quinta-feira, junho 06, 2019



Apesar de ser um tema um pouco polêmico, e por isso é certo de que alguns Irmãos discordarão do aqui exposto, pois a sua abordagem é importante para a promoção da reflexão e do debate entre os Irmãos.

Existem três forças que, apesar de distintas, estão relacionadas: a regra legal, que é imposta; a regra social, que é respeitada; e a educação, maçonicamente chamada de “bons costumes”, que leva o cidadão a respeitar a regra social e a obedecer à regra legal.

No Japão há uma antiga tradição de tirar os sapatos para entrar em casa. Se estiver no Japão e visitar a casa de um japonês, é claro que tira os sapatos. Não é por não ser japonês que desrespeitaria tal regra social. 

Da mesma maneira, um japonês, ao visitar o Ocidente, não tira os sapatos em todo o lugar em que entra, pois respeita as convenções sociais locais.

Já na Inglaterra, as mãos do trânsito são invertidas: os carros movimentam-se pelo lado esquerdo da via, com o lado direito do carro voltado para o centro. 

Quando você vai para a Inglaterra, é evidente que você não teima e dirige como se estivesse no seu país. Assim como um inglês fora de Inglaterra, não dirige na contramão. Ele segue as regras legais.

Existem também instituições cujos regimentos exigem do homem o uso de paletó e gravata. Poderia um pescador que nunca usou uma gravata exigir a sua entrada de calções e chinelos? 

E um índio que entra para as Forças Armadas, está dispensado do uso de uniforme devido à sua cultura?

Seja numa casa no Japão, numa rua de Londres, num Fórum de uma cidade, num quartel no meio da selva ou em qualquer outro lugar do mundo, as pessoas de bem respeitam as regras sociais e sujeitam-se às regras legais do local onde estão. 

Na Maçonaria, fraternidade de cidadãos exemplares, todos homens livres e de bons costumes, isto não deve ser diferente. Porém, muitas vezes assistimos a simbologias e ritualísticas serem quebradas por visitantes crentes que devem seguir as regras das suas Lojas, e não da Loja que estão a visitar. Uns não respeitam o modo de circulação do rito adotado pela Loja visitada, talvez com receio de estarem a ferir o que aprenderam nas suas próprias Lojas. 

Outros, Mestres Maçons, insistem em utilizar todos os paramentos e acessórios Maçônicos de um Mestre ao visitarem uma Loja no grau de Aprendiz de outros ritos, porque assim é feito no seu rito. Estes últimos ignoram o fato de que na maioria dos ritos o uso do Chapéu numa Loja de Aprendiz é restrito ao Venerável Mestre, sendo representativo da sua autoridade e governo da Loja, simbolismo esse muito bem reforçado nas Instalações. 

Quando, nestes casos, visitantes utilizam chapéu, estão a anular a representatividade da autoridade do Venerável Mestre anfitrião e, de certa forma, ferindo o simbolismo do rito visitado.

As regras, simbolismo e ritualística do seu rito alcançam somente as reuniões dele. Ao visitar Lojas de outros ritos, respeite as regras sociais e siga as regras legais do mesmo. Não importa se na sua Loja o certo é assim ou assado. Os “bons costumes”, a que todo o Maçom deve observar, ditam que, na casa dos outros, *“há que dançar conforme a música”*.

Como muito bem ensina o ditado: *“Quando em Roma, faça como os romanos”*.

Autor: Ir Kennyo Ismail
Ilustração: Ir Daniel Toupitzen

segunda-feira, maio 20, 2019

Filhos do Arquiteto ✡




A perseguição da maçonaria pelo nazismo

A Maçonaria foi perseguida, banida e suprimida em muitos lugares ao longo da história. Na Alemanha, com os nazistas querendo o controle total sobre tudo e todos, a Maçonaria não teve espaço. Adolf Hitler tentou de quase tudo para tentar eliminá-la, não só do solo alemão, mas de todos países que foram amordaçados pelo seu totalitarismo.

Hitler secretamente admirava a Maçonaria como uma organização e queria formar seu regime de forma semelhante à instituição da Maçonaria.

“Todas as abominações supostas, os esqueletos e caveiras, os caixões e os mistérios, são coisas simples para as crianças. Mas há um elemento perigoso e que é o elemento que copiei a partir deles (os maçons). Eles formam uma espécie de nobreza sacerdotal. Eles desenvolveram uma doutrina esotérica não apenas formulada, mas transmitida através dos símbolos e mistérios em graus de iniciação. A organização hierárquica e da iniciação através de ritos simbólicos, isto é, sem incomodar o cérebro, mas através do trabalho sobre a imaginação através da magia e dos símbolos de um culto, tudo isso tem um elemento perigoso. Vocês não vêem que o nosso partido tem de ser uma Ordem? Uma Ordem. a Ordem hierárquica de um sacerdócio secular … nós mesmos ou os maçons ou a Igreja – há espaço para um dos três e não mais … Nós somos o mais forte dos três e devemos nos livrar dos outros dois”, (Discurso de Adolf Hitler)


O começo

Assim que Adolf Hitler chegou ao poder e começou a elaborar o “Estado ideal”, ele deu início a uma forte campanha anti-maçônica. Hitler escreveu que a Maçonaria pertencia essencialmente aos judeus, e enquanto o ódio aos judeus estava sendo cultivado na Alemanha, essas afirmações justificavam a perseguição de Hitler aos maçons.

“…A hostilidade natural dos camponeses contra os judeus, e sua hostilidade contra o maçom como um servo do judeu, devem ser trabalhados até um frenesi…” (Guia e Carta de Instrução do Partido Nazista – 1931)

Enquanto alguns maçons eram verdadeiramente judeus, o verdadeiro motivo de Hitler era destruir todas reservas conservadoras da sociedade, tal qual, o medo que tal sociedade discreta, que já havia de fato, conspirado em prol da liberdade em outros países, pudesse agir pelas suas costas. Por essa razão a Maçonaria deveria ser destruída, para que seu regime pudesse ter o controle total. À partir daí, começa uma serie de boicotes e perseguições aos maçons alemães, muitos membros das Lojas que ocupavam cargos públicos foram assediados a cederem à aposentadoria ou demissão “voluntária”, os que estavam na iniciativa privada, foram forçados a escolher entre o ofício e suas carreiras.

The Enabling Act (Ermächtigungsgesetz)

Em 1933, Hitler ascendeu ao poder através do que ficou chamado “Lei de Plenos Poderes”, um ato legal que foi assinado pelo Presidente  Paul von Hindenburg e lhe deu legalmente plenos poderes perante ao Estado, tornando sua ditadura “legal”. Ali começava um longo período de opressão aos Maçons alemães.

1934
– Um decreto do chefe do Tribunal do Partido Nazista decidiu que maçons que não haviam se desligado das suas Lojas antes de 30 de janeiro de 1933 não poderiam filiar-se ao Partido Nazista. No mesmo mês, o Ministro do Interior da Prússia, Hermann Goering, emitiu um decreto para que as Lojas se dissolvessem “voluntariamente”, mas de fato, tal ação só se dava perante uma aprovação e o acompanhamento do Estado, que sindicava os maçons guardando informações para utilização posterior.

– Maio de 1934 – O Ministro da Defesa proibiu a adesão em Lojas a todos soldados ou funcionários públicos civís.

– “Na calada da noite”, diversas Lojas começaram a serem atacadas e saqueadas por unidades da SS e da SA, embora oficialmente, nenhum impedimento houvesse contra elas.

– 28 de Outubro  – O Ministro do Interior do Reich, Wilhelm Frick, emitiu um decreto oficializando todas Lojas como “hostis ao Estado” e, portanto, sujeitas a terem seus bens confiscados.

– Verão de 1934 – Heinrich Himmler e Reinhard Heydrich tomam politicamente a Gestapo, polícia especial dos nazistas, que continuam a saquear as bibliotecas e coleções de objetos maçônicos dos membros das Lojas, objetos estes, que em 1937 apareceram em uma exposição anti-maçônica em Munique, inaugurada pelo Ministro da Propaganda,  Herr Dr. Joseph Goebbels.

A exposição incluía templos completamente mobiliados, com propagandas intimidatórias aos que futuramente pensassem se aproximar da Maçonaria.

1935-1942
Em 17 de agosto de 1935, Frick ordena que todas Grandes Lojas e Lojas restantes fossem dissolvidas e seus bens confiscados.

A propaganda nazista continuou a ligar Maçons e judeus, utilizando-se do forte sentimento anti-judeu que existia na época para combater também os Maçons. A publicação viral de Julius Streicher, o “Der Stürmer” (A tropa de assalto) imprimiu exaustivamente caricaturas que retratavam uma conspiração “judeu-maçônica” contra a Alemanha e o mundo.

Outra edição do Der Stürmer:

Assim como na mídia, a Maçonaria também se tornou uma obsessão particular de Reinhard Heydrich, chefe do Serviço de Segurança (ou SD – Sicherheitsdienst), que catalogou todos maçons, juntamente com judeus e o clero político. Tratou eles como “os inimigos mais implacáveis da raça alemã”. Em 1935 Heydrich argumentou publicamente que “…é necessário erradicar de todos alemães a “influência indireta do espírito judaico”, um resíduo infeccioso judeu, liberal e maçônico, que permanece no inconsciente de muitos, acima de tudo no mundo intelectual e acadêmico..”

Heydrich criou uma sessão especial na SD para lidar com Maçonaria, a “Sessão II / 111”, seu interesse especial era por crer que a Maçonaria exercia poder político real, moldando a opinião pública através da imprensa, que causava subversão e revolução.

Propaganda intitulada “Judeus, Maçonaria e Bolchevismo”, com uma serpente venenosa com presas expostas. Isso era o capítulo 1º de uma serie de palestras conferidas pelo “Der Reichsfuehrer SS, der Chef des Rasse-und Siedlungshauptamtes” (Líder das SS, Chefe do Escritório Principal da Raça e Liquidação), ca. 1936.

Quando os nazistas começaram a preparar-se para a guerra em 1937, o regime aliviou a pressão sobre as Lojas ainda existentes (muito secretamente, claro) e os maçons. Hitler anistia os maçons que haviam deixado suas Lojas em 1938 e com os esforços de guerra, começa a alocá-los novamente no serviço público de acordo com o caso. Conforme a guerra avança, abrem-se mais e mais as portas para os maçons que outrora foram excluídos, principalmente, no setor público, onde começam a integrar novamente as forças armadas (Wehrmacht) e até a SS.

Mesmo assim, quando conquistaram a Europa, dissolveram forçosamente todas organizações maçônicas que encontraram, e aos moldes da Alemanha, confiscaram seus bens e documentos. Os itens apreendidos foram enviados para as agências alemãs especializadas, principalmente dentro da SD e mais tarde o RSHA, a sessão (Seção VII B 1) criada em 1939 no Reich Security Main Office ( Reichssicherheitshauptamt ; Daí RSHA), que incorporou as sessões da SD e da SS que eram dedicadas a Maçonaria.

Como também fizeram na Alemanha, montaram por toda Europa exposições anti-maçônicas, exibindo artefatos e rituais roubados dos Templos, ridicularizando a Maçonaria, diziam que a culpa da Segunda Guerra Mundial era dos judeus e dos Maçons e expunham a maior culpa sobre o Presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, que fora identificado como um Maçom.

Alguns aliados alemães do eixo, também decretaram medidas policiais e discriminatórias contra os maçons. Em agosto de 1940, o regime de Vichy France emitiu um decreto declarando que os maçons eram inimigos do estado e autorizavam a vigilância policial sobre eles. As autoridades francesas de guerra ainda criaram um cartão de identificava todos membros do Grande Oriente da França, uma das principais potências maçônicas da França e do mundo. O arquivo dos cartões sobreviveram à guerra e depois foram microfilmados para as explorações dos arquivos do Museu Memorial do Holocausto, nos Estados Unidos.

Em 1942 uma última ofensiva foi autorizada por Hitler. Alfred Rosenberg inicia uma “guerra intelectual” contra os judeus e os maçons. Para este fim, Hitler permite que Rosenberg tenha acesso aos arquivos maçônicos roubados, estude-os, para melhor equipará-lo em informações aos maçons. Os membros da ERR (Departamento do Líder do Reich Rosenberg  – Não tenho certeza sobre a tradução – Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg – ERR) recebem apoio do Alto Comando das Forças Armadas Alemãs (Oberkommando der Wehrmacht ; OKW) para o cumprimento dessa missão.

Em 1943 a França estava ocupada pelos nazistas, Hitler não perdeu tempo, utilizou da força e da influência do cinema francês da época para lançar um filme contra a “conspiração judeu-maçônica”, o filme “Forces Occultes” mostrou diversas simulações de rituais maçônicos.

A narrativa do filme envolve-se em um jovem deputado que se juntou ao Grande Oriente da França afim de tornar sua carreira mais influente. Ele então, confrontado com a corrupção e os escândalos políticos do momento, assume o papel de “maçom” (sic), conspirando com judeus e com americanos para colocar a França em guerra contra a Alemanha.

Pós guerra
Após o final da Segunda Guerra Mundial, as vastas coleções de arquivos maçônicos e bibliotecas que foram apreendidas pelas autoridades alemãs foram capturadas, por sua vez, pelas forças aliadas e soviéticas. Por exemplo, um importante arquivo maçônico foi encontrado na Silésia, no leste da Alemanha, por tropas soviéticas nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. As autoridades soviéticas enviaram os registros para Moscou, onde foram mantidos em arquivos secretos. Outros materiais relacionados com Maçônaria da Alemanha foram recuperados na Polônia; Alguns desses materiais foram microfilmados e armazenados no arquivo do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos. Desde o fim da Guerra Fria, muitas coleções relacionadas com maçonaria foram devolvidas aos países de origem, enquanto outras continuam a ser mantidas em repositórios estrangeiros.

Ainda lembramos de todas atrocidades cometidas pelo regime nazista no mundo, na Maçonaria alemã existe um resquício de medo nos membros em identificarem-se como tal. Um símbolo chamado de “Forget Me Not” foi criado para ajudar os pedreiros a identificarem-se entre si, proclamando secretamente sua afiliação. É usado como um sinal de lembrança daqueles que foram perseguidos, torturados e mortos na Alemanha nazista.
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MAÇONARIA E  A IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA
(Do adventismo à Ciência Cristã) 

Os mórmons viviam um período de grande expansão, porém nem tordos os habitantes da nação americana acreditavam no sonho do Oeste. 

Dentre eles o desconhecido William Miller, que concebeu a ideia de que o fim do mundo devia estar perto e que, por isso mesmo, cabia fazer cálculos sobre a data, razão porque resolveu estudar a Bíblia em busca de consolo.

Ao chegar ao oitavo capítulo do Livro de Daniel, do Antigo Testamento, acreditou ter encontrado uma clara profecia referente não apenas ao fim do mundo como à data em que ocorreria. 

No versículo 14 é feita uma menção a duas mil e trezentas tardes e manhãs, e Miller, sem nenhuma base bíblica, decidiu considerar cada tarde e manhã como um ano. Contando, assim, dois mil e trezentos anos, chegou a conclusão de que o fim de mundo seria em 1843.

Todavia, os argumentos de Miller careciam da mais mínima base na realidade. Mas  o auto-intitulado profeta pregava desta maneira e, posteriormente Ellen G. White, a profetisa dos adventistas, continuou insistindo na veracidade das profecias milheritas, argumentando que um anjo as havia mostrado numa visão.

Miller lançou a profecia do fim do mundo em 1843, tendo convencido certo número de adeptos, que abandonaram seus campos, suas ferramentas, seus negócios e seus postos de trabalho, sacrificaram tudo, acreditaram, mas o fim do mundo não veio em 1843.

Miller fixou nova data para 21 de março de 1844. Novo fracasso e nova data. Agora o fim do mundo viria em 18 de abril de 1844. Depois anunciou uma nova data que seria definitiva, 22 de outubro de 1844. 

Seus adeptos vestiram-se naquela noite com túnicas brancas e decidiram esperar Cristo, que viria pegá-los na passagem do dia. Na manhã seguinte, até o mais fanático dos adeptos deve ter começado a duvidar da capacidade de Miller como profeta de Deus.

 Mas uma vez, a profecia tinha sido falsa.
Porém, um dos dos adeptos chamado Hiram Edson, após a noite de espera, voltando para casa, teria tido uma visão. Cristo aparecia no firmamento e chegava a um altar no céu. Cristo tinha chegado, não na Terra, mas, ao santuário do céu. 

Por essa visão Miller que acertara a data e errara no intinenário de Cristo, voltou ser considerado como profeta de Deus, e uma interpretação desatinada de Daniel 8 tornava-se a pedra ainda mais essencial do edifício doutrinal adventista.

Em 24 de março de 1849 Ellen G. White, aquela que seria a grande profetisa do advrentismo, teve uma visão. Mas como tinha acontecido antes com Miller, a profecia de Ellen tampouco se cumpriria. 

O fim do mundo foi outra vez anunciado para mais datas futuras: 1854 e 1873, entre elas.

Da mesma forma que é impossível compreender os mórmons sem a referência a Joseph Smith, também não se pode compreender o adventismo do Sétimo Dia sem enfocar a figura da sua profetisa Ellen G. White. 

Seus escritos são considerados pela seita totalmente - não só parcialmente - inspirados pelo Espírito Santo de Deus.
Ela teve também a revelação que daria nome à sua seita - adventistas do Sétimo Dia -, já que anunciou que os cristãos não deviam guardar o domingo, mas o sábado judeu, cuja origem hoje se sabe, remonta ao maçom chamado Joseph Bate,  que se uniu a seita adventista.

De maneira significativa - e apesar das referências a visões celestiais que faria depois - Ellen White reconheceu que a origem de sua peculiar doutrina estava na influência do maçom Bate numa carta que escreveu em 1847.

É possível inferir que a profetisa tinha mantido uma relação com alguns maçons que a haviam ajudado em situações delicadas e que, inclusive, um deles tinha inspirado uma das doutrinas mais determinantes de sua seita. 

Mas a relação de Ellen com a maçonaria foi mais além.

N. D.Faulkhead era tesoureiro da gráfica que imprimia as obras adventistas e há anos pertencia à Loja maçônica. Ellen White se encontrou com ele num determinado momento e o saudou fazendo o sinal dos cavaleiros do Templo,  um grau superior de iniciação na maçonaria.

Nos anos seguintes, a carreira de Ellen foi irregular e, embora a seita tenha continuado a crescer, o certo é que surgiram escândalos relacionados com a personalidade da profetisa, principalmente às obras que ela tinha plagiado e que apresentou como inspiradas por Deus.

Um comitê da seita, reunido em 1980 em Glendale para abordar o assunto dos plágios da profetisa, ficou surpreso com os resultados da investigação. A proporção de material plagiado era muito maior do que se suspeitava e alarmante.

Ellen White não foi por certo, a única mulher de sua época que fundou uma seita e que teve alguma influência maçônica nessa empreitada. 

O caso da Mary Baker Eddy, a criadora da Ciência Cristã, é ainda mais revelador. 

Apesar do nome, a seita da Ciência Cristã nega doutrinas essenciais do cristianismo como a divindade de Cristo ou o caráter expiatório de sua morte, e defende teses que são cientificamente questionáveis, como a de não ir a médicos quando se estar doente. 

Na realidade, a Ciência Cristã tem uma cosmovisão empapada de gnosticismo, choca-se frontalmente com o cristianismo e manteve historicamente uma relação bem intensa com a maçonaria.

Mary Baker Eddy era casada com um maçom, manteve relação muito estreita com o coronel Henry Steele Olcott - outro maçom, que, como veremos, junto com madame  Blavatsky criou a Sociedade Teosófica - e publicou uma parte nada desprezível de sua obra religiosa no Freemason's Monthly Magazine. 

De fato, de maneira bem reveladora, a maçonaria é a única sociedade secreta à qual os seguidores da Ciência Cristã podem se filiar, esta, diga-se de passagem, utiliza, além disso,a simbologia  maçônica.

Os presidentes da Ciência Cristã foram maçons de 1922 a 1924, e também foram maçons, dentre outros. 

É possível, inclusive, que Mary Baker Eddy fosse iniciada na maçonaria, uma circunstância que provalmente também tenha ocorrido no caso da adventista Ellen White. No entanto, se no caso de Mary Baker  Eddy e Ellen White a iniciação na maçonaria é só especulação, no de outro fundador de seitas, Charles Taze Russel, é indiscutível.

Autor:  Helio P. Leite
Adaptação e Pesquisa: Ir Daniel Toupitzen  CIM 285520

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Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação.

Em quê, afinal de contas, ela era tão especial?

O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado.

Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde levesmachucados até namoro terminado.

Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.

Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.

Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola.

Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado.

Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. 

Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra. O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.

Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos.

De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor. Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade.

Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.

Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.

Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas.

Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.
Uma mulher. Uma mãe.

Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços Espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem.
Enquanto haja mães na Terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz.



DEUSA RÉIA GRÉCIA:

Réia era filha de Urano e de Gaia. Irmã e esposa de Cronos, gerou Deméter, Hades, Hera, Hestia, Posseidon e Zeus. 

Por ser mãe de todos deuses do Olimpo, é conhecida como Mãe dos Deuses. É uma deusa relacionada com a fertilidade.

Devido a um oráculo de Urano, que profetizara que Cronos seria destronado por um dos filhos, este passou a engolir todos os filhos assim que nasciam. Réia decidiu que isto não ocorreria com o sexto filho. Assim, quando Zeus nasceu, Reia escondeu-o numa caverna no Monte Ida em Creta ao cuidado dos assistentes curetes posteriormente sacerdotes e, no lugar do filho, deu a Cronos uma pedra enrolada em panos. Cronos engoliu-a, pensando ser o filho. 

Ao atingir a idade adulta, Zeus destronou o pai, forçou-o a vomitar os irmãos e assumiu o Olimpo. Seguindo a ascensão do filho Zeus ao status de rei dos deuses, ela contestou uma parte do mundo e acabou refugiando-se nas montanhas, onde cercou-se de criaturas selvagens. 

Geralmente, é associada a leões ou a uma biga puxada por leões.



A Sabedoria do Rei Salomão na História do Bebê com Duas Mães


O Rei Salomão amava ao Senhor, obedecia aos seus mandamentos e era homem justo diante de Deus.

Certo dia, Deus apareceu em um sonho a Salomão. 
Peça aquilo que você quiser, Salomão!”, disse Deus.

Salomão respondeu: “Quero ter um coração sábio, cheio de compreensão, para que eu possa julgar o povo com justiça, sabendo diferenciar o bem do mal em todas as questões!”

O Senhor Deus se alegrou com o pedido de Salomão. Ele não pediu dinheiro, nem muitos anos de vida e nem desgraça a seus inimigos. Pediu apenas sabedoria para ser justo com o povo. Deus, além de conceder sabedoria jamais vista sobre a face da Terra, deu a ele também muitas riquezas.

Quando acordou do sonho, Salomão foi até a Arca da Aliança e ofereceu holocaustos ao Senhor. Fez também um gostoso banquete e ofereceu a todos os seus servos.

Mas a vida continuava, e o Rei Salomão tinha de julgar as questões e os problemas que surgiam no meio do povo.

Certa ocasião, vieram duas mulheres e se puseram diante do rei. Uma delas contou a seguinte história:

“Nós duas tivemos filhos. Cada uma teve um menino, mas certa noite o menino dessa mulher aí morreu. Ela viu que seu filho estava sem vida e de noite trocou os nossos filhos. Não havia mais ninguém na casa, só nós duas e os bebês. Agora ela diz ser a mãe desse menino que está vivo, quando na verdade eu é que sou a mãe dele.”

O Rei Salomão a tudo escutou. Assim que acabaram de falar, mandou que trouxessem uma espada e mais o menino vivo.

“Cortem a criança ao meio e entreguem cada metade a cada uma das mulheres.”, ordenou o rei, calmamente.

Mais que depressa, uma das mulheres gritou: “Por favor Rei Salomão, não faça isso. Deixe o menino viver. Prefiro que ele fique vivo com aquela mulher a vê-lo morto!” E chorava muito.

O Rei Salomão, muito sábio, pegou o menino e mandou que o dessem à mulher que pedira por clemência. Ela sim era a mãe verdadeira, pois queria que seu filho vivesse, mesmo que longe dela, se fosse o caso. E assim a questão foi sabiamente resolvida.

Nada no mundo se compara ao amor de uma mãe! Os filhos têm de saber disso!




A LUA (DEUSA MÃE) E SUA INFLUENCIA NA VIDA DA MULHER:

Desde a antiguidade, a Lua tem sido venerada como a personificação do princípio divino feminino. Os cultos da Grande Mãe originaram-se na Era de Câncer (8.600 a.C.) e, no decorrer dos milênios, várias culturas e civilizações veneraram Deusas Lunares, conhecidas sob diversos nomes e representações, conforme o país de origem. Os estudos das antigas tradições e mitologias revelam que a interpretação da Grande Mãe como Deusa Tríplice (Donzela, Mãe, Anciã) foi baseada no ciclo das fases da Lua (crescente, cheia, minguante). Desde a antiga Babilônia, três era um número sagrado simbolizando início, meio, fim - nascimento crescimento, morte - infância, idade adulta, velhice - corpo, mente, espírito - pai, mãe, filho.
Como símbolo do princípio feminino, a Lua representa os estados da alma, os valores do inconsciente, as emoções e o psiquismo, a receptividade, sensitividade, fertilidade, inspiração e intuição. As fases lunares caracterizam aspectos psicológicos e estágios de transformação que acompanham a trajetória mensal e anual da vida da mulher.
A Lua influencia o desenvolvimento e o crescimento das plantas, o movimento das marés e dos fluidos corporais, o ciclo menstrual, a concepção, geração e nascimento do todos os seres vivos.
Ao longo da história, a Lua e suas faces mutáveis têm sido o foco central de cultos e rituais, fonte de inspiração para poetas e trovadores, origem primordial dos calendários (baseados nos ciclos menstruais da mulher), marcador do momento certo para atividades agrícolas, considerada um dos luminares da astrologia (juntamente com o Sol) e assunto de inúmeras pesquisas e explorações científicas e tecnológicas atuais.
À medida que as culturas antigas matrifocais centradas na Deusa e nos valores por ela representados foram desaparecendo, sendo substituídas por hierarquias e estruturas patriarcais, o princípio lunar feminino foi sendo sobrepujado pelo princípio solar masculino. A Lua passou a ter conotações sombrias, ligadas aos aspectos instintivos, inconscientes e ocultos do ser humano, um sinônimo de inconstância e instabilidade emocional femininas e das práticas mágicas e atividades ocultas.
No entanto, as últimas décadas do século XX têm trazido uma mudança cada vez mais acentuada nos conceitos e nas escalas de valores da humanidade. Aumentou a busca para o conhecimento e transformação interior, para a integração com a natureza e os seus elementos e seres, para a expansão da consciência e a realização espiritual. Ressurgiram as antigas tradições, práticas e conhecimentos esotéricos e a dimensão mágica e oculta da deusa Lua está sendo reativada no mundo inteiro pelos movimentos esotéricos, ocultistas, feministas e ecológicos.
 A Deusa está se tornando cada vez mais presente no nosso mundo e a conexão com os atributos e significados lunares contribuem para criar um canal de recepção e difusão da Sua energia inspiradora, criadora e transformadora.
Conhecer as características do seu signo lunar facilita compreender a estrutura emocional, reconhecer as motivações subconscientes e evitar as respostas instintivas ou racionais com a ajuda da intuição. 
A Lua rege a intuição, a memória, a relação com a mãe, os comportamentos familiares, os hábitos – tanto bons quanto maus – a expressão da feminilidade e o padrão emocional. Observar as fases lunares e suas influências sobre seu comportamento, saúde, humor, sensibilidade, sexualidade, apetite ou compulsões pode tornar-se um auxiliar precioso para detectar – e evitar – atitudes instintivas, reações exageradas ou hábitos perniciosos. A Lua exerce sobre a mulher uma influência determinante na sua constituição física e emocional, nos seus ciclos biológicos e hormonais, no seu equilíbrio psíquico e mental.
Durante a Lua cheia, a nossa psique se abre mais facilmente para as energias cósmicas e espirituais, amplificadas pelo magnetismo lunar. Ao se reunirem durante a Lua cheia, as mulheres, além de se harmonizarem, criam um cálice luminoso que pode irradiar energias positivas para toda a humanidade e para o próprio planeta. Nos rituais de plenilúnio invoca-se a Deusa no seu aspecto de Mãe, atraem-se as suas bênçãos por meio de invocações, gestos, cânticos e danças, direcionando depois o poder mágico assim criado para benefícios pessoais, coletivos ou globais. 

A energia da Lua cheia é perfeita para manifestar idéias, concretizar objetivos, expandir intenções e contactar a Deusa interior, reafirmando, assim, a ligação ancestral e espiritual com a Lua, eterna governanta do corpo feminino e reflexo prateado do brilho da Mãe Divina.


HOMENAGEM A A TODAS MÃES DO UNIVERSO, OBRIGADO POR ESTA MARAVILHOSA LUZ NO UNIVERSO.

segunda-feira, março 18, 2019



Em Maçonaria, os símbolos e rituais servem para colocar ao dispor do maçom os conhecimentos, os temas, os valores com significado e importância no ideário maçónico. O que cada maçom aprende ou não aprende, reflete ou não reflete, assimila ou não assimila em face desses símbolos ou rituais é com ele. Cada um é como é e livremente aproveita (ou não) da forma que melhor entende o que lhe é proporcionado. 

Ao longo do seu percurso, o maçom é confrontado, simbólica e ritualmente, com a morte. Desse confronto, fará a reflexão que quiser ou for capaz, tirará a lição que conseguir tirar. Mas é importante que ese confronto exista.

A morte - sabemo-lo, embora mutos o procurem esquecer pelo máximo de tempo possível... - é inevitável. A todos chegará, a cada um na sua hora. Normalmente, quanto mais novos somos, mais afastamos esse tema do nosso pensamento. É uma desagradável questão distante com que esperamos não ser confrontados por décadas - se nos detemos a pensar nisso ainda vamos deprimir e mais vale mas é pensarmos no que vamos fazer hoje e amanhã e esta semana e nas próximas férias...

No entanto, os maçons são confrontados com a morte e assisado é que reflitam sobre esse tema. Desde logo, porque fazendo-o quando a morte não lhes está iminente, tal lhes permite racionalmente fazerem a sua análise e, sem urgências, ficarem em paz com a certeza de que um dia ela os atingirá.

A morte faz parte da vida. O ciclo natural do nascimento, crescimento, maturidade, declínio, morte está presente em todos os seres vivos, é ínsito à Vida. Quanto mais cedo e melhor aceitarmos isso, mais cedo e melhor estaremos em condições de aproveitar e viver plenamente a vida.

Para o crente, a morte não é o fim, mas uma Passagem. Mas, deste lado da mesma, forçoso é reconhecer que é uma Passagem para o Desconhecido...

A morte, o reconhecimento da sua inevitabilidade e, portanto, a sua aceitação, é, desde logo um importante fator de consciência da fundamental Igualdade entre todos nós.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama, logo no seu art. 1.º, que todos os seres humanos nascem livre e iguais em dignidade e em direitos. Mas, ao contrário do que possa parecer, a parte final desta proclamação ("em dignidade e em direitos") restringe o alcance da primeira parte da frase. E fá-lo bem, porque, em bom rigor todos os seres humanos, sendo essencialmente iguais, são individualmente diferentes. Uns nascem em berço de ouro, outros em pobres enxergas. Uns são geneticamente dotados de saúde, outros têm a infelicidade de virem a este mundo com doenças congénitas. Uns são inteligentes, outros nem tanto assim. Uns são belos, outros nem por isso. Pese embora a proclamada igualdade "em dignidade e em direitos", temos que reconhecer que, parafraseando George Orwell em O Triunfo dos Porcos, "uns são mais iguais do que outros". Uns, bafejados pela genética, mas também condições sociais, partem para a jornada da vida com vantagem. Outros terão de superar deficiências, insuficiências, simples acasos como o lugar de nascimento ou de colocação social dos seus genitores para lograrem atingir os mesmos objetivos e patamares muito mais facilmente atingidos pelos bafejados pela sorte na sua conceção e nascimento.

Quer queiramos, quer não, apesar da fundamental Igualdade entre os seres humanos, a verdadeira, a completa, a material Igualdade só existe na morte! A morte é o encerrar do ciclo neste plano de existência para o milionário e para o indigente, para o belo e para o feio, para o inteligente e para o menos dotado. A morte é a Grande Igualizadora!

Entender a nosa finitude e aceitá-la, mas também entender a fundamental Igualdade que a todos junta na morte é essencial para entendermos e fruirmos completamente a Vida.

A essencial Igualdade da morte é que todos, rigorosamente todos, quando chega esse momento tudo deixam para trás: riquezas, estatuto, honras, mas também dívidas, condenações e opróbrios.

Acumular riquezas, obter estatuto, receber honras implicam esforços, escolhas, renúncias. Ter suficientes bens materiais para poder proporcionar a si e aos seus uma vida segura e confortável e fazer sacrifícios para isso é entendível. Prescindir de fruir plenamente a vida só para acumular riquezas muito para além dessa medida e que, chegada a hora da morte, para trás ficarão, não será, para muitos, uma prioridade. O mesmo quanto ao estatuto, que inexoravelmente termina com a morte física, e com as honras, que gradualmente se desvanecem nas memórias dos que ficam até inevitavelmente desaparecerem, ou, quando muito, e em reduzido número de casos, se limitarem a referências nos livros de história ou de uma qualquer especialidade. Mesmo os grandes, celebrados e recordados artistas, heróis e criadores desconhecem, após a sua morte, que permanecem celebrados e recordados...

Portanto, a consciência e a aceitação de que a nossa vida é finita e que, chegada a morte, tudo deixamos para trás, em bom rigor não são pungentes, não são atemorizadora, são libertadoras, porque essa consciência e aceitação nos permitem viver e fruir plenamente a Vida.

A vida á para ser vivida da forma mais livre, mais pujante, mais compensadora, que nos for possível.

A VIDA É BELA! Mas só temos total consciência disso e a plena capacidade de a fruir depois de termos encarado a nossa finitude e de estarmos em paz com a nossa morte.

Rui Bandeira

segunda-feira, março 11, 2019



Há alguns anos, fazia uma viagem por automóvel entre Dubrovnik, na Croácia, e Mostar, na Bósnia-Herzegovina. Receoso do alcance das redes móveis de dados, naquela região, tinha-me preparado, baixando para o meu telemóvel uma aplicação de GPS que funciona com mapas pré-instalados e que, assim, dispensava a necessidade de recurso a redes de dados móveis.

Cruzada a fronteira entre a Crácia e a Bósnia-Herzegovina, o GPS deu indicação para abandonar a estrada principal e tomar uma estrada secundária. Estou habituado a confiar nas indicações do GPS, que muitas vezes nos apontam insuspeitos caminhos mais curtos ou mais rápidos. Assim, não hesitei e abandonei a estrada principal e enveredei pela secundária.

Alguns quilómetros adiante, a estrada cruzou uma aldeia, com ar de semi-abandonada. Gente, muito pouca - e só idosos. Mas o que mais chamava a atenção era a visão de muitos edifícios semidestruídos. Não por algum abalo de terra, mas evidenciando marcas de terem sido atingidos por projéteis de artilharia. A guerra nos Balcãs terminara há já mais de vinte anos, em 1995. Mas aquela meio deserta povoação ainda exibia abundantes e expressivas cicatrizes do que então sofrera com o conflito.

Um pouco mais à frente dessa povoação, a estrada encontrava-se visivelmente deteriorada, esburacada e invadida por vegetação. Mas - pior! - de ambos os lados da vereda (já não era uma estrada...), viam-se, a intervalos regulares, uns "simpáticos" sinais ostentando o conhecido ssímbolo da caveira entre duas tíbias, acompanhado do aviso de "cuidado - minas". Foi a altura de reanalisar a decisão de seguir o caminho indicado pelo GPS! Ter-me-ia enganado a colocar o destino? Haveria alguma outra Mostar que não aquela a que me pretendia dirigir? Reintroduzi o destino no GPS, assegurei-me de que só havia uma Mostar no mapa da aplicação. O GPS continuou, imperturbável (como as máquinas são...), a indicar que o melhor percurso era prosseguir em frente. Refleti um pouco. Os locais onde haveria ainda minas estavam devidamente assinalados e situavam-se fora da estrada. Desde que me mantivesse nesta, não deveria haver problema. O caminho estava visivelmente deteriorado, mas, afinal eu já verificara que atravessava uma zona que sofrera uma guerra e ainda não estava recuperada dos estragos. E, afinal, já por várias vezes o GPS me indicara caminhos com troços em mau estado, mas que depois voltavam a ser boas ou razoáveis estradas. Decidi prosseguir.

Porém, trezentos ou quatrocentos metros adiante, subitamente... deixou de haver estrada. Um matagal obstruía completamente o caminho. Sai do carro e fui ver mais de perto. Logo atrás do matagal, e encoberto por este, vi um novo aviso de "cuidado - minas". Só que agora não estava do lado da estrada. Daí para a frente, a estarada, a vereda, já não era mais do que... um campo de minas!

Clar que fiz inversão de marcha, refiz de volta toda a estrada secundária e, ignorando o GPS, retomei a estrada principal! Uns quilómetros mais à frente, no alto de uma elevação, parei para apreciar a paisagem e tirar umas fotos. Foi então que vi um letreiro, em madeira, virado para o território de onde vinha, escrito em língua local, mas percebendo-se bem que o seu significado era qualquer coisa como: "Está a entrar na Republika Srpska". Tinha atravessado o território dos independistas sérvios da Bósnia, uma das zonas de maior ferocidade da guerra civil decorrente do desmantelamento da antiga Jugoslávia! A tal estrada secundária que acabou obstruída por um campo de minas atravessava o cerne dessa zona de guerra. Os sérvios da Bósnia foram vencidos nesse conflito e, vinte anos depois, a zona estava abandonada, ou quase, e sem preocupação da sua recuperação - e limpeza de minas! - por parte dos vencedores. Ai dos vencidos...

Mais tarde, procurei apurar o que causara aquela informação errada da aplicação de GPS. Tinha baixado dois mapas diferentes da aplicação: o da Croácia e o da Bósnia-Herzegovina. Como é habitual, cada um dos mapas não se limite às fronteiras do respetivo país e tem ainda alguns quilómetros do território do país vizinho. Só que o mapa da Croácia, na parte do outro lado da fronteira, estava desatualizado mais de vinte anos e indicava ainda os percursos de antes da guerra!. Como só quando terminasse o alcance do mapa da Croácia é que a aplicação passaria a utulizar o (atualizado) mapa da Bósnia-Herzegovina, eu, vindo de Dubrovnik, fui, logo a seguir à fronteira direcionado para uma estrada que, antes da guerra, era o caminho mais curto e mais rápido, mas que já não o era e, em rigor, já não conduzia a nada mais do que a um campo de minas. No sentido inverso (de Mostar para Dubrovnik) não teria recebido essa falsa indicação, pois o mapa deste último país estava atualizado e  indicar-me-ia a atual, segura e bem conservada estrada principal...

Este episódio simboliza as opções que temos de tomar na vida. Temos constantemente de escolher o caminho a seguir. Fazêmo-lo em função das informações de que dispomos. Mas nem sempre acertamos. Porque, por mais ponderada que seja a nossa decisão, a informação em que se baseou não estava correta. Quando tal sucede, ainda que não desistamos à primeira dificuldade e perseveremos na nossa convicção, deveremos estar sempre atentos e não cair na obstinação. Quando os dados que formos recolhendo contrariarem inequivocamente os que fundamentaram a decisão, é tempo de arrepiar caminho!

Quando se verifica que se errou, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Inverte-se a direção, toma-se outro caminho, e pronto.

Também é escusado - e contraproducente - recriminarmo-nos pelo erro cometido. Ao longo da nossa vida, tomamos centenas de milhar ou milhões de decisões. Não podem ser todas certas, todos temos o nosso quinhão de decisões que se revelam erradas.

Mas o que vale a pena, sempre que concluímos que tomámos uma decisão errada é analisarmos o que causou o nosso erro, o que nos levou à decisão que seria melhor não termos tomado. Só assim conseguimos evitar repetir sucessivamente o mesmo erro ou erros de idêntica natureza. Só assim nos aperfeiçoamos no nosso processo de tomadas de decisão. Por vezes, verificaremos que o erro é de nossa responsabilidade, que não atentámos devidamente nos dados da situação, que errámos no processo lógico de apreciação da mesma. Nalgumas ocasiões, porém, concluiremos que o erro não decorreu de culpa nossa, que resultou de circunstâncias que razoavelmente não poderíamos prever. Nessas circunstâncias, deveremos conformar-nos e entender que, por muito cuidadosos que sejamos, não conseguimos prever nem antever tudo. Devemos assim, aceitar humildemente as nossas limitações e aprender que é aconselhável, no nosso processo de tomada de decisão, dar um desconto para a imprevisibilidade, para a nossa incapacidade de tudo prever - aquilo a que um engenheiro meu conhecido dizia que incorporava no cálculo da capacidade das estruturas suportarem forças e tensões e a que chamava "coeficiente de cagaço"...

Somos humanos e, logo, imperfeitos. Aspiramos à perfeição, devemos esforçar-nos por nos aproximar dela o mais possível, mas sabemos que, por mais que nos aproximemos, nunca a alcançaremos.

Constantemente temos de escolher caminhos. Façamos sempre as nossas escolhas com ponderação de todos os elementos disponíveis, para errarmos menos vezes. Mas aceitemos que nos será sempre impossível acertar sempre. Porque, por muito cuidado que tenhamos, há sempre a possibilidade de algo nos escapar, de algo não conseguirmos prever. Por isso, embora nunca devamos desistir à primeira dificuldade, embora devamos persistir perante os obstáculos, nunca devemos ser obstinados, para que possamos reconhecer quando errámos a tempo de arrepiar caminho, remediar o erro e tomar nova direção.

A vida vive-se de muitos caminhos. Às vezes mais rápidos e diretos. De outras mais sinuosos e difíceis. De vez em quando conduzindo a becos sem saída ou levando-nos a desvios indesejados. Nunca nos esqueçamos que embora costumemos dizer que "para a frente é que é o caminho", também temos de saber rodear obstáculos e, quando necessário, dar meia-volta e procurar outra solução. Mas - sempre! - procurando aprender algo com o que fazemos, sempre buscando tirar algo de bom do que de mau fazemos ou nos sucede. Afinal de contas, ao ter eu decidido seguir por aquela estrada secundária que me acabou por obrigar a voltar para trás, se é certo que perdi algum tempo na minha viagem, também pude viver um pouco de algo que felizmente nunca vivi e que espero nunca viver: estar numa zona que foi de guerra e verificar, ao vivo e a cores, com estes dois que a terra há de comer, a destruição que ela traz. Essa noção não a teria adquirido se não tivesse percorrido aquele caminho...

Rui Bandeira

La Heresia dos Cataros  por Wayne Purdin 15 Febrero 2014 Este artículo apareció en, New Dawn Nº 113 (marzo-abril 2009) d el Sitio Web NewDaw...