quarta-feira, agosto 24, 2016

"A Santificação do Homem

Quando me foi lançado este desafio, de vir aqui falar sobre o Sagrado e o Profano do ponto de vista do judaísmo, aceitei sem saber bem o que iria dizer sobre o tema.

É importante lembrar que não sou Rabino nem estudioso de matérias religiosas pelo que corro o sério risco de vos apresentar algo que fique muito aquém das expectativas, mas é a minha visão do assunto.

O judaísmo enquanto religião e forma de vida visa sempre a santificação do homem numa perspectiva de o tornar mais próximo de Deus.

A religião judaica prescreve mandamentos e regras que se integralmente cumpridas representarão o respeito máximo por Deus e pela sua Santidade, e que não cumpridas farão do homem um profano que ao contrario do seu irmão cumpridor, no dia do julgamento poderá ser considerado como indigno de se manter vivo.

Todavia o homem está sempre a tempo de se arrepender e retornar ao caminho da santidade com isso glorificar Deus. Este arrependimento, que pode surgir a qualquer altura, está muito associado com o dia do Kipur. Dia de penitencia e arrependimento e também o dia em que cada judeu se apresenta perante Deus e lhe apresenta contas do que fez, esperando que o seu nome seja inscrito por Deus no Livro da Vida e que o seu arrependimento seja aceite.

Neste sentido e de forma a realçar a importância do percurso do homem, de cada homem, no sentido a elevação espiritual decidi ir buscar exactamente os trechos da Torá que explicam e regulamentam o dia de Kipur e de lá extrair o que me pareceu fundamental para ilustrar a perspectiva judaica sobre o sagrado e o profano, do ponto de vista do homem.

Uma breve explicação prévia, a Torá é composta por 5 livros (Bereshit – Génesis, Shemot – Êxodo, Vaycrá -Levitico, Bamidbar – Números e Devarim – Deutronomio) e constitui a lei fundamental do judaísmo, a lei dada por Deus a Moisés no deserto. Nestes livros poderemos encontrar desde a criação do Mundo aos preceitos alimentares e regulamentos familiares. Estes livros são lidos em capítulos semanais de maneira a que num período de um ano todos os livros tenham sido integralmente lidos e se recomece.

Estes são os livros de base do que se convencionou chamar de Bíblia.

Para ilustrar o tema de hoje escolhi algumas passagens e respectivos comentários, que penso poderão ajudar a explicar o que o judaísmo pensa e preconiza. Estas passagens estão incluídas no capítulo que regula o Dia de Kipur.


“... E tomarás os dois cabritos e os farás ficar diante do Eterno à porta da tenda da reunião. E lançará Aarão sobre os dois cabritos, sortes, uma para o Eterno e outra para Azazel. E aproximará Aarão o cabrito sobre o qual caiu a sorte para o Eterno e o oferecerá como oferta de pecado. E o cabrito sobre o qual caiu a sorte para Azazel colocar-se-á vivo diante do Eterno, para expiar por meio dele, para envia-lo para Azazel no deserto.


E colocará Aarão suas duas mãos sobre a cabeça do cabrito vivo, e manifestará sobre ele todas as iniquidades dos filhos de Israel, todos os seu delitos e todos os seus pecados, e os porá sobre a cabeça do cabrito e o enviará, por mão de um homem designado para isso para o deserto. E levará o cabrito todas as iniquidades à terra desabitada e deixará o cabrito ir pelo deserto… “

Vaikrá (Levitico) 16: 7 a 10 e 21 a 22

Sobre este trecho da Torá o Rabino Mendel Diesendruck, que na década de 50 do sec. XX foi Rabino em Lisboa escreve o seguinte:


“ Sortes: os nossos exegetas interpretam esta cerimónia de sortear os cabritos como indicação simbólica para os dois diferentes elementos humanos e a sua maneira distinta de encarar os problemas da vida. Um encarna com o seu estilo de viver e pela pureza das suas acções e pensamentos aquela máxima gravada em muitas sinagogas com letras douradas por cima da Arca Sagrada, Shiviti Hashem Lenegdi Tamid (Tenho o Eterno sempre à minha presença), ou seja tudo o que eu faço e pretendo fazer é orientado e guiado por uma única motivação: Viver sempre dentro das prescrições da Torá, amar a Deus, o meu povo e a humanidade inteira; e para concretizar este meu ideal sublime não receio qualquer sacrifício.

Este elemento humano que representa pela nobreza do seu carácter a perfeição da criação Divina é o símbolo de “ para o Eterno” .

Mas existe também um elemento radicalmente oposto. É aquele ser humano cuja vida é claramente profana, cujos interesses nesta vida são de um materialismo vil, uma abjecção grosseira; o tipo de ser humano cujo maior ideal é o seu próprio ego, para o qual o meio ambiente não existe, porque ele é incapaz de dar algo de si.

Este tipo de homem vive na auto ilusão de ser um elemento útil à sociedade mas quem for capaz de deitar um olho para dentro da sua alma vazia e pobre, verificará facilmente que ele, coitadinho, não é mais que um bode isolado num deserto. Pois nós todos sabemos muito bem que existem não apenas desertos geográficos, mas também – e o que é mais lamentável – desertos espirituais, intelectuais, assim como existem climas que não dependem somente das condições atmosféricas, mas sim do calor das nossas almas e dos sentimentos de nossos corações. Este segundo elemento também não se importa em fazer toda a espécie de sacrifícios para alcançar o seu fim, mas é o fim próprio que distingue estes dois carácteres.

Enquanto para o primeiro o alvo é “ para o Eterno “ , a meta do segundo é orientada “ para Azazel “.
A cerimónia de sortear os bodes, oficiada no dia mais sagrado e pelo homem mais sagrado (o sumo-sacerdote) é talvez a mais bela e mais significativa demonstração de que o acaso pode ser um factor decisivo quando se trata de carneiros inocentes, mas nunca em relação ao homem responsável pelos seus actos. “

Mais à frente pode ler-se na Torá:

“… E falou o Eterno a Moisés dizendo: “ Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e lhes dirás: Santos sereis, pois santo sou EU o Eterno vosso Deus….” …”
Vaikrá (Levitico) 19: 1 e 2


A este propósito o Rabino Mendel Diesendruck escreveu o seguinte:

“Santos Sereis: Segundo Rashi (comentador mais importante da Torá) isto significa – “ afastai-vos de toda a espécie de imoralidade e da transgressão” – “

O Rabino Diesendruck retoma escrevendo:

“ O Judaísmo não conhece nenhum outro “santo” além de Deus. Em que consiste então a substancialidade de Deus? No “ser diferente”, no “ser fora” de toda a natureza e por isso na liberdade. A opinião que Deus Sive Natura é uma flagrante negação da doutrina básica do judaísmo. Fora da natureza é o reino da liberdade. “Santo” significa livre no grau mais transcendental. O homem nunca é fora da natureza; para o ser o humano só pode prevalecer sempre a “aspiração à santidade “, aspiração cujo objectivo é livrar suas acções de tudo o que é terrestre, material, fútil, mesquinho e profano, uma aspiração a que os seus sentimentos e desejos sejam determinados o máximo possível pela sua consciência divino-espiritual…”

O comentário é concluído com a seguinte afirmação:

“ Ser criado à imagem de Deus não é um facto consumado, mas sim uma elevada missão, uma potencialidade em constante desenvolvimento. “

Na mesma edição da Torá que utilizei e a propósito da mesma passagem os editores juntam o seguinte comentário:

“ Santos sereis: O homem não precisa de executar nenhum acto fora do comum ou feito extraordinário para ser santo. Em todas as esferas da vida o “fazer” e o “não fazer” de cada indivíduo é que o tornam santo. A singularidade do povo de Israel está no facto de que a vida e a santidade não são dois domínios separados. Quem deseja ser santo não precisa de se afastar da natureza, da vida, retirar-se da sociedade para ir viver no deserto, fechar-se asceticamente dentro de muros ou ir viver isolado para a floresta. Todos nós podemos ser “ um reino de sacerdotes e um povo santo” (Êxodo 19:6), e isso não se dará pelo afastamento ou renúncia da vida, mas sim através da santificação da vida, de acordo com o conselho: “ Reconhece-O em todos os teus caminhos” (Provérbios 3:6).”

Como podemos perceber destes comentários e do que atrás foi dito, no judaísmo é dado um especial enfoque ao homem como o decisor da santidade.

O Judaísmo preconiza valores e preceitos que permitem, se seguidos, ao homem tornar-se mais puro e mais santo, pois aproximam-no de Deus.

O homem tem a capacidade de progredir no caminho da sacralização por acção do seu livre arbítrio e vontade, cumprindo os mandamentos e preceitos e assim aproximando-se do seu Criador, à imagem do qual foi feito.

Este tema é no fundo uma das bases da sacralização pois podemos interpretar que o ter sido feito à imagem e semelhança quer dizer que lhe foi concedido raciocínio e poder de decisão.

Consequentemente o homem, ao contrário dos animais que agem por instinto, pode separar o bem do mal e pode escolher ser mais “santo” fazendo sobressair a centelha Divina que lhe foi incutida, ou por outro lado decidir uma vida mais profana.

É todavia importante perceber e diferenciar esta santificação do homem na religião judaica, da santificação / beatificação na religião Cristã. No judaísmo a Santificação é interior e exclusiva de quem segue o caminho dos mandamentos e será apenas reconhecida por Deus. Não existirá em caso algum a veneração de um homem por parte de outros homens.

Concluo com uma incerteza e uma certeza. A incerteza de vos ter trazido algo de utilidade, a certeza de ter aprendido com este trabalho e desta forma ter progredido um ínfimo passo no meu melhoramento.

Todavia se porventura a minha incerteza se tornar certeza então tenho que agradecer-vos pela oportunidade que me deram de dar mais um pequeno passo, neste caminho que todos deveremos levar no sentido da santidade.

Apenas com o trabalho interior de cada um independentemente da religião que seguimos poderemos de forma afirmativa progredir. A nossa progressão individual terá seguramente como consequência a progressão dos nossos semelhantes em direcção a um futuro que esperamos melhor.


José Ruah"

quinta-feira, agosto 11, 2016

Huzzé e a Barca de Rá

A MITOLOGIA EGÍPCIA
Os povos da antiguidade, os egípcios certamente são os mais estudados. Mesmo antes da descoberta da Pedra da Roseta, em 1799, a cultura egípcia já desafiava a curiosidade dos exploradores europeus. Riquíssima em personagens que possivelmente provêm de períodos anteriores ao dinástico (c. 3.100 a.C.), a mitologia egípcia sempre foi pródiga na criação de divindades, heróis, vilões e lendas para explicar não só acontecimentos corriqueiros do dia-a-dia, mas também para dar uma dimensão mágica às questões religiosas e espirituais.
Nas dezenas de séculos que durou sua civilização, tanto os personagens mitológicos quanto os relatos em que estes estavam envolvidos sofreram diversas mutações, adaptando-se às questões sociais e aos valores dos períodos históricos nos quais estavam inseridos. Assim, os mesmos deuses, semideuses e entes mágicos adquiriram personalidades, nuances e contornos diversos, tornando quase impossível uma descrição única de suas características ao longo das diversas dinastias. Hórus, por exemplo, uma das divindades mais antigas, assume tantos papéis e desempenha funções tão diferentes ao longo dos séculos, que se tentássemos montar um painel dos traços comuns a todas as suas versões, talvez acabássemos apenas com seu nome.
Uma civilização sofisticada como a do Egito, desenvolvida no calor inclemente do norte da África, tinha, como não poderia deixar de ser, um rico folclore em torno do trânsito solar[1]. Dentre os vários relatos fantásticos que contam histórias sobre o Sol, o da Barca de Rá ou Barca do Sol ocupa um papel de destaque. É contado em duas versões principais. A versão cosmológica é uma criativa tentativa de justificar porque o Sol nascia para iluminar o dia e se punha, trazendo a escuridão da noite. Já a versão mística, embora se valha praticamente dos mesmos personagens da cosmológica, busca explicar um dos maiores mistérios da criação: o que acontece depois da morte? Para tanto, elabora uma série de situações que descrevem a peregrinação dos mortos no caminho do além-túmulo, até alcançarem o direito a uma nova vida.
As duas versões envolviam cultos próprios, revestidos da maior dramaticidade. Ambas dispunham de rituais diurnos e noturnos. Os rituais noturnos, especialmente, eram imersos em tensão e comoção, na eterna dúvida sobre se o Sol nasceria pela manhã[2] ou, no caso da versão mística, se o morto poderia viver novamente.
O que veremos a seguir é como eram esses mitos e o que eles têm a ver com a Maçonaria e com o uso da palavra Huzzé.
A VERSÃO COSMOLÓGICA
O Sol do poderoso deus Rá já havia desaparecido atrás das montanhas ao longe, deixando como prova de sua passagem apenas o vermelho-alaranjado do céu e a silhueta das figueiras que, pouco a pouco, iam perdendo nitidez.
Na Barca de Rá tudo era silêncio. À medida que o Sol se punha e que as trevas do submundo (Duat) envolviam a nau, o medo e a apreensão se instalavam no coração dos tripulantes. A partir daquele instante, navegariam nas águas do caos. Rá, ao centro, mantinha sua serena austeridade, como a transmitir confiança aos companheiros de viagem. Todos tinham um papel a desempenhar. Destacadamente, a atuação de Heka, Set, Hu e Sia[3] seria determinante. Se vencessem Apep[4], a demoníaca serpente, novamente o Sol faria jus ao ressurgimento no leste. Para tanto, Heka garantiria que as magias praticadas contra Apep pelos sacerdotes tivessem eficiência plena. Set, por sua vivência marcial, asseguraria ao monstro um oponente cuja fúria estava à altura de sua malignidade. Sia traçaria os planos para a previsivelmente turbulenta viagem e Hu se encarregaria de verbalizá-los, comandando as ações e garantindo que fossem desempenhadas adequadamente. Além de terem a incumbência de zelar pela segurança de Rá, ambos, Hu e Sia, seriam os principais responsáveis por levar a viagem a bom termo.
As águas do caos pareciam calmas quando, repentinamente, um grito aterrador atravessou a escuridão. Tomada de surpresa, a tripulação mal havia se recomposto do susto quando a quilha da Barca bateu em algo que a fez adernar. Era Apep, que contorcia seu enorme corpo sob a pequena embarcação na tentativa de tombá-la e garantir desta forma que a escuridão eterna se instalasse no céu do Egito.
À medida que a noite avançava, mais intensas eram as sensações de que o naufrágio era iminente e maior o desespero. Bramidos alucinantes, urros encolerizados. Deuses contra monstro, luz contra trevas. Por horas a fio Hu e Sia, com manobras audazes, conseguiram evitar que as investidas de Apep tivessem sucesso. Mas estavam à beira da exaustão.
Já era alta madrugada e a serpente parecia perto de conseguir seu intento, quando Ra fez um sinal e Hu ordenou a Set que tentasse destruí-la.
A primeira oportunidade logo surgiu. Foi numa tentativa do descomunal réptil abocanhar Rá. Set saltou sobre ele como um raio e, valendo-se do elemento surpresa, tentou asfixiar a fera. O que se seguiu foi aterrorizante. Set e a serpente engalfinharam-se, revolvendo furiosamente as águas do caos e fazendo com que a Barca ficasse ao sabor das ondas e redemoinhos, quase soçobrando não fossem a precisão das orientações de Sia e a firmeza de Hu ao comandar. Lamentos, gemidos, gritos, ruídos indecifráveis. Terror. O cheiro do medo no ar… inquietação. Por fim, ao perceber a serpente extenuada pelos vãos esforços de afundar a Barca, pelas maldições que lhe foram lançadas e pelos golpes que lhe aplicara, Set conseguiu imobilizá-la e desferiu-lhe uma estocada sob a base da cabeça, matando-a instantaneamente.
Prova tua morte, ó Apep! Retrocede! Retira-te, ó inimigo de Rá! Cai! Sê repelido! Volta e recua! Eu te faço voltar e te corto em pedaços! Rá triunfou sobre Apep! Prova a tua morte, Apep![5], ecoavam os hinos no templo.
Trazido de volta à Barca, Set foi recebido com alegria pelos companheiros. Mas, acossado pela vaidade, ufanou-se de ter sido o único responsável pela morte da traiçoeira cobra, o que provocou a ira de Rá, que imediatamente o fez abandonar a embarcação, deixando-o numa das margens do caos.
Hu prosseguiu no comando, ordenando as manobras previstas por Sia, até que, finalmente, com Rá são e salvo, puderam concluir sua vitoriosa peregrinação pelo submundo. A estrela da manhã brilhava no céu. A despeito das dificuldades e obstáculos da viagem, a Barca de Rá, trazendo consigo o astro-rei, poderia novamente cumprir sua viagem no firmamento egípcio.
Os primeiros raios de luz apontavam no horizonte.
Reunidos num dos altares e banhados pela claridade, desgastados, mas ansiosos por aquele momento, os sacerdotes, num misto de alívio e intensa emoção, saudavam os principais responsáveis pelo feito. Ajoelhavam-se em direção ao nascente e exclamavam a uma só voz: Hu Sia! Hu Sia!, Hu Sia!
O Sol voltara a brilhar…
A VERSÃO MÍSTICA
Como dissemos antes, esta versão se utiliza basicamente dos mesmos protagonistas da versão cósmica, embora com diferentes ênfases.
O Sol da versão cósmica transforma-se aqui no morto que almeja o renascimento ou, como querem alguns, a libertação eterna. Para conseguir seu intento ele deveria, durante a vida, ter pautado suas atitudes pela pureza e pela correção.
O julgamento seria conduzido por Ma’at, agora à frente da Barca, garantindo, em primeiro lugar, que o coração do morto fosse pesado para avaliar suas ações. Fosse bom, e seria mais leve que uma pena. Caso a balança de Ma’at pendesse para o lado do coração, estaria condenado à escuridão e aos tormentos perenes no submundo que esperava os adeptos do mal. Um lugar de incessantes castigos, repleto de entes maléficos gerados pelas perversidades do mundo, que despiriam o corpo do falecido e destroçariam suas entranhas como abutres, deixando-o ao sabor da decomposição.
Os maus teriam seus corações arrancados e suas almas ba ficariam perdidas, sem terem como voltar ao corpo original. Ficariam entregues à sede e à fome, e só teriam acesso às águas pútridas emanadas das fossas da impiedade. Ma’at não mais ouviria suas súplicas e, como Set, teriam que deixar a Barca. Seu tormento jamais cessaria. Já os bons, veriam suas esperanças de renascimento se materializarem como um raio de luz ao amanhecer, enquanto os sacerdotes responsáveis por ajudá-los em sua vitória sobre a morte cantariam hinos e comemorariam exultantes. Celebrariam a força de Rá e saudariam aqueles que transportaram o morto pelas águas do caos e o levaram incólume ao seu auspicioso destino final, bradando: Hu Sia! Hu Sia! Hu Sia!
ECOS DE HU E SIA
Não temos como afirmar que a lenda da Barca de Ra era exatamente assim. Algumas versões posteriores transformam Ra em Horus e, ao que parece, surge por isso um novo relato para a epopeia da Barca, embora com moral condizente com a anterior. Os egiptólogos nos dão conta de que em algumas dinastias acreditava-se na existência de duas barcas, uma noturna (Mesektet) e outra diurna (Mandjet), cujas tripulações variavam entre si, embora na versão diurna Hu e Sia sempre estivessem presentes, em geral apresentados como uma dupla.
Até há algum tempo os estudiosos imaginavam que Sia e Hu pudessem ser personagens menores no panteão egípcio, mas as descobertas das últimas décadas mostraram que eram deuses importantes, e mesmo o Papiro de Ani, também conhecido como Livro dos Mortos, relata cerimônias realizadas em sua homenagem[6]. Sia personificava a percepção, o planejamento perspicaz. Hu representava a voz de comando, a fala que infunde respeito.
Indícios de sua influência podem ser encontrados na cultura árabe pré-islâmica, ondeUzza era uma deusa cultuada como uma das três filhas do deus supremo, protetoras da cidade de Meca. A tradição diz que era a estrela da manhã (Vênus), o que mostra que, de fato, está relacionada a Hu e Sia. Seu nome tem a mesma raiz de Izza, que significa glória.Os nabateus, povo ancestral semita, a consideravam a deusa da fertilidade. Uma notável surpresa para nós maçons é que, posteriormente, na época de Maomé, havia uma tribo numerosa, denominada Ghatafan, que reverenciava a acácia egípcia sob este nome[7].
Na mesma linha das semelhanças fonéticas, a tradição judaica menciona um certo Husai,Uzzah ou Uzziah, fiel conselheiro de Davi[8], e, mais tarde, o Sefer Zohar[9] refere-se aUzza como um anjo que se opôs à criação do homem. Já na Grécia,  Aristóteles utilizava a palavra Ousia para expressar as qualidades essenciais de algo.
É impossível garantir que todos esses nomes tenham Hu e Sia como origem, mas, certamente, alguns deles são repercussões da exaltação àquelas divindades nos vibrantes rituais egípcios.
As variações que julgamos potencialmente provenientes de Hu e Sia são aquelas que têm conotação de aprovação, regozijo ou júbilo – algo equivalente às interjeições salve ou vivaem português – ou que, de alguma forma, mostram semelhanças com o papel que ambos representavam nos mitos.
O CAMINHO PARA OS NOSSOS RITUAIS
A primeira citação de huzza na língua inglesa data de 1573. O Dicionário Oxford de Inglês diz que nos séculos XVII e XVIII huzza era um cumprimento ou saudação usada por marinheiros para homenagear quem embarcava ou desembarcava. Na realidade, uma interjeição exclamativa. Menciona-se também que a expressão era um grito repetido em uníssono, sincronizadamente, quando os marujos atuavam em conjunto para puxar os cabos das velas ou as amarras da embarcação[10].
Há relatos de que nos séculos XVIII e XIX três huzzas eram dados pela infantaria britânica antes das cargas, como meio de ganhar moral e de intimidar o inimigo. Há quem diga que eram dois huzzas curtos seguidos de um terceiro, mais longo, dado durante a carga final.
De todo modo, e embora não existam provas documentais sobre isso, é possível deduzir que, a partir do Egito, a reverência a Hu e Sia tenha se espalhado por todo o Oriente Médio, como ocorreu com várias divindades[11]. O Olho de Hórus, por exemplo, era – e ainda é – presença frequente na proa das embarcações mediterrâneas. Da mesma maneira, é bem plausível que Hu e Sia tenham se tornado, por motivos óbvios, inspiradores ou padroeiros dos navegantes da região e que seus vestígios tenham sido repassados a outros povos.
Foi dessa forma, acreditamos, que o brado utilizado no R.E.A.A. deve ter chegado aos marinheiros ingleses e depois, pelo fato da Inglaterra ser um país onde as atividades navais ocupavam grande destaque, passado ao resto da sociedade não só como exclamação de alegria e aprovação, mas também como designativo de união e atitude solidária. Disso, talvez, advenha sua adoção pela Maçonaria.
Mackey diz os que antigos manuscritos franceses do R.E.A.A. mencionavam a palavraHoschea como aclamação, que ele supõe que seja uma corruptela do Huzza inglês. No mesmo livro, apresenta um poema que parece ser um ritual em versos, datado de 1750, que diz numa de suas estrofes, “A multidão com três huzzés conclui.”[12].
O mais antigo ritual impresso do R.E.A.A., do ano de 1804[13], publicado na França, já faz menção à tradicional manifestação.
CONCLUSÃO
São várias as lições que podem ser tiradas do simbolismo subjacente à mitologia que envolve Hu e Sia. A mais evidente é que, como Sia, temos que desenvolver nossa sensibilidade e nossa capacidade de percepção para, com isso, podermos, como Hu, comandar nossa vida com sabedoria e serenidade. Outra, é que a vida é um ciclo que alterna claridade e escuridão e que, se nos momentos mais críticos tivermos tranquilidade e acreditarmos firmemente na superação dos obstáculos, voltaremos a navegar em águas plácidas, rumo a um recomeço ou, se preferirmos, um novo amanhecer. Outra ainda, é que, por mais sucesso que tenhamos em alguma atividade, nossas vitórias são resultantes, direta ou indiretamente, da participação de várias pessoas. Não reconhecer isso é sucumbir ao feitiço da vaidade, uma inimiga capaz de nos deixar à margem do que seria nosso processo de crescimento.
Por fim, talvez devamos admitir a participação divina em nossa evolução, embora reconhecendo que esta é, paradoxalmente, individual e precisa ser conquistada por cada um de nós, pelos nossos próprios esforços, mormente considerando que “há mesmo muito mais coisas entre o céu e a terra…”.
Para tanto, precisaríamos aceitar, também – porque se aguçarmos a percepção, como Sia, sentiremos isso em nossas vidas – que essa evolução se processe pelo enfrentamento corajoso das provas interpostas em nossos caminhos, todas elas cada vez mais sutis, exigindo decisões também sempre mais refinadas, que são aprimoradas e fortalecidas pelos valores e vibrações da corrente iniciática a que estivermos ligados nesse caminho até à liberdade.
Essas provas, das menores às maiores, sempre nos apresentam a opção de dois caminhos a seguir, como uma polaridade divina necessária, metafísica, evidentemente preservando nosso livre arbítrio. Mas isso todos nós já sabemos razoavelmente bem. O que difere esta concepção das demais é a constatação de que uma sequência de caminhos adotados equivocadamente, os chamados caminhos de esquerda – das paixões e intransigências – ilusórios e mais fáceis, pode nos levar à perda irreparável de valores edificantes, arremessando-nos irremediavelmente, perdidos, para dentro do velho e dantesco labirinto, em cujo portal está a sentença: “lasciate ogne speranza, voi ch’entrate[14]. Para evitar isso, é necessário fortalecer nosso Hu interior para que ele nos guie à senda da luz.
Essa dicotomia, entendida como instrumento de evolução, nos é transmitida pela sagrada iniciação e nos oferece um ciclo específico de experiências que precisamos viver e vencer para aprender como chegar ao reino dos céus conscientemente… entrar, enfim, num próximo ciclo por opção própria, jamais por intermediação de terceiros nas nossas relações com Deus.
Assim, a partir dessa divina dualidade, e segundo decisão pessoal inarredável, podemos construir nossas próprias pontes, saltando o abismo da morte definitiva, o labirinto onde poderemos ficar irremediavelmente presos, deixando no lugar de partida tudo o que já não se preste ao progresso ou que deva ser descartado para, quem sabe, aproveitamento em outro estado de evolução.
Entretanto, essa polaridade, inevitável, parece claro, nos oferece a salvação -gradativamente, em cada etapa do trabalho para a evolução da consciência – para nos tornarmos heróis de nós mesmos, verdadeiros Hércules, vencedores de todos os difíceis trabalhos que irremediavelmente se sucedem e precisam ser vencidos, como condição “sine qua non” para termos o direito de vivenciar o novo ciclo, como Hiram, que a cada nova volta do sol – ele próprio – percorre[15] as 12 colunas de vivências indispensáveis e conquista o direito de renascer para uma nova luz, sem que ela o cegue.
Será que é isso mesmo?! Ou isso é apenas o caminho de aproveitamento das energias que contemos, e que a verdadeira Maçonaria nos propõe, mas que, por não entendermos direito, desperdiçamos pela estrada da vida apaixonada, onde prevalecem as ilusões dos sentidos. “Chi lo sa?”[16]
Em resumo, é possível aceitar a mortalidade da alma humana que não alcança os níveis mínimos de consciência para o novo ciclo, nesta vida ou em futuras. Mas, destaque-se, faz-se referência aqui à alma universal – “mahatma” – que registra, para aproveitamento futuro, as experiências de todos que conquistam o direito de entrar na barca da salvação.
Disso tudo, evidencia-se a necessidade de conhecer, pelo menos em linhas gerais, “a constituição oculta do homem”, antes estudada nos excelsos colégios iniciáticos, ora levemente citada e simbolizada no avental maçônico.
Mas, ainda assim, os mistérios do pós-vida permanecerão.
Coincidentemente, o mito da Barca de Rá faz lembrar também os relatos daqueles que passaram por experiências de quase-morte: o túnel, a escuridão inicial, a luz magnífica, tangível, envolvente. Depois, a paz indizível, o encontro com entes queridos, a doce alegria, a ternura do amor.
Alguns cientistas defendem que estas impressões são apenas decorrência da privação de oxigênio ou da liberação de endorfinas em casos de trauma. Quem sabe? Se for assim, todos nós, quando chegar a hora, usufruiremos de sensações similares.
Pelo sim, pelo não, já não tenho dúvidas sobre o que fazer e dizer quando chegar lá. Levantarei meus olhos e, com o coração tomado pela gratidão, exclamarei tão alto quanto possa: Huzzé! Huzzé! Huzzé! … e   me deixarei levar pela divina luz!
Autores: Reinaldo Ramirez e S. K. Jerez
Notas
[1] – A maioria das civilizações desenvolveu mitos solares, que são aqueles que, como o nome indica, usam figurativamente o ciclo do pôr e nascer do sol como uma metáfora para a existência. Eles contam histórias de deuses ou heróis, mostrando que foram capazes não só de vencer seus desafios em vida, mas também de triunfar sobre a morte. As lendas de Hórus, Odin, Mithra, Prometeu, Thor, Osíris e muitas outras são consideradas mitos solares. Na Maçonaria, a lenda de Hiram é, por excelência, um relato solar.
[2] – Imagine-se o terror e o desespero das pessoas quando ocorria um eclipse solar.
[3] – Pronuncia-se também sei, esia e esie.
[4] – Apófis, para os gregos.
[5] – Passagem do Livro para derrotar Apep, compilado por egiptólogos.
[6] – Na sua tentativa de convencer Ma’at, a deusa da justiça, de que é merecedor de outra vida, o morto diz: “eu realizei as cerimônias de Hu e Sia”, como prova de ter cumprido obrigações religiosas.
[7] – Albert Pike, no livro Moral e Dogma, faz menção a essa reverência. Diz ele: “A Acácia genuína, também, é a espinhosa tamareira, a mesma árvore que cresceu em torno do corpo de Osíris. Era uma planta sagrada para os árabes, que dela fizeram o ídolo Al-Uzza, que Maomé destruiu. É um arbusto abundante no Deserto de Thur, e dela foi feita a “coroa de espinhos” que foi colocada na fronte de Jesus de Nazaré. É um tipo de planta que era associada à imortalidade por causa de sua tenacidade em manter-se viva, pois era sabido que, quando colocada como batente de porta, criava raízes novamente e estirava ramos floridos sobre a soleira.”
[8] – Crôn 27:33 e outros. Em português, Husai se transformou em Osias. Pode ser que o nome derive de Hu Sia, mas não há qualquer indício que possibilite esta conclusão.
[9] – O Livro dos Esplendores, obra cabalística hebraica surgida na Espanha, por volta de 1.280 d.C..
[10] – O mesmo dicionário sugere a possibilidade de que huzza seja proveniente da mesma raiz que hoist = içar. Parece pouco provável, mas mesmo isso não descarta a hipótese de que Hu e Sia tenham dado origem às duas palavras.
[11] – Sabemos que as mitologias grega e romana, que são muito bem documentadas, incorporaram inúmeros deuses e deusas originalmente egípcios.
[12] – The mob with three huzzas conclude, no original. É preciso lembrar que, neste caso, a palavra huzza pode estar sendo usada como sinônimo de saudação ou exclamação.
[13] – O ritual de 1804, em linhas gerais, reproduz os procedimentos praticados pelos maçons da Grande Loja dos “antigos” de Londres.
[14] – Abandonem toda a esperança, vós que estais aqui!
[15] – Na visão geocêntrica, adotada pela Ordem.
[16] – Quem sabe? em italiano.
Bibliografia
HARRIS, J. R., Boanerges, University Press, Cambridge, EUA, 1913.
MACKEY, A. G., Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences, The Masonic History Company, London, UK,1914.
MCCLENACHAN, C. T., The Book of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, Masonic Publishing Co., New York, 1884.
BOTTANI, A, CARRARA, M. e GIARETTA P., Individuals, Essence and Identity: Themes of Analytic Metaphysics, Kluwer Academic Publishers, Dordrecht, The Netherlands, 2002.
POE, M., Ancient Egyptian Metaphysicshttp://www.sacred-texts.com/bos/bos446.htm
GONZALEZ-WIPPLER, M., TheCOMPLETE BOOK of Spells, Ceremonies and Magic, Llewellyn Publications, St. Paul, MN, EUA, 2004.
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quarta-feira, agosto 10, 2016



O objetivo do Maçom em Loja é participar de Sessão Maçônica motivadora para realimentar sua alma na vivência do dia a dia. Sessões com assuntos administrativos reduzidos ao mínimo para sobrar mais tempo para degustar bons pensamentos em animadas atividades que visam o crescimento e a auto-educação. O tempo de instrução e estudos é a alma da Sessão Maçônica!

Cabe apenas aos Aprendizes e Companheiros Maçons a tarefa de manterem acesa a chama do pensamento maçônico? Aprendizes e Companheiros são pessoas sedentas de informações e conhecimentos ou os instrutores nas Sessões? Instrução é dever do Mestre Maçom! Ultimamente os Aprendizes e Companheiros, e só estes, por obrigação regimental, apresentam peças de arquitetura, trabalhos de cunho intelectual, visando aumento de salário. Por que os Mestres Maçons não se encontram motivados para tal? Faltam provocações! Carecem de debates e conversas informais dos assuntos da Maçonaria dentro e fora da Loja. Tristemente, é comum os Aprendizes e Companheiros ensinarem de forma proativa enquanto os Mestres Maçons dormem! Como aconteceu isto? Por que o Mestre Maçom está tão desmotivado? São as Sessões Maçônicas desmotivadoras! Ou o Mestre desce do pedestal em que ele foi colocado em resultado de Sessões monótonas ou deixa de ser o eterno e motivado Aprendiz ou deixa a Ordem Maçônica! Esta última é a realidade universal!

Mestre motivador e motivado nasce do atrito com os outros intelectos que o acompanham numa Sessão Maçônica, daí a importância de debates. A tarefa dos debates por pensamentos em animadas argumentações é arrancar lascas de imperfeição das pedras uns dos outros, o polimento exige trabalho, atividade em equipe – não é assim que são formadas as pedras roladas dos fundos de rios? Uma pedra vai batendo na outra até que todas adquirem formas harmoniosas, quase lisas, nunca perfeitas, apenas aperfeiçoadas. São pancadas ora suaves ora bruscas, mas continuas! Cada pedra mantém sua forma própria e reflete a luz com maior ou menor intensidade, dependendo de quanto ela rolou em contato com outras pedras maiores e menores, até com pedras tão pequenas com o grãos de areia. Todas se modificam pelo atrito constante. Não há necessidade de erudição elevada, apenas conhecimento médio já é suficiente numa motivadora Sessão Maçônica, é semelhante à diversificação das pedras do fundo dos rios. Em verdade, basta apenas uma mente sadia – qualquer mente humana! O objetivo deve ser o canteiro de obras movimentado onde cada Obreiro é Aprendiz, um eterno Aprendiz, mesmo que seja apenas um grão de areia em erudição ele vai influir no pensamento de seu Irmão.

Promover debate em Loja é retornar à prática da Maçonaria Especulativa, que preconiza o filosofar, o estudo teórico, o raciocínio abstrato e investigativo, que usos e costumes deturparam a ponto de descaracterizar as Sessões Maçônicas. Urge despertar nos Irmãos a salutar capacidade em desenvolver o pensamento em animadas discussões das coisas da sociedade e da Ordem Maçônica. O propósito central das Sessões motivadoras é eliminar o inconformismo gerado pelo comparecimento semana após semana em Loja apenas para ouvir o som seco, duro, impessoal dos Malhetes, em detrimento do trabalho no polimento das pedras chocando-se umas nas outras no exercício do pensamento. Sessões sem debate e instruções mecânicas revelam perda de tempo; são vazias e sem propósito; devem ser excluídas do Templo. O Obreiro da pedra deve terminar seu dia em Loja com algo novo e consistente dentro da mochila que ele leva de volta para casa. Urge acabar com a mente desocupada, oca, vazia, cheia de lacunas em resultado de atividade passiva e deixar a capacidade de pensar fazer sua parte na construção do Templo ideal da sociedade, onde cada homem é apenas uma pedra. Atividades motivadoras, pranchas, em Loja levantam a Egrégora, um campo de força do pensamento em uníssono e vibrante, algo revelado no brilho dos olhos dos participantes. Como é possível ver os olhos do Irmão que dorme o sono dos anjos? O objetivo da Maçonaria é despertar o equilíbrio da razão, emoção e espiritualidade – quando poderão fazer isto, se suas mentes estão adormecidas pelo enfadonho e repetitivo som monótono das mesmas ideias repetidas vez após vez?

O Obreiro deve voltar à prática do salutar e edificante afiar da espada, a língua, e praticar o manuseio do Maço e do Cinzel, dar tratos à capacidade de pensar, que há muito foi substituído por outras atividades nada motivadoras; mesmices, tão entediantes que apenas embalam o sono dos ouvintes passivos. Temos que incrementar a qualidade das Sessões Maçônicas de modo a torná-las motivadoras de tal forma que estabeleçam contágio para edificantes conversas entre Irmãos,e que o faça querer voltar a loja na outra sessão, o que é de fato o real objetivo da Maçonaria Especulativa com sua filosofia e liturgia.

Mestres Maçons devem ser compelidos na confecção de peças de arquitetura? Não! Ninguém é obrigado a fazer nada além do determinado pelas leis que regem a Loja. O Mestre Maçom só confeccionará peças de arquitetura quando estiver inspirado para isto. Tais construções surgem no canteiro de obras principalmente se esta for a sua vontade e depois do Obreiro se ver provocado por novas inspirações provindas em Loja dos Irmãos, das outras pedras, pedriscos e grãos de areia.

O templo é o mesmo, as músicas e o ritmo é que devem mudar. O templo será alegre e trará prazer aos maçons se a Sessão for motivadora e entusiasta! O que interessa é cada maçom dar o que tem de bom em si e animar o loja ao sabor de seus pensamentos temperados com alegria. O que se objetiva é alimentar com o sadio, construtivo e consistente alimento da filosofia maçônica. A sede de conhecimento maçônico deve ser aplacada para que o homem produza frutos. O gênio da motivação vem do ritmo impelido pelos maçom , onde todos participam da loja e ao mesmo tempo ensinam com seus pensamentos, sonhos e até devaneios. E assim, os maçons vão se movimentando no templo construído à semelhança de um rio, onde cada pedra lustra a outra para honra e a glória do Grande Arquiteto do Universo.










segunda-feira, agosto 08, 2016

"O Ramo de Acácia"

Quem me conhece sabe que não sou dado a grandes explicações simbólicas, nem tão pouco tenho seguido a via do esoterismo.

Acredito que as coisas têm um fundamento e que esse fundamento poderá ser encontrado na História, nos Usos e Costumes, ou em Livros Sagrados.

O que fazemos com as coisas pode derivar da interpretação dada, tenha ela sido a mais correcta ou não, ou simplesmente diferente.

Hoje decidi pegar na Acácia.

A Maçonaria elegeu como um dos seus símbolos a Acácia, outros, e apenas a título de exemplo, são o Esquadro e o Compasso.

Porquê a Acácia e não o Cedro? Sabemos pela tradição e pela História que estas madeiras foram usadas no Templo de Salomão, base simbólica da Maçonaria Especulativa tal como a conhecemos actualmente.

Aliás o Cedro é muito mais mencionado como material de construção do Templo que a Acácia, mas não é utilizado na simbologia Maçónica.

E a Acácia, ou mais propriamente o Ramo de Acácia (Inglês: Sprig; Francês: Rameau) passou a ser claramente um símbolo.

As primeiras referências à Acácia aparecem no Antigo Testamento no Livro do Êxodo. Aqui Deus determina que será esta a madeira e não outra a que será utilizada para a construção da Arca a Aliança onde estão depositadas as Tábuas da Lei, bem como para a construção da mesa Para os Pães da Preposição e outros objectos de culto utilizados naquele que foi na verdade o primeiro Templo.

Não um templo de pedra como o que o rei Salomão constrói ( ou manda construir), mas um templo móvel que era erguido nos acampamentos do Povo Judeu.

A estrutura deste Templo Móvel é depois emulada por Salomão para a construção do Templo em Jerusalém, respeitando as proporções e os compartimentos. Nesse Templo foi depositada a Arca da Aliança e os demais objectos de culto.

Ora o Templo era revestido a cedro, mas os Objectos de Culto em Acácia.

O termo hebraico é Shittah e pensa-se que referencia a espécie de Acácia hoje conhecida por Nilotica ou Seyal. Sendo que na região também existem a Albida, Tortilis e Iraqensis.

Mas esta referência é à madeira de Acácia. Todavia como já disse antes o Símbolo é o Ramo de Acácia.

E as referencias ao Ramo de Acácia aparecem também relacionadas com os Hebreus, mas não com o Templo.
De entre as tribos do Povo Judeu uma originou a linhagem dos Sacerdotes. Primeiro no Templo móvel e depois no Templo de Jerusalém. Ora por uma questão religiosa estes Sacerdotes não podiam aproximar-se de cadáveres humanos e por consequência das respectivas campas.

Na altura os cemitérios não estavam tão organizados como actualmente e os defuntos eram inumados nos terrenos fora das cidades mas muitas vezes sem critérios de localização. Ora isto representava um problema para os Sacerdotes pois para cumprirem os preceitos religiosos tinham que saber onde estavam essas campas.

Como sabemos a Acácia é considerada em muitos sítios uma praga, pois precisa de poucos recursos para viver e em caso de incêndio é a primeira planta a aparecer, não deixando que as espécies autóctones voltem e assim causando desequilíbrios ambientais.

Esta característica seguramente levou a que as campas passassem a ser marcadas com um Ramo de Acácia para assim serem facilmente reconhecidas pelos Sacerdotes.

Daqui à Lenda de Hiram é um passo, pois a lenda situa no espaço e no tempo a estória da morte de Hiram , espaço e tempo que são os que acabo de referir , Jerusalém na época da construção do templo.

Na Lenda Hiram é assassinado e o seu cadáver enterrado fora da cidade para encobrir o crime. Todavia a regra mandava marcar a sepultura com um Ramo de Acácia.

Temos aqui a ligação.

Hoje o ramo de acácia continua a ser usado como símbolo, sendo que e tanto quanto consegui perceber é o Ramo da Acácia Nilotica ou Seyal, ou eventualmente o da Acácia Robinia.

Ficam aqui as imagens de cada um deles e cada um de vós que tire as conclusões.
Acacia Nilotica
Acacia Robinia
Bela, Recatada e do seio de uma Loja Justa e Perfeita .
A mulher e a Maçonaria: parte 1

Por  Bárbara Rocha
Após uma breve reflexão sobre uma pergunta de reconhecimento entre maçons, que se refere “De onde vindes?”, me vejo novamente buscando nos fatos e atos passados compreensão para questões do presente.
Há algum tempo ouvi, que a Maçonaria é a escola mais perfeita e completa que existe e já existiu. Ela traz em seu âmago a essência de todo o conhecimento divino das grandes escolas de mistérios. Seus ritos trazem o desvendar de mitos sobre a natureza humana e a natureza espiritual, ela nos instiga a acender a centelha divina adormecida dentro de cada um de nós.
Quando falamos em maçonaria tradicional não nos referimos apenas a tradição de preservar determinadas regras e costumes, pois vai mais além, nos remetemos a passar á diante o fogo de Prometeu e não permitir que ele nunca  se apague.
Falar sobre as origens da maçonaria é algo um tanto que complexo, uma vez que este tem sido o tema de muitos estudiosos e pesquisadores. O que não podemos acreditar é na triste ilusão  que ela tenha sido criada em 1717 com a fundação da Grande Loja de Londres, pois sabemos que ela já era praticada há alguns séculos anteriores nos países do Reino Unido ( Escócia, Grã-Bretanha, etc) assim como na Itália e Alemanha.
Mas vamos voltar ao objetivo desse estudo: o nascimento da Maçonaria Feminina!
Alguns escritores fazem alusão ao nascimento das lojas femininas com o surgimento do movimento feminista, o que não é. De alguma forma esse argumento pode ter dado bases mais firmes para o estabelecimento das lojas no século XIX. Porém, ao voltarmos nossa pesquisa para documentos mais antigos da maçonaria operativa, vamos notar que as mulheres já trabalhavam como “obreiras” segundo um dos documentos mais antigos e respeitados intitulado como Poema Régio ou Manuscrito de  Halliwell de 1390[1] que em alguns pontos de seus artigos deixa claro o trabalho entre “irmãos e irmãs”, citando os deveres e a forma de trabalhar entre os maçons.
Os ensinamentos ocultos da maçonaria também se embasam nos ensinamentos  primitivos da “árvore da vida” (judaísmo e cristianismo primitivo). No templo encontramos na sua figuração simbólica duas colunas: J e B, uma referindo-se ao aspecto lunar, coluna negra, e a outra ao aspecto solar, coluna branca, nos mostrando que as forças do universo são compostas pelo movimento feminino e masculino, positivo e negativo, dia e noite.
Segundo os ensinamentos herméticos, as colunas simbólicas estão também relacionadas à lei de Gênero como vemos a seguir
O Gênero está em tudo; tudo tem o seu principio masculino e o seu principio feminino; o gênero se manifesta em todos os planos”.
Este principio encerra a verdade que o gênero é manifestado em tudo; que o princípio masculino e o princípio feminino sempre estão em ação. Isto é certo não só no plano físico, mas também nos Planos Mental e espiritual. (O Caibalion)
Apesar das pesquisas sobre maçonaria feminina ser algo mais recente, ela sempre esteve presente na história de forma oculta ou revelada. A dita “proibição” das mulheres na maçonaria é algo recente. Corroborando as palavras de Mellor (1976, p. 99 e 100) nos diz que
Nenhuma exclusão das mulheres estava escrita nos Old Charges [2]. A regra mencionada, consequentemente, não procedia absolutamente de “tempos imemoriais”, mas sim, do primeiro quarto século XVIII,. Ela aparece nas Constituições de Anderson de 1723, pela primeira vez na história. Longe de ser um Landmark, ela é uma inovação.
          É importante salientar que essas “inovações’” vão contra os próprios princípios da Maçonaria como podemos perceber em um estudo minucioso dos manuscritos que a compõe.
A mesma Landmark que proíbe mulheres, proíbe também escravos e aleijados (Mackey, 1807-1881). A maçonaria é uma Ordem evolutiva e progressista, não existem mais escravos á não ser aqueles que servem apenas a sua própria ignorância e paixões. Segundo o primeiro artigo da Constituição de Anderson (antes das aproximadamente 15 alterações) a exclusão das mulheres não lhes tirava o direito de serem maçons, mas de prevenir outros tipos “paixões” como veremos
Deveres prescritos aos maçons livres
Aqueles que são admitidos como membros de uma loja devem estar imbuídos de uma grande fidelidade, devem ser livres e de idade adulta. Um escravo, ou um homem de costumes escandalosos e reprováveis não podem ser admitidos à Fraternidade: as mulheres também são excluídas, mas apenas por causa dos efeitos que seu mérito produz muito frequentemente sobre os melhores irmãos.
            Poderíamos nos aprofundar em muitas reflexões de moralidade sobre esta questão. Muitos dos homens que estiveram no comando da maçonaria, principalmente entre o século XVIII e XIX, mantinham dentro dela interesses políticos e religiosos, a mulher nesse período encontrava-se de alguma forma a mercê de seus direitos por conta de dogmas puramente religiosos de submissão.
          Voltemos aos tempos remotos das primeiras escolas de mistérios[3] onde homens e mulheres passavam por longos processos de purificação e recebiam ensinamentos sobre vida, morte e o Universo. Segundo a definição da Wikipedia, embasada em textos  de Blavatsky,diz que
Os Mistérios eram, em todos os países nos quais eram praticados, uma série de representações dramáticas, onde a cosmogonia e a natureza oculta eram personificadas por sacerdotes e neófitos, desempenhando o papel de diferentes deuses e deusas, repetindo alegorias (cenas) de passagens de suas vidas. As encenações eram posteriormente explicadas aos candidatos em seu sentido oculto e incorporadas às doutrinas filosóficas e a vida cotidiana.
          A mulher cabia o papel de iniciadora. Era ela que mantinha o fogo sagrado dos mistérios de Eleusis aceso, e por iniciar os homens nos sacerdócio. As antigas religiões também celebravam os ritos da natureza e de fertilidade como forma de representar o processo iniciático da deusa e do deus (que pode variar o nome de acordo com as culturas dos antigos povos).
          As estatuetas de Vênus datada da pré-história eram também uma forma de representar o poder da mulher entre os povos. Ela era representada com seios grandes e abundantes, quadris largos , representando a geração e a fertilidade. A Grande mãe que gera, “pari” e alimenta seus filhos.
          As atribuições do homem e da mulher eram bem definidas nas sociedades primitivas. A mulher como matriarca cuidava dos assuntos referente a agricultura e organização das aldeias. Ao homem eram atribuídas atividades de caça e pesca, levando o sustento para as aldeias, ou tribos.
          Alguns escritos da Antiguidade Grega e Romana, a mulher não podia participar de discussões políticas, salve algumas cortesãs e algumas filósofas notáveis como  Hipácia (Hipátia), [4] e Maria a Judia [5].
          A figura da “mulher submissa” como conhecemos hoje em dia nasceu na Idade Média. Com a propagação de uma nova e única religião criada através de um acordo político com Concilio de Niceia em 325 d.c, tudo o que iria contra a nova doutrina e que abalasse a nova “fé”, passaria por um processo inquisitório criado pela própria Igreja. Dessa forma começam a dissipar a sabedoria das antigas religiões conhecidas como pagãs, derivado do termo “pagus”, referente às aldeias afastadas da cidade. 
          A figura feminina era representada sob três aspectos: Maria, o ideal de pureza , representado pelas mulheres que abandonavam suas vidas para viver em conventos; Maria Madalena, representava o ideal de arrependimento, ou seja, aquelas mulheres que para se redimir dos seus “pecados”, entregavam seus bens a Igreja e começariam a viver uma vida sob a conduta religiosa. E por fim a representação de Eva, que representava o mal personificado, a porta de acesso do pecado, eram normalmente as mulheres julgadas por bruxaria, que não tinham mais salvação. Os julgamentos eram feitos de acordo com o Malleus Malleficarum [6] .
          Compreendendo um pouco mais sobre a questão do papel da mulher ao longo dessa breve passagem histórica, podemos concluir que a mulher não está lutando pelo seu papel dentro das Ordens Iniciáticas, mas sim, reconquistando o seu lugar, reconhecendo novamente seu poder e sua essência que por algum tempo foi suprimida por uma cultura de subterfúgio patriarcal.
          Sabe-se que muitos documentos não apenas da história da maçonaria feminina, como da maçonaria em si se perderam, foram queimados, escondidos e até mesmo alterados. Nem todos os documentos existentes ainda foram traduzidos e divulgados, por isso existem grandes dificuldades em fundamentar trabalhos científicos referente ao assunto.
          Dentro dos registros históricos, podemos citar como primeiras maçons, Margareth Wild (1663) ainda na fase operativa da Maçonaria. Em 1696, encontram-se relatos de duas viúvas iniciadas. Um dos nomes mais notórios é o de Mary Banister (1713-1714), uma filha de um barbeiro que trabalhou como aprendiz por sete anos, recebendo posteriormente seu aumento de salário. Existe um documento intitulado Ms York, de 1693, escrito em inglês arcaico que diz “ Um dos antigos pegara o Livro (da lei) e aquele e aquela que vai ser recebido como maçom pousará suas mãos sobre ele, e o preceito estará dado” São poucos os registros de nomes femininos referentes a este período, mas muitas são as referências sobre as iniciações maçônicas de homens e mulheres, sem distinção de gênero, reconhecendo-os como iguais perante as três grandes Luzes da Maçonaria.
Lembrando que segundo o artigo 1° da Constituição do Grande Oriente da França: (Mellor, p. 145)
Art.1. A Franco Maçonaria, instituição essencialmente filantrópica, filosófica e progressista, tem por objetivo a busca da verdade, o estudo da moral e a prática da solidariedade. Ela trabalha pela melhora material e moral, pelo aperfeiçoamento intelectual e social da humanidade
          Não podendo negar a existência dessa história, surgem em meados de 1725, as chamadas Lojas de Adoção, para a participação de mulheres, sendo os ritos realizados por homens. Uma das primeiras Lojas de adoção, foi a Loja “Nove Musas”. A ideia se espalhou rápido por toda a França, Itália e Alemanha. As lojas de adoção abriram espaço para que as mulheres pudessem iniciar-se também nos altos graus da maçonaria. Uma das primeiras iniciadas neles, foram J.B Wllermoz, de Lyon, Mille Mochete e também a esposa de Cagliostro, que juntos fundaram os ritos da Maçonaria egípcia.
Com o tempo as lojas de adoção foram enfraquecendo com conflitos políticos que surgiram durante a época de trabalho destas Lojas. Em 1865, o venerável mestre da Loja “Marte e as Artes”, Léon Richer começa sua campanha pela iniciação de mulheres e criação de lojas femininas.
Em 1880, iniciou uma nova revolução dentro da maçonaria, a Loja “Os livres Pensadores” decide iniciar a primeira mulher dentro do rito tradicional REAA. Foi Maria Deraimes uma literata e mulher livre e de bons costumes, com laços estreitos de amizade com Léon Richer convidada a iniciar. Sua iniciação aconteceu no dia 14 de janeiro de 1882, na loja Os Livres Pensadores sob o malhete do ir. Houbron. Suas palavras após o rito de iniciação foram “ Meus Irr.´., a porta que me abristes não se fechará após mim, e toda uma legião seguir-me-á.”


Muitos questionamentos surgirão desde sua iniciação, nenhuma mulher foi iniciada após. Maria Dereimes usou os seus livros, formas para propagar e explanar suas ideias e indignações. Após 10 anos, junta-se a Gaston Martin, fundador do Direito Humano “Le Droit Humain” [7] (uma obediência maçônica) criaram a primeira Loja feminina (que se tem registros históricos)
Em 1935 na Assembleia Geral do Grande Oriente da França, foi formalizado a emancipação das lojas femininas, ou seja, no ato foi realizado uma transição de “lojas de adoção” para “lojas excepcionalmente femininas”, dando a plena autonomia do trabalho nas oficinas maçônicas. Podemos acompanhar um trecho da ata de 1935,  transcrito por Mellor. (1976, p.128 e 129)
A Assembleia Geral da Grande Loja da França, ao afirmar, mais uma vez, seu desejo em trabalhar em favor da emancipação da mulher;
Decide conceber ás suas Lojas de Adoção a mais completa autonomia, auxiliando-as na criação de uma maçonaria exclusivamente feminina, que tenha por finalidade a reabilitação moral, intelectual e  social da mulher, por tanto tempo mantida sob tutela de acordo com os costumes e legislações; [...]
A Assembléia Geral será presidida por um Conselheiro federal, o Grão-Mestre da Grande Loja da França, ao término da Assembléia, será portador da adesão da obediência á criação da Franco-Maçonaria feminina independente .[...]
Confia em que as Irmãs pertencentes ás Lojas de adoção, por unanimidade, tenham o nobre orgulho de colocar lado a lado a Maçonaria feminina e a Maçonaria masculina em um plano de igualdade; que elas possam tornar belas e viáveis as Lojas femininas, cientes de que seu zelo e seu entusiasmo aumentam na proporção da grandeza de seu trabalho, e cientes também de que é através desse trabalho que elas são iniciadas, segundo a formula de seu Ritual: “ o adepto é aquele que vence pela vontade e pelas obras.”

E então minhas irmãs, de onde vindes? É necessário conhecer a nossa história, não para lutar por ideais profanos de igualdade, mas para despertar nossa consciência e nossa essência e nosso papel dentro desse universo tão justo e perfeito que é a Maçonaria. Que possamos sempre caminhar em direção a Sabedoria, sustentar nosso Templo com Força e adorna-lo com Beleza.
Lembremo-nos de nossas raízes, para poder espalhar nossas sementes.
Nossa história está apenas começando....


Referência Bibliográfica
MELLOR, Alec. Os grandes problemas da atual Franco-Maçonaria- Os novos rumos da franco-maçonaria. São Paulo. Ed. Pensamento, 1976.  




[1] O texto original foi grafado em inglês arcaico, com letras góticas, sobre pele de carneiro. É composto por 64 páginas, contendo 794 versos. A data de sua produção, segundo especialistas, estima-se como sendo situada na década de 1390, apesar de que, supõem-se que tenha sido copiado de um documento mais antigo. O autor é desconhecido e o local de origem, segundo o historiador maçônico Wilhem Begemann, é a cidade inglesa de Worcester (fundada em 407 DC). (fonte : http://www.ocultura.org.br)
[2] As Old Charges ou Antigos Deveres ou, ainda, Antigas Obrigações são, na verdade pergaminhos ou documentos escritos usados, a título de Constituição, pelos Maçons Operativos das Lojas de Talhadores de Pedra.
Atualmente o número desses manuscritos, conhecidos e reconhecidos como autênticos, já se aproxima dos cento e quarenta, dentre os quais, destacam-se: Carta de Bolonha (1210),O Poema Regius, de 1390, também chamado de "Manuscrito de Halliwell" (pode ter sido uma cópia de meados de 1.150) ; O Manuscrito de Cooke, de 1410; Os Estatutos de Schaw, de 1598; O Manuscrito de Inigo Jones, de 1607; O Manuscrito de Kilwinning, de 1665; O Manuscrito de Aitchison-Haven, de 1666; O Manuscrito de Melrose, de 1674.
As Old Charges, por sua importância histórica, serviram para estabelecer na Inglaterra a existência de uma Maçonaria organizada antes da fundação da Grande Loja de Londres, embora com finalidades diferentes das que são hoje conhecidas, tendo, por isto mesmo, influído de modo marcante para a organização da Maçonaria Especulativa.

[3] As escolas de mistérios  tem sua origem nas antigas culturas da Pérsia, Grécia, Egito, Babilônia, Suméria, ECT.
[4] Cultivou superiormente as matemáticas e a filosofia. Manteve viva a chama do pensamento helênico de raiz ateniense numa Alexandria dilacerada pelas lutas religiosas. Foi brutalmente assassinada por uma multidão de religiosos fanáticos. Deste período podemos citar também, Safo de Lesbos (VII-VI a.c); Theano (546 a.c) Aspásia de Mileto (470-410 a.c)
[5] Viveu em Alexandria, seguidora do culto de Isis é considerada como a fundadora da alquimia. Entre os escritos está o livro de Magia Prática. Atribui-se a ela a descoberta do ácido clorídrico e é em homenagem às suas descobertas com o ponto de ebulição da água o nome de banho-maria.
[6] Livro criado através de uma bula papal, em  aproximadamente 1486, na Alemanha. O livro é dividido em três partes; na primeira, relata as propriedades do demônio e sua ligação com a bruxaria; a segunda trata de como lidar com os malefícios durante o dia-a-dia; finalmente, a terceira parte faz a descrição de como proceder aos julgamentos e como cumprir as sentenças.
[7] O Direito Humano (ou Le Droit Humain) é uma Obediência Maçônica (1) que se constituiu pelo esforço conjunto de Maria Deraismes e Georges Martin (2) bem como outros Homens e Mulheres iniciados, os quais conscientes da necessidade de estabelecer uma Igualdade real entre o Homem e a Mulher, fundaram esta Ordem com o intuito de trabalhar para o desenvolvimento de correctos valores e princípios em Templo Maçônico e que se projetassem na Vida, tal vanguardismo pode ser medido ainda hoje pela postura existente na sociedade mundial, em que o homem e a mulher não têm, de facto, os mesmos direitos e deveres, nem mesmo na maioria dos países em que tal está consignado nas suas Leis. (fonte: http://www.maconaria.net/)