segunda-feira, agosto 08, 2011



O SIGILO MAÇÔNICO

Ir.: Arthur Aveline
ARLS Dos Obreiros da Arte Real nº 154 – REAA – GLMERGS
Or.: de Porto Alegre - RS
 
 
A Maçonaria é uma Instituição universal, reservada, parcialmente secreta, de princípios iniciático-filosóficos. Segue uma simbologia e uma ritualística que envolve juramentos sigilosos. Apesar de possuir regulamentos conhecidos, não significa, como defendem alguns setores, que seja uma sociedade “discreta”. O Simbolismo e seus significados são ocultos para o mundo profano, e até mesmo para muitos Maçons. Seguindo essa ordem de raciocínio, pode-se perfeitamente classificar a Maçonaria como uma sociedade Secreta, muito embora seja fácil encontrar bibliografia maçônica em qualquer livraria ou sebo.

Para uma melhor compreensão do tema, é importante ver o dizem nossas Leis básicas, que são os Landmarks e a Constituição de Anderson.

O 23º Landmark, da compilação de Mackey, refere-se ao sigilo dos mistérios e práticas maçônicas. Este Landmark prescreve a conservação secreta dos conhecimentos havidos pela Iniciação assim como os métodos de trabalho, as Lendas e Tradições, que somente poderão ser comunicadas a outros IIr.: 
Nicola Aslan, em sua conhecida obra Landmarks e Outros Problemas Maçônicos, assim comenta este Landmark: “Não é certo que a Maçonaria seja uma sociedade secreta, pois entende-se por sociedade secreta aquela cuja existência é ignorada e cujos membros são desconhecidos. Mas é um Landmark que os Segredos da Maçonaria não se devem divulgar.”(grifos nossos). Apesar de Aslan não classificar a Maçonaria como uma sociedade secreta, paradoxalmente reconhece que se trata de um Landmark a vedação à divulgação dos Segredos Maçônicos.

Ainda segundo Nicola Aslan, apenas alguns Landmarks podem realmente ser considerados com tal, e entre eles está o trabalho secreto das Lojas e a proibição de divulgação dos Segredos da Maçonaria. Não há como ignorar o caráter secreto da Maçonaria.

A Primeira Edição do Livro das Constituições, na parte concernente às regras de conduta que devem ser observadas diante daqueles que não são Maçons, recomenda que “os Maçons devem ser circunspectos em suas palavras e obras, a fim de que os profanos, ainda os mais observadores, não possam descobrir o que não seja oportuno que aprendam.”

Por seu turno, a Declaração de Princípios das Grandes Lojas Brasileiras, em seu art. 6º, aliena ‘a’, exige e considera essencial e indispensável o sigilo absoluto.

Também os Regulamentos Gerais da Ordem consideram infrações maçônicas graves revelar segredos da Ordem (sinais, toques e palavras), a quem estiver impedido de recebê-los, bem como violar juramento prestado, traindo os princípios, dogmas e credos da Ordem. Segundo esses mesmos Regulamentos, comete infração no grau de violação de juramento quem revela, sem autorização, rituais, cerimônias e outros mistérios, protegidos pelo segredo maçônico, ou revela fato ou assunto tratado em Loja, não gravado em Balaústre, ou discute publicamente, no mundo profano, as deliberações das Lojas ou atos passados no interior dos Templos. A pena para essas infrações pode ser até a exclusão da Ordem, tal a gravidade atribuída à quebra do Sigilo Maçônico. Essas regras são comuns à várias Obediências, em sua essência.

Como se nota, existem inúmeras razões para se classificar a Maçonaria como Sociedade Secreta. A  existência de um método de reconhecimento de seus membros, além de vários ensinamentos que somente são comunicados aos que passaram por um ritual de iniciação, indispensáveis para que se reconheça um Ir.:, atestam esta afirmativa. Esta índole secreta é inerente à Maçonaria desde à sua fundação e está assegurada em seus antigos Landmarks. Se a despojarmos desse caráter secreto, por certo deixaria de ser Maçonaria para ser mais uma entidade ou instituição filantrópica e humanista, mas não Maçonaria, pois lhe faltaria um elemento caracterizador essencial: o Sigilo. 

Todavia, nem tudo na Maçonaria é segredo, uma vez que seus propósitos e finalidades são de domínio público e os Maçons podem exibir sua condição publicamente como tal. Logo, nem tudo é segredo e sigilo; há coisas que podem ser reveladas a profanos e outras que não se pode revelar. Mas isso, não basta para caracterizar a Maçonaria como uma sociedade discreta, pois seus ensinamentos (a razão de existir da Instituição Maçônica) são sigilosos e secretos, transmissíveis apenas aos iniciados. Importante ressaltar que até mesmo os iniciados não têm acesso a todos conhecimentos, simbolismos e ensinamentos maçônicos, mas tão somente aos que sejam pertinentes ao seu respectivo grau. Cada grau possui ensinamentos e simbolismo próprios, que não estão acessíveis àqueles de grau inferior.

É importante referir que a palavra iniciação vem do Latim initiatio, de initiare, e designava, entre os romanos, a admissão nos mistérios de seus ritos secretos e sagrados. Durante a Antigüidade havia duas espécies de Iniciação, denominada pequenos e grandes Mistérios. A primeira se referia a uma compilação das ciências ditas elementares e de princípios gerais do Ocultismo. A segunda, a Iniciação dos Grandes Mistérios, abrangia a metafísica das ciências, assim como a prática da Arte Sagrada, ou seja, todo o conjunto das ciências denominadas ocultas.

No Ritual de Iniciação o profano é informado que a Maçonaria, como toda associação, tem leis particulares e todo associado deveres a cumprir. Alerta-lhe, então, que o primeiro dos deveres do Maçom é o mais absoluto silêncio sobre tudo o que vier a ver, ouvir ou saber. 
Esse primeiro dever é exageradamente rigoroso, todavia, a fórmula do juramento que é revelada ao candidato é um pouco mais flexível: “Juro guardar o mais profundo silêncio sobre todas as provas a que for exposta minha coragem”.
Neste segundo momento, o sigilo refere-se às provas e não a tudo o que vier a ver, ouvir e saber. 
No Juramento, propriamente dito, o candidato se compromete a nunca revelar os Mistérios da Maçonaria que lhe serão confiados, senão em Loja regularmente constituída, sob pena de ser considerado perjuro. Esses mistérios, para muitos, são apenas os sinais, toques e palavras pelos quais os maçons se reconhecem; para outros, entretanto, os Mistérios da verdadeira Iniciação são muito mais abrangentes e complexos do que simplesmente os sinais, toques e palavras, e somente são conhecidos através da vivência maçônica.
 
Nota-se claramente o cunho secreto da Instituição Maçônica: os segredos somente se passam mediante um juramento sagrado de que esses segredos somente serão revelados em Loja regularmente constituída. 
Somente após ser prestado o juramento, é que se comunica ao neófito os segredos do Grau de Apr.: M.:, ou seja os sinais, os toques e as palavras que permitem aos Maçons o reconhecimento entre si. 
Não obstante os juramentos iniciáticos, Jules Boucher, conhecido autor de importantes obras sobre as ciências secretas, defende a opinião de que os segredos maçônicos devem ser compartilhados com os profanos, pois dessa forma, segundo o citado autor, a Maçonaria passará a ser encarada em sua verdadeira essência. Parece que tal posicionamento, ao contrário do que prega o conceituado autor, desvirtua a verdadeira essência maçônica, até porque, correríamos o sério risco de reconhecer um profano como Ir.:, já que nossos mistérios e segredos iniciáticos estariam ao alcance de qualquer um, tenha ele boas ou más intenções, em relação ao seu uso. As conseqüências daí resultantes são imprevisíveis. 
Acreditamos que o fato de a Maçonaria ter dois aspectos distintos o Exotérico e o Esotérico faz com que as discussões sobre o Sigilo Maçônico não obtenham uma unanimidade, ou pelo menos, uma orientação única. 
O aspecto exotérico (jurídico) assegura a qualidade de sociedade civil e trata dos meios de organização da Instituição, seus regulamentos e princípios, que são públicos e de conhecimento geral. Essa característica, faz com que certos setores considerem ser nossa Instituição apenas discreta. 
Mas a característica mais importante da Maçonaria é o seu aspecto esotérico, que lhe confere seu perfil de associação moral e espiritual, o que vem a ser a verdadeira razão de ser da Instituição Maçônica. Aí estão incluídos seus Ritos e Liturgias, bem como o ensino simbólico e filosófico que, por força de Juramentos Iniciáticos, devem estar protegidos das indiscrições profanas.


BIBLIOGRAFIA
 
Constituição e Leis Básicas dos MM.: AA.: LL.: AA.: - GLMERGS – 2ª edição – Porto Alegre – RS, 1999. 
Regulamento Geral da GLMERGS – 2ª edição revisada, Porto Alegre – RS, 1999. 
 
Ritual do Grau de Apr.: M.: da GLMERGS, 2ª edição revisada, Porto Alegre – RS, 1998. 
BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica, São Paulo, Ed. Pensamento, 400 p. 
 
ASLAN, Nicola. Landmarks e Outros Problemas Maçônicos, 2ª ed., Rio de Janeiro,  1972, 396 p. 
ASLAN, Nicola. Comentários ao Ritual de Aprendiz – Vademécum Iniciático, 1ª ed. da Editora, Londrina – PR, Ed. Maçônica "A Trolha", 1995, 384 p. 
 
CARVALHO, Paulo Sérgio Rodrigues. Mistérios e Misticismos das Iniciações, 1ª ed., Londrina - PR, Ed. Maçônica "A Trolha", 2000, 176 p. 
GOMES, Valdir. Igreja Católica e Maçonaria - Verdadeiras Razões da Divergência, 1ª ed., Porto Alegre, RS, RS Editor@, 2000, 161 p.

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quinta-feira, agosto 04, 2011

MAÇOM MATA! 
    Esta semana fui procurado por um funcionário (não posso dizer repórter, pois o mesmo não era imparcial) de uma entidade religiosa que gostaria de me fazer algumas perguntas para o jornal institucional.
   Sabendo que não somos bem vistos pelos membros desse segmento cristão, aceitei de pronto o encontro, afinal era uma oportunidade de desmistificar.
  Clima amistoso, perguntas básicas, até que começou o jogo de palavras visando descobrir “os segredos” e se realmente o demônio faz parte da Maçonaria.
  Tudo simples de responder, até que influenciados pela noticia do assassino norueguês, veio a pergunta final:
  - É verdade que o Maçom mata? (Em razão do maluco norueguês)
   Na hora o sangue subiu, pois estou incomodado pelas manifestações e difusão da noticia por verdadeiros Irmãos Maçons. Respirei fundo e respondi:
   - SIM, É VERDADE, O LEGÍTIMO MAÇOM MATA!
     Vocês precisavam ver o brilho nos olhos e o movimento de acomodação nas cadeiras dos interlocutores. Continuei:
   - O Maçom Alexander Fleming ao descobrir a penicilina matou e ainda mata milhões de bactérias, mas permite a vida continue para muitos seres humanos.
    O Maçom Charles Chaplin com a poderosa arma da interpretação e sem ser ouvido, matou tanta tristeza, fez e ainda faz nascer o sorriso da criança ao idoso.
O Maçom Henri Dunant ao fundar a Cruz Vermelha matou muita dor e abandono nos campos de guerra.
 O Maçom Wolfgang Amadeus Mozart em suas mais de 600 obras louvou a vida.
 O Maçom Antonio Bento foi um grande abolicionista que junto com outros maçons, além da liberdade, permitiram a continuidade da vida a muitos escravos.
 O Padre Feijó, o Frade Carmelita Arruda Câmara e o Bispo Azeredo Coutinho embasados nas Sagradas Escrituras e como legítimos maçons desenvolveram o trabalho sério de evangelização e quem sabe assim mataram muitos demônios.
 O Maçom Baden Powell ao fundar o Escotismo pregava a morte da deslealdade, da irresponsabilidade e do desrespeito.
 O Maçom Billy Graham foi o maior pregador batista norte-americano e com seu trabalho matou muita aflição e desespero. Inclusive há no Brasil um movimento chamado MEB – Maçons Evangélicos do Brasil.
 Mas o Maçom não só mata, ele também é morto. Por conta dos valores de liberdade, igualdade e principalmente fraternidade, mais de 400 mil maçons, juntamente com judeus foram mortos nos campos de concentração. Também sofremos muita perseguição aqui no Brasil, quando imigrantes europeus que professavam religiões diferentes ao Catolicismo, não podiam construir seus templos e os maçons ajudaram. Querem um segredo? Muitos cultos protestantes ocorreram dentro de Lojas Maçônicas, afinal o Maçom combate a falta de liberdade religiosa. Este senhor Anders certamente torce por um time de futebol, tem preferência por uma marca de cerveja, tem a cor que mais gosta, ou tipo de música ou até mesmo um credo religioso, não há de se fazer vinculações. Esta situação foi causada por um indivíduo, clinicamente perverso que tem personalidade psicopática. A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. O legítimo Maçom não é o homem que entrou para a Maçonaria, mas aquele que a Maçonaria entrou dentro dele.
 Houve e há Maçons em todos os seguimentos da sociedade e todos com o mesmo propósito; fazer nascer uma nova sociedade, mais justa e perfeita, lógico sem esquecer que o MAÇOM MATA, principalmente o preconceito. E vamos vivendo sempre recordando o ensinamento de Mateus 7:1-2 “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.”
   Depois do cafezinho, convidei estes Irmãos (afinal somos todos filhos de Deus) para que acompanhassem a Campanha de Fraternidade que a Loja Maçônica Presidente Roosevelt iria fazer no domingo seguinte.
   OBS: Não sei o porque da reportagem não ter sido publicada no jornal e senti a falta deles na entrega dos artigos doados pelos Maçons da Presidente Roosevelt. Teria sido muito bom contarmos com o apoio na distribuição dos 100 litros leite, mais de 100 quilos de material de limpeza, dos materiais escolares, da grande quantidade de brinquedos, do afeto e da atenção que somados pesaram 33 medidas maçônicas de Força, Beleza e Sabedoria.
    Grato pela atenção.
TFA
QUIRINO
    Sérgio Quirino Guimarães
    ARLS Presidente Roosevelt 025
    Segundas-feiras, Templo 801
    Palácio Maçônico - Grande Loja
    Belo Horizonte - Minas Gerais
    0 xx 8853-2969
    Ano 05 - artigo 31 - número sequencial 313


Saudações estimado Irmão,
realmente o MAÇOM MATA!

quarta-feira, agosto 03, 2011


A PALAVRA SEMESTRAL


É norma contida no Ritual Escocês, de 1928, das GG.·. LL.·. Brasileiras, que a Palavra Semestral deve ser trocada com o Cobridor da Loja que se visita, como prova da regularidade recíproca entre o visitante e a visitada. Quando Aprendiz, indaguei: como é que se processa esse “trocar”? Responderam-me que eu deveria dar ao Cobridor da Loja visitada uma falsa palavra, isto é, inventada; caso ela fosse aceita ou recusada, haveria a prova da irregularidade ou regularidade da Loja. E, à guisa de pá-de-cal, me foi acrescentado: se a Loja for regular, o Cobridor não aceitará tal “troca” e voltará a pedir a Palavra — e aí sim! — darás a verdadeira, aquela recebida na Cadeia de União. Ponderei que a explicação não abrangia todas as possibilidades, inclusive a do Visitante ser colocado no olho-da-rua, por irregular ou por metido a engraçadinho... Ante o frio olhar do Mestre, calei-me...

O tempo passou. Visitei muitas Lojas. Nunca foi necessário trocar a Palavra Semestral com quem quer que fosse, embora a dúvida de como proceder continuasse latente no subconsciente. Até que um dia, ao longo das pesquisas e estudos, inesperadamente, nas últimas páginas da obra “A Simbólica Maçônica” — de Jules Boucher — lá estava a resposta concisa à invencionice que tentaram me impingir (e, sabe-se lá, a quantos outros...). Então, juntei o dito por Jules Boucher com outras leituras e, hoje, tantos anos passados, creio estar suficientemente informado para explicar, sem “magister dixit”, aos Aprendizes de agora, a verdade sobre tal assunto, vazada num texto simples, como eu gostaria de ter recebido em 1977/78. Buscando reunir as informações essenciais à compreensão do tema, situá-lo no tempo e resumir seus eventos desencandeantes, vejamos...

A Maçonaria Francesa do século XVIII — de onde, em grande parte, o nosso Rito provém —, foi pródiga em Graus, Ritos e Corpos: quase 400 Graus, mais de 50 Ritos e, englobando tudo isso, diversas Ordens e Obediências. Evidentemente, todas digladiando-se por precedências. No sentido de amplitude, no de entrecruzar caminhos, descaminhos e trilhas — “uma savana” — verbera Allec Mellor.

Assim, lá por 1770, existiam três grandes Obediências: duas Grandes Lojas, a da França e a Nacional de França, mais o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente (Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém), além de vários Grupos e Lojas esparsas. No início de 1773, buscando dar fim ao divisionismo, limitar o número de Graus e, segundo dizem, para impor suserania à Maçonaria Francesa, a maior parte da Grande Loja da França (e outras dissidências) reestruturou-se como “Ordem Real da Maçonaria em França”, gerando e dando à luz — em 24.05.1773 — ao Grande Oriente de França, Obediência que, em 28 de outubro daquele ano, empossa seu primeiro Grão Mestre, Felipe de Orleans, Duque de Charters (1).

Afora a estranha personalidade de tal Grão-Mestre (2), o que importa assinalar é o fato de que na data de sua posse nasceu a Palavra Semestral (3), criada para impedir a presença de Maçons não filiados às reuniões do GOF. Foi uma medida bem diferente daquela tomada em 1730 pela Grande Loja de Londres que, ao trocar a seqüência das colunas de BJ para JB, buscava impedir o acesso de profanos nas Lojas, em decorrência das “inconfidências” de Prichard, quando publicou nossos “segredos” num jornal londrino.

Contrariamente, o GOF atingia os Maçons, tentando obrigá-los à filiação na nova Obediência, limitando o livre direito de visitação até então vigente.

Concluído o cenário e vistas às motivações que ensejaram o nascimento da Palavra Semestral, vejamos como ela foi planejada para ter eficácia, no sentido concebido por seus mentores, os quais, com inteligência, uniram dois usos tradicionais: um militar, o da Senha; e o outro obreiro, o da Cadeia de União (4). Tais parâmetros foram conjugados e, até hoje, mantidos em vigor nas Obediências Escocesas da Europa, assim:

a) A PS não é UM só vocábulo, são DOIS, ambos com a mesma inicial; por exemplo: Luz/Lua, Sol/Saber ou Fé/Força... É Senha e Contra-Senha ou melhor, tal como se diz na França: são as palavras semestrais;

b) Na Cadeia de União, uma palavra vai pela direita, a outra pela esquerda; e, pelo retorno aos ouvidos do Venerável, este diz do acerto da recepção: “Justas e Perfeitas”. Caso ocorra algum erro, o procedimento é repetido até poder ser dado como correto.

À luz do até aqui exposto, retornando à indagação inicial de como“trocar” a Palavra Semestral com o Cobridor, bastaria que o visitante desse a Senha (uma palavra) e recebesse a Contra-senha (a outra palavra) para que, inegavelmente, ficasse estabelecida a regularidade de ambos. Ou seja, a do visitante e a da Loja. Tudo simples, sem invencionices, de forma inteligente!

Aqui poderíamos dar por concluído este trabalho, mas nossos leitores talvez ficassem com duas indagações:

1ª) A implantação das Palavras Semestrais surtiu o efeito desejado?

2ª) Por que nós temos somente uma Palavra Semestral?

Respondendo-as, ressalvando a existência de divergências entre os historiadores, podemos dizer que:

Na França, como vimos, a implantação das Palavras fazia parte de um contexto obediencial e programático que, no sentido hegemônico, não alcançou seu fim, pois a animosidade dos IIr.·., Lojas e Obediências tidas por “irregulares” avolumou-se contra ao GOF — que, embora enobrecido com um príncipe de sangue na titularidade do Grão-Mestrado, não conseguiu unificar a Maçonaria Francesa, mas ficou com sua maior fatia

No nosso caso, a existência de uma só Palavra Semestral, em vez de duas, podemos creditar somente ao desconhecimento do tema, tanto por tradutores quanto por autoridades litúrgicas, os quais — por certo — desconheciam a História da Franco Maçonaria de Findel, que à pág. 65, descrevendo uma iniciação de antanho, quase ao final diz: “Era libertado da venda de seus olhos, mostravam-lhe as três grandes luzes, colocavam-lhe um avental novo e davam-lhe o santo e a senha (o grifo é nosso), conduzindo-o ao lugar que lhe correspondia no recinto da Assembléia”. Santo-e-senha, segundo os dicionaristas, são palavras de mútuo reconhecimento.

Aliás, fazendo-se um parêntese, os nossos Vven.·. recebem a Palavra Semestral inserida num triângulo (?) e cifrada num código primário, para não dizer infantil, quando bem poderia ser criptografada no antigo alfabeto maçônico. Pelo menos assim, recordaríamos como decifrar certos sinais inseridos no Painel de Mestre, além de nos lembrar a ausência da Prancheta em Loja.

Concluindo, embora desagradando aqueles que buscam origens místicas e mágicas em tudo quando maçonicamente nos cerca, vimos que a Palavra Semestral nasceu de uma contingência nada esotérica. Aliás, daquele contexto, convém ressaltar, se originou a forma democrática de eleição dos VVen.·. (5) - (apanágio que o GOF até hoje ostenta e orgulhosamente relembra). No mais, acreditamos ter ficado evidente a forma equivocada de transmitir e trocar a Palavra Semestral, totalmente em desacordo com a tradição mais que bicentenária.

Por fim, com a última Palavra Semestral distribuída pela CMSB, a do primeiro semestre de 2001, apressadamente julgamos ter retornado ao tradicional molde de Senha — Contra Senha. Ledo engano, mas razão suficiente para reformatarmos este trabalho e continuarmos esperando que, um dia, a Palavra retorne à forma originária. Caso isso não aconteça — o que é bem provável — contentamo-nos em fazer a nossa parte: a de difundir mais uma informação sobre nossos Usos e Costumes, para proveito dos cultores das Tradições do R.E.A.A. .


NOTAS


1- Sendo seus oficiais: o Duque de Montmorency — Luxemburgo (Administrador-Geral); o Conde de Buzencois (Grande-Conservador (!?); o Príncipe de Rohan (Representante do GM); o Barão de Chevalerie (Grande Orador); o Príncipe de Pignatelly (Grande Experto).

2 – Militante revolucionário que, sob o cognome de Felipe-Igualdade, votou na Convenção pela morte de seu primo e Ir.·., o rei Luiz XVI. Além disso, em quase vinte anos de mandato, poucas vezes presidiu os trabalhos do GOF; ao fim, renunciou e abjurou a Maçonaria. Foi expulso da Ordem e sua espada foi quebrada “em Loja”. Acabou seus dias guilhotinado como contra-revolucionário.

3- Segundo o Dic. De Frau Ablines (elencado na bibliografia), a Palavra nasceu em 23.07.1777, sob a alegação de que “convencidos por uma larga experiência da insuficiência dos meios empregados para afastar os falsos Maçons, acreditamos que o melhor que se pode fazer é rogar ao Grão-Mestre que dê a cada seis meses uma palavra, que se comunicará aos Maçons regulares, por meio da qual se farão reconhecer nas Lojas que visitarem.”

4- Não era, e continua não sendo, um costume universal da Maçonaria, pois presumidamente nasceu na Compagnonnage, corporação obreira do continente europeu que não penetrou na Maçonaria de Ofício Insular (Ilhas Britânicas); conseqüentemente, a Maçonaria de origem Anglo-Saxã não pratica a Cadeia de União, dizendo-a fora dos cânones maçônicos.

5- Os Mestres de Loja, como eram chamados naquela época, tinham conseguido tornar-se donos de Lojas particulares, inamovíveis até 24.05.1773. Nesta data, criado o GOF, foi usado pela primeira vez a expressão “Venerável Mestre de Loja”; e declarado que, daí em diante, não se reconheceria o Mestre elevado àquela dignidade, senão pela livre escolha dos membros da Loja.
 

Ir.·. Adayr Paulo Modena

Deputado do Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul

BIBLIOGRAFIA
A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática — Jean Palou.
A Simbólica Maçônica – Jules Boucher.
Dicionário da FM e dos F. Maçons — Ajec Mellor.
Dic. Enciclop. de la Masonería — Don Lorenzo Frau Abrines e Don Rosendo Arús Arferiu.
Gr. Dic. Enciclop. de Maçonaria e Simbologia — Nicola Aslan.
Jornal “Le Monde”, artigo publicado em 15.09.2000 — Alain Bauer, Grão-Mestre do GOF.
O R.E.A.A. — José Castellani.
Programa Radiofônico — Domingo, 05.11.2000 — Entrevista do Grão-Mestre do GOF, Alain Bauer.
Revista “A Renascença” nº 22 — abril de 1998.

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"O estudo, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido sermos crianças por toda a vida. "
( Albert Einstein ) 

terça-feira, agosto 02, 2011


EU SOU A MAÇONARIA (ENSAIO)

Tenho por objetivo tornar feliz a Humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião!

Caríssimos Irmãos amigos, enquanto não compreendermos que Maçonaria é assimilação de conhecimentos e bom senso em ação, para entendê-la precisamos utilizar as ferramentas da mente arejada e coração aberto. Não existe um preparo, um vestibular, dotado de amplas explicações para ingresso na Ordem. Estamos passando aos não Iniciados (profanos) informações tímidas e desajeitadas.
E se me permito escrever isto, é porque aprendi a duras penas, nesses trinta anos de trabalhos incessantes na Maçonaria, a conhecer a minha própria indigência de conhecimentos.
Temos, antes de tudo, de compreender que nada sabemos. Então, estaremos, pelo menos, conscientes de nossa ignorância.
Mas, aprender com quem? Sozinhos, como autodidatas, tirando nossas próprias lições dos textos colhidos na Internet, confiantes nas luzes de outros que tateiam como nós, mas que estufam o peito de autossuficiência e pretensão? Claro que não. Ao menos isso devemos saber. Temos de procurar fontes seguras, ensinamentos de pessoas sensatas, bem intencionadas, imbuídas da consciência de transmitir a Verdade e não fantasias fascinadas por mistificações grosseiras e evidentes, visando fazer adeptos.
Seria absurdo pensar que podemos dominar esse vasto acervo de conhecimento, de conceitos, através de simples leituras de textos levianos com que articulistas tratam de certos temas maçônicos, com uma falsa suficiência de arrepiar, lançando confusões ridículas no meio profano e maçônico. Temos de compreender que isso não pode continuar. Chega de arengas melosas, de auditórios basbaques, batendo palmas para palavreado pomposo. Nada disso é Maçonaria. Os articulistas, palestrantes e conferencistas Maçons precisam ensinar Maçonaria – que poucos conhecem – e para isso precisa primeiro, estudar, pesquisar e aprendê-la.
Precisamos de expositores didáticos, servidos por bom conhecimento doutrinário, que como num sacerdócio, sejam aptos a instruir sobre o sagrado. O ensino que é a educação e a cultura ou o sistema de conduta arduamente adquiridos em estudos e pesquisas para expor os temas fundamentais maçônicos,  versam sobre os problemas essenciais do espírito maçônico: o sentido da vida e da História, o destino do homem, a significação do mundo, a liberdade, o bem e o mal. A doutrina não desce às aplicações práticas, mas permanece no plano dos grandes princípios.
A Maçonaria é depositária de doutrinas morais, religiosas e filosóficas. Por isto, são muito simples, por terem sido primitivamente destinadas a simples e incultos operários medievais.
Instituição social, a Maçonaria ensina as mesmas doutrinas morais da sociedade cristã ocidental; apenas repisa para que o comportamento de seus membros seja realmente exemplar. Por isto, dela se disse que é “uma ciência de moralidade”, assegurando uma instrução maçônica que “a moralidade é a joia mais preciosa de um Mestre Maçom”.
Os seus ensinamentos transmitem-se através do simbolismo, e as interpretações dos símbolos sempre estarão ao nível intelectual e moral do Iniciado.
As doutrinas morais da Maçonaria são, pois, inculcadas nos membros da fraternidade, através de ensinamentos os quais, logo no começo, lembram a obrigação da bondade e os deveres do homem para com o seu próximo. Por isso, na ideia que da Maçonaria fazem os profanos, é que se trata de uma associação de homens ligados entre si por um vínculo particular.  Uma instrução do Ritual de Aprendiz ensina: “Existem três grandes deveres que, o Maçom, é obrigado a gravar no espírito: os que se referem a Deus, ao nosso próximo e a vós mesmos”.
O dever para com o próximo resume-se, desta forma, na conhecida sentença, antiga e universal: “Faça a outrem o que desejarias que te fizessem”. O objetivo da Maçonaria, do ponto de vista moral, é, pois, de ver realizado ao máximo os ensinamentos de amor e auxílio mútuo entre os seus membros, que são as bases de uma verdadeira fraternidade, numa comunidade de sentimentos, de princípios, de escopos, que dão à Ordem todo o seu caráter social e moral. Assim, o escopo moral da Maçonaria baseado sobre o seu caráter social, é de fazer homens melhores; de cultivar o amor fraternal e de inculcar a prática de todas aquelas virtudes que são essenciais para a perpetuação de uma fraternidade.
Além de fazer aos outros o que desejaria que lhe fizessem, o Maçom, segundo os Antigos Deveres, é obrigado a obedecer a lei moral, a ajudar o desgraçado, a dar bom conselho àquele que erra, falar bem do ausente, observar a temperança, a suportar o mal com fortaleza de ânimo, a ser prudente na vida e na conversação, e a dispensar  justiça a todos os  homens.
Quanto às Doutrinas religiosas da Maçonaria, elas também são simples e evidentes por si mesmas e, não são obscurecidas pelas perplexidades da teologia intolerante, intransigente, permanecendo fora, na luz clara, inteligíveis e aceitáveis para todas as mentes.
Limitam-se elas na simples crença em Deus e no seu corolário natural da imortalidade da alma. As negações destes princípios preconizados pelas doutrinas religiosas da Instituição impedem a Iniciação maçônica. Assim, logo no começo da Iniciação, é perguntado ao candidato se deposita a sua confiança em Deus, e a série de iniciações, na Maçonaria Simbólica, “termina pela revelação do sublime símbolo de uma vida depois da morte e o ingresso na imortalidade”.
As doutrinas morais e as doutrinas religiosas da Maçonaria são interdependentes. De fato, é necessário primeiro conhecer e sustentar a paternidade de Deus, antes de apreciar corretamente a fraternidade universal dos homens. A Maçonaria permite que homens de todas as religiões possam ser Iniciados sem para isso renunciar às suas crenças. Assim, longe de substituir as outras confissões deseja-se aproximá-las e conciliá-las, o que exclui a ideia de uma nova fé.
Na verdade, a Maçonaria não possui doutrinas filosóficas que lhe sejam próprias; a sua filosofia é a de todas as idades e de todos os povos em contínuo desenvolvimento, em perene evolução. Assim, por exemplo, o Aprendiz deve procurar saber de onde vimos; o Companheiro o que somos e o Mestre para onde vamos. Porém estas indagações constituem o eterno enigma da humanidade, toda ciência e toda filosofia as fazem também e procuram respondê-las.
Colhemos na Internet o texto do Irmão Ray V. Denslow que apresentamos como se segue:

Eu sou a Maçonaria - Nasci na antiguidade, quando os homens pela primeira vez pensaram em Deus. Tenho sido praticada através dos tempos, e encontrei a verdade. Os caminhos do mundo têm minhas pegadas e as catedrais de todas as nações levam a arte das minhas mãos.
Esforço-me em favor da beleza e da simetria. No meu coração estão à sabedoria, a força e a coragem para aqueles que as buscam. Em meu altar estão as escrituras sagradas e minhas preces são ao Deus Onipotente. Meus filhos trabalham e oram juntos, sem rancor ou discórdia, no mundo profano ou dentro do templo.
Através de sinais e símbolos eu ensino as lições da vida e da morte e o relacionamento entre o homem e Deus e entre o homem e o homem. Meus braços estão abertos para receber aqueles que me procuram por sua livre vontade. Os aceitos e ensino-lhes a utilizarem minhas ferramentas de trabalho na construção de homens e, depois disso, a encontrarem respostas às suas próprias perguntas, sobre perfeição, tão desejada e tão difícil de alcançar. Sustento os que caem e dou abrigo aos enfermos.
Importo-me com o choro dos órfãos, as lágrimas das viúvas, a dor dos velhos e dos necessitados. Não sou religião, partido ou escola, e apesar disso meus filhos têm uma carga de responsabilidades para com Deus, com a pátria, com os semelhantes e consigo mesmos.
Eles são homens livres, tenazes e conscientes de suas liberdades e alertas contra os perigos. Enfim, empenho-me em que cada um tome sua jornada por caminhos em direção à glória de uma vida eterna. Observo um grão de areia através da lente e penso como é pequena uma simples vida perante o  universo eterno. Eu sempre pensei em imortalidade e mesmo enquanto levanto os homens da escuridão para a luz, sou uma forma de vida. SOU A MAÇONARIA!

Valdemar Sansão – M.’. M.’.

sexta-feira, julho 29, 2011


 












Pois é, dizem que o mundo vai acabar! Culpa de Prometeu, que roubou fogo divino e entregou nas mãos dos homens (e ainda querem culpar Pandora). Apolo e as Musas inspiraram a escrever esta série (que Minerva vos auxilie). Além disso, Plutão (Hades) liberou as sombras mais ilustres que vivem no Érebos para que pudessem falar um pouco acerca disto:


Pitágoras
Se o mundo é par não acabará e se ele for impar acabará.
Heráclito
Tudo é devir. Por isto o mundo sempre acaba, não se pode viver no mundo duas vezes.
Crátilo
Tudo é devir. Por isto o mundo nem sequer chega a existir, não se pode viver no mundo nem uma vez.
Parmênides
O mundo não vai acabar, porque este mundo nunca foi real, pois só o ser é l, o resto é aparência ilusória dos sentidos.
Zenão
Para que o mundo acabe seria necessário percorrer um caminho infinito. Se o mundo acabar é porque não é real, não passa de aparências ilusórias.
Um sofista qualquer
Não desesperem, os homens mais fortes superarão o fim do mundo. Se me pagarem eu ensino como.
Sócrates
Tudo quanto sei é que nada sei sobre o fim do mundo. Você que é a personificação da própria inteligência, poderia me dizer como o mundo acabará?
Platão
Este mundo pode acabar, mas as idéias deste mundo são eternas, tudo que existe são cópias perecíveis delas.
Aristóteles
Todo algo que existe é algo que um dia acabará

O mundo é algo que existe.  Logo, este mundo é algo que um dia acabará  e

Dado este mundo, não se pode atribuir a ele o atributo de que ele acabará ou não acabará ao mesmo tempo.
Epicuro
Não ligue para o fim do mundo, viva uma vida de prazer.
Pirro
Não compreendi! O que é o mundo? O que é acabar? O mundo existe? Aliás, você existe? Fiquem calados! Não podemos saber nada.
Agostinho
Já estava escrito que este mundo iria acabar. Creiam que o mundo irá acabar para que entendam que o mundo irá acabar.
Descartes
Se eu pensar, logo o mundo não acabou.
Pascal
O mundo vai acabar, faça já as suas apostas. É melhor crer que o mundo não vai acabar, porque se ele acabar não vai perder nada, porém se ele não acabar, você não será chamado de tolo.
Newton
O mundo continuará existindo até que uma força exterior acabe com ele.
Leibniz
O mundo acaba! De qualquer forma este é o melhor de todos os mundos possíveis.
Voltaire
O mundo irá acabar, vejam como este é o melhor dos mundos possíveis!
Hume
Não há nenhuma razão para que possamos crer que o mundo irá acabar.
Berkeley
Toda vez que dormimos o mundo acaba.
Kant
Se o mundo vai acabar é impossível que um dia saibamos. Tudo que conhecemos são fenômenos não a realidade em si.
Schiller
Sintam a beleza do fim do mundo. Pois este mundo racional é indigno de nossa existência
Hegel
O fim-do-mundo é idêntico ao não-fim-do-mundo.
Kierkegaard
Para quem está morrendo hoje, não interessa o fim do mundo, e para quem está vivo, do que adianta saber sobre o fim do mundo, se um dia todo homem vai morrer mesmo?
Schopenhauer
Só assim para o sofrimento acabar e colocar um fim no acasalamento humano.
Nietzsche
Se Deus morreu, por que o mesmo não aconteceria com o mundo?

e O mundo acaba eternamente.
Marx
Eu não disse que a comunidade socialista iria triunfar?
Freud
O fim do mundo é uma obsessão do homem neurótico.
Darwin
O mundo terá um fim desde que não se adapte ao meio.
Comte
O fim do mundo nunca será um fato verificável.
Heidegger

O homem tudo bem, mas o mundo? Não sabia que o mundo era um ser-para-a-morte!
Camus
Eu sabia que a peste iria acabar com o mundo.
Sartre
Se o mundo vai acabar ou não, não faz sentido, tudo é absurdo.
Inteligência artificial intelectual (filósofo do futuro)
Você tem alguns minutos para fazer um backup antes que o mundo acabe.

Ops! Tem um erro aqui, nunca estive no Hades, nunca estive no Hades, nunca estive no Hades…

Este texto foi escrito como uma paródia de um texto humorístico que circula pela internet sobre as manchetes acerca do fim do mundo

O MESTRE
(Publicado na revista O Pensamento - mai/jun/99)
Sem saber o que fazer vagava o Mestre despreocupado por entre a obra quando se deparou com um Aprendiz que, concentrado, examinava uma pedra ainda não totalmente desbastada. Querendo mostrar sua força e sua autoridade, dirigiu-se ao obreiro:
- Aprendiz, a tua pedra não está devidamente desbastada. Acaso pensas em dá-la como acabada?
- Mas, Mestre esta pedra...
- Não será negligenciando nas tuas tarefas que um dia pretendes chegar onde hoje estou. Não penses que o mestrado é conseguido sem sacrifícios e pouco trabalho.
- Mas, Mestre, eu...
- Não me parece que os ensinamentos tenham sido por ti bem assimilados. Vede o estado em que se encontra esta pedra. Toda disforme e cheia de imperfeições. Já imaginastes as conseqüências que acarretaria o seu assentamento na obra? Por certo não iria se encaixar convenientemente e, além disso, colocaria em risco o próprio andamento da construção
- Mas, Mestre, eu gostaria de...
- Não me interrompas enquanto falo. Um aprendiz deve saber comportar-se diante de seu Mestre. Não estou gostando do teu comportamento nem de teu jeito desleixado de trabalhar. Olha só esse avental, todo sujo, e essas ferramentas em péssimo estado de conservação. Agora olha para mim. Vê meus paramentos, imaculados, e meus utensílios de trabalho perfeitamente conservados, como novos. Não te serve de lição ver tão gritante comparação? Acaso não te sirvo de exemplo? E vamos deixar de conversa; trata de trabalhar que o tempo é curto. Como castigo, para que não sejas tão negligente, deverás terminar o desbaste desta pedra, mesmo no teu horário de descanso.
- Mas, Mestre, eu gostaria de explicar que...
- Não irei perder mais meu tempo contigo! Faze o que determinei e estamos conversados!
Afastando-se, o Mestre sai satisfeito e orgulhoso por ter sido severo e demonstrado sua autoridade, deixando o aprendiz matutando:
- Puxa vida! Eu queria explicar ao Mestre que esta pedra está aqui desde quando ELE ERA APRENDIZ E, NA PRESSA DE AUMENTAR O SEU SALÁRIO, NÃO A DESBASTOU CONVENIENTEMENTE. 

Todas as minhas pedras foram aproveitadas na obra, razão pela qual meu avental está sujo e minhas ferramentas desgastadas pelo uso. Além disso, estou no meu horário de descanso e aproveitava o tempo para concluir o desbaste desta pedra que está aqui desde a promoção do Mestre.
O Mestre deve ter razão e deve estar muito preocupado com seus afazeres para se importar com uma simples pedra bruta. O melhor mesmo é terminar esta pedra e deixá-la pronta para o polimento.
Pensando melhor, não seria mais conveniente eu deixar esta pedra, que não é minha, de lado e preocupar-me em aumentar meu salário e ser igual ao Meu  Mestre?

segunda-feira, julho 25, 2011

    O SONHO E A ESCADA

                                                                           Ir.·. Antônio do Carmo Ferreira



Não sei se é costume em todas as regiões do Brasil, o maçom dizer que “subiu um degrau na Escada de Jacó”, para externar sua alegria em receber “aumento de salário”.
Aqui, na região em que vivo e tenho vinculação com a Arte Real, é rotina dizer-se esta expressão, tanto na revelação da felicidade de quem foi elevado de grau, como nos discursos de saudação aos beneficiados.
Entendo que deverá ser muito denso o significado deste símbolo na maçonaria (1), diante de tanta ênfase que se lhe dá em seu uso ou ao se fazer a sua exegese, por mais superficial que seja a abordagem.
Não quero falar que a Escada de Jacó é importante, por haver sido admitida no Simbolismo Maçônico e, coincidentemente, ao mesmo tempo em que se inaugurava o primeiro Templo Maçônico, construído como tal e para esta finalidade – o Freemason’s Hall – inaugurado em 1776 (2), no oriente de Londres.
Nem desejo registrar, mas já registrando, a sua importância, porque esteja configurada no Painel da Loja de Aprendiz, elaborado por Willian Dight, em 1808 (3), onde a Escada de Jacó aparece, partindo da Bíblia aberta sobre o altar e alçando-se ao céu, que o alcança no clarão de uma estrela de sete pontas.
Todavia, como se percebe, mesmo sem querer me referir a uma Escada, já falei de duas. Uma, a do sonho de Jacó, cuja descrição vem do Velho Testamento (4). Outra, desenhada por Dight, que se reporta à primeira, mas com omissões e algumas inserções. Na Escada do sonho, ela está ligando a terra ao céu, e anjos, sobem e descem. Na Escada do Painel, ela está ligando a Bíblia do altar ao céu, sem anjos, mas com a introdução de fortes símbolos do cristianismo, quais sejam: a cruz da fé, a âncora da esperança, e o cálice do amor (o sangue do Filho de Deus, derramado em face do amor pela humanidade). (5)
O sonho, teve-o Jacó, e está totalmente narrado no Gênesis. O Senhor, na oportunidade, fala a Jacó de tudo de bom que lhe está reservado, tanto a Jacó quanto à sua descendência – o povo de Israel, nome este que substituiu o de Jacó, após sua luta com o anjo, episódio de que a Bíblia se ocupa no livro de Gênesis (6)
A conversa havida ao pé da Escada inspira o entendimento de uma contrapartida de Jacó e descendentes ao que o Senhor, seu Deus, lhe estava a garantir. Que aquele povo desse à vida o destino de encaminhar-se ao Altíssimo: (7) “uma peregrinação de retorno à Casa do Pai”, como séculos depois, Santo Agostinho ensinava a respeito da vida.
Parece-me não causar arrepios dizer que a maçonaria pensa desta forma, quando proclama a “prevalência do espírito sobre a matéria”. Pensamento este muito bem retratado na composição do  compasso e esquadro,  sendo este a matéria e aquele o espírito.
A vida, em seus aspectos menos tangíveis, é o mote principal da Ordem. O aperfeiçoamento do iniciado e seu exemplo na comunidade em que habita.. O cuidado com o bem-estar do próximo. O zelo pela família. A dedicação às coisas do amor fraternal. O adepto da maçonaria deve apresentar-se pelo bem que pode fazer.
A Escada de Jacó indica esta trajetória. No que se refere ao sonho, ela é utilizada pelos anjos (seres plenos de virtudes) em sua movimentação. O maçom deverá ser um construtor de templos à virtude. Ele mesmo será uma pedra que se poliu para ocupar espaço na construção. Ascender mais um degrau na Escada é estar mais perto do Criador. Significa dizer: possuir mais virtudes. A contrapartida ao que o Senhor ofertou a Jacó.
A Escada de Jacó, na concepção de Dight, que contém os símbolos da fé, da esperança e do amor, tem o chamamento do maçom a seu próprio aperfeiçoamento.
Se o maçom diz que subiu um degrau na Escada, tem convicção do que está dizendo, e acredita nisto, ele está declarando seu compromisso com esta prática de amar a Deus, pois está em seu caminho; de aperfeiçoar-se, porque é destinado a ser templo de Deus (8); e de amar ao próximo que é um estágio da Escada, que se encontra mais aproximado do Altíssimo.
Que o Grande Arquiteto do Universo conceda, sempre, aos irmãos maçons a força e o vigor suficientes para subirem, não somente um, porém vários degraus nesta desafiadora “escada”, com a qual sonhou Jacó e na qual a maçonaria se inspira a cada instante.


 

RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS

(1)  “A Escada de Jacob é alegoria de origem bíblica e designa a escada que Jacob viu em sonho, a qual simbolizava a providência e cuidado especial de Deus por Jacob; os anjos levavam suas orações e necessidades ao trono de Deus e desciam com as bênçãos divinas; em Maçonaria ela é representada sobre o círculo entre paralelas verticais e tangenciais, tendo no topo, uma estrela de sete pontas, como símbolo da ligação do iniciado com Deus, através da ascensão na escada iniciática”. José Castellani, no livro Dicionário Etimológico Maçônico, vol. DEFG, pág. 59, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(2)  “Naquele ano foi pintado um Painel... tudo leva a crer que o irmão Pintor... acrescentou também a Escada de Jacó, que desde alguns anos antes já vinha sendo ensinado nas Lojas. Lendo Machey, vemos que no rito de York, a Escada não era um Símbolo original, tendo sido introduzido por Dunckerley em 1776, época em que Priston iniciou suas LEITURAS. O que vem a comprovar, é que, até aquela data, a Escada de Jacó ainda não era um Símbolo Maçônico. No Rito Escocês Antigo e Aceito, ela entrou pelas mãos de Miguel André de Ransay, que era um ardoroso defensor dos Stwarts, transformando em símbolo maçônico a Escada Mística dos Mistérios Mitraicos.” Francisco de Assis Carvalho no livro “Símbolos Maçônicos e suas origens”, págs. 135, 136 e 137, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(3)  “Willian Dight, um maçom inglês, pintor, em 1808 elaborou três Painéis sobre lona, como era de uso na época.” Rizzardo Da  Camino no livro “Os Painéis da Loja de Aprendiz” pág. 109, Editora A Trolha. Na pág. 110 da mesma obra, está reproduzido o painel onde se encontra o desenho da Escada de Jacó.
(4)  Gênesis 28:10 – 17
(5)  I Cor 13:13
(6)  Gênesis 32: 28
(7)  Gênesis 28:20 – 22
(8)  I Cor 6: 19

La Heresia dos Cataros  por Wayne Purdin 15 Febrero 2014 Este artículo apareció en, New Dawn Nº 113 (marzo-abril 2009) d el Sitio Web NewDaw...