quarta-feira, abril 11, 2012


Eros e Psiqué

“A história revela a fantasia dos criadores da história e, por trás deles e em suas fantasias e padrões, encontram-se os arquétipos.”  James Hillman

          Os mitos são narrativas imortais, falam à nossa alma, e porque falam a linguagem da alma, emprestam desta o sentido de imortalidade que lhe é próprio, de um tempo sem tempo, sem lugar, ou melhor, de um tempo presente a todo o momento e espaço.
         O tempo da alma não é o presente, no entanto, está sempre conosco; não é o passado, porém, fala das coisas já acontecidas; não é futuro, mas fala mais do que qualquer outra linguagem a respeito do nosso destino. A linguagem da alma é fantástica, ligada ao inconsciente, é imaginativa, fantasiosa, paradoxal, holística, sagrada…
         Freud, quando “inventou” o inconsciente, isto é, quando trouxe para a ciência médica de fins de século dezenove e início de século vinte, a noção de que o homem era mais do que julgavam as vigentes ciências e filosofias que circulavam na época, foi buscar, nos mitos, as narrativas para “explicar” esse homem além da razão.
         Foi uma pena que na tentativa de se fazer ouvir e respeitar pela comunidade médica, Freud tenha adequado a alma ao mundo e não o contrário, feito do mundo um lugar mais adequado para a alma viver. Mas seria pedir demais ao primeiro homem que, dentro do meio acadêmico científico de sua época, ouviu pela primeira vez e deu voz à alma, para que outros homens daquele tempo iluminista a pudessem também ouvir e compreender.
        Além do mais, no afã de amoldar a psicanálise aos métodos redutivos da ciência, limitou a psique humana à explicação de um só mito: o mito de Édipo. Através de Édipo, Freud “explicou”, e bem, o homem, mas não explicou tudo.
        Hoje, impulsionados por crises generalizadas nas instituições, começamos a questionar se nossa cultura será a mesma daquela dos mitos fundadores descritos por Freud. Começamos a duvidar se temos todos por base a mesma horda patriarcal primeva e, urgidos por tantas reestruturações, notadamente as mudanças ocorridas na família nas últimas décadas, questionamos se o único deus a reinar no céu do nosso inconsciente será de fato para todo o sempre “Saturno”. Questionamos mais do que nunca a eternidade desse pai, tomado aqui como a metáfora exemplar do mundo patriarcal antigo, e se é legítimo o seu exclusivo acesso às fêmeas, negando aos demais machos da tribo o mesmo direito.  Questionamos como não mais legítima a proverbial insaciabilidade saturnina, de ora castrar e ora devorar os filhos – até por fim devorar a tribo inteira, já que todos por ali são seus filhos.
          Para Freud, é no levante destes filhos que, justificados pela tirania do pai tramam por seu assassinato, surge a culpa que origina a nossa cultura. Assim que é consumado o parricídio, os revoltosos e culpados filhos, ainda premidos pelo ato imperdoável, instauram a lei do pai, que é o interdito do incesto, e mais, para que o bárbaro crime não seja jamais esquecido, erigem um totem em homenagem à memória do pai. Totem que será o símbolo – fálico – da cultura que se viverá sob a égide do espírito do patriarca, agora para sempre onipresente.
         Há que se considerar que seja qual for a sociedade que se instaure a partir de mitos semelhantes, são mitos como estes que possibilitam a irmandade entre os homens, já que baseados na crença de terem um pai em comum. Mas é irônico que os filhos tenham assassinado o pai para terem acesso às antes mulheres proibidas, e que eles mesmos as proíbam assim que se  vejam livres do jugo paterno. São na verdade os filhos que instauram a lei do pai mais rigoroso, um pai assassinado mais temível que um pai vivo, por ser interno e imaginário – em outras palavras, inconsciente. E é esse pai internalizado o que lhes coíbe de fato e faz nascer, segundo Freud, toda e qualquer cultura humana.
          Pois bem, essa explicação de um único mundo patriarcal, por melhor que tenha sido elaborada e compreendida por Freud, já não nos basta para explicar o homem contemporâneo. Seja porque não vivemos mais no apogeu da ordem patriarcal descrita – muita coisa mudou no interior para o exterior do homem e vice-versa, em revoluções sociais e psicológicas que se alimentaram mutuamente – e seja também porque finalmente percebemos que somos ou podemos vir a ser mais do que apenas uma sociedade essencialmente masculina e dividida em castas.
          Hoje temos a clara noção de que podemos remontar ou inventar outras civilizações, fundar outros mitos, ter novos modos de nos relacionar com o mundo e com nossos semelhantes – como as mais harmônicas sociedades matrilineares, seriam uma alternativa, não tivessem elas também por base o mesmo modelo de castas do patriarcado, sendo apenas o seu avesso. O matriarcado e o patriarcado são exemplos de sociedades hierárquicas rígidas, que se apoiam e alternam no tempo, cada qual na sua impossibilidade de realizar a plenitude que a alma do mundo hoje parece clamar, quem sabe por uma nova era, nesse início já adentrado de terceiro milênio de uma cultura que agora se pretende global – um mundo sem fronteiras.
          Qual mito poderia então descrever ou revelar melhor o homem atual, esse mal recém-nascido homem contemporâneo?
          James Hillman levanta a possibilidade de ser a bonita e sofrida história de amor entre Eros e Psiqué.
         Nessa outra narrativa vamos encontrar não mais uma sociedade baseada em guerras e jogos políticos por controle e poder – pois seja pela lei do pai ou pela lei da mãe, é sempre a incompletude dos seres apartados o que domina a alma nas sociedades governadas por mitos genitores.
          Eros e Psiqué revelam então outra possibilidade, o mito duma outra identidade para o homem: não mais a do filho, do herói ou do guerreiro, mas a do homem amante, livre no gozo pleno de si mesmo, ainda sim irmão de todos os homens, mas mais envolvido com os problemas da fraternidade universal do que com as beligerâncias por poder.
          Quando os polos arquetípicos do gênero humano, masculino e feminino, param de guerrear entre si, de se anular e de subjugar um ao outro, é quando voltam os olhos um em direção ao outro e, lentamente, perfazem o caminho de volta, da aproximação e da gradativa consciência, crescente e respeitosa, de um para com o outro.
          É quando Eros descobre Psiqué adormecida e ferido na própria flecha se apaixona por ela, atraindo-a para o seu palácio no alto da montanha, desposando-a para logo em seguida a abandonar – pois o caminho da aproximação entre os polos arquetípicos nunca é reto, e muito raramente será saudável o ser, traça antes uma circumambulação, que é uma espécie de dança circular cuidadosa e que pode ser representado por mandalas, como na figura do início deste texto se quis representar; circumanbulação é, originalmente, dentro da psicologia, o movimento circular descrito por Carl Gustav Jung do progresso sinuoso e simultâneo, de avanços e de recuos, entre opostos arquetípicos em direção a uma integridade nuclear, e que pode ser entendido como sinônimo de construção do self.
          Voltando à fuga de Eros, conforme acontece na narrativa original desta lenda, com ela tem início os tormentos da alma, que vai até o inferno para reaver o amor perdido.
          Afinal, quem pode amar a alma? Só o Amor pode amar a alma.
          O amor é Eros, é espírito, animus em Jung, é a porção yang no taoísmo chinês e, desde os primeiros registros da história da nossa civilização está relacionado ao masculino, à vida, ao Sol, à objetividade, ao discernimento do espírito mesmo. Eros é a própria pulsão de vida em Freud.
         O amor é sempre único, não divisível, como Deus e o Pai são Um – e talvez por isso o feminino sempre procure no masculino a sua única e insubstituível face. O amor realmente nunca tem duas caras, mas avoluma-se diante da prodigalidade que lhe é característica.
          Por ascender ao alto, e por efetivamente morar nos picos mais altos possíveis, o espírito vê longe, tem a clareza do olhar.
         Nossa civilização está repleta de lições para dar e receber amor, cultivar e multiplicar o amor: o amor a Deus, à natureza, à mãe, ao irmão, ao companheiro. O amor é o bem mais precioso e desejável desse mundo, invariavelmente sinônimo de felicidade, beatitude, luz. Disciplinas espirituais para se chegar até Deus, que é amor, não faltam. E Eros mesmo, anseia subir a montanha para se reencontrar com o Pai – vide “Senex e Puer”, no primeiro capítulo de O Livro do Puer, de James Hillman.
          O amor é masculino, mas não pertence exclusivamente ao homem masculino, pertence antes ao conjunto humano, dotados todos os humanos desse “sopro” divino.
          Psiqué é alma, anima, ying, é a face sempre fugidia e sombria do feminino, ligada desde sempre à terra, ao corpo, ao pecado e à matéria. É a pulsão de morte em Freud. Misteriosa, é a força descendente, tradicionalmente negativa em nossa cultura, como nos delineia com muitas fartas imagens James Hillman, no seu famoso texto Picos e Vales, talvez o mais conhecido dentre todos os seus escritos.
          À alma então é dado habitar os vales mais profundos, as florestas mais densas, úmidas e tropicais; à alma é dado se esconder nos pântanos mais remotos e nas cavernas mais recônditas e escuras da terra; tanto se esconde a alma que nem ela sabe dela mesma, pouco conhece dos seus próprios encantos. As únicas belezas que a alma enxerga, por estar sempre metida em buracos, não distam mais do que dois palmos de distância. É nas coisas pequeninas e miúdas, nas visões interiores e obscuras, que está o que alma dá valor.
          Por ser tão fugidia e misteriosa, a alma pode assumir qualquer face, e o homem fica confuso e nunca sabe bem qual delas deve eleger, qual será a mais bela, a mais fascinante ou a mais terrível.
         A alma é a característica do feminino no humano, não exclusivamente de uma mulher feminina.
         Se as descrições dadas não preenchem plenamente o mito dos gêneros, não nos apeguemos totalmente a essas descrições, são no fundo apenas um breve relato de como a nossa civilização separou, identificou, e continua ainda separando e diferenciando os extremos arquetípicos do masculino-feminino, aqui representados nas figuras de Eros e Psiqué.
         Também não nos apeguemos a uma só relação entre os deuses. Sejamos flexíveis e francos também neste aspecto, pois contar a história dos mitos sob a perspectiva de uma ou outra relação representa quem sabe a escolha de como cada um conduz sua história, mas manter aberta a possibilidade para outras narrativas, abre espaço para novas possibilidades de relações entre os mitos, alargando assim as fronteiras que podem mudar destinos.
          No final todos os mitos contam uma única história, que é a história do homem sob a face da terra.
          E falando em termos absolutamente psicológicos, conforme é a proposta deste texto, o que se busca é, para todos os homens, independente da orientação sexual que tenham no mundo, o caminho da interioridade, da inteireza e da individuação. Não se trata, portanto, da busca de uma mulher por um homem real que contenha o seu “espírito” faltante – o “seu” animus, ou de um homem em busca de uma mulher de carne e osso que encarne sua “alma” – a “sua” anima. Muito menos se trata de uma incitação ou apologia à homossexualidade ou qualquer outra disposição erótica que porventura alguém tenha ou possa vir a ter.
         Fica esse alerta, que considero fundamental para evitar leituras equivocadas do mito dos amantes, muito embora projeções sejam um mecanismo natural e o primeiro e mais comum acontecimento psíquico ao entrarmos em contato com o “desconhecido”, com o “outro”, a questão eros-psique, do ponto de vista da Psicologia Arquetípica – ou imaginal – que é o ponto de vista adotado neste texto –, trata-se então mais da busca interior do indivíduo à procura do “seu” espírito e da “sua” alma, trata-se fundamentalmente da busca de um indivíduo por inteirar-se de si mesmo. E para concluir com essa questão espinhosa, uma última nota importante de esclarecimento, as últimas aspas foram empregadas para enfatizar que nós aqui estamos falando em arquétipos o tempo todo, portanto falando em forças que estão além do nosso particular controle e pertencem antes ao inconsciente coletivo – postulado da Psicologia Analítica – e não ao inconsciente pessoal – postulado da Psicanálise.
          Para James Hillman, o psicólogo junguiano fundador da psicologia imaginal, “viver” o mito Eros e Psiqué na contemporaneidade tem por função primordial resgatar o feminino da condição de inferioridade a qual a sociedade patriarcal abandonou o gênero ao longo de séculos de tirania masculina implacável – nos aspectos psicológicos, econômicos, políticos.
         Contar a história de Eros e Psiqué é então viver a história de uma coniunction bem sucedida no próprio indivíduo, já que para gerar um único ser equilibrado são necessários dois inteiros que tenham o mesmo valor um para o outro. Mas enquanto o feminino não for redimido, isto é, não propriamente a mulher na sociedade, e sim o feminino dentro de todos os homens – repetindo, na espécie humana independente da orientação sexual que cada um possa ter –, o produto será um monstro, gerado por uma coniunction realizada entre seres desiguais.
          Ainda para Hillman, o mito do homem moderno não deve esgotar-se em eros-psiqué, mas, à partir dele, desdobrar-se em outro indiviso – oportuno lembrar que a primeira filha que o casal mítico de amantes tiveram recebeu o nome de “Volúpia” –, por essa razão, ou não, o mito a ser resgatado após a união da alma com o espírito, do masculino com o feminino, é Dionísio, chamado “o inconjunto”, o fronteiriço, o bissexual.
          Mas esse é outro mito e tema para outra conversa.

sexta-feira, abril 06, 2012

Integralismo Linear e Maçonaria e Monarquia

Cássio Guilherme, Presidente do MIL-B.
A pretensão do Integralismo Linear em ser o Movimento adequado às realidades do Sec XXI, em aglutinar as posições ideológicas do Integralismo e do Linearismo, deve se fazer presente e esclarecido no momento atual. Com o intuito de linearizar essas questões pendentes, o Movimento Integralista e Linearista Brasileiro ( MIL-B) deseja sanar as dúvidas que hão de advir sobre determinados temas e a partir de então resolver de uma vez por todas essas pendências. Qual a posição dos Integralistas e Linearistas com relação a Maçonaria? Pode o indivíduo ser Maçom e Integralista ao mesmo tempo? È óbvio que essas questões estarão definitivamente respondidas no arcabouço doutrinário do Integralismo Linear. No seu livro “ Páginas de Combate”, o Chefe Integralista Plínio Salgado, nas suas “ perguntas ao povo brasileiro”, item III, cita como título “ Nós e a Maçonaria”:
“... Tendo, durante três anos seguidos, o Integralismo se conservado silencioso a respeito da Maçonaria, jamais lhe dirigindo o menor ataque, podereis explicar a razão porque começaram pelas Lojas diretivas no sentido de nos combater?”
Claramente está que não foi o Integralismo que se colocou contrário a Maçonaria. Foi a Maçonaria, contaminada por um espírito materialista místico oligárquico, que se colocou antipático ao Integralismo. O grande crítico desse espírito materialista foi o Chefe das Milícias Gustavo Barroso. Sabendo que a Maçonaria era uma instituição mística e relativista, Gustavo Barroso atacou com argumentos diretamente o Espírito Materialista Judaico, que na sua visão “ impregnava” a instituição Maçônica. No livro “ Judaísmo, Maçonaria e Comunismo” e na tradução “ Maçonaria: Seita Judaica”, Gustavo Barroso concentrou sua crítica contra esse Espírito Materialista e Cabalístico Judaico” que dominava a Ação Maçônica, e não contra os maçons em per si, mesma visão da Igreja Católica na época. Vários Integralistas foram Maçons, como o líder provincial Raimundo Padilha e a família Gueiros de Pernambuco, inclusive com site na internet sobre o assunto. Outro grande crítico do Espírito Materialista Judaico e grande integralista, Tenório D’albuquerque, se tornou inclusive Venerável de Loja Maçônica, e escreveu na década de 70 o livro “ O Que é a Maçonaria”. Portanto, o Integralismo Linear é claro em suas posições e aceita perfeitamente a participação de Maçons em suas fileiras, questão já resolvida de uma vez por todas, seguindo a orientação do Chefe Nacional Plínio Salgado, consubstanciada no livro “ Páginas de Combate”, página 95:
“... Neste momento, já tracei a diretriz clara, positiva, linear aos Camisas Verdes: é a mesma desde o primeiro dia: seguir a nossa Doutrina, praticando-a e propagando-a” e também a orientação Doutrinária do Monitor Integralista de 1935: “ Enquanto entidade que valoriza a propagação da “ Fraternidade, Igualdade e Liberdade”, desprovida portanto de sectarismos e do Espírito Materialista, a Maçonaria nos é inofensiva”.
Como sabemos, a Maçonaria tem por divisa “ Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e por lema “ Justiça, Verdade e Trabalho”. Os seus seguidores e membros devem se esforçar para o aprimoramento espiritual, devotando-se à prática do bem como imperioso da Solidariedade Humana. É óbvio portanto que o Chefe das Mílicias Gustavo Barroso criticou em suas obras justamente o desvio de certos Maçons dessas diretrizes. Claro está que Gustavo Barroso criticou severamente a impregnação de um Espírito Materialista Judaico que deturpava e maculava a Dignidade Maçônica. È inadmissível o rótulo de anti-Maçon pejorativamente atribuído a Gustavo Barroso. A tese principal é que o Chefe das Milícias criticou tão somente a dominação dos interesses financeiros e materialistas sobre a Maçonaria enquanto instituição, contaminando seus reais objetivos. Esta visão está clara no trecho do livro: “ Judaísmo, Maçonaria e Comunismo”, página 199:
“...Do Governo oculto do mundo, do Judaísmo Internacional. Daí a Guerra que a Maçonaria faz aos nacionalismos, fascismos, que taxa de exóticos, quando ela é que é exótica, tanto que se chama Oriente e do Oriente trouxe todos os seus rituais. Seu rito é cabalístico, suas palavras judaicas, seus símbolos salomônicos, seus títulos da Palestina e do Líbano...”
Outra questão crucial a ser esclarecida pelo Integralismo Linear é: Pode o Integralista Linear ser Monarquista? Mais uma questão que será respondida com base altiva na Doutrina Integralista e suas diretrizes. O Movimento Integralista desejou a implantação do Estado Integral baseado na Democracia Orgânica. O Chefe Nacional Plínio Salgado sempre nutriu grande respeito e admiração pela figura do imperador D.Pedro II e pelo Governo Monarquista. O Chefe das Milícias Gustavo Barroso escreveu vários livros sobre os Grandes feitos militares do Exército Monárquico, sempre exaltando as personagens de Caxias, Almirante Tamandaré, Conde D’Eu, José Bonifácio e outros. Mesmo o Secretário de Doutrina e Estudos Miguel Reale, clássico republicano, em seu livro “ Perspectivas Integralistas” deixou claro que era preciso a implantação imediata do Estado Integral, forte e tradicional, vejamos ( página 55):
“... reacionário é quem não se convence que somente os Estados Fortes poderão livrar as Nações da tirania do Capitalismo Internacional organizado: reacionaário é quem acredita na salvação dos povos com simples medidas de assistência social, sem perceber que se deve fazer tudo para que a assistência social se torne desnecessária; reacionário é quem teme a identificação de Estado e povo, de Estado e Nação, e se contenta com um demofilismo formal, índice menos de prudência do que de senetude...”, Vejam a visão clássica monárquica de identificação do Estado e Nação.
Claro está que não há para a revolução Integralista Linear qualquer antinomia se o governo é República ou Monarquia. Não é esse o foco principal da questão. O que desejamos é o Estado Integral e Linear, forte, representativo, honesto, espiritualista, responsável e soberano, embasado na representatividade Orgânica e funcional. Portanto, ser monarquista ou republicano não faz diferença para o Integralismo Linear, sendo possível as duas vertentes em seu seio doutrinário.
Com relação a questão do Catolicismo, o Integralismo Linear é tembém límpido em suas posições. Não há que se negar a base profundamente católica do Movimento Integralista na década de 30. O Chefe Nacional Plínio Salgado e o Chefe das Milícias Gustavo Barroso eram católicos fervorosos. Entretanto, não há que se negar também que a Igreja Católica atual vem se distanciando enormemente de seus fundamentos, sobretudo doutrinários, desde a década de 60. Ideologias alienígenas e verminosas, além de fraudulentas, como a “ Teologia da Libertação”, e os “ Movimentos de Renovação Socialistas” claramente infiltram Agentes do Marxismo Internacional no tecido da Santa Sé, como uma virose, minando-a e matando-a lentamente. Esses fatos contrariam as bases doutrinárias da Igreja Católica e são contra o que determina a Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII. Nós Integralistas e Linearistas não podemos fazer distinção de religião. Por isso a participação de católicos e membros de outras religiões, desde que seus praticantes abominem o Marxismo e o Hedonismo, a crença no Capitalismo Burguês, a crença na Dogmática Irracional, a crença em fraudes ideológicas, como o Marxismo Cristão e os relativismos Teológicos. Seguindo a orientação do Chefe das Milícias Gustavo Barroso, temos, baseados no seu livro “ Integralismo e Catolicismo”, página 31:
“ ... O Integralismo é um Movimento Cristão. Isto tem sido dito e repetido à saciedade pelo Chefe Nacional em discursos e artigos. Se assim é, o Integralismo tem suas bases filosóficas e morais na Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos Evangelhos. O Integralista, embora não seja católico e nem todos os Integralistas são católicos, nem o Integralista é um Movimento Católico, porque não é um movimento religioso, sim moral, social e político; o Integralista deve ler os Evangelhos e meditar sobre eles”.
Com relação à Dinâmica da Doutrina Integralista, claro está que o Chefe Nacional sempre afirmou que o Integralismo deveria estar em consonância com o momento Histórico em que se encontrava. Vejamos o conselho contido no livro: “ O Que é o Integralismo”, página 122:
“... O Integralismo, aceitando a permanência do fenômeno revolucionário na História, como expressão das tendências modificadoras e renovadoras do Espírito Humano, deseja transportar esse fenômeno para o âmbito do Estado, de sorte a evitar que se formem e se organizem duas Forças Antagônicas: a do Estado e a da Sociedade...”
Além disso, escreve o Secretário de Doutrina e Estudos Miguel Reale em “ Perspectivas Integralistas”, página 14, acerca do momento atual no entendimento da Doutrina ( dinamismo):
“... O Integralismo, em última análise, é a luta da realidade contra as ideologias que a dissecaram, como se disseca um cadáver”
“... O Integralismo refoge tanto do Empirismo como do Apriorismo político. A realidade tem sido sempre mais forte que as doutrinas erguidas como monolitos de princípios rígidos considerados eternos...”
Portanto, em resumo, afirmo como Presidente do Movimento Integralista e Linearista Brasileiro, embasado na pureza da Doutrina Integralista e cumprindo as determinações do Chefe Nacional Plínio Salgado, que é perfeitamente possível um membro da Fraternidade Maçônica fazer parte do nosso Movimento Integralista Linear; que é perfeitamente possível um Monarquista ou adepto da Monarquia estar junto conosco na luta que travaremos e que é perfeitamente possível um membro religioso, quer seja judeu, católico, evangélico, budista, islâmico ser Integralista Linear. Mais questões saneadas pelo escopo doutrinário e linear do Integralismo Linear.
Combatemos e devemos combater em suma, aquilo que o próprio Chefe das Milícias Gustavo Barroso nos ensinou no livro “ O Que o Integralista Deve Saber”:
“... Enfim, combatemos: ¬- As Forças Desagregadoras do Materialismo manifestando-se através de grupos, partidos e classes em lutas – o Liberalismo – o Capitalismo – o Comunismo – os Internacionalismo – o Sufrágio Universal – o parasitismo – o personalismo – a desordem – o separatismo – o ateísmo.

quinta-feira, abril 05, 2012


 A coragem de viver, acima das dificuldades
 "Você nunca realmente perde até parar de tentar".

 "Se me pedissem que desse um único conselho que fosse mais útil para a
 humanidade, seria este: espere alguma dificuldade como uma parte  inevitável da
 vida, e quando ela chegar fique com a cabeça erguida, olhe-a direto
 nos olhos e diga: - Eu vou ser maior do que você. Você não pode me derrotar". Ann
Landers

 A história costuma exaltar os indivíduos que chegaram ao topo ou  que, de alguma
forma, tornaram o mundo melhor. Seria um erro acreditar que nossos heróis  calcularam cada movimento, encaixando deliberadamente cada peça do quebra-cabeça da vida.
 Na realidade muitos deles enfrentaram mudanças - inesperadas ou indesejadas -  que exigiram muita coragem. Mesmo assim, eles não deixaram que as  circunstâncias os impedissem de atingir seus objetivos.
Enfrentar algumas das mais duras realidades da vida requer coragem. Winston Churchill via na coragem um ponto de partida. Ele disse: "A coragem é a primeira entre as qualidades humanas, porque é a qualidade que   garante todas as outras". Ele não estava falando apenas de coragem em termos épicos - aquela associada a personalidades famosas e grandes acontecimentos - mas da  coragem do dia-a-dia.
 "A vida é dura... e nem sempre é justa. Mas isso não quer dizer que ela não possa ser boa, gratificante e prazerosa."
 Mais do que qualquer outra coisa, coragem é uma decisão. É a decisão de ir  fundo e em busca do nosso próprio caráter, de achar a fonte de nossa força  quando a vida nos decepciona. É a decisão que temos de tomar,  se queremos nos  tornar plenamente humanos.

 Ludwig Van Beethoven é um dos nomes mais conhecidos da história da música. Nascido em 1770 em Bonn, na Alemanha, filho de um tenor e músico da corte, o  jovem Beethoven não levava uma vida luxuosa. Aos oito anos ele fez  sua primeira apresentação em público como pianista. Apesar do talento prodigioso,  Beethoven era maltratado pelo pai dominador, rabugento e bêbado, que o forçava a tocar  para divertimento de seus amigos.
 Quanto mais o velho Beethoven tentava conciliar o ciúme que sentia do talento  do filho com o desejo de que ele fosse bem sucedido, mais ele se tornava violento. Em 1787, Beethoven partiu rumo a Viena para estudar com os mestres.  Ignorante quanto aos costumes da alta sociedade e descuidado com a própria aparência, ele não se entrosava com os sofisticados músicos Vienenses.
Mesmo assim, logo ganhou fama de pianista brilhante. Quando sua estrela  começava a subir, a morte de sua mãe obrigou-o a voltar para Bonn,  onde assumiu a responsabilidade de ajudar a família. Ao retornar a Viena alguns anos mais tarde, Beethoven buscou orientação com Haydn e outros compositores  proeminentes da época, como Albrechtsberger e Salieri. Logo, ele estava criando  sinfonias e executando suas próprias composições ao piano.
 Quando tudo parecia dar certo, algo começou a dar muito errado: aos trinta e  poucos anos, Beethoven começou a ter problemas de audição. Um distúrbio inicialmente sutil foi piorando rapidamente até que, em poucos anos, ele ouvia apenas sons distorcidos e não conseguia distinguir qualquer som alto. A cruel ironia da situação - o músico que não podia mais ouvir a própria música – levou Beethoven ao desespero profundo.
Embora não pudesse continuar a tocar, Beethoven não dobrou suas partituras e  procurou isolar-se do mundo. Ele sabia que ainda podia compor. E dedicou-se a compor sob uma perspectiva ainda mais complexa e apaixonada. Esse fôlego renovado resultou na terceira sinfonia, a Heróica, que agitou o mundo da música.
Paradoxalmente à medida que sua audição se deteriorava, sua música florescia. Ele concluiu dois de seus maiores trabalhos - a Quinta e a Sexta  Sinfonia – em 1808, e em 1823 compôs a Nona Sinfonia. Inspirado no grande poema de  Schiller, Ode à Alegria, a Nona Sinfonia personificou os ideais do Iluminismo, desde a  declaração de independência até a ciência emergente da era  industrial. Escrita por um compositor quase completamente surdo é considerada uma das  maiores obras de arte já realizadas.
Se Beethoven tivesse se deixado subjugar pela perda auditiva, ele e o mundo  teriam perdido um importante marco para o progresso humano. Por sorte, a natureza concedeu-lhe uma dádiva tão preciosa quanto seu gênio musical: a coragem de enfrentar mudanças devastadoras, recusando-se a deixar seu talento  murchar por causa de um golpe do destino.

O teólogo Paul Tillich definiu este tipo de coragem como a  verdadeira coragem, que consistia em dizer sim à vida apesar da dor e de todas as  dificuldades que fazem parte da existência humana. Ele disse que era preciso  demonstrar coragem diariamente para encontrar algo definitivamente positivo e  significativo, tanto a respeito da vida como de nós mesmos.
A vida é dura... e nem sempre é justa. Mas isso não quer dizer que ela não  possa ser boa, gratificante e prazerosa. Ainda há muitas razões para  dizer sim à vida.

quarta-feira, abril 04, 2012




Deverá cautelosamente examiná-lo, da forma que a prudência aconselhar, de modo a evitar ser iludido por um embusteiro, a quem deverá rejeitar com desprezo e escárnio, e a ter cuidado de modo a não lhe revelar nenhum sinal de reconhecimento.
Mas se descobrir que está perante um verdadeiro e genuíno Irmão, deverá respeitá-lo em conformidade, e se necessitar de ajuda, deverá ajudá-lo como puder, ou então dizer-lhe como poderá ser ajudado: deverá empregá-lo por um período de alguns dias, ou então recomendá-lo para um emprego. Não será obrigado a fazê-lo além de suas habilidades, mas deve dar-lhe preferência se for um Irmão pobre, um homem bom e verdadeiro, em relação a qualquer outra pessoa pobre nas mesmas circunstâncias. Finalmente, deverá respeitar todas estas Obrigações, e todas aquelas que forem comunicadas de outra maneira; e cultivar o Amor Fraternal, que é a Fundação e a Pedra Angular, o cimento e a glória desta Antiga Fraternidade; evitar toda a discussão e querela, toda difamação e calúnia não permitindo que outros caluniem qualquer Irmão honesto, defendendo o seu caráter e oferecer-lhe todos os préstimos, desde que de acordo com a própria Honra e Segurança, e não mais que isso. E se algum deles te prejudicar, deverás participar à tua ou à sua Loja; depois poderás recorrer para a Grande Loja aquando da Comunicação Trimestral, e daí para a reunião Anual da Grande Loja, como tem sido a antiga e louvável conduta de nossos ancestrais em todas as nações; nunca buscando o caminho da lei civil, exceto quando o caso não puder ser de outra maneira decidido, e somente depois de, pacientemente, ter ouvido o conselho honesto e amigo do Mestre e Companheiros, que tentarão evitar o recurso à lei civil contra estranhos, e te estimularão a pôr termo a todo e qualquer processo, para poderes dedicar-te à Maçonaria com mais alegria e sucesso; quanto aos Irmãos e Companheiros envolvidos em tais processos, o Mestre e os Irmãos deverão, cortesmente, oferecer a sua mediação, que deverá ser tida em conta pelos Irmãos contendores, e se for impossível a conciliação, estes deverão conduzir o processo sem ira ou rancor (o que não é o comportamento usual), sem dizer ou fazer algo que prejudique o Amor Fraternal, e que os bons ofícios sejam continuados e renovados para que todos vejam a boa influência da Maçonaria, como todos os Maçons têm feito desde o começo do mundo e o farão até ao fim dos tempos.


Esta última Obrigação respeita à Fraternidade. Conforme se acentua no seu texto, a Fraternidade é elemento essencial no ideário maçónico, verdadeira pedra angular do que é ser maçom.

A Fraternidade implica, ou pode implicar, o auxílio de um Irmão. Mas não qualquer auxílio. Auxílio para que este, segundo as suas capacidades, as suas habilidades, possa prover ele próprio ao seu sustento. Note-se: não significa isto que se providencie qualquer benefício ilegítimo ou privilégio a um Irmão. O trabalho para que o Irmão necessitado deve ser contratado ou recomendado deve, necessariamente, estar em conformidade com as suas capacidades e habilidades. Não se trata nunca de angariar sinecuras. Deve-se proporcionar oportunidade, mas sempre respeitando o mérito.

A Obrigação institui uma espécie de "direito de preferência": em igualdade de situações e de capacidades, deve-se dar preferência a um Irmão maçom, mas apenas desde que exista necessidade. Quer isto dizer que não se deve preterir ninguém mais capaz, mais apto, melhor classificado, em benefício de um maçom, nem sequer a pretexto da sua necessidade. E quer dizer também que a preferência, em igualdade de circunstâncias, apenas é acionada em favor de "um Irmão pobre, um homem bom e verdadeiro", isto é, em caso de necessidade.

Ou seja, apenas em caso de necessidade e de igualdade de habilitações e aptidões se deve dar a preferência a um Irmão maçom.

Esta a regra, este o limite!

Quem brande com um apregoado nepotismo maçónico ou é ignorante ou está de má fé. Afinal, os famosos "privilégios" que alegadamente os maçons concedem uns aos outros implicam que nunca se prejudique ou ultrapasse ninguém (só em caso de igualdade de condições se deve preferir um Irmão maçom) e só se concebem em caso de necessidade (para acorrer a um "Irmão pobre", isto é, necessitado, nunca para favorecer quem não esteja em situação de necessidade).

Oxalá que todos se comportassem, em matéria de privilégios, como os maçons! Afinal de contas, é apenas natural e óbvio que, em igualdade de circunstâncias, se prefira o próximo ao distante, o amigo ao desconhecido, o parente ao estranho, o vizinho ao forasteiro, aquele em que se confia ao que não merece a nossa confiança. Isto todos, todas as pessoas de bem, fazem, sem hesitação, sem dúvida, sem censura social.

A Fraternidade implica também a sua aplicação no relacionamento pessoal, que deve evidentemente implicar o amor fraternal, evitando-se "toda a discussão e querela, toda difamação e calúnia", não permitindo "que outros caluniem qualquer Irmão honesto, defendendo o seu caráter" e oferecendo os préstimos "desde que de acordo com a própria Honra e Segurança, e não mais que isso".

A fraternidade maçónica nunca pode violar as regras da Honra. Não admite, assim, por exemplo, falso testemunho em favor de Irmão - porque é um ato desonroso. Não admite, portanto, que, por exemplo, um juiz maçom beneficie, em qualquer pleito, um Irmão maçom - porque é gravemente desonroso para um juiz violar a imparcialidade que é atributo essencial e indispensável à função de julgar

Mais uma vez, oxalá que todos se comportassem como os maçons no respeito da Honra e das regras!

Finalmente, a fraternidade maçónica não deve implicar com a própria segurança. Do maçom e dos seus. É um limite de sobrevivência óbvio. Fraternidade implica disponibilidade para o auxílio - não para o sacrifício da segurança pessoal e familiar.

A convivência implica sempre a possibilidade de surgimento de conflito. Quando tal suceda, a fraternidade maçónica implica que, sempre que possível (quando não é possível, não é possível...), os litígios surgidos entre maçons sejam internamente regulados, preferentemente por mediação, se necessário, por decisão de órgãos internos a quem é atribuída competência para tal. A mediação é a forma preferencial de regulação de litígios, por razões evidentes: a mediação mais não é que, afinal, um meio de possibilitação de que os litigantes regulem eles próprios o seu litígio, o reduzam, o eliminem, resolvam o problema. Quando tal não for possível, o litígio interno deve ser internamente regulado pelos órgãos próprios para tal, aptos a fazê-lo segundo as regras e o ideário maçónicos. Só se, por sua própria natureza, o litígio não puder ser internamente resolvido se deve recorrer às leis e aos tribunais civis. Mas aí não se trata já de um desacordo entre maçons, a se regulado pelas regras maçónicas. Trata-se de um conflito entre cidadãos, a ser dirimido pela estrutura de resolução de conflitos da Sociedade.

Uma última nota, em relação à matéria dos conflitos entre maçons: a Obrigação enfatiza que, mesmo que não seja possível a resolução do conflito por mediação, a sua regulação por decisão dos órgãos maçónicos próprios deve ser feita através de um processo conduzido "sem ira ou rancor", "sem dizer ou fazer algo que prejudique o Amor Fraternal, e que os bons ofícios sejam continuados e renovados".

Parecerá porventura utópica esta recomendação. Se existe litígio, existe desentendimento, interesses divergentes, porventura inconciliáveis. Inevitavelmenteque o conflito implica exaltação, ira, que o conflito de interesses gera rancor, não pode deixar de ser prejudicado o amor fraternal...

Esta visão é errada e decorrente da ausência de vivência maçónica (quem está de fora, por muito que saiba, não vive - e portanto, não sente, não pratica). O maçom aprende a pautar a sua conduta, a praticar, a viver, a respirar, a Tolerância. Tolerância é a admissão dos erros alheios, tal como nós desejamos que os nossos erros sejam admitidos pelos outros.Tolerância é a aceitação natural das divergências, porque se admite que, havendo erro, tanto pode ser do outro, como pode ser nosso. A discussão e troca de pontos de vista, segundo o paradigma da Tolerância treina os maçons para viverem e regularem os conflitos que sobrevenham segundo o mesmo padrão. Se existe um conflito de interesses, obviamente que eu defendo os meus interesses. Mas também admito com naturalidade que o outro defenda os interesses dele. Tem exatamente o mesmo direito que eu. Portanto, não há razão para que nos zanguemos, para que nos exaltemos, para que esqueçamos que somos Irmãos. Conciliamos os nossos interesses, se isso for possível, com o auxílio, a mediação dos outros Irmãos. Se isso não for possível, confiamos a resolução do problema, a decisão de qual o interesse a ser preservado ou em que medida cada um dos interesses deve ser preservado e sacrificado a quem está encarregado de dirimir esses conflitos. E depois o o problema ficou resolvido, é passado, não tem que envenenar a minha relação fraternal n presente e no futuro com aquele com quem tive um conflito de interesses que foi regulado por quem devia regulá-lo. Afinal de contas, a Tolerância manda que se tenha sempre presente que posso estar eu certo e o outro errado, mas também que pode ser o outro quem está certo e eu errado! E, ao longo da vida, muitas vezes estamos certos e muitas vezes estamos errados! O conflito existe para ser resolvido, não para envenenar o relacionamento entre quem o tem...

Pela terceira vez: oxalá todos se comportassem assim!

Uma informação final: ao tempo da Cosntituição de Anderson de 1723, as estruturas de regulação de conflitos entre maçons eram, por ordem hierárquica ascendente, a Loja, a reunião trimestral da Grande Loja e a reunião anual da Grande Loja. A natural evolução dos tempos, dos procedimentos e organizações faz com que, hoje em dia, na maior parte das Obediências Maçónicas já não seja exatamente assim (afinal, discutir conflitos particulares em assembleias pode ser bastante problemático e complicado), tendo-se criado órgãos jurisdicionais internos especializados.

Fonte:

Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, páginas 135-136. 

terça-feira, abril 03, 2012

Vanitas Vanitatum et Omnia Vanitas


Quando me preparei para editar este artigo, muitas e muitas coisas me passaram pela mente. E perguntei a mim mesmo: afinal, o que fazemos na Maçonaria? O que realizamos? Por definição, “A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista”. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins supremos são: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
A vaidade pueril e o sórdido interesse levam os homens pelo nariz, até a morte, este esquecimento definitivo e motejador supremo. O fundo da maior parte das almas é a vaidade. Ora, que é a vaidade? “É o vácuo. Multiplicai os zeros quantas vezes quiserdes, sempre valerão zero; amontoai nadas e a nada chegareis, nada, nada. Nada, eis aí o programa da maioria dos homens”! (Eliphas Levi).
A Maçonaria prega a prática da virtude, mas, infelizmente, existem Irmãos com tamanha vaidade e muito orgulho, como se fosse seu único oxigênio. O maçom que se presa não precisa de autoelogio e nem age de modo tão vaidoso. Isso desmerece as tradições da nossa Sagrada Instituição. Ao autêntico maçom, interessa, apenas, a sua conduta ética. Devemos usar nossos instrumentos simbólicos, que, na verdade, têm como principal tarefa auxiliar-nos em nosso duro trabalho diário de edificadores de Templos, lutando contra os vícios e vaidades e enaltecendo as próprias virtudes. 
Não nos esqueçamos, jamais, de que, como Mestres Maçons, mesmo participando dos Graus Superiores, deveremos entender que o essencial para o verdadeiro maçom é o seu crescimento espiritual, a sua regeneração, a sua vitória sobre a vaidade e os vícios, a aceitação da humildade e o bem que possa fazer aos seus semelhantes, e que a política interna, a proteção mútua, principalmente na parte material, é importante, mas não essencial.
Para sermos Maçons, devemos nos identificar com a nossa Ordem. Os detalhes construtivos serão um trabalho árduo e (por que não dizermos?) demorado. Afinal, não nos aprimoramos de um dia para outro. Para termos um bom aprendizado, devemos nos aprimorar nos Graus que nos foram concedidos.
Quanto mais nos afastarmos dos verdadeiros princípios, mais nos afundaremos em uma construção que, por nossa vontade, deverá ficar velha e empoeirada. Na Maçonaria, redescobrimos, dentro de nós mesmos, uma vontade pura de ser uma pessoa melhor, mas, em nossos templos de iniciados,não sendo construtores de nós mesmos, sentimo-nos perdidos, precisando de ajuda para começar a reforma.

Devemos ser conscientes de que, na verdade, não devemos julgar toda uma sociedade pela ação isolada de um de seus membros. Existem maçons e “maçons”! Embora, após uma indicação, haja uma rigorosa averiguação do indicado, não há como detectar, através dela, a personalidade de cada um! Somos seres humanos, todos nós sujeitos a vários defeitos de caráter. Alguns, algumas vezes, são dominados pela vaidade e prepotência, máxime quando oriundas de um Venerável Mestre, que deveria ser exemplo de serenidade para os demais Obreiros. Não obstante a sociedade maçônica lute contra esses sentimentos, nem sempre seus membros assimilam tais ensinamentos, o, que, realmente, não deveria acontecer!
No sentido prático, atitude, que raramente acontece, para que não haja retaliações maçônicas e profanas, o que qualquer Irmão pode e deve fazer, constatando certas atitudes de Irmãos, é procurar se informar sobre qual a Loja, que ele frequenta, e denunciar sua atitude à Ordem. Comportamentos sórdidos não condizem com a filosofia maçônica e devem ser denunciados, preferencialmente, com provas testemunhais.

A Maçonaria é uma Instituição de princípios morais; somos pessoas do Bem, voltadas somente para o lado das virtudes, a fim de tornar feliz a humanidade, infelizmente, alguns se tornam vaidosos e orgulhosos. Geralmente, trabalhando-se bem os instrumentos simbólicos, com o tempo, aprende-se que ser maçom não faz de ninguém melhor ou pior do que os outros. Aprende-se que ser maçom é aprender eternamente sobre si mesmo, para que, assim, possa tornar-se alguém melhor… mais útil à sociedade!

A Maçonaria, no desejo de manter os seus adeptos sob controle mútuo, adota sinais, palavras, gestos, que nos identifiquem como tal. Tal prática nos coloca numa situação servil. Enquanto a naturalidade desaparece, o sentimento de soberba e vaidade pessoal passa a dominar. Orgulhamo-nos de fazer parte de um grupo seleto de iluminados que se iluminam a si mesmos. Nossa sina como humanos será ter de continuar a acreditar nos outros, na amizade, embora, às vezes, as decepções possam surgir. Mas, se assim não fosse, então, nossas vidas seriam bem mais decepcionantes.
“Vanitas Vanitatum et Omnia Vanitas” (Vaidade das vaidades e tudo é vaidade). Palavras do Eclesiastes sobre o nada das coisas deste mundo, sobre cujo sentido os verdadeiros maçons devem meditar.  
José Valdecir de Souza
Velas
Amarelo
Intelecto, criatividade, unidade, trazendo o poder da concentração e imaginação para o ritual; feitiços que envolvam confidências, atração, charme, persuasão, aprendizagem, quebrar bloqueios mentais. Em geral para estimular os estudos. Simboliza também a energia solar, ação, inspiração e mudanças súbitas. Dia da semana: Domingo.

Dourada ou Amarelo ClaroAtiva a compreensão e atrai as influências dos poderes cósmicos; beneficia rituais para atrair sorte ou dinheiro rapidamente. Simboliza a energia solar. Poderes divinos masculinos, feitiços e rituais para neutralizar a negatividade, encorajar, estabilidade e atrair as influências da Deusa.

AzulEspiritual, para rituais que necessitam de harmonia, luz, paz, sonhos, saúde, magia que envolva honra, bondade, tranqüilidade, verdade, conhecimento, proteção durante o sono, estabilidade no emprego, sabedoria, poder oculto, proteção. compreensão, fidelidade, harmonia doméstica. Dia da semana: Quinta-feira.

Azul-Marinho
Cor da inércia, para parar pessoas ou situações; para rituais que necessitam de um elevado estado de meditação, neutraliza a magia lançada por alguém, quebra maldições. mentira ou competição indesejada. Energia de Saturno.

Azul RoyalPromover alegria e jovialidade; use para atrair energia de Júpiter ou para qualquer energia que você queira potencializar.

Azul ClaroCor espiritual; ajuda nas meditações de devoção e inspiração; traz paz e tranqüilidade para casa para casa. Erradia a energia do signo de aquário, sintetiza as situações.

BrancoAlinhamento espiritual, meditação, divinação, exorcismo, feitiços que envolvam cura, paz, pureza, alto astral, consagração, clarividência, verdade, força espiritual, energia lunar, limpeza, saúde, poder, totalidade. Em geral para todos os pedidos e quando você não souber a cor correspondente para o seu pedido. Dia da semana: Quarta-feira.

LaranjaFeitiços para estimular energia, alcançar metas profissionais, justiça, sucesso. Em geral para a criatividade.

MarromFeitiços para localizar coisas perdidas, para melhorar os poderes de concentração e telepatia, proteção de familiares e animais domésticos. equilíbrio para rituais de força material, elimina a indecisão, estudo e sucesso financeiro.
PretaPara afastar mau olhado, limpar a negatividade, abre os níveis do inconsciente, usado em rituais para induzir um estado de meditação, simboliza a reversão, desdobramento, discórdia, proteção, libertação, repelindo a magia negra e as formas mentais de energia negativa. Atrai a energia de Saturno; Representa a Deusa.

Púrpura ou roxaManifestações psíquicas, cura e feitiços envolvendo poder, idealismo, progresso, quebra de má sorte, proteção, honra, afastar o mal, adivinhação, contato com entidades astrais. Energia de Netuno. Dia da semana: Quarta-feira.

VerdeFeitiços que envolvam fertilidade, sucesso, sorte, rejuvenescimento, dinheiro, ambição, saúde, finanças, cura, crescimento, abundância, generosidade, casamento, equilíbrio e harmonia. Em geral para os desejos de cura e sorte.

Verde EsmeraldaImportante componente num ritual venusiano, atrai amor, fertilidade e relação social.

Verde EscuroAmbição, ciúme, cobiça, inveja, coloca as influências dessas forças em um ritual.

VermelhoSaúde, energia, potência sexual, paixão, amor, fertilidade, força, coragem, vontade de poder, aumento do magnetismo em um ritual, energia dos signos Áries e Escorpião.

CinzaCor neutra, ajuda a meditação, na magia, esta cor simboliza confusão, mas também neutraliza as forças negativas.

Prateada ou Cinza ClaraFeitiços que atraem o poder de influências cósmicas, rituais de honra e deidades do sol, remove a negatividade e encoraja a estabilidade, ajuda a desenvolver as habilidades psíquicas. Atrai a energia da Grande Mãe. Vitória, meditação, poderes divinos femininos

A CERA
Adivinhação por meio do uso da cera de velas é um aspecto da magia de Fogo que utiliza as faculdades de iluminação do fogo para iluminar o futuro. As técnicas e preparativos são simples, e os resultados são surpreendentemente úteis.
A seguir, duas técnicas de leitura de vela ou de cera: os métodos de pingos e de derretimento. Ambos têm seus benefícios e pontos fracos.
O método do pingo de vela é o mais simples, mas os resultados são normalmente difíceis de ser interpretados, e é necessário muito treino para conseguir leituras objetivas.
O método de derreter a cera normalmente oferece bons resultados, mas é preciso derretê-la antes, o que pode ser não só trabalhoso como também perigoso, se não forem tomadas precauções. Como a cera, de abelha ou de petróleo, é exorbitantemente cara atualmente, este é outro ponto a ser levado em consideração. No entanto, a forma criada pela cera derretida é surpreendentemente fácil de entender e, portanto, vale a pena.
Eis os dois métodos.

Métodos dos Pingos de Vela
Para tal será necessária uma boa quantidade de velas longas (20 cm ou mais) com as quatro cores básicas dos elementos - verde, amarelo, vermelho e azul. Uma destas é necessária para qualquer consulta. Você precisará também de um vaso largo, redondo ou quadrado, cheio de água fria. Este vaso pode ser de qualquer material mas prefira cerâmica ou vidro, pois podem suportar calor. Não se recomenda plástico.
Ponha as velas, uma caixa de fósforo e o vaso com água numa mesa ou outra superfície plana. Você está pronto para começar a adivinhação com cera.
Se tiver uma questão com particular a ser respondida, use a vela de cor relacionada à sua questão, utilizando o simbolísmo dos elementos. Se a pergunta não parece relacionada a qualquer dos elementos, use uma vela branca.
Se não tiver nenhuma pergunta mas deseja apenas uma antevisão de seu próprio futuro, use uma vela amarela, pois essa é a cor da adivinhação em geral.
Acenda a vela e segure-a acima da água por alguns momentos pensando em sua pergunta ou simplesmente clareando sua mente.
Quando a vela estiver completamente acesa e começar a derreter a cera, incline-a e segure-a nessa posição cerca de 2,5 cm acima da superfície da água.
A cera começará a pingar sobre a água.
Se as pequenas gotas (as quais se solidificam em pequenos semicírculos de cera, chatas na parte superior mas redondas na inferior) não se juntarem e criarem um padrão, você não está se concentrando na pergunta. Afaste as demais coisas de sua mente.
As gotas de cera formarão um padrão na superfície da água.
Se estiver difícil, comece a mover a vela vagarosamente, permitindo que as gotas se toquem e formem uma linha na água. Se acontecer isso por alguns minutos, certamente um padrão se formará na água. Assim, apague a vela com seus dedos ou um abafador de velas e deixe-a de lado. Olhe para a forma. Com o que se parece? Pegue-a cuidadosamente para não quebrar e vire-a ao contrário. Parece a mesma coisa ou está diferente? Estude sua espessura para ver se lhe diz algo simbolicamente.
Aqui estão algumas formas e padrões comumente encontrados no método de pingar a cera e seus tradicionais significados. Como pode observar, esta forma divinatória é bem limitada.

Espirais: As mais comuns, devido à maneira de a cera girar na superfície da água, as espirais representam reencarnação, o Universo, o mundo ou, talvez, uma vida em particular. Pode significar que você deva evoluir para além dela, ou que seja algo de uma vida anterior. Talvez, dependendo da natureza da questão, o problema (ou sua solução) esteja em sua casa. Este é um excelente exemplo de como a interpretação deve ser pessoal; ninguém mais pode dizer exatamente como esses símbolos se relacionam com você. Normalmente, o primeiro significado a surgir em sua mente é o correto.

Círculos: Representam a eternidade e a fertilidade, e estes dois atributos podem ser interpretados de acordo com a questão. Fertilidade pode representar uma nova atividade, segurança, financeira, ou mesmo um novo bebê a caminho! Pode também significar a conclusão bem-sucedida de um projeto. A eternidade significa exatamente isso - levará muito tempo até que algo aconteça ou passe. Os círculos representam também religião e espiritualidade, e assim podem ser encarados neste contexto durante a interpretação.

Linhas Interrompidas: se as gotas de cera formam linhas sem conexão, isto representa má distribuição de energias, ou uma falta de objetividade em sua vida, negócios ou buscas. Pode também significar forças trabalhando contra você, mas não leve isso ao pé da letra; tais "forças" podem muito bem estar dentro de você. Este não é um padrão positivo, pois é um sinal de que mudanças devem ser efetuadas para trazer ordem à sua vida.

Pontos: Gotas soltas de cera por vezes são o máximo que você consegue. Como já dito, isto por vezes significa falta de atenção à adivinhação, mas pode também significar que o problema é por demais complexo para ser respondido agora. Se tentar a adivinhação com cera diversas vezes com apenas pontos como resultado, ou você está formulando a questão errada ou, se não tiver formulando nenhuma, você não deveria tentar antever seu futuro agora, pelo menos não por meio da cera e da água. Seria aconselhável deixar as velas e a água de lado e tentar um método diferente.

Adivinhação por Derretimento de Cera
Este método leva tempo mas, com já dito, é normalmente mais eficaz.
Você precisará de uma panela para banho-maria. Coloque cerca de uma xícara de cera sólida picada na panela interna. Podem-se obter placas de cera em lojas de hobbies e artesanato, e parafina também funciona. Cera de abelha é a mais indicada, mas é muito cara.
A cera deve ser branca. Adicionar cores não apenas torna mais caro, como também aumenta o trabalho.
Encha a panela inferior até um terço com água e coloque a outra panela dentro dela. Aqueça até ferver. A cera deve começar a derreter quase imediatamente. Ao lado do fogão, deixe uma caixa de bicarbonato de sódio, caso a cera pegue fogo. A probabilidade de isso acontecer com banho-maria é pequena, mas esteja preparado.
Enquanto a cera derrete, encha um vaso com água como indicado no primeiro método. Após derreter, remova cuidadosamente a panela com cera com pegadores de panela e leve-a até o vaso de água. Enquanto se concentra em sua questão (ou limpa sua mente), derrame rapidamente, de uma só vez, metade da cera na água. Devolva a panela ao banho-maria e apague o fogo. Volte à mesa e observe a imagem de cera que acabou de criar.
Se ainda não estiver sólida, aguarde. Afunde-a em seguida completamente na água, para firmar a cera, e remova-a a seguir.
O impacto da cera derretida na água e seu súbito endurecimento terá criado um objeto tridimensional sólido. Por vezes é pouco mais que abstrato, em outras vezes é muito bem definido.
Observe a peça por alguns instantes, virando-a em suas mãos, buscando sua identidade. Quando tiver reconhecido uma forma, interprete-a.
Como qualquer arte oculta, especialmente a adivinhação, você melhorará com o treino.
Você deixou metade de cera em banho-maria, certo? Atire-a na água para criar uma nova forma. As duas podem ser interpretadas em conjunto se a mesma questão - ou falta delas - for perguntada a cada vez, e isso fortalecerá seu campo de símbolos.

domingo, abril 01, 2012

Os 10 maiores mistérios da evolução humana

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Teóricos antigos, Charles Darwin, a genética e a ciência moderna ainda não foram capazes de solucionar completamente os mistérios relacionados à nossa evolução. Existe sólido conhecimento produzido sobre os conceitos de evolução, mas o senso comum ainda desconhece a maior parte deles. Confira uma lista com dez destes pontos obscuros.
10 – Por que não somos mais parecidos com os macacos?

Coloque lado a lado o DNA do homem e o do chimpanzé e você descobrirá que existe uma diferença de pouco mais de 1% entre nós e eles. Até as cadeias de cromossomos de ratos e camundongos, por exemplo, têm menos em comum entre si do que nós e os outros primatas. Apesar disso, somos muito diferentes.
A principal razão para isso é a própria genética. Quando se trata de cadeias de DNA, uma ínfima mudança de ordem pode incorrer em uma grande alteração no fenótipo. Apenas 1% difere entre chimpanzés e humanos, mas estas alterações se espalham por 80% dos nossos cerca de 30 mil genes. Dessa maneira, fica fácil haver duas espécies completamente distintas.
9 – Por que nos tornamos bípedes?

Os ancestrais do homem são bípedes há muito mais tempo do que se imagina. Darwin sugeriu que o ser humano passou a caminhar sobre duas pernas com o intuito biológico de deixar as mãos livres para a confecção de ferramentas. Cientistas posteriores, no entanto, derrubaram essa tese ao afirmar que o bipedalismo é 4 milhões de anos mais antigo que as primeiras ferramentas, logo, uma coisa está desvinculada da outra.
Um exame evolutivo mais apurado, feito por vários pesquisadores, mostra que há várias razões para que nós tenhamos deixado de ser quadrúpedes. Em parte, pode haver vínculo com a velha seleção natural, em que os bípedes levavam vantagem entre brigar melhor, economia de energia ao se movimentar, etc. O bipedalismo teria começado em árvores ou outros ambientes em que os quadrúpedes precisam de maior habilidade de locomoção.
8 – Por que o desenvolvimento tecnológico foi tão lento?

Uma descoberta relativamente recente (há cerca de duas décadas), em Afar, na Etiópia, mudou o modo como os cientistas enxergam a evolução dos instrumentos manuais. Lascas de pedra neste local foram datadas de 2,6 milhões de anos, muito mais antigamente do que se imaginava. A nova questão a intrigar os pesquisadores passou a ser o motivo de a revolução tecnológica seguinte levar tanto tempo para acontecer.
Uma das razões foi o lento amadurecimento do sistema nervoso central. Nos dois milhões de anos posteriores ao aparecimento das primeiras ferramentas, o cérebro humano dobrou de volume, atingindo 900 centímetros cúbicos. Entre os ganhos neste aumento, incluem-se as capacidades motoras, o que propiciou a evolução.
7 – Quando desenvolvemos a linguagem?

Anatomicamente falando, o Homo sapiens não foi a única espécie do mundo a ter habilidade para a fala. Os Neandertais tinham língua e estrutruras vocais e respiratórias próprias para a função de se comunicar, e indícios apontam para a existência de fala na espécie há cerca de 500 mil anos. O pontapé inicial da comunicação pode estar por volta desta época.
Apesar de não propriamente falarem, no entanto, hominídeos que teriam vivido na Terra algumas centenas de milhares de anos antes já gesticulavam. Ainda antes da fala em si, seu corpo já apresentava um órgão primitivo que se assemelhava a uma “caixa de voz”, e permitia a emissão de sons altos.
6 – Por que nosso cérebro é tão grande?

Alguns primatas, durante sua linha evolutiva, desenvolveram fortes músculos na mandíbula. Isso amplia a pressão sobre o crânio, inibindo o desenvolvimento físico do cérebro. O ancestral do ser humano, há cerca de dois milhões de anos, tomou o sentido contrário: uma mutação genética favoreceu o crescimento do cérebro.
Pouca gente imagina, mas um cérebro bem desenvolvido é literalmente faminto, ou seja, foi preciso que os hominídeos desenvolvessem uma dieta mais rica em vários nutrientes (derivados da carne, inclusive) para ampliar o próprio potencial.
5 – Por que somos pelados?

Uma ideia já levantada para o fato de os hominídeos terem perdido os pelos foi o fato de entrarem mais na água (em rios e lagos). Com a mudança de adaptação à temperatura externa, teríamos perdido a necessidade de tanta “cobertura”. A teoria mais aceita, no entanto, defende que nos livramos dos pelos porque estávamos superaquecendo, e não nos resfriando.
Enquanto nos restringimos a florestas tropicais, onde a temperatura é amena devido à cobertura vegetal, ser peludo não era problema. Mas a partir do momento em que nossos ancestrais passaram a habitar áreas abertas e com a mesma alta temperatura, o único artifício para resfriamento corporal era o suor. Nesta etapa, os pelos se tornaram um entrave evolutivo, e foram pouco a pouco descartados.
4 – Como aconteceu nossa diáspora?

Já é famosa a postulação de que os hominídeos partiram da África em direção a outras regiões do planeta. Há cerca de 1,8 milhões de anos houve ancestrais na Ásia e há uns 800 mil na Europa, mas estas espécies primitivas foram extintas. O ser humano se expandiu a partir do continente africano há cerca de 65 mil anos, um feito inédito para qualquer espécie animal.
Uma das explicações para a diáspora foi a instabilidade climática que a África vivenciava naquela época. O que estimulou o crescimento populacional foram as conquistas materiais dos hominídeos, tais como o domínio do fogo e tecnologias rudimentares de defesa, transporte e obtenção de alimento. O fato de andar, conforme explicam os cientistas, não era suficiente. Era preciso saber transformar os novos ambientes conquistados.
3 – Alguns humanos podem ser “híbridos”

A ideia de que todos os humanos de hoje possuem uma genética descendente de um ancestral único parece ser um erro. Estudos recentes mostram que os melanésios (etnia que habita ilhas no Pacífico Sul) têm 7% dos genes derivados do Hominídeo de Denisova, espécie primitiva descoberta recentemente, que teria sido extinta na região onde hoje está a Sibéria, na Rússia.
Isso significa que diferentes espécies ancestrais do homem teriam acasalado entre si, e algumas diferenças de DNA permanecem até hoje. Dessa maneira, a grosso modo, nem todos seríamos completamente Homo sapiens. Mas estas teorias nunca foram completamente confirmadas e ainda enfrentam grande contestação da comunidade científica.
2 – Ainda há outros hominídeos vivos hoje?

Provavelmente não. Embora haja lendas tais como o “Pé Grande” ou o Iéti (abominável homem das neves), de criaturas que lembram humanos, nada passou perto de ser comprovado. As supostas pegadas do Pé Grande (que habitaria a América do Norte), por exemplo, parecem ter sido simplesmente impressas por ursos, de acordo com pesquisas recentes.
Apesar disso, alguns sinais apontam para a ideia de que certas espécies coexistiram com o Homo sapiens mesmo depois que ele já havia superado os estágios evolutivos e as espécies primitivas “clássicas”, como o Homo erectus, já estavam extintas há muito tempo. Uma delas, o Homo florensis, foi descoberta da Ilha de Flores, na Indonésia, e teria vivido há até 18 mil anos atrás.
1 – Nós matamos os Neandertais?

Aparentemente, a culpa para a extinçao dos Neandertais recai justamente sobre os ancestrais do Homo sapiens moderno. Os Neandertais teriam se instalado há mais de cem mil anos em cavernas da Rocha de Gibraltar, na Espanha, e de lá se espalharam pela Europa e Ásia. Quando chegou a nossa vez de se expandir a partir da África, no entando, teríamos levado doenças que dizimaram pouco a pouco os Neandertais, até sua extinção há cerca de 24 mil anos.
O cérebro deles, conforme apontam os estudos, era de tamanho semelhante ao nosso. O que determinou nossa “vitória” sobre eles na face da Terra, no entanto, teria sido diferentes atribuições da massa cerebral: enquanto eles dedicavam boa parte a habilidades como a visão noturna, nosso cérebro foi programado para tarefas mais versáteis em termos de adaptação. Dessa maneira, eles sucumbiram.[NewScientist]

La Heresia dos Cataros  por Wayne Purdin 15 Febrero 2014 Este artículo apareció en, New Dawn Nº 113 (marzo-abril 2009) d el Sitio Web NewDaw...