segunda-feira, outubro 31, 2016

Posted: 31 Oct 2016 05:00 AM PDT

Em inglês, "Land" significa "terra" e "mark" traduz-se por "marca", "alvo". "Landmark" é, assim, a marca, o sinal, na terra, e, mais especificamente, os sinais colocados nos terrenos para assinalar a sua delimitação em relação aos terrenos vizinhos. Em suma, "landmark" é, em português, o marco, no sentido de marco delimitador de terreno.

Fazendo a transposição para a Ordem Maçónica, Landmarks são, correspondentemente, os princípios delimitadores da Maçonaria, isto é, os princípios que têm em absoluto de ser intransigentemente seguidos para que se possa considerar estar-se perante Maçonaria Regular.

Ou seja, os Landmarks são o conjunto de princípios definidores do que é Maçonaria. Só se pode verdadeiramente considerar maçom quem, tendo sido regularmente iniciado, seja reconhecido como tal pelos outros maçons e observe os princípios definidores da Maçonaria constantes dos Landmarks.

Porque definidores do que é Maçonaria Regular, os Landmarks fixados são imutáveis.

Porém, existe um problema: não existe uma lista “oficial” de Landmarks comum a todo o mundo maçónico! São conhecidas várias listas de Landmarks, elaboradas por maçons estudiosos e ilustres, mas… por muito estudiosos e ilustres que foram, nenhum tinha mandato específico para fazer essa definição!

Há listas de Landmarks elaboradas por Albert G. Mackey (25) , George Oliver (31), J. G. Findel (9), Albert Pike (5), H. G. Grant (54), A. S. Mac Bride (12), Robert Morris (17), John W. Simons (15), Luke A. Lockwood (19), Henrique Lecerff (29).

Estas listas de Landmarks, repito, não vinculam senão os seus autores e espelham, além dos seus conhecimentos, também os seus preconceitos e os das suas épocas. É célebre, por exemplo, o Landmark 18 de Mackey que, além de afirmar a masculinidade da Maçonaria, impõe que nem escravo nem aleijado possa ser admitido maçom. Perante o evidente preconceito de Mackey, fruto da época e ambiente em que vivia, modernamente faz-se uma interpretação “habilidosa” do Landmark e postula-se que o maçom deve ser “livre de vícios” e não deve ser “aleijado de caráter”. Mas, meus caros, não foi isso que Mackey quis dizer e disse: Mackey escreveu que “os candidatos à Iniciação devem ser “isentos de defeitos ou mutilações, livres de nascimento e maiores”. Manifestamente que se referia a defeitos e mutilações físicas, não morais. Evidentemente que, para ele, ser “livre de nascimento” não tinha nada a ver com ser nascido livre de vícios (pois todos nascemos sem vícios – quem os tem, adquire-os mais tarde), antes se referia a não ter nascido escravo. Repare-se que nem sequer os escravos libertos, segundo Mackey, podiam ser maçons… Percebe-se talvez assim porque é que algumas Grandes Lojas do Sul dos EUA, ainda eivadas de muito racismo, continuam a defender que Prince Hall não foi validamente iniciado maçom, pois o homem foi escravo liberto…

Nos tempos de hoje, com a evolução de mentalidade que (felizmente) houve no último século, esta postura preconceituosa não pode ser admitida. Daí a interpretação “habilidosa” a que me referi. Mas, se os Landmarks são imutáveis, então tem igualmente de o ser a sua interpretação! Logo, não há que interpretar habilidosamente o Landmark 18 de Mackey. Há que, pura e simplesmente afirmar, alto e bom som e de cabeça levantada, que aquilo não é Landmark nenhum, e ponto final!

Algumas Grandes Lojas optaram por criar listas de Landmarks próprias. É o caso, por exemplo, das Grandes Lojas de New Jersey (10), do Tennessee (os 15 de John W. Simons), do Connecticut (os 19 de Luke A. Lockwood), do Minnesota (26), do Massachussets (8), do Kentucky (os 54 de H. G. Grant) e a Grande Loja Ocidental de Colômbia (20).

Na Europa, a Grande Loja Nacional Francesa codificou o que designou de “Regra em 12 pontos”, pela qual definiu o que se contém dentro do conceito de Maçonaria Regular – ou seja, definiu os seus Landmarks da Maçonaria Regular (http://www.glnf.fr/fr/Regle-en-douze-points-franc-maconnerie-238).

Que tem isso de diferente ou especial, uma vez que, como acima referi, várias outras Grandes Lojas fizeram o mesmo? A diferença – de que o tempo se encarregará de nos mostrar a sua real relevância – é que, enquanto cada uma das Grandes Lojas da América que fixaram Landmarks o fizeram por si e sem preocupações de alinhamento ou partilha com as demais, a iniciativa da GLNF tem conduzido a um movimento de expansão da Regra dos 12 Pontos, de aceitação desta codificação de Landmarks por outras Obediências.

A Grande Loja Legal de Portugal/GLRP adotou também a Regra em 12 Pontos (https://www.gllp.pt/index.php/as-doze-regras-da-maconaria-regular). A Grande Loja de Espanha assim o fez também (http://gle.org/la-regla-en-12-puntos/). Mas o movimento não é só europeu. Várias Grandes Lojas africanas de países de expressão francesa também adotaram a Regra em 12 pontos, designadamente a Grande Loja Nacional Togolesa (http://glnt.tg/e aí ir a Les principes fondamentaux/ La règle en 12 points). Também a Grande Loja de Moçambique adotou a Regra em 12 pontos (a GL de Moçambique não tem ainda sítio na Internet; têm de acreditar na minha palavra…).

A Regra em 12 pontos, verdadeiros Landmarks da Maçonaria Regular, vai sendo progressivamente adotada por Obediências Regulares da Europa e de África. É tempo de a divulgar junto dos Irmãos da América Latina – talvez no âmbito da Confederação Maçónica Interamericana.

Rui Bandeira
VALOR TRADICIONAL E MÍSTICO DA INICIAÇÃO MAÇÔNICA
 
A Iniciação Maçônica é completa em si mesma, quando o Maçom, depois de ter galgado sucessivamente os degraus do Aprendiz e do Companheiro, chega ao grau de Mestre. Mas o iniciado deve poder romper a casca mental, isto é, fugir do racionalismo esterilizante, para atingir a transcendência; somente depois de romper essa casca é que se torna possível o acesso à verdadeira iniciação. Todos os símbolos abrem portas, sob a condição de não nos atermos apenas — como geralmente acontece — às definições morais.
São muitos os que se declaram "racionalistas" e que qualificam de "simbolistas" — com uma nuança
pejorativa — aqueles que tomaram consciência do valor iniciático da Maçonaria. Convém analisar o
vocábulo "racionalismo" e examinar os limites por ele impostos. O racionalista (de ratio, razão) recusa-se a levar em consideração tudo o que vai além dos limites de seu entendimento. Sua concepção e seu conhecimento do mundo arriscam-se, por isso, a ser consideravelmente amesquinhados, à medida de sua inteligência e de seu saber. E essa posição intelectual prova ser realmente lamentável. Tal atitude de limitação, para ser lógica, suporia uma vasta cultura; desse modo, o racionalista comum só pode confiar naqueles que professam sua fé — pois existe uma fé — e que considera mais "sábios" do que ele próprio.
Ele pode, portanto, ater-se às leis físicas e psicológicas conhecidas e deve rejeitar — como manchado de erro — tudo o que vai além dessas leis. Estranho amesquinhamento de sua concepção do Universo! O racionalista faz alarde de ser "científico" e de que não passa de um "cientista"; ele admite que a "Ciência" faz conhecer as coisas tais como elas são, que ela resolve todos os problemas e que ela basta para satisfazer todos os desejos da inteligência humana. Para admitir um fato, a ciência exige que ele possa ser repetido à vontade; ela exige também que ele se enquadre em suas leis gerais. Ora, existe uma série de fenômenos que não satisfaz essas condições e cuja realidade não é, absolutamente, objetiva. O racionalista fixa-se em sua concepção e dela faz um dogma, agindo assim como um fanático, exatamente como os fiéis de não importa que religião, de não importa qual Igreja, para os quais não existe salvação fora dos dados teológicos que lhes são próprios. A Ciência não passa de uma crença que se apoia em hipóteses continuamente renovadas; é inútil e ilusório pedir a ela o que ela não pode dar: o conhecimento
espiritual. "O conhecimento ou a inteligência do divino, diz Jambiique (De mysteriis, II, 11), não basta para unir os fiéis a Deus; se assim fosse, os filósofos, por suas especulações, realizariam a união com os deuses.
Esta  execução perfeita e superior à inteligência de atos inefáveis, é a força inexplicável dos símbolos que fornece o conhecimento das coisas divinas." Ora, a Franco-Maçonaria é uma verdadeira escola de
iniciação e não, como a julgam comumente, uma associação fraterna com finalidades mais ou menos
políticas. A iniciação, tal como a concebiam as antigas "Sociedades de Mistérios" e tal como a praticam ainda as seitas mais ou menos evoluídas da África negra ou da Ásia misteriosa, a iniciação "abre portas" até então proibidas ao recipiendário. Além do mais, a transmissão ininterrupta dos "poderes" integra o impetrante à Egrégora do grupo e o faz participar, apesar dele, da vida mística e profunda da própria essência dos símbolos. Essa "iniciação" verdadeira é Una no tempo, no espaço, nos ritos, embora os costumes sociais ou étnicos daqueles que a praticam sejam diferentes. A Iniciação Maçônica torna palpável essa Unidade do Conhecimento através das seitas e dos ritos. Será possível provar a filiação maçônica iniciática mediante fatos precisos? Será possível afirmar que essa filiação é inexistente? René Guénon é muito categórico a respeito: "Não existem mais no mundo ocidental organizações iniciáticas capazes de reivindicar para si uma filiação tradicional autêntica senão as Associações de Obreiros e a Maçonaria". Contudo, ele não fornece nenhum argumento, a não ser especulativo, para apoiar sua tese.
Albert Lantoine, o erudito historiador da Maçonaria, pouco suspeito de misticismo, diz a respeito da
influência dos Rosacruzes sobre a Maçonaria: "Para nós há mais do que pontos de contacto: há uma
interpenetração que fez da velha maçonaria uma nova franco-maçonaria. Aliás, não podemos explicar por outro modo todo esse simbolismo místico... Portanto — e esse ponto é extremamente importante para os decifradores de símbolos — nós veríamos aı ́a explicação muito natural, muito simples desse ritualismo que, em lugar de se ter transmitido por sucessivas associações misteriosas, teria sido implantado por inovadores curiosos de reminiscências iniciáticas". Seja como for, assim como o movimento se prova
caminhando, a Maçonaria prova seu valor iniciático com todo esse aparato simbólico que ela conserva e de que se utiliza. Ir.·. Jules Boucher Editora Pensamento.
VALOR TRADICIONAL E MÍSTICO DA INICIAÇÃO MAÇÔNICA

segunda-feira, outubro 24, 2016

O lugar do Aprendiz
O local onde uma Loja maçônica se reúne é pelos maçons designado de Templo. Dentro do Templo, e no decorrer de uma reunião de Loja, tudo existe segundo uma ordem determinada e todos têm assento em locais definidos. O sentido de ordem, a segurança que psicologicamente é transmitida a quem se encontra num local ordenado, onde tudo e todos estão no seu lugar, ajudam à criação de uma atmosfera de confiança, descontração e concentração que é preciosa, quer para o bom desenrolar da sessão, quer para o conforto de todos, quer para a predisposição para atender aos assuntos do espírito, deixando-se efetivamente os metais à porta do Templo.

Como todos os outros obreiros, o Aprendiz tem o seu lugar determinado. Ou, melhor dizendo, uma zona da sala destinada a que ele ali se coloque e assista a tudo o que se passa. Esse lugar, essa zona, situa-se nas cadeiras traseiras do lado Norte da sala.

O lado Norte aqui em causa é, como quase tudo em Maçonaria, simbólico. Pode, portanto, corresponder ou não ao Norte geográfico. Normalmente, as salas onde decorrem as reuniões de Lojas têm a forma retangular, com a entrada colocada num dos lados mais pequenos. E quando não tem essa forma, utilizam-se os adereços necessários para que o local onde decorre a reunião tenha essa disposição. O lado onde se situa a entrada é, por convenção, designado de Ocidente. Logo, o lado oposto, onde se coloca a Cadeira de Salomão, é o Oriente. A generalidade dos obreiros toma assento nos lados direito e esquerdo da entrada. Convencionado que está que a entrada se situa no Ocidente, o lado direito de quem entra é, portanto, o Sul e o lado esquerdo de quem entra é o Norte.

Portanto, o Aprendiz toma assento na segunda fila do lado esquerdo de quem entra. Como sempre, esta disposição tem um significado simbólico. Para ser entendido, há que ter presente que a Maçonaria nasceu no hemisfério Norte. Neste hemisfério, o que está situado a Norte é menos ensolarado, menos iluminado. Em termos de Maçonaria, o Aprendiz ainda está na fase de transição da vida profana para a vivência maçônica. Está em processo de aprendizagem dos símbolos, dos princípios, da vivência, da Maçonaria. Está no início do percurso que todos os maçons procuram fazer, do seu aperfeiçoamento, da busca do Conhecimento do significado da Vida e da Morte, da Criação, do Universo, do Material e do Imaterial. Está, como os maçons dizem, no início do caminho para a Luz. O Sol nasce a Oriente. Simbolicamente a Luz que o maçom busca encontra-se a Oriente. Daí que seja no lado que simboliza o Oriente que se encontra a Cadeira de Salomão, onde toma assento o Venerável Mestre, que conduz a Loja e os seus Obreiros na busca, individual e coletiva, do aperfeiçoamento e do Conhecimento, na busca da Luz. O Conhecimento, para quem não está preparado, pode ser nefasto, pode ser incompreendido ou mal compreendido e, logo, recusado, afastado, distorcido. Portanto, o acesso à Luz deve ser gradual, em função da capacidade, da preparação, do Caminhante. Consequentemente, aquele que está ainda menos preparado, aquele que está ainda na fase inicial da sua Jornada, deve ser protegido do excesso de Luz, para que nele se não torne nefasto o que deve ser benfazejo. Assim, deve tomar assento na zona mais protegida da Luz, ou seja, no Norte.

Quanto ao facto de tomar assento nas cadeiras traseiras, e não na primeira fila, tal deve-se, quer ao facto de, quanto mais ao Norte estiver, mais protegido estar da Luz em excesso, quer, muito mais prosaicamente, ao facto de o Aprendiz ainda ter uma reduzida intervenção nos trabalhos e ser conveniente deixar a primeira fila ser ocupada por quem pode intervir ou necessita de circular pela sala...

Esta regra só tem uma exceção: no dia da Iniciação, finda a respectiva cerimônia, o novo Aprendiz toma assento, até ao final da sessão (e só nessa sessão), na primeira fila do Norte. Também por uma razão muito prática: não faz sentido ser colocado mais atrás, porventura obrigando outros obreiros a desviarem-se para lhe dar passagem, para o que resta da sessão. Dá muito mais jeito manter reservado um lugar na primeira fila que, a seu tempo, será então ocupado pelo recém-iniciado. Afinal, depois do turbilhão de emoções que constitui a Iniciação, sabe bem sentar-se pertinho, pertinho, no primeiro lugar disponível e facilmente acessível...

A partir da´sessão seguinte, e durante todo o tempo em que for Aprendiz, tomará, então assento na zona que lhe está destinada, os assentos traseiros do lado Norte. Protegido na sua zona, subtraído a movimentações, o Aprendiz está sossegado, em plenas condições de se concentrar, de tudo observar, de tudo apreender. Em Maçonaria, o Aprendiz é um Homem do Norte...

Rui Bandeira"

terça-feira, outubro 11, 2016


O Ágape ritual é uma das componentes mais belas do próprio ritual maçônico. Nele se vive e prolonga a fraternidade vivida na Cadeia de União.
Ele é um prólogo da vivência em Loja e onde todos, também ao mesmo nível, podem falar, sem estarem a violar qualquer preceito maçônico ou até mesmo por estarem subscritos ao "silêncio" referente ao grau a que alguns dos elementos da Loja possam estar remetidos durante a execução de uma sessão maçônica e ao mesmo tempo para aproveitar para tomar uma refeição em conjunto.
Assim, depois desta pequena introdução ao tema de hoje, deixo-Vos com o texto na íntegra:

"Léxico Maçônico: Ágape

Nos vários textos anteriores, foi várias vezes mencionado o termo "ágape", aliás num deles definido como refeição tomada em conjunto por maçons, em regra depois, ou imediatamente antes, das reuniões de Loja.
Em circunstâncias ideais, as instalações onde decorrem reuniões de Lojas devem estar preparadas para ter uma sala, de tamanho adequado e devidamente mobilada, onde possa ser servida e consumida a refeição, e ainda local para a confecção desta.
Durante um ágape, são efectuados pelo menos sete brindes, dedicados ao Presidente da República, a todos os Chefes de Estado que protegem a Maçonaria, ao Grão-Mestre, ao Venerável Mestre da Loja, aos demais Oficiais da Loja, aos Visitantes (ou, nos ágapes brancos, às senhoras presentes) e a todos os Maçons, onde quer que se encontrem.
O ágape branco é um ágape em que estão presentes não maçons, em regra familiares e amigos. No ágape branco, o cerimonial é aligeirado ao mínimo, mantendo-se apenas os brindes.
O ágape ritual é considerado o prolongamento dos trabalhos em Loja. Nele, os Aprendizes e Companheiros têm oportunidade de exprimir as suas opiniões, relativamente aos assuntos debatidos em Loja (já que, em sessão de Loja, os Aprendizes e Companheiros devem observar a regra do silêncio, para mais concentradamente poderem dedicar a sua atenção ao que vêm e ouvem) ou colocados em discussão no próprio ágape.
Quando existem condições de privacidade que o permitam, o Venerável Mestre, no início do ágape, informa qual o tema sobre o qual todos os elementos presentes devem emitir as suas considerações, pela forma que entenderem. Seguidamente, cada um dos elementos presentes deve, à vez, levantar-se, apresentar-se e proferir uma alocução breve sobre o tema indicado. Esta rotina possibilita o melhor conhecimento mútuo de todos os membros de uma Loja (pois cada um expõe, em plena liberdade e perante a atenção silenciosa dos demais os seus pontos de vista), facilita a integração dos membros mais recentes (que verificam a prática da igualdade entre maçons e a aceitação das diferenças de opinião entre eles) e contribui para a superação do receio de falar em público de que sofrem algumas pessoas.
Quando existem condições para a refeição ser preparada e consumida nas instalações da Loja, por regra é nomeado um elemento da Loja, que fica com a responsabilidade de dirigir a preparação da refeição e do local onde a mesma vai ser consumida.
Quando não existem as condições de privacidade entendidas necessárias, o ritual do ágape reduz-se aos brindes ou é, mesmo, eliminado, servindo a refeição apenas (e já é bom!) para possibilitar a sã convivência entre os elementos da Loja.
Os ágapes em muito contribuem para a criação e o fortalecimento dos laços de amizade e solidariedade entre os maçons.

Rui Bandeira"

quinta-feira, setembro 22, 2016

A ORIGEM DA PALAVRA IRMÃO


Membros da Maçonaria, unidos pelo Amor Fraternal, qualquer que seja o seu grau, dão–se o tratamento de “Irmão”. É o título que geralmente se dão, mutuamente, os religiosos de uma mesma Ordem e de um mesmo convento e também os membros de uma mesma associação.
Esse tratamento existe em todas as sociedades iniciáticas e nas confrarias, em que o seu significado é a condição adquirida com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade. É o tratamento que se davam entre si os maçons operativos.
A origem do cordial tratamento de “Irmão” afirma que esse tratamento foi adotado e nunca mais olvidado pelos maçons, desde os tempos de Abraão, o velho patriarca bíblico. Reza a história que estando ele e sua mulher Sara no Egito, lá ensinavam as 7 ciências liberais (gramática, lógica e dialética, matemática, geometria astronomia e música), e contou entre os seus discípulos com um de nome Euclides. Tão inteligente que não demorou nada em tornar-se mestre nas mesmas ciências, ficando por isso bastante afamado como ilustre personagem.
Então Euclides, a par com suas aulas, estabeleceu regras de conduta para o discipulado; em primeiro lugar cada um deveria ser fiel ao Rei e ao país de nascimento; em segundo lugar, cumpria-lhes amarem-se uns aos outros e serem leais e dedicados mutuamente. Para que seus alunos não descuidassem dessas últimas obrigações, ele sugeriu a eles que se dessem, reciprocamente, o tratamento de “Irmãos” ou “Companheiros”.
Aprovando inteiramente esse costume da escola de Euclides, a Maçonaria resolveu sugeri-lo aos seus iniciados, que receberam-no com todo agrado, sem nenhuma restrição, passando a ser uma norma obrigatória nos diversos Corpos da Ordem. De fato, traduz uma maneira de proceder muito afetiva e agradável a todos os corações dos que militam em nossos Templos. Assim passaram os Iniciados ao uso desse tratamento em todas as horas, quer no mundo profano, quer no maçônico. O Poema Regius, que data do ano de 1390, aconselha os operários a não se tratarem de outra forma senão de “meu caro Irmão”. Por isso o tratamento de Irmão dado por um maçom a um outro, significa reconhecimento fraternal, como pertencente à mesma família.
Os maçons são Irmãos por terem recebido a mesma Iniciação, os mesmos modos de reconhecimento e foram instruídos no mesmo sistema de moralidade. Além da amizade fraternal que deve uni-los, os maçons consideram-se Irmãos por serem, simbolicamente, filhos da mesma mãe, a Mãe - Terra, representada pela deusa egípcia Ísis, viúva de Osíris, o Sol, e a mãe de Hórus. Assim os maçons são, também, simbolicamente, Irmãos de Hórus e se autodenominam Filhos da Viúva.
Durante a Iniciação quando o recipiendário recebe a Luz, seus novos Irmãos juram protegê-lo sempre que for preciso. A partir daquele momento, todos que a ele se referem o tratam como Irmão. Os filhos de seus novos Irmãos passam a tratá-lo como “Tio” e as esposas de seus Irmãos passam a ser sua “Cunhada”. Forma-se nesse momento um elo firme entre o novo membro da Ordem e a família maçônica.
A Maçonaria não reconhece qualquer distinção entre raças, crenças, condições financeira ou social entre seus obreiros. Há séculos vem a Sublime Instituição oferecendo a oportunidade aos homens de se encontrarem e colherem os frutos do
prazer de conviver sempre em paz, em união e concórdia, como amigos desinteressados, dentro de um espírito coletivo voltado à prática do bem, guiados por rígidos princípios morais, sem desavenças e dissensões.
Os membros de nossa Ordem aprendem a destruir a ignorância em si mesmos e nos outros; a ser corajosos contra suas próprias fraquezas, lutar contra seus próprios vícios e também contra a injustiça alheia. São estimulados a praticarem um modo de vida que produza um nível elevado em suas relações com seus Irmãos, aos quais dedicam amizade sincera e devotada. São fiéis cumpridores de todo dever cujo cumprimento lhes seja legalmente imposto ou reclamado pela felicidade de sua Pátria, de sua Família e da Humanidade. Jamais abandonará sua prole, seus Irmãos e seus amigos, no perigo, na aflição ou na perseguição. Sobre o coração do maçom está o símbolo do amor, da amizade, da razão serena e perseverante.
O que distingue o maçom na vida profana é sua aversão à iniquidade, à injustiça, à vingança, à inveja e à ambição, sendo ele constante em fazer o bem e em elogiar seus Irmãos.
O verdadeiro Irmão é aquele que interroga sua consciência sobre seus próprios atos, pergunta a si mesmo se não violou a lei da justiça, do amor e da caridade em sua maior pureza; se não fez o mal e se fez todo o bem que podia; se não menosprezou voluntariamente uma ocasião de ser útil; se ninguém tem o que reclamar dele. E quando não tem uma palavra que auxilie, procura não abrir a boca… (Se for falar, cuida para que suas palavras sejam melhores que o seu silêncio).
O Irmão, possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seu interesse à justiça. Ele é bom, humano e benevolente para com todos, sem preferência de raças nem de crenças, abraça o branco e o preto ( pois não é a cor, mas sim o talento e a virtude que faz um homem elevar-se por sobre os demais), o rico e o pobre, o jovem e o velho, o sábio e o ignorante, o nobre e o plebeu, porque vê Irmãos em todos os homens.
Porém, devemos observar que nem o rico, o príncipe ou o sábio, devem “descer” para o nivelamento. Não descendo ao nível deles mas, sim, ajudando-os a se levantarem e poderem melhor enxergar o horizonte. É caminhando que se faz o caminho. Pensando, agindo, sentindo, sofrendo, aprendendo e corrigindo. Fazendo melhor em seguida. Se comprometendo a sempre ensinar aos capazes, o que se aprendeu. Capacitando-os. Perpetuando a GNOSE adquirida.
Quem deverá “subir” é o pobre; pobre no sentido de ser CARENTE. Acontece de existir entre os ricos de recursos materiais, os pobres de sabedoria, ignorantes de conhecimento, de altruísmo e complacência. O verdadeiro Irmão não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; compreendendo, nem condena. Portanto perdoa, e anula as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios que já tenha recebido, porque sabe que com a mesma sábia compreensão que deixou de condenar, assim será tratado intimamente, na sua própria causa de compreensão, como réu de sua consciência, quando essa lhe julgar.
Não se compraz o maçom em procurar os defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência. Se a necessidade a isso o obriga, procura sempre motivar o bem que pode atenuar o mal.
O verdadeiro Irmão não se envaidece nem com a fortuna, nem com as vantagens pessoais, porque sabe que tudo o que lhe foi dado apenas o direito da
posse, pertence ao mundo e por poder dessa força natural, se desmerecido, tudo pode lhe ser retirado. Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, ele os trata com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante o Grande Arquiteto do Universo; usa de sua autoridade para erguer-lhes o moral e não para os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar sua posição subalterna mais penosa.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo em cumpri-los conscienciosamente. O verdadeiro Irmão respeita em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da Natureza, como gostaria que os seus fossem respeitados.
Aplicando os ensinamentos maçônicos, tanto no interior dos Templos como no seio da sociedade profana, o maçom dentro de suas possibilidades, colabora para a edificação do Templo da civilização humana. Afinal, se cultiva a liberdade, a igualdade e a fraternidade, tem por obrigação, abrir mais os seus braços, entrelaçar seus Irmãos e oferecer sua convivência fraterna, sua influência, seu trabalho de auxílio, com harmonia, paz, concórdia e fraternização, dentro e fora do Templo. Enfim, o verdadeiro Irmão saberá fazer o Bem sem ostentação, mas não sem utilidade para todos. Onde quer que o pobre reclame o combate sem descanso aos exploradores dos fracos, o auxílio e proteção à criança ou à mulher, o Irmão é obrigado a fazer obra maçônica. É-lhe proibido fechar os olhos aos deserdados da sorte.
Porém, só quando se encontra revestidos de todas essas virtudes é que pode dizer: “Meus Irmãos como tal me reconhecem” – frase mais ouvida e citada dentro da Loja e também fora dela – como forma de identificação. Curioso, no entanto, é que ao sermos reconhecidos como Irmãos, o outro abre o sorriso e os braços, como se fosse um velho conhecido. Esse é um sentimento de irmandade, é muitas vezes, mais forte que entre Irmãos de sangue. Nossa Ordem precisa de Irmãos verdadeiros, aqueles que têm orgulho de pertencerem à Sublime Instituição e estão dispostos a sacrifícios pessoais em benefício dela.
O Grande Arquiteto do Universo, ouve nossos rogos e nos mostra o caminho que a Ele conduz, continua a nos proporcionar a dádiva da aproximação de valorosos Irmãos que nos socorrem em nossas dificuldades, se interessam por nós, nos escrevem, telefonam para saber como estamos, trocam e-mails e assim, não nos deixam experimentar a depressão e a solidão. Nossas Lojas Maçônicas são portos seguros, colos de mãe para enxugamento das lágrimas e o consolo de nossas dores, num ambiente de luz, paz e amor, pois é sublime reunir em seu seio, católicos, evangélicos, espíritas, maometanos, israelitas, budistas, e a todos dizer: ” Aqui vossas disputas não encontrarão eco. Aqui, não ofendereis a ninguém e ninguém vos ofenderá.”


Meu Irmão, se eu me esquecer de você, nunca se esqueça de mim! Conte comigo. Eu conto consigo.
“O maior cargo em maçonaria é o de verdadeiro Irmão.”

terça-feira, setembro 20, 2016











Por que Maçonaria e Política?


Definição de Política – Aristóteles

O bem do indivíduo é da mesma natureza que o bem da cidade (polis), mas este é “mais belo e mais divino” por que se amplia da dimensão do privado para a dimensão do social, para a qual o homem grego era particularmente sensível, porquanto concebia o indivíduo em função da cidade e não a cidade em função do indivíduo.
Aristóteles dá a  esse  modo de pensar dos gregos uma expressão paradigmática, definindo o próprio homem como “animal político” (ou seja, não simplesmente como animal que vive em sociedade, mas como animal que vive em sociedade politicamente organizada).
Mas, nem todos aqueles que vivem na cidade são cidadãos. Para Aristóteles, ser cidadão é preciso participar da administração pública, ou seja, fazer parte das assembleias  que legislam, governam a cidade e administram a justiça.
O que é a Maçonaria ? É uma instituição que tem por finalidade estabelecer a justiça na humanidade e fazer imperar a fraternidade. Suas divisas são : Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Aí vamos deparar-nos com os vários conceitos de justiça: aquele emanado do direito, ou da filosofia, ou da economia, ou podemos sintetizá-los todos por um só conceito: O DE JUSTIÇA SOCIAL. É dever do maçom persegui-lo. E como persegui-lo senão pela política.
Parece-me que a grande dificuldade consiste em estabelecer a linha divisória que separa  a política, entendida como a gestão da polis, objetivando fazer imperar a fraternidade, das inclinações, ou, pior ainda, das paixões partidárias. Tudo isso potencializado pelo fato de não existir interpretação inocente da história, como pretendia o positivismo.
A própria maçonaria fez sua opção por um modelo de ordenamento social, que é aquele fundamentado nos princípios de suas divisas.
Como escola de  aperfeiçoamento e alternativa de sociabilidade, qual o procedimento a adotar para otimizar seu objetivo ?
A meu ver, há dois procedimentos basilares que podem ser combinados:  o primeiro seria reunir as cabeças privilegiadas que temos e, mediante a madura administração de nossas divergências, acharmos o leito que possibilite escoar todo o jorro de ideias, delas emanadas,á direita e á esquerda, com tal magnitude que possibilite preencher o vazio das ideias transformadoras que agem como profetas da nova era. A outra, é buscar nas nossas melhores  tradições históricas portadoras de futuro a metodologia já utilizada por nossos IIr.:  e que provaram sua eficácia na práxis… Aí nosso Rito é imbatível.
Há duas ricas fontes para nos abeberarmos: uma é a Revolução Francesa; a outra, é a História do Brasil. Como o tempo é exíguo, procurá-la-ei somente na revolução Francesa.
Foi ela um momento de tamanho fulgor na história da humanidade que, até hoje, é possível vislumbrar o seu brilho! Ainda caminha altaneira em cima dos escombros  da ordem velha que sepultou.
A referência à história pátria, por ser específica, fica para outra oportunidade. Queremos uma referência universal.
Mas, o que foi a Revolução Francesa e qual foi o papel desempenhado pela maçonaria ? Bem, a revolução foi o coroamento de uma lenta evolução econômica  que instala no domínio do Estado a classe que estava madura para exercê-lo : a burguesia.
Foi o clímax provocado pela agudização das contradições existentes entre o caráter das forças produtivas e as relações sociais de produção.
Apesar de burguesa, com ela já nasciam as ideias de uma nova ordem social que lhe seria superior, posto que se pretendia menos excludente. Esta é a grande diferença para as revoluções que a precederam: a Inglesa e a Americana. Enquanto estas eram “estreitamente” burguesas e conservadoras ,  a francesa, pela sua “mélange” de classes, foi “largamente” burguesa e democrática. Ali começava a se forjar o emblema maçônico de construtores sociais. No passado, nós fizemos jus a ele; por isso, é ali que vou buscar a inspiração para falar sobre o tema.
A alternativa sobre “nossas cabeças privilegiadas” fica para o dia 30 de outubro.
COMO SE PREPAROU O ADVENTO DA NOVA ORDEM?
Vamos primeiro entender o que era a “velha ordem”, aproveitando a didática de Leo Huberman : “quando vamos ao cinema  assistir um filme sobre a Idade Média, observamos na tela os cavaleiros e damas engalanados em sua armadura brilhante e vestidos alegres, respectivamente, em torneios e jogos. Vivem em esplêndidos castelos, com fartura de comida e de bebida. Quase nem nos apercebemos que alguém deve produzir todas essas coisas. Também alguém tinha que fornecer alimentação e vestuário para os clérigos que pregavam, enquanto os cavaleiros lutavam. Assim,além de lutadores e padres, havia um outro grupo: o dos servos. A sociedade feudal consistia dessas três classes : sacerdotes, guerreiros e servos; sendo que o  homem que trabalhava, o servo, produzia  para as outras classes”.
A maioria das terras agrícolas estava dividida em áreas chamadas feudos. Um feudo consistia, apenas, de uma aldeia e as várias centenas de acres de terra arável que a circundavam e, nas quais, o povo da aldeia trabalhava. Na orla da terra arável, havia uma extensão de prados, terrenos ermos, bosques e pastos.
Cada propriedade feudal tinha um senhor. Pastos, prados, bosques e ermos eram usados em comum, mas a terra arável se dividia em duas partes :  uma, de modo geral  a terça parte do todo, pertencia ao senhor e era chamada  de “seus domínios”; a outra ficava em poder dos arrendatários  que, então, trabalhavam a terra.
As terras não eram cultivadas  em campos contínuos, tal como hoje, mas pelo sistema de faixas espalhadas.
Quais eram, então, AS RELAÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO ?
  • O camponês vivia numa  choça miserável. Trabalhando arduamente em suas faixas de terras espalhadas, conseguia arrancar do solo apenas o suficiente para uma vida paupérrima;
  • Dois ou três dias por semana, tinha que arar a terra do senhor em pagamento;
  • Em época de colheita, tinha primeiro que secar o grão nas terras do senhor (eram os “dias de dádiva”);
  • A propriedade do senhor tinha que ser arada primeiro, semeada primeiro e ceifada primeiro;
  • Uma tempestade ameaçava fazer perder a colheita ? Então, a plantação do senhor era a primeira  a ser salva;
  • O produto do senhor deveria ser vendido primeiro;
  • A estrada ou uma ponte necessitavam reparos ? Então,o camponês devia deixar o seu trabalho e atender à nova tarefa;
  • As prensas para moer o trigo ou a uva eram do senhor e exigia-se pagamento para sua utilização.
Por muito tempo, esta foi a relação social de produção. E por tanto tempo que a vida parecia ignorar  a sua principal manifestação : o movimento.
O NASCIMENTO DA BURGUESIA
Mas, começa a entrar em cena um personagem.
No século XI, as fortunas tinham pouco valor por que eram capital estático. Não havia estímulos à produção de excedente, por que o feudo se bastava. Só se fabrica ou cultiva além da necessidade de consumo quando há uma procura firme.
Mas chegou o dia em que o comércio cresceu e cresceu tanto que afetou profundamente toda a vida da Idade Média.
Os navios singravam de um ponto a outro para apanhar peixe, madeira, peles, couros e peliças. Os  mercadores que conduziam as mercadorias do norte encontravam-se com os que cruzavam os Alpes, vindos do sul, na planície de Champagne. Aí, numa série de cidades realizavam grandes feiras.
O senhor da cidade, o burgomestre, preocupava-se em preparativos especiais por que a feira proporcionava riqueza a seus domínios e a ele  pessoalmente.
Os mercadores pagavam taxa de entrada/saída, de armazenamento, de vendas e de aramar a barraca da feira. Possuíam salvo conduto, etc… O comércio, que era um riacho irregular, foi transformando-se em corrente caudalosa. Um dos efeitos mais importantes foi o crescimento das cidades. Aonde houvesse  local onde duas estradas se encontrassem, uma embocadura de um rio, ou, ainda, a terra apresentava um declive adequado, lá estavam os mercadores prontos para o exercício do comércio. E como um número cada vez maior de mercadores se reunisse nesses locais, criaram-se os “fauburgs”ou burgos extra-murais.
O APARECIMENTO DAS CONTRADIÇÕES
Se recapitularmos as relações sociais de produção do tipo feudal, veremos que o crescimento das cidades, habitadas sobretudo por uma classe de mercadores que surgia, logicamente conduziria a um conflito. Toda atmosfera do feudalismo era de prisão, ao passo que, a da atividade comercial na cidade, era de liberdade.
As terras das cidades pertenciam aos senhores feudais que, a princípio, não viam diferença entre as terras da cidade e as outras que possuíam.
Esperavam arrecadar impostos, desfrutar os monopólios, criar taxas e serviços e dirigir  os tribunais de justiça, tal como faziam em suas propriedades feudais. As leis e a justiça feudais se achavam fixadas pelo costume e eram difíceis de alterar. Mas, o comércio, por sua própria natureza, é dinâmico, mutável e resistente a barreiras. Não podia se ajustar à estrutura feudal. Novos padrões precisavam ser criados. E os audazes mercadores começaram a agir. Face a face com as restrições feudais que os asfixiavam, uniram-se em associações chamadas de “corporações” ou “ligas”ou “guildas”.
Quando conseguiam o que queriam, sem luta, contentavam-se; quando tinham que lutar para alcançar o que almejavam, lutavam. E qual era a exigência básica desses pioneiros ?
LIBERDADE ! Liberdade para ir e vir;liberdade para comercializar; liberdade para possuir suas próprias terras, diferentemente do hábito feudal de arrendar.
O mercador poderia precisar para hipotecá-la, diante de um financiamento que possibilitasse a expansão dos seus negócios, sem pedir permissão a uma série de proprietários.
As populações urbanas desejavam proceder a seus próprios julgamentos, em seus próprios tribunais. Eram contrários às cortes feudais vagarosas, que se destinavam a tratar dos casos de uma comunidade estática. Desejavam fixar os impostos a sua maneira. Na luta pela conquista da liberdade da cidade, os mercadores assumiram a liderança.
O MERCANTILISMO
A teoria econômica do mercantilismo fundamentava-se na convicção de que a riqueza de uma nação baseava-se na quantidade de ouro, prata e metais preciosos de que dispusesse. Era uma política puramente nacional. O espetáculo oferecido pela Espanha do séc XVI é sugestivo: a extraordinária  prosperidade atingida por essa nação coincide com a circunstância de  ser esse país o que maior quantidade de ouro e prata recebia de suas minas da América.
A teoria sofistica-se, posteriormente, com a introdução do conceito de Balanço de Pagamento superavitário. Assim, um país devia exportar, nem que tivesse que  acabar com a indústria do outro para forçá-lo a importar e “planejar” sua economia para esse fim. Os  mercantilistas acreditavam que, no comércio, o prejuízo de uma país era o lucro do outro, isto é, um país só podia aumentar seu comércio a expensas do outro. Não consideravam o comércio uma troca vantajosa, mas como uma quantidade fixa, da qual todos procuravam tirar a maior parte.
O fruto da política mercantilista era a guerra.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Adam Smith, membro da Loja Maçônica Capela de Santa Maria, Edimburgo, desmascara a teoria mercantilista. Ficou claro que a maioria dos mercantilistas tinha interesses a proteger e, como tal, interessava-se mais pelas sugestões práticas do que pela análise. Adam Smith procura abordar o assunto de forma científica.
Na Europa Ocidental, a indústria ia crescendo e dando  novos contornos à civilização. A questão  do comércio livre passa a ser defendida por todos, principalmente pelos fisiocratas franceses. “Laissez faire, laissez passer”, torna-se o lema deles. A humanidade tinha chegado ao limite da velha ordem. Raiava, no horizonte da história, a promessa de um novo ordenamento social que marcaria o alvorecer de uma nova era.
O progresso nunca foi uma realização linear, nem evoluía linearmente. Sempre representou uma ruptura com o passado. As novas forças acabavam por subjugar a tradição e emergiam prontas para iniciar um novo ciclo histórico, até que chegasse a hora de ser substituídas.Assim como o aparecimento do mercador promoveu o choque com o sistema feudal, o próprio desenvolvimento do capital mercantil, com o tempo, começou a organizar a produção numa base capitalista que necessitava libertar-se das restrições artesanais das guildas.
Mas, faltava o papel final dos malhetes e ele não tardou. Quando as contradições atingiram seu apogeu, no momento mesmo em que a história convocava todos os homens livres e  de espírito temperado, para erigir os fundamentos da nova era, nossa instituição bradou : PRESENTE ! Aquele brado selou para sempre o compromisso  de o  maçom  ser o portador da revanche dos oprimidos pela  ausência de Liberdade, dos excluídos pela negação da Igualdade  e dos  desesperados pela falta de Fraternidade. É a “vingança” final dos justos!
O  lento desenvolvimento começa a proporcionar uma base material que possibilita o desenvolvimento da vida espiritual da sociedade. As novas ideias começam a influenciar a opinião culta europeia. O Iluminismo (ou Ilustração ), admite-se, começa a nascer por volta de l640 e tem seu apogeu em 1789. Começa por combater uma ordem cósmica  livre de qualquer poder divino, regida por leis imutáveis e uniformes.
As lojas maçônicas, mesmo antes do nascimento da Moderna Maçonaria, já exercitavam a rebeldia intelectual. Primeiro, rebelando-se contra os dogmas religiosos, opondo-se-lhes a razão; depois, como decorrência vieram as  teorias evolucionistas, o  desenvolvimento das ciências físicas, químicas , econômicas e, finalmente, o compromisso de construir um novo edifício social, livre das estacas do absolutismo.
Desenvolve-se a compreensão de que a razão era algo humano, uma faculdade que se desenvolvia através da experiência , junto com suas irmãs memória e imaginação. Era uma força para transformar o real e um caminho à disposição de todos os homens que buscassem a verdade.
A grande burguesia, aliada aos nobres liberais, aproveita  a maçonaria para divulgar suas ideias. Para isso, conta com o concurso dos luminares.
A filosofia dos luminares, própria para a burguesia, possuía tal largueza de vistas e se assentava tão solidamente sobre a razão que, ao criticar depois contribuir para a queda do velho regime, dirigia-se a todos os franceses indistintamente.
Assim, entre os enciclopedistas, vamos encontrar:
  • Montesquieu – L`Esprit des Lois (1748);
  • Buffon – Histoire Nature ( 1749 – 1 vol);
  • Condillac – Traité des Sensations (1754);
  • Pe. Morelly – Code de La Nature (1755);
  • Voltaire – Essai sur les moeurs e l`esprit des nations (1756);
  • Rousseau-Discours sur l`origine et les fondements de l`inegalite parmi les hommes(1756);
  • Helvetius – De l`Esprit (1758);
  • Rousseau – L`Emile et Contract Social (1762).
O primeiro volume da enciclopédia aparece em 1751, sob o impulso de Diderot (Siecle de Luís XIV), de Voltaire e do  “Journal Economique”,que se tornou o jornal dos fisiocratas.
O Ir.: Malesherbes, cooptado pela mac.:, estava  à frente da Biblioteca de Paris ( como tal, era o censor oficial) e não censurava as obras dos filósofos.Encorajado por essa neutralidade, o movimento filosófico se ampliou. Depois de 1770, a propaganda filosófica triunfou. A  Enciclopédia foi concluída em 1772. Voltaire e Rousseau morrem em 1778.
Em 1778, Panckoucke, Suard, Mably, Reynal, Morelly, Condorcet, D`Alembert e vários outros filósofos de segunda geração, todos maçons,  continuaram a obra dos chefes do movimento, com a publicação da suprema enciclopédia, a “Encyclopédie Méthodique”.
A propaganda oral, via lojas maçônicas, ampliou os limites da palavra impressa.
Quais eram as contradições da época ? Vejamos:

RELAÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO


FORÇAS PRODUTIVAS

VELHO REGIME

NOVA ERA
Privilégio de estirpe;Risco;Aparecimento da grande indústria;
Riqueza imobiliária;Riqueza mobiliária;Desenvolvimento da tecnologia a vapor;
Desdém pelas atividades práticasValorização das atividades práticasDesenvolvimento do grande comércio.



Daí, com o aparecimento da nova indústria, há a necessidade de transformar o Estado, para estimular o desenvolvimento dos negócios. A vida  espiritual da  Nova Era  prepara-se para sepultar à da Velha Ordem. Mais tarde, a  “Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão” constituir-se-á no atestado de óbito do “ancien regime”.
VIDA ESPIRITUAL DA SOCIEDADE

VELHO REGIME


NOVA ERA

– dogma;– livre pensamento;
– classicismo;– início do romantismo;
– Aristóteles/S.Tomás– racionalismo/empirismo/dialética.
A nascente maçonaria francesa estudava a Enciclopédia. Passou a congregar todos os homens livres, inclusive os clérigos, contrários às amarras feudais e espirituais.
As grandes lideranças pertenciam à maçonaria: Sieyes, Condorcet, Petion, Gregoire, Mirabeau, Danton, Marat, Brissot, Camille Desmoulins, Laclos,etc… e souberam agir sincronizadamente   para impor ao rei Luís XVI uma  Assembléia Nacional. Em 27/06/1789,  o rei sanciona o que  tentara mas não pudera impedir. Ali nascia o emblema de construtores sociais, os Arquitetos do Progresso.
NOVAS IDÉIAS:
Econômicas : Laissez faire, laissez passer;
Políticas: extinção das ordens privilegiadas – liberalismo político;
Sociais: busca da felicidade na própria terra dos homens;
Naturais : desenvolvimento da física, química, biologia, etc…
As ideias eram levadas, mediante correspondência dos deputados, para todos os rincões da França pela máquina jacobina. E o que era a máquina jacobina?
Vejamos a definição de François Furet:
“A máquina jacobina, fundada e dirigida com o concurso dos maçons, era uma  apertada rede de sociedades políticas, culturais, fraternais que se multiplicavam através da França de 1789 ao ano III. Entre clubes, lojas, círculos, etc… chegavam a 5500. Eram lugares privilegiados de aculturação política e constituíram muito cedo um vasto corolário em que se experimentavam a linguagem, as práticas e as representações da democracia direta.”
Após a revolução e, principalmente, quando houve o derrube da monarquia, já não havia mais o  elemento comum que unia todos os maçons. As forças políticas diversas estavam livres para iniciar suas jornadas, agregando elementos e campos afins.
Ainda assim, os maçons mantiveram a liderança em suas respectivas jornadas ideológicas.
À esquerda, no Clube dos Cordeliers, havia a liderança de Danton e Marat. Danton iniciado, ainda como obscuro advogado, na loja das Nove Irmãs. Marat, iniciado em setembro de 1769 na Loja Maçônica de Amsterdam, segundo seu biógrafo  Gerard Walter.
Na centro esquerda, na Confederação Geral  dos Amigos da Verdade, destacavam-se os maçons Pe. Fauché e o republicano Nicollau de Boneville, redatores do jornal Bouche de Fer ( Boca de Ferro). O Círculo Social, como era conhecida a Confederação, foi essencialmente um laboratório de ideias sociais progressistas. Não dispunha da preferência das massas populares (estas preferiam o Clube dos Cordeliers), por tomarem posições bastante afastadas da extrema esquerda. Havia, principalmente no Pe. Fauchet, uma extraordinária noção de realidade e das possibilidades geradas. O próprio Marx , ao estudar a Revolução Francesa, reconhece que o Círculo Social foi uma das matrizes do Socialismo Científico, pela consistência das ideias divulgadas.
À  direita, havia a Sociedade de 1790. Congregava a alta burguesia aliada aos nobres liberais; destacavam-se os maçons : Pe. Sieyes, Marquês de  Mirabeau, Duque de Orlelans, Duque de Chartres,Duque d`Aguillon, Duque de Biron, Conde de Clermont Tonerre, Visconde  de Noialles, Duque de  Rochefoucauld,  , Marquês de La Fayette, Pe. Gregoire, Laclos, etc…
Que chama era aquela que atraía e iluminava todos os homens com potencial vocação para Homem-Humanidade , que intuitivamente compreenderam que não são os homens que fazem as revoluções, mas estas, nas suas necessidades  inelutáveis, é que fazem os homens quando estes exprimem a rotação dos seus movimentos ?
A MAÇONARIA E O MOMENTO ATUAL
Vimos, anteriormente, que o desenvolvimento das forças produtivas condicionava as novas relações sociais de produção e que as velhas relações tinham que ser modificadas  para estabelecer um novo equilíbrio dinâmico entre o caráter das forças produtivas e elas.
Onde estamos hoje ? quais são as atuais relações sociais ?
Para o economista Jeremy Rifkin, “a transição para uma sociedade sem trabalhadores, a sociedade da informação, é o terceiro  e atual estágio de uma grande mudança nos paradigmas econômicos, marcado pela transição de recursos energéticos renováveis  para os não renováveis e de fontes de energia biológicas para as mecânicas. Ao longo de extensos períodos de história, a sobrevivência humana esteve intimamente vinculada à fecundidade do solo e às mudanças de estações.O fluxo solar, o clima e a sucessão ecológica condicionaram cada economia na terra. O ritmo da atividade econômica foi estabelecido com o aproveitamento da força do vento, da água, do animal e da capacidade  humana”.
É só lembrar que, com a Revolução Industrial, a escassez de energia, pelo corte predador das árvores que forneciam madeira para a construções naval e civil, para combustíveis, etc…, forçou a transição para uma fonte de energia disponível – o carvão. Nessa  época, é patenteada uma bomba a vapor para bombear o excesso de água das minas.
A união do carvão e das máquinas para produzir vapor marcou o início da era econômica moderna e sinalizou a primeira etapa de uma longa jornada para substituir o trabalho humano pela força mecânica.
È consenso que tivemos três Revoluções Industriais. Na primeira Revolução Industrial,  a energia movida a vapor foi usada para extração de minério, na indústria têxtil – força dinâmica da primeira  Revolução Industrial – e na fabricação de uma grande variedade de bens que antes eram feitos à mão.
A escuna foi substituída pelo navio a vapor, a locomotiva a vapor puxava os vagões de carga, até então, puxados a cavalo. Já se iniciava uma significativa melhora no processo de transporte de matérias primas e produtos acabados. Escreve Rifkin : “a nova máquina a vapor era uma  nova espécie de escravo, uma máquina cuja habilidade física excedia grandemente o poder, tanto dos animais quanto dos seres humanos”.
A segunda Revolução Industrial foi a competição, no campo energético, entre o petróleo e o carvão. A energia elétrica entra em cena, ampliando as alternativas para operar as fábricas, iluminar as cidades e proporcionar comunicação instantânea entre as pessoas. A transferência de carga da atividade econômica do homem para a máquina continuava. “Na  mineração, na agricultura, no transporte e na industrialização, fontes inanimadas de energia eram combinadas a máquinas para acrescentar, ampliar e, eventualmente, substituir mais e mais tarefas humanas e animais no processo econômico”. ( Idem)
A terceira Revolução Industrial emerge após a segunda guerra mundial e, somente agora, começamos a sentir o impacto no modo como a sociedade organiza a sua atividade econômica. Robôs com controle numérico, computadores e softwares avançados estão invadindo a última esfera humana – os domínios da mente. Adequadamente programadas, estas novas “máquinas inteligentes”são capazes de realizar funções conceituais, gerenciais e administrativas e de coordenar o fluxo de produção, desde a extração da matéria prima ao marketing e à distribuição do produto final e de serviços.
Após esse panorama comparativo, vamos à análise:
O homem sempre se organizou em função do trabalho. Do caçador/coletor paleolítico e fazendeiro neolítico ao artesão medieval e operário da linha de montagem atual, o trabalho tem sido parte integrante da existência diária. E isto é tão verdadeiro que criamos e desenvolvemos  toda uma cultura centrada no trabalho. Condicionamo-nos até a estigmatizar os que não trabalham.
Mas, as sofisticadas tecnologias da informação e da comunicação já nos permitem  antever a fábrica virtual. Por ironia, estamos mais próximos de Paul Lafargue do que do seu sogro, Karl Marx. Aí, já verificamos uma aguda contradição entre o caráter das forças produtivas ( fundamento tecnológico da produção) e as relações sociais de produção. Entretanto, não dá para afirmar que esta é a contradição primária).
Juntando-se a estas, aparecem outras contradições, como :
  • a “racionalização”do sistema financeiro, fundamentada na tecnologia, proporcionou uma substancial redução nos custos de operação, oriunda da dispensa da mão de obra,da agilidade e confiança nas operações. Como contrapartida, o mesmo sistema gasta algumas vezes mais para garantir a segurança;
  • a tecnologia da informação proporcionou um aumento significativo dos lucros, na medida em que possibilitou processar e controlar operações que ,pelo seu volume, jamais poderiam ser feitas sem ela. Parte considerável desse lucro foi e continuará sendo “mordida” por eventos como o “bug”do milênio e as ações dos Hackers;
  • hoje, já ‘possível projetar a fábrica virtual, operada e controlada por robôs ou tecnologias da informação, cercada por milhões de agressivos esfomeados que perderam seus empregos para as “máquinas”.;
  • há uma fortuna potencial relativa ao lixo gerado pela moderna sociedade que poderia ser racionalmente administrado não só em benefício dos excluídos, como também, em benefício da  qualidade do meio ambiente;
  • nunca a humanidade esteve tão próxima de promover a integral liberdade para os seres humanos, no mínimo, e, ainda assim, nunca houve uma época com  tanta incerteza;
  • a tecnologia promove uma abundância perigosa, pois traz consigo o desemprego tecnológico e a demanda ineficaz do consumidor. Num mundo em que os avanços tecnológicos prometem aumentar dramaticamente a produtividade e a produção de bens, ao mesmo tempo em que marginalizará ou eliminará do processo econômico milhões  de consumidores, a mágica da tecnologia parece ingênua, insensata até.
As evidências são preocupantes. Sabidamente planejamento e sistema capitalista não se combinam, o que acaba contribuindo para potencializar as preocupações.
Entretanto, a finalidade desta palestra não é propor soluções alternativas para o mundo. Faltam-me engenho e arte para tal. Mas sobram-me consciência e vontade para participar de uma busca  compartilhada.
Então o que e como fazer?
Aqui há uma tentativa de proposta,que vai buscar na experiência histórica o norte da ação transformadora. Sem a história, é impossível entender o que se passa no mundo, pois ela possui uma estrutura e um padrão que nos permitem verificar de que modo os vários elementos reunidos no interior de uma sociedade contribuem para  a deflagração de um dinamismo histórico ou, inversamente, não conseguem provocar tal dinamismo.
Sabemos que determinada etapa histórica não é permanente e a sociedade humana é uma estrutura bem sucedida porque é capaz de mudança; o presente, não é o seu fim.
O exemplo da burguesia revolucionária, que foi sábia o suficiente para reunir todos os ingredientes que possibilitaram o salto de qualidade, deve ser seguido, devidamente relativizado. Somos a única instituição no mundo capaz  de se apresentar diante da história como agentes catalisadores da mudança, sem que confundamos nossas ações com as ações próprias de um partido político. Na minha avaliação a maçonaria está acima e além da luta de classes. Ela e só ela!
Por sermos universais, podemos promover vários ensaios, encontros, congressos, etc… com todas as grandes inteligências do mundo, presentes na instituição. Se não estiverem, nós as traremos. Aqui é o lugar delas.
Poderemos forjar novas lideranças mundiais a partir de nossas lojas universitárias. Deveremos ir aos parlamentos, forças armadas, Academia, etc… e buscar todos que se sentem compromissados perante o desafio de promover a necessária harmonia entre os elementos que formam a complexa tessitura  de nossa marcha evolutiva. A exigência será a vocação para Homem-Humanidade. E , hoje, ser Homem-Humanidade é sonhar com um ordenamento social que desempenhe a função histórica de ultrapassar  a emancipação provocada pela Revolução Francesa, superando os seus limites, isto é, criar uma emancipação universalmente humana e não apenas a de uma classe.
Um congresso do GOSP talvez ajudasse a criar os mecanismos necessários para iniciar nossa trajetória, ao contribuir para a formação de uma massa crítica, tão distante de nós. Mas já poderíamos inicia-la seguindo a orientação do Ir.: Onias de procurar inserirmo-nos e participarmos de Associações de Moradores, Sindicatos, Partidos Políticos, Conselhos Regionais, etc… Até porque a história nos ensina que as conquistas sociais se deram em função de uma estreita aliança com as massas populares.
Quanta experiência acumularíamos e que nos ajudaria a encontrar as variáveis que promovessem uma requalificação interna dos obreiros, definissem um perfil dos futuros candidatos e possibilitassem combinar internamente nossa disponibilidade de tempo, de tal ordem que as poucas horas disponíveis de um obreiro, multiplicadas pelo número de obreiros fossem suficientes para continuar a jornada racionalmente, isto é, sem os expontaneísmos. Poderíamos, aí, definir objetivos e as velocidades para alcança-los.
Continuaremos fora da ribalta, fora do foco das atenções, onde se desenrolam os dramas da vida, até por que os bastidores são a especialidade da casa!
Mas, se em alguma Loja Maçônica do futuro,  nossos IIr.: fizerem referência às ações dos IIr.: do passado, que não permitiram que se apagasse a chama do compromisso histórico de participar da criação de um ordenamento social fundado nos princípios da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, com certeza eles estarão falando de nós.
BIBILOGRAFIA
  • História da Riqueza do Homem – Leo Huberman – Ed Zahar;
  • A Evolução do Capitalismo – Maurice Dobb – Ed Zahar;
  • A Revolução francesa – Albert Soboul – Ed Zahar;
  • A Interpretação Social da Revolução Francesa – Alfred Cobban – Ed Gradiva;
  • 1789, O Emblema da razão – Jean Starobinsky – Cia das Letras;
  • Os Best Sellers proibidos na  França Pré Revolucionária – Robert Darton –Cia das Letras;
  • Princípios Fundamentais de Filosofia – Pulitzer – Ed hemus;
  • Evolução do Pensamento Econômico – Paul Hugon _EASA;
  • Pensar a Revolução Francesa – François Furet – Edições 70;
  • A Revolução Francesa – Manfred –Ed Arcádia;
  • História da Filosofia – G.Realis/D.Antiseri – Ed Paulus;
  • Discurso sobre A Origem e Fundamentos da Desigualdade entre os Homens – Jean Jacques Rousseau – lb 140;
  • A Revolução Francesa – Carlos Guilherme Motta;
  • A Era dos Extremos – Eric Hobsbawn – Cia das Letras;
  • Marat, O Amigo do Povo – Gerard Walter – Ed Vecchi Ltda;
  • O Novo Século – Eric Hobsbawn – Cia das Letras;
  • Dicionário Crítico da Revolução Francesa – F.Furet/M.Ozouf – Ed Melhoramentos;
  • O Fim dos Empregos – Jeremy Rifkin – Ed Makron;
  • O Furturo do Capitalismo – Lester Turow – Ed Rocco;
  • A Dialética do Concreto – Karel Kosek – Ed Paz e terra.
  • O Iluminismo como Negócio – Robert Darton – Cia das Letras





"O saber a gente aprende com os mestres e os livros, a sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes".

,



__._,_.___










.


__,_._,___

La Heresia dos Cataros  por Wayne Purdin 15 Febrero 2014 Este artículo apareció en, New Dawn Nº 113 (marzo-abril 2009) d el Sitio Web NewDaw...