segunda-feira, fevereiro 09, 2015




Quando em Maçonaria se afirma que esta é uma instituição iniciática, que promove o progresso e evolução da humanidade, através do auto-aperfeiçoamento dos seus membros, só se pode dizer que tal só é possível, se existir uma enorme “dose” de perseverança na atitude dos seus membros.

Tanto que esta qualidade a par de outras também importantes, é das que talvez, no meu entender, seja de maior relevância para os maçons.

É somente tendo uma atitude perseverante que o maçom poderá almejar atingir os objetivos a que se proporá, nomeadamente no que toca ao seu aperfeiçoamento pessoal.

Tal como na vida profana, apenas agindo de forma perseverante e laboriosa, é que alguém consegue obter alguma coisa a que se proponha a ter ou alcançar. Nada cai nas nossas mãos de “mão beijada” e até é habitual se afirmar que “não há almoços grátis”; logo apenas trabalhando em prol de algo, se consegue alcançar ou aceder a tal.

E ser perseverante não é nada mais que ter uma atitude positiva face às contrariedades  da vida, ter a coragem necessária para ultrapassar essas adversidades que se vão atravessando no nosso caminho, apreendendo algo com essas situações menos positivas, transformando-as numa motivação suplementar que potenciará a nossa vontade de atingir as metas a que inicialmente nos propusemos a atingir e fundamentalmente ter a noção de que apenas com o nosso empenho e com o nosso trabalho é que tal poderá ser possível. Nada mais simples que isto.

Mas apesar de toda esta aparente simplicidade, alguns problemas se poderão colocar; uma vez que não é na teoria em si, que acima explicitei e que se suporá de fácil concretização, mas será na parte prática que vamos encontrar as maiores dificuldades a ultrapassar.

É verdade que custa agir de uma forma plenamente perseverante a todo o momento, pois nem sempre temos a motivação necessária e nem sempre conseguimos encarar a vida com o respeito e com a nobreza que ela merece ser vivida.

Quantas vezes não acordamos nós sem ter vontade de nada fazer, estando deprimidos e de “mal com a vida”?!

E com a trágica ideia de que tudo o que possamos fazer não correrá como o esperado?

Ou que tudo o que façamos (nesses dias) será visto como algo negativo ou ineficaz?

Tal acontece e sempre acontecerá… 
Somos humanos e nem sempre temos as “defesas” que queremos ter e nem sempre tudo pode decorrer como desejaríamos como sucedesseEssa variável é que torna a vida ser interessante em ser vivida.

Parece antitética a afirmação que fiz, mas é a verdade.

 Se fosse tudo sempre igual, teríamos tanto prazer em viver?

Talvez, por uns tempos, porque depois da rotina instalada tudo seria igual, tanto o “dia como a noite” não teriam diferença sequer…

Por isso é que também é necessário ao ser humano que por vezes algo considerado como negativo ou menos positivo, possa acontecer. Essas más experiências serão novas lições a serem adquiridas e as consequências dessas situações permitem sempre novas aprendizagens que a longo prazo serão assumidas (em alguns casos) como uma mais valia na vida de cada um. Mas com paciência e com um espírito resiliente até, tal será ultrapassável.

- Naturalmente que estou a falar num sentido muito amplo. Ninguém deseja passar por situações traumáticas ou que lhes seja prejudicial e/ou que prejudique outros por isso, apenas para “aprender a viver”... -
E “baixar os braços” e ter uma atitude de resignação e derrotista face a esses momentos negativos que por vezes sucedem na nossa vida, não nos trará nada de benéfico, apenas infelicidade e tristeza. Por isso somente uma atitude pode prevalecer. Ser perseverante!

E se com o nosso sentimento de perseverança conseguirmos cativar outros, através da prossecução do nosso exemplo, na nossa forma de estar e de agir no meio que nos rodeia, para que também eles possam atuar da mesma forma nas suas vidas ou pelo menos sentirem-se inspirados para tal, tanto melhor.

- Não temos de ser líderes nem guias espirituais, mas como maçons, temos a obrigação de fomentar e de exercer na sociedade os valores que assumimos como nossos e como tal, devemos ambicionar e propormo-nos a agir de forma a que o progresso e a evolução dos povos possa suceder sem altercações de maior. -

E se com a nossa atitude conseguirmos mudar a forma de vida dos outros e torná-la em algo melhor ou em algo que lhes proporcione alcançar as “ferramentas” para que isso possa ser ambicionável, tal é do mais gratificante que se possa sentir. Seja porque através da nossa própria atitude, conseguimos transformar a vida dos outros para melhor, bem como em relação à nossa vida pessoal, esta poderá ter uma perspetiva em que pelo menos a maioria das coisas a que nos proponhamos a cumprir, poderão de facto ser exequíveis. Apenas ficando por cumprir aquilo que não dependerá somente de nós próprios ou da nossa boa vontade.  Mas essa variável sempre existirá…

Por isso, não podemos tudo, mas podemos fazer algo para que tal possa acontecer…

Quando um Grão-Mestre se Torna um Líder

    
O título, Grão-Mestre, pode ser traduzido como grande mestre. Para alcançar esse nível é preciso ter, como perfil, uma ilibada carreira maçônica, pavimentada pelo estudo contínuo e profundo de nossa história e de nossos ensinamentos. A ascensão à este cargo, é tido após uma profunda e pormenorizada pesquisa de perfil maçônico e profano. Além disso, é necessário saber ser líder.
A liderança deve equilibrar três dimensões: resultados de projetos e melhorias, atenção aos irmãos e a flexibilidade para inovar. Existem três tipos de líderes: os que melhoram as coisas, os que pioram as coisas e os encarregados que não fazem nem uma coisa nem outra.

"Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos."

quinta-feira, fevereiro 05, 2015


A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS PRIMÓRDIOS DA MAÇONARIA NO BRASIL

                          
Infelizmente, história contada é história modificada. Isso porque a história é contada pelos sobreviventes e, via de regra, romanceada. E os maçons brasileiros, seres humanos como quaisquer outros, não fizeram diferente. Mas o compromisso maçônico da busca irrestrita e incessante da verdade faz com que alguns fatos, geralmente “esquecidos”, devam ser divulgados para que, pelo menos na Maçonaria, conheça-se a história real.
A história que quase todos os historiadores maçons contam é sempre a mesma e é mais ou menos assim: Em 1815, nove maçons fundaram Rio de Janeiro a Loja “Comércio e Artes”, a Loja Primaz do Brasil. Então, depois de alguns anos, em 1822, a Loja já contava com 94 membros, então resolveram dividir a Loja em três e fundar o Grande Oriente Brasileiro, primeira Obediência Maçônica no Brasil.
Na verdade, a Maçonaria brasileira não nasceu no Rio de Janeiro e nem tampouco lá foi o berço da primeira Obediência Maçônica. E, evidentemente, a Loja “Comércio e Artes” nunca foi a “Loja Primaz” do Brasil. Na verdade não foi nem a décima, quanto mais a primeira.
Apesar dos esforços de muitos autores maçons em negar isso, o pioneirismo maçônico brasileiro nasceu no Nordeste, mais precisamente na Bahia. A primeira cidade do Brasil também foi berço da primeira Loja Maçônica: “Cavaleiros da Luz”, fundada em 1797. Nada mais justo. Se quase tudo no Brasil começou lá, por que na Maçonaria seria diferente? O historiador e maçom Borges de Barros, que foi diretor do Arquivo Público da Bahia e relatou pela primeira vez a existência dessa Loja, ainda deu conta de que a Loja “Cavaleiros da Luz” foi a chama principal da Conjuração Baiana. Nada mal para os nossos pioneiros!
Mesmo com a dissolução dessa primeira Loja, com o passar dos anos a Maçonaria foi se desenvolvendo no fértil solo baiano: em 1802 surgiu a Loja “Virtude e Razão” que, depois de breve tempo adormecida, foi reerguida com o nome “Virtude e Razão Restaurada”, na mesma época em que, também de seu espólio, surgiu a Loja “Humanidade”. Ainda no Nordeste, não demorou para que a luz maçônica iluminasse, por influência da Bahia, o Estado de Pernambuco.
Sobre Pernambuco, é necessário aqui um comentário à parte:
Apesar de muitos escritores maçons assim desejarem, a “Areópago de Itambé” não era uma Loja Maçônica. No século XVIII existiam centenas de instituições criadas aos moldes da Maçonaria, usando símbolos iguais e similares, e até dividindo os graus em Aprendiz, Companheiro e Mestre como na Maçonaria. Era uma verdadeira “coqueluche” de Ordens, Clubes e Associações, e era muito comum os homens livres serem membros de duas ou mais dessas diferentes instituições, até mesmo no Brasil. Um exemplo disso é o “Apostolado”, da qual José Bonifácio, Gonçalves Ledo e D. Pedro I também faziam parte. Ser inspirada na Maçonaria não é o mesmo do que ser Loja Maçônica.  
Em 1809, atendendo às inúmeras Lojas que já existiam, foi fundado em Salvador o “Governo Supremo” ou simplesmente “Grande Oriente”, a PRIMEIRA Obediência Maçônica brasileira. Não era um “Grande Oriente da Bahia”, como os poucos historiadores maçons que o citam costumam se referir, pois era composto de, pelo menos, 09 Lojas: 03 na Bahia, 04 em Pernambuco e 02 no Rio de Janeiro. Maçons portugueses e brasileiros, muitos deles iniciados na França e Portugal, eram membros dessas Lojas. Tudo isso 06 anos antes da fundação da “Comércio e Artes” e 13 anos antes do GOB. Pernambuco, por contar com maior número de Lojas, ganhou em 1816 uma Grande Loja Provincial filiada ao “Governo Supremo”.
Interessante observar que mais uma vez a Maçonaria se fez presente na história: um dos responsáveis pela formação do Governo Supremo e tido como primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Provincial de Pernambuco, Antônio Carlos de Andrada, foi o líder da Revolução Pernambucana, em 1817. Prova maior do papel decisório da Maçonaria no movimento é a lei régia de 1818 proibindo sociedades secretas no Brasil.
Antes que alguém tente justificar a constante omissão de tais fatos nas “versões oficiais” da Maçonaria brasileira por conta dessas Lojas e Obediência não terem sido regulares, é importante observar que a Loja “União”, fundada em 1800 no Rio de Janeiro e sempre presente nas versões históricas, também era irregular. Somente após a adesão de algumas autoridades públicas, ela foi “refundada”, aparentemente de forma regular, e teve seu nome modificado para Loja “Reunião”. Até mesmo a histórica Loja “Comércio e Artes” foi fundada sem Carta Constitutiva em 1815 e trabalhou de forma irregular até 1818, quando foi fechada. Somente quando de seu reerguimento, em 1821, a “Comércio e Artes” se filiou ao Grande Oriente Lusitano.  
Isso só nos mostra que a história da Maçonaria no Brasil é, muitas vezes, contada conforme a conveniência, omitindo os verdadeiros pioneiros em favor dos sobreviventes, ou lembrando deles quando se quer apontar a Maçonaria como protagonista das conjurações. Também é no mínimo intrigante como a Maçonaria esteve presente nos movimentos revolucionários baiano e pernambucano, mas tantos historiadores maçons e não-maçons fazem questão de negar sua participação na Inconfidência Mineira. Mas isso é tema pra outra ocasião.
O importante é reforçar que, antes de fundada uma Loja situacionista, a qual originou a Obediência que promoveu a independência sob a manutenção do imperialismo no Brasil, houveram várias outras Lojas e até Obediências oposicionistas, e muitos de seus membros morreram ou sofreram duras penas defendendo os princípios maçônicos de liberdade e democracia. E a Maçonaria brasileira de hoje tem o dever moral de honrar essa história.

 

quarta-feira, fevereiro 04, 2015


O próprio título desta publicação poderá parecer por si só uma possível contradição.

Uma analogia direta entre política e Maçonaria Regular nunca poderá ser feita em concreto porque em Maçonaria Regular não se discute política. E muito simplesmente porque tal não é permitido pelas suas próprias regras, os seus Landmarks, que no seu sexto artigo impede que este tipo de discussão possa ter lugar numa loja maçônica. 

Mas no que ao tema concerne, a proibição existente em relação à abordagem de temas políticos numa sessão maçônica é apenas em relação à discussão e debate de ideias relativas à política partidária. Porque abordando a política como conceito em si, conceito este como sendo algo que é assumidamente necessário para quem vive na sociedade, a postura da Maçonaria Regular é diferente.

O conceito político, quando abordado no seu sentido lato, é permitido seja em debates meramente filosóficos ou que tratem de temas sociológicos ou antropológicos. Nestes casos,  as ideologias são facilmente postas de parte. Pelo que efetivamente nunca se discute se o pensamento político de “direita” ou de “esquerda”, ou se uma monarquia ou  república serão os melhores sistemas políticos a serem vivenciados pela sociedade.

Salientando também que,  devido ao cumprimento do referido Landmark, não se discute se uma religião é melhor ou pior que outra. Política e Religião em Maçonaria Regular encontram-se no mesmo patamar.

Aliás atrevo-me a dizer que para a Maçonaria Regular, ambos estes conceitos estão colocados naquelas prateleiras muito altas que é usual se ter em casa, em que sabemos que as coisas lá estão, mas que não as conseguimos alcançar…-

Estas concepções de vida, políticas ou religiosas, a serem discutidas,  apenas o serão em em sentidos amplos e meramente filosóficos. Até porque geralmente estes temas, assim como o futebol, são os temas que mais dividem o Homem e fraturam a sociedade, e a Maçonaria quer-se como sendo um centro agregador de pessoas e nunca como sendo o seu foco de divisão.

Assim, relativamente à política partidária, cada maçom seguirá as políticas ou sentir-se-á representado pelo partido político que considerar que será o que melhor o representa ou que aplica e/ou defende as ideias que para si são consideradas como sendo as que maior valência deverão ser seguidas pela sociedade civil. E apenas isso.

Não obstante, é do conhecimento público em geral, que vários maçons são membros ativos de vários partidos políticos, muitos deles mesmo pertencentes a alas muito distantes politicamente e com um ideário político muito diferente e bastante divergente até. 
E isso é lhes possível  porque são livres para o fazer. 

Em nada a Maçonaria os impede de tal. Nem como instituição, nem os próprios maçons entre si, como membros desta Augusta Ordem. Cada um fará o que lhe aprouver quanto ao caminho que preferir percorrer, seja partidário ou não, e respeitará do mesmo modo, o caminho que o seu irmão decidir prosseguir…

Estes últimos parágrafos serão talvez alguns dos quais que mais confusão farão aos profanos e que podem suscitar certas teorias conspiratórias, uma vez que, pode-se sempre supor que, como poderá alguém que não se revê politicamente noutra pessoa, e que por vezes em debates mais acalorados, sejam eles no hemiciclo, sejam eles em qualquer tipo de campanha, em que algumas vezes podem inclusive roçar a falta de respeito, para depois dentro de portas ou na sua intimidade, serem amigos e considerarem-se como Irmãos?!

A própria questão encerra a sua própria resposta.

Não temos nós irmãos, familiares e amigos que têm opiniões contrárias às nossas?

Não levam eles, em alguns casos, vidas muito diferentes da que levamos?

Não têm eles concepções de vida muito distantes daquelas que consideramos como sendo as mais válidas?

Quantas vezes em debates de ideias mais acesos, não nos chateamos e depois tudo ficou resolvido como nada se passasse?

Sim, todos nós na nossa vida, passamos ou alguma vez passamos por esta situação. 

E fraternidade é isso mesmo, é ter bastante respeito pelo próximo, consagrar o direito à diferença de opinião, ser tolerante em relação a diferentes pontos de vista, e ter uma postura coerente no âmbito do debate.

Por isso é que a Maçonaria sobreviverá per si, independentemente do posicionamento político dos seus membros. 
Tudo devido ao sentimento fraternal que estes têm entre si e que os fará colocar de parte qualquer antagonismo que possa ser  motivado, neste caso,  por questões político-partidárias.

E depois no que toca à questão partidária, esta não se coloca à Maçonaria mas sim ao Povo, que como integrante fundamental da sociedade tem o dever de participar nela e contribuir para o seu progresso.

 Assim, cabe ao maçom, sendo ele mais um elemento que faz parte do povo, participar como cidadão e como parte interessada nesta questão.

O compromisso que o maçom assume com a Ordem é um compromisso de ordem moral e ética, e que não envolve sequer, qualquer forma de política neste comprometimento.
Pelo que nada melhor que o seu exemplo e conduta para servir de paradigma aos outros. 

Logo, pelos seus valores, o maçom nunca poderá agir impulsivamente nem de forma irrefletida, porque para além de não ser a forma de correta para alguém agir, e depois porque está em permanência debaixo do jugo da sociedade; assim o maçom que seja ativo politicamente na sociedade em que está inserido, deve observar sempre o cumprimento dos valores maçônicos. 

Porque estes valores em nada colidem com a liberdade de ninguém e muito menos com os direitos de todos.

 E se hoje em dia vivemos como vivemos, uma boa parte resultou de um trabalho imenso e intenso por vezes, que alguns  maçons de outrora tiveram e que propiciaram para que hoje em dia possamos usufruir  das condições que temos e que nos permitem ambicionar por mais e melhor...

segunda-feira, fevereiro 02, 2015


A Nova Grande Loja da França e sua rejeição pela Grande Loja Unida da Inglaterra





Por V.´. Irmão Jack Buta MPS
PM Paradise Valley Silver Trowel Lodge #29
Arizona Grand Lodge, EUA
Maçom Grau 32 do Rito Escocês
Extrato do Artigo “A CONSPIRAÇÃO DE DEUS”


Em 1879, várias Lojas do Craft com cartas constitutivas emitidas pelo Supremo Conselho do REAA para a França e suas Possessões separou-se para formar a Grande Loja Simbólica Escocesa (apenas 3 graus). [Xxi]Até 1893 surgiu então um movimento no Grande Loja Simbólica da França para permitir a admissão de mulheres na Maçonaria, e cinco lojas se separaram da Grande Loja Simbólica de França para formar a Droit Humain. [Xxii]
Em 1894, as restantes 25 lojas do Craft formaram uma nova Grande Loja, que assumiu o nome da Grande Loja original da França. Em 1899, esta Grande Loja de 5 anos de idade solicitou o reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra. A resposta voltou em apenas 3 dias. A resposta do Grande Secretário da GLUI, Letchworth em 9 de outubro de 1899 à GLdF recusou o pedido com base em que o Supremo Conselho da França, e não uma Grande Loja emitira as cartas constitutivas das lojas que constituíram a GLdF. Ele também fez alegações de que GLdF não exigia uma Bíblia sobre o altar. O impacto sobre o jovem Grande Loja foi devastador; a GLdF não o relatou até a Grande Comunicações de 1903. [Xxiii]

As relações entre a Grande Loja Unida da Inglaterra e a Grande Loja da França (GLdF) 

Por que a GLUI respondeu tão rapidamente e de forma tão negativa à petição da GLdF? Em 1899, a GLUI estava em relações de amizade com o Supremo Conselho da França e há uma abundância de precedente para a regularidade das lojas do Craft cujas cartas constitutivas foram emitidas pelos Supremos Conselhos do REAA. Nos EUA, por exemplo, dez Lojas do Rito Escocês compõem o Distrito 16 da Grande Loja da Louisiana e ainda praticam aquele Rito histórico. Ainda mais intrigante são as declarações de posição publicadas por proeminentes membros da GLUI. Sir James Stubbs, KCVO, TD, Grande Secretário, Grande Loja Unida da Inglaterra entre 1958 e 1980 declarou: “As negociações para o estabelecimento de relações amistosas com outras Grandes Lojas foram no passado conduzidas com base em que o pedido de reconhecimento de um corpo menor era investigado pelo Conselho a pedido do Grão-Mestre. Isso foi feito por meio de uma troca de correspondência para estabelecer a natureza de seus princípios e práticas, mas sem que, até agora, como pode ser visto, qualquer regra rígida e rápida sobre o assunto. “[Xxiv]
Sua declaração não só contradiz o motivo dado pela GLUI para rejeitar a GLdF em 1899, mas ele se tornará a justificação no reconhecimento de outra Grande Loja pela GLUI, que se tornou conhecida como a Grande Loja Nationale de France em 1913.
Robert Freke Gould afirma que ele foi um dos onze membros do Comitê designado pela Grande Loja de Inglaterra, em dezembro de 1877, para considerar o curso de ação adequado em relação ao Grande Oriente da França retirar do seu Livro das Constituições os parágrafos afirmando a existência de um Grande Arquiteto do Universo. Dois meses mais tarde, a Comissão, em seu relatório, declarou que a “alteração” estava, na sua opinião, “em oposição às tradições, práticas e sentimentos de todos os maçons verdadeiros e genuínos desde o mais antigo até o tempo presente.” A Grande Loja, agindo com base nesse relatório, retirou o reconhecimento do Grande Oriente da França. No entanto, o que Gould afirma a seguir é surpreendente quando comparado às declarações posteriores feitas pela GLUI. “Diz-se que o Supremo Conselho da França não compartilha a doutrina ateísta do Grande Oriente. No rol do Grande Loja de França estão 128 Lojas, das quais 55 estão em Paris e seus arredores, e tem 7.600 membros.” [xxv]
Se examinarmos essa situação à luz das relações existentes entre Grã-Bretanha e a França, então as ações da GLUI tornam-se mais compreensíveis. Em 1875, Disraeli, o primeiro-ministro britânico organizou a compra secreta das ações do Canal de Suez de propriedade de Khedive Ismail. Em 24 de abril de 1877, a Rússia declarou guerra contra os otomanos e desesperado o sultão procurou um armistício flexível, assinado em Adrianópolis, em 31 de janeiro de 1878. Disraeli despachou uma frota de seis couraçados até Constantinopla, que chegou em 15 de fevereiro e a ameaça da Inglaterra de entrar no conflito salvou Constantinopla. Disraeli negociou com o Império Otomano em segredo, oferecendo ao sultão uma aliança defensiva com a Inglaterra; em contrapartida, o sultão cedeu Chipre à Inglaterra. Com Chipre no bolso, ele podia fazer concessões à Rússia e estabilizou a situação e uma grande guerra mundial foi evitada.
Em 1879, os Zulus derrotaram os ingleses na Batalha de Isandlwana em 22 de janeiro.
Em 1881, os britânicos sofreram uma derrota surpreendente na primeira Guerra dos Boers nas mãos dos Afrikaners sob o comando de Krueger.
Em 1884, Ansar atacou Cartum massacrando a guarnição, matando Gordon, e entregando sua cabeça à tenda do Mahdi. Gordon tinha sido enviado para ajudar a evacuar forças egípcias presas em Cartum pela revolta de Mahdi. O Império Britânico parecia vulnerável, a Europa era um barril de pólvora e de cada país parecia estar carregando fósforos.

O Incidente Fashoda 

A Inglaterra precisava urgentemente de uma vitória e de um herói nacional. Conseguiu ambos na pessoa do irmão e general Kitchener. Ele foi nomeado governador dos territórios britânicos do Mar Vermelho em 1886, e lançou uma ofensiva contra as forças de Mahdi. Até 1892 ele tinha se tornado Comandante em Chefe do exército egípcio. Em 1898, ele esmagou as forças sudanesas separatistas de al-Mahdi na batalha de Omdurman e, em seguida, ocupou a cidade vizinha de Cartum, onde seu sucesso o transformou em um nobre em 1898. Na França, o governo viu a ocupação britânica do Egito como uma ameaça aos seus próprios planos para aquela área. Na esperança de cortar a rota britânica do Cabo ao Cairo, eles emitiram ordens em 24 de fevereiro de 1896 instruindo o Capitão Jean-Batiste Marchand a liderar uma expedição ao Alto Nilo e ocupar Fashoda.
Há uma certa confusão quanto ao real tamanho da força de Marchand e se ele era um capitão no momento ou um major, mas acredita-se, em geral, que ele tinha apenas sete outros oficiais franceses e uma força de menos de 100 atiradores senegaleses. Eles desembarcaram em Fashoda em 10 de julho de 1898 e hastearam a bandeira francesa.
Marchand aos 35 anos de idade cresceu a partir de origens humildes. Ele nasceu na cidade de Thoissey, a poucos quilômetros ao norte de Lyon, mais perto de Marselha, que da sofisticada Paris. Um líder natural, ele subiu de recruta até se tornar um oficial dentro de um sistema projetado para manter as classes separadas.
Em 19 de setembro de 1898, Marchand pisaria no palco mundial, recusando-se a recuar em um confronto militar com o general britânico, Lord Kitchener à frente de 25 mil homens, incluindo 100 Cameron Highlanders, dois batalhões de sudaneses, e uma bateria de artilharia. Para os franceses, as ações de Marchand foram heroicas, tanto assim que um memorial foi erguido em Paris em comemoração delas. Os britânicos no entanto, viram as coisas muito pelo contrário.
Pouco mais de duas semanas antes, Kitchener abriu o Sudão derrotando os mahdistas na batalha de Omderman. Tendo ficado sabendo da ocupação do Fashoda de um bando capturado de mahdistas, Kitchener partiu com cinco navios transportando soldados britânicos e sudaneses. Em 19 de setembro, Kitchener e suas tropas desembarcaram em Fashoda, onde ele ficou cara a cara com Marchand.
“Um mês antes da batalha de Omdurman, Lord Salisbury prescientemente estabeleceu a linha de ação a ser tomada quando a Expedição chegasse a Cartum, e suas instruções seriam – e foram – observadas ao pé da letra. Ambas as bandeiras britânica e egípcia deveriam ser hasteadas. Embora não fosse necessário no momento definir o status político do Sudão, o Governo de Sua Majestade considerou que, tendo em vista a ajuda financeira concedida por ela ao Egito, a Inglaterra poderia reivindicar uma voz predominante em todos os assuntos relacionados com o Sudão. O Sirdar (General Kitchener) foi autorizado a enviar flotilhas rio acima no Nilo azul e no Nilo branco, e devia prosseguir pessoalmente até Fashoda, levando um pequeno corpo de tropas britânicas consigo; mas a flotilha no Nilo Azul não iria além de Roseires. Nenhum título da França ou da Abissínia sobre qualquer parte do Vale do Nilo deveria ser reconhecido, e todos os confrontos com os abissínios deveriam ser evitados.
O Sirdar deveria convencer qualquer comandante francês de que a sua presença no Vale do Nilo era uma violação dos direitos britânicos e egípcios. Ele deveria enviar uma pequena força Nilo Branco acima além da junção do Sobat. O rei dos belgas não tinha direito a qualquer porção do vale do Nilo, exceto no âmbito do arrendamento Lado.
Fragmentos de informação vazaram para o Departamento de Inteligência, e em 07 de setembro, notícias definitivas chegaram de que oito oficiais brancos e 80 soldados negros estrangeiros estavam em Fashoda, e que eles tinham rechaçado os vapores enviados pelo Khalifa para atacá-los. Por isso, o Sirdar, com 100 Cameron Highlanders, dois batalhões de sudaneses, e uma bateria de artilharia segui rio acima no dia 10. Rechaçando um ataque temerário e bastante fraco sobre sua frota em Renkh, ele estava a poucos quilômetros de Fashoda no dia 18. Ele escreveu imediatamente ao “chefe da expedição europeia”, informando-o de sua vitória em Omdurman, sua ação em Renkh, e sua aproximação de Fashoda. A resposta foi trazida na manhã seguinte por um sargento senegalês em um bote a remo de aço: O Major Marchand, comandante da Infantaria de Marinha, felicitava o General por sua vitória, e anunciava que, por ordem do seu governo, ele tinha ocupado o Bahr el Ghazal até Fashoda, onde ele tinha chegado em 10 de julho.
A flotilha imediatamente subiu até Fashoda e ancorou em frente aos prédios antigos do governo da cidade, e logo depois, o Major Marchand e o Capitão Germain foram recebidos a bordo do Dal pelo Sirdar e sua equipe. Após as apresentações, Kitchener cordialmente cumprimentou Marchand e seus companheiros em sua longa e árdua jornada, mas informou-o civilizadamente que a presença dos franceses em Fashoda e no vale do Nilo era considerado uma violação direta dos direitos do Egito e da Grã-Bretanha, e que ele devia protestar nos mais enfáticos termos contra a ocupação de Fashoda e o hasteamento da bandeira francesa em domínios do Khedive.
A isso, Marchand respondeu que ele estava ali por ordem do seu governo, sem cujas instruções, ele não poderia se retirar. Kitchener, então, calmamente deu a entender que ele pretendia para içar a bandeira egípcia; ele confiava que nenhuma oposição seria oferecida, pois suas forças eram esmagadoramente superiores, e ele sugeriu que colocaria uma canhoneira à disposição dos franceses para auxiliar em sua retirada. Marchand respondeu que ele e suas tropas deveriam, naturalmente, curvar-se ao inevitável e, se necessário, morreriam em seus postos; mas ele deve pedir que a questão de sua retirada deve ser encaminhado ao seu Governo, sem cujas ordens ele não podia baixar sua bandeira e aceitar o amável convite do Sirdar. Ao longo da entrevista, Marchand se comportou com dignidade calma e atitude marcial, embora soubesse que ele tinha poucos mantimentos e munições, e que, se fosse deixado na posse exclusiva, os dervixes teriam pouco trabalho em lidar com ele e seu pequeno bando. ” [xxvi]
O nacionalismo em ambos os países começava a inflamar a situação, e a Inglaterra e a França começaram a se mover em direção a hostilidades abertas. Por mais de 90 dias, Marchand defendeu uma posição insustentável, enquanto o tumulto se alastrava e apelos pela guerra ecoavam nos dois países. De sua parte, o irmão Kitchener, ao invés de tirar proveito da situação, reabasteceu os mantimentos de Marchand.
A guerra só foi evitada quando a França concordou em retirar suas tropas, e em 4 de Dezembro de 1898, ordenou a evacuação de Fashoda. Em 21 de março de 1899 foi assinada uma convenção com a França renunciando a todas as reivindicações sobre Fashoda. Com Inglaterra e França discutindo acerbamente, é duvidoso que qualquer Grande Loja Francesa pudesse ter obtido o reconhecimento da GLUI. Na verdade, a GLUI ainda tinha problemas com suas jurisdições irmãs no Reino Unido, o que exigiria ainda um outro acordo entre todos os três para resolvê-los. E isso aconteceu em 1905.

[xxi] A New Encyclopedia of Freemasonry-A.E. Waite (1996 edition) Wing Books Page 116
[xxii] A New Encyclopedia of Freemasonry-A.E. Waite (1996 edition) Wing Books Page 117
[xxiii] Email response from John Hamill, Director of Communications for the U.G.L. of England posted on Philalethes Mailing List 9/2/2007 by Yoshio Washizu
[xxiv] U.G.L. of England’s External Relations-JamesW. Daniel AQC Vol. 17 2004 Page 3
[xxv] The Concise History of Freemasonry-Robert Freke Gould Pages 281-282
[xxvi] The Life Of Lord Kitchener – George Arthur – 

domingo, fevereiro 01, 2015


Breve Histórico da Fundação GLUI

UGLE
UGLEPorém neste gostaria de apresentar a U.’.G.’.L.’.E.’. no sentido material, organizacional e com detalhes simbólicos que muitas vezes passam despercebidos pelos que já visitaram a Freemasons’ Hall na 60 Great Queen Street.
Breve Histórico da Fundação GLUI  GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA

Uma vez fundada a Grande Loja de Londres em 24.06 l7l7, como já se sabe da história da Ordem, que ocorreu na Cervejaria do Ganso e da Grelha( The Goose and Gridiron), onde se reuniram alem de uma Loja com o mesmo nome, mais três a saber: A Coroa (The Crown); A Macieira( The Apple) e a O Copázio(copo grande, copaço) e as Uvas( The Rummer and Grappes) Elegeram como primeiro Grão-Mestre o Irmão Sir. Antony Sayer. As três primeiras Lojas foram constituídas de maçons operativos e a quarta a do Copázio e das Uvas foi constituída por homens eminentes, nobres e entre eles o Reverendo James Anderson,que escreveria em l723 o famoso Livro das Constituições (Livre des Constituitones), mais conhecido como Constituições de Anderson. Era nessa época uma Maçonaria de apenas dois graus. Não havia o grau de mestre, havia o cargo de Mestre da Loja O grau de Mestre foi introduzido na Maçonaria em l725 e definitivamente incorporado em l738. Em 11.05.l725 teriam sido elevados ao grau de Mestre os dois primeiros maçons na história da Ordem: Papillon Bul e Charles Cotton. Interessante que, os primeiros Grão-Mestres da Maçonaria no mundo eram Companheiros e não Mestres.
Entretanto, apesar desta iniciativa da Maçonaria Inglesa, fundando a que seria a primeira potência maçônica, a Grande Loja de Londres, a sua influência na Inglaterra durante muito tempo, foi relativa pois uma grande parte das lojas inglesas em respeito aos antigos costumes onde os “Maçons livres em Lojas livres” predominavam, não queriam saber de novidades, principalmente em função do já conhecido conservadorismo inglês. O principal foco de resistência foi a velha Loja do condado de York. Os Maçons de muitas lojas teimavam em não seguir não só a uma organização obedencial, bem como eram refratários às inúmeras alterações que foram introduzidas sendo por esta razão chamados de Antigos e evidentemente os Maçons da Grande Loja de Londres eram chamados de Modernos.
Em l725 na cidade de York foi fundada a Grande Loja se autoproclamando Grande Loja da Inglaterra. Cessou suas atividades mais ou menos l740.
Em l75l foi fundada uma Grande Loja dos Antigos, formada de maçons irlandeses que haviam sido impedidos de pertencer às lojas inglesas. O maçom que mais se bateu contra os Modernos foi o irlandês Lawrence Dermott, publicando em l756 as Constituições da Grande Loja dos Antigos sob o título Ahiman Rezzon( Ahim quer dizer Irmãos: manah, escolher e ratzon, lei) Ele afirmava que os Antigos deveriam ser chamados de Maçons de York porque a primeira Grande Loja da Inglaterra havia sido reunida em York em 926 pelo príncipe Edwin. Entretanto, sabemos que se trata de uma lenda e não da realidade maçônica inglesa dos séculos XVII e início do XVIII.
Somente em l76l, foi reativada a Grande Loja de York, ligada à cidade do mesmo nome, com a seguinte sigla: Grande Loja de toda a Inglaterra( The Grand Lodge off all England). Os maçons desta Grande Loja criticavam a Grande Loja de Londres por ter esta realizado muitas alterações a saber: mudaram as formas de reconhecimento nos graus na Maçonaria, retiraram as orações dos procedimentos; descristianizaram o ritual, omitiram os Dias Santos, mudaram a forma de preparação do candidato; enxugaram o ritual, deixando de dar as instruções como até então eram ministradas; cortaram a leitura dos Antigos Deveres nas Iniciações; retiraram a Espada durante as Iniciações, mudaram o antigo método de arrumar a loja e também alterações e mudança na função dos diáconos, colocaram o Altar dos Juramentos no centro da loja, alem de outras alterações.
Uma outra Grande Loja, a quarta, apareceu na Inglaterra em l777 por ocasião da cisão havida na Loja Antiquity, quando parte da Loja acompanhou o grande maçom Willian Preston, separando-se da Grande Loja de Londres, porem voltando daí há onze anos em l788 à Potência de origem. Willian Preston, grande palestrante e compilador dos então catecismos maçônicos., ele teria sido o primeiro maçom a dar o significado simbólico às ferramentas de trabalho dos operários da construção.
De fato, a Grande Loja de Londres, imprimiu um tipo de catecismo(não se chamava ritual naquela época), introduzindo uns procedimentos e retirando outros, mais no sentido de atualização e renovação. Criaram um Ritual muito parecido com o atual Rito de York Americano.
Quanto aos maçons do condado de York e os outros que se opunham às modificações implantadas pela Grande Loja de Londres praticavam um ritual parecido ao que Samuel Prichard de maneira perjura, publicou num jornal de Londres em 10 de Janeiro de l730 de dois graus. Eram conservadores e não admitiam modificações em hipótese alguma.
Entretanto, a Maçonaria Inglesa chegou à conclusão que tanta divergência não levaria a Ordem a lugar algum, já em l794 os dois Grão-Mestres rivais solicitaram ao Duque de Kent que intermediasse um acordo entre as duas Potências, no sentido de uma unificação. Em l809, a Grande Loja de Londres constituiu uma Loja de Promulgação ou Reconciliação, com a finalidade de estudar a fundo o problema. Esta Loja chegou a conclusão após estudos que se poderia atender a todos os interessados, principalmente no tocante ao Ritual, isto é cederiam em favor dos Antigos em parte, suas maiores reivindicações.
Em l8l3 por coincidência dois nobres, irmãos de sangue eram os Grão-Mestres das duas Potências adversárias, o Duque de Sussex da Grande Loja de Londres e o Duque de Kent, Grão-Mestre da Grande Loja de toda a Inglaterra. Assim, em 27.de Novembro daquele ano, foi assinado um tratado com 3l artigos sacramentando a união de ambas as Obediências. Não foi lavrada ata, para se salvaguardar o segredo maçônico e o Duque de Kent propôs que seu irmão o Duque de Sussex fosse o primeiro Grão Mestre da nova Potência que passou a se chamar Grande Loja Unida da Inglaterra, nome este que permanece até a presente data. A partir daí a Maçonaria Inglesa entrou numa fase de paz e tranqüilidade. Acresça-se que apesar de terem chegado a um acordo acabou prevalecendo em quase 80% das práticas adotadas pelos Antigos. Há na Inglaterra uma certa tolerância, pois existem algumas pequenas diferenças nas práticas ritualísticas perfeitamente aceitas sem que isto venha a ser enxertos, invenções, adendos consistindo apenas em tradições sem constituir problemas entre os maçons ingleses, cuja mentalidade é bastante diferente da nossa, já que temos uma capacidade de inventar muito grande.
ALGUNS ESCLARCIMENTOS QUANTO AO NOME DO RITO (TRABALHO) NO BRASIL E SÍNTESE DA HISTÓRIA DO RITO NO PAÍS
Se vasculharmos detidamente os rituais ingleses notaremos que não existem alguns termos os quais foram traduzidos para o português aqui no Brasil de forma inadequada, e que acabaram sendo usados incorretamente e até se tornarem erradamente tradicionais. Em realidade não existe o Rito de York Inglês. Existe sim, o Rito de York Americano que nada tem a ver com sistema ritualístico inglês. O sistema Inglês de Ritualística tem o nome de Arte Maçônica (Craft Masonry) Não encontramos os termos Rito de York (York Rite), e nem o Rito de Emulação(Emulation Rite).
Existem os nomes de Ritual de Emulação(Emulation Ritual) e Trabalho de Emulação( Emulation working).
A partir de l871 foi criado um ritual denominado “ The perfect Cerimonies of Craft Masonry” ( Cerimônias Exatas da Arte Maçônica), impresso pela “A Lewis, Publishers” de Londres.
Existe o termo Emulation( Emulação), ligado a uma Loja a “Emulation Lodge of Improvement” (Loja Emulação de Melhoramento)fundada em l823,verdadeira escola de maçonaria onde são dadas instruções por preceptores que ensinam o ritual aos Irmãos, que existe e funciona até a presente data.
Se formos usar o nome do sistema maçônico inglês corretamente deveríamos nos referir a este Rito como Trabalho de Emulação, e Ritual de Emulação aos procedimentos ritualísticos, porque em realidade na Inglaterra, o que nós chamamos de Rito de York, conforme já frisamos lá não existe tal expressão. Lá os maçons se dizem pertencer à Craft Masonry e não a um Rito, como aqui no Brasil. Craft significa oficio ou arte. Costumam dizer que pertencem ao Oficio Maçônico e não a um Rito.
O sistema inglês de Maçonaria entrou no Brasil através da “ Orphan Lodge” no Rio de Janeiro em 28.06.l837. Em 2l.09.l839 também no Rio de Janeiro, foi fundada a “St.Jonh’s Lodge” e a terceira Loja foi a “Southern Cross Lodge” em Recife que recebeu a Carta Constitutiva ou Carta Patente em 25.04.l856. Todas estas Lojas receberam autorização diretamente, isto é, a Carta Patente da Grande Loja Unida da Inglaterra. Não tinham quaisquer vínculos com a Maçonaria Brasileira. Estas lojas tiveram existência efêmera. mas marcaram oficialmente o contato do Brasil com o sistema ritualístico inglês. A última delas a abater colunas foi a“Southern Cross Lodge” em l872 ou l873.
O Grande Oriente do Brasil ao Vale dos Beneditinos,depois Grande Oriente Unido (dissidente do GOB) fundado em 09.l1.l863 por Saldanha Marinho fundou três lojas, pelo sistema americano, onde o Rito usado tem realmente o nome de Rito de York, sem relação com o sistema inglês. Foram elas: a Loja “Vesper” no Rio de Janeiro em 30.ll.1872 a “Washington Lodge” em Santa Barbara do Oeste -Sp. onde imigraram americanos após a Guerra Civil Americana e a “Lessing” em Santa Cruz do Sul no Rio Grande do Sul em 22.03.l880.
Entretanto a primeira loja de origem inglesa fundada sob os auspícios de uma Potência no Brasil foi a Loja “Eureka” em 21.10.l891 pelo GOB.
Em 21.l2.l9l2 o Grande Oriente do Brasil assinou um tratado com a Grande Loja Unida da Inglaterra, onde houveram dois textos, um em português, onde foi traduzido como “Grande Capítulo do Rito de York” e no inglês como “Grand Conseil of Craft Masonry in Brazil”, cuja tradução correta seria “ Grande Conselho do Ofício Maçônico no Brasil”, evidentemente se referindo à Maçonaria Simbólica. No brasão emblemático, estão inseridas as letras G.C.C.M. na parte superior e Brasil com “z” na parte inferior.
As lojas componentes deste Grande Conselho, ou Grande Capítulo como querem os brasileiros foram:
“Eureka Lodge ” nº.440 – Rio de Janeiro Fundada em 22.10.189l
“Duke of Clearence”nº.443- Salvador Bahia Fundada em10.10.1892
“Morro Velho Lodge”nº. 648- Nova Lima-Mg. Fundada em 20.03.1899
“Lodge of Unity” nº.792– São Paulo –Sp Fundada em 22.09.1902
“St. George’s Lodge” n.8l7 – Recife – Pe Fundada em30.06.1904
“Lodge of Wanders” nº 856 – Santos – Sp. Fundada em 05.09.1907
“Eduardo VII Lodge”nº903 – Belém – Pa. Fundada em 10.11.1911
A última Loja, a sétima, foi fundada para que se pudesse criar o Grande Capítulo, ou Grande Conselho. Outras Lojas vieram a fazer parte deste Corpo, como a “Campos Salles Lodge”;nº966 em São Paulo -Sp.; “Lodge of Friendship”nº.975 em Niterói- RJ; “ Centenary Lodge” nº.986 em São Paulo -Sp.; “Royal Edward Lodge” nº l.096 no Rio de Janeiro.
Em 06.05.l935 estas Lojas passaram a fazer parte de uma Grande Loja Distrital, já que as Lojas juridiscionadas à Grande Loja Unida da Inglaterra fora do Reino Unido são agregadas em Distritos. A Grande Loja Distrital no Brasil ( hoje, Grande Loja Distrital para a América do Sul –Divisão-Norte) teve a anuência do Grande Oriente do Brasil para esta situação, já que a maioria dos membros destas Lojas era de origem inglesa. E alem do mais em troca, interessava e muito ao GOB o reconhecimento formal da Grande Loja Unida da Inglaterra. Cessava assim as atividades do Grande Capítulo ou Grande Conselho, como seria o nome correto. Esta Entidade não conferia graus, não se tratava de um Corpo de graus superiores, já que estes não existem neste sistema ritualístico. Foi criada mais para se tratar de assuntos administrativos.
Em l920, o Irmão Joseph Thomas Wilson Sadler do quadro da Loja “Lodge of Unity” de São Paulo, baseado na Edição de l9l8 do Ritual “ The Perfect Cerimonies of Craft Masonry” fez uma tradução do Ritual inglês para o português com a aprovação da Grande Loja Unida da Inglaterra. Ele usou corretamente a expressão “ Cerimônias Exatas da Arte Maçônica” e não mencionou a expressão Rito de York.
Em l976 foi reimpresso o Ritual de l920, e aí apareceu a expressão “Rito de York”, que aliás já vinha sendo usado há muito tempo, consagrando assim definitivamente no Brasil, um nome que não existe no sistema inglês, quando se sabe que lá na Inglaterra este Trabalho (Rito) não tem esta denominação. Como todos os Rituais usados atualmente pelos brasileiros estão baseados nesta tradução, e como foi inserido em l976 o termo Rito de York, ainda que de forma incorreta, tornar-se-á- muito difícil após muitos anos se desfazer deste erro que já se tornou corriqueiro e de uso geral.
A versão feita pelo Irmão Sadler tem incorreções com relação à tradução, se bem que poucas, porem um dos maiores erros deste Ritual foi colocarem o V:.M:.e demais Oficiais com os três pontinhos, quando sabemos que eles não existem no sistema ritualístico inglês. O correto seria V.M., conforme abreviamos as palavras na língua portuguesa.
Atualmente esta tradução foi copiada pelas demais Potências o seu diálogo usado em todo Brasil, é praticamente o mesmo mas existem dificuldades com relação a liturgia, a qual os ingleses fazem questão, quem sabe, com muita razão de esconde-la. Não ligam muito se outros povos praticam ou não seu sistema, a não ser os do Commonwealth. E os brasileiros, são useiros e vezeiros em “escocesar ”qualquer sistema quer inventando quer enxertando procedimentos. Há dificuldade aqui no Brasil em se freqüentar as Lojas Distritais inglesas, já que poucos Irmãos entendem a língua inglesa. Aprendemos alguma coisa com Irmãos brasileiros que freqüentam tais lojas, bem como com Irmãos que pertencem à Potências reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra e que freqüentem lojas na Inglaterra quando de passagem por aquele país.
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COMO É PRATICADA A MAÇONARIA NA INGLATERRA
A Maçonaria Simbólica inglesa é totalmente controlada pela Grande Loja Unida da Inglaterra, sendo que lá como já referimos, não se fala em Ritos e sim de em um conjunto de procedimentos ritualísticos maçônicos; chamados Trabalhos. No caso o Trabalho de Emulação que é o Trabalho predominante,( cerca de 85%) tem um Ritual chamado Ritual de Emulação (Emulation Ritual)
A Grande Loja Unida da Inglaterra no entanto, reconhece outros tipos de Trabalhos a saber:
Taylor Working, Bristol Working, Lewis Working, West End Working, Stability Working, UniversalWorking, alem de outros tipos de Trabalhos menos divulgados. Todos estes tipos de Trabalhos são muito parecidos com o Emulation Working. Talvez o mais diferenciado seja o Bristol Working, no qual o Venerável usa um tipo de chapéu chamado “cocked hats” muito usado na marinha inglesa. Neste Trabalho as cerimônias também são um pouco diferentes.
O Trabalho de Emulação tem uma extensão do terceiro grau, que não chega a ser um novo grau chamado Santo Arco Real. Não se trata em absoluto de um grau superior, porem tem uma ritualística própria. Ele é freqüentado pelos Past-Masters. Não confundir o Santo Arco Real do sistema inglês com o Corpo de Graus Superiores do sistema americano( Rito de York Americano). conhecido como Real Arco que tem vários graus. Esta história de que o Santo Arco Real inglês não é um grau, se bem pensada, não é bem assim . Não é um grau porque eles não querem que seja, pois se comporta como se fosse um grau, pois tem até um ritual especial. Esta é a verdade.
A Grande Loja Unida da Inglaterra que se julga a Loja-Mãe do mundo e se dá o direito de reconhecer ou não outras Obediências Simbólicas ou seja, Grande-Orientes e Grandes Lojas, onde é inflexível em seus critérios de reconhecimentos, no entanto, não cogita, não proíbe, não tem tratados, não interfere com relação aos chamados Graus Superiores. Simplesmente, ignora-os. Seu poder total se refere tão somente aos graus simbólicos.
Qualquer membro de um dos Trabalhos quer seja o de Emulação, Bristol West End e etc., poderá buscar caso queira, graus superiores, em outros Ritos outras Ordens, ou GRAUS PARALELOS como lá são chamados, por exemplo no Rito Escocês Antigo e Aceito ou mesmo no Real Arco do Rito de York Americano ou em qualquer outro sistema de Graus Superiores, desde que não interfira na parte Simbólica.
Na Inglaterra e País de Gales existe um Supremo Conselho 33 do Rito Antigo e Aceito( Ancient and Accepetd Rite- Supreme Council 33 ) fundado em 1845. Não leva o nome de Escocês mas não é outro senão o nosso já por demais conhecido Rito Escocês Antigo e Aceito.
Os Irmãos poderão também ingressar na Ordem do Monitor Secreto- Grande Conselho( Order of the Monitor.
Ainda existem outros tipos de Maçonaria de Graus Superiores como por exemplo, a Ordem dos Sacerdotes Cavaleiros Templários do Sagrado Arco Real – Grande Colégio- (Order of Holy Royal Arch Knight Templar Priests) e ainda na Ordem da Cruz Vermelha de Constantino e Ordens Correlatas (Order of Red Cross of Constantine and appendant Orders).
Existem outros GRAUS PARALELOS que merecem ser citados:
- Grande Loja de Mestre da Marca – Mestres de Marca – ( Grand Lodge of
Mark Masters- Mark Degree).
- Graus de Nauta da Arca Real ( Royal Arch Mariner Degree).
- Ordem dos Reais e Seletos Mestres- Grande Conselho-( Order of- Royal and Select Masters

quinta-feira, janeiro 29, 2015


Percebo que muitas vezes há uma confusão generalizada entre os conceitos da Crítica Religiosa e o de Preconceito  ou Discriminação Religiosa. Talvez na teoria todos compreendam bem a diferença, mas noto que na prática muitas vezes ambos se confundem, tendo os que tentam impedir o primeiro e praticar o segundo.

A primeira grande diferença que gostaria de salientar, é que a Crítica Religiosa, não só é permitida como também é amparada por lei. Assim como você tem o direito de crer no que considerar mais conveniente, todos tem o direito de apontar incoerências em sua crença. Não entenda mal, não se sinta ofendido, todos podem criticar sua religião, assim como você pode criticar a religião de qualquer um, mas não confunda criticar, com discriminar.

Criticar significa levantar uma questão que não está clara sob certo aspecto, não é ofender, utilizar termos pejorativos, diminuir ou mesmo condenar o praticante de outra religião. Todos são livres para professar sua crença, ou sua descrença.

Creio que nos dias de hoje os "sem religião" (ateus, agnósticos e afins, condição cada vez mais crescente) sofram maior discriminação do que qualquer religioso no Brasil. Se eu tenho o direito de crer no que eu quiser (por mais absurdo que minha crença possa aparentar) porque outros não tem o direito da descrença? Condenar o ateu não é religiosidade, é preconceito, não confunda os termos.

Já ouvir frases gratuitas do tipo "respeito todas as religiões, mas odeio ateus", e/ou a utilização de frases feitas (que na verdade não tem o menor sentido) do tipo: "Todos tem que creer em algo". Sério? Mas porque isto? Todos tem que crer em algo só porque eu creio? Ou porque eu quero que todos creiam?

Humanos são livres para agir e pensar, nos tempos atuais a constituição nos permite esta liberdade (embora a grande maioria normalmente não a pratique). Todos tem o direito a crença e a descrença, assim como também tem o direito de questionar ambos.

Preconceito religioso é quando eu discrimino, ofendo, excluo, diminuo um individuo por qualquer que seja o aspecto. Se eu prejudicar ou evitar alguém no meu ambiente de trabalho, familiar ou social por causa de sua religião (ou falta dela), é uma prática de discriminação, é ilegal, um crime do qual posso ter que responder judicialmente caso alguém recorra aos tribunais.

Você tem o direito de acreditar ou desacreditar no que quiser, todos tem o dever de respeitar sua decisão, mas não precisam concordar, muito menos validar. Se sua convicção não é forte o suficiente paras as críticas, guarde sua crença para os momentos em que estiver em seu templo, pois lá é o único lugar onde todos (talvez nem todos) irão concordar com a sua opção.

Como diz o famoso ditado popular: Quem sai na chuva, corre o risco de se molhar". 

La Heresia dos Cataros  por Wayne Purdin 15 Febrero 2014 Este artículo apareció en, New Dawn Nº 113 (marzo-abril 2009) d el Sitio Web NewDaw...