Espaço oportunizado para aquele cuja a mente é inquieta e busca ir mais longe no conhecimento, sem reservas de qualquer natureza. M. Aesculapius
quarta-feira, agosto 15, 2012
terça-feira, agosto 14, 2012
Janus à espreitaMário Sérgio Cortella
Na religião romana da Antiguidade, há um deus chamado Janus, sempre representado por uma cabeça com dois rostos opostos, de modo a olhar para a frente e para trás; essa divindade era considerada protetora dos começos, isto é, da hora inicial do dia e do primeiro mês do ano (Januarius), pois abria e fechava todas as coisas e guardava o passado (ano findante) e o futuro(ano novo).
Para poder proteger inícios e términos vitais, o francês Marcel Proust publicou, nas primeiras décadas do século 20 (usando primeira pessoa e produzindo um monólogo interior em 16 volumes!), uma das mais importantes obras de toda a literatura: "Em Busca do Tempo Perdido". É provávelque o escritor quisesse viver no romance aquilo em que acreditava, ao afirmar que "certas recordações são como os amigos comuns: sabem fazer reconciliações".
Recordações! Olhar para trás e reconciliar-se com o futuro! É claro que o fundamental não é procurar o tempo perdido, mas, isto sim, aquilo que no tempo se perdeu e não deveria tê-lo feito. Lembramoso que já se foi para orientar o desejo daquilo que deve vir. No entanto a maior parte das pessoas em nossa época vem-se preocupando mais com as metas (que são pontos de chegada) do que com os princípios (que são pontos de partida).
Quais deveriam ser, então, os nossos valores? Garantir a integridade da vida, promover asinceridade das relações interpessoais, realizar a lealdade fraterna e fortalecer a fidelidade ao solidário? Os valores são exatamente os princípios (os começos protegidos por Janus...) e constituem o amálgama que agrega e orienta as atitudes individuais para a efetivação das intençõese finalidades de uma coletividade; valores são referências de conduta (grupal e pessoal) em torno das quais um coletivo compreende e legitima o exercício de suas atividades conjuntas; valores representam a possibilidade de convergência honesta dos propósitos usualmente dispersos na convivência multifacetada e, quando apropriados (tornados próprios) por cada um, diminuem orisco de artificializar e retirar autenticidade dos contatos presentes no cotidiano.
Assim caminha a humanidade... Caminha em conjunto? Caminha camuflada e amedrontada? Caminha agora mais sozinha do que antes? Caminha em direção ao outro? Basta um exemplo abem recordar: há poucas décadas, independentemente do tamanho da cidade, quando alguém,tarde da noite, saía a pé de algum lugar (trabalho, escola, igreja, clube etc) e caminhava só em direção ao próprio lar, ouvir passos de outra pessoa representava um certo alívio: Agora vou ter companhia! E os dois seguiam andando juntos... Hoje, quando, na mesma circunstância, são ouvidos ruídos humanos, já se pensa: meu Deus do céu, vem vindo alguém...O que aconteceu? Que princípio foi violentado? Antes o outro era até um amparo; tínhamos medo, quando muito, de alma de outro mundo. De que se tem medo agora? Do outro, porque, em vez deser alguém que pode nos proteger, é eventual ameaça feroz !
No século anterior ao de Proust, o poeta inglês George Gordon Byron nos desafiava, dizendo que"a recordação da felicidade já não é felicidade; a recordação da dor ainda é dor".Por isso é preciso reviver o relato inserido no princípio da Bíblia judaico-cristã, no qual há umtrecho conhecido (e muito esquecido). Logo após a narrativa do primeiro assassinato e do consequente estilhaçamento original da fraternidade (a ser refeita), o Criador procura o criminoso, que, cinicamente, alega isenção."O Senhor disse a Caim: 'Onde está o teu irmão Abel?''Não sei' _respondeu ele_ "Serei eu o guarda de meu irmão?'. "
Pergunta e resposta continuam ecoando nestes novos recomeços...
segunda-feira, agosto 13, 2012
AS CONDIÇÕES PARA A INICIAÇÃO
Voltando agora a questão das condições da iniciação, e diremos em primeiro lugar, ainda que possa parecer evidente, que a primeira destas condições é uma certa aptidão ou disposição natural, sem a qual, todos os esforços seriam em vão, pois o indivíduo não pode indiscutivelmente desenvolver senão as possibilidades que tem nele desde a origem; esta aptidão, que faz o que alguns chamam o "iniciável", constitue propriamente a "qualificação" requerida por todas as tradições iniciáticas (23).
Esta condição é, por demais, a única comum, em certo sentido, à iniciação e ao misticismo, pois está claro que o místico deve ter, ele também, uma disposição natural especial, ainda que completamente diferente da do "iniciável", inclusive oposta a ela em muitos aspectos; porem esta condição, para ele, ainda que igualmente necessária, é de sobra suficiente; não tem nenhuma outra que se deva adicionar, e as circunstâncias fazem o resto, fazendo passar o seu capricho da "potência" ao "ato" tal ou qual possibilidades que comporte a disposição de que se trata.
Este resulta diretamente do caráter de "passividade" do que temos falado: não poderia, com efeito, em tal caso, tratar-se de um esforço ou de um trabalho pessoal qualquer, que o místico jamais efetuará, e do qual deverá inclusive resguardar-se cuidadosamente, como de algo que estivera em oposição com sua "via" (24), enquanto que, pelo contrário, no relativo a iniciação, e em razão de seu caráter "ativo", um trabalho tal constitue outra condição não menos estritamente necessária que a primeira, e sem a qual o passo da "potência" ao "ato", que é propriamente a "realização", poderia de nenhum modo cumprir-se (25).
Contudo, isto não é todavia tudo: não temos feito em suma mais que desenvolvera diferença, exposta a princípio, entre a "atividade" iniciática e a "passividade" mística, para extrair a consequência de que, para a iniciação, há uma condição que não existe, e que não poderia existir, no que concerne ao misticismo; porém ainda há outra condição não menos necessária da qual temos falado, e que se situa em qualquer caso entre aquelas que estão postas em tela de juízo.
Esta condição, sobre a qual é preciso por outra parte insistir em que os ocidentais, em geral, são demasiado dados a ignora-la ou a desconhecer sua importância, e inclusive, verdadeiramente, a mais característica de todas, a que permite definir a iniciação sem equívoco possível, e não confundi-la com qualquer outra coisa; por ela, o caso da iniciação está muito mais delimitado do que poderia ser o do misticismo, para o qual não existe nada dele.
É a miúdo difícil, se não de todo impossível, distinguir o falso misticismo do verdadeiro; o místico é, por definição, um isolado e um "irregular", e muitas vezes ele mesmo não sabe o que é verdadeiro; e o feito de que não se trata do conhecimento no estado puro, senão que inclusive o que é conhecimento real está sempre influindo por uma mistura de sentimento e de imaginação, faz com que estes longe de simplificar a questão; em todo caso, há algo que escapa a todo controle, o que poderíamos expressar dizendo que não há para o místico nenhum "meio de conhecimento" (26).
Se poderia dizer também que o místico não tem "genealogia", que não é tal destino por uma sorte de "geração espontânea", e cremos que estas expressões são fáceis de compreender sem necessidade de mais explicações; então, como se pode afirmar sem nenhuma dúvida que um é autenticamente místico e que o outro não é, quando sem dúvida todas as aparências podem ser sensivelmente as mesmas? Pelo contrário, as falsificações da iniciação sempre podem ser detectadas infalivelmente pela ausência da condição a que temos aludido, e que não é outra que a adesão a uma organização tradicional regular.
Há ignorantes que se imaginam poder "iniciar-se" a si mesmos, o que é de qualquer maneira uma contradição no final; esquecem, se é que alguma vez o tenham sabido, que a palavra initium significa "entrada" ou "começo", confundem o fato mesmo da iniciação, entendida no sentido estritamente etimológico, com o trabalho a realizar posteriormente para que esta iniciação, de virtual que tem sido em um princípio, se transforme mais ou menos em plenamente efetiva.
A iniciação, assim compreendida, é o que todas as tradições concordam em designar como o "segundo nascimento"; como poderia um ser atuar por si mesmo antes de haver nascido? (27).
Bem sabemos o que se nos poderá objetar a ele: se o ser está verdadeiramente "qualificado", já leva nele as possibilidades que se propõe a desenvolver; porque, se ele é assim, não poderia realizá-las mediante seu próprio esforço, sem nenhuma intervenção exterior? Isto é, de fato, algo que está permitindo considerar teoricamente, a condição de conceber -se como o caso de um homem "duas vezes nascido" desde o primeiro momento de sua existência individual; porem, se não tem ele uma impossibilidade de princípio, não há menos uma possibilidade de fato, no sentido em que isto é contrário a ordem estabelecida para nosso mundo. A menos em suas condições atuais.
Não estamos na época primordial em que todos os homens possuíam normal e espontaneamente um estado que hoje em dia é somente adquirido em um alto grau de iniciação(28); e, por outra parte, para dizer a verdade, o nome mesmo de iniciação, em uma época semelhante, não podia ter nenhum sentido.
Estamos no Kali-Yuga, é dizer, em um tempo em que o conhecimento espiritual se encontra oculto, e de onde somente uns poucos podem todavia alcança-lo, desde que se situem nas condições requeridas para obtê-lo; nesse instante, uma destas condições é precisamente aquela da qual temos falado, assim como outra é o esforço do qual os homens das primeiras épocas não tinham necessidade alguma, já que o desenvolvimento espiritual se cumpria neles tão naturalmente como o desenvolvimento corporal.
Se trata então de uma condição cuja necessidade se impõe em conformidade com as leis que regem nosso mundo atual; e para fazermos compreender melhor, podemos recorrer aqui a uma analogia: todos os seres que se desenvolveram no curso de um ciclo estão compreendidos desde o princípio, em estado de germens sutis, no "Ovo do Mundo"; então, porque não surgiram ao estado corporal por si mesmo, sem pais? Não é isto uma impossibilidade absoluta, e pode conceber-se um mundo em que ocorra assim; porém, com efeito, esse mundo não é nosso.
Nos reservamos, por suposição, a questão das anomalias; pode ser que existam casos excepcionais de "geração expontânea", e, na ordem espiritual, temos aplicado até agora esta expressão no caso do místico; porem também temos dito que este é um "irregular", enquanto que a iniciação é algo essencialmente "regular", que nada tem haver com as anomalias.
Todavia faltaria por saber exatamente até onde podem estas chegarem; deve, também, ajustar-se em definitivo a alguma lei, pois todas as coisas não podem existir senão como elementos de ordem total e universal.
Só isto, si se quisera refletir, poderia bastar para fazer pensar que os estados realizados pelo místico não são precisamente os mesmos que os do iniciado, e que, se sua realização não está submetida as mesmas leis, é que efetivamente se trata de algo diferente; porem agora podemos deixar por completo de lado o caso do misticismo, sobre o qual já temos falado bastante para o que nos proporíamos estabelecer, para não considerar exclusivamente mais que o da iniciação.
Nos falta com efeito precisar o papel da adesão a uma organização tradicional, que não poderia , hipoteticamente, dispensar de nenhum modo do trabalho interior que não pode cumprir cada um senão por si mesmo, porém que é necessária, como condição prévia, para que este mesmo trabalho possa efetivamente dar seus frutos.
Deve permanecer compreendido, desde e agora, que os que se tem constituído em depositários do conhecimento iniciático, não pode comunicá-lo de uma maneira mais ou menos comparável a um professor, no ensino profano, comunica a seus alunos fórmulas livres que devem armazenar em sua memória; se trata aqui de algo que, em sua própria essência, é propriamente "incomunicável", já que são estados a realizar interiormente.
O que pode ensinar-se são unicamente os métodos preparatórios para a obtenção destes estados; o que pode ser proporcionado exteriormente a este respeito é em suma uma ajuda, um apoio que facilite enormemente o trabalho a cumprir, e também um controle que separe os obstáculos e os perigos que possam se apresentar; todo ele está muito distante de ser depreciável, e quem se ver privado disto, correria o risco de desembocar em um fracasso, porém isto justificaria completamente o que temos dito quando falamos de uma condição necessária.
De modo que não é isto o que tínhamos em vista, ao menos de maneira imediata; todo ele não intervém senão secundariamente, e em qualquer caso a título de conseqüências, traz a iniciação entendida em seu sentido mais estrito, tal como temos indicado, e desde o momento em que se trata de desenvolver efetivamente a virtualidade que ela constitue; porem ainda é preciso, antes de tudo, que esta virtualidade preexista.
É então outra coisa o que deve se entender por transmissão iniciática propriamente dita, e não poderíamos caracteriza-la melhor que dizendo que esta é essencialmente a transmissão de uma influência espiritual; devemos voltar sobre ela mais amplamente, porem, no momento, nos limitaremos a determinar mais exatamente o papel que desempenha esta influência, entre a aptidão natural propriamente inerente ao indivíduo e o trabalho de realização que a continuação se efetuará.
Temos assinalado em outro lugar que as fases da iniciação, igual que as da "Grande Obra" hermética que não é no fundo senão uma de suas expressões simbólicas, reproduzem as do processo cosmogônico (29); esta analogia, que se funda diretamente sobre a do "microcosmos" com o "macrocosmos", permite, melhor que toda outra consideração, aclarar a questão que atualmente tratamos.
Pode dizer-se, com efeito, que as atitudes ou possibilidades incluídas na natureza individual não são em princípio, em si mesmas, mais que uma matéria prima, é dizer, uma pura potencialidade, na qual não tem nada desenvolvido ou diferenciado (30); é então o estado caótico e tenebrosos, que o simbolismo iniciático faz precisamente corresponder com o mundo profano, e no qual se encontra o ser que todavia não tem alcançado o "segundo Nascimento".
Para que este caos possa começar a tomar forma e a organizar-se é preciso que uma vibração inicial o seja comunicada pelas potências espirituais, a que o Gênesis hebreu designa como os Elohim; esta vibração é o Fiat Lux que ilumina o caos, que constitue o ponto de partida necessário para todos os desenvolvimentos posteriores; e sob o ponto de vista iniciático, esta iluminação está precisamente constituída pela transmissão da influência espiritual da que temos falado (31).
Desde então, e em virtude desta influência, as possibilidades espirituais do ser não são a simples potencialidade que antes eram; se transformam em uma virtude disposta a desenvolver-se em ato nos diversos estágios da realização iniciática.
Podemos resumir tudo o que precede dizendo que a iniciação implica três condições que se apresentam em forma sucessiva, e que se podiam fazer corresponder respectivamente com as três conclusões de "potencialidade", "virtualidade" e "atualidade": 1°, a "qualificação", constituídas por certas possibilidades inerentes a natureza própria do indivíduo, e que são a matéria prima sobre a qual o trabalho iniciático deverá se efetuar; 2°, a transmissão, por meio da adesão a uma organização tradicional, de uma influência espiritual que dá ao ser a "iluminação" que o permitirá ordenar e desenvolver as possibilidades que leva a ele; 3°, o trabalho interior pelo qual, com o auxilio de "ajudantes" ou "suportes" exteriores, se tem lugar e especialmente nos primeiros estágios, o desenvolvimento será realizado gradualmente, fazendo passar a ser, de escalão em escalão, através dos diferentes graus da hierarquia iniciática, para conduzi-lo ao objetivo final da "Liberação" ou da "Identidade Suprema".
NOTAS DE TRADUÇÃO
23. Se verá por outra parte, através dos estudos especial que faremos na continuação acerca da questão das qualificações iniciáticas, que este tema apresenta na realidade aspectos muito mais complexos de que se podia crer em um primeiro momento se nos atermos a noção geral que damos aqui.
24. Também os teólogos vêm divertidamente, e não sem razão, um "falso místico" naquele que busca, mediante um esforço qualquer, obter visões ou outros estados extraordinários, limitando-se inclusive este esforço a manutenção de um simples desejo.
25. Resulta dele, entre outras consequências, que os conhecimentos de ordem doutrinal, que são indispensáveis para o iniciado e cuja compreensão teórica é para ele uma condição prévia a toda "realização", podem faltar por completo no místico; daqui provem frequentemente, entre estes, aparte da possibilidade de erros e de confusões múltiplas, uma estranha capacidade de se expressar inteligivelmente. Deve ficar claro, por outra parte, que os conhecimentos de que se trata não tem absolutamente nada que ver com tudo que é senão instrução exterior ou "saber" profano, que tem aqui um valor nulo, como seguidamente explicaremos, e que inclusive, dado o que é a educação moderna, seria bem mais um obstáculo que uma ajuda na maior parte dos casos; um homem pode muito bem não saber nem ler, nem escrever, e alcançar sem dificuldade os mais altos graus da iniciação, e tais casos não são extremamente raros no Oriente, enquanto que há "sábios" e inclusive "gênios", segundo a maneira de ver do mundo profano, que não são "iniciáveis" em nenhum grau.
26. Não entendemos por ele palavras ou sinais exteriores e convencionais, pois estes não são na realidade senão a representação simbólica da tais meios.
27. Recordemos aqui o elementar adágio escolástico: "para construir, é preciso ser".
28. Ver L'Esoterisme de Dante, especialmente p.p. 63-64 e 94. Não é preciso dizer que não é, rigorosamente falando, uma matéria prima senão em sentido relativo, não no sentido absoluto; porém esta distinção não é importante desde o ponto de vista em que aqui nos situamos, e por outra parte, é igual a matéria prima de um mundo como o nosso, que, estando já determinada de certa forma, não é na realidade, com respeito a substância universal, senão uma matéria secundária (Cf. Le Règne de la Quantité et les signes des Temps, cap. II), de maneira que, inclusive debaixo desta relação, a analogia com o desenvolvimento de nosso mundo a partir do caos inicial é realmente exata.
31. Daqui vem a expressão como "dar a luz" e "receber a luz", empregadas para designar, com respeito ao iniciador e ao iniciado respectivamente, a iniciação no sentido restrito, é dizer, a transmissão mesma da que se trata aqui. Se notará também, no que concerne aos Elohim, que o número setenário que se lhes atribui está em relação com a constituição das organizações iniciáticas, que deve ser efetivamente uma imagem da própria ordem cósmica. "
quinta-feira, agosto 09, 2012
Oração ao G.´.A.´.D.´.U.´.
Ó! Grande Arquiteto do Universo, cuja luz se traduz no esplendor do sol e cuja energia produz vida em todos os seres,
irradia-me com tua chama sagrada.
Arrojo-me a participar dos teus mistérios, porém necessito da tua força, preciso da tua beleza.
Me desperta para a vida, para que eu saia da zona de sombra.
Estende o meu olhar para que eu possa ver a luz do saber, da mesma forma que meus olhos contemplam
o purpúreo do pôr-do-sol.
Faze-me sábio, assim poderei compreender melhor os mistérios
que ensinaste aos meus Irmãos.
Prudente, serei capaz de contribuir com a realização do todo.
Anseio pelo saber, não para seguir as pegadas dos Mestres,
mas para procurar o que eles procuraram.
Faze-me forte para que eu possa, com as próprias mãos, desbastar minha “Pedra Bruta” e cavar masmorras ao vício, e com arrojo
E coragem ingressar na senda da virtude.
Busco tua força, não para superar meus Irmãos, mas para estar
apto a lutar contra o maior dos meus inimigos – eu mesmo.
Faze-me belo, para que eu seja a mudança que tu desejas ver no mundo, enche meu coração de Luz e poesia,
assim poderei embelezar minhas ações e ungir meu
espírito com a essência do amor fraterno.
Aspiro tua forma, não pela virtude dos gestos,
mas para que eu possa revelar meu Mestre Interior.
Faze-me justo e perfeito para que eu chegue a ti com a mente clara, as mãos limpas e o olhar sincero.
E quando a chama da vida em meu corpo se apagar,
como se apaga o sol ao final de cada dia, possa o meu espírito olhar para ti, sem qualquer mácula ou vergonha.
Assim seja!
quarta-feira, agosto 08, 2012
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Na Grande Loja ninguém pode actuar como Vigilante senão os Grandes-Vigilantes, se presentes; se ausentes, o Grão-Mestre, ou quem presidir em seu lugar, poderá nomear Vigilantes "ad-hoc" para exercerem o cargo de Grandes Vigilantes pro tempore, devendo ser Companheiros da mesma Loja chamados para o efeito, ou enviados pelo Mestre; em caso de omissão, então deverão ser chamados pelo Grão-Mestre, para que a Loja sempre esteja completa.
Esta Regra, que eu saiba, não tem correspondência na regulamentação ou na prática atual. Era uma Regra, porventura herdada da Maçonaria Operativa, claramente com interesse para uma organização com um reduzido número de Lojas e em que os ofícios em Grande Loja não eram apenas exercidos a nível individual, mas também em representação da Loja onde se se inseria o obreiro que exercia o ofício.
Daí o cuidado em que o Vigilante que não estivesse presente fosse substituído por um obreiro da sua Loja e que, não estando nenhum presente, fosse chamado a comparecer alguém dessa Loja, "para que a (Grande) Loja sempre esteja completa".
A Grande Loja só estava, pois, completa, com a presença de representantes de todas as Lojas! E o Vigilante exercia o ofício também em representação da sua Loja, tanto assim que, na sua ausência, não era substituído por outro Mestre presente, antes por um Companheiro da sua Loja.
A propósito desta - hoje peculiar - referência ao Companheiro da Loja a exercer ofício de Grande Oficial, é necessário relembrar que, em 1723, ainda a Maçonaria não utilizava o sistema de três graus (Aprendiz, Companheiro e Mestre). Então, só havia dois graus, Aprendiz e Companheiro. Mestre não eragrau, era ofício: denominava-se Mestre o Companheiro que dirigia a Loja. Só em 1738 foi oficialmente introduzido o 3.º grau. Até então, cada Loja era dirigida por um Mestre, dispunha de vários Companheiros (que estavam aptos a exercer e exerciam os vários ofícios da Loja) e de Aprendizes. Com a introdução do 3.º grau, o grau de Companheiro passou a ser mais um grau de formação, o maçom na plenitude das suas funções passou a ser o Mestre , havendo vários Mestres em cada Loja. Aquele que dirigia a Loja, anteriormente designado por Mestre, passou a ser designado por Venerável Mestre.
Portanto, a referência feita na regra a "Companheiros", atualizada para a estrutura de hoje, que vigora desde 1738, deve entender-se feita a Mestre Maçom; e a referência a "Mestre" corresponde hoje a Venerável Mestre. Atualmente, o Grão-Mestre, na designação do Quadro de Oficiais da Grande Loja tem, por norma, o cuidado de nomear, além dos Grandes Vigilantes, dois Vices, um para cada, cuja função é a de assegurar a substituição do titular do ofício, na sua falta ou impedimento. Nas raras,mas sempre possíveis, ocasiões em qie quer o Grande Vigilante titular, quer o seu Vice estejam ausentes, então o Grão-Mestre, ou o Vice-Grão-Mestre que dirigirá a sessão designa um Mestre para exercer ad hoc o ofício, como refere a Regra de 1723. Fonte: Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, página 140. |
segunda-feira, agosto 06, 2012
Soglia
A Sociedade das Grandes Lojas em Alliance, Soglia, reuniu-se
o 16 º dia, 17 de junho no Brasil, Porto Alegre, no Spa de Torres.
Neste internacional, reuniu delegação de Grandes Lojas dos
cinco continentes que deram a sua presença um apoio e compromisso com o novo
presidente da Soglia para o período 2012-2014, o irmão amado e honorável Past
Grão-Mestre , Grande Loja AF & Abraham AM of
Texas Weston
Jarvis . EUA eo nosso reconhecimento do trabalho
feito por Soglia, sob a liderança do irmão amado e Grão-Mestre da Grande Loja
de Itália, Soglia fundador, Pasquale Cerofolini que assumiu como
vice-presidente de Soglia, o que significa um grande apoio e continuidade dos
critérios estabelecido na primeira assembléia de fundação Soglia em 2010 na
Itália, em Florença, para o novo endereço. ( ver
documentos).
Através destas páginas, queremos saudar e enviar, na pessoa
do Grão-Mestre da Grande Loja Regular do Rio Grande do Sul Edson de Souza
Couto, os nossos agradecimentos pelo seu trabalho e do clima de fraternidade
que viveu todas as delegações.
HOMEM VITRUVIANO
Por Martha Follain
“Quando ouvimos os sinos, ouvimos aquilo que já trazemos em nós mesmos, como modelo. Sou da opinião que não se deverá desprezar aquele que olhar atentamente para as manchas da parede, para os carvões sobre a grelha, para as nuvens, ou para a correnteza da água, descobrindo, assim, coisas maravilhosas. O gênio do pintor há de se apossar de todas essas coisas para criar composições diversas: lutas de homens e de animais, paisagens, monstros, demônios e outras coisas fantásticas. Tudo, enfim, servirá para engrandecer o artista.” Leonardo Da Vinci.
Leonardo da Vinci, artista renascentista, possuía um talento diversificado, que tornou-o capaz de pesquisar e realizar trabalhos em vários campos do conhecimento humano: foi pintor, escultor, anatomista, engenheiro, matemático, músico, naturalista, arquiteto, engenheiro, urbanista, aerologista, botânico e inventor. Segundo historiadores, era um belo homem, tinha uma voz esplêndida. Com sua mente investigativa, questionava o mundo que o circundava, raramente terminava uma pintura, e freqüentemente, experimentava novas técnicas. Era um visionário para sua época, pois idealizou o tanque de guerra, helicóptero, pára-quedas, e descobriu que o homem não poderia voar como os pássaros, “batendo asas”. Foi o reintrodutor da fábula na Itália - suas fábulas e lendas relacionavam-se com as de Esopo e as dos “bestiários” medievais - com raras exceções, eram quase todas inventadas por ele mesmo e continham um desfecho moral. Italiano, nasceu em 15 de abril de 1452 (data em que se comemora o “Dia Mundial do Desenhista”), filho ilegítimo do tabelião e advogado, Piero com a jovem Catarina. Há dúvidas sobre a cidade de seu nascimento – talvez Anchiano, uma localidade de Vinci. Para outros historiadores, foi o próprio lugar de Vinci, situado na margem direita do rio Arno, perto dos montes Albanos, entre Florença e Pisa, na região da Toscana.
Aos dezesseis anos já desenhava e pintava, e foi para Florença (naquela época, cidade de grande prestígio) para trabalhar no ateliê de Andrea del Verrocchio (importante artista da época). De cabelos louros, olhos azuis, nariz aquilino, de uma incomparável beleza física, Leonardo teria sido o modelo para o Davi, de Verrocchio. Pelo que tudo indica, Verrocchio exerceu sobre Leonardo intensa influência, embora pequena no campo artístico, bastante acentuada no universo intelectual. Aos trinta anos, segue para Milão, onde viveu uma época e trabalhou para a corte de Ludovico Sforza. Em Milão, como urbanista, fez um projeto completo para a cidade, eliminando muros, alinhando ruas, prevendo esgotos, vias de dois pavimentos em que os pedestres andariam por cima, deixando a pista embaixo livre para veículos. As casas seriam amplas e ventiladas, e haveria enormes praças e jardins públicos.
Da Vinci possuía um especial amor pelos animais. O historiador Edward MacCurdy, citado no livro “Jaulas Vazias” de Tom Reagan, afirma: "a mera idéia de permitir o sofrimento desnecessário e, mais ainda, de matar, era abominável para ele". Segundo os relatos verificados por Regan, Leonardo adotou uma dieta vegetariana na infância, por razões éticas.
"Rei dos animais - é como o humano descreve a si mesmo - eu te chamaria Rei das Bestas, sendo tu a maior de todas - porque as ajudas só para que elas te dêem seus filhos, para o bem da tua goela, a qual transformaste num túmulo para todos os animais”. – Leonardo Da Vinci.
Leonardo, segundo alguns historiadores, teria sido maçom.
Da Vinci foi um grande pintor. Ele dominou, com sabedoria, o jogo de luz e sombra – suas pinturas partem da “realidade”, mas estimulam a imaginação do observador. Entre suas principais obras, encontramos “A Última Ceia”, “A Gioconda”, “Auto-Retrato”, etc. Na obra de arte “A Última Ceia” ou “O Cenáculo” (que foi uma criação de três anos de trabalho, de 1495 a 1497), Leonardo coloca na tela o momento em que Jesus Cristo anuncia haver um traidor entre os presentes. A “Última Ceia” é uma pintura de Leonardo da Vinci para seu protetor, o Duque Lodovico Sforza. Representa a cena da última ceia de Jesus com os apóstolos, antes de ser preso e crucificado como descreve a Bíblia. Ao contrário de muitas outras pinturas, nunca foi possuída particularmente porque não pode ser removida do seu local de origem. Foi executada numa parede do Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, com mais de nove metros de comprimento e quatro metros e vinte centímetros de altura. Essa criação está em Milão, no Louvre, em Windsor, e na Academia de Veneza e na Albertina de Viena. Até 1506, realizou trabalhos principalmente em Florença e tudo indica que nesta época tenha pintado sua obra mais famosa: a bela e enigmática “La Gioconda” – ou “Mona Lisa” (Museu do Louvre, Paris, França). Há teorias que a “Mona Lisa” seja um auto-retrato, mas com feições femininas, explicando assim o sorriso ambíguo. No entanto, a idéia mais aceita é que o retrato ilustra a esposa do comprador, Francesco Bartolomeo del Giocondo - daí o nome “La Gioconda”. Leonardo não punha nomes nos seus quadros. O nome “Mona Lisa” foi dado à pintura por Giorgio Vasari, quase três décadas após a morte do pintor. Entre 1506 e 1516, viveu entre Milão e Roma. Em 1516, foi convidado pelo rei Francisco I, da França, para trabalhar. Francisco I, começou a coleção do Museu do Louvre, e comprou vários quadros italianos, inclusive a “Mona Lisa”.
Trabalhou para o rei Francisco I, e morreu na França, em Cloux, em 02 de maio de 1519.
O Homem Vitruviano (1492), desenho de Leonardo, das proporções da forma humana, baseia-se em uma célebre passagem do arquiteto romano Vitruvius, em que ele expõe a figura humana deitada de barriga para cima, com braços, mãos e pernas abertas, colocada em um círculo e um quadrado (formas geométricas consideradas perfeitas), tendo o umbigo como centro do círculo. A cabeça é avaliada como sendo 1/10 da altura total. O “Homem Vitruviano” de Da Vinci, é baseado no terceiro volume da obra de Vitruvius, onde ele descreve as proporções do corpo humano. A descoberta do “Tratado de Vitruvius”, em 1420, influenciou fortemente os artistas do Renascimento, que retomavam o ideal antigo da proporção e equilíbrio das formas.
O desenho de Da Vinci foi inspirado na obra do arquiteto Marcus Vitruvius Pollio (70 a.C. – 25 a.C.), “De Archictetura”, aproximadamente em 40 a.C. (descoberta na Abadia de Monte Cassino, em 1420), que explica a relação entre simetria e perfeição. Marcus Vitruvius Pollio, foi um arquiteto, agrimensor, pesquisador e engenheiro romano que viveu no século I a.C. e deixou como legado sua obra em dez volumes, que constitui o único tratado europeu do período grego-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre construções hidráulicas, hidrológicas e arquitetônicas, desde oRenascimento. Dedicou sua obra ao Imperador Augustus. Seus padrões de proporção e seus princípios de arquitetura: “utilitas, venustas e firmitas” (utilidade, beleza e solidez), inauguraram a base da Arquitetura Clássica. Sua obra foi traduzida para diversos idiomas, e foi considerada fundamental para a Arquitetura Clássica, até o século XIX. Para Vitruvius, as partes de uma construção deveriam guardar uma relação harmônica, similar às existentes nas proporções do corpo humano. O arquiteto era um estudioso da Arquitetura Grega, e seu tratado conservou a tradição clássica no traçado de edifícios públicos, e o que escreveu tinha uma inteligente avaliação humanista. Para ele, tudo o que o homem construía, deveria ter como escala o corpo humano, e como valores de referência as proporções humanas, e assim, Vitruvius preocupou-se também com o estudo das medidas humanas, e relacionou-as com a Arquitetura.
O desenho de Da Vinci é um pentagrama humano, com um corpo masculino desnudo dentro de um círculo – o umbigo do homem corresponde ao centro do círculo. Além do círculo, a figura também está contida exatamente dentro de um quadrado. O corpo está separado e simultaneamente em duas posições sobrepostas, com os braços inscritos num círculo e num quadrado. A cabeça é calculada como sendo um oitavo da altura total. O desenho e o texto também são conhecidos como “Cânones das Proporções”. O maior desafio era colocar a figura do homem dentro das formas geométricas. Vitruvius cometeu o erro de colocar o círculo e o quadrado com o centro no mesmo lugar, o que resultava num desenho do homem com proporções grotescas. Leonardo encontrou uma solução brilhante, apoiando as duas formas sobre a mesma base – depois desenhou o homem seguindo as proporções estabelecidas. Segundo Vitruvius, a construção de um Templo deveria se basear nas proporções do homem, consideradas “divinas”. O redescobrimento das proporções matemáticas do corpo humano, no século XV, por Leonardo e outros é considerado uma das grandes realizações que conduzem ao Renascimento italiano. O desenho também é considerado como um símbolo da simetria básica do corpo humano e, por extensão, para oUniverso. A área total do círculo é a mesma do quadrado.
O desenho de Leonardo representa, o homem como uma Estrela de Cinco Pontas. Desde a Antigüidade, a Estrela de Cinco Pontas simboliza os corpos celestes menores que o Sol e a Lua. Ela é o símbolo do homem, microcosmo, e do Universo, macrocosmo.
A Estrela de Cinco Pontas, com a ponta para cima, representa o homem em sua espiritualidade, pois, nela se inscreve uma figura humana, com a cabeça ocupando a ponta superior e os membros superiores e inferiores ocupando as demais pontas. Ela também pode representar o planeta Vênus.
O homem deve buscar as suas próprias “medidas” para encontrar na sua “construção”, o Universo.
Proporções humanas, de Vitruvius (na época, desenhar o homem perfeito, era um grande desafio):
Face, do queixo ao topo da testa - 1/10 da altura do corpo;
Palma da mão, do pulso ao topo do dedo médio - 1/10 da altura do corpo;
Cabeça, do queixo ao topo - 1/8 da altura do corpo;
Base do pescoço às raízes do cabelo - 1/6 da altura do corpo;
Meio do peito ao topo da cabeça - 1/4 da altura do corpo;
Pé - 1/6 da altura do corpo;
Largura do peito - 1/4 da altura do corpo;
Largura da palma da mão - quatro dedos;
Largura dos braços abertos - altura do corpo;
Umbigo - centro exato do corpo;
Base do queixo à base das narinas - 1/3 da face;
Nariz, da base às sobrancelhas - 1/3 da face;
Orelha - 1/3 da face;
Testa - 1/3 da face.
O Homem Vitruviano, é arte em harmonia e proporção geométrica ideal, e simboliza o Infinito (o círculo) equilibrado sobre os quatro elementos da natureza: fogo, terra, ar e água (o quadrado), tendo o ser humano como medida.
Há mais de oitenta manuscritos sobre o “Da Arquitetura”, porém, poucos apresentam as ilustrações originais executadas pelo próprio Vitrúvio. Durante a Idade Média, Vitruvius ficou um pouco esquecido, pois os arquitetos não possuíam formação acadêmica, sendo a arquitetura considerada mais como artesanato, que deveria ser aprendida na prática. A mais importante influência deixada por Vitrúvio para a Idade Média é o estudo e descrição daArquitetura.
****************************** ****************************** **********************MMartha Follain – Formação em Direito, Neurolingüística, Hipnose, Regressão.
Terapia Floral de Bach, Aromaterapia, Terapia Floral de Minas, Terapia Ortomolecular, Fitoterapia Brasileira, Terapia de Integração Craniossacal – animais humanos e animais não humanos.
TEXTO REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL – DIREITOS AUTORAIS.
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