segunda-feira, outubro 16, 2017

A Liturgia Adonhiramita

  • Peculiaridades do Rito Adonhiramita
  • Algumas das principais peculiaridades do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos são: A sua tradição e fidelidade aos antigos mistérios; A sua profunda espiritualidade;O tratamento de "Am.ʹ. Ir.ʹ.” ; O uso do nome histórico; Adonhiram como personagem central; O Cerimonial do Fogo; O uso de velas e não de lâmpadas; O pé direito à frente na marcha do Grau; As doze badaladas; O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada; O uso das luvas brancas; O uso da gravata branca; A posição dos AAm.ʹ. lIr.ʹ. VVig.ʹ.; A posição das CCol.ʹ. J e B; A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no evangelho de João; A formação do Pálio; A Cerimônia de Incensação; A proteção mística do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. Int.ʹ.;O uso do sinal do G.ʹ. na circunavegação; A circunavegação em forma do símbolo do infinito; O uso do chapéu em todas as sessões pelos MMestr.ʹ.; O uso da espada pelos MMestr.ʹ., a palavra de Aclamação , além de muitas outras particularidades que fazem o Rito Adonhiramita singular, místico e esotérico.
  • Fundamentos e tradições do Rito Adonhiramita
  • Este Rito é histórico e tradicional, um Rito característico e essencialmente metafísico, esotérico e místico. Constitui um drama psicológico organizado para produzir experiências transcendentais nos participantes e, ao se tornar esotérico no exercício do magistério de sua Liturgia, de um modo geral, induz a mente objetiva a certo grau de relaxamento, o que permite a imersão do subconsciente, resultando em um estado de harmonia e bem estar, tornando-o um Rito de profunda espiritualidade. Têm por base teológica os mistérios egípcios, a volta dos judeus do cativeiro e as verdades bíblicas reveladas no Antigo e Novo Testamento, particularmente, no que concerne à construção do Templo de Salomão e às origens do Cristianismo, com atenção especial voltada para os aspectos proféticos e apocalípticos de ambos os documentos sagrados. Podemos constatar esta profunda espiritualidade ainda no Átrio, quando da entrada ao Temp.´., no momento em que o Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. diz: "... Silêncio meus AAm.ʹ. llr.ʹ.! Eu vos peço um momento de reflexão a fim de ingressarmos no Templ.ʹ.. Neste momento observa-se uma viagem interior, o V.I.T.R.I.O.L. cuja tradução é: "Visita o interior da Terra e, retificando-se, encontrarás a Pedra Oculta". É uma viagem solitária e profunda, um resgate dos mais puros valores inerentes ao ser, à busca do universo interior, a busca do "conhece-te a ti mesmo". Uma viagem para a qual, as condições sociais profanas, a cor, a raça, os credos religiosos e políticos, assim como os metais que distinguem o rico do pobre, tornam-se fardos desnecessários e incômodos. Forma-se então, a Egrégora, uma reflexão agora coletiva elevada ao Supremo Criador dos Mundos, desejando a paz entre os homens, que todos possam se transformar em homens de boa vontade, que os desesperados encontrem a esperança e os tiranos possam encontrar o caminho da justiça.
  • O tratamento de "Am.ʹ.Ir.ʹ." e o uso do Nom.ʹ. Hist.ʹ. no Rito Adonhiramita
  • "Am.ʹ. Ir.ʹ. "era o tratamento usado entre os adeptos das comunidades religiosas mais antigas, para significar o apreço, o respeito e a confiança mútua entre esses adeptos. Era o tratamento escolhido pelos primitivos cristãos, até para se identificarem entre si; tratamento este que ainda hoje é empregado pelos pregadores cristãos, ao se dirigirem ao público dentro das Igrejas e Templos. Tratamento este que deverá ser conquistado pelos méritos maçônicos de cada Ir.ʹ..Sejam quais forem as relações que um maçom tiver com o outro é proibido usar de outra denominação que não seja a de Am.ʹ. Ir.ʹ., isto basta para o elogio na Maçonaria, porque este nome sagrado, encerra em si, todos os sentimentos bons de que o coração humano é capaz de vivenciar. O Nom.ʹ. Hist.ʹ. é de todo útil, no momento da iniciação e durante toda a vida maçônica, receber a guarda, a proteção e o exemplo de espíritos luminosos que, ricos de virtudes nesta vida, sobretudo como maçons, se comportam, de certo modo, como Anjos-da-guarda, mensageiros fiéis do G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ. Por isso, no Rito Adonhiramita, a cada Ir.ʹ., quando de sua iniciação, é atribuído o nome de um personagem virtuoso em prol da Humanidade, da Pátria, da Sociedade, etc., Maçom ou não, e que já tenha partido para o Oriente Eterno, para ser seu Patrono, absorvendo-lhe o nome a que denominamos "Nome Histórico". Com esse Nome Histórico, o Ir.ʹ. é batizado em momento próprio da Iniciação com os seguintes dizeres: "E para que de profano nem o vosso nome vos reste, eu vos batizo com o Nome Histórico de....” A prática tem grande valia para o sigilo e a preservação da identidade civil, ao mesmo tempo em que constitui um símbolo de profunda significação. Se a Maçonaria tem por objetivo transformar o homem profano no homem iniciado, o gesto de lhe dar um novo nome por ocasião da iniciação está a indicar que ele, dali em diante, deve se transformar num novo ser.
  • A denominação Adonhiramita
  • De acordo com a Bíblia, HIRAM era o arquiteto que se encarregara dos projetos da construção do Templo de Salomão, filho da viúva de NEFTALI. A seu lado havia outro HIRAM, o rei de Tiro, que fornecera a Salomão grande parte dos materiais utilizados na obra. Já ADONHIRAM, filho de Abda, era o funcionário encarregado dos tributos na corte de SALOMÃO, por este estar incumbido do recrutamento dos operários quando da construção do Templo. Como tal, vem designado no 1º Livro dos Reis, Cap. IV com o título de “preposto às corvéias”. ADONHIRAM era a pessoa que recrutava os operários, selecionava-os, dividia-os segundo suas capacidades ou necessidades da obra e, por certo, também lhes pagava o salário, até porque era o tesoureiro de SALOMÃO. Sendo assim para nós ADONHIRAMITAS é o personagem central da Construção do Templo de Salomão, Adonhiram (Hiram de Deus), conforme nos asseguram os versículos 6 do capítulo IV e 13 e 14 do capítulo V do 1°Reis no Antigo Testamento. Acreditamos que a verdadeira palavra é Adonhiram, ou Hiram composto do pré-nome Adon (dominus), que os hebreus usam frequentemente quando falam de Deus; este prenome agregado à palavra Hiram, faz-se Adonhiram, que significa Hiram, "O consagrado ao Senhor", "O bom Senhor” ou "O divino Hiram'', de onde foi derivado o título de Maçonaria Adonhiramita.
  • O Cerimonial do Fogo
  • Dos quatro elementos tradicionais: terra, água, ar e fogo, o fogo é tido como princípio ativo ou dinâmico, transformador, germe da geração, é o mais puro, animador e fonte energética. Simboliza a força impulsionadora do universo, além de movimento e energia. Seu movimento é para o alto, ascendente, e seu poder é de criação por transformação. O Cerimonial do Fogo alude a uma invocação ao Senhor de Todas as Luzes, ao G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. cujos atributos infinitos estão novamente sintetizados nas três palavras pronunciadas, por cada uma das Luzes da Loj.ʹ. Ven.ʹ. Mestr.ʹ. - Sabedoria; 1° Vig.ʹ. - Força; e o 2° Vig.ʹ. - Beleza.
  • A razão de utilizar velas e não lâmpadas
  • As velas que usamos, sempre de cera pura de abelhas, como manda a tradição, emitem uma chama pura e sem fuligem, emitem fogo, o que não acontece com as lâmpadas elétricas. O fogo sempre acompanhou a humanidade desde os mais primitivos ancestrais, e nesta sua marcha através da história foi assumindo sempre mais o aspecto de ligação entre o homem e os espíritos, entre o homem e o G.ʹ.A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ.. O fogo, desde que o homem começou a percebê-lo conscientemente como um dos elementos da natureza, foi sempre olhado como um elemento mágico e de origem divina, motivo pelo qual, seu simbolismo foi mantido em nossas cerimônias.
  • O pé direito à frente na marcha do Grau
  • Simbolicamente o lado direito é ativo, positivo, criativo, masculino e representa o poder de realização, enquanto o lado esquerdo é passivo, negativo, receptivo, feminino e representa a capacidade de modelação. Romper a marcha com o pé direito, representa que o nosso poder criativo, masculino, positivo, se sobrepõem aos nossos aspectos negativos que devem ser submetidos à nossa vontade e superados com a prática das virtudes. Em simbologia, o lado direito sempre esteve ligado ao poder da Luz, e o lado esquerdo ao poder das Trevas. Todavia, nada tem a ver com superstições, mas sim, posturas que guardam um sentido simbólico.
  • Doze badaladas
  • Antigamente, na Maçonaria, o sino era de uso comum nas Cerimônias das Lojas Simbólicas, a fim de anunciar a hora dos trabalhos. O Rito Adonhiramita, procurou coexistir com o seu uso, não perdendo a tradição dos antigos, assim como a tradição religiosa e os costumes iniciáticos dos mistérios. Em muitas civilizações antigas, o sino era utilizado no sentido de conclamar todos os seres humanos, e, também, os sobrenaturais, além de evocar as Divindades, se tornando daí, o símbolo do chamamento ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ.! Assim, juntamente com a Cerimônia de Incensação o Cerimonial do Fogo e as Doze Badaladas harmonizam as vibrações místicas e esotéricas da egrégora formada em sintonia com a Luz Maior emanada pelo Supremo Criador dos Mundos.
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada
  • O revigoramento e o adormecimento da Chama Sagrada simbolizam a ligação do antigo com o novo, a continuidade e a ligação com o G.ʹ.A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ., em consciência compartilhada e identidade comum. Desde os antigos tempos a cultura da Chama Sagrada era tida como primordial e essencial para a busca e manutenção da harmonia e da paz, tanto para os lares, quanto, até mesmo, para as cidades da antiguidade.
  • O uso das luvas brancas
  • As luvas brancas representam a candura que reina na alma do homem de bem e a pureza de seus atos, de coração e intenções. Motivo pelo qual o Am.ʹ.Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. antes da entrada ao Temp.ʹ., exclama: "... Meus AAm.ʹ. llr.ʹ., se desde a meia-noite, quando se encerraram nossos últimos trabalhos, se conservastes vossas mãos limpas, calçai as vossas luvas...". O calçar das luvas é para que as mãos de todos os obreiros fiquem iguais. Tornam as mãos calejadas do operário, tão macias quanto às mãos do intelectual, do médico, do engenheiro etc, assim como se igualam pelo uso uniforme das outras peças do vestuário. As luvas simbolizam a pureza que deve estar presente em todos os atos de um maçom. Pela mão direita se dá pela esquerda se recebe. Dá-se com pureza e recebe-se com pureza.
  • A gravata branca
  • A gravata branca, por sua cor, está associada à paz e guarda a sua origem na aristocracia francesa. Na prática, a gravata é uma peça da indumentária e de criação recente, inspirada nos cordéis utilizados para o fechamento das camisas antes da invenção dos botões, que terminava em um laço à altura do pescoço. Logo, a gravata é um complemento da camisa, e assim, parte integrante da mesma. Sendo a camisa branca, consideramos que a gravata também deve ser branca para se manter em harmonia interior.
  • Onde se colocam os VVig.ʹ. e porque desta posição?
  • No Oc.ʹ., para melhor observarem a passagem do Sol pelo meridiano. O Sol vem do Oriente, e, portanto, para observá-lo, os VVig.ʹ. devem, ambos, estarem postados numa mesma linha, de frente para o Oriente, o que só pode ocorrer se eles estiverem sobre o mesmo meridiano. Por isso, os dois VVig.ʹ. no Rito Adonhiramita se posicionam ao Ocidente, numa mesma linha, perpendicular à linha do Equador Or.ʹ. – Oc.ʹ. no mesmo meridiano.
  • Porque no Rito Adonhiramita, as CCol.ʹ. J e B ficam em posições invertidas em comparação com outros Ritos?
  • Os estudiosos do Rito afirmam que a posição das CCol.ʹ. J e B, e dos próprios VVig.ʹ., se deu quando das primeiras "revelações dos segredos da maçonaria", ou seja, em 1730, quando foi publicado na Inglaterra, o livro Maçonaria Dissecada, de autoria de Samuel Pritchard.Esta obra em questão foi o fruto da traição perpetrada pelo autor que a 13 de outubro de 1730, prestou depoimento juramentado perante um magistrado, no qual relatava detalhes de sua iniciação na Maçonaria, inclusive ao Grau de Mestre. O livro continha todos os sinais, toques e palavras utilizados à época, bem como citava HIRAM, as marchas e todo o acervo sigiloso. Esta traição obrigou a Ordem a processar algumas mudanças necessárias a confundir os curiosos profanos "bem informados", que se utilizando de tais informações demandavam a invadir as Lojas como se fossem verdadeiramente iniciados. Renomados autores veem nestas mudanças a origens das diferenças existentes entre o Rito Adonhiramita em relação aos demais Ritos no que se referem à posição das colunas, os respectivos vigilantes e todos os detalhes oriundos de suas posições. O Rito Adonhiramita permaneceu fiel às antigas tradições, adotando os antigos costumes. Motivo pelo qual, em comparação com alguns ritos, se constata que as CCol.ʹ. e algumas funções estão invertidas. Todavia, mesmo havendo, comparativamente, a inversão das CCol.ʹ., os AAm.ʹ. Ilr.´. AApr.ʹ. continuam na Col.ʹ., da Beleza, ou seja, na Col.ʹ. do 2° Vig.ʹ..
  • A abertura do L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João
  • O Evangelho de João é o mais profundo dos quatro Evangelhos, cuja terminologia significa "Boa Nova", e é o mais místico, o que mais causou polemica devido a sua linguagem e filosofia. Todas as correntes ortodoxas do cristianismo primitivo, destacando os antigos Gnósticos, se apoiavam nos escritos de João. A espiritualidade é tema fundamental para o Rito Adonhiramita, assim como a tradição, e por esta, registra-se que primitivamente todas as Lojas de origem Francesa abriam o L.ʹ. da L.ʹ. no Evangelho de João."Houve um homem enviado por Deus que se chamava João." Este João, é o Batista, ou seja, aquele que batizava, que iniciava aos antigos mistérios. Lembrando ainda, que no momento da abertura do L.ʹ. da L.ʹ. a leitura do texto sagrado e a colocação do esq.ʹ. e o comp.ʹ. na posição do grau, o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ. está protegido pelo Pálio.
  • O Pálio
  • No Rito Adonhiramita, o Pálio, é formado, tal qual uma pirâmide, pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. juntamente com um M.ʹ. da Col.ʹ. do S.ʹ. e outro M.ʹ.da Col.ʹ. do N.ʹ.. Estes AAm.ʹ. llr.ʹ. o formarão postando suas espadas como extensão de seus braços direitos estendidos em ângulo de 52°, tocando-se e cruzando-se no alto sobre o Alt.ʹ. dos JJur.ʹ. e o Am.ʹ. Ir.ʹ. Orad.ʹ.. Estando na abertura, a espada do Am.ʹ. Ir.ʹ. M.ʹ. de CCer.ʹ. por baixo das demais, dando sustentação, e no encerramento, por cima das demais, sobrepondo-as. As espadas, como condutoras de energias em forma de pirâmide, voltadas para cima, estão absorvendo as energias do alto, protegendo a abertura do L.ʹ. da L.ʹ. pelo Oc.ʹ. pelo S.ʹ. e pelo N.ʹ. deixando livre apenas o lado do Or.ʹ. do qual se emanará a Luz e a onipresença do G .ʹ. A.ʹ. D.ʹ. U.ʹ..
  • A Cerimônia da Incensação
  • A Incensação tem origem nos mais remotos costumes religiosos da civilização humana. Esta cerimônia representa uma espécie de profilaxia ambiental, a Incensação deixa o ambiente físico do Templo impregnado do agradável odor da essência utilizada, tais como Benjoim, Mirra e Incenso entre outras. Por outro lado, a tradição nos informa que esta cerimônia afasta do meio místico e esotérico do Templo as sombras ou entidades maléficas, que por acaso, se disponham a perturbar as Luzes da Loja, e, consequentemente, os seus trabalhos. A incensação tem como valor simbólico a associação do homem à divindade, do finito ao infinito e do mortal ao imortal. Ao espargir a fumaça se está purificando o ambiente tanto no sentido físico por tratar-se de substância com propriedades anti-sépticas, como espiritual, pois o incenso tem a incumbência de elevar a prece para o céu. A incensação gera uma atmosfera de aroma agradável e magnetiza com fluidos benéficos os obreiros e o ambiente, contribuindo para a formação da egrégora e propiciando à reflexão. No ato da Incensação são invocadas as três palavras que sintetizam atributos do G.ʹ. A.ʹ.D.ʹ.U.ʹ. SABEDORIA, FORÇA e BELEZA. Por esses motivos, é que, ao nos incensarmos, nos limpamos nos purificamos a nós e ao ambiente, favorecendo a permanência da egrégora. Também, se torna necessário lembrar que durante a cerimônia da incensação, depois que o Am.ʹ. Ir.ʹ.M.ʹ. de CCer.ʹ. efetua a incensação do Templ.ʹ. e de todos os llr.ʹ. ele troca de lugar e função com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. e este, com a porta entre aberta, sem sair do Templ.ʹ. incensa o átrio. Esta tarefa de incensar o átrio somente pode ser executada pelo Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. porque ele é o único que está protegido e capacitado mística e esotericamente para se expor às energias que circulam fora do Templ.ʹ..Tanto é que o nosso próprio ritual aconselha que este cargo seja ocupado pelo ex-Ven.ʹ. Mestr.ʹ. mais recente, pois este, dentre todos, é quem possui os atributos místicos e esotéricos para suportar tais energias e impedir que as mesmas adentrem o interior do Templ.´..Por este motivo também, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. ocupa o seu lugar sobre a linha simbólica do equador, de frente para o Ven.ʹ. Mestr.ʹ. invertendo a polaridade das energias, ou seja, atraindo para si, todas as energias negativas que excedam o suportável pela Egrégora da Loja, como se fosse um para-raios.A própria troca de funções do Am.ʹ. Ir.ʹ. Cobr.ʹ. com o Am.ʹ. Ir.ʹ. Mest.ʹ. de CCer.ʹ. através do giro, é um ato personalíssimo do Rito Adonhiramita, pois ambos se interligam formando um X (xis) com as mãos, ou seja, mão direita com mão direita e mão esquerda com mão esquerda, doando e recebendo, ao mesmo tempo em que, girando, as energias e atributos são permutados qualificando um e outro para sequência cerimonial. Destrocando logo em seguida, na mesma forma.
  • A circunavegação
  • Realizamos a circunavegação com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. uma vez que não seria possível ao Obr.ʹ. caminhar com o Sin.ʹ. de Ord.ʹ. pois neste, o Obr.ʹ. necessita, além de estar com o Sin.ʹ. do Gr.ʹ. estar também com os pp.ʹ. em esq.ʹ. formando a tríp.ʹ. esq.ʹ. com o p.ʹ. dir.ʹ. voltado para a frente. Assim procedemos em respeito aos antigos costumes e desde que o Obr.ʹ. não esteja conduzindo material litúrgico, quando então fica dispensado do Sin.ʹ. do Gr.ʹ.. A circunavegação, é realizada em forma do símbolo matemático do infinito visto que este símbolo representa, esotericamente, a estrada do tempo e da continuidade da vida, pois todo começo contém em si o fim, e todo fim contém em si o começo. É o caminho do constante renascimento. E o Rito Adonhiramita, por sua profunda espiritualidade, filosofia mística e esotérica, concede ao seu adepto a possibilidade de caminhar nesta senda na busca do conhecimento, da evolução e aprimoramento espiritual.
  • MMestr.ʹ. usam chapéu em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso do Chapéu na Maçonaria é bem antigo; estes, conforme nos narra a história, surgiram para substituir as antigas carapuças usadas na Idade Média. Os Chapéus foram primeiro usados pelos sumérios e os egípcios na Antiguidade e posteriormente pelos gregos que usavam um chapéu de palha de fundo pontudo que era denominado de "THOLIA", e só se tem conhecimento do seu uso na Europa após o século XVII. Na Maçonaria, o Chapéu passou a ser usado a partir do século XVIII como símbolo hierárquico e esotérico. A maçonaria ocidental é também chamada de maçonaria salomônica, devido ao fato da influência judaica ser indiscutível em sua base filosófica.Trazendo da influência cabalística, o uso do chapéu como forma de cobertura da primeira Sephirah da Árvore da Vida, como faz o povo semítico nas cerimônias de culto ao Deus Único. O chapéu assume assim dois significados. O primeiro, de origem cavalheiresca, advém da tradição que remonta ao início do século XVIII da qual somente os pertencentes da aristocracia tinham o direito de usar chapéus, sendo a princípio tolerado como uma regalia. O segundo, de caráter esotérico, simboliza que apesar da eterna busca da verdade, a inteligência humana reconhece seus limites ante o grande mistério da criação, motivo pelo qual devemos nos descobrir quando seja feita menção ao G.ʹ. A.ʹ. D.ʹ.U.ʹ..
  • MMestr.ʹ. usam espada em todos os Graus do Simbolismo
  • O uso da espada é símbolo de autoridade de uma casta distinta e considerada nobre em todas as sociedades antigas, os guerreiros. Quando o Rito de Heredon, fonte de origem do Rito Adonhiramita, Escocês Antigo e Aceito e o Moderno, foi introduzido na França, era praticado quase que exclusivamente por membros da aristocracia, pessoas que possuíam o direito do uso da espada, símbolo naquela época, de condição social elevada. Dos Ritos que tiveram origem no Rito de Heredon, somente o Adonhiramita permaneceu fiel à tradição dos MMestr.ʹ. usarem a espada e o chapéu em todos os graus do simbolismo. Devemos esclarecer também que, muito embora o uso das espadas tenha se originado na aristocracia francesa, não é por este motivo que o Rito Adonhiramita a mantém em suas cerimônias. Tão pouco tem ligação a ser guerreiro ou militar! Seu uso no Rito Adonhiramita se dá exclusivamente ao misticismo e esoterismo relacionados aos efeitos geomagnéticos, uma vez que todo o desempenho do Rito Adonhiramita, interfere diretamente em correntes energéticas. Devido a isto, é que o Am.ʹ. Ir.ʹ. (Nom.ʹ. Hist.ʹ.) Dig.ʹ. Cobr.ʹ. neste exato momento, assim como durante todo o tempo em que permanece sentado, estará com a sua espada voltada com a lâmina para baixo em contato com o solo, descarregando as energias que absorve na função de para-raios, conforme já mencionado anteriormente.
  • A palavra de Aclamação
  • A palavra de Aclamação Vivat (pronuncia-se Vivá) é a antiga saudação utilizada ainda no inicio do Século XVIII. No Rito Francês ou Moderno, após a Revolução Liberal de 1789, ela foi substituída pela aclamação Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Vivat tem o mesmo significado da saudação escocesa que se pronuncia Huzzé, Huzzé, Huzzé, cuja tradução do hebraico é Vivá, Vivá, Vivá, que em latim corresponde ao Vivat, Vivat, Vivat. Vivat deriva do verbo Latino 'Vivere' significando "VIDA" e expressa o profundo querer por tudo o que existe. Os três Vivat, correspondem a estes três pedidos: "Que Ele viva. Que todas as pessoas vivam, que toda a criação viva". Podemos lembrar-nos de outras peculiaridades do Rito Adonhiramita, como o estalar dos dedos na aclamação, a subida um a um dos degraus na circunavegação, a ausência das CCol.ʹ. Zodiacais, a entrada em Procissão, a forma de executar a bateria do grau, além da cena da traição e da câmara ardente na Sessão Magna de Iniciação. AAm.ʹ. llr.ʹ. em todos os seus graus e qualidades, estas são algumas das principais peculiaridades da ritualística e da liturgia do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais Ritos. Mas deixamos bem claro, que estas peculiaridades não o tornam nem melhor e nem pior que os demais ritos, apenas diferente, mas, com o mesmo objetivo de todos os Maçons e da Maçonaria Universal, a busca do aperfeiçoamento de todos os seres humanos.
http://www.adonhiramita.org/liturgia.htm
A Liturgia Adonhiramita . Peculiaridades do Rito Adonhiramita; Algumas das principais peculiaridades do Rito Adonhiramita que o identificam e o diferenciam dos demais ...

terça-feira, setembro 26, 2017

O RITO DE YORK
O SISTEMA RITUALÍSTICO
NORTE - AMERICANO
AGRADECIMENTOS
Ao Grande Arquiteto do Universo.
A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a concretização deste
trabalho.
Àqueles que vierem depois, dispostos a criticar.
F&S
Sérgio Roberto Cavalcante – MM
Ex-Venerável Mestre das Lojas Presidente Roosevelt nº 13 e Cavaleiros do Sol nº 42
–GLMEPB.
O RITO DE YORK
“O Sistema Ritualístico Americano”
O Rito de York surgiu nos Estados Unidos da América do Norte, trazido pelos
colonizadores ingleses. Mas, os colonizadores ingleses não o denominavam como hoje o
é, visto que, desde tempos idos, o vocábulo “rito” é inominado(ou seja, não existe) no
Sistema Ritualístico Inglês.
Lá pelos idos de 1797, um notável maçom norte-americano de nome Thomas Smith
Webb1, organizou o Rito de York, dando-lhe a estrutura que se mantém até os nossos
dias.
Thomas Smith Webb
Os rituais das blue lodges das Grandes Lojas Estadunidenses, são semelhantes ao
antigo ritual da Grande Loja dos Antigos, ou seja, a de 1751. Anterior aos rituais da
1 Esse maçom norte-americano é considerado por muitos, como sendo o organizador e
fundador do Rito de York “moderno”.
Grande Loja Unida da Inglaterra, confeccionados a partir do Pacto de União entre as
duas Grandes Lojas Rivais até então existentes, no ano de 1813.
Alguns afirmam que a primeira Grande Loja fundada nos Estados Unidos da América do
Norte foi a Grande Loja da Pensilvânia, no ano de 17312.
Os EUA possuem 51(cinqüenta e uma) Grandes Lojas, com aproximadamente, quinze
mil lojas maçônicas e quatro milhões de maçons.
Com cinqüenta e uma jurisdições3 os Estados Unidos contam com cerca de metade de
todas as Grandes Lojas reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra, Irlanda e
Escócia.
Dos quatro milhões de maçons dos Estados Unidos, três milhões são do Rito de York, ou
seja 85%.
NÃO TEM NA RITUALÍSTICA DO RITO DE YORK
A Palavra Semestral4;
Cadeia de União;
2 Informação coletada no site: http//bessel.org/glsyear.htm. Consta em alguns livros
maçônicos norte-americanos que a Grande Loja de Massachusetts é a mais antiga, tendo
sido fundada em abril de 1733, como Loja Provincial Inglesa com o nome de Loja
Provincial de Massachusets tendo como Grão-mestre Distrital o Ir. Henry Price. Mas a
Grande Loja de Virginia é a mais antiga em termos de existência continua, pois há
documentos de uma Loja desde 1730, mas de uma maneira discutível. A Grande Loja foi
fundada em 1733, não foi adiante e erguida em 1754.
Há relatos de Loja funcionando em Nova York a partir de 1730, mas abateu colunas até
1757 e a Grande Loja de New York foi criada em 1771.
Na Pennsylvania, Bejamin Franklin relata Lojas desde 1730 e ele foi admitido na Ordem
em 1731 na Tun Tavern Lodge na Philadelphia, mas esta Loja abateu colunas em 1738, A
Grande Loja deste Estado foi criada em 1750.
Conclui-se que, como no Brasil, a documentação é escassa. Há realmente documentos reais
da criação da Grande Loja de Massachusetts em 1733 e documentos na Philadelphia
Gazette de Benjamin Franklin, relatando funcionamento de Lojas neste Estado em 1730.
A Grande Loja de Massachusetts auto denomina-se ser a mais antiga em continuidade e a
Grande Loja da Pennsylvania afirma que neste Estado existiu a primeira Loja nos Estados
Unidos e a Grande Loja de Virginia também alega ser a mais antiga, mesmo em
descontinuidade.
Bem, oficialmente a Grande Loja de Massachusetts foi regularmente criada antes de todas
as outras pela Inglaterra.
3 Sem contar com as Grandes Lojas “Prince Hall”, ou seja, a Maçonaria dos negros norteamericanos.
Vide resumo sobre a vida e morte de Prince Hall, no final desta monografia.
4 A Palavra Semestral foi instituída no dia 28 de outubro de 1773, pelo Duque de Orleans,
na época Grão-mestre do Grande Oriente de França. A instituição da Palavra Semestral,
aparentemente, surgiu da necessidade de “peneirar” os maçons que se apresentavam às
Lojas, em uma época de grandes agitações na Europa e conseqüentemente na França,-.
Câmara de Reflexões5;
Espadas dentro da loja6;
Bolsa de Propostas e Informações;
Passos para entrada na loja;
Cartão de visitante7;
Transmissão da Palavra Sagrada;
Cálice da Amargura;
Consagração pela Espada e o Malhete nas iniciações;
Espada Flamejante;
Prova dos Elementos;
Tríplice abraço;
Diferença de nível entre o Oriente e Ocidente8;
Separação física entre o Oriente e Ocidente9;
Os cargos de: Orador, Chanceler, Experto, Porta Estandarte e Porta Espada;
Corda de 81 nós;
Não se usam, as palavras: Balaústre ou Peça de Arquitetura. Usa-se: MINUTA,
EXPEDIENTE ou PALESTRA, CONFERÊNCIA;
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO RITO DE YORK
Há somente um livro de ATAS(Minutas) para todos os graus - todas as ATAS(Minutas)
são escritas, lidas e aprovadas no Terceiro Grau;
o Altar dos Juramentos fica exatamente no centro da loja com as três luzes: a Bíblia, o
Compasso e o Esquadro.
O ritual não deve ser lido em loja em hipótese alguma10. Ele é todo memorizado.
O "Proficiency Test"(Prova oral de passagem de Grau) é feito em loja aberta e depois
de concluído, o Irmão se retira para a loja votar, e cabe aos Irmãos presentes votar e
aprovar por maioria simples. Se for reprovado, o irmão poderá fazer outro exame em
trinta dias. O exame pode ser feito no mesmo dia do grau, pois se ele for aprovado no
teste inicia-se o grau em seguida.
As batidas são sempre três e iguais, independentemente do grau em que a loja estiver
operando.
Não há Maçonaria Filosófica no Rito.
5 É chamada de Sala de Preparação.
6 O único oficial que utiliza espada é Cobridor(Tyler), o qual fica na parte externa do
templo.
7 Há Obediências(Grande Loja) que exige o Passport(Passa Porte) Maçônico.
8 Isso depende de cada jurisdição.
9 Isso depende de cada jurisdição.
10 Não há rituais em Loja. Há sim, Código Maçônico, o qual é todo cifrado.
Os cargos eletivos da loja são: Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes,
Secretário e Tesoureiro. Todos os demais cargos são indicações do Venerável eleito.
No Rito de York não há exigência para ninguém ser Past Master para ocupar qualquer
cargo ou função na loja, podendo um Mestre Maçom recentemente Exaltado ser eleito e
Instalado no cargo de Venerável Mestre da sua Loja.
As cerimônias de elevação de graus são: Iniciação, Elevação e Exaltação.
No Rito de York os assuntos administrativos são discutidos em loja aberta e sempre no
Terceiro Grau.
Nas Cerimônias de Iniciação, Elevação e Exaltação é obrigatório o esquadramento da
Loja.
Há um sentido obrigatório de caminhar na Loja. E sempre é em linha reta e mudando de
rumo em ângulo reto11.
Há uma ordem para levantar-se ou sentar-se, nas reuniões12. Um toque, todos sentam;
dois toques, levantam-se só os Oficiais da Loja; e três toques levantam-se todos os
presentes.
O único que pode falar sentado na Loja é o Venerável Mestre e o Secretário quando
estiver trabalhando.
Para fazer uso da palavra basta levantar-se sem fazer sinal13 algum e pedir a palavra,
pela ordem de solicitação.
Quando o Venerável Mestre está ausente, quem deve substituí-lo é o Primeiro Vigilante,
sempre.
Não há uma “Linha Sucessória” para se atingir ao cargo máximo de uma loja maçônica
no sistema ritualístico americano. Qualquer Mestre Maçom pode ser eleito Venerável
Mestre sem passar nas outras posições.
O traje oficial para assistir a uma reunião é o terno completo14.
Não há cortejo para entrada e saída.
Quem deve fazer a leitura do Salmo 13315 é o Capelão.
O Marshall é o oficial da loja que senta-se à esquerda do Primeiro Vigilante(Senior
Warden) e junto da "Inner Door", que é a porta interna do Templo por onde entram os
neófitos para a Iniciação; os aprendizes para Elevação; e os Companheiros para
Exaltação. Ele é uma espécie de Mestre de Cerimônias, pois recebe e conduz os
visitantes em loja.
11 Lembrem-se dos deslocamentos dos nossos sobrinhos(De Molay).
12 Esse procedimento varia de jurisdição para jurisdição.
13 Deve-se porém, fazer o Due-guard. E isto depende de cada jurisdição.
14 Isso depende de cada jurisdição. Dependendo de cada jurisdição, os maçons assistem as
reuniões com roupas do dia-a-dia. Ou seja, trajando calça jeans, sem uso de balandrau, pois
lá esse tipo de vestimenta maçônica não é autorizada.
15 Essa leitura é feita no Monitor Maçônico ou Código Maçônico. Isto depende de cada
Grande Loja.
Há duas portas que dá acesso ao templo. Uma fica à direita do Primeiro Vigilante(Senior
Warden), que é a porta oficial de entrada do Templo, que fica guardada pelo lado de fora
pelo "Tyler". Todos entram por ela, exceto os candidatos sendo Iniciados ou os Irmãos
sendo Elevados(Passing) ou Exaltados (Raising), que entram pela outra porta ("Inner
Door"), que fica à esquerda do Senior Warden e ao lado do "Marshal". Na parte de
dentro do Templo ficam as duas colunas (B & J)16.
O Segundo Diácono(Junior Deacon) é responsável pela abertura da porta na parte de
dentro do Templo.
Os Senior Steward Júnior Steward 17 são assistentes do Segundo Vigilante(Junior
Warden) e o assistem na preparação do Ágape, na preparação do Templo antes das
reuniões e conduzem os candidatos juntamente com o "Senior Deacon" (Primeiro
Diácono).
As reuniões nos Graus 1 e 2 são exclusivamente para Iniciação, Passagem de Grau,
Instrução, Prova de Conhecimentos, Apresentação de Trabalhos e atividades correlatas,
mas nessas reuniões jamais haverá qualquer votação ou negócios maçônicos.
A disposição de uma Loja no Rito de York é diferente de outros Ritos, pois o Altar dos
Juramentos é localizado no centro da loja e a movimentação pode ser feita em todos os
sentidos, mas sempre em linha reta e mudando de direção em ângulo reto, sem jamais
se cruzar à linha entre o altar dos juramentos e a estação do Venerável Mestre. A única
exceção é nas cerimônias dos graus, pois nesses casos a passagem é livre ao redor do
altar.
A localização dos oficiais da loja também é a seguinte:
O Venerável Mestre senta no Leste, tendo à sua esquerda o Secretário, o Tesoureiro; e
um pouco à frente deles o Capelão; à direita do Venerável Mestre senta-se o Primeiro
Diácono.
No Oeste e exatamente em frente do Venerável Mestre senta-se o Primeiro Vigilante,
tendo à sua esquerda o(Marshall – assemelhado aos Diretor ou Mestre de
Cerimônias) e à direita o Segundo Diácono.
16 As colunas nem sempre estão no interior do templo. Na Grande Loja do Alasca e da
Califórnia, elas ficam próximas a Sala de Preparação.
17 Em algumas Grandes Lojas e em suas respectivas blue lodge jurisdicionadas, os
Mordomos ao se deslocarem, levam consigo os seus respectivos bastões. Também em
algumas blue lodge os bastões dos Mordomos são de cor branca, diferenciando-se dos
bastões dos Diáconos, que da mesma forma podem portar ou não seus respectivos bastões,
quando em seus deslocamentos em Loja. Na Grande Loja do Estado de Minnesota, os
Diáconos e os Mordomos deslocam-se em Loja carregando seus respectivos bastões em um
ângulo de 23,5 graus na vertical, refletindo a inclinação da linha central da terra do plano de
sua órbita. Na Grande Loja do Estada da Virginia, os Diáconos deslocam-se com seus
respectivos bastões com um ângulo de 45 graus. Os Mordomos não utilizam os seus
respectivos bastões em todo o seus trabalhos em loja.
No Sul e exatamente à direita do altar senta-se o Segundo Vigilante, tendo à sua frente
os dois "Stewards"(Mordomos).
Do lado de fora da porta de entrada do templo, que fica à direita do Primeiro Vigilante,
fica o "Tyler".
Estes são os oficiais das "blue lodges" e suas "estações"(forma usada no RY para
significar localização).
No Rito de York não há local estabelecido para os "Past Masters" (ex-Mestres Instalados)
no Leste18, cabendo ao Venerável Mestre convidar quem ele deseje para sentar-se no
Leste durante os trabalhos em loja aberta.
Quando se pede a entrada em loja aberta, o "Tyler" dá as batidas normais na porta de
entrada e o Segundo Diácono anuncia que há um "alarme na porta", sendo instruído
pelo Venerável Mestre para abrí-la e verificar do que se trata. Normalmente ele logo
acrescenta que se for um irmão propriamente vestido seja-lhe concedida à entrada em
loja. O Segundo Diácono assim procede, dando entrada ao irmão, que logo se dirige ao
altar para saudar o Venerável Mestre no grau que a loja estiver operando, fazendo os
sinais próprios e recebendo os mesmos do Venerável Mestre, que o convida a sentar-se.
O telhamento é feito com os sinais de mãos acompanhados das senhas respectivas,
começando sempre pelo grau 1 e seguindo até o grau 3, se esse for o caso.
Se o irmão for companheiro maçom, por exemplo, logicamente ele vai parar neste grau e
assim será identificado. Neste caso, se a loja estiver operando em grau 1 ou 2 ele poderá
entrar, caso contrário não lhe será dado entrada.
Em loja aberta, todos os presentes ficam sentados e só precisam se levantar durante a
apresentação da bandeira, nas orações, para saudar as autoridades ou quando quiserem
se expressar.
Há colunetas19 nas estações20 dos Vigilantes, mas não há na estação do Venerável
Mestre.
18 Nas blue lodge, não se menciona Oriente. E sim, Leste, Oeste, Norte e Sul.
19 Nem sempre há colunetas nas estações dos Vigilantes. Cito algumas Grandes Lojas e
suas respectivas jurisdicionadas que utilizam colunetas nas estações dos Vigilantes: Alasca,
Arizona, Califórnia, Distrito de Columbia; Geórgia, Indiana, Minessota, Missuri, etc.
Outras que não fazem uso: Alabama, Kansas, Massachusetts, New Hampshire, Oklahoma,
Virginia e Wisconsin.
20 Estação é nome dado ao local(cadeira e birô) onde tem assento o Venerável Mestre e os
seus respectivos Vigilantes. Lá(U.S.A.) não se utiliza o termo errôneo de “altar” aplicado
aqui pelas Potências Maçônicas Brasileiras. Pois “ALTAR” é uma espécie de mesa de
pedra para os holocaustos nas religiões pagãs; podendo ser também, mesa onde se celebra
um culto; missa; veneração. Ao nosso ver, o termo mais correto a ser aplicado, seria
“trono”, que nos tempos idos serviam(e servem ainda) para os soberanos nele terem
assento. Logo não há forma de se confundir os dois vocábulos(altar/trono) que não são
sinônimos. Destarte, nos tronos “sentam” os que têm autoridade, pois nos Altares, ninguém
senta.
O Grão-mestre21 senta-se na estação do Venerável Mestre toda vez que for na loja, pois
ele assume o comando da loja quando estiver presente.
Não há bolsa de coleta obrigatória em loja, mas se alguém quiser voluntariar com
doações é normal, porém não é obrigatório.
Existe um compartimento denominado de Sala de Preparação. É o local onde o
candidato é preparado antes da cerimônia.
O uso da cartola ou chapéu é obrigatório único exclusivamente pelo Venerável Mestre,
em todas as sessões22.
ADMINISTRAÇÃO DA LOJA
A administração de uma Loja do Rito de York, consiste:
Venerável Mestre23 – {Worshipful Master}
Primeiro Vigilante – {Senior Warden}
Segundo Vigilante – {Junior Warden}
Secretário – {Secretary}
Tesoureiro – {Treasurer}
Primeiro Diácono24 – {Senior Deacon}
Segundo Diácono – {Junior Deacon}
Guarda25 – {Tyler}
Capelão26 – {Chaplain}
Marechal27 – [Marshal]
Organista – {Organist}
1º Mordomo – {Senior Steward}
2º Mordomo – {Júnior Steward}
Trustee28
21 Inexiste prova histórica de que, antes do ano de 1717 tenha existido a figura do Grãomestre.
O primeiro maçom que recebeu o título de Grão-mestre foi Antony Sayer, em
Londres, a 24 de junho de 1717.
22 Há modelos de chapéu e cartolas para todo gosto.
23 Em algumas Grandes Lojas, o termo aplicado é Mestre da Loja(Master of Lodge).
24 Uma das atribuições do 1º Diácono é a de acender[início dos trabalhos] e
apagar{término dos trabalhos} as Três Grandes Luzes da Maçonaria(Volume da Lei
Sagrada – Esquadro – Compasso), que são simbolicamente representadas quando do
acendimento de três luzes em três respectivos castiçais.
25 Também denominado de Cobridor.
26 O Capelão é o responsável pelas preces.
27 Parecido com o Diretor de Cerimônias do Craft ou Mestre de Cerimônias no REAA e
demais Ritos praticados no Brasil. Sua função principal é conduzir os visitantes para o local
pelo Venerável Mestre determinado.
Historian29
Lecture30
Orator31
Musician32
Electrician33
POSIÇÃO34 DOS CASTIÇAIS{COLUNETAS} EM LOJA
GRANDES LOJAS
RHODE ISLAND - PENNSYLVANIA
WYOMING - ALABAMA
GRANDES LOJAS
SOUTH DAKOTA – WEST VIRGINIA
CONNECTICUT
GRANDE LOJA
DE
WASHINGTON
AVENTAIS DOS OFICIAIS
28 Em algumas Grandes Lojas e em suas respectivas lojas simbólicas(blue lodge) existe tal
cargo. Pesquisas foram feitas na NET. E foi encontrado o seguinte significado:
“fiduciário”; “depositário”; e “consignatário”. Pode ser um cargo semelhante ao de
Mestre da Caridade, existente no Craft(ofício) do Sistema Ritualístico Inglês.
29 Idem para o referido cargo. Em pesquisa em dicionário on-line Babylon, descobriu-se
que o vocábulo tem o significado de “Historiador”.
30 Idem para o referido cargo. Em pesquisa em dicionário on-line Babylon, descobriu-se
que o vocábulo tem o significado de palestra, que maçônicamente pode(Acho. Não é
certeza) significar “instrutor”.
31 Idem para o referido cargo. Pesquisando na NET no dicionário on-line Babylon,
descobriu-se que o vocábulo tem o significado de Orador. Não sei se esse cargo se refere ao
Capelão em algumas outras blue lodges.
32 Idem para o referido cargo. Pesquisando na NET através de dicionário on-line Babylon
encontrou-se o seguinte significado para o vocábulo “musician”: “Pessoa que trabalha com
música; quem escreve música; quem pesquisa música”. Maçonicamente pode ter o mesmo
significado de Organista(Organist)
33 Idem para o referido cargo. Pesquisando na NET através do dicionário on-line Babylon,
encontrou-se o seguinte significado para o vocábulo “Electrican”: Eletricista.
34 Dados extraídos do site: www.bessel.org
JÓIAS DOS CARGOS EM LOJA
Venerável Mestre 1º Vigilante 2º Vigilante
1º Diácono
2º Diácono Secretário
Cobridor(Tyler) Marechal(Marshal)35 1º Mordomo
Tesoureiro
2º Mordomo
Organista
Capelão
Past Master
OS AVENTAIS
35 Em algumas Grandes Lojas norte-americana, o cargo de Marechal(Marshal) fica
posicionado no Oeste(Ocidente), próximo à esquerda da estação(pedestal/altar) do 1º
Vigilante.
AVENTAL DE APRENDIZ36
AVENTAL DE COMPANHEIRO37
AVENTAL DE MESTRE38
36 Em algumas jurisdições maçônicas estadunidense, o Mestre Maçom utiliza o avental
igual ao de Aprendiz Maçom.
37 O Avental do Companheiro Maçom nas Grandes Lojas estadunidense é igual ao de
Aprendiz Maçom. Porém, a parte inferior esquerda é dobrada para cima.
38 Existem diferenças nos aventais do Mestre Maçom para cada Grande Loja.
AVENTAL DE PAST MASTER39
39 Idem para o de Past Master.
TEMPLO MAÇÔNICO40
ORDEM DOS TRABALHOS
a. Apresentação da Bandeira Americana a Oeste do Altar dos Juramentos e o respectivo
juramento;
b. Leitura e confirmação da MINUTA41 da sessão anterior;
40 Também há diferenças quanto ao posicionamento dos oficiais em Loja
41 Minuta é a nossa Ata, aqui no Brasil.
c. Recebimento de cartas e comunicações.
d. Agenda (assuntos do dia);
7. Encerramento.
DIFERENÇAS NO SISTEMA RITUALÍSTICO INGLÊS E NORTE-AMERICANO
ESTRUTURA DO RITO DE YORK42
42 Na realidade, os graus simbólicos nos Estados Unidos da América do Norte, são
separados tanto do Rito de York e bem como do Rito Escocês Antigo e Aceito. Ao
contrário ao do que acontece aqui no Brasil, onde esses graus(simbólicos) fazem parte dos
referidos Ritos. Ou seja. Lá as Grandes Lojas não têm nenhum relacionamento(obrigatório
ou não) com os Ritos: York e Escocês.
43
43 Gentilmente cedido pelo Venerável Irmão Carlos Leopoldo Foltz
A HISTÓRIA E A LENDA DE PRINCE HALL
O Ir. Prince Hall
Deve-se destacar, na figura de Prince Hall, a parte real, mas menos romântica,
resgatada pela moderna pesquisa historiográfica e a lenda, devida, na maioria das
vezes, a Grimshaw e que vem sendo alimentada pelo povo maçônico afro-americano.
A moderna historiografia estima que Prince Hall nasceu em 1735 em lugar
desconhecido. Alguns especulam que teria nascido em Barbados nas Índias
Ocidentais, outros que teria sido na África enquanto uma minoria chega a afirmar que
o seu local de nascimento seria os Estados Unidos. Documentos analisados mostram
que teria exercido várias profissões, tais como: trabalhador braçal, artesão de roupa
de couro e fornecedor de alimentos. Outros documentos apresentam-no como líder e
eleitor numa pequena comunidade negra em Boston.
A versão tradicional, muito aceita mas de pouca ajuda para a pesquisa científica,
afirma que Prince Hall nasceu em Bridgetown, Barbados, nas Índias Ocidentais em
1748, filho de Thomas Hall, um inglês, mercador de couro que teria como esposa uma
mulher negra livre, de descendência francesa. Teria vindo para a Nova Inglaterra
durante a metade do século XVIII, estabelecendo-se em Boston, na colônia de
Massachusetts, onde teria se tornado pastor da Igreja Metodista.
A versão tradicional ainda afirma que Prince Hall teria pertencido às fileiras do
Exército Revolucionário e lutado na guerra de independência norte-americana.
Um ponto controverso tem sido a versão de que Prince Hall tenha sido escravo ou
não. Sherman afirma que "tive a fortuna de descobrir, na Biblioteca Athenaeum de
Boston, uma cópia do documento de alforria, provando que Prince Hall tinha,
originalmente, sido escravo na família de um negociante em roupa de couro de Boston
chamado William Hall que o alforriou em 1770". Certos historiadores afro-americanos
rejeitam alguns documentos que tentam demonstrar ter ele sido escravo da família
Hall, como se, em sendo isto verdade, teria sido uma desonra para a figura de Prince
Hall. Aqui, convém lembrar o dizer da carta de Mahatma Gandhi ao Irmão W.E.B.
Dubois em 1929: "Não deixem os 12 milhões de negros [norte-americanos] se
envergonharem pelo fato de serem descendentes de escravos. Não há desonra em
ter sido escravo. Há desonra em ter sido proprietário de escravos".
A Maçonaria Prince Hall nunca negou iniciação a qualquer ex-escravo desde que
preenchesse os requisitos mínimos exigidos pela Ordem. A Grande Loja Unida da
Inglaterra, após a abolição da escravidão nas Índias Ocidentais pelo Parlamento
Britânico em 1º de setembro de 1847, mudou a expressão nascido livre para homem
livre como requisito para ingresso nas suas Lojas.
A tradição afirma que Prince Hall teria sido iniciado em 6 de março de 1775. E aqui
existe uma controvérsia entre a Loja nº 441 e a Loja Africana, sendo que ambas
estariam na gênese da maçonaria Prince Hall, com as implicações do reconhecimento
pela Grande Loja Unida da Inglaterra e o problema de haver duas Obediências em um
mesmo território. O historiador Jeremy Belknap afirma que "tendo uma vez
mencionado esta pessoa(Prince Hall), tenho a informar que ele foi um Grão-mestre
de uma Loja de Maçons Livres, composta na sua totalidade de pretos e conhecida
pelo nome de “Loja Africana”. Isto teria acontecido em 1775, quando esta cidade foi
tomada pelas tropas britânicas, possibilitando a montagem de uma Loja e a iniciação
de um bom número de negros. Após o estabelecimento da paz, enviou-se a Londres
um pedido de reconhecimento, obtendo-se uma carta timbrada pelo duque de
Cumberland e assinada pelo Conde de Effingham". Nelson King, editor da revista
Philalethes, afirma que "em 29 de setembro de 1784 uma carta de reconhecimento
(warrant) foi outorgada pela primeira Grande Loja da Inglaterra para 15 homens em
Boston, Massachusetts(inclusive o Irmão Hall, cujo primeiro nome era Prince),
formando a Loja Africana nº 459 no registro inglês. A Loja Africana contribuiu com o
Fundo de Caridade Inglês até 1797 e permaneceu correspondendo-se com o Grande
Secretário até início do século XIX. Os livros de registro da Grande Loja, para tal
período, entretanto, são incompletos e não é impossível que a correspondência, entre
ambos os lados, apareça como tendo sido ignorada.
Após 1802, o contato foi perdido, devido, em grande parte, à interrupção que as
guerras napoleônicas causaram sobre os transportes e as comunicações com a
América do Norte. Em 1797, a Loja Africana, contrariamente aos termos da carta de
reconhecimento e às Constituições de Anderson, às quais estava vinculada, deu
autorização a dois grupos de homens para se reunirem como Lojas: I) a Loja Africana
nº 459B em Filadélfia na Pensilvânia e II) a Loja Hiram (sem número) em Providence,
Rhode Island. Autorizações continuaram a ser dadas para outras lojas a partir de
1808.
Após a união das duas Grandes Lojas inglesas - antigos e modernos - em 1813 a
fusão dos livros de registro omitiu a Loja Africana(assim como muitas outras lojas na
Inglaterra e além mar) deixando de haver contato por longos anos. A Loja Africana,
contudo, não foi formalmente extinta".
Gould, em toda sua monumental obra, não chega a citar a figura de Prince Hall, mas
num quadro em que lista as Lojas nos EEUU reconhecidas pela Grande Loja da
Inglaterra entre 1733 e 1789 cita a African Lodge de Massachussets com a data de
1784-86.
Outro historiador chega a afirmar que Prince Hall teria sido iniciado numa Loja Militar,
a Loja nº 441, sob a jurisdição da Grande Loja da Irlanda, ligada a um dos regimentos
do exército do General Gage e cujo Venerável Mestre era o Irmão J.B.Watt. Esta Loja
volante existiu na vizinhança de Boston, estabelecendo-se futuramente em Nova
Iorque e participou na formação, segundo a versão da Maçonaria Prince Hall, da
Primeira Grande Loja Caucasiana. Com a remoção da Loja para Nova Iorque, supõese
que aquele Irmão J.B.Watt tenha dado uma "permissão" (se escrita, o documento
perdeu-se; talvez oral, para que Prince Hall continuasse a funcionar em Boston).
Daí talvez a gênese da "Loja Africana". O que se especula é que essa "permissão"
daria a Prince o direito de fazer reunião e de enterrar seus mortos, quando
necessário. As atas da "Loja Africana" deixam muito a desejar sobre o que teria
acontecido após a partida dos ingleses, sendo que este fato concorre para que a
maçonaria branca marginalize a nascente Maçonaria Prince Hall. Na época, Prince
Hall mandou uma petição ao Grande Mestre Provincial Joseph Warren, pedindo
reconhecimento. Entretanto, Warren foi morto na batalha de Bunker Hill antes de
poder responder. Convém salientar que, com a morte de Warren, a jurisdição de
Massachusetts abateu colunas e não havia autoridade maçônica na região. Em
seguida buscou conseguir uma autorização legal e regular que substituísse a precária
"permissão" de Watt. Primeiramente, tentou-se o Grande Oriente de França mas o
seu intento foi infrutífero. Procurou então contatar a Grande Loja de Londres
(modernos) através de duas cartas dirigidas ao Irmão William M. Moody em Londres.
Desta vez obteve sucesso, conseguindo finalmente o "warrant" em 20 de setembro
de 1784 para a African Lodge nº 459. Essa autorização chegou às mãos de Prince em
29 de abril de 1787 e foi noticiada pelos jornais locais. É um documento de
importância vital para a Maçonaria Prince Hall, pois é a prova inconteste para fugir da
irregularidade que a ela é imputada pela maçonaria branca. Walkes chega a afirmar
que "a carta permaneceu nas mãos da Prince Hall Grand Lodge of Massachussets.
Em 1869, foi chamuscada num incêndio, sendo, contudo, salva pela ação do P.G.M.
Kendall que recuperou o documento. Existe um grande número de maçons Prince Hall
que acreditam ter sido o incêndio uma tentativa de a Maçonaria Caucasiana destruir o
mais valioso de todos os documentos da Maçonaria Prince Hall. Enquanto esta crença
não pode ser provada, o fato alegado mostra a freqüente relação tensa entre a
fraternidade Prince Hall e a sua contraparte caucasiana. Mostra também a conexão
emocional entre a América Negra e Branca."
É preciso ter em mente o status colonial do negro norte-americano na época da
independência. Não possuíam educação formal, além do mais sofriam restrição legal
para adquiri-la e os códigos dos negros legais impediam reuniões ou ajuntamentos
com mais de três indivíduos da raça negra. Os historiadores negros afirmam que os
negros estavam na América Colonial mas não eram da América. Eram súditos
coloniais dos súditos coloniais da Inglaterra. Não estavam sendo explorados por
George III, mas sim por George Washington, pelos maçons e pelos donos de
escravos. Os Pais Brancos Fundadores não eram os Pais Negros Fundadores, pois
os homens negros viviam uma diferente Declaração de Independência, uma
Revolução diferente numa América diferente. A revista maçônica negra - Phylaxis
Magazine - editada em Boston comenta em seus editoriais que houve e tem sempre
havido duas Américas, uma Branca e outra Negra. Defini-las juntas seria impossível.
Medir a maçonaria de cada uma em conjunto, também é praticamente impossível,
pois a convenção constitucional branca não foi à convenção constitucional negra, o
começo branco não foi o começo negro.
Prince Hall demonstrou a sua combatividade em diversas ocasiões. Em 13 de janeiro
de 1777, conjuntamente com outros companheiros de luta - maçons ou não -
endereçou uma petição ao legislativo de Massachussets protestando contra a
existência da escravidão na Colônia. Documentos demonstram que, novamente, em
27 de fevereiro de 1788, redigiu outra petição protestando contra o seqüestro e
subseqüente venda como escravos de numerosos negros que foram levados de
Boston para um navio em direção às Índias Ocidentais. Estes negros retornaram a
Boston depois de detidos pelo governador do Maine que concordou com o pedido de
auxílio do governador de Massachusets.
Deixou vários documentos escritos, inclusive um livro de cartas, grande manancial
para os historiadores. Prince faleceu em 4 de dezembro de 1807 na glória de ter sido
o primeiro americano negro a receber os graus da Maçonaria nos EEUU. Sua morte
foi noticiada em inúmeros jornais de Boston. Foi enterrado em Copps Hill ao lado de
uma de suas esposas.
A Maçonaria Prince Hall 44 honra a memória de seu fundador em uma cerimônia
pública - Prince Hall Americanism Day - que acontece em setembro numa igreja em
Boston. Como os São Joãos, Prince Hall é considerado um dos santos fundadores da
Maçonaria Negra nos EEUU. A cada dez anos a Conferência dos Grão-mestres
Prince Hall realiza uma peregrinação à Boston no seu memorial em Copps Hill.
44 A Maçonaria Prince Hall não é reconhecida por algumas Grandes Lojas Caucasiana,
entre elas, estão as Grandes Lojas do Texas e Virgínia.
ORIGENS DAS GRANDES LOJAS NORTE-AMERICANAS45
{A. F. & A. M.}46 – {F. & A. M.}47 – {F.A.A.M.}48 – {A. F. M.}49
Mapa 01
USO DE RITUAIS POR ESTADOS - CIFRADOS E IMPRESSOS50 51
Mapa 02
45 Refere-se apenas as Grande Lojas Caucasianas. Ou seja, as Grandes Lojas dos brancos.
46 Fundada com apoio da Grande Loja dos Antigos(a de York) – {1751}.
47 Fundada com apoio da Grande Loja dos Moderno(a de Londres) – {1717}.
48 Só existe uma com essa sigla[F.A.A.M.] e é no Distrito de Columbia(Washington)
49 Só existe uma com essa sigla [A.F.M.] e é a do Estado da Carolina do Sul.
50 41 Grandes Lojas permitem editar rituais cifrados. São as dos Estados que estão na cor
azul, no mapa 02.
51 10 Grandes Lojas não permitem. São as dos Estados que estão na cor branca.
CERIMÔNIAS FÚNEBRES52
Figura 03
LANDMARKS
Estados Aplicação dos Landmarks
Alabama Não há Landmark específico
Alaska Não há Landmark específico
Arizona Não há Landmark específico.
Arkansas Não há Landmark específico
Califórnia Não há Landmark específico
Colorado Não há Landmark específico
Connecticut É composto por 15 Landmarks.
Delaware
Esta Grande Loja elenca os 25 Landmarks de Mackey em seu Código, mas
não em sua Constituição.
District of Columbia Não há Landmark específico.
Florida
...O Artigo 13, Seção 2, da Constituição contém 10 "Landmarks", e também
diz que "O reconhecimento desses "Landmarks" não deve significar ou proibir
que esta Grande Loja seja proibida de reconhecer em qualquer momento, de
52 24 Grandes Lojas Estadunidenses não permite que os Aprendizes ou Companheiros
Maçons participem de Cerimônia Fúnebre.
agora em diante, através de emendas apropriadas, outros princípios,
preceitos, práticas ou dogmas da Maçonaria como "Landmarks", nem está
esta Grande Loja proibida de reconsiderar e, se achar apropriado, remover
este reconhecimento de qualquer um deles"
Georgia Não há Landmark específico
Hawaii Não há Landmark específico
Idaho Não há Landmark específico
Illinois Não há Landmark específico
Indiana Não há Landmark específico
Iowa Não há Landmark específico
Kansas Cita os 25 Landmarks de Mackey, mas não afirma que deve ser obedecido.
Kentucky Não há Landmark específico.
Louisiana Possui 24 Landmarks.
Maine Não há Landmark específico.
Maryland Não há Landmark específico.
Massachusetts
Lista com 7 Landmarks: (1) Monoteísmo; (2) Imortalidade da Alma; (3) O
Volume da Lei Sagrada; (4) A Lenda do 3º Grau; (5) O Sigilo; (6) O
Simbolismo da Arte Operativa; (7) Só são aceitos homens adultos e nascidos
livres.
Michigan
Em 1970, esta Grande Loja adotou 3 artigos como sendo os Antigos
Landmarks: (1) Crença no Ser Supremo, O Volume da Lei Sagrada; (2)
Crença na Imortalidade da alma; (3) A indispensável existência do Volume da
Lei Sagrada no Altar dos Juramentos.
Minnesota Possui 26 Landmarks.
Mississippi Possui um código que consta de 19 artigos como se fossem Landmarks.
Missouri Não há Landmark específico.
Montana Não há Landmark específico.
Nebraska Não há Landmark específico.
Nevada Em 1872 esta Grande Loja aprovou uma lista de 39 Landmarks.
New Hampshire
Elenca 8 Landmarks: (1) Monoteísmo; (2) Volume da Lei Sagrada53; (3) O
Sigilo; (4) simbolismo da arte operativa; (5) Os 3 Graus (6) A Legenda do 3º
Grau; (7) Somente homens; (8) Não sectarismo e não política.
New Jersey
Em 1903 um comitê formulou uma lista de 10 Landmarks. Mas hoje em dia
não parece que estes Landmarks são adotados formalmente.
53 Em 11 Grandes Lojas pesquisadas, a leitura é feita no Salmo, Amós e Eclesiastes,
respectivamente. Em outras, a leitura é feita aleatoriamente.
New México Não há Landmark específico
New York Não há Landmark específico
North Carolina Não há Landmark específico
North Dakota Não há Landmark específico
Ohio Não há Landmark específico
Oklahoma Adota os 25 Landmarks de Albert Mackey
Oregon Adota os 25 Landmarks de Albert Mackey
Pennsylvania Não há Landmark específico.
Rhode Island Não há Landmark específico
South Carolina Adota os 25 Landmarks de Albert Mackey
South Dakota Adota os 25 Landmarks de Albert Mackey
Tennessee Adota 15 Landmarks
Texas Não há Landmark específico
Utah Não há Landmark específico
Vermont
Adota uma lista de 7 Landmarks: (1) Crença em Deus; (2) Crença na
Imortalidade da Alma; (3) O Volume da Lei Sagrada no Altar; (4) A lenda do
3º Grau; (5) O Sigilo; (6) O Simbolismo da Arte Operativa; (7) Deve ser
homem livre, e maior de idade, e bem recomendado.
Virginia Não tem Ladmaks definidos
Washington Não tem Ladmaks definidos
West Virginia
Possui uma lista de 8 Landmarks; (1) - Crença no Grande Arquiteto do
Universo; (2) - Crença na Imortalidade da alma, (3) – A indispensável
presença do Volume da Lei Sagrada; (4) – O Governo da Grande Loja por um
Grão-mestre; (5) O Sigilo nas modalidades de reconhecimento; (6) – A Lenda
do 3º Grau; (7) - A Maçonaria Antiga deve ser composta apenas por
Aprendizes, Companheiros e Mestres; (8) Todo os Maçom deve ser homem,
nascido livre e de maior de idade.
Wisconsin Esta Grande Loja nunca adotou qualquer Landmark
Wyoming Não há Landmark específico

GRANDES LOJAS - USA
DATA DE FUNDAÇÃO
Grand Lodge of Pennsylvania 1731 56
Grand Lodge of Massachusetts 1733
Grand Lodge of Georgia 1735
Grand Lodge of South Carolina 1737
Grand Lodge of Virginia 1778
Grand Lodge of New York 1781
Grand Lodge of New Jersey 1786
Grand Lodge of Maryland 1787
Grand Lodge of North Carolina 1787
Grand Lodge of Connecticut 1789
Grand Lodge of New Hampshire 1789
Grand Lodge of Rhode Island 1791
Grand Lodge of Vermont 1794
Grand Lodge of Kentucky 1800
Grand Lodge of Delaware 1806
Grand Lodge of Ohio 1808
Grand Lodge of the District of Columbia 1811
Grand Lodge of Louisiana 1812
Grand Lodge of Tennessee 1813
Grand Lodge of Indiana 1818
Grand Lodge of Mississippi 1818
Grand Lodge of Maine 1820
Grand Lodge of Alabama 1821
Grand Lodge of Missouri 1821
Grand Lodge of Michigan 1826
Grand Lodge of Florida 1830
Grand Lodge of Texas 1837
Grand Lodge of Arkansas 1838
Grand Lodge of Illinois 1840
56 Há controvérsias quanto à ordem de antiguidade.
Grand Lodge of Wisconsin 1843
Grand Lodge of Iowa 1844
Grand Lodge of Califórnia 1850
Grand Lodge of Oregon 1851
Grand Lodge of Minnesota 1853
Grand Lodge of Kansas 1856
Grand Lodge of Nebraska 1857
Grand Lodge of Washington 1858
Grand Lodge of Colorado 1861
Grand Lodge of Nevada 1865
Grand Lodge of West Virginia 1865
Grand Lodge of Montana 1866
Grand Lodge of Idaho 1867
Grand Lodge of Utah 1872
Grand Lodge of Oklahoma 1874
Grand Lodge of Wyoming 1874
Grand Lodge of South Dakota 1875
Grand Lodge of New Mexico 1877
Grand Lodge of Arizona 1882
Grand Lodge of North Dakota 1889
Grand Lodge of Alaska 1981
Grand Lodge of Hawaii 1989
Fontes de Consulta:
01) - www.bessel.org;
02) - http://www.freemasons-freemasonry.com/falclewis.html;
03) - www.njfreemasonry.org;
04) - Monografias Maçônicas - William Almeida de Carvalho;
05) – Vade-Mecum do Simbolismo Maçônico – Rizzardo da Camino e Odécio Schilling
da Camino;
06) – Revista Engenho & Arte na Maçonaria Universal;
07) - www.yorkrite.com;
08) - www.yorkriteusa.org;
09) - www.moyorkrite.org
10) - www.lafsco.com/mmregalia
(*) Sérgio Roberto Cavalcante é Mestre Maçom ativo e regular da Augusta e
Respeitável Loja Simbólica “Cavaleiros do Sol nº 42” – jurisdição da Grande Loja
Maçônica do Estado da Paraíba.

Em regra anualmente, as Lojas maçónicas elegem um dos Mestres do seu Quadro para assumir a função de Venerável Mestre. 

O Venerável Mestre tem a incumbência de dirigir administrativamente a Loja, com o auxílio, designadamente, do Secretário, do Tesoureiro, do Arquivista e do Orador (este com a expressa função de dirimir e/ou tentar fazer com que se ultrapassem eventuais litígios e de instruir qualquer procedimento disciplinar que porventura se mostre necessário). Deve também providenciar pela adequada instrução e formação dos Aprendizes e Companheiros da Loja, a daqueles sob a direção do Segundo Vigilante, a destes mediante a coordenação do Primeiro Vigilante. Deve ainda assegurar a adequada e correta execução do ritual praticado pela Loja, contando, para isso, com o especial contributo do Mestre de Cerimónias, do Experto e do Guarda Interno. Deve mais garantir que, quando se justifique, a solidariedade da Loja perante qualquer dos seus obreiros seja efetiva e atempadamente praticada e que o dever social da Loja de auxílio, na medida das suas possibilidades, a quem disso necessita, ou a instituições que o assegurem, não seja descurado, contando, para isso, com a indispensável colaboração do Hospitaleiro. Deve igualmente zelar pelo bom ambiente, paz, tranquilidade e concentração da Loja enquanto em sessão, em muito sendo, para tal, auxiliado nisso pelas oportunas intervenções da Coluna da Harmonia e pelas acertadas escolhas e seleções de trechos musicais efetuadas pelo Mestre da Harmonia, também designado por Organista. Deve, em acréscimo, assegurar as iniciativas especiais ou extraordinárias da Loja, podendo, para isso, contar com o auxílio de um Oficial encarregado de preparar cada uma dessas iniciativas, o Porta-Estandarte. Deve, finalmente, coordenar toda a atividade da Loja, e do seu Quadro de Oficiais, dirigir as sessões da Loja e representá-la na Grande Loja.

Para tudo isso, que não é pouco (e a dimensão do parágrafo anterior ilustra-o bem...), conta com o auxílio, o conselho e a experiência, recente, do Ex-Venerável e, principalmente, com a colaboração e o empenho de todos os obreiros da Loja. O sucesso de um Veneralato depende, claro, da capacidade de organização, gestão e coordenação do Venerável Mestre, mas essencial e inevitavelmente da resposta, da dedicação, do compromisso de cada um dos obreiros da Loja e do conjunto dela. Pode uma Loja suprir razoavelmente uma eventual menor qualidade de desempenho de um Venerável; mas o melhor, mais qualificado, mais empenhado, mais imaginativo, mais bem preparado, mais bem organizado Venerável do mundo nada conseguirá fazer de jeito sem o contributo, o respaldo, o empenhamento de toda a Loja.

A função de Venerável Mestre é complexa e exigente. Ele tem de, qual maestro, dirigir e coordenar toda uma equipa e motivar toda uma Oficina, para que seja possível ter um gratificante ano de trabalho. Mas há um aspeto dessa função em que o coletivo pouco releva: quando há que decidir! Decidir é responsabilidade exclusiva e solitária do Venerável Mestre. Para o bem e para o mal, é para isso também que os seus pares lhe confiaram o ofício. Na hora da decisão, não há democracia, não há maiorias. O Venerável Mestre tem o encargo de, sempre que for necessário decidir, tomar a melhor decisão possível, em face dos elementos de que dispõe. E a melhor decisão possível pode muito bem não ser a que teve a preferência expressa de uma conjuntural maioria. Por exemplo, não poucas vezes - arrisco dizê-lo - a melhor decisão possível é um misto da preferência da maioria com algo dos contributos de uma ou mais minorias...

Preparar, coordenar, decidir, motivar, fazer, propiciar que seja feito e tentar errar o menos possível: essas a tarefa e a função cometidas ao Venerável Mestre. É por isso que costumo dizer que ser Venerável Mestre equivale a ter duas alegrias: uma, de satisfação pela confiança em si depositada, quando é eleito para o ofício; a outra, de alívio, quando passa o malhete ao seu sucessor!

A responsabilidade do ofício de Venerável Mestre é evidentemente grande. Por isso mesmo, deve ser exercida por um período não muito longo (um ano é, para mim, o período ideal) e, sobretudo, deve a Loja estar organizada de forma a possibilitar que seja exercida, sucessivamente, pelo maior número possível de Mestres do seu Quadro. Porque a responsabilidade é grande, mas não é exclusiva de "iluminados". Porque o essencial princípio da Igualdade implica que todos os Mestres têm potencialmente capacidade para exercer tal ofício. Porque, sendo a responsabilidade grande, há muitas formas de a cumprir e cada Venerável Mestre inevitavelmente que a assegurará à sua maneira e deixando a sua pessoal marca. E, ao longo do tempo, a assunção da mesma grande responsabilidade com a diversidade resultante das diferentes caraterísticas pessoais dos sucessivos Veneráveis é uma rica lição para todos os obreiros da Loja.

O exercício do ofício de Venerável Mestre, pela sua complexidade e exigência, é fator de evolução, de crescimento, de melhoria, de quem o exerce. Por isso também deve o ofício ser exercido pela maior quantidade de obreiros possível. Afinal de contas, o principal objetivo da Maçonaria é o aperfeiçoamento dos seus obreiros... 

Rui Bandeira

sábado, novembro 12, 2016


AS SESSÕES MAÇÔNICAS DESMOTIVADORAS

"Precisamos de novos conceitos sociais, morais, científicos e ecológicos, e serem determinados por novas condições de vida da humanidade, hoje e no futuro". I. T. Frolov.

Porque a baixa frequência dos II:. nas sessões maçônicas e as inúmeras desistências?
Há um princípio geral de Psicologia Educacional, de que toda conduta é motivada, entretanto nossas reuniões privam pela repetição monótona de uma ritualística cansativa e sem qualquer utilidade prática. Trabalhos escritos e copiados de outros repisando temas já anteriormente apresentados, e muitas vezes lidos de modo gaguejante, sem a devida acentuação tônica para criar um clima emocional. V:.M:. ou irmãos eruditos ou pseudo-eruditos a usarem e abusarem no uso da palavra para exporem seus conhecimentos de almanaques de farmácias, ou inoportunas críticas a opúsculos apresentados. Outros irmãos dedicam-se, aos erros ritualísticos, como: o uso de espadas e bastões; ou, ainda, os historiadores de ocasião que leem longas biografias endeusando personagens históricos, cujas reputações apresentadas como exemplares, não resistem a uma apreciação mais profunda e desapaixonada.
Toda semana durante duas ou mais horas seguidas, todos sentados com dorso do corpo apoiado no espaldar da cadeira, e as mãos postadas abertas sobre a coxa (posição ritualística?), como nos antigos colégios religiosos. Depois de horas de tédio e, porque não, de angústia esperando o fim daquela chatice semanal. Todos têm um ponto de saturação e, no momento, que ele é alcançado, o pobre sofredor vai procurar em outro lugar um lazer mais reconfortante, para aliviá-lo das tensões causadas pela dura luta do pão de cada dia.
A fim de se evitar divagações inconsequentes vamos tentar criar uma axiomática sobre Maçonaria:
  1. é uma sociedade cível, sujeita as leis da comunidade onde se instala;
  2. é uma agremiação iniciática, o que a diferencia dos clubes de serviço (Rotary e Lyons);
  3. tem por principal objetivo o conhecimento do homem e da natureza;
  4. os meios empregados por ela é da execução de atos simbólicos que formam os ritos, o ensino mútuo e o exemplo, a cultura intelectual, e a prática da fraternidade e solidariedade;
  5. a melhoria moral e material da humanidade, baseada na crença do progresso infinito dela;
  6. o cultivo da tolerância; e
  7. abstração de todas as distinções sociais.
Segundo J. Boucher: "a pátria do maçom é a terra inteira, e não só o local onde nasceu ou a coletividade em que se desenvolveu".
Pertencemos ao nosso ambiente social, pois em última instância somo regidos pelas mesmas leis, cuja essência encontramo-la na Declaração dos Direitos Humanos, a qual sofreu a influência segura das ideias do iluminismo, adotadas pelos maçons, principalmente, europeus. Logo não podemos continuar isolados dos graves problemas sociais, políticos, religiosos, filosóficos, científicos e, sobretudo, ecológicos. Afirmamos ser o aspecto mais importante da Maçonaria, o iniciático; herança conservada por nós dos primitivos rituais dos povos totêmicos, e tinham por finalidade a preparação do púbere (10 ou 12 anos) para ocupar o seu lugar na comunidade. Em síntese a iniciação arcaica tinha suas provas (atirar o menino no ar e surrá-lo), pintura dos símbolos totêmicos e mutilações. Depois de anos a cerimônia culminava, geralmente, com a "bênção do fogo".
Durante todos os anos, até a integração no grupo, não se descuidava da educação prática, imitando os adultos instrutores, tendo como tema a caça, a agricultura; o lazer dele (o menino) é dirigido num sentido pragmático.
Examinando as sete proposições axiomáticas concluímos ter a Maçonaria uma função educativa, ou seja, uma escola de vida.
Segundo conceitos modernos, como escola ela teria de ter objetivos, um currículo e um método de ensino.
Referente aos objetivos teríamos: o conhecimento do homem e da natureza, através das atuais conquistas científicas; a prática da tolerância, da fraternidade e da solidariedade; a igualdade de direitos de seus membros e, consequentemente, a melhoria moral, material e, por que não espiritual da humanidade.
Currículo é a forma aportuguesada e simplificada do latim: curriculum vitae. Porém no Brasil é usado como a relação de matérias de um curso. Ele deve apresentar ao maçom em forma idealizada; a vida presente com suas atividades sociais, aspirações éticas, e a apreciação no momento atual do valor cultural do passado. Logo implicaria não só as disciplinas obrigatórias da Maçonaria: Simbólica, Ritualística, Filosofia, e História mas, também, o estudo comparado com o acervo geral do conhecimento da sociedade e suas múltiplas consequências no presente, fazendo uma projeção para o futuro. Entretanto temos notado que vem predominando os trabalhos descritivos de História, enquanto as demais matérias, talvez mais importantes, são relegadas a um segundo plano com a repetição dos trabalhos de maçons dos séculos passados com todos os erros, crendices e superstições. Pode-se dizer que aproximadamente noventa por cento dos escritores maçons dedicam-se à historiografia, ou pelo menos predominantemente, enquanto as outras matérias de interesse não só maçônico, porém, sobretudo, biopsicossocial são tratadas raramente e com superficialidade.
Quanto ao método que é o processo de usar este material de cultura para chegarmos aos objetivos.
Continuamos a usar a antiga e cansativa "aula magistral" dos doutos catedráticos presos ainda Escolástica. São as preleções, a base de saliva e da personalidade carismática do sábio. As vezes a mensagem é recebida, entendida e esquecida, outras vezes o tema se prolonga indefinidamente, sem ligações lógicas com os argumentos apresentados, sobretudo, quando o expositor parece não saber como terminar.
Existe a necessidade de começarmos a usar os modernos recursos didáticos como a televisão, o computador, projeção de transparências, "slides" e outros meios em exposições curtas seguidas de debates. Também poderíamos trazer as técnicas de dinâmica de Grupos(grandes ou pequenos), simpósios, seminários, evitando sempre as conferências magistrais. Contudo teremos de sacrificar o velho costume das sessões ritualísticas; herança, possível, da missa dominical, fazendo-as, somente, nas iniciações, elevações e exaltações, ou como treinamento para elas, como faziam os maçons especulativos de 1717.
Caberá a toda a nossa geração reiniciar o trabalho especulativo, teórico da Grande Loja Unida de Londres, e não seguirmos os princípios retrógrados inspirados por Lawrence Delmotl à Grande Loja de York; que predominaram na fusão de 1813, representando um retrocesso às conquistas dos filósofos iluministas e deístas.
A tarefa é muito grande, mas é necessário ser iniciada com a máxima urgência, pois a evolução não espera.
Hodiernamente, está difícil encontrarmos na sociedade elementos com os predicados exigidos pela ordem e, é mais difícil mantê-los pelas lutas de grupinhos por um poder efêmero, bem como pela monotonia insossa de nossas inúteis sessões econômicas ritualísticas. Geralmente os mais evoluídos, mais dinâmicos, mais atuantes sentem a luta inglória de procurar uma nova mensagem na Maçonaria e nada encontram.
Também, a massa informe do povo maçônico cansa-se de ouvir e ver sempre as mesmas pantomima e depois de algum tempo já sabem de tudo e, portanto, nada mais têm a fazer ou aprender, e vão-se. Ficam os teimosos que não acreditam ser aquela mediocridade o resultado de séculos ou milênios; se considerarmos as corporações de ofício e a Maçonaria Teórica, duma entidade tão criticada ou endeusada, admirada e cultuada por grandes expoentes da humanidade, seja unicamente aquelas práticas e mensagens insípidas, e como verdadeiros homens partem em busca da verdade e acendem luzes que vão clareando novos conceitos fraternais e afastando as trevas da ignorância geradoras da crendices e superstições.
BIBLIOGRAFIA:
  1. CAPRA, Fritjof - A Teia da Vida - Editora Cultrix Ltda. - 1998 - São Paulo SP.
  2. HUISMAN, Denis e André Vergez - Curso Moderno de Filosofia - 2 Volumes: Introdução À Filosofia das Ciências e A Ação - Livraria Freitas Bastos S.A. - 1966 - Rio de Janeiro RJ.
  3. HUTIN, Serge - As Sociedades Secretas - Editorial Inquérito Ltda - Lisboa - Portugal.
  4. MONROE, Paul - História da Educação - Companhia Editora Nacional - 1954 - São Paulo SP.
  5. SALZANO, Francisco M. - 1) Evolução do Mundo e do Homem. 2) Biologia Cultura e Evolução - 1995 e 1998 - Editora da Universidade de Porto Alegre - Porto Alegre RS.