despertar das energias da Kundalini subindo a espinha. Os testículos podem ser relacionados aos canais Ida e Pingala de cada lado da coluna ou Sushumna através do qual as forças da Kundalini sobem.
Este processo deve ser acompanhado por concentração intensa nas imagens dos chakras bem como nas palavras de poder entoadas para estimular a atividade de cada centro. A escolha de mantras é deixada para a discrição individual, uma técnica sexual de Pilar do Meio é o resultado que deve ser objetivado.
Outras Técnicas
Outras técnicas da Magia da Kundalini podem ser exploradas pelo mago individual, o uso de intercurso anal é uma conexão com a Kundalini que já foi discutida, em algum detalhe, no Mistério da Fênix.
Um dos procedimentos mais abrangentes para o Despertar da Kundalini é encontrado no Liber HHH (O Livro das Três Mães), Seção SSS (baseada na letra mãe Shin).
LIBER HHH download liberhhh
SEÇÃO SSS
SUB FIGURA CCCXI
“Tu és uma coisa bonita, mais branca que uma mulher na coluna desta vibração. Eu disparo verticalmente como uma flecha e torno-me aquilo acima. Mas é a morte e a chama da pira.”
“Ascenda na chama da pira, Ó minh’alma !”
“Teu Deus é como o vazio frio do último céu, no qual tu irradias tua pequena luz.”
“Quando tu vieres a me conhecer, Ó Deus vazio, minha chama deverá expirar em tua grande Nox..”
Liber Lapidid Lazuli, I:36-40
0. Sente-se em seu Asana, preferivelmente o do Trovão. É essencial que tua espinha esteja vertical.
1. Nesta prática a cavidade do cérebro é a Yoni, a coluna dorsal, o Lingam.
2. Concentre teu pensamento na adoração do cérebro.
3. Agora comece a despertar a espinha desta maneira.
Cencentra o teu pensamento na base da espinha e mova-o para cima um pouco por vez. Por este meio, tu te tornarás consciente da espinha, sentindo cada vértebra como uma entidade separada.
Deve-se atingir isto perfeita e plenamente antes de começar qualquer prática posterior.
4. Depois, adore o cérebro como antes, mas imagine, para ti, seu conteúdo como infinito. Faça-o ser o útero de Ísis ou o corpo de Nuit.
5. Depois, identifica-te com a base da espinha como antes, mas imagine, para ti, sua energia como infinita. Veja-a como o falo de Osíris ou o ser de Hadit.
6. Estas duas concentrações 4 & 5 podem ser ampurradas ao ponto de Samadhi. ainda assim, não perca controle da Vontade, não deixe o Samadhi ser seu mestre.
7. Agora então, estando consciente tanto do cérebro e da espinha, e incosnciente de todo o resto, faça-te imaginar a voracidade de um pelo outro, o vazio do cérebro, a dor da espinha, mesmo como o vazio do espaço e a falta de objetivo da matéria.
E se tu tens esperiência da Eucaristia de ambos os modos, deve ajudar tua imaginação ali.
8. Deixe esta agonia crescer até que se torne insuportável, resistindo pela Vontade toda tentação. Não até que todo teu corpo esteja banhado de suor, ou pelo suor do sangue, e até que um choro de lânguidez intolerável seja forçado dos seus lábios fechados, tu deverás proceder.
9. Agora deixe uma corrente de luz, azul profunda com tons escarlates, suba e desça pela coluna golpeando como se estivesse sobre ti estivesse enrolada uma serpente na base. Permita que isto seja excedentemente vagaroso e sutil e que seja acompanhado de prazer, resista e será acompanhado de dor, resista.
10. Isto tu deves continuar até que tu esteja exausto, nunca relaxando o controle. Até que tu não possas mais realizar esta seção nove durante toda uma hora, não prossiga.
E retire-se da meditação por um ato de Vontade, passando para um suave Pranayama e Khumbakham e meditando sobre Harpócrates, o deus silente e virginal.
11. Então, afinal, estando bem ajustados corpo e mente, fixados na paz, debaixo de um céu noturno majestoso coberto de estrelas, num clima calmo e morno, tu podes aumentar a velocidade do movimento da luz até que tome todo o cérebro e a espinha, independentemente da tua Vontade.
12. Se nesta hora tu deves morrer, não está escrito…
“Benditos são os mortos que morrem no Senhor.”
Sim, benditos são os mortos que morrem no Senhor !
Conclusão
Os procedimentos do grau Delta incluem alguns dos trabalhos de maiores prazos dentro do Arcano da Magia Sexual. O despertar da Kundalini não é atingido simplesmente por meios sexuais, mas através da perseverança e um esforço concentrado por muito tempo de prática. O procedimento descrito no Liber HHH, seção SSS, é a melhor descrição disponível para um trabalho da Kundalini de longo prazo. Deve ser suplementado pela prática do Mudra Khechan bem como outras práticas sexuais da Kundalini.
É imperativo entender que o despertar da Kundalini é um trabalho mágiko de muito tempo, portanto é classificado como o grau Delta, ou no sistema da OTO, o décimo grau, que é relacionado a Kether, a Verdadeira Vontade. Portanto, o processo da Kundalini pode ser compreendido como a manifestação da Vontade Verdadeira nas correntes fisiológicas e etéricas do organismo e embora trabalhosa, forme uma faceta integral da tradição Tântrica do Santuário.

Namastê;-)

sexta-feira, maio 13, 2016

Baphomet


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Dossiê sobre Baphomet de Betopataca, Apêndice de Renascer Anticristão

Baphomet“No primeiro aeon,eu era o Grande Espírito
No segundo aeon,Homens conheceram-me como o Deus Chifrudo, Pangenitor Panphage
No terceiro aeon,Eu era o Nigérrimo,o Diabo
No quarto aeon,os Homens não me conheciam,porque eu sou o Escondido
Neste novo aeon,Eu apareço ante a ti como Baphomet
O Deus anterior a todos os Deuses,aquele que perdurará até o fim daTerra.”
- Peter J. Caroll: Liber Null Psychonaut
O Néter, Deidade ou Arquétipo de Baphomet possui uma origem extremamente controversa e que remonta à Idade Média (mais precisamente no período das Cruzadas Cristãs).
A Ordem dos Cavaleiros do Templo(Templários), era o braço militar dos países Europeus na Terra Santa ao lado dos Hospitalários(estes notoriamente com menor projeção). E foi justamente entre estes Cruzados da “Palavra de Cristo” é que surgiu o Senhor da Luz e Trevas:Baphomet.
Em 13 de Outubro de 1307,está documentado que os Soldados do Rei Phillip da França  a mando do próprio Papa(naquele período ainda não tinha se sucedido a laiscização do Estado e por tal religioso e político fundiam-se em interesses opressores mutuais) e do Rei Francês,invadiram a Fortaleza dos Templários e levaram sob custódia seu Grão-Mestre Jacques de Molay e grande parte dos cavaleiros como prisioneiros sob a acusação de veneração do Demônio sob a forma de um ícone chamado Baphomet.
A veracidade do facto dos Templários venerarem realmente o Demônio sob a imagem de Baphomet é extremamente questionável e incerta.É sabido que desde a criação da Ordem na Primeira Cruzada(em torno de 1095),estes ganharam enorme poder militar,pecuniário e político.
Seu poder militar veio graças a criação de um sistema de treinamento severo de seus cavaleiros,aprimoramento de práticas beligerantes antigas,sistema de ingerência rígido e uso de armas de qualidade superior a vista em muitos exércitos.
O poder pecuniário adveio graças a pilhagem de inúmeros bens dos muçulmanos com a invasão de suas fortalezas e cidades,controlo de rotas por onde passavam caravanas de comerciantes islâmicos.
Sendo uma época baseada num sistema onde o acúmulo  de Terras (estas em teoria no nome da Igreja) era sinônimo de poder,os templários ganharam enorme influência política pelo gerenciamento de inúmeras fortalezas na Palestina e outras Regiões. Assim como detinham grande parte da massa cristã ao seu lado pelas conquistas e por serem tidos como o “Exército de Jeová na Terra”’, o que deu-lhes influência enorme.
Por estes fatores,o Papa Clemêncio (ou Clemens como era conhecido) temeu o Poder enorme adquirido pelos Templários e que estes pudessem influenciar desfavoravelmente a “Balança de Poder” caso decidissem adquirir independência plena do augúrio papal.Destarte começou este,a instigar os Reis contra os templários.Mas instigar a Nobreza contra a Ordem não seria nem de longe suficiente para conseguir uma campanha absolutamente bem-sucedida contra os Cavaleiros do Templo.Ainda era preciso o consentimento do Povo a partir do descrédito da Ordem perante os moldes crististas fortíssimos da época.
Calcula-se que desta forma foram muito bem plantados boatos e falsas provas de que os Templários veneravam um demônio de nome Baphomet e que por tal deveriam ser eliminados em nome de Deus.
Nesta versão,chegamos a conclusão de que Baphomet foi na Realidade uma Deidade inventada pela Igreja(como tantas outras o foram no período da Inquisição) para desmerecer e eliminar os Templários.
Contudo, existem correntes de Historiadores,Arqueólogos e Estudantes do Oculto que afirmam veementemente que realmente os templários teriam cultuado uma Entidade de nome Baphomet.E que tal entidade seria em realidade um fusionismo do conceito cristão Religioso de Yeshua(Jesus) e Mohammed(uma figura muitíssimo cultuada na antiga Terra dos Muçulmanos).Tal sincretismo deu-se sem uma percepção consciente por parte dos Templários segundo estes estudiosos. Todavia esta Entidade cultuada não teria nenhuma correlação com o Diabo ou a Egrégora Infernal,e que tal culto foi apenas um estopim utilizado pela Igreja para caçar os Templários.
Como suporte da Teoria de que Baphomet era realmente cultuado pelos Templários os estudiosos valem-se de um diário dito pertencente à Jacques de Molay (último Grão Mestre da Ordem) onde este registra minunciosamente Magias, Rituais e Liturgias envolvendo tal figura.Assim,como também graças a uma estátua,contida em um cofre,exumada de ruínas de uma antiga fortaleza dos templários no Oriente (tal petardo apresentou-se muito bem selado dentro do cofre.Esta estátua apresentou-se como uma figura baphomética análoga dos pontos de vista do Bode de Mendes e ao andrógino do alquimista Khunrath. Esta figura era barbuda,corpo inteiramente feminino,em uma de suas mãos portava o Sol e na outra a Lua,ambos astros atados por correntes. A imagem segundo os arqueólogos apresentavam conceitos considerados obscenos e,quiçá,diabólicos para época medieval).
Bem,todavia poderíamos considerar que tal diário e tal estátua foram falsas provas inseridas no Templo Templário por agentes do Papa para acusar falsamente os templários e dar suporte à sua teoria inventada de culto ao Demônio.
Pois bem,sendo realidade o culto de Baphomet ou não por parte dos templários,esta Deidade reinterpretada por Alquimistas(como Eliphas Lévi),cultuada por Seitas Gnósticas(surgidas,principalmente,a partir do século XV),temida por uma massa medieval que acreditava em qualquer disparate papal e,mais recentemente, ressucitada por Satanistas Contemporâneos(ligados a filosofia de La Vey) já ganhou Força mais do que Suficiente para Existir.Sim,existir como Egrégora,como Força Energética Influente em processos de Magick e impressa na Luz Astral graças ao Inconsciente Coletivo.

 

Baphomet Alquímico:

“Se as criaturas humanas tentassem alcançar a auto-perfeição ao invés de tentar salvar mundos,e se esforçassem pela liberdade interna ao invés de se esforçarem  para libertar o mundo - o quanto teria sido feito pela verdadeira libertação da humanidade!”- Autor Desconhecido
A figura de Baphomet foi ressuscitada e reinterpretada para o vulgo,de uma maneira geral,no século passado por Eliphas Lévi(Alphonse Louis Constant) sob uma ótica alquímica.
Quaisquer associações com o conceito maniqueísta cristão de Mal foram abolidas e Baphomet ressurge como um Grande Arcano Mágico de Iniciação.Tal criatura ganhou o Status de Demiurgo,um Reflexo de como deve ser o Ser Iluminado que atingiu à Grande Obra em sua plenitude(converteu com sucesso Chumbo em Ouro).
Por ser considerado um Demiurgo e Iniciador,este Logos(Baphomet) foi associado por alquimistas,gnósticos e maçons ulteriores e anteriores a Eliphas Lévi(e pelo próprio mas com uma argumentação mais implícita),a Jesus Cristo.Yeshua para alguns alquimistas é um Iniciador,aquele que traz o Verbo Divino e torna-o Humanizado,e que por sua vez também Diviniza o Verbo Humano.Desta forma,Baphomet seria a Imagem projetada deste conceito cristológico transformador,e portanto o próprio Jesus Cristo em sua magnificiência.
Segundo a gematria-cabalística o nome de Baphomet deve ser pronunciado no sentido  inverso,e é composto por três abreviaturas:TEM OHP AB.Tal abreviatura quer dizer respectivamente:Templi omnium hominum pacis abbas (“Pai do Templo - Paz Universal dos Homens”).
A figura acima é uma reprodução minimizada do desenho elaborado por Eliphas Lévi de Baphomet.Este apresenta enorme simbolismo e riqueza em detalhes,detalhes estes pormenorizados nos subseqüentes parágrafos.
A Tocha contida entre seus dois cornos representa a Inteligência Equilibradora do Ternário.Assim,como pode representar o Azoth do ser plenamente aceso e fulgurante,projetando-se para o Alto(atingindo assim os Céus ou às Cabalísticas Séfiras Supernas).
Tal tocha simbólica também é a representação da Alma elevada sobre a Matéria,embora presa à própria Matéria como as flamas estão presas a tocha.
Sendo a Tocha,localizada entre os Cornos representando a Inteligência Equilibradora do Ternário,a Pomba Mercurial.
Os Cornos representam a Dualidade Equilibrada em parcelas iguais,opostos contidos no mesmo ser.Da mesma sorte,que pode representar o aspecto mais animalesco Humano.
Em sua testa reside o Símbolo do Pentagrama,o Símbolo do Microcosmo(evidência de que este ser encontra-se contido em nosso Interno e não Impessoalmente no Externo).Assim,como o Pentagrama representa o Domínio do Espírito sobre todas os Elementos(estes representados pelas outras pontas do Pentagrama) e a Elevação Espiritual em sua Forma mais sublime(evidência de que Baphomet é um Arcano Mágico e de Natureza Transcendental-Espiritual segundo a ótica alquímica).
Tendo sido colocado abaixo da Tocha,este Pentagrama dá contornos de Revelação Divina à mesma.
Sua cabeça sintética de Bode,comporta também  traços do Cão,Touro e Asno.O Asno representam a responsabilidade da Matéria apenas.O Cão é uma manifestação de Hermanubis (Deus Cão Egípcio) que representa o Mercúrio dos Sábios,o Fluido,o Ar e a Água sob uma só forma.Touro é uma manifestação de Apep(Deus Touro Egípcio)e que representa a Terra,o Sal dos Filósofos.Por fim,o Bode representa uma fusão de conceitos místicos Egípcios e Hindus,e representa o Fogo,Símbolo da Geração e o Enxofre dos Alquimistas.
É interessante notar a Formação do Y Alquímico (Sal,Enxofre e Mercúrio)através do Touro, Bode e Cão respectivamente e que este encarcera-se na Matéria(representação do Asno).
Este com suas mãos demonstra o perfectamente o postulado de Hermes Trismegistus (“Aquilo que está Acima é como aquilo que está Abaixo”),pois aponta com uma para o Alto e com outra para Baixo.
Em uma das mãos este Evidencia o Poder do Binário(a que aponta parta o Alto),e na outra este Binário manifestado através do Perfecto Ternário(a que aponta para Baixo).
As mãos são Humanas para representar à Santidade do Trabalho empreendido por este.
Acima de uma de suas mãos(a que aponta para o Alto),vê-se à Lua branca de Chesed,o poder da Misericórdia.Abaixo da outra mão vê-se à Lua Negra de Gedulah,o poder da Justiça.Signo este que expressa o acordo perfecto de Justiça com Misericórdia,criando assim a Justiça Misericordiosa.
A presença da Lua Negra e da Lua Branca representa também o equilíbrio perfecto entre Luz e Trevas no Ser.
Nos antebraços encontram-se escrito dois vocábulos:Solve e Coagula(respectivamente no antebraço do membro que aponta para o Alto e no antebraço do que aponta para Baixo).Estas frases são da autoria do alquimista Khunrath(Eliphas Lévi era grande admirador do maravilhoso trabalho do mesmo).Estas frases exprimem que aquele que porta Baphomet Manifestado dentro de si, deve saber coagular (Reter, Passivo, Yin, Negativo, Feminino) e Solver (Movimentar, Ativo, Yang, Positivo, Masculino), conter assim ambas as características.
O Corpo deste apresenta-se como o Andrógino de Khunrath mas adicionado de elementos animais(dando-o aspecto antropozoomórfico).A característica de Androgenia é para evidenciar que tal Figura possui Hadit e Nuit dentro de si,sendo o próprio Ra-Hoor-Khuit e portanto contendo elementos Masculinos e Femininos.Os aspectos zoomórficos dão a este uma analogia que ligue-o à Matéria e ao lado Humano Mais Bestial Equilibrado com o Divino(representado pela porção Humana deste pois para os Alquimistas a Forma de Deus é como a Forma Humana - “E pois Deus criou o Homem sua Imagem e Semelhança..”- Gênesis Capítulo I,Versículo 27).
O par de seios femininos também podem representar os Signos redentores da Maternidade e do Trabalho quando realizados no Plano da Grande Obra.Da mesma sorte que em comunhão com os braços Representam a Humanidade-Divinizada de tal ser.
O caduceu na sua região pélvica-peitoral representa o Equilíbrio Pleno dos Opostos (Trevas e Luz)dentro deste.
Sendo que este Símbolo de Hermes pode representar o o Poder Hermético contido nele.Assim como a projeção dos Mistérios da Geração Universal.
O Semicírculo,que deve ser de coloração azulácea,representa à sua Nuit perfectamente anexada a este.
Seu ventre apresenta-se coberto de escamas verdes,como um símbolo da Natureza Passiva e adaptadora dele(similar ao Conceito de Água para os Taoistas).
Este apresenta um par e Asas Negras,que pode ser uma conexão entre este e Lúcifer(que para os cabalistas e alquimistas não possui quaisquer relações com a figura de Satã;sendo muito mais um Símbolo de Luz e Inteligência Primordial podendo ser correlato também até ao Nazareno segundo atestam).
Da mesma sorte que acima das escamas pronunciam-se penas de diversas colorações.Tais penas são potencializações do Elemento Ar-Volátil contido neste.
Este panteu deve ter por assento um Cubo e por estrado deve possuir uma única Esfera,seja uma esfera e um escabelo triangular(para não tornar o desenho complexo em demasia estes pormenores foram retirados).O Cubo representa o Sal ou Pedra Filosofal sobre ao qual toda esta Imagem se abanca.A Esfera representa a potencialização deste conceito de Quadradura do Círculo.O escabelo triangular representa a potencialização do sentido de Elevação-Transcendental de tal Figura(o triângulo é Como o Fogo Ativo que Eleva o Espírito e um  Poder Mágico).
Como último comento é interessante notar que tal figura certamente contém todos os Cinco Elementos em si como uma Representação Fiel do Equilíbrio(Fogo, Água, Terra, Ar, Espírito).

Baphomet,O Louco Transmutado e Ilusão Destruída:


“Aqueles que sempre procuram por mim devem alquebrar-se para desta forma me encontrare
m;assim eles irão me encontrar e olhar-me nos olhos - e então eles irão descobrir ninguém mais que eles mesmos!” -AKRON:“Roaming of the Universe”
Segundo Mestre Therion Baphomet pode ser  entendido como a Criação e resumido pelas duas Letras Hebraicas de Hain e Schin.
Ambas as Letras de antemão muito já dizem sobre o conceito de tal figura:
 - Hain é  Forçar,quando lhe apraz,a Natureza a revelar-se.
 - Shin é possuir o segredo das riquezas,transmutar Chumbo em Ouro;ser sempre o amo e não o escravo.Saber extrair o gozo mesmo da pobreza e não cair jamais,nem na abjeção e nem na miséria.
Por fim, chega-se a conclusão de que Baphomet,é aquele que permite-o atingir a Pedra Filosofal,aquele que revela sua Verdadeira Natureza e Eu Supremo à ti de forma Incendiária como o Fogo num Cerrado.
Baphomet é aquele que o Deifica e o põem no Manto Negro dos Céus como uma Constelação,como Um Deus dando-te a Emancipação Plena de todos os Grilhões da Efemeridade Humana permitindo-te atingir o Êxtase Supremo no Sol que Sempre Arde em L.L.L.L.L. (Love,Law, Life,Light, Liberty).
Colocando tais letras hebraicas no ROTA,encontra-se a Torre (Hain) e o Louco (Schin).
A Torre é o “céu da Lua,alterações,subversões,transformações,fraquezas”.A Torre de Babel fulminada pelo Raio da Verdade.Representa a Queda da Torre de Ilusões e Confusões anteriores,a Morte de Choronzon para o Encontro da Verdadeira Vontade oculta antes no “tenebrae” da Torre.Quando todas as fraquezas caem e o sofrimento vêm.Mas após a dor da queda da antiga fortaleza vem a simplicidade de um Mundo Sem Paredes Ilusórias.É o bradar perante os Raios de Thor:”Eu destruo!” É o Dragão de Fogo de Yang que tudo destrói com seu vulcânico hálito complementado pela Imagem da árvore atingida pelo Raio e pelo Fogo de Yin que são vaticínios da Renovação pela Destruição.
O Louco é o Novo Começo.Aquele que traz no saco às suas Costas todas as experiências anteriores,desejos desconsideráveis e toda sorte de misérias apenas como algo relegado ao passado e que ensinou-o algo,e foram catalisadores de alguma maneira,da Transformação Verdadeira de Chumbo em Ouro.É o Novo caminhar na Estrada plena do Tao(A Estrada sem Forma).Todo Caos reprimido se vai,e por fim acha-se o Sagrado Guia-Espírito Universal e brada-se:”Eu me torno!”É feita a União com o Todo e o tornar-se Deus(vai-se a mera Treva e Luz dicotômica,vê-se apenas o Cinza) pela Auto-Redenção e Auto-Iniciação.
A Torre é a fachada que usamos para esconder o Diabo(Baphomet)que espera pelo Louco na Escuridão do Útero que antecede o Nascer.O Louco ao encontrar o Diabo se transforma e torna-se Real,dando as mãos a este e fundindo-se a tal,enquanto a Antiga Torre da Ilusão se desfaz e o Louco-Diabo toma o Mundo Liberto de si.
 

Uma Visão Crowleyana:

“Ele é paciente.
Ele é silencioso.
Sem ódio ele pronuncia o julgamento.
Ele é distante,
mas seus olhos fitam a cidade.
Ele mata o iniciado
E ressucita-o para a nova vida.”
Poesia Yorubá
A visão geral crowleyana(e conseqüentemente da maioria dos thelemitas) em relação a Baphomet, é vista no Liber A’Ash Vel Capricorni Pneumatici Sub Figura CCCLXX.
Crowley,neste Liber Classe A,analisa a Natureza da Força Mágica Criativa no Homem.Explica como despertá-la,como utilizá-la e indica assim,os objetivos gerais e particulares a serem alcançados.Para tal,utiliza-se da Deidade Baphomet como a Chave do Grande Mistério Mágico e  como Paralelismo da Força Mágica em Si.
Vemos neste liber,que somente quando o Adepto unir-se a Baphomet(a Luz retida em seu Império de Trevas,aceitação plena de sua Treva e Luz),este atingirá o êxtase mágico verdadeiro e sua Magia-Vontade fluirá sem retenções pela própria Figura de Baphomet.
O renascido em F.I.A.T.(Baphomet) é como Ra-Hoor-Khuit contendo Harpocrátes seu irmão gêmeo e transformador.Nisto está a Real Magia.
Aquele que renasce na Luz de Baphomet(Real Magick) é forte e estóico,até a maior das Tempestades resiste.
O adepto deve fixar o Demônio dentro de seu Cosmo Pessoal e deixar sua Palavra explodir em um  Zeitgeist de Enormes proporções,sem medo e irradiando-se em Magick desvelada de seu capuz pela Vontade Sagrada,por Ele.
A Força do Magista é inabalável  pois a Serpente é vívida em seu interno(Kundalini a fluir; Leviatã que enrosca-se em torno de Baphomet até se confundir com o mesmo),e se não for vívida e houver cansaço é porque ainda reside na Ilusão.
Encontrar Magick,conceber Baphomet,é unir Yoni e Lingam em uma só figura!É tocar os dois pólos e se tornar ambos.Agir pelo Não-Agir.
Tu deves de render-se ao seu Dei Supremo e Mágico contido no seu Vaso,pois este fita-o como o Olho do Triângulo.O Olho do Triângulo seria o “Secvulvm Notarvm”(uma expressão maçônica que quer dizer:”O Novo substitui o Velho”).Assim,após o encontro com este Arcano Mágico tu renasces na Lvx antes Occulta em ti como um ser Novo que destrói a antiga estrutura.
Baphomet pode ser colocado no octágono,que é o Símbolo da Magia Máximo,e posteriormente resumido pelo Três(representação de que Baphomet é um princípio Ternário Supremo ou Equilibrado pelo Mesmo).
Sendo Baphomet,a encarnação e manifestação de seu Eu Transcendente,este é a encarnação de tudo que é Sagrado e de toda sua Vontade.Este é o Senhor da Morte,onde cada um de seus aspectos mais sombrios e ditos mortos devem ser tocados,louvados e sublimados na Eucaristia deste.
Os que o “adorarem” e encontrarem-se plenos em Baphomet serão considerados amaldiçoados e horríveis aos olhos dos “profanos” pois estes “profanos” não imergiram em suas próprias Trevas e em sua Própria Divindade de Bode do Espírito.Desta forma odeiam aqueles que tiveram coragem de fazê-lo.
Ao encontrares Baphomet,tu serás castigado com muitas ordálias e provas pois tu és o amado deste(Este ama-te e portanto destrói seus delírios ilusórios).Estas provações e torturas são o que são pois tu deves de destruir tudo que distancia-se de sua Real Natureza,e deve desfazer plenamente Chronzon.Baphomet não deve ser cultuado como uma manifestação impessoal e sim como uma manifestação de seu interno,pois tudo feito em ti é Sagrado mas nada feito fora de ti é Sagrado.
Este é envolvido pela Tormenta de Daat que torna-te pueril até jogá-lo para as Supernas e o contacto Supremo com o Sol que sempre Brilha(Manifestação de Baphomet)onde tua Forma Pueril será Reestruturada numa Criança Suprema em torno do Deus-Bode no encontro Eterno com a Eternidade e com o Poder Máximo da Criação.
Encontrando Baphomet,tu és plenamente concebido no amor da senhora Nuit,absorto em Babalon.Estando em Baphomet,tu viverás em êxtase supremo e tudo que fizeres será no êxtase Infinito da Alegria de Ser.Tu renasces em L.L.L.L.L. e possui os ditos Pecados dentro de si.
Estando Uno com Baphomet,tu tornas-te mais um Elo da Corrente Mágica ou um Bloco da Pirâmide dos que se Banharam na Luz das Luzes(este conceito é visto na ideologia da Ordo Baphometis - que visa a formação de uma Corrente de Pessoas sob o Logos de Baphomet e através do mesmo - e na própria estrutura da A’A’ - que visa a Construção da Pirâmide dos Iniciados pela e através da Thelema - )através de Eternidade em Eternidade
Para encontrar a Luz de Baphomet deves de Entrar nas Trevas.É uma Luz que encontra-se oculta até que tu tenhas Morrido nas Trevas para Renascer na Luz.Portanto Baphomet é o Anjo da Luz que encontra-se nas Trevas,devendo vosmicê para encontrá-lo viver Treva e Luz.
Contudo para Crowley até,mesmo na vivenciação da Morte e Desterro das Trevas,deves tu de viver com deleite,o que teoricamente é válido mas em termos práticos funciona com pouca eficácia ou de forma um tanto quanto utópica.

Baphomet de La Vey:


“e rejubile-se nos deleites da carne. Encare a face de Satã e caminhe pelos campos de fogo erótico” -Nagash:“The Blazing Monoliths of Defiance”
Com a deflagração do Satanismo Contemporâneo por Anton Szandor La Vey na década de 60,este erigi um Símbolo para sua Religião:Baphomet.
O Símbolo utilizado por La Vey é aproveitado de imagens do Antigo Satanismo ou Satanismo Osiriano,mas sob uma nova interpretação mias horusiana.
A Figura acima é uma reprodução do símbolo.Nos seguintes parágrafos é destilada inúmeras interpretações de tal Símbolo segundo uma  ótica satânica contemporânea e detalhes interessantes sobre a História de Gênese deste.
Primeiramente,vê-se um pentagrama invertido.Comumente,o pentagrama para cima representa a Natureza Espiritual e de Elevação do Homem.Como no Satanismo dá-se ênfase ao Sentido Carnal do Homem e a negação destes conceitos de suposta Transcendência Espiritual,esse foi invertido para representar oposição a isto,além do que para acomodar pefectamente a cabeça do Bode em seu interno.
O Pentagrama Invertido,é importante ressaltar,não deve ser sempre associado com o Satanismo,pois algumas religiões pagãs(principalmente as ligadas as antigas doutrinas célticas)utilizavam o pentagrama inverso para representar o Deus Cornífero ou Aspecto Masculino da Criação.
O Bode por sua vez representa a Fertilidade e os Aspectos Carnais do Homem em sua Forma mais Selvagem e Potencializada.Seus chifres podem representar o Dualismo Humano perfectamente Equilibrado no mesmo e postos à frente em postura de Desafio.Os três pontos descendentes representam a Santíssima Trindade Negada.
As Letras Hebraicas em torno do pentagrama,significam Leviatã.Leviatã é a Serpente do Abismo das Águas.Representa a Serpente da Ciência,Aquela que traz o Fruto da Liberdade e da Ciência do Bem e do Mal assim como o Livre Arbítrio.Da mesma sorte que esta Serpente pode representar a Natureza obscura do Satanista,de como este infiltra-se no Macrocosmo ou  Meio sem ser notado.
Leviatã também pode ser considerado um Símbolo de Luxúria ou do Aspecto Monstruoso-Bestial não negado pelo Satanista.
Em algumas correntes demonológicas,Leviatã seria uma das personificações de Satã,assim estas letras hebraicas que significam Leviatã,seriam a potencialização do Aspecto Satã(Oposição,Liberdade)no Satanista.
Por fim,Baphomet representa os Poderes das Trevas em sinestesia com o conceito de Fertilidade da Cabra.
Outros nomes para este Símbolo ao longo da História:Bode Negro;Bode de Mendes;Bode de Judas;Bode Expiatório;Bode Centenas de Vezes Jovem.

Grande Mãe e Deus Cornífero:

“A filha do meu espírito é à sua imagem no espelho e,como todas as mães,eu odeio meu semelhante.Porque eu sou Ishtar,a deusa do amor e da guerra.Eu sou Shiva-Kali,O falo criativo e a deusa destrutiva.Eu sou anima mundi,o espírito do mundo,,ou simplesmente à Grande Mãe.” - AKRON:”Baphomet:The Light of Hell”
Baphomet é também à Grande Mãe e o Deus Cornífero.Este é o que Dragonhawk(famosa escritora pagã-wiccan) descreveu como o Primeiro Nível da Pirâmide Cósmica(A Energia Pura-Criativa da Força da Vida)e que manifesta-se no Segundo Nível(como à Grande Mãe e o Deus Cornífero).
Baphomet,é o que penetra a profundidade de seu ser com seu Lingam transformador e mágico.Ele enche-te com seu Esperma Fértil e Mágico.
Conforme ele insemina-te esta Nova Forma de ver o Mundo e o Elixir que traz o Despertar da Consciência(análogo ao “Despertar Satânico” de La Vey),seu corpo é despedaçado com Fúria Animalesca.Os chifres do Bode de Mendes rasgam sua carne,o esperma do Bode de Judas corrói suas entranhas e seu corpo por fim esfacela-se como Osíris o foi.
Assim,o seu próprio verdugo carinhosamente,recolhe o que sobrou de seu corpo esquartejado,e como Ísis fez com o próprio Osíris,leva-te ao Útero da Grande Mãe Negra.
Ficas tu em suspensão,formando seu novo Corpvs,juntando os cacos de sua Existência e preparando-se para o Verdadeiro Renascimento.Deixas tu de ser Bacchus para transmigrar-te em Dionisivs(“O Nascido Duas Vezes”).
Por fim,tua Deusa Mãe,tua Hécate,tua Deméter dá à Luz.Das Trevas e do Caos Transmutador do Útero sai tu..Completo e Renascido como Hórus o foi ao ressurgir do Ventre de Ísis.
Um Novo Mundo se desfralda a ti,óh Renascido,um Mundo Recém-Criado.Algo que sempre existiu mas nunca foi visto pelos olhos mundanos que possuías.E para ver este Novo Mundo,tiveste de ser destruído,descido às Trevas para,por fim,ver à Luz.Para chegar à Luz tiveste de Passar pelas Trevas experimentando todos os Graus da Criação(Treva e Luz).
Mas,não penses que a Hê e o Iod Sagrados-Profanos estão abstraídos de ti.Baphomet,à Grande Mãe e o Deus Cornífero,são partes indissociáveis de ti e jamais uma Entidade Impessoal.Baphomet é o Deus contido em ti,o Deus que te Transforma e que faz-te Evoluir na trilha de seu Eu Supremo e de sua Verdadeira Vontade!  

segunda-feira, maio 09, 2016

AIM
Na demonologia, '''Aim''', ou '''Aym''', ou '''Aini''', ou '''Haborym''', é o vigésimo terceiro Duque dos Infernos, e tem sob seu comando mais de vinte e seis legiões de outros demônios.

Ele estabelece cidades, castelos e casas em grandes incêndios, torna os homens inteligentes em todos os sentidos, e dá respostas verdadeiras questões relacionadas com a vida privada.

Ele é retratado como um homem bonito, mas com três cabeças, uma de uma serpente, a segunda de um homem com duas estrelas em sua testa, e a terceira de um gato. Ele está cavalgando uma víbora, e em sua mão, leva um pedaço de lenha acesa ou meio queimada com que ele apresenta o pedido de coisas a arder


Na demonologia, Bifrons, era um demônio, Fidalgo do inferno, com seis legiões de demônios (vinte e seis segundo outros autores) sob o seu comando. Ele ensina ciências e artes, as virtudes das pedras e madeiras, ervas, e muda corpos das sepulturas originais para outros lugares, por vezes, colocando luzes mágicas sobre as sepulturas, que parecem velas. Ele aparece como um monstro, mas, em seguida, pode mudar sob a forma de um homem.
A origem do seu nome, vem do Deus romano Bifrons (Janus)
Outras ortografias : Bifrovs, Bifröus
Bifrons foi também um dos nomes dado a Baphomet, alegadamente adorado pelos Cavaleiros Templários, que foi descrito como uma estátua com duas cabeças, certamente, inspirado no Deus Romano Bifrons, um olhar para a esquerda, para dizer o passado e olhar para o outro o direito de dizer o futuro, tudo isso por meio do poder de um demônio (houve outras suposições sobre a figura do Baphomet
).


LILITH
O jardim do Éden
Eu conheci...
Submissa jamais
Alcei vôo, me ergui
Por outros planos astrais...
Metamorfose soberana,
De escrava a rainha,
Da opressão insana
A liberdade que eu não tinha.
Não sou caça
Sou caçadora.
Recebi de Satã a graça
De ser dominadora,
Deusa lunar e vencedora.
De Lilith sou chamada,
Por muitos evocada,
Mas permaneço desconhecida,
Misteriosa e indecifrada
Ao alcance de poucos...
Desdenho dos loucos
Navegantes da ignorância terrena
Desconhecendo o meu poder
Me julgando apenas obscena
Alimentando a tola ilusão
De terem minha essência em sua mão.
Poucos são dignos de receber a minha luz
Nas trevas de sua vida.
Ninguém me conduz,

Baal
É o grande poderoso duque dos infernos, que comanda 66 legiões de demônios.É descrito como uma quimera, de três cabeças. A primeira delas que fica no centro tem face de homem portando uma coroa de ouro brilhante, a segunda de um sapo e a terceira de um gato. Seu peito é humano e o resto do corpo de aranha caranguejeira. Ele tem a capacidade de se movimentar como esses animais, principalmente em suas corridas.Governa os ventos do outono e do hemisfério norte. Baal era invocado para tornar o invocador invisível, e o mês de outubro era aonde aparecia mais forte, quando invocado, ensinava os homens com uma voz rouca os deixando sábios.


dos e futuros, pode descobrir coisas escondidas e perdidas e tem uma "boa" natureza.[1]
Ele pode ser descrito em A Chave Menor de Salomão como :
O Terceiro Espírito é um poderosíssimo Príncipe, sendo da mesma natureza que Agares. Ele é chamado por Vassago. Este espírito é de uma boa natureza e sua função consiste em declarar coisas passadas e coisas que ainda virão a acontecer, e para descobrir todas as coisas escondias ou perdidas você tem que seguir as ordens dele. E ele governa 26 Legiões de Espíritos e este é o seu selo.


Dziwozoana ou Mamuna são demônios do pântano do sexo feminino da mitologia eslava conhecido por ser malicioso e perigoso. Conta a lenda que esses demônios eram parteiras, solteironas, mães solteiras, mulheres grávidas que morrem antes do parto, bem como as crianças abandonadas, que morreram de alguma forma e levaram uma grande angústia consigo. Às vezes eles sequestram homens jovens para serem seus maridos. O Dziwozona tinha seios enormes que eles usava para atacar e assassinar.


Kali


 


Kali
Kali, (do sanscrito Kālī काली) é  uma das mais importantes divindades da mitologia na Índia, era conhecida, entre outras características, pela sua sede de sangue. 
Esta deusa apareceu pela primeira vez nos escritos indianos por volta do século VI em invocações pedindo sua ajuda nas guerras. Nesses primeiros textos foi descrita como tendo presas, usando uma guirlanda de cadáveres e morando no local de cremações.
Kali fez sua aparição mais famosa no Devi-mahatmya, onde se juntou à deusa Durga para lutar contra o espírito demoníaco Raktabija, que tinha a habilidade de se reproduzir com cada gota de sangue derramado; assim, ao lutar com ele, Durga se viu sobrepujada pelos clones de Raktabija. Kali resgatou Durga ao vampirizar Raktabija e ao comer suas duplicatas. Kali foi vista por alguns como o aspecto irado de Durga.

A Deusa da Morte


Diversos séculos mais tarde, no Bhagavat-purana, ela e seus seguidores, os dakinis, avançaram sobre um bando de ladrões, decaptaram-nos, embebedaram-se em seu sangue e divertiram-se num jogo de atirar suas cabeças de um lado para outro. Outros escritos registraram que seus templos deveriam ser construídos longe das vilas e perto dos locais de cremação.
Kali tem um relacionamento ambíguo com o mundo. Por um lado destruía os espíritos malignos e se estabelecia a ordem. Entretanto também servia como representante das forças que ameaçavam a ordem social e a estabilidade por sua embriaguez de sangue e subseqüente atividade frenética.
Por seu relacionamento com os aspectos da morte foi rapidamente identíficada como uma manifestação do diabo pelos primeiros missionários cristãos a chegarem no Vale do Indo e po muitos orientalistas desinformados até meados do século XIX.

A Deusa do Sexo


Kali também apareceu como uma consorte do deus Shiva. Engajaram-se numa dança feroz. Pictoricamente, Kali geralmente era vista sobre o corpo inclinado de Shiva numa posição dominante enquanto se engajavam em relações sexuais.
Assim, Kali se tornou a divindade dominante no hinduísmo tântrico, onde era louvada como a forma original das coisas e a origem de tudo o que existe. Foi chamada de Criadora, Protetora e Destruidora. No tantra o caminho da salvação se dava através das delícias sensuais do mundo – as coisas geralmente proibidas a um indiano devoto – tais como álcool e sexo. Kali representava as últimas realidades proibidas e dessa forma deveria ser abrigada no íntimo e sobrepujada no que seria o ritual da salvação. Ensinava que a vida se alimentava da morte, que a morte era inevitável para todos os seres e que, na aceitação dessas verdades – confrontando Kali nos campos de cremação, demonstrando dessa forma coragem igual à sua terrível natureza –, haveria libertação. Kali, como muitas divindades, simbolizava a desordem que aparecia continuamente entre todas as tentativas de se criar a ordem. A vida era, em última instância, indomável e imprevisível.

Santa Sara Kali


Kali sobreviveu entre os ciganos, que tinham migrado da Índia para a Europa na Idade Média, como Sara, a Deusa Negra. De acordo com a história as três Marias do novo testamento viajaram para a França onde deveriam encontrar com Sara, uma cigana que as ajudou na chegada. Batizaram Sara e pregaram o evangélio ao seu povo. Os ciganos celebram os dias 24 e 25 de maio todos os anos em Saint-Maries-de-la-Mer, uma pequena vila francesa onde se acredita que os eventos ocorreram. Uma estátua de Sara foi colocada na cripta da igreja onde os ciganos mantêm sua vigília anual.

Kaliyuga


De acordo com as escrituras hindus, o universo passa por fases divididas em enormes períodos de tempo, chamados yuga, coerêntes com o conceito thelemico de aeons. Atualmente vivemos a Kaliyuga, a era de Kali, ou a Era do Ferro. Um período de conflito, desastres, desordem, incerteza espiritual e descrenças. É uma era gigantesca de situações difíceis, períodos de transição abrupta, guerras e catastrófes de todso os tipos. A crise espiritual e material são a norma. 
Kali Yuga começou no instante em que Krishna parte do mundo material a aproximadamente 5 mil anos e durará exatamente 432 000 anos - findando no ano 428 899.  quando este momento chegar Kalki, o último avatar de Vishnu, chegará montado em um cavalo branco e manejando uma espada flamejante com a qual irá derrotar todo o mal.

A Essência de Kali


Eu sou as trevas por trás e por baixo das sombras.
Eu sou a ausência de ar que espera no inicio de cada respiração.
Eu sou o fim antes que a vida recomece, a deterioração que fertiliza o que vive.
Eu sou o poço sem fundo, o esforço sem fim para reivindicar o que é negado.
Eu sou a chave que destranca todas as portas.
Eu sou a glória da descoberta, pois eu sou o que está escondido, segregado e proibido.Venha a mim na Lua Negra e veja o que não pode ser visto, encare o terror que é só seu.
Nade até mim através dos mais negros oceanos, até o centro de seus maiores medos.
Eu e o Deus das trevas o manteremos em segurança.
Grite para nós em terror e seu será o poder de suportar o insuportável.
Pense em mim quando sentir prazer e eu o intensificarei. Até o dia em que terei o maior prazer de encontra-lo na encruzilhada entre os mundos.
Sabedoria e a capacidade de dar poderes são os meus presentes.
Ouça-me, criança, e conheça-me por quem eu sou. Eu tenho estado com você desde o seu nascimento e ficarei com você ate que você retorne a mim no crepúsculo final.
Eu sou a amante apaixonada e sedutora que inspira o poeta a sonhar.
Eu sou aquela que te chama ao fim de sua jornada. Quando o dia se vai, minhas crianças encontram seu descanso abençoado em meus braços.
Eu sou o útero do qual todas as coisas nascem.
Eu sou o sombrio, silencioso túmulo; todas as coisas devem vir a mim e suportar a morte e o renascer para o todo.
Eu sou a Bruxa que não será governada, a tecelã do tempo, a professora dos mistérios.
Eu corto as linhas que trazem minhas crianças ate mim. Eu corto as gargantas dos cruéis e bebo o sangue daqueles sem coração. Engula seu medo e venha ate mim, e você descobrira verdadeira beleza, forca e coragem.
Eu sou a fúria que dilacera a carne da injustiça.
Eu sou a forja incandescente que transforma seus demônios internos em ferramentas de poder. Abra-se a meu abraço e domínio.
Eu sou a espada resplandecente que te protege do mal.
Eu sou o cadinho no qual todos os seus aspectos se misturam em um arco-íris de união.
Eu sou as profundezas aveludadas do céu noturno, as brumas rodopiantes da meia-noite, coberta de mistério.
Eu sou a crisálida na qual você ira encarar o que te apavora e da qual você ira florescer vibrante e renovada.
Procure por mim nas encruzilhadas e você será transformada, pois uma vez que você olhe para meu rosto não existe volta.
Eu sou o fogo que beija as algemas e as leva embora.
Eu sou o caldeirão no qual todos os opostos crescem para se conhecer de verdade. Eu sou a teia que conecta todas as coisas.
Eu sou a curadora de todas as feridas, a guerreira que corrige todos os erros a seu tempo.
Eu faço o fraco forte. Eu faço humilde o arrogante. Eu ergo o oprimido e dou poderes ao desprivilegiado. Eu sou a justiça temperada com compaixão.
Eu sou você, eu sou parte de você, estou dentro de você.
Procure-me dentro e fora e você será forte. Conheça-me, aventure-se nas trevas para que você possa acordar com equilíbrio, iluminação e plenitude. Leve meu amor consigo a toda parte e encontre o poder interior para ser quem você quiser.

segunda-feira, maio 02, 2016



"Esquadro e compasso

Talvez o mais conhecido dos símbolos da Maçonaria seja o que é constituído por um esquadro, com as pontas viradas para cima, e um compasso, com as pontas viradas para baixo.

Como normalmente sucede, várias são as interpretações possíveis para estes símbolos.

É corrente afirmar-se que o esquadro simboliza a retidão de caráter que deve ser apanágio do maçom. Retidão porque com os corpos do esquadro se podem traçar facilmente segmentos de reta e porque reto se denomina o ângulo de 90 º que facilmente se tira com tal ferramenta. Da retidão geométrica assim facilmente obtida se extrapola para a retidão moral, de caráter, a caraterística daqueles que não se "cosem por linhas tortas" e que, pelo contrário, pautam a sua vida e as suas ações pelas linhas direitas da Moral e da Ética. Esta caraterística deve ser apanágio do maçom, não especialmente por o ser, mas porque só deve ser admitido maçom quem seja homem livre e de bons costumes.

É também corrente referir-se que o compasso simboliza a vida correta, pautada pelos limites da Ética e da Moral. Ou ainda o equilíbrio. Ou a também a Justiça. Porque o compasso serve para traçar circunferência, delimitando um espaço interior de tudo o que fica do exterior dela, assim se transpõe para a noção de que a vida correta é a que se processa dentro do limite fixado pela Ética e pela Moral. Porque é imprescindível que o compasso seja manuseado com equilíbrio, a ponta de um braço bem fixada no ponto central da circunferência a traçar, mas permitindo o movimento giratório do outro braço do instrumento, o qual deve ser, porém, firmemente seguro para que não aumente ou diminua o seu ângulo em relação ao braço fixo, sob pena de transformar a pretendida circunferência numa curva de variada dimensão, torta ou oblonga, assim se transpõe para a noção de equilíbrio, equilíbrio entre apoio e movimento, entre fixação e flexibilidade, equilíbrio na adequada força a utilizar com o instrumento. Porque o círculo contido pela circunferência traçada pelo instrumento se separa de tudo o que é exterior a ela, assim se transpõe para a Justiça, que separa o certo do errado, o aceitável do censurável, enfim, o justo do injusto.

Também é muito comum a referência de que o esquadro simboliza a Matéria e o compasso o Espírito, aquele porque, traçando linhas direitas e mostrando ângulos retos, nos coloca perante o facilmente percetível e entendível, o plano, o que, sendo direito, traçando a linha reta, dita o percurso mais curto entre dois pontos, é mais claro, mais evidente, mais apreensível pelos nossos sentidos - portanto o que existe materialmente. Por outro lado, o compasso traça as curvas, desde a simples circunferência ao inacabado (será?) arco de círculo, mas também compondo formas curvas complexas, como a oval ou a elipse. É, portanto, o instrumento da subtileza, da complexidade construída, do mistério em desvendamento. Daí a sua associação ao Espírito, algo que permanece para muitos ainda misterioso, inefável, obscuro, complexo, mas simultaneamente essencial, belo, etéreo. A matéria vê-se e associa-se assim à linha direita e ao ângulo reto do esquadro. O espírito sente-se, intui-se, descobre-se e associa-se portanto ao instrumento mais complexo, ao que gera e marca as curvas, tantas vezes obscuras e escondendo o que está para além delas - o compasso.

Cada um pode - deve! - especular livremente sobre o significado que ele próprio vê nestes símbolos. O esquadro, que traça linhas direitas, paralelas ou secantes, ângulos retos e perpendiculares, pode por este ser associado à franqueza de tudo o que é direito e previsível e por aquele à determinação, ao caminho de linhas direitas, claro, visível, sem desvios. O compasso, instrumento das curvas, pode por este ser associado à subtileza, ao tato, à diplomacia, que tantas vezes ligam, compõem e harmonizam pontos de vista à primeira vista inconciliáveis, nas suas linhas direitas que se afastam ou correm paralelas, oportunamente ligadas por inesperadas curvas, oportunos círculos de ligação, improváveis ovais de conciliação; enquanto aquele, mais sensível à separação entre o círculo interior da circunferência traçada e tudo o que lhe está exterior, prefere atentar na noção de discernimento (entre um e outro dos espaços).

E não há, por definição, entendimentos corretos! Cada um adota o entendimento que ele considera, naquele momento, o mais ajustado e, por definição, é esse o correto, naquele momento, para aquela pessoa. Tanto basta!

O conjunto do esquadro e do compasso simboliza a Maçonaria, ou seja, o equilíbrio e a harmonia entre a Matéria e o Espírito, entre o estudo da ciência e a atenção às vias espirituais, entre o evidente, o científico, o que está à vista, o que é reto e claro e o que está ainda oculto ou obscuro. O esquadro é sempre figurado com os braços apontando para cima e o compasso com as pontas para baixo. Ambas as figuras se opõem, se confrontam: mas ambas as figuras oferecem à outra a maior abertura dos seus componentes e o interior do seu espaço. A oposição e o confronto não são assim um campo de batalha, mas um espaço de cooperação, de harmonização, cada um disponibilizando o seu interior à influência do outro instrumento. Assim também cada maçom se abre à influência de seus Irmãos, enquanto que ele próprio, em simultâneo, potencia, com as suas capacidades, os seus saberes, as suas descobertas, os seus ceticismos, as suas respostas, mas também as suas perguntas (quiçá mais importantes estas do que aquelas...) a modificação, a melhoria, de todos os demais.

Tantos e tantos significados simbólicos podemos descobrir e entrever nos símbolos mais conhecidos da Maçonaria... Aqui deixei, em apressado enunciado, alguns. Cada um é livre, se quiser, de colocar na caixa de comentários, o seu entendimento do significado destes símbolos, em conjunto ou separadamente, ou apenas de um só deles. Todos os significados simbólicos são bem-vindos! Cada um é também livre de, se quiser, nada partilhar, guardando para si as conclusões que nesse momento tire. Tão respeitável é uma como outra das posições. Este espaço é livre e de culto da Liberdade. Afinal de contas, tanto o esquadro como o compasso estão abertos... abertos às livres opções, entendimentos e escolhas de cada um!

Rui Bandeira"