terça-feira, junho 21, 2016

Maçonaria e intervenção na Sociedade



Da predisposição de ambas as correntes relativamente ao papel mais ou menos ativo, mais ou menos institucionalmente interventivo, da Maçonaria na Sociedade decorrem assinaláveis diferenças na intervenção política.

A Maçonaria Regular não busca ter qualquer intervenção política em termos institucionais. Porque intervenção política implica confronto de ideias, entende que é normal que nas suas fileiras existam defensores das várias ideias em confronto e não se arroga o direito de se pronunciar institucionalmente a favor de uns dos seus obreiros e contra o entendimento de outros dos seus obreiros. A Maçonaria Regular é assim politicamente neutra. Cada um dos seus obreiros defende, dentro dos limites dos Valores essenciais da Maçonaria (hoje, felizmente, consensuais no mundo desenvolvido), as posições políticas que bem entende. Para a Maçonaria Regular, é possível e normal que dois políticos se digladiem na defesa de posições políticas divergentes, sendo ambos maçons - e quiçá integrando até a mesma Loja! O objetivo da Maçonaria Regular é sempre o mesmo: aperfeiçoar os seus obreiros, desejando que estes contribuam para o aperfeiçoamento da Sociedade. Quando os seus obreiros são políticos, apenas pretende que sejam cada vez melhores políticos, que, defendendo as suas ideias, o façam com Dignidade, com Elevação, com Honestidade, com Sentido de Dever e de Serviço Público. 

A Maçonaria Liberal, na medida em que pratique uma intervenção política, defendendo uma posição política, tenderá a juntar elementos de pensamentos tendencialmente compatíveis entre si e com a corrente de pensamento prosseguida pela Obediência. Será tendencialmente mais eficaz na defesa dos Valores da Instituição. Também se "amarra" às consequências dos eventuais reveses que a posição política que ativamente prossiga venha a sofrer. Nesse sentido, convém não esquecer a identificação histórica da Maçonaria com a I República e as consequências sofridas quando esta caiu...

Entendo que é estulto pretender afirmar-se, em absoluto, a superioridade de uma corrente sobre a outra. Cada uma das correntes tem a sua orientação e a sua prática, que será certamente a melhor para quem concorda e se sente confortável com elas. Entendo que, também nesta questão, devem os maçons atender e praticar a Virtude que consideram seu apanágio, a Tolerância. Cada um deve aceitar a posição do outro, ainda que (sobretudo quando) diversa da sua. O Outro tem tanto direito às suas convicções como nós. Devemos aceitar sem rebuço ou hesitação as convicções dos demais, tal como temos o direito de exigir que as nossas convicções sejam respeitadas pelos demais.

Em matéria de intevenção da Maçonaria na Sociedade, a questão não deverá ser nunca quem está certo e quem está errado quanto à intervenção política. Cada um, cada corrente, atua segundo a sua tradição. a sua evolução histórica, a sua forma de pensar. Em matéria de intervenção da Maçonaria na Sociedade, o mais produtivo é determinar o que cada um pode contribuir para a Sociedade, em prol desta.

E muito há para fazer e é possível fazer, em diversos campos de intervenção: na educação ambiental como na educação para a saúde, na promoção da igualdade de género, como na integração dos que, a qualquer título ou por qualquer condição sejam diferentes, na cooperação com as entidades que prestam auxílio e solidariedade a quem necessita como na promoção do desenvolvimento justo, sustentado e integrador, na atenção aos mais novos como na consideração e apoio aos mais idosos, na promoção da formação como no apoio e fruição das artes. Em pequenas organizações ou ações locais levadas a cabo pelas Lojas ou em mais amplos objetivos coordenados pelas Grandes Lojas ou Grandes Orientes.

Reduzir a intervenção da Maçonaria na Sociedade à política é, no meu entender, pensar muito pequeno, muito pouco e muito limitado, Há todo um conjunto de temas e necessidades e atividades e intervenções em que os maçons podem dar o seu contributo. E porventura ajudar a alterar e melhorar a nossa Sociedade muito mais e muito mais proficuamente do que imiscuindo-se na política.

Atenção, não me interpretem mal! Tenho todo o respeito por todos aqueles que se dedicam à defesa da causa pública. Não alinho nas algazarras de denegrimento dos políticos. A Política é uma atividade nobre, que é imensamente útil à Sociedade, desde que exercida com motivaões e comportamentos nobres.  Nesse sentido, tenho todo o respeito por todos os políticos que se comportam como bons maçons (sejam-no ou não). O que eu não quero é ver maçons a terem comportamentos de (certos) políticos...

Rui Bandeira

terça-feira, junho 14, 2016

  "A Trolha
A Maçonaria utiliza os artefatos e ferramentas ligados à atividade da construção como símbolos ilustrativos dos ensinamentos que procura transmitir e preservar. É o caso, por exemplo, da trolha.

A trolha, ou colher de pedreiro, é uma ferramenta do ofício da construção utilizada para separar, transportar, projetar ou colocar argamassa, massa ou cimento nas superfícies, paredes ou muros, de uma construção. Serve também para alisar a massa, argamassa ou cimento colocada, por exemplo, numa placa ou na união entre pedras ou tijolos de uma parede ou muro.

Tendo em conta estas utilidades para o ofício da construção, a Maçonaria Especulativa adapta o conceito para simbolizar virtudes ou comportamentos que devem ser adotados pelos maçons e naturais numa Loja maçónica.

Tal como a ferramenta operativa alisa as superfícies, assim também o maçom deve utilizar a trolha da concórdia, da conciliação, para alisar, regularizar, aplainar diferenças ou conflitos entre Irmãos. 

A Fraternidade não é necessariamente um oásis de paz e ausência de conflitos. Tal como os irmãos biológicos, embora mantendo entre si laços fortes de solidariedade e amor fraternal, não obstante têm frequentes desacordos, querelas, conflitos, que aprendem a regular sem pôr em causa a sua relação fraternal, também os Irmãos maçons estão sujeitos á erupção de conflitos e desacordos entre si, que devem regular preservando as suas fraternais relações.

Devem, por isso, sempre ter ao alcance de sua consciência a trolha da conciliação, da boa-vontade, do saber olhar pelo ponto de vista do outro, para alisar as diferenças, conciliar os interesses ou propósitos divergentes.

A trolha simboliza ainda a benevolência, a tolerância, a indulgência, perante as asperezas, os defeitos alheios, espalhando sobre eles a massa do perdão, do esquecimento de injúrias ou agravos, em prol da harmonia da construção. 

O maçom não se deve também esquecer nunca que, tal como se vê na necessidade de utilizar a trolha para alisar as asperezas que vê em outros, também os demais utilizam idêntico instrumento simbólico em relação às suas próprias imperfeições. A tolerância, a fraternidade, funcionam em sentido duplo. Ninguém tem o direito de reclamar para si o perdão ou a complacência em relação aos seus erros sem ele próprio ter idêntica atitude em relação aos demais.

Manejar a trolha simbólica não é fácil. Exige treino, exige habituação, exige bom-senso. Só progressivamente aquele que entra na Maçonaria se habitua a manejar esta ferramenta simbólica. Enquanto as ferramentas por excelência do Aprendiz são o maço e o cinzel, com que desbastam a sua pedra bruta, corrigindo-se das maiores asperezas e dando-se forma adequada para colocação útil no Grande Templo da Harmonia Universal, e que as ferramentas do Companheiro são essencialmente o prumo, o nível e o esquadro, com que colocam a pedra já aparelhada no sítio certo e útil, o Mestre Maçom tem como instrumentos essenciais a Prancha de Traçar, onde traça os planos da construção de si mesmo e do seu comportamento e - precisamente - a trolha, com que espalha o cimento da harmonia, que une definitivamente todos os materiais da sua construção de si. 

Rui Bandeira"

sexta-feira, junho 03, 2016

Os doze processos da Alquimia






processosExistem doze processos que perfazem o trabalho alquímico. Os alquimistas tradicionalmente os agrupam em três etapas ou três obras, para a realização da Grande Obra que, contudo, não correspondem literalmente aos nomes conhecidos. 
Estes são:
Calcinação -  constitui a purificação do primeiro material pelo fogo, sem contudo diminuir seu teor de água.
Solução ou dissolução - aparte sólida é dissolvida na água,  porém é  relatado que esta água não molha a mão. A água pode ser o próprio mercúrio. Esta é  uma "dissolução  filosófica" em que o solvente mata os metais, portanto esta  fase é um símbolo da morte para os três reinos.
Separação  - o mercúrio é  separado do enxofre.Fornecendo um calor externo adequado, o mercúrio que contém o  enxofre interno coagula a si mesmo graças a um artifício que  constitui um segredo, o secretum secretorum, que é  uma  marca divisória entre a alquimia e a química. Este artifício  consiste, metaforicamente, em capturar um raio de sol,  condensá-lo, aprisioná-lo em um frasco hermeticamente  fechado e alimentá-lo com o fogo. A terra fica em baixo  enquanto o espírito sobe. Esta etapa completa a primeira  obra e quando concluída corretamente pode se ver a  formação de uma estrela dentro do frasco.
Conjunção  - o mercúrio e o enxofre são novamente unidos.Toda a operação deve ser realizada no - mesmo recipiente, sendo que nesta fase o frasco é hermeticamente fechado.
Putrefação - o calor mata os corpos e a putrefação ocorre. Aparece uma coloração escura, enegrecida.
Congelamento - nesta fase aparece uma coloração esbranquiçada, um calor brando é quem promove  esta mudança.
Cibação  - a matéria seca deve ser adicionado os componentes necessários para alimentá-la
Sublimação – fase em que o corpo torna-se espiritual e o espírito corporal, ou seja, volatilizar o fixo e fixar o volátil, sendo que um processo depende do outro e não é  possível fixar um sem volatilizar o  outro. Para esta fase é  relatado uma duração de quarenta dias. Porém, todo esse processo que se  encerra com a sublimação teve início na conjunção e constitui a segunda  -
Fermentação -  adiciona-se ouro para tornar o já existente mais ativo
Exaltação - processo semelhante a sublima, seria uma ressublimação
Multiplicação - uma quantidade maior de energia é  acrescida nesta etapa, porém não é necessariamente a matéria que aumenta.
Projeção - teste final da pedra em seus usos normais, como a transmutação.
O agente da dissolução é convertido em paciente que sofre a operação na fase da coagulação. Por isso  a operação é comparada a brincadeira de criança de "pular carniça" em que ora um pula o outro e ora é  pulado.

quinta-feira, junho 02, 2016




“Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.”
O conhecido aforismo Grego, inscrito na entrada do Oráculo de Delfos no Templo de Apolo, o deus da luz e do sol, da verdade e da profecia, e arduamente defendido por Sócrates (479-399 a.C), é uma referência quando o assunto é a busca do autoconhecimento e de todos os seus desdobramentos, rumo a uma nova consciência, com a descoberta do verdadeiro “eu”.
Essa necessidade de conhecimento interior visa a compreender as situações que nos cercam e as atitudes que devem ser ou não tomadas para uma vida mais equilibrada e feliz. E essa tarefa é umas das mais desafiadoras. Segundo escreveu Benjamin Franklin, em 1750, na autobiografia “Almanaque do pobre Richard”, “há três coisas extremamente duras: o aço, o diamante e conhecer a si mesmo”.
O convite a esse autoconhecimento é feito ao Iniciado da “Arte Real” no sentido de refletir sobre as paixões mundanas, os vícios e virtudes, e pensar a respeito das necessidades de ajustes pessoais para uma conduta ideal de busca permanente de sabedoria e da Verdade, colocando em relevo a presença do Ser, prevalecendo o Espírito (consciência) sobre a Matéria, liberado do seu aprisionamento na forma (ego). O enfoque dos estudos tem caráter puramente filosófico, sem nenhuma interferência da Ordem, por ferir princípio da liberdade de pensamento e do livre arbítrio.
O processo se inicia amparado em exaustivas leituras e com trabalho de introspecção sobre a maneira de pensar, na percepção de seus valores e do caminho ora trilhado, com foco na investigação, no discernimento, no conhecimento e na maneira de se expressar e aonde se quer chegar. Essa reflexão leva ao autoconhecimento, à essência do Ser efetivamente presente, sua forma de vida, suas verdades, as fraquezas que precisam ser corrigidas e os pontos fortes a serem explorados, que ensejam no simbolismo de uma nova vida mais integrada com a sua real essência.
Não se pode afirmar que essa caminhada rumo ao autoconhecimento seja amena e rápida. Muitos enfrentam uma viagem cercada de obstáculos e armadilhas e tempo de chegada imprevisível, que não se limitam ao cumprimento dos três estágios dos graus do simbolismo maçônico. Afinal, transitar pelos caminhos da mente e do espírito exige, em muitos casos, aconselhamento ou ajuda profissional especializada, sob pena de não se atingir os fins desejados.
A filosofia Socrática exerce grande influência nesta fase inicial com o convite ao autoconhecimento e ao aprendizado do pensar. Porém, antes é necessário aprender a ouvir e ouvir com atenção, com o objetivo de encontrar o sentido exato das palavras, tanto de quem fala como daquelas que são produzidas pela nossa mente. Aqui reside uma primeira dúvida: como funciona essa mente? Por onde começar?
Nesse sentido, o conhecimento de si é fruto de um disciplinado trabalho de introspecção, observação crítica e interpretação, que demanda controle emocional, tempo e desprendimento. A literatura sobre o assunto é ao mesmo tempo vasta e conflitante e é objeto de fartos estudos e proposições, ocupando grande parte de vários ramos da ciência. Entretanto, o termo “mente” tem um conceito genérico no sentido de envolver as funções do cérebro ligadas ao comportamento e à cognição.
Trilhar o caminho rumo ao autoconhecimento ou ao processo de despertar para a consciência autêntica, encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma, que alguns denominam iluminação, implica percorrer e deslindar as turbulentas trilhas da mente. Sabe-se aonde se quer chegar, porém o como fazê-lo demanda um plano de ação que é específico para cada indivíduo, não podendo ser feito por outrem. Abraham Lincoln dizia que a bússola nos diz onde está o norte, mas não nos mostra os pântanos ou as montanhas do caminho.
Segundo ensina Eckhart Tolle em seu livro “O Poder do Agora: um guia para iluminação espiritual”, a mente é um local de barulho intenso a que chamamos pensar. Afirma que, para atingirmos a iluminação é preciso antes libertarmo-nos de nossa mente (ego), pois esta encobre a verdadeira natureza do nosso Ser. Em outra obra “Um Novo Mundo: o despertar de uma nova consciência”, onde mostra os aspectos principais do ego e como eles se manifestam no plano individual e coletivo, alerta: “a menos que conheça o mecanismo básico por trás do funcionamento do ego, você não o detectará, e ele irá enganá-lo, impedindo que o reconheça todas as vezes que tentar…o ato de reconhecimento é em si uma das maneiras pelas quais acontece o despertar….o surgimento da consciência é o despertar…a luz da consciência é tudo o que é necessário. Você é essa luz”.
A conexão interior com o Ser se realiza pelos estados de amor, alegria e paz, que somente se manifestam à medida que nos livramos do domínio da mente. Por se tratarem de estados profundos do Ser e surgirem por trás da mente, não possuem opositores. Estes sentimentos não podem ser confundidos com emoções, pois estas pertencem a uma parte da mente dualística, como uma resposta do corpo à provocação de um pensamento, que é em si energia, podendo se constituir num permanente círculo vicioso, que pode interferir no equilíbrio e funcionamento harmonioso do corpo. Vale ressaltar que a emoção não é ruim em si, apenas aquela associada a um acontecimento triste, que provoca infelicidade.
O autor avisa que a mente não consegue funcionar e permanecer no controle sem que esteja associada ao tempo, tanto passado quanto futuro, e vê o “agora” como uma ameaça, por isso procura sempre dele negar e escapar. Ressalta, “em outras palavras, jamais permanecemos aqui porque estamos sempre ocupados tentando chegar a algum lugar… e a vida é sempre Agora”. Caso paire alguma dúvida sobre esse exato momento, “sempre que nos tornamos conscientes da respiração, estamos absolutamente no presente”.
Barreiras mentais e psicológicas que impedem uma visão mais ampla da realidade se fortalecem em experiências de sofrimentos passados os quais, através de diálogos interiores intensos, dominam a mente, escravizam o pensamento, afetam as emoções e agridem o corpo físico, transformando-se num fardo, permanecendo sempre presentes e identificando-se com ele. Por sua vez, quando a mente está no futuro, é criado um espaço de angústia, pois não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. “O passado nos dá uma identidade e o futuro contém uma promessa de salvação e realização. Ambos são ilusões”. O que aconteceu no passado é um traço do passado, de um “agora” anterior. O futuro é um “agora” imaginado, uma projeção da mente. Quando esse futuro acontece, acontece como sendo “agora”. Na visão de Tolle, “a essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente”.
Tolle afirma que a dualidade existe ao nível da mente: passado e futuro, o bem e o mal, amor e ódio, igual e diferente, positivo e negativo. No sentido simbólico, Adão e Eva quando comeram do fruto do conhecimento do bem e do mal, ou seja, ao nível da mente (ego), tiveram que abandonar o Paraíso. No estágio que estavam anteriormente, do bem supremo, da unidade do Ser, da prevalência do Espírito sobre a Matéria, o mal era apenas uma perspectiva. Conclui-se que o ego é surdo à voz da consciência e quanto mais identificado com a mente mais ele rege nossas vidas. E quanto mais forte o ego mais distante da nossa verdadeira natureza, de sentirmo-nos à vontade, em paz ou completos.
Segundo Tolle, “o ego precisa de alimento e proteção o tempo todo. Tem necessidade de se identificar com coisas externas, como propriedade, status social, trabalho, educação, aparência física, habilidades especiais, relacionamentos, história pessoal e familiar, ideais políticos e crenças religiosas. Só que nada disso é você”. Segundo o autor, as necessidades do ego são intermináveis e é difícil acreditar que a nossa identidade não está em nenhuma dessas coisas e a maioria descobre isso quando passa por situações-limite, traumáticas ou lá pelo fim da vida, quando pressentir a dissolução da forma e a chegada da morte, pois esta “significa um despojar-se de tudo que não é você”.
Para desativar essa armadilha da mente torna-se necessário desenvolver uma profunda consciência de que o momento presente é tudo que temos, restando ao passado e ao futuro servir como subsídio para lidarmos com os aspectos práticos da vida, passando esta a atuar em nosso favor. Este estar presente observando o que se passa dentro de nós, monitorando o estado mental e emocional, é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento. As nossas reações a pessoas e circunstâncias desafiadoras permitem-nos aquilatar até que ponto de fato nos conhecemos.
O pulo do gato é reconhecer que a raiz da inconsciência vem de uma identificação com a mente, permitindo que ela seja como é, sem nos deixar enredar por ela e não nos confundirmos com quem realmente somos, ou seja ficarmos presentes ou “sempre alerta”, como dizem os escoteiros. Impende aceitar que o “agora” é a coisa mais importante que existe e o que realmente temos, deixando o tempo psicológico de lado e usando efetivamente o tempo do relógio, este sim, tomado como ponto de partida para uma mudança verdadeira e como referência de um objetivo estabelecido e o trabalho necessário para alcançá-lo.
Conscientes desse mecanismo de funcionamento da mente, no contexto do convite Socrático relativo à jornada interior rumo ao autoconhecimento, à essência e à verdadeira natureza do funcionamento do pensar, os sentidos das palavras ganham diferentes contornos e não representam em si a Verdade, apenas apontam para ela. Por seu turno, outras atitudes e habilidades, em especial o “aprender a ouvir, a falar e o quando falar” despontam como novas prioridades, na busca permanente para uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz, como o objetivo primordial citado no início desta Prancha.
Como dito acima, o tema relativo ao conhecimento interior é vasto e complexo, mas vale pensar a respeito, mas não com a nossa mente analítica e o falso ego e sim com a nossa consciência pura e desperta, a verdadeira Inteligência, quem realmente somos e o que deve efetivamente conduzir nossa vida.
No ensejo, merece destaque um conselho de Tolle: “ao partir numa jornada, é claro que ajuda muito sabermos para onde vamos ou, ao menos, a direção geral que estamos tomando. Entretanto, não podemos esquecer de que a única coisa real sobre a nossa jornada é o passo que estamos dando neste exato momento. Isso é tudo que existe”.
Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Maçom da Loja Maçônica Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida e da Academia Mineira Maçônica de Letras.