quarta-feira, setembro 09, 2015

A Liturgia Adonhiramita

  • Peculiaridades do Rito Adonhiramita
  • Algumas das principais peculiaridades do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos são: A sua tradição e fidelidade aos antigos mistérios; A sua profunda espiritualidade;O tratamento de "Am.ʹ. Ir.ʹ.” ; O uso do nome histórico; Adonhiram como personagem central; O Cerimonial do Fogo; O uso de velas e não de lâmpadas; O pé direito à frente na marcha do Grau; As doze badaladas; O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada; O uso das luvas brancas; O uso da gravata branca; A posição dos AAm.ʹ. lIr.ʹ. VVig.ʹ.; A posição das CCol.ʹ. J e B; A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no evangelho de João; A formação do Pálio; A Cerimônia de Incensação; A proteção mística do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. Int.ʹ.;O uso do sinal do G.ʹ. na circunavegação; A circunavegação em forma do símbolo do infinito; O uso do chapéu em todas as sessões pelos MMestr.ʹ.; O uso da espada pelos MMestr.ʹ., a palavra de Aclamação , além de muitas outras particularidades que fazem o Rito Adonhiramita singular, místico e esotérico.
  • Fundamentos e tradições do Rito Adonhiramita
  • Este Rito é histórico e tradicional, um Rito característico e essencialmente metafísico, esotérico e místico. Constitui um drama psicológico organizado para produzir experiências transcendentais nos participantes e, ao se tornar esotérico no exercício do magistério de sua Liturgia, de um modo geral, induz a mente objetiva a certo grau de relaxamento, o que permite a imersão do subconsciente, resultando em um estado de harmonia e bem estar, tornando-o um Rito de profunda espiritualidade. Têm por base teológica os mistérios egípcios, a volta dos judeus do cativeiro e as verdades bíblicas reveladas no Antigo e Novo Testamento, particularmente, no que concerne à construção do Templo de Salomão e às origens do Cristianismo, com atenção especial voltada para os aspectos proféticos e apocalípticos de ambos os documentos sagrados. Podemos constatar esta profunda espiritualidade ainda no Átrio, quando da entrada ao Temp.´., no momento em que o Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. diz: "... Silêncio meus AAm.ʹ. llr.ʹ.! Eu vos peço um momento de reflexão a fim de ingressarmos no Templ.ʹ.. Neste momento observa-se uma viagem interior, o V.I.T.R.I.O.L. cuja tradução é: "Visita o interior da Terra e, retificando-se, encontrarás a Pedra Oculta". É uma viagem solitária e profunda, um resgate dos mais puros valores inerentes ao ser, à busca do universo interior, a busca do "conhece-te a ti mesmo". Uma viagem para a qual, as condições sociais profanas, a cor, a raça, os credos religiosos e políticos, assim como os metais que distinguem o rico do pobre, tornam-se fardos desnecessários e incômodos. Forma-se então, a Egrégora, uma reflexão agora coletiva elevada ao Supremo Criador dos Mundos, desejando a paz entre os homens, que todos possam se transformar em homens de boa vontade, que os desesperados encontrem a esperança e os tiranos possam encontrar o caminho da justiça.
  • O tratamento de "Am.ʹ.Ir.ʹ." e o uso do Nom.ʹ. Hist.ʹ. no Rito Adonhiramita
  • "Am.ʹ. Ir.ʹ. "era o tratamento usado entre os adeptos das comunidades religiosas mais antigas, para significar o apreço, o respeito e a confiança mútua entre esses adeptos. Era o tratamento escolhido pelos primitivos cristãos, até para se identificarem entre si; tratamento este que ainda hoje é empregado pelos pregadores cristãos, ao se dirigirem ao público dentro das Igrejas e Templos. Tratamento este que deverá ser conquistado pelos méritos maçônicos de cada Ir.ʹ..Sejam quais forem as relações que um maçom tiver com o outro é proibido usar de outra denominação que não seja a de Am.ʹ. Ir.ʹ., isto basta para o elogio na Maçonaria, porque este nome sagrado, encerra em si, todos os sentimentos bons de que o coração humano é capaz de vivenciar. O Nom.ʹ. Hist.ʹ. é de todo útil, no momento da iniciação e durante toda a vida maçônica, receber a guarda, a proteção e o exemplo de espíritos luminosos que, ricos de virtudes nesta vida, sobretudo como maçons, se comportam, de certo modo, como Anjos-da-guarda, mensageiros fiéis do G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ. Por isso, no Rito Adonhiramita, a cada Ir.ʹ., quando de sua iniciação, é atribuído o nome de um personagem virtuoso em prol da Humanidade, da Pátria, da Sociedade, etc., Maçom ou não, e que já tenha partido para o Oriente Eterno, para ser seu Patrono, absorvendo-lhe o nome a que denominamos "Nome Histórico". Com esse Nome Histórico, o Ir.ʹ. é batizado em momento próprio da Iniciação com os seguintes dizeres: "E para que de profano nem o vosso nome vos reste, eu vos batizo com o Nome Histórico de....” A prática tem grande valia para o sigilo e a preservação da identidade civil, ao mesmo tempo em que constitui um símbolo de profunda significação. Se a Maçonaria tem por objetivo transformar o homem profano no homem iniciado, o gesto de lhe dar um novo nome por ocasião da iniciação está a indicar que ele, dali em diante, deve se transformar num novo ser.
  • A denominação Adonhiramita
  • De acordo com a Bíblia, HIRAM era o arquiteto que se encarregara dos projetos da construção do Templo de Salomão, filho da viúva de NEFTALI. A seu lado havia outro HIRAM, o rei de Tiro, que fornecera a Salomão grande parte dos materiais utilizados na obra. Já ADONHIRAM, filho de Abda, era o funcionário encarregado dos tributos na corte de SALOMÃO, por este estar incumbido do recrutamento dos operários quando da construção do Templo. Como tal, vem designado no 1º Livro dos Reis, Cap. IV com o título de “preposto às corvéias”. ADONHIRAM era a pessoa que recrutava os operários, selecionava-os, dividia-os segundo suas capacidades ou necessidades da obra e, por certo, também lhes pagava o salário, até porque era o tesoureiro de SALOMÃO. Sendo assim para nós ADONHIRAMITAS é o personagem central da Construção do Templo de Salomão, Adonhiram (Hiram de Deus), conforme nos asseguram os versículos 6 do capítulo IV e 13 e 14 do capítulo V do 1°Reis no Antigo Testamento. Acreditamos que a verdadeira palavra é Adonhiram, ou Hiram composto do pré-nome Adon (dominus), que os hebreus usam frequentemente quando falam de Deus; este prenome agregado à palavra Hiram, faz-se Adonhiram, que significa Hiram, "O consagrado ao Senhor", "O bom Senhor” ou "O divino Hiram'', de onde foi derivado o título de Maçonaria Adonhiramita.
  • O Cerimonial do Fogo
  • Dos quatro elementos tradicionais: terra, água, ar e fogo, o fogo é tido como princípio ativo ou dinâmico, transformador, germe da geração, é o mais puro, animador e fonte energética. Simboliza a força impulsionadora do universo, além de movimento e energia. Seu movimento é para o alto, ascendente, e seu poder é de criação por transformação. O Cerimonial do Fogo alude a uma invocação ao Senhor de Todas as Luzes, ao G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. cujos atributos infinitos estão novamente sintetizados nas três palavras pronunciadas, por cada uma das Luzes da Loj.ʹ. Ven.ʹ. Mestr.ʹ. - Sabedoria; 1° Vig.ʹ. - Força; e o 2° Vig.ʹ. - Beleza.
  • A razão de utilizar velas e não lâmpadas
  • As velas que usamos, sempre de cera pura de abelhas, como manda a tradição, emitem uma chama pura e sem fuligem, emitem fogo, o que não acontece com as lâmpadas elétricas. O fogo sempre acompanhou a humanidade desde os mais primitivos ancestrais, e nesta sua marcha através da história foi assumindo sempre mais o aspecto de ligação entre o homem e os espíritos, entre o homem e o G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ.. O fogo, desde que o homem começou a percebê-lo conscientemente como um dos elementos da natureza, foi sempre olhado como um elemento mágico e de origem divina, motivo pelo qual, seu simbolismo foi mantido em nossas cerimônias.
  • O pé direito à frente na marcha do Grau
  • Simbolicamente o lado direito é ativo, positivo, criativo, masculino e representa o poder de realização, enquanto o lado esquerdo é passivo, negativo, receptivo, feminino e representa a capacidade de modelação. Romper a marcha com o pé direito, representa que o nosso poder criativo, masculino, positivo, se sobrepõem aos nossos aspectos negativos que devem ser submetidos à nossa vontade e superados com a prática das virtudes. Em simbologia, o lado direito sempre esteve ligado ao poder da Luz, e o lado esquerdo ao poder das Trevas. Todavia, nada tem a ver com superstições, mas sim, posturas que guardam um sentido simbólico.
  • Doze badaladas
  • Antigamente, na Maçonaria, o sino era de uso comum nas Cerimônias das Lojas Simbólicas, a fim de anunciar a hora dos trabalhos. O Rito Adonhiramita, procurou coexistir com o seu uso, não perdendo a tradição dos antigos, assim como a tradição religiosa e os costumes iniciáticos dos mistérios. Em muitas civilizações antigas, o sino era utilizado no sentido de conclamar todos os seres humanos, e, também, os sobrenaturais, além de evocar as Divindades, se tornando daí, o símbolo do chamamento ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ.! Assim, juntamente com a Cerimônia de Incensação o Cerimonial do Fogo e as Doze Badaladas harmonizam as vibrações místicas e esotéricas da egrégora formada em sintonia com a Luz Maior emanada pelo Supremo Criador dos Mundos.
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada simbolizam a ligação do antigo com o novo, a continuidade e a ligação com o G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ., em consciência compartilhada e identidade comum. Desde os antigos tempos a cultura da Chama Sagrada era tida como primordial e essencial para a busca e manutenção da harmonia e da paz, tanto para os lares, quanto, até mesmo, para as cidades da antiguidade.
  • O uso das luvas brancas
  • As luvas brancas representam a candura que reina na alma do homem de bem e a pureza de seus atos, de coração e intenções. Motivo pelo qual o Am.ʹ.Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. antes da entrada ao Temp.ʹ., exclama: "... Meus AAm.ʹ. llr.ʹ., se desde a meia-noite, quando se encerraram nossos últimos trabalhos, se conservastes vossas mãos limpas, calçai as vossas luvas...". O calçar das luvas é para que as mãos de todos os obreiros fiquem iguais. Tornam as mãos calejadas do operário, tão macias quanto às mãos do intelectual, do médico, do engenheiro etc, assim como se igualam pelo uso uniforme das outras peças do vestuário. As luvas simbolizam a pureza que deve estar presente em todos os atos de um maçom. Pela mão direita se dá pela esquerda se recebe. Dá-se com pureza e recebe-se com pureza.
  • A gravata branca
  • A gravata branca, por sua cor, está associada à paz e guarda a sua origem na aristocracia francesa. Na prática, a gravata é uma peça da indumentária e de criação recente, inspirada nos cordéis utilizados para o fechamento das camisas antes da invenção dos botões, que terminava em um laço à altura do pescoço. Logo, a gravata é um complemento da camisa, e assim, parte integrante da mesma. Sendo a camisa branca, consideramos que a gravata também deve ser branca para se manter em harmonia interior.
  • Onde se colocam os VVig.ʹ. e porque desta posição?
  • No Oc.ʹ., para melhor observarem a passagem do Sol pelo meridiano. O Sol vem do Oriente, e, portanto, para observá-lo, os VVig.ʹ. devem, ambos, estarem postados numa mesma linha, de frente para o Oriente, o que só pode ocorrer se eles estiverem sobre o mesmo meridiano. Por isso, os dois VVig.ʹ. no Rito Adonhiramita se posicionam ao Ocidente, numa mesma linha, perpendicular à linha do Equador Or.ʹ. – Oc.ʹ. no mesmo meridiano.
  • Porque no Rito Adonhiramita, as CCol.ʹ. J e B ficam em posições invertidas em comparação com outros Ritos?
  • Os estudiosos do Rito afirmam que a posição das CCol.ʹ. J e B, e dos próprios VVig.ʹ., se deu quando das primeiras "revelações dos segredos da maçonaria", ou seja, em 1730, quando foi publicado na Inglaterra, o livro Maçonaria Dissecada, de autoria de Samuel Pritchard.Esta obra em questão foi o fruto da traição perpetrada pelo autor que a 13 de outubro de 1730, prestou depoimento juramentado perante um magistrado, no qual relatava detalhes de sua iniciação na Maçonaria, inclusive ao Grau de Mestre. O livro continha todos os sinais, toques e palavras utilizados à época, bem como citava HIRAM, as marchas e todo o acervo sigiloso. Esta traição obrigou a Ordem a processar algumas mudanças necessárias a confundir os curiosos profanos "bem informados", que se utilizando de tais informações demandavam a invadir as Lojas como se fossem verdadeiramente iniciados. Renomados autores veem nestas mudanças a origens das diferenças existentes entre o Rito Adonhiramita em relação aos demais Ritos no que se referem à posição das colunas, os respectivos vigilantes e todos os detalhes oriundos de suas posições. O Rito Adonhiramita permaneceu fiel às antigas tradições, adotando os antigos costumes. Motivo pelo qual, em comparação com alguns ritos, se constata que as CCol.ʹ. e algumas funções estão invertidas. Todavia, mesmo havendo, comparativamente, a inversão das CCol.ʹ., os AAm.ʹ. Ilr.´. AApr.ʹ. continuam na Col.ʹ., da Beleza, ou seja, na Col.ʹ. do 2° Vig.ʹ..
  • A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João
  • O Evangelho de João é o mais profundo dos quatro Evangelhos, cuja terminologia significa "Boa Nova", e é o mais místico, o que mais causou polemica devido a sua linguagem e filosofia. Todas as correntes ortodoxas do cristianismo primitivo, destacando os antigos Gnósticos, se apoiavam nos escritos de João. A espiritualidade é tema fundamental para o Rito Adonhiramita, assim como a tradição, e por esta, registra-se que primitivamente todas as Lojas de origem Francesa abriam o L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João."Houve um homem enviado por Deus que se chamava João." Este João, é o Batista, ou seja, aquele que batizava, que iniciava aos antigos mistérios. Lembrando ainda, que no momento da abertura do L.ʹ. da L.ʹ. a leitura do texto sagrado e a colocação do esq.ʹ. e o comp.ʹ. na posição do grau, o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ. está protegido pelo Pálio.
  • O Pálio
  • No Rito Adonhiramita, o Pálio, é formado, tal qual uma pirâmide, pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. juntamente com um M.ʹ. da Col.ʹ. do S.ʹ. e outro M.ʹ.da Col.ʹ. do N.ʹ.. Estes AAm.ʹ. llr.ʹ. o formarão postando suas espadas como extensão de seus braços direitos estendidos em ângulo de 52°, tocando-se e cruzando-se no alto sobre o Alt.ʹ. dos JJur.ʹ. e o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ.. Estando na abertura, a espada do Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. por baixo das demais, dando sustentação, e no encerramento, por cima das demais, sobrepondo-as. As espadas, como condutoras de energias em forma de pirâmide, voltadas para cima, estão absorvendo as energias do alto, protegendo a abertura do L.ʹ. da L.ʹ. pelo Oc.ʹ. pelo S.ʹ. e pelo N.ʹ. deixando livre apenas o lado do Or.ʹ. do qual se emanará a Luz e a onipresença do G .ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ..
  • A Cerimônia da Incensação
  • A Incensação tem origem nos mais remotos costumes religiosos da civilização humana. Esta cerimônia representa uma espécie de profilaxia ambiental, a Incensação deixa o ambiente físico do Templo impregnado do agradável odor da essência utilizada, tais como Benjoim, Mirra e Incenso entre outras. Por outro lado, a tradição nos informa que esta cerimônia afasta do meio místico e esotérico do Templo as sombras ou entidades maléficas, que por acaso, se disponham a perturbar as Luzes da Loja, e, consequentemente, os seus trabalhos. A incensação tem como valor simbólico a associação do homem à divindade, do finito ao infinito e do mortal ao imortal. Ao espargir a fumaça se está purificando o ambiente tanto no sentido físico por tratar-se de substância com propriedades anti-sépticas, como espiritual, pois o incenso tem a incumbência de elevar a prece para o céu. A incensação gera uma atmosfera de aroma agradável e magnetiza com fluidos benéficos os obreiros e o ambiente, contribuindo para a formação da egrégora e propiciando à reflexão. No ato da Incensação são invocadas as três palavras que sintetizam atributos do G.ʹ. A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. SABEDORIA, FORÇA e BELEZA. Por esses motivos, é que, ao nos incensarmos, nos limpamos nos purificamos a nós e ao ambiente, favorecendo a permanência da egrégora. Também, se torna necessário lembrar que durante a cerimônia da incensação, depois que o Am.ʹ. Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. efetua a incensação do Templ.ʹ. e de todos os llr.ʹ. ele troca de lugar e função com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. e este, com a porta entre aberta, sem sair do Templ.ʹ. incensa o átrio. Esta tarefa de incensar o átrio somente pode ser executada pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. porque ele é o único que está protegido e capacitado mística e esotericamente para se expor às energias que circulam fora do Templ.ʹ..Tanto é que o nosso próprio ritual aconselha que este cargo seja ocupado pelo ex-Ven.ʹ. Mestr.ʹ. mais recente, pois este, dentre todos, é quem possui os atributos místicos e esotéricos para suportar tais energias e impedir que as mesmas adentrem o interior do Templ.´..Por este motivo também, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. ocupa o seu lugar sobre a linha simbólica do equador, de frente para o Ven.ʹ. Mestr.ʹ. invertendo a polaridade das energias, ou seja, atraindo para si, todas as energias negativas que excedam o suportável pela Egrégora da Loja, como se fosse um para-raios.A própria troca de funções do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Mest.ʹ. de CCer.ʹ. através do giro, é um ato personalíssimo do Rito Adonhiramita, pois ambos se interligam formando um X (xis) com as mãos, ou seja, mão direita com mão direita e mão esquerda com mão esquerda, doando e recebendo, ao mesmo tempo em que, girando, as energias e atributos são permutados qualificando um e outro para sequência cerimonial. Destrocando logo em seguida, na mesma forma.
  • A circunavegação
  • Realizamos a circunavegação com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. uma vez que não seria possível ao Obr.ʹ. caminhar com o Sin.ʹ. de Ord.ʹ. pois neste, o Obr.ʹ. necessita, além de estar com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. estar também com os pp.ʹ. em esq.ʹ. formando a tríp.ʹ. esq.ʹ. com o p.ʹ. dir.ʹ. voltado para a frente. Assim procedemos em respeito aos antigos costumes e desde que o Obr.ʹ. não esteja conduzindo material litúrgico, quando então fica dispensado do Sin.ʹ. do Gr.ʹ.. A circunavegação, é realizada em forma do símbolo matemático do infinito visto que este símbolo representa, esotericamente, a estrada do tempo e da continuidade da vida, pois todo começo contém em si o fim, e todo fim contém em si o começo. É o caminho do constante renascimento. E o Rito Adonhiramita, por sua profunda espiritualidade, filosofia mística e esotérica, concede ao seu adepto a possibilidade de caminhar nesta senda na busca do conhecimento, da evolução e aprimoramento espiritual.
  • MMestr.ʹ. usam chapéu em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso do Chapéu na Maçonaria é bem antigo; estes, conforme nos narra a história, surgiram para substituir as antigas carapuças usadas na Idade Média. Os Chapéus foram primeiro usados pelos sumérios e os egípcios na Antiguidade e posteriormente pelos gregos que usavam um chapéu de palha de fundo pontudo que era denominado de "THOLIA", e só se tem conhecimento do seu uso na Europa após o século XVII. Na Maçonaria, o Chapéu passou a ser usado a partir do século XVIII como símbolo hierárquico e esotérico. A maçonaria ocidental é também chamada de maçonaria salomônica, devido ao fato da influência judaica ser indiscutível em sua base filosófica.Trazendo da influência cabalística, o uso do chapéu como forma de cobertura da primeira Sephirah da Árvore da Vida, como faz o povo semítico nas cerimônias de culto ao Deus Único. O chapéu assume assim dois significados. O primeiro, de origem cavalheiresca, advém da tradição que remonta ao início do século XVIII da qual somente os pertencentes da aristocracia tinham o direito de usar chapéus, sendo a princípio tolerado como uma regalia. O segundo, de caráter esotérico, simboliza que apesar da eterna busca da verdade, a inteligência humana reconhece seus limites ante o grande mistério da criação, motivo pelo qual devemos nos descobrir quando seja feita menção ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ..
  • MMestr.ʹ. usam espada em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso da espada é símbolo de autoridade de uma casta distinta e considerada nobre em todas as sociedades antigas, os guerreiros. Quando o Rito de Heredon, fonte de origem do Rito Adonhiramita, Escocês Antigo e Aceito e o Moderno, foi introduzido na França, era praticado quase que exclusivamente por membros da aristocracia, pessoas que possuíam o direito do uso da espada, símbolo naquela época, de condição social elevada. Dos Ritos que tiveram origem no Rito de Heredon, somente o Adonhiramita permaneceu fiel à tradição dos MMestr.ʹ. usarem a espada e o chapéu em todos os graus do simbolismo. Devemos esclarecer também que, muito embora o uso das espadas tenha se originado na aristocracia francesa, não é por este motivo que o Rito Adonhiramita a mantém em suas cerimônias. Tão pouco tem ligação a ser guerreiro ou militar! Seu uso no Rito Adonhiramita se dá exclusivamente ao misticismo e esoterismo relacionados aos efeitos geomagnéticos, uma vez que todo o desempenho do Rito Adonhiramita, interfere diretamente em correntes energéticas. Devido a isto, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. (Nom.ʹ. Hist.ʹ.) Dig.ʹ. Cobr.ʹ. neste exato momento, assim como durante todo o tempo em que permanece sentado, estará com a sua espada voltada com a lâmina para baixo em contato com o solo, descarregando as energias que absorve na função de para-raios, conforme já mencionado anteriormente.
  • A palavra de Aclamação
  • A palavra de Aclamação Vivat (pronuncia-se Vivá) é a antiga saudação utilizada ainda no inicio do Século XVIII. No Rito Francês ou Moderno, após a Revolução Liberal de 1789, ela foi substituída pela aclamação Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Vivat tem o mesmo significado da saudação escocesa que se pronuncia Huzzé, Huzzé, Huzzé, cuja tradução do hebraico é Vivá, Vivá, Vivá, que em latim corresponde ao Vivat, Vivat, Vivat. Vivat deriva do verbo Latino 'Vivere' significando "VIDA" e expressa o profundo querer por tudo o que existe. Os três Vivat, correspondem a estes três pedidos: "Que Ele viva. Que todas as pessoas vivam, que toda a criação viva". Podemos lembrar-nos de outras peculiaridades do Rito Adonhiramita, como o estalar dos dedos na aclamação, a subida um a um dos degraus na circunavegação, a ausência das CCol.ʹ. Zodiacais, a entrada em Procissão, a forma de executar a bateria do grau, além da cena da traição e da câmara ardente na Sessão Magna de Iniciação. AAm.ʹ. llr.ʹ. em todos os seus graus e qualidades, estas são algumas das principais peculiaridades da ritualística e da liturgia do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos. Mas deixamos bem claro, que estas peculiaridades não o tornam nem melhor e nem pior que os demais ritos, apenas diferente, mas, com o mesmo objetivo de todos os Maçons e da Maçonaria Universal, a busca do aperfeiçoamento de todos os seres humanos.http://www.adonhiramita.org/liturgia.htm


Maçonaria – Moral e Dogma

Publicado na  em Tempo de Estudos 15 de Junho de 2010
A Maçonaria possui em sua filosofia um ensinamento que pode ser expresso num simples ditame: “Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se à honra e aos interesses de seu País”.
Maçonaria não é especulativa nem teórica, mas experimental, não sentimental, mas prática. Ela requer renúncia e autocontrole. Ela apresenta uma face severa aos vícios do homem e interfere em muitos de nossos objetivos e prazeres. Penetra além da região do pensamento vago; além das regiões em que moralizadores e filósofos teceram suas belas teorias e elaboraram suas esplêndidas máximas, alcançando as profundezas do coração, repreendendo-nos por nossa mesquinhez, acusando-nos de nossos preconceitos e paixões e guerreando contra nossos vícios.
É uma luta contra paixões que brotam do seio dos mais puros sentimentos, um mundo onde preconceitos admiráveis contrastam com práticas viciosas, de bons ditados e más ações; onde paixões abjetas não são apenas refreadas pelos costumes e pelos cerimoniais, mas se escondem por trás de um véu de bonitos sentimentos. Esse solecismo tem existido por todas as épocas. O sentimentalismo católico tem muitas vezes acobertado a infidelidade e o vício. A retidão dos protestantes apregoa, frequentemente, a espiritualidade e a fé, mas negligencia a verdade simples, a candura e a generosidade; e a sofisticação do racionalismo ultraliberal em muitas ocasiões conduz ao céu em seus sonhos, mas chafurda na lama de suas ações.
Por mais que exista um mundo de sentimentos maçônicos, ainda assim ele pode ser um mundo onde ela está ausente. Ainda que haja um sentimento vago de caridade maçônica, generosidade e desprendimento, falta a prática ativa da virtude, da bondade, do altruísmo e da liberalidade. A Maçonaria assemelha-se aí às luzes frias, embora brilhantes.
Há clarões ocasionais de sentimentos generosos e viris, um esplendor fugaz de pensamentos nobres e elevados, que iluminam a imaginação de alguns. Mas não há o calor vital em seus corações.
Boa parte dos homens tem sentimentos, mas não princípios. Os sentimentos são sensações temporárias, enquanto os princípios são como virtudes permanentemente impressas na alma para seu controle. Os sentimentos são vagos e involuntários; não ascendem ao nível da virtude. Todos os têm. Mas os princípios são regras de conduta que moldam e controlam nossas ações. Pois é justamente neles que a Maçonaria insiste.
Nós aprovamos o que é certo, mas geralmente fazemos o que é errado; essa é a velha história das deficiências humanas. Ninguém encoraja e aplaude injustiça, fraude, opressão, ambição, vingança, inveja ou calúnia; ainda assim, quantos dos que condenam essas atitudes são culpados delas, eles mesmos.
Já nos foi dito: “Homem, quem quer que sejas, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas.”
É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração deveria ter em abundância, mas quase sempre é o reverso do que o homem pratica.
Os homens podem realmente, de um certo modo, interessar-se pela Maçonaria, mesmo que muitos deficientes em virtudes. Um homem pode ser bom em geral e muito mau em particular: bom na Loja e ruim no mundo profano, bom em público e mau para com a família.
Muitos desejam sinceramente ser bons maçons. Mas é preciso que resistam a certos estímulos, que sacrifiquem certos caprichos. Como é ingrato aquele que morre medíocre, sem nada fazer que o glorifique para os Céus. Sua vida é como árvore estéril, que vive, cresce, exaure o solo e ainda assim não deixa uma semente, nenhum bom trabalho que possa deixar outro depois dele! Nem todos podem deixar alguma coisa para a posteridade, mas todos podem deixar alguma coisa, de acordo com suas possibilidades e condições.
Quem pretender alçar-se aos Céus, sozinho dificilmente encontrará o caminho.
A operosidade jamais é infrutífera. Se não trouxer alegria com o lucro, ao menos, por mantê-lo ocupado, evitará outros males. Tem-se liberdade para fazer qualquer coisa, devemos encará-la como uma dádiva dos Céus; tem-se a predisposição de usar bem essa liberdade, então é uma dádiva da Divindade.
Maçonaria é ação, não inércia. Ela exige de seus iniciados que trabalhem, ativa e zelosamente, para o benefício de seus Irmãos, de seu país e da Humanidade. É a defensora dos oprimidos, do mesmo modo que consola e conforta os desafortunados. Frente a ela é muito mais honroso ser o instrumento do progresso e da reforma do que se deliciar nos títulos pomposos e nos autos cargos que ela confere. A Maçonaria advoga pelo homem comum no que envolve os melhores interesses da Humanidade. Ela odeia o poder insolente e a usurpação desavergonhada. Apieda-se do pobre, dos que sofrem, dos aflitos; e trabalha para elevar o ignorante, os que caíram e os desafortunados.
A fidelidade à sua missão será medida pela extensão de seus esforços e pelos meios que empregar para melhorar as condições dos povos. Um povo inteligente, informado de seus direitos, logo saberá do poder que tem e não será oprimido. Uma nação nunca estará segura se descansar no colo da ignorância. Melhorar a massa do povo é a grade garantia da liberdade popular. Se isso for negligenciado, todo o refinamento, a cortesia e o conhecimento acumulado nas classes superiores perecerão mais dia menos dia, tal como capim seco no fogo da fúria popular.
Não é a missão da Maçonaria engajar-se em tramas e conspirações contra o governo civil. Ela não faz propaganda fanática de qualquer credo ou teoria; nem se proclama inimiga de governos. Ela é o apóstolo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não faz pactos com seitas de teóricos, utopistas ou filósofos. Não reconhece como seus iniciados aqueles que afrontam a ordem civil e a autoridade legal, nem aqueles que se propõem a negar aos moribundos o consolo da religião. Ela se coloca à parte de todas as seitas e credos, em sua dignidade calma e simples, sempre a mesma sob qualquer governo.
A Maçonaria reconhece como verdade que a necessidade, assim como o direito abstrato e a justiça ideal, devem ter sua participação na elaboração das leis, na administração dos afazeres públicos e na regulamentação das relações da sociedade. Sabe o quanto a necessidade tem por prioridade nas lidas humanas. A Maçonaria espera e anseia pelo dia em que todos os povos, mesmo os mais retrógrados, se elevem e se qualifiquem para a liberdade política, quando, como todos os males que afligem a terra, a pobreza, a servidão e a dependência abjeta não mais existirão. Onde quer que um povo se capacite à liberdade e a governar-se a si próprio, aí residem as simpatias da Maçonaria.
A Maçonaria jamais será instrumento de tolerância para com a maldade, de enfraquecimento moral ou de depravação e brutalização do espírito humano. O medo da punição jamais fará do maçom um cúmplice para corromper seus compatriotas nem um instrumento de depravação e barbarismo. Onde quer que seja, como já aconteceu, se um tirano mandar prender um crítico mordaz para que seja julgado e punido, caso um maçom faça parte do júri cabe a ele defendê-lo, ainda que à vista do cadafalso e das baionetas do tirano.
O maçom prefere passar sua vida oculto no recesso da penumbra, alimentando o espírito com visões de boas e nobres ações, do que ser colocado no mais resplandecente dos tronos e ser impedido de realizar o que deve.
Se ele tiver dado o menor impulso que seja a qualquer intento nobre; se ele tiver acalmado ânimos e consciências, aliviado o jugo da pobreza e da dependência ou socorrido homens dignos do grilhão da opressão; se ele tiver ajudado seus compatriotas a obter paz, a mais preciosa das possessões; se ele cooperou para reconciliar partes conflitantes e para ensinar aos cidadãos a buscar a proteção das leis de seu país; se ele fez sua parte, com os melhores e pautou-se pelas mais nobres ações, ele pode descansar, porque não viveu em vão.
A Maçonaria ensina que todo poder é delegado para o bem e não para o mal do povo. A resistência ao poder usurpado não é meramente um dever que o homem deve a si próprio e a seu semelhante, mas uma obrigação que ele deve a Deus para restabelecer e manter a posição que Ele lhe confiou na criação. O maçom sábio e bem informado dedicar-se-á à Liberdade e à Justiça. Estará sempre pronto a lutar em sua defesa, onde quer que elas existam. Não será nunca indiferente a ele quando a Liberdade, a sua ou a de outro homem de mérito, estiver ameaçada.
O verdadeiro maçom identifica a honra de seu país como a sua própria. Nada conduz mais à glória e à beleza de um país do que ter a justiça administrada a todos de igual modo, a ninguém negada, vendida ou preterida.
Não se esqueçam, pois daquilo a que você devotou quando entrou na Maçonaria: defenda o fraco contra o truculento.
http://www.revistauniversomaconico.com.br/tempo-de-estudos/maconaria-moral-e-dogma/

A Cara da Morte

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“Eu vi a cara da morte e ela estava viva.” Um dos refrões de maior sucesso de Cazuza talvez nunca tenha feito tanto sentido.
A cada vez mais comum exposição pública da vida começa a valer para a morte. Aos poucos, sai o véu que escondia a dor da perda e o luto passa a ser falado, exposto e compartilhado – dentro e fora dessa existência chamada redes sociais.
A estudante de veterinária Ísis Vanilde Leite Souza tinha 24 anos quando morreu vítima de câncer, em janeiro de 2012. Para poupar a mãe de mais sofrimento, o irmão de Ísis removeu a página da jovem do Facebook e trocou o computador da casa, eliminando fotos, mensagens e vídeos pertencentes à jovem. O rapaz não sabia, mas Eliana Rocha Leite Souza, 52, foi justamente na contramão para lidar com a perda da filha. Ela recorreu a amigos de Ísis e ao Orkut para tentar recuperar imagens e criou um memorial no Facebook, onde hoje publica textos, fotos e vídeos. “É meu ponto de encontro com minha filha. É onde descarrego toda minha saudade e declaro todo o amor que sinto por ela”, afirma.
Essa exposição da dor e da saudade sinaliza uma transformação sobre como encaramos o fim. Ainda causa estranheza para a maioria de nós como a morte e suas consequências foram parar na vitrine – ou você nunca julgou, mesmo sem ter a intenção, aqueles que conversam publicamente com seus mortos no ambiente digital? Se a privacidade diminuiu em vida, o mesmo começa a valer para a morte.
Apesar de lenta, essa mudança de comportamento ganha força nas redes sociais, seguindo o caminho de outros movimentos contemporâneos – da insatisfação política à luta pela igualdade de gêneros. É preciso reconhecer: aquele mesmo Facebook que incita o ódio e expõe o radicalismo dos seus amigos vem contribuindo aos poucos para fazermos as pazes com a única certeza que temos da vida. Assim como Eliana, há cada vez mais pessoas dispostas a enfrentar a dor da perda sem medo de mostrá-la ou receio de causar desconforto aos outros – mesmo que estejam sujeitas a julgamentos por causa da exposição.
A mãe de Ísis define o momento que vivemos como um paradoxo. Divulgada à exaustão pela mídia, a morte passou a ser consumida de forma escancarada, como um espetáculo. As pessoas participam, sofrem e falam sobre mortes que não lhes pertencem. Por outro lado, não conseguem ouvir as manifestações de alguém muito próximo que perdeu um filho.
“Torço por uma mudança na forma como se encara o luto. A sociedade não autoriza expressões de dor, lamento e saudade. É comum a pessoa enlutada se considerar inadequada e acabar se isolando”, explica Elaine Gomes dos Reis Alves, psicóloga do LEM-USP (Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo). Para ela, a internet cria uma oportunidade de elaborar o luto, compartilhar sentimentos e prestar homenagens. “É altamente necessário um equivalente no ambiente offline. O enlutado deveria ter autorização para sofrer e lamentar enquanto precisasse”, completa.
FACES DA MORTE
A forma de lidarmos com a morte muda com o passar do tempo. Veja a seguir os destaques desta transformação descritos no livro “História da Morte no Ocidente”, do historiador francês Philippe Ariès.
Idade Média – DESESPERO
O luto imediato chegava a ser violento. Logo após a morte, os presentes rasgavam suas roupas, arrancavam o cabelo, esfolavam suas faces, caíam desmaiados e podiam até beijas “apaixonadamente” o morto – que era elogiado. Ritual era comum para ricos e pobres.
Século XII – ATÉ EU
Até então havia uma resignação ao destino coletivo, resumida na seguinte fórmula: morremos todos. Surge então a constatação da morte de si mesmo. Isso cria um violento apego às coisas da vida, bem como o gosto amargo do fracasso, confundido com a mortalidade.
Século XIII – TESTAMENTO
Diante da morte, o homem torna-se seu próprio juiz. Como mostra a gravura “Ars Moriendi”, o moribundo poderia ser salvo (caso renunciasse às posses) ou condenado (se quisesse levá-las). Vem daí o testamento, que permitia salvar a alma sem sacrificar as posses.
Século XIV – LOCALIZAÇÃO
Até então pouco importava o lugar da sepultura – muitas vezes sem identificação ou qualquer inscrição. A visita ao túmulo era um ato desconhecido, mas isso muda a partir do século XIV: cria-se então a prática de localizar o lugar onde o morto foi enterrado.
Século XVIII – MORTE PÚBLICA
Morte é uma cerimônia pública. Parentes, amigos e vizinhos (inclusive as crianças) entravam no quarto do moribundo. Passantes acompanhavam os cortejos que encontravam na rua. A morte ganha um sentido romântico: é exaltada, desejada, arrebatadora.
Século XVIII – TÚMULOS
Os túmulos viram signo da presença além da morte. É preciso ter a possibilidade de visitá-los, estejam em cemitérios públicos ou na propriedade da família. A concessão da sepultura vira uma propriedade, uma morada pertencente ao morto e a sua família.
Século XIX – HISTERIA
A morte continua pública, mas cria-se uma intolerância com a ideia da separação. O luto se desenrola com ostentação: os enlutados choram, desmaiam e jejuam. É um retorno à Idade Média após séculos de sobriedade. A morte temida não é a própria, mas a do outro.
Século XIX – PROBLEMA
Aqueles em volta do moribundo tentam esconder a gravidade de seu estado. Isso evolui até um sentimento típico do século XX: poupar não o moribundo, mas a sociedade das pertubações causadas pela morte. Na 2ª metade do século os ritos tem menos carga dramática.
Século XX – PROIBIDO
Local da morte muda de casa para o hospital, onde se prestam cuidados adequados. Cerimônias são mantidas, mas as manifestações excessivas de luto são condenadas. Dor demasiada não inspira pena, mas repugnância. O luto passa a ser solitário: o que era exigido vira proibido.
Durante o século 20, sem considerar as peculiaridades de cada cultura ou religião, a morte foi tratada como tabu pelos países do Ocidente – sentimentos como tristeza, desconforto e angústia tinham o rótulo “use com moderação”. Nesse contexto, o luto vem com prazo de validade: poucos meses após a perda, espera-se que os afetados respondam “tudo bem” quando perguntados como estão – mesmo que nada esteja bem.
No livro “História da Morte no Ocidente”, de 1975, o historiador francês Philippe Ariès relata a transformação. Nos séculos 18 e 19, a morte era uma cerimônia pública, com cortejos, visitas (inclusive de crianças) ao quarto do falecido e um luto hoje considerado histérico, do qual faziam parte choro, desmaio e jejum. Isso tudo foi mudando de forma lenta, como geralmente são as modificações ligadas à morte, até ela tornar-se vergonhosa no século 20. Isso. Vergonhosa, proibida e inominável, segundo a descrição de Ariès.
“É importante que a sociedade, a vizinhança, os amigos, os colegas e as crianças se apercebam o mínimo possível de que a morte ocorreu. Se algumas formalidades são mantidas, e se uma cerimônia marca a partida, devem permanecer discretas”, diz o historiador, segundo quem o luto solitário e envergonhado tornou-se uma espécie de masturbação. Não fosse assim, perturbaria o dever moral e a obrigação social de contribuir para a felicidade coletiva. “Uma dor demasiado visível não inspira pena, mas repugnância: é um sinal de perturbação mental ou de má educação. É mórbida“, completa.
Destacada por Ariès assim mesmo, em itálico, a palavra “mórbida” não tem ligação direta com a morte. Ela aparece no dicionário como estado ou condição doentia; enfermidade; algo que denota desequilíbrio psíquico. Ou seja: o termo traz todo um julgamento, indicando uma ação ou um sujeito que foi além dos limites. Assim como poderia ser classificado, de forma pejorativa, o luto dramático do século 19 ou, mais recentemente, uma homenagem no Facebook. Um memorial online pode ser considerado estranho? Sim, porque ainda é algo novo. Mórbido? No sentido literal da palavra, só um especialista (real, não aqueles de Facebook) para saber.
Ariès morreu em 1984, mesmo ano do nascimento de Mark Zuckerberg, e não chegou a conhecer a força social da internet. Se você já usou Orkut, Twitter, Instagram e Facebook – estes dois últimos pertencentes a Zuckerberg, sabe que a postura descrita por Ariès entre os enlutados vem mudando – por mais que muitos julguem e ainda julgarão impróprias as demonstrações públicas de tristeza. Essas ferramentas vêm dando voz àqueles que querem, sim, falar sobre a ausência, homenagear seus mortos e discutir abertamente a dor da perda.
As transformações são lentas e desconhecem os limites entre online e offline: há também cada vez mais grupos de apoio e terapias de luto presenciais. Fato é que esse novo posicionamento tira, aos poucos, aquele véu praticamente obrigatório que existia há algumas décadas. “Nos últimos tempos, o psíquico deixou de ser tão mistificado e as pessoas passaram a se interessar mais pelo autoconhecimento”, explica Sylvia T. Pupo Netto, psicóloga filiada à SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo). “Quando se dá nome aos sentimentos, eles ficam mais naturais. Essa normatização não aplaca a dor da perda, mas facilita a identificação e a troca entre as pessoas”, afirma.

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO MORRER?

Precisamos falar sobre a morte – mais especificamente, a sua. E sobre o que será feito dos seus perfis virtuais depois que você se for.
O Facebook, que se tornou uma poderosa agenda social, alertando sobre aniversários e eventos, agora também informa e repercute perdas. Hoje, é comum as páginas do falecido e de seus parentes receberem os pêsames. A curiosidade leva a bisbilhotar os posts de quem se foi. Muitos desses perfis são mantidos ou transformados em memoriais, recebendo atualizações publicadas por antigos contatos. Nessa configuração, a realidade da morte contrasta com as postagens típicas de redes sociais, onde geralmente se exalta a alegria. Temos assim um novo contexto para o verso de Cazuza “Eu vi a cara da morte e ela estava viva”. Nas redes sociais, numa era de fotos e vídeos abundantes, muitas vezes ela realmente parece estar.
“Existe aquela história de escrever um livro, plantar uma árvore, ter um filho. Hoje, aquilo que você posta também vira um legado de sua passagem pela vida”, compara Ana Luiza Mano, membro do NPPI (Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática) da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Não que isso seja positivo para todos, reforçando que o luto é um processo extremamente pessoal. Da mesma forma que esconder a dor pode aumentar o sofrimento, há também quem se incomode com a exposição.
“Cada um vai descobrir como construir esse novo relacionamento com quem se foi. Não tem certo nem errado, apenas formas diferentes de tratar a saudade e a memória”, resume a publicitária Mariane Maciel, 38. Cofundadora do projeto “Vamos falar sobre o luto?”, ela enfrentou a morte da mãe em junho de 2008. Exatamente um ano depois, seu então namorado morreu no acidente com o avião da Air France. Hoje, ela e mais seis amigas buscam com o projeto acolher e inspirar pessoas: “A morte e o luto também fazem parte da vida, independentemente da nossa vontade”, afirma.
Assim, muitas vezes de forma abrupta, a separação chega e exige que se lide com ela. É essa a situação do jornalista John Lenon Viudes, 24, depois que um carro bateu em sua moto na Rodovia Anhanguera (SP), em junho deste ano. Ele fraturou três vértebras e a clavícula. Sua noiva, Karen Lima, 22, estava na garupa e morreu. “Passei pelos piores dias da minha vida e pensei em fazer besteira. Mas percebi que tinha a escolha de lutar para que a morte de minha noiva não virasse só uma estatística. Essa luta por justiça deu sentido ao sofrimento: quero evitar que outras famílias passem pelo mesmo.” Segundo o boletim de ocorrência, o motorista do carro estava bêbado.
Apesar de ser tudo muito recente, John já participou de eventos de conscientização e deu palestras para jovens que estão tirando habilitação. Também criou a comunidade virtual “Justiça pela Karen” e juntou-se ao movimento “Não Foi Acidente”, que tenta tornar mais rígidas as leis de trânsito. A organização tem profissionais especializados em luto, que participam de encontros presenciais em São Paulo e de um grupo fechado no Facebook chamado Acalmando Corações. Dele faz parte o livreiro Bernardo Gurbanov, 62, que perdeu o filho Matias aos 26 anos, em janeiro de 2014.
O professor de espanhol ia de moto para o aniversário da mãe quando um carro o atingiu na avenida Giovanni Gronchi, em São Paulo. Matias morreu na hora. O Facebook do jovem foi transformado em memorial, hoje visível só aos antigos contatos, e os amigos criaram uma comunidade para homenageá-lo. Bernardo é um dos administradores desse grupo, que visita todos os dias. “É uma forma de manter viva a memória do Matias, mesmo que a emoção nos leve às lágrimas muitas vezes. Graças à página, diversos amigos nos enviaram fotos e vídeos [do Matias] que não conhecíamos”, afirma.
No instituto de psicologia Quatro Estações, especializado no atendimento a pessoas enlutadas, muitos pacientes relatam o uso dessas ferramentas digitais para elaborar a perda. Para a sócia-fundadora Luciana Mazorra, trata-se de uma forma de prestar homenagens diante da escassez de rituais mais tradicionais na sociedade contemporânea. Porém, ela alerta para complicações, caso o enlutado deixe de buscar outras relações e fontes de apoio por causa do ambiente virtual.
Outro problema ligado às novas manifestações de luto pode ser a superexposição. Uma viúva que pediu anonimato, por exemplo, se diz indignada com tantas postagens na página do companheiro, morto há poucos meses. Ela mantém o perfil no ar a pedido da família dele. “Ele era muito discreto e está sendo exposto de uma forma como detestaria. Começaram a marcá-lo em tudo.” Já a socióloga Dolores Ribeiro Coutinho, 53, enfrentou críticas quando travou uma briga judicial com o Facebook para excluir o perfil de sua filha única, Juliana Ribeiro Campos, transformado pela empresa em memorial.
A jornalista morreu em maio de 2012, aos 24 anos, após uma intercorrência médica. “Muitos postavam mensagens de saudade e de perda profunda, porque sua partida deixou um buraco muito grande. A página de Juliana virou um muro de lamentações, muito diferente da imagem positiva dela, e isso me incomodava”, afirma Dolores. A socióloga não tinha perfil na rede, mas pessoas próximas lhe relatavam e enviavam as homenagens consideradas de mau gosto. Ela tentou a exclusão da página durante sete meses, sem sucesso. O problema, diz, estava no fato de as postagens serem feitas, obviamente, sem autorização da principal pessoa envolvida – no caso, sua filha. Uma liminar determinou a exclusão do perfil, e o caso foi concluído em segredo de Justiça. O Facebook não comenta esse caso específico.
A advogada Celina Sobral de Mendonça explica que o acesso à herança digital, seja para preservar ou excluir dados, é de interesse dos herdeiros (cônjuges, ascendentes e descendentes). “Ainda não há uma lei que obrigue os provedores a repassar o conteúdo deixado pelos falecidos. Mas há projetos de lei em tramitação para garantir acesso a esses arquivos”, afirma a especialista em direito digital e de família do escritório Opice Blum Advogados Associados. Esse patrimônio não se refere apenas a perfis, como também a livros, filmes e outros tipos de conteúdo.
Falamos até aqui das perdas inesperadas, protagonizadas por aqueles que partiram sem dizer – entre muitas outras coisas – o que fazer com suas páginas pessoais (a propósito: já pensou no assunto? Instruiu alguém sobre sua herança digital?). No sentido oposto, há pessoas que adotam intencionalmente a tecnologia como testemunha das partidas.
“Amo todos vocês. Por favor, não percam um único segundo com lágrimas. Garanto que tudo está acontecendo conforme o planejado”, escreveu publicamente no Facebook o usuário Plainwhite Tom em janeiro de 2014, antes de acabar com sua vida. Ele mandou mensagens privadas para diversos contatos, inclusive para a mãe e o irmão, como mostra um mini-documentário (em inglês) sobre morte e luto na era digital. O radialista Scott Simon, também dos EUA, compartilhou com mais de 1 milhão de seguidores no Twitter, em 2013, reflexões sobre os últimos dias de sua mãe. “Acabei de perceber: um dia ela me deixou partir para o mundo. Agora tenho de deixá-la fazer o mesmo”, escreveu.
O caso provavelmente mais extremo pertence ao jornalista esportivo Martin Manley, que se matou em 2013, no dia em que completou 60 anos. Durante um ano, ele alimentou em segredo um blog pessoal dividido em 34 categorias no qual falava sobre suas motivações. “Quero controlar a hora, a maneira e as circunstâncias de minha morte.” No dia escolhido, agendou posts em seu blog pessoal e na sua página profissional, além de e-mails para os mais próximos, contando o que havia feito. O Yahoo tirou o site pessoal do ar, e hoje esse mesmo endereço anuncia técnicas para aplique de cabelo.
As previsões do que pode vir a acontecer ainda parecem assustadoras – ao menos nos filmes. “Transcendence: A Revolução” (2014) retrata um pesquisador à beira da morte que tem sua consciência transferida para o computador. Já em “Violação de Privacidade” (2004), o ator Robin Willians interpreta um editor que faz vídeos para homenagear os mortos na cerimônia de adeus. A matéria-prima de seu trabalho são todos os registros da vida, gravados em um implante cerebral.
Mesmo tratando-se de ficção, Willians assegurou-se contra qualquer prática parecida. Morto em 2014, ele restringiu em testamento o uso de sua imagem, nome e assinatura por 25 anos. Assim, ficam proibidas recriações digitais e hologramas, como fizeram com o falecido ator Paul Walker no filme “Velozes e Furiosos 7”. A diferença entre Willians e Walker, nesse caso, está no fato de o primeiro ter planejado sua própria morte, deixando instruções sobre o que exatamente (não) deveria ser feito com sua imagem.
Quem, assim como Willians, prefere um descanso total pós-morte também precisa ficar atento a mais algumas possibilidades. Já existem redes sociais que “aprendem” a personalidade do usuário para continuar postando após a morte do mesmo. Veja bem: não se trata de um memorial. Seria como se o falecido estivesse a publicar temas do seu interesse, fossem eles escândalos de arbitragem do futebol, o novo vídeo da cantora Nicki Minaj ou uma mensagem de aniversário ao melhor amigo. Esses serviços, como o Eter9, usam a inteligência artificial para captar os hábitos dos clientes e alimentar a busca da imortalidade digital. Resta saber se serão capazes de sobreviver ao predatório mundo da inovação, tanto que alguns deles, como o Virtual Eternity, já pereceram – no mundo real do capitalismo, a morte é mesmo implacável.
Texto de Juliana Carpanez
Juliana é editora do UOL. Passou todas as suas senhas para os pais. Mas mudou as combinações há pouco e esqueceu de avisá-los.
Artigo extraído do site http://tab.uol.com.br/

terça-feira, setembro 08, 2015

Demiurgo

INTRODUÇÃO


A maçonaria é para mim repositório de conhecimentos da humanidade, de suas lendas e seus mistérios e isso me fascina. 

A Arte Real é perfeita e nos oferece ferramentas, símbolos e alegorias, que permitem despertar o filósofo que há em cada um de nós, seus obreiros. 

De certa forma poucos são os maçons que se dedicam realmente ao estudo, aprendizado e absorção dos ensinamentos dessa doutrina. Poucos nutrem interesse pela pesquisa e muitos se apaixonam pelos ágapes ou até mesmo se encantam com o exercício do poder, os holofotes. 

A curiosidade dos profanos em relação à Ordem cresce quando vem à tona notícias sobre templários e filmes ao estilo Dan Brown ou Harrison Ford, justamente pelo encanto e pela curiosidade. Fora disso, passa ao largo. 

Preocupa-me observar que muitos maçons não possuem a mínima ideia do que é maçonaria e me preocupa mais ainda a rotina das reuniões enfadonhas sem criatividade e sem incentivo. 

Para aquele em busca da verdade há espaço imenso nos estudos filosóficos que nos conduzem a sonhos magníficos e à realidades muito diferentes sobre a vida e o próprio universo. 

Tenho encontrado pessoas abnegadas que se dedicam a tal mister, mas são poucas, e são justamente essas que ainda mantém de pé e à ordem essa velha tradição. 

Todos os temas colocados, nos mais diversos graus, são oportunidades de crescimento. Não vale apenas a leitura dos textos, mas a compreensão e os ensinamentos que eles transmitem para que possamos continuar desbastando a pedra bruta. 

O Tema desse trabalho, embora pareça de fácil compreensão, quando lemos as obras de Platão, para mim é como se fosse um foco unitário de luz direcionado a um prisma que do outro lado se abre em raios de variados tons. 

Buscarei compreender, através da lógica e da imaginação, o espanto e a admiração do homem mais antigo, em relação às forças da natureza e de sua visão do cosmos. 

Certamente que trago para este trabalho minha visão sobre o Demiurgo de Platão e suas consequências no mundo atual e na própria história da humanidade. 

Espero não decepcionar aqueles com abordagens diferentes. 


DEMIURGO

A palavra demiurgo é derivada do Grego antigo δημιουργός (dēmiourgós, latinizado demiurgus). No Grego Clássico, a palavra Demiourgos significa “artesão” ou “artífice”, literalmente “aquele que trabalha  para o povo”, trabalhador especializado, criador; dēmios (δήμιος) que pertence ao povo; dêmos, “o povo”.[5]

Ao que me consta o uso filosófico e o substantivo próprio aparecem no diálogo do Timeu escrito por Platão em 360 a.C., embora se faça presente em outras obras de sua autoria. É nesse diálogo que Platão expôe a criação do mundo pelo Demiurgo. 

Certamente que esse conceito platônico difere do conceito do deus cristão, pois o demiurgo não pode criar a partir do nada, ou seja “ex nihilo”, diferente da mônada, ou seja, do Deus absoluto, ou para nós, o Grande Arquiteto do Universo. 

Ao que me parece, pelas leituras feitas e pela modesta compreensão, o demiurgo é uma autoridade a quem o deus ABBA, ou Grande Arquiteto, delegou competência para dar forma às coisas materiais. 

Observem que o sistema metafísico de Platão centraliza-se no mundo das idéias: Divino, Perfeito e Imanifesto. A ele contrapõe-se a matéria: uma cópia grosseira, imperfeita, falível e impermanente. Entre a idéia e a matéria está o Demiurgo, o Creador. 

Não sei se posso chamar o demiurgo de personalidade ou de inteligência com atividade creadora, ou ordenador, pois quem cria, no mundo das idéias é Abba. Na verdade, dentro desse princípio, ele é o responsável por transformar o caos em cosmos. Comparando com o hinduísmo ele seria Brahma (O Criador), mas não seria Brahma (O Incriado). 

Platão era um filósofo contemplativo, observava a natureza por um todo e entendia que no princípio do Universo havia a matéria caótica e disforme. Havia também as idéias, que são perfeitas. Havia o espaço e havia o DEMIURGO (deus). Segundo ele, o Demiurgo, entristecido com a desordem, resolve copiar as idéias na matéria. Desse modo, Ele gera os objetos que formam a nossa Realidade e, por isso, o que cria nem sempre é perfeito como as idéias de ABBA, ou do Grande Arquiteto do Universo, e fica por isso separado do Pleroma. Para o DEMIURGO, e em sua concepção, tudo o que Ele criava era perfeito, não aceitando nenhuma contestação dos Arcondes e por isso era um Deus rebelde. 

A nossa abordagem é simplória. Poderiamos analisar os aspectos religiosos de tais implicações relacionando as questões do bem e do mal e as indagações constantes sobre o porquê da existência da dualidade e bem assim o porquê ela existe se Deus é a perfeição. 

Há uma obra interessante de Renèe Guenon, intitulada o DEMIURGO que fala sobre o ternário e nos traz lições muito importantes para que possamos compreender a dualidade. 

Vejam que, em sua obra, Guenon, logo de início, aborda a dualidade e o conceito do bem e do mal: 

“Existem alguns problemas que constantemente vêm preocupando o homem, mas aquele que se há apresentado geralmente como o mais difícil de resolver é o da origem do mal, com o qual se depararam, como se fosse um obstáculo intransponível, a maioria dos filósofos e sobre tudo os teólogos: “Si Deus est, unde Malum”? Si non est, unde Bonum?”(1). Este dilema é, com efeito, insolúvel para aqueles que consideram a Criação como obra direta de Deus, e que, em conseqüência, estão obrigados a responsabilizar-lhe do bem e do mal. Se dirá sem dúvida que esta responsabilidade é atenuada em certa medida pela liberdade das criaturas; mas, se as criaturas podem escolher entre o bem e o mal, é porque tanto um como outro já existiam, ao menos em princípio; e se as criaturas são suscetíveis de decidir-se às vezes em favor do mal em lugar de fazê-lo sempre em favor do bem, é porque são imperfeitas. Como então Deus, sendo perfeito, pôde criar seres imperfeitos? 

“Se chamamos bem ao perfeito, realmente o relativo não é algo distinto, já que em princípio está contido nele; então, desde o ponto de vista universal, o mal não existe. Existirá unicamente se consideramos as coisas sob um aspecto fragmentário e analítico, separando-as de seu princípio comum, em lugar de considera-las sinteticamente como contidas nesse princípio, que é a perfeição. Assim é criado o imperfeito; distinguindo o Mal do Bem se cria os dois por esta distinção mesma, pois o Bem e o Mal são tais se opomos um ao outro e, se não há mal, não há motivo para referir-se ao Bem no sentido ordinário dessa palavra, senão unicamente da Perfeição. É, pois a fatal ilusão do dualismo quem realiza o Bem e o Mal, e que, considerando as coisas sob um ponto de vista particularizado, substitui a Unidade pela multiplicidade, e encerra assim os seres sobre os quais exerce seu poder no domínio da confusão e da divisão. Este domínio é o império do Demiurgo.” 

É uma obra interessante de se ler, e vale a pena! Coisa bem própria do Demiurgo. 

Na maçonaria encontramos determinadas abordagens ritualísticas que não compreendemos e, nas instruções ministradas estamos sempre nos deparando com os conceitos da dualidade, começando com o número dois, na 5ª. Instrução de Aprendiz Maçom, quando a ele nos referimos como sendo “perigoso”. 

Mas, depois observaremos a constante presença do ternário que dá equilíbrio às coisas. O Bem e o Mal não existiriam sem o Ternário, pois estão nele contidos e muitas coisas que entendemos como corretas é apenas interpretação equivocada da realidade. 

Luz e Escuridão caminham juntas, uma é a ausência da outra. O fogo que destroi é o mesmo que aquece e nos protege do frio. 

Sabedoria, Força e Beleza são uma constante entre nós maçons e existem para nos mostrar o equilíbrio. A Sabedoria (do Grande Arquiteto) a Força que cria (do Demiurgo) e a Beleza (do Plasmar). 

Vemos também a questão do PONTO, que é o verbo, o mundo das idéias, (ABBA), a RETA que é o PONTO em movimento (o demiurgo) e retas interligadas que são o PLASMAR das idéias, no mundo material. 



CONCLUSÃO 


Todos os temas apresentados nos Graus Filosóficos são, no meu entender, formas de aprendizado e lições que devemos absorver e colocar em prática. 

Fica bem demonstrado que o Demiurgo não é de todo mal, mas sim um teimoso, um deus que não aceita a opinião dos seus auxiliares, por que se acha acima de todos. 

Quantos DEMIURGOS existem entre nós? 

Eles são muito comuns e designam pessoas que tem a disposição de parecer sempre certas, assenhoradas da Verdade. Pessoas que tudo sabem e que tudo explicam. Além disso, quando confrontadas com seus erros, fazem cara de paisagem. 

Há uma pergunta que os pais sempre fazem aos filhos quando pequeninos e que a resposta é sempre a mesma: “por que você fez isso? E a resposta vem automática e sem maldade: “por que sim”. 

Certamente que os adultos já não possuem a candura para tanto, mas é comum observarmos pessoas de pouca cultura, de pouco conhecimento, se arvorarem em verdadeiros sábios e quando falam não aceitam serem abordados ou corrigidos. São os donos da Verdade. Distorcem a realidade dos fatos. 

Há pessoas que mesmo existindo uma legislação a ser obedecida, regras a serem seguidas, normas a serem observadas, mantém o seu ponto de vista fazendo o contrário de tudo que está implícito como correto, simplesmente por não aceitarem opiniões contrárias. São DEMIURGOS! 

Fica aqui o meu entendimento sobre o que é DEMIURGO e o que pode significar em todos os aspectos do conhecimento inerentes à nossa sociedade. É muito comum encontrarmos DEMIURGOS em todas as atividades profissionais. 

Fica também aqui uma visão mais aprofundada da necessidade do homem por seus deuses como justificativa dos seus atos e, o mais importante, a grandeza de ABBA, ou seja, do Grande Arquiteto do Universo. 


AUTOR:Ir.´.José Roberto Cardoso – GLMDF

La Heresia dos Cataros  por Wayne Purdin 15 Febrero 2014 Este artículo apareció en, New Dawn Nº 113 (marzo-abril 2009) d el Sitio Web NewDaw...