sábado, novembro 12, 2016


AS SESSÕES MAÇÔNICAS DESMOTIVADORAS

"Precisamos de novos conceitos sociais, morais, científicos e ecológicos, e serem determinados por novas condições de vida da humanidade, hoje e no futuro". I. T. Frolov.

Porque a baixa frequência dos II:. nas sessões maçônicas e as inúmeras desistências?
Há um princípio geral de Psicologia Educacional, de que toda conduta é motivada, entretanto nossas reuniões privam pela repetição monótona de uma ritualística cansativa e sem qualquer utilidade prática. Trabalhos escritos e copiados de outros repisando temas já anteriormente apresentados, e muitas vezes lidos de modo gaguejante, sem a devida acentuação tônica para criar um clima emocional. V:.M:. ou irmãos eruditos ou pseudo-eruditos a usarem e abusarem no uso da palavra para exporem seus conhecimentos de almanaques de farmácias, ou inoportunas críticas a opúsculos apresentados. Outros irmãos dedicam-se, aos erros ritualísticos, como: o uso de espadas e bastões; ou, ainda, os historiadores de ocasião que leem longas biografias endeusando personagens históricos, cujas reputações apresentadas como exemplares, não resistem a uma apreciação mais profunda e desapaixonada.
Toda semana durante duas ou mais horas seguidas, todos sentados com dorso do corpo apoiado no espaldar da cadeira, e as mãos postadas abertas sobre a coxa (posição ritualística?), como nos antigos colégios religiosos. Depois de horas de tédio e, porque não, de angústia esperando o fim daquela chatice semanal. Todos têm um ponto de saturação e, no momento, que ele é alcançado, o pobre sofredor vai procurar em outro lugar um lazer mais reconfortante, para aliviá-lo das tensões causadas pela dura luta do pão de cada dia.
A fim de se evitar divagações inconsequentes vamos tentar criar uma axiomática sobre Maçonaria:
  1. é uma sociedade cível, sujeita as leis da comunidade onde se instala;
  2. é uma agremiação iniciática, o que a diferencia dos clubes de serviço (Rotary e Lyons);
  3. tem por principal objetivo o conhecimento do homem e da natureza;
  4. os meios empregados por ela é da execução de atos simbólicos que formam os ritos, o ensino mútuo e o exemplo, a cultura intelectual, e a prática da fraternidade e solidariedade;
  5. a melhoria moral e material da humanidade, baseada na crença do progresso infinito dela;
  6. o cultivo da tolerância; e
  7. abstração de todas as distinções sociais.
Segundo J. Boucher: "a pátria do maçom é a terra inteira, e não só o local onde nasceu ou a coletividade em que se desenvolveu".
Pertencemos ao nosso ambiente social, pois em última instância somo regidos pelas mesmas leis, cuja essência encontramo-la na Declaração dos Direitos Humanos, a qual sofreu a influência segura das ideias do iluminismo, adotadas pelos maçons, principalmente, europeus. Logo não podemos continuar isolados dos graves problemas sociais, políticos, religiosos, filosóficos, científicos e, sobretudo, ecológicos. Afirmamos ser o aspecto mais importante da Maçonaria, o iniciático; herança conservada por nós dos primitivos rituais dos povos totêmicos, e tinham por finalidade a preparação do púbere (10 ou 12 anos) para ocupar o seu lugar na comunidade. Em síntese a iniciação arcaica tinha suas provas (atirar o menino no ar e surrá-lo), pintura dos símbolos totêmicos e mutilações. Depois de anos a cerimônia culminava, geralmente, com a "bênção do fogo".
Durante todos os anos, até a integração no grupo, não se descuidava da educação prática, imitando os adultos instrutores, tendo como tema a caça, a agricultura; o lazer dele (o menino) é dirigido num sentido pragmático.
Examinando as sete proposições axiomáticas concluímos ter a Maçonaria uma função educativa, ou seja, uma escola de vida.
Segundo conceitos modernos, como escola ela teria de ter objetivos, um currículo e um método de ensino.
Referente aos objetivos teríamos: o conhecimento do homem e da natureza, através das atuais conquistas científicas; a prática da tolerância, da fraternidade e da solidariedade; a igualdade de direitos de seus membros e, consequentemente, a melhoria moral, material e, por que não espiritual da humanidade.
Currículo é a forma aportuguesada e simplificada do latim: curriculum vitae. Porém no Brasil é usado como a relação de matérias de um curso. Ele deve apresentar ao maçom em forma idealizada; a vida presente com suas atividades sociais, aspirações éticas, e a apreciação no momento atual do valor cultural do passado. Logo implicaria não só as disciplinas obrigatórias da Maçonaria: Simbólica, Ritualística, Filosofia, e História mas, também, o estudo comparado com o acervo geral do conhecimento da sociedade e suas múltiplas consequências no presente, fazendo uma projeção para o futuro. Entretanto temos notado que vem predominando os trabalhos descritivos de História, enquanto as demais matérias, talvez mais importantes, são relegadas a um segundo plano com a repetição dos trabalhos de maçons dos séculos passados com todos os erros, crendices e superstições. Pode-se dizer que aproximadamente noventa por cento dos escritores maçons dedicam-se à historiografia, ou pelo menos predominantemente, enquanto as outras matérias de interesse não só maçônico, porém, sobretudo, biopsicossocial são tratadas raramente e com superficialidade.
Quanto ao método que é o processo de usar este material de cultura para chegarmos aos objetivos.
Continuamos a usar a antiga e cansativa "aula magistral" dos doutos catedráticos presos ainda Escolástica. São as preleções, a base de saliva e da personalidade carismática do sábio. As vezes a mensagem é recebida, entendida e esquecida, outras vezes o tema se prolonga indefinidamente, sem ligações lógicas com os argumentos apresentados, sobretudo, quando o expositor parece não saber como terminar.
Existe a necessidade de começarmos a usar os modernos recursos didáticos como a televisão, o computador, projeção de transparências, "slides" e outros meios em exposições curtas seguidas de debates. Também poderíamos trazer as técnicas de dinâmica de Grupos(grandes ou pequenos), simpósios, seminários, evitando sempre as conferências magistrais. Contudo teremos de sacrificar o velho costume das sessões ritualísticas; herança, possível, da missa dominical, fazendo-as, somente, nas iniciações, elevações e exaltações, ou como treinamento para elas, como faziam os maçons especulativos de 1717.
Caberá a toda a nossa geração reiniciar o trabalho especulativo, teórico da Grande Loja Unida de Londres, e não seguirmos os princípios retrógrados inspirados por Lawrence Delmotl à Grande Loja de York; que predominaram na fusão de 1813, representando um retrocesso às conquistas dos filósofos iluministas e deístas.
A tarefa é muito grande, mas é necessário ser iniciada com a máxima urgência, pois a evolução não espera.
Hodiernamente, está difícil encontrarmos na sociedade elementos com os predicados exigidos pela ordem e, é mais difícil mantê-los pelas lutas de grupinhos por um poder efêmero, bem como pela monotonia insossa de nossas inúteis sessões econômicas ritualísticas. Geralmente os mais evoluídos, mais dinâmicos, mais atuantes sentem a luta inglória de procurar uma nova mensagem na Maçonaria e nada encontram.
Também, a massa informe do povo maçônico cansa-se de ouvir e ver sempre as mesmas pantomima e depois de algum tempo já sabem de tudo e, portanto, nada mais têm a fazer ou aprender, e vão-se. Ficam os teimosos que não acreditam ser aquela mediocridade o resultado de séculos ou milênios; se considerarmos as corporações de ofício e a Maçonaria Teórica, duma entidade tão criticada ou endeusada, admirada e cultuada por grandes expoentes da humanidade, seja unicamente aquelas práticas e mensagens insípidas, e como verdadeiros homens partem em busca da verdade e acendem luzes que vão clareando novos conceitos fraternais e afastando as trevas da ignorância geradoras da crendices e superstições.
BIBLIOGRAFIA:
  1. CAPRA, Fritjof - A Teia da Vida - Editora Cultrix Ltda. - 1998 - São Paulo SP.
  2. HUISMAN, Denis e André Vergez - Curso Moderno de Filosofia - 2 Volumes: Introdução À Filosofia das Ciências e A Ação - Livraria Freitas Bastos S.A. - 1966 - Rio de Janeiro RJ.
  3. HUTIN, Serge - As Sociedades Secretas - Editorial Inquérito Ltda - Lisboa - Portugal.
  4. MONROE, Paul - História da Educação - Companhia Editora Nacional - 1954 - São Paulo SP.
  5. SALZANO, Francisco M. - 1) Evolução do Mundo e do Homem. 2) Biologia Cultura e Evolução - 1995 e 1998 - Editora da Universidade de Porto Alegre - Porto Alegre RS.

terça-feira, novembro 08, 2016

"Palavra Maçônica"

A “palavra maçônica” é um compromisso de honra efetuado pelo neófito quando tem contacto com os Mistérios da Arte Real. No qual ele se compromete a honrar e dignificar a Maçonaria, bem como em guardar segredo do que vir ou tomar conhecimento em sessão ritualista maçônica.


E como tal, nada mais é importante para o maçom do que respeitar a sua palavra, a sua palavra dada, a sua palavra de honra.
Sendo por isso, que uma das suas obrigações é a de ser um homem de bons costumes. Alguém que é honrado e vive sob bons preceitos morais.

Quando um maçom se compromete com algo, ele o cumpre ou o faz por cumprir, porque é a sua palavra que fica em questão. Se não o fizer, a sua credibilidade perante os seus irmãos e porventura demais profanos, será posta em causa, correndo o sério risco de ficar descredibilizado, e assim não poder viver da forma honrada como assim o deve fazer.

Essa palavra, vale mais que “mil assinaturas”, pois jamais poderá ser rasurada ou apagada. Quando ela é assumida, ela torna-se um compromisso para a vida do maçom. Tanto que a sua palavra deverá ser “eterna e imutável”. Logo será sempre um dever a ser cumprido!
Por isso, um maçom quando assume um compromisso ou quando opina sobre determinado tema ou matéria, tem de ter o cuidado e a parcimónia necessária. Pois com a sua opinião também pode ele pôr em causa a Maçonaria na sua generalidade.

Normalmente quando alguém opina publicamente, apenas essa opinião o vincula a ele próprio. Mas em Maçonaria isso é diferente. E diferente porque, quando um maçom opina na via pública, as suas afirmações encontram um eco desproporcionado por vezes em relação ao que afirma. E tudo fruto do que a sua imagem enquanto maçom suscitar. 
A curiosidade sobre o que se passa no interior da Maçonaria é tão grande por parte dos profanos, que isso origina um excesso de “ruído” que maioritariamente causa um impacto negativo na Ordem em si. E é por isso que um maçom deve ser reservado quanto ao que opina, como opina e onde exerce a sua opinião. 
Aliás, se existe alguém que falará pela Obediência em si, serão apenas o Grão-Mestre e o Grande Orador, os restantes Irmãos apenas poderão opinar, mas vinculando-se apenas a si próprios nas afirmações proferidas.

Já na vida interna das Obediências Maçônicas, as palavras dos irmãos são muito bem-vindas, isto é, cada um (excepto se em sessão litúrgica, os Aprendizes e Companheiros se abstêm de falar) é livre de opinar sobre o que quiser, respeitando apenas as regras impostas pela Obediência, seja no cumprimento dos Landmarks (no caso de Obediências Regulares) seja no cumprimento do seu Regulamento Geral.

Resumindo, o segredo que existe na palavra de um maçom, encontra-se à vista de todos. É apenas se tomar atenção ao que diz e como o diz.

terça-feira, novembro 01, 2016



Queridos e Estimados Irmãos

                Faz algum tempo que não escrevo a todos os irmãos vinculados à Grande Loja Regular do Rio Grande do Sul, por entender que cada um vem cumprindo seu papel na Ordem dentro dos parâmetros estabelecidos pelas nossas Leis e Regulamentos. No entanto, estamos em um processo evolutivo crescente o que de certa forma provoca mudanças de comportamento e alguns atritos extremamente necessários a formação da mentalidade e da postura maçônica.
                É bem sabido que a evolução maçônica ocorre individualmente a partir das percepções que cada maçom faz dentro do seu espectro de conhecimento, patrimônio cultural, vivência e convivência na Ordem. A socialização maçônica é sempre mais complexa do que qualquer outra no mundo, visto que é a única Instituição Global que reúne pessoas completamente distintas umas das outras, seja em relação a religião, cultura, posição social e política, e tenta fazer destas uma coisa harmônica.
                O fermento alquímico que permite esta possibilidade é o amalgama de três princípios básicos e insubstituíveis que norteiam a atividade e compromissos maçônicos: amor fraterno, verdade e socorro. O que implica na configuração clássica do Iluminismo assentada nos valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ressalte-se que estas afirmações estão embasadas na teoria e que na prática as vezes isto não acontece.
                Não acontece pelo motivo mais simples e fácil de compreender: - tudo na vida tem uma segunda versão, ou um outro lado, ou uma oposição, assim como o Sol é o inimigo da escuridão, mas ao mesmo tempo o provocador da escuridão quando se ausenta. O Amor é o mesmo sentimento que o ódio visto de polos opostos. A falta de amor leva ao ódio, a ausência de ódio implica em sentimentos amorosos.
                Portanto em oposição aos princípios aglutinantes da Ordem, se oferecem os inimigos da maçonaria que como se sabe, estão dentro e não fora dela. São eles a ganância (ou sede de poder egóico), a ignorância, mãe da intolerância e da desconfiança e por fim o fanatismo, a crença exacerbada em uma verdade dogmática, capaz de cegar a mente e o espírito, provando o ódio.
                Lembre-se que são os maçons, os seres contaminados por estes inimigos, não a Loja, ou a Potência. A Loja não precisa de cargos, ela os oferece, a Potência não precisa de cargos ela os investe. O Grão-mestre não precisa de cargos ou funções, ele já os tem por força do ofício e do voto. Então quem briga pela Veneraria, pelos tronos dos Vigilantes, pelos cargos de loja? –Os Irmãos da própria Loja. Quem desconfia do Venerável, do Tesoureiro, do Secretário ou Orador, dos Vigilantes aliados do Venerável? -Os irmãos da Loja.
                Isto sempre foi assim na Ordem mesmo antes de nos tornamos maçons, por que isto é o que de mais humano existe nas pessoas. Sempre disse aos irmãos que Lojas grandes aumentam os atritos, pois são poucos cargos de grande relevância e todo maçom os deseja. Todavia isto não significa que as Lojas devem se dividir, quando encontram harmonia e estão funcionando pela felicidade de todos.
                A Maçonaria é o melhor lugar do mundo para experiência humana, somos testados hodiernamente, muitas vezes reprovados nestes testes, e mesmo assim os repetimos. Amar um irmão acima de todas as coisas implica abrir mão de seus próprios desejos. Socorrer e guardar segredos não é privilégio, é obrigação formal e absoluta. Quando um irmão te pedir segredo sobre algo, guarde. Caso contrário não há diferença entre você e um profano. Sem aprofundamento nos estudos maçônicos, não há compreensão. Um irmão que odeia e prejudica seu irmão ou irmã, que conceito deve ter entre nós? A maledicência, a fofoca, a intriga, a mentira, são venenos para alma, que uma vez contaminada, vai destruir tudo a sua volta.
                Não esqueçam seus juramentos, mestres. Não esqueçam os cinco pontos da fraternidade. Não esqueçam  seus juramentos companheiros que é de acompanhar o mestre na execução da bela obra e orientar o aprendiz. Não olvidem seus juramentos, aprendizes. Ame seus irmãos, cumpram vossas obrigações, sejam retos e justos e guardem segredo sobre tudo que ouvirem e saberem dentro e fora de uma Loja ao que se refere a teu irmão. Isto é ética maçônica. Valor impenetrável, imaculável e indelével. Quem de nós os cumpre?
                As divisões nas Lojas ocorrem não por culpa da Loja, da Potência, da vontade de quem quer seja, ocorrem porque os inimigos da Loja estão dentro da Loja, estão juntos aos maçons contaminados, influenciados pela maldade, pela ignorância de fatos e normas, pelo caráter egoísta e mesquinho, de que alguém se achar  melhor de que outro. A Soberba, a vaidade, o orgulho torpe, o pseudo-poder, a inveja, o ciúme, devem ser alijados dos nossos Templos por todo irmão.
                Cada um é responsável por chamar atenção de um irmão quando estiver motivado por qualquer circunstância acima citada. Quando um irmão vier falar de outro, pergunte-lhe: se é para o bem deste irmão a fala? E alerte-o sobre seus juramentos caso contrário.
                As Lojas podem se separar? Sim podem, mas pelos motivos certos. Preconceitos, juízos sem prova e sem processo, acusações infundadas ou fundadas na vergonha das más intenções devem ser reprimidas a todo custo, ou não restará Lojas e nem irmãos.
                Somos uma elite privilegiada com acesso ao melhor conhecimento existente e ainda assim nossa atenção está voltada para o supérfluo, para o inócuo, o para o mal. Estes são os verdadeiros demônios que nos assombram e que muitas vezes referi em minhas falas.
                Apesar destes revezes a maçonaria é o lugar onde as coisas se consertam, o caos recebe ordem, e a vida se permite brilhar. Fundamentado no amor pelo seu irmão ou irmã, nosso coração se enche de luz, e a paz retorna ao reino. Não somos perfeitos mas buscamos a perfeição, somos filhos da fagulha divinizante que abre nosso peito e nos enche de glória e de graça do G.A.D.U. Nascemos com altos propósitos e que nos diferenciam do resto do mundo, somos a última cartada, a luz no fim do túnel, o farol que resgata os barqueiros. Somos viajantes das estrelas que pairam neste planeta para uma experiência hermético-alquímica. Somos ao mesmo tempo alquimista e atanor, artista e obra, o templo e o construtor. Mas somos melhor que tudo isto quando estamos juntos, sem desconfiança, vivendo o amor que nos é permitido viver, sem ciúmes, inveja, cobiça. Sou grato por conviver com vocês e experimentar todos estes processos, por que também sou uno com o pai. Edson Couto – GM