sábado, dezembro 31, 2011

O Sagrado Masculino




Estamos em um momento decisivo para a nossa existência na terra, não somente do ponto de vista ambiental, e/ou místico, mas num sentido social, de relações. A humanidade a tempos vem se ferindo em nome da ganância, em nome do controle e motivada pela falsa imagem do poder, pela ilusão de controlar e governar.
                Violência, fome, pobreza, miséria, guerra, preconceito e muitas outras coisas, tudo são patologias sociais, conseqüências de uma desarmonia onde o maior conflito se originou no momento em que nos afastamos da natureza, no momento em que nos afastamos de nós mesmos.
                Esta distância no fez esquecer de quanto tudo ao nosso redor é sagrado, quando o mar era uma divindade, as praias não eram poluídas, quando as florestas eram divinas, as matas não eram destruídas de uma maneira desenfreada. Com isso esquecemos o quanto somos sagrados e perdemos o respeito uns com os outros. Os anciões não são mais respeitados, nossas mães e pais são obstáculos, nossos filhos mimados, as mulheres inferiorizadas, os homens supervalorizados, o sexo banalizado, o amor idealizado.
                Na 23ª hora re-surge uma religião antiga, onde a terra é viva, onde tudo ao nosso redor é divino e cada um carrega dentro de si uma centelha divina, um Deus, uma estrela, uma flor mística. Uma religião que re-liga cada um com o natural, uma religião que nos re-liga as nossas responsabilidades e nos re-liga uns aos outros, uma religião de relações e relacionamentos, a Religião da Grande Mãe.
                Denominar uma religião de Matriarcal não significa excluir o masculino, que é uma religião exclusiva das mulheres, muito além disto! Valoriza o poder criativo e transformador, a força de dar a luz e nutrir um mundo melhor, a Mãe Divina é adorada pois é através Dela que surgiu a criação, mas não sem a ajuda de um parceiro. É uma prática espiritual que vem justamente fazer um contraponto ao Patriarcado que com suas idéias e ideais de dominação e repressão nos trouxe até este momento,  é um olhar mais natural ao cotidiano.
                Não sem razão tem existido um movimento intenso e cura das mulheres, para sarar as feridas e resgatá-las dos porões sociais e libertá-las das correntes que lhes foram impostas por crenças que as consideravam impuras e as menosprezam, vistas apenas como um pedaço de carne, um tentador e luxurioso pedaço de carne.
                Mas não estou aqui para falar delas, pois isto já tem sido feito com sucesso e brilhantismo por várias pessoas fantásticas no Brasil e no mundo. Estou aqui para falar das feridas masculinas que muitas vezes são demonizadas e ignoradas.
                Os homens modernos não sabem o que é ser homem hoje em dia. Vivem as custas de um ideal imposto que os priva de desejos e necessidades, estabelece rotas seguras mas idealizadas de comportamento, objetivos vazios e frustrantes. Suas angustias reprimidas são expressas através da violência e do abuso. Refletem nos outros os abusos feitos pela sociedade, opressão, dor e violência.
                Os homens precisam ser curados, sua função divina seu potencial masculino foi reprimido e desviado, suas virtudes foram poluídas e desvirtuadas.
                A cura do homem vem através da Deusa, e o que ela nos mostra? O Deus! Os homens precisam encontrar o Deus, precisam de idéias, modelos, inspirações sadias e fortalecedoras para que ao encontrar a Deusa e seu potencial possa desabrochar e a harmonia possa ser restaurada, em cada um e num todo.
                Por isso em 2012 será um dedicado ao resgate do sagrado masculino, a idéia é preparar rituais e exercícios para conectar Deuses a Homens, para repensarmos a masculinidade num campo onde predominam as mulheres, esta idéia vem para mostrar aos homens uma forma de praticar uma espiritualidade focada no Sagrado Feminino sem que se perca a identidade masculina. 
                O Deus se manifesta através de ações, atitudes e auxilia em situações de conflitos internos e externos, fecundando escolhas e derrotando inimigos morais e reais. 

quinta-feira, dezembro 29, 2011

A Força do Avental de Aprendiz

Começo esta manhã transbordado de emoção.
Hoje, ao revirar minhas gavetas, descobri algo que parecia estar no varal do tempo.
Tive necessidade de limpar meu armário. Digo meu armário, pois nele só eu mexo. Lá, depois de tentar encontrar o que desejava, minha paciência parecia estar se esgotando.
Resmunguei muito. Quis brigar com o mundo, por não ver o que tanto queria.
De repente minha mão toca naquilo que eu não procurava, mas ali estava para me voltar à razão.
O varal do tempo me entregava a calma, a paz, a tranqüilidade.
Faz tanto tempo, mas parecia que foi ontem que eu o recebi.
O meu Avental de Aprendiz, minha maior relíquia, meu maior troféu ganho em toda a minha vida, me esperava.
Esqueci-me do que procurava. Com cuidado do mesmo Aprendiz que viu as espadas cintilando pela primeira vez ou a minha emoção de ver a luz como o verdadeiro Maçom, segurei-o.
Ah! Meu avental...!
Quanta saudade ao recebe-lo tão branco, tão puro.
Hoje, não está mais tão branco, mas continua puro, pois o meu trabalho na Pedra Bruta não foi em vão.
Ah! Meu Avental!
Dizer que tive vontade de lava-lo, para continuar sempre alvo, demonstrando todo o meu orgulho, todo erro.
Ah! Meu Avental!
Quantas vezes eu acariciei como a um filho nas minhas aflições antes das reuniões.
Há quanto tempo você estava esquecido nesse armário.
Há quanto tempo não nos víamos, não nos tínhamos um ao outro.
Ah! Meu Avental de Aprendiz!
Hoje nosso reencontro tem, com certeza, uma lição para mim.
Sei que não devo olvidar quão importante foi meu inicio.
Sei também que nosso encontro é para lembrar que devo sempre voltar e rever os ensinamentos, para que o orgulho e a vaidade não se apoderam de mim me mostrando o outro que não sou.
O avental de Aprendiz não pode ter o pó dos vícios, da ganância, da maldade.
O avental do Aprendiz é a satisfação da conquista, não o orgulho do poder.
Ao tocar o meu avental, volto a aprender ser humilde, a não deixar de lado tudo aquilo que foi tão caro, tão bom.
Quanta saudade, meu avental!
O tempo foi passando e eu aqui admirando o meu avental de Aprendiz.
Abro a gaveta para, novamente, coloca-lo no varal do tempo, mas minhas mãos teimam em tê-lo comigo.
Que fazer?
Já nem sei mais o que procurava no armário, mas com certeza, encontrei o que tanto precisava.
Eu precisava de paz, de um novo encontro comigo mesmo.
Eis a minha paz tão procurada, tão desejada, o meu avental de Aprendiz.
Aos poucos fui colocando o avental na gaveta e à medida que ele ia sumindo das minhas mãos, meus olhos deixavam cair lágrimas de saudade.
Meu coração disparava, minhas forças sumiam.
Quanta saudade, meu avental de Aprendiz. 

“Covardes nunca tentam, fracassados nunca terminam, vencedores nunca desistem”. 
“O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda parte.”
Abraço fraternal,
Sergio Neves.'.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

SÓCRATES


Filósofo grego Sócrates
Filosofo grego, Sócrates nasceu em Atenas no ano de 470 a.C. . De origem modesta, era filho de Sofronisco, escultor, e de Fenarete, parteira, com quem dizia Ter aprendido a arte de obstetra de pensamentos.
Era casado com Xantipa, cujo nome se tornou provérbio.
Abandonando a arte de seu pai dedicou-se inteiramente a missão de despertar e educar as consciências, tendo como influência a filosofia de Anaxágoras. Sempre entre jovens, sempre em discussões, especialmente com os sofistas, nada escreveu. Por isso, o seu pensamento tem que ser reconstituído sobre testemunhos, nem sempre concordes, de Xenofonte, de Platão e de Aristóteles.
Viveu sempre em Atenas, tendo participado das batalhas de Potidea  (onde salvou a vida de Alcebíades) de Delion e de Anfipolis.
Em 399 a.C., a sua atividade e a sua vida foram finalizadas pela condenação à morte, sob a acusação de corromper os jovens contra a religião e as leis da pátria. Ao se dirigir aos atenienses que o julgavam, Sócrates disse que lhes era grato e que os amava, mas que obedeceria antes ao deus do que a eles, pois enquanto tivesse um sopro de vida, poderiam estar seguros de que não deixaria de filosofar, tendo como sua única preocupação andar pelas ruas, a fim de persuadir seus concidadãos, moços e velhos, a não se preocupar nem com o corpo nem com a fortuna, tão apaixonadamente quanto a alma, a fim de torná-la tão boa quanto possível.
Denunciado, então, como subversivo, foi condenado à morte ignominiosa, tendo de beber a cicuta na prisão de Atenas em fevereiro de 399 a.C. .
Segundo Sócrates, a Ciência fala de ser justo em relação ao cosmos, fala da modificação da alma, purificando o espírito em sua unidade e totalidade, o qual não é mais capaz de erro e de pecado.

CIÊNCIA = VIRTUDE = FELICIDADE
Esta é a equação Socrática, que quer dizer que o bem é igual ao útil. Ou seja, as pessoas fazem o bem por interesse próprio, porque é o que vai levá-las a felicidade. Ele achava que as pessoas deveriam agir corretamente, pois estando no caminho certo, a tendência será essa pessoa ser feliz. Mesmo assim, eventos externos podem modificar o resultado dos eventos.
Sócrates queria que as pessoas se desenvolvessem na Virtude. A virtude é  um agir ótimo, é procurar fazer o bem, que é o correto, o ideal. Ser virtuoso é o máximo que se pode ser. O ato virtuoso depende do fim que se colocar para ele. As coisas são virtuosas a medida que elas fazem bem as coisas para as quais elas foram feitas. O caminho para a virtude não é só o intelecto, razão, é o conhecimento místico também. Para Platão, as principais virtudes são: força, coragem, justiça e piedade. A virtude abrange, também, criar riquezas. 
A virtude da alma é a sabedoria, que é o que a aproxima de Deus
A sabedoria tem haver com humildade intelectual e não com a quantidade de saber. O ignorante é arrogante porque pensa que sabe. Não descobrindo em si mesmo espécie alguma de sabedoria, onde quer que estivesse, interrogava seus interlocutores a respeito de coisas que, por hipótese, deveriam saber. Ao interrogá-los, verificou que não sabem o que julgam saber, e o que é mais grave, não sabem que não sabem. Assim, Sócrates se achava mais sábio porque pelo menos sabia que nada sabia, ao passo que as outras pessoas pensavam que sabiam. O importante para a sabedoria é o que você faz, não é o que você sabe. A sabedoria modifica o ser e purifica a alma de forma que seus objetivos fiquem mais fácil de serem atingidos.
Ou seja, o que há de comum entre todas as virtudes é a sabedoria, que, segundo Sócrates, é o poder da alma sobre o corpo, a temperança ou o domínio de si mesmo. Permitindo o domínio do corpo, a temperança permite que a alma realize as atividades que lhe são próprias, chegando a ciência do bem. Para fazer o bem, basta, portando, conhecê-lo. Todos os homens procuram a felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa de ignorância, pois ninguém pode fazer o mal voluntariamente.  
Para Sócrates, a filosofia vem de dentro para fora e sua função é despertar o conhecimento, ou seja, o Auto-conhecimento, pois a verdade está dentro de cada um. Para conhecer a si mesmo é preciso conhecer o outro. A alma do outro é como se fosse o espelho da própria alma. Por meio da comparação com o olho, Platão utiliza o método indireto da auto-observação (método da introspecção. 
O “conhecer-te a ti mesmo”, que era, na inscrição de Delfos (onde Sócrates foi proclamado o mais sábio), uma advertência ao homem para que reconhecesse os limites da natureza humana,  tem dois significados : Ter a consciência da condição humana, não tentar ser mais do que é para os homens serem, não tentar ser Deus, não ser arrogante, devendo os limites do homem serem respeitados para que se viva bem, ou seja, a consciência da seriedade e gravidade dos problemas, que impede toda presunção de fácil saber e se afirma como consciência inicial da própria ignorância; E, o conhecimento interior, para o grego, é conhecer o que permanece oculto, isto é, as coisas divinas eternas, o que as pessoas nem sabem que podem ser.  Ou seja, é necessário conhecer o mundo para conhecer a si mesmo.
O conhecimento da própria ignorância não é a conclusão final do filosofar, mas o seu momento inicial e preparatório. 
É preciso um caminho indireto, como a ironia (método de ensino de Sócrates), porque o caminho para o conhecimento interior é individual a cada um.
Ironia possui duplo aspecto: a refutação e a maiêutica. Através da refutação, Sócrates faz uma cadeia de raciocínio para provar que a base do que o outro está pensando está errado. Levava ao ridículo homens considerados sábios. O emprego da refutação para libertação do espírito é de origem eleática. Sócrates tira-a de Zenão, que é o criador. Procurava na filosofia o melhor caminho da libertação das almas do erro, do pecado e da condenação ao ciclo de nascimento.
A refutação faz parte da maiêutica, que é a arte de Sócrates projetar idéias, fazer nascer a verdade. Através da  maiêutica, Sócrates fingia ser capaz unicamente de interrogar, mas não de ensinar alguma coisa, mas levava o interlocutor, mediante uma série de perguntas habilmente formuladas, a tomar consciência da própria ignorância e a confessá-la. Reconhecido isto em relação ao que se julgava e presumia saber, procura-se extrair da sua alma o conceito que nela permanecia oculto, desenvolvendo seu próprio pensamento, ou seja, reencontrando, por si mesmos, conhecimentos que já possuíam sem o saber. O exemplo clássico da aplicação da maiêutica é encontrado no diálogo platônico intitulado Mênon, no qual Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e formular vários teoremas de geometria.
“A sabedoria plena é buscada através do auto-conhecimento, que tem como método indireto a ironia.”
YESHUA BEN YOSSEF, O JUDEU


Todos os anos, quando da aproximação do dia 25 de dezembro, data que se comemora o nascimento de Cristo, há sempre uma pausa para reflexões de vida, atitudes e até mesmo uma análise dos dogmas. Mais de dois milênios depois do seu nascimento,Yeshua Ben Yossef (Jesus filho de Joséem aramaico) ainda é uma das personagens mais enigmáticas da história. A começar pela própria data do seu nascimento, desconhecida dos registros históricos, a comemoração no dia 25 de dezembro foi herdada das festas pagãs da Roma antiga, conhecidas como saturnais, que ocorriam entre 17 e 24 de dezembro.
No decorrer de mais de vinte séculos, Jesus Cristo despertou paixões, controvérsias, ódios e polêmicas. No século XX a sua própria existência foi contestada, uma vez que só tínhamos registros históricos da sua vida além dos evangelhos, nas Antiguidades Judaicas e uma versão de 
História da Guerra dos Judeus, do historiador judeu Josefo, quase contemporâneo seu. Deixando a corrente cética sobre a sua existência, surge a pergunta, quem foi este judeu que mudou a história da humanidade e que, em seu nome, foram travadas as mais terríveis guerras, os mais calorosos discursos de fé?
Para entendermos o cristianismo e os seus dogmas, é preciso jamais esquecer as suas origens, ou a etnia a qual Jesus pertencia.
A Palestina na Época de Cristo
Jesus nasce na Palestina entre o ano 6 ou 7 a.C., numa época conturbada da dominação romana ao povo judeu. Por esta ocasião encontramos as facções dos saduceus, que controlavam o Templo e eram mais condescendentes em sua interpretação da Lei; dos fariseus, mais radicais e mais austeros, usavam a tradição oral para impor minuciosamente os aspectos da Lei na vida judaica, são radicalmente contra o domínio romano. Há ainda as seitas austeras e fanáticas, como os essênios e os zelotes. Os zelotes desprezavam não só os romanos, como os judeus que com eles colaboravam. Promoviam o terrorismo como forma de luta contra o domínio romano e os seus impostos e opressão. Enviavam assassinos conhecidos como sicários (homens do punhal), que mesclados à multidão, assassinavam os seus inimigos.
Durante os primeiros trinta anos da vida de Cristo, há poucas referências sobre as suas ações. Sua pregação começa justamente nessa idade. Após ser batizado por João Batista, apresenta-se como o Messias (ungido) vociferado pelos profetas. Profundo conhecedor da Lei, usa de metáforas e parábolas para se identificar como o ungido e expandir os seus pensamentos. Cristo contesta a mecanização da Lei, mas jamais a renega.
 
Jamais renega a sua condição de judeu ou demonstra que veio para criar uma nova religião, ele veio paracumprir a função do judaísmo e às suas profecias. Chancela as leis mosaicas e acrescenta “amai-vos uns aos outros como a ti mesmo”.

Critica a forma colaboracionista dos saduceus com as forças dominantes vigentes e como conduzem o Templo. Numa terra de convulsão política e religiosa, é visto pelas seitas como um homem carismático e de forte influência sobre os hebreus, e com isto, como aquele que vai conduzir Israel à liberdade e contra o domínio de Roma. Mas Cristo rejeita a idéia de conduzir o povo à guerra contra a opressão romana, separa o estado do da religião, a César o que é de César. A sua forma pacifista desagrada aos zelotes, sedentos pela revolução e extermínio dos romanos e seus domínios em terras israelitas. Com um idealismo considerado historicamente lunático, declara-se o mensageiro de um novo reino espiritual que viria a partir de então. É acusado de blasfêmia por se dizer o filho de Deus e vociferar a destruição do Templo. Em um acordo entre os saduceus e os romanos, é julgado e crucificado. Segundo a tradição, ressuscita em um corpo diferente, mas reconhecido por seus apóstolos,cumprindo todas as profecias.
                                                             

segunda-feira, dezembro 19, 2011

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO

Prezados Internautas, Amigos, Curiosos:

          Nosso Blog atinge a casa dos 40.000 acessos, o que nos deixa gratificado. Esta parceria entre pessoas dispostas a trocar conhecimento, compartilhar ideias e opiniões tem obtido sucesso e proporcionado o crescimento individual dos leitores, colaboradores, blogueiros, etc. 
         Nos propomos a quebrar paradigmas e romper com as velhas estruturas da cultura clássica trazendo à baila toda e qualquer informação capaz de produzir dúvidas e questionamentos. Tudo aquilo que nos tirar da zona de conformo é fermento para o novo, para o inusitado, para o desconhecido.
          Fomos educados a pensar o que os outros pensam, a gostar do que os outros nos dizem para gostar, "por que é bom". Bom pra quem??? 
        Diante disto passamos a vida repetindo o que os outros fazem, o que nossos familiares dizem que é certo, o que os nossos amigos experimentam, o que a sociedade exige. Quando foi que perguntaram a você em que Deus você acredita? Quando foi que perguntaram a você qual a religião que mais toca seu coração?
Quando perguntaram a você qual a cor você acha mais interessante? Ou qual o time que você gostaria de admirar? Você realmente gosta de brócolis? Ou você come por que alguém disse que é bom para a saúde?
        Passamos uma existência inteira sem nos perguntar: "o que eu sou?" "quem eu sou?" "por que estou aqui?" "quero realmente estar aqui?" 
      Não estamos acostumamos a  questionar as coisas, reproduzimos uma cultura imposta, que segue uma ideologia pré-fabricada que cria "consumidores" em vez de seres humanos pensantes. Vendemos nosso voto, desrespeitamos regras feitas pelas pessoas que nós escolhemos, subornamos, sonegamos, mentimos. E eu pergunto para quê? Por quê?
          Esquecemos que cada pessoa tem uma identidade, que cada pessoa tem sua própria vontade, pode escolher seu próprio caminho, tem livre arbítrio, é único. Esquecemos que nascemos livres, sem Deuses e sem pátrias, que tudo isto é convenção, escolhas feitas depois, primeiro pelos outros, após confirmada por nós. Será que somos realmente livres? Será que isto também é uma ilusão? Quando vamos acordar deste sonho mau? 
          Espero que este espaço sirva ao propósito de trazer mais dúvidas, desejo profundamente que no próximo ano você reveja seus conceitos, quebre-os, destrua as doutrinas que te prendem ao mundo que não é seu. Quero que você transgrida, mude as regras do jogo, crie novos jogos. Corte o cabelo ou deixe-o crescer sem compromisso, troque o estilo de vestir, crie o seu próprio estilo. Mude de lugar, escolha outros amigos, leia os livros que você nunca compraria. Escute as músicas que a maioria detesta. Se todos andarem pela direita, siga pela esquerda. 
       Desmassifique-se, torne-se diferente. 2012 promete mudanças psíquicas, espirituais, mentais, energéticas, vibracionais. 2012 prenuncia o fim dos tempos. Aproveite para quebrar esta ideia também, ao invés de ser o fim, que seja o começo para outra vida. Convido você a renascer. Troque seu nome, seus apelidos, sua personalidade. Seja aquilo que você gostaria de ser. Não deixe mais que os outros digam aquilo que você deve ser. Escolha ser livre, escolha a escola onde quer estudar, a universidade que vai cursar, a profissão em que vai trabalhar. Que seja uma escolha do seu desejo, da sua vontade, da sua felicidade, não por questões financeiras ou de status. Escolha por amor, trabalhe por amor, viva por amor...Ame-se, ame tudo e todos. 
               Não deixe espaço em seu coração para nada que não seja amor. Tenha fé, sempre. Crie sua religião, a religião de um só. Você não precisa dos outros para encontrar Deus. Deus te conhece, habita dentro de ti, aprenda a conversar com ele, é fácil. Todo ser Divino é humilde. Um Deus arrogante não pode ser um bom Deus. Se tiver que escolher ou criar um Deus, que Ele seja bom para você, seja Teu amigo, Teu parceiro, Teu igual. Que você possa vê-lo em todas as coisas. Que Ele seja realmente uni-presente. E se Ele por uni-ciente você não precisa dizer nada a Ele, Ele já sabe, então confie e aguarde. CONFIE.
                  Quero agradecer todas manifestações críticas que recebi quanto ao BLOG, continuarei recebendo-as com muita alegria. Mandem matéria para postagem, aquilo que vocês considerarem importante que os outros saibam, enviem. Só será moderado assuntos que atentam contra a integridade moral e direitos dos outros. A Constituição permite o livre pensamento e manifestação. Saia do armário. Escreva, sugira, reclame, dê ideias, discuta, pondere, argumente. A Maçonaria Revelada é um espaço para discussões, aqui não há nada oculto. Basta abrir os olhos, tirar as  vendas. Um Feliz Natal a todos. Que vocês estejam diferentes no próximo ano, por que certamente eu estarei. Um grande e amoroso abraço. Edson Couto-19/12/2011
         

quarta-feira, dezembro 14, 2011

A IGUALDADE NA MAÇONARIA - G.: M.: Geral GOB Marcos José da Silva



 


Tema querido e sempre presente na vivência maçônica é a questão dos símbolos. A Ordem Maçônica é a única instituição iniciática que usa como símbolos, no labor interminável de aperfeiçoamento de seus participantes, os instrumento da construção civil, sugerindo a elevação de um templo universal, dedicado à humanidade, mas também vislumbrando o Templo interior do Homem.

A perfeita igualdade entre os maçons, por exemplo, é representada pelo Nível, que aplicado com sabedoria e elegância pelo governo da Oficina, destina-se a igualar a todos na missão sublime de erguer templos à virtude... Ninguém é superior a ninguém, embora alguns suportem carga maior de responsabilidade.

A personalidade humana é, por assim dizer, o revestimento pétreo, mundano, que esconde o Homem Universal, semelhante à divindade e objeto da busca maçônica. O Malho e o Cinzel são símbolos desse trabalho que temos de executar até o fim da vida, e que, se bem realizado, nos premia, a cada momento, com maior dose de felicidade.

A vestimenta do Maçom, o avental, também símbolo importante, não deve ser maculada com palavras ou pensamentos provindos da ociosidade mental, dominada pelas distinções mundanas, que “aqui, não as conhecemos”. A bata, o macacão, a toga, a farda, o fardão, a japona nada dizem do coração de quem os veste. O que interessa à Maçonaria é a roupagem etérea da virtude e da verdade, que circula em nossas Lojas purificando os sentimentos.

De fato, é um tanto cansativo à mentalidade secular, envolvida com as exigências do mercado em termos de competitividade e personalismo, compreender o nobre mister do maçom na constante afirmação de seus princípios e postulados e na prática diária que os justifiquem , mas é esse o destino irrecorrível do homem livre e de bons costumes, como dizemos nós, no âmbito da nossa centenária Instituição.

Este momento, que impele a cristandade para as comemorações natalinas, apresenta-se como oportunidade singular para que, com o justo emprego dos nossos símbolos, dediquemos nossas ações, nossas palavras e nossos pensamentos a reforçar o ideal maior de cada integrante do gênero humano: a perene felicidade!

13 de dezembro de 2011
Marcos José da Silva
Grão-Mestre Geral


terça-feira, dezembro 13, 2011

Oásis ou Miragem: Você escolhe




No nosso contato diário, conhecemos um universo de pessoas, todas realizando muitas atividades, mas buscando algo que realmente seja determinante , que de fato, as complete. A busca, muitas vezes, é árdua, passando por inúmeras situações que sempre parecem retardar os acontecimentos. Isto acaba criando uma casca, uma auto-defesa contra as desilusões, torna-se mais fácil desistir das coisas antes que haja nova decepção.

Então, eis que aparece algo realmente importante, não ao coração, mas a alma. Parece tudo o que sempre buscou, verdadeiro, bonito, completo queremos saber tudo à respeito e nos ilumina com uma intensidade jamais vista, mas surge o porém. Tememos dar o primeiro passo, por causa das tentativas fracassadas anteriormente, então, tudo se torna empecilho, que justifica a inércia.

A Cabala é um caminho maravilhoso, um sistema sem igual que linka você ao criador e te põe em uma situação de realizar ao máximo suas potencialidades no mundo material. Realmente, quando você se entrega de alma e supera as dificuldades que inconscientemente impõe a si mesmo, você experimenta um prazer na vida, que jamais sentiu.

Ainda assim, é preciso dar o primeiro passo. Nestes anos, em que ajudamos centenas de pessoas a encontrar o caminho rumo a Egrégora maior, aprendi a distinguir àqueles que evoluem daqueles que se mantém inertes, simplesmente, porque os primeiros não tem o receio de avançar. Estes, sentem no âmago a sede que suas almas têm por esta conexão e a Cabala, lhes soa como uma fonte de água, um oásis em meio ao deserto. Saciam-na.

No segundo caso, porém, o peso de tudo o que já deu errado, faz com que a pessoa tema avançar e o medo de perder tira a vontade de ganhar. Elas conseguem avistar à distância a mesma fonte de água viva que expliquei no parágrafo acima, porém colocam dúvidas e param antes de que a água jorre em suas mãos.

Em suma: Infelizmente, para àqueles que não tomam iniciativa, o oásis será sempre uma miragem.

segunda-feira, dezembro 12, 2011




...Os gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram por essa
religiosidade diante do cosmos. Ela não tem dógmas nem um Deus concebido
à imagem do homem; portanto nenhuma Igreja ensina a religião cósmica.'
 
[Albert Einstein, no livro “Como Vejo o Mundo”]
 
 
 
“O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um Ser de quem se espera benevolência e do qual se teme o castigo – uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o pai -, um ser com quem também estabelecem relações pessoais, por respeitosas que sejam.
 
Mas o sábio, bem consciente da lei de causalidade que determina qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado, que estão submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo. A moral não lhe cria problemas com os deuses, mas simplesmente com os homens.
 
Sua religiosidade consiste em espantar-se e extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, as quais revelam uma inteligência tão superior que todos os pensamentos dos homens e todo o seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser o seu nada irrisório. Este sentimento mostra a regra dominante de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos egoístas. Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os espíritos criadores religiosos de todos os tempos.”
 

quarta-feira, dezembro 07, 2011

A Sinastria Cabalística




A Sinastria Cabalística é uma ciência que faz parte da tradição da Cabala e seu desenvolvimento nasceu da profunda interpretação do incrível Sepher Yetzirah, combinados a conhecimentos místicos da antiga tradição judaica, como Gematria e Notarikón. Consiste, no estudo comparativo de duas ou mais pessoas, com intuitos voltados para relações amorosas , comerciais, amizade, ensino e outrem.

Através desta incrível ciência, os antigos Chachamin (sábios), conseguiam determinar o rumo que determinada sociedade iria tomar, para assim continuá-la ou cancelá-la, caso percebessem nesta uma união prejudicial. Da mesma forma, aí encontra-se o segredo judaico para os bons casamentos, pois a Sinastria de determinado casal, procurava sinais de saúde, longevidade, adaptação e frutos  para a permissão de uma união entre duas pessoas. Também é usado para acertar a rota de um relacionamento já existente por anos.

Outro uso bem comum, era no caso dos grandes Gaonin, ao escolher a qual ou quais discípulos passar seu conhecimento. Conta-se que Rabi Shimon bar Yochai escolheu seus discípulos á dedo e que teria utilizado para isso, seus profundos conhecimentos na Sinastria Cabalística, para entender o vínculo necessário para passar sua sabedoria aos aprendizes certos.

Esta ciência é poderosa, pelo trabalho complexo que faz e em nada tem a ver com a numerologia comum. Ela vai até as conjunções astrais dos envolvidos, as Sephiroth de ligação com o mundo superior, letras hebraicas e valores numéricos de compatibilidade. Até que seja definido um perfil de ponta-a-ponta dos envolvidos e as análises sobre a potencialidade da relação sejam definidas.

Somos fiéis às antigas tradições, que colocam Abraham Avinu como autor do Sepher Yetzirah e conhecedor de grandes verdades do âmbito místico. Este é um conhecimento de exclusividade nossa (baseado em aprofundamento no Talmud, na Torah, na literatura Cabalística e no aprendizado direto), passado de boca a ouvido, segundo nossa tradição INICIÁTICA. Realizamos este estudo profundo através de consultas, onde possibilitamos maior conhecimento para as pessoas sobre si mesmas e seus próximos.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Ética Maçônica

Devo antecipar que o tema nunca foi das minhas preocupações intelectuais. Não que não seja um tema afeto às minhas atividades profissionais, mas é que, maçonicamente, nunca parei para avaliar o assunto. Em outras palavras: sou leigo, embora entenda que o discurso sobre ética no meio maçônico não deve ficar girado em torno de mesmices assentadas nas concepções individuais de cada um dos irmãos. O mínimo ideal seria que o discurso moralizante e a ética maçônica de que muitos falam e outros desejam, fosse como uma Fênix Árabe, a ave lendária que renascia de suas cinzas. Mas, não posso me furtar ao entendimento de que o pluralismo cultural dos irmãos e da sociedade, o assombroso desenvolvimento das áreas do conhecimento e do saber humano, e o barulho materialístico-consumístico das práticas comerciais e das relações humanas têm deixado muitos irmãos sem o referencial unificador de inspiração e de comportamento ético que historicamente foi exercido pelas religiões e pela metafísica filosófica. Portanto, tudo é perdoável.
O fio da reflexão que pretendo tecer é simples, desde que se entenda que “a ética é a teoria ou a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade”, ou seja, “ética é a ciência de uma forma específica de comportamento humano” ou, simplesmente, “a doutrina dos costumes”. O termo ética vem do grego ethos, que significa analogamente “modo de ser” ou “caráter” enquanto forma de vida adquirida ou conquistada pelo homem. A ética maçônica, paralelamente ao conceito geral de ética, é bem menos ampla e menos exigente. Tem por fundamento os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade como máxima no relacionamento humano, a concretização ou realização dos valores do homem iniciado maçom e observância das regras morais consuetudinárias ou inscritas nos rituais e regulamentos maçônicos.
Não dispõe a Maçonaria de um “Código de Ética” que possa constituir um compromisso de honra para os que aceitam ingressar em nossa Ordem, e todos sabem que, ao ingressar na Maçonaria, cada indivíduo traz consigo os valores do seu convívio social, suas concepções morais e éticas já elaboradas, o que pode provocar na convivência maçônica comportamentos aéticos, a exemplo das omissões, das disputas pelo poder, perseguições, malversação dos conhecimentos e da doutrina maçônica, excessos no uso da inteligência e da desinteligência e, as mais variadas formas de indisciplina e inadaptabilidades às regras maçônicas, causando o enfraquecimento do sentido de unidade do corpo social. E aí fico a me perguntar se seria o “Código de Ética”, caso existisse, plenamente seguido ou obedecido pela universalidade dos maçons? Teria a Maçonaria, enquanto instituição universal, mecanismos capazes de cumprir e fazer cumprir as regras éticas assinaladas nesse código? Tenho lá minhas dúvidas. Mas pensar que não funciona, não é, em verdade, uma atitude filosófica, nem ética e muito menos maçônica.
A singularidade da ética maçônica nos permite dar um passo à frente. Preliminares do simbolismo e dos instrumentos maçônicos, as atitudes e os gestos ritualísticos estão a demonstrar o caminho a ser trilhado pelo maçom. A eles aditem-se, ainda, as Constituições Gerais da Ordem, os Landmarks, as Leis e Regulamentos específicos das Lojas, então, aí temos quase que definidos um conjunto de regras de conduta válidos para todos os tempos e para todos os homens que adentraram pelos portais iniciáticos das cerimônias e ritualísticas maçônicas. E tudo isso faz parte de um tipo de comportamento efetivo, tanto dos indivíduos quanto das Lojas e das Potências Maçônicas de ontem e de hoje. E é a este conjunto prático-moral meio difuso a que se submete o maçom, sem muitas reflexões sobre ele. A ética maçônica, por assim dizer, é um comportamento pautado por normas que consiste em seu fim – o bem-estar social coletivo – visado pelo comportamento moral do qual faz parte o procedimento do indivíduo ou de todos os membros da Ordem.
O problema em sua saga ética e moral reside, basicamente, no que fazer ou em como se comportar frente a cada situação concreta do indivíduo na sociedade, se não existe um código de ética maçônico como escopo social que possa tipificar as condutas e registrar as violações às regras estabelecidas. Sei, e isto é comum, que em situação de tomada de decisão, os indivíduos se defrontam com a necessidade de pautar o seu comportamento por normas que julgam mais apropriadas ou mais dignas de serem cumpridas e é aí que as regras maçônicas vão para as laterais das regras sociais vigentes. Por conseguinte, na vida real, o maçom, como qualquer outro indivíduo ou ser social, ao defrontar-se com os problemas recorre, para resolvê-los, às normas reconhecidamente profanas, cumpre determinados atos, formula juízos e, muitas vezes, se serve de determinados argumentos ou razões para justificar a decisão tomada ou o ato praticado. E o faz, muitas vezes, totalmente em desacordo com as normas maçônicas.
Eis que chegou a hora de costurar os fios do discurso para que ele não fique como uma construção sem alicerces. Como exemplo, pode-se dizer que “o bem comum proposto pela maçonaria universal compreende o conjunto das condições sócio-política-econômica-cultural que permitam aos indivíduos, famílias e nações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” ou “fazer o bem sem olhar a quem”, que como problema teórico não se identifica com os problemas práticos dos seus adeptos, muito embora possam estar relativamente relacionados com a moral maçônica de promoção dos objetivos da Ordem.
A ética maçônica, não deve ser mera transcrição de um discurso irracionalmente ordenado das razões normativas, axiológicas e teleológicas presentes no cotidiano das sessões maçônicas cuja força espontânea de persuasão se enfraquece ante o quadro de crise histórica da sociedade atual. E, os maçons vanguardistas e adeptos de renovação não devem se conformar em saber – saber por saber – que a qualidade ética do ato humano, longe de medir um preceito, divino, natural, legal ou humano, depende da conformidade com a consciência e, que, o ato humano é bom ou mau na medida em que a autodecisão do maçom se conforma ou não com o que a consciência diz ser justo e reto. Neste particular é preciso determinar-se o que possa efetivamente vir a ser ética maçônica, a partir da qual se estabelecerão os padrões de comportamentos a serem observados por toda a comunidade dos iniciados maçons. Este é o trabalho a ser executado.
A instância fundamental de uma possível ética maçônica, deve ser alicerçada no fato de “que cada ser humano deva ser tratado humanamente”, instância similar à enunciada por muitas religiões e ordens iniciáticas: “o que você não quer que lhe seja feito não o faça aos outros”. E isto necessita ser, além de uma proposta, um discurso aberto e entendido por todos. Ficamos por aqui, e esperamos ter contribuído de alguma forma para a instituição de uma possível ética maçônica, entendendo que a nossa Ordem necessita substituir o anacrônico Código Penal por um atualizado Código de Ética.

*Presidente da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal e membro da ARLS Antônio Francisco Lisboa nº 24/Brasília-DF.

sábado, dezembro 03, 2011

Conflito entre Razão e Fé

A filosofia inicia o conflito entre razão e fé quando tenta deixar para trás a fé cega nos mitos, explicando racionalmente tais fenômenos.

Fé vs. Razão - conflito existente desde a Grécia antiga
Tradicionalmente, o capítulo da História da humanidade relativo ao tema “conflito entre razão e fé” é atribuído a um período medieval em que se travava um confronto entre os adeptos da boa nova, isto é, a religião cristã, e seus adversários moralistas gregos e romanos, na tentativa de imporem seus pontos de vistas. Para estes, o mundo natural ou cosmos era a fonte da lei, da ordem e da harmonia, entendendo com isso que o homem faz parte de uma organização determinada sem a qual ele não se reconhece e é através do lógos que se dá tal reconhecimento. Já para os cristãos, a verdade revelada é a fonte da compreensão do que é o homem, qual é sua origem e qual o seu destino, sendo ele semelhante a Deus-pai, devendo-lhe obediência enquanto sua liberdade consiste em seguir o testamento (aliança).
Desse debate, surgem as formas clássicas de combinação dos padres medievais: aqueles que separam os domínios da razão e da fé, mas acreditam numa conciliação entre elas; aqueles que pensam que a fé deveria submeter a razão à verdade revelada; e ainda aqueles que as veem como distintas e irreconciliáveis. Esse período é conhecido como Patrística (filosofia dos padres da Igreja).
No entanto, pode-se levantar a questão de que esse conflito entre fé e razão representa apenas um momento localizado na história. A filosofia, tendo como característica a radicalidade, a insubordinação, a luta para superar pré-conceitos e estabelecer conceitos cada vez mais racionais através da história, mostra que, desde seu início, esta relação tem seus momentos de estranhamento e reconciliação. Por exemplo, na Grécia antiga, o próprio surgimento da filosofia se deu como tentativa de superar obstáculos oriundos de uma fé cega nas narrativas dos poetas Homero e Hesíodo, os educadores da Hélade. A tentativa de explicar os fenômenos a partir de causas racionais já evidenciava o confronto com as formas de pensar e agir (fé) do povo grego que pautava sua conduta pelos mitos. O próprio Sócrates, patrono da filosofia, foi condenado por investigar a natureza e isso lhe rendeu a acusação de impiedade. Mais tarde, a filosofia cristã se degladiou para fundamentar seu domínio ideológico, debatendo sobre os temas supracitados. Na era moderna, com encrudescimento da inquisição, surge o renascimento que apela à razão humana contra a tirania da Igreja. Basta olhar os exemplos de Galileu, Bruno e Descartes, que reinventaram o pensamento contra a fé cega que mantinha os homens na ignorância das trevas e reclamava o direito à luz natural da razão. A expressão máxima desse movimento foi o Iluminismo que compreendia a superação total das crenças e superstições infundadas e prometia ao gênero humano dias melhores a partir da evolução e do progresso.
Hoje, essa promessa não se cumpre devidamente. O homem dominou a natureza, mas não consegue dominar as suas paixões e interesses particulares. Declarado como expropriado dos meios de produção e forçado a sobreviver, eis que o homem se aliena do processo produtivo e se mantém em um domínio cego, numa crença inconsciente de si e do outro (ideologia). O irracionalismo cresce à medida que se promete liberdade aos seres humanos a partir de outra fé: o trabalho. O homem explora e devasta o mundo em que vive e não tem consciência disso. E tudo isso para enriquecer uma classe dominante, constatando o interesse egoísta e classista.
Parece, pois, que a luta entre razão e fé não é apenas localizada, mas contínua, já que sempre há esclarecidos, esclarecimentos e resistência a esses esclarecimentos. A razão se rebela com o estabelecido e quando se impõe, torna-se um dogma incutido nos homens de cada tempo. Numa linguagem hegeliana, uma tese que se torna antítese e necessita já de uma síntese para que a razão desdobre a si mesma.

domingo, novembro 27, 2011





Retrato de Bento de Espinosa,
aproximadamente de 1665.




Este é o Deus ou Natureza de Espinosa:
Se Deus tivesse falado:
“Pára de ficar rezando e batendo o peito!
O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo
e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas
e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres,
obscuros e frios que tu mesmo construíste
e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está
nas montanhas, nos bosques,
nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável:
Eu nunca te disse que há algo mau em ti
ou que eras um pecador,
ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual
podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas
que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho...
Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.
Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim.
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito,
nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão.
Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz...
Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar
para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem,
pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei;
essas são artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau,
nem um passo no caminho, nem um ensaio,
nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora,
e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida
um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida,
mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar,
de amar, de existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que
Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste...
Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim.
Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada,
quando agasalhas tua filhinha,
quando acaricias teu cachorro,
quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem.
Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato?
Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde,
de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?...
Expressa tua alegria!
Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas
e de repetir como papagaio
o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.
Baruch Spinoza.

quarta-feira, novembro 23, 2011

OS RITUAIS NOS TEMPLOS DO ANTIGO EGITO

Ramses II e sua esposa Nefertari participando do
Festival de Opet , XVIII Dinastia - Tebas
Como é de nosso conhecimento os Antigos Egípcios eram muito ligados ao oculto e a adoração de Deuses e Deusas que por muitas vezes representavam formas da natureza ou expressões da mesma.

Os templos eram mantidos por Sacerdotes. Pessoas especialmente treinadas nas chamadas “Escolas de Mistérios” e também instruídas em diversas áreas como escultura, pintura e escrita e outros.

Os rituais nos templos eram realizados de acordo com cada Deus. As evidências arqueológicas que nos restaram foram a do ritual realizado em honra ao Deus Amon que se realizava na cidade de Tébas, atual Lúxor.

O Deus era mantido longe dos olhos do público em geral, somente os sacerdotes e o faraó tinham acesso ao recinto sagrado do Deus.

Alguns manuscritos nos contam que para fazer parte destes rituais, os sacerdotes deveriam se banhar no lago sagrado, especialmente construído para este fim no interior dos templos. Seus corpos deviam estar livres de pelos, portanto todo o corpo era raspado, incluindo a cabeça e os mesmos usavam vestimentas brancas de linho puro.

Os rituais eram realizados pelo menos duas vezes por dia: ao amanhecer e ao entardecer, onde incensos eram acesos, tochas iluminavam o recinto com pouca luz e a estátua do Deus era então banhada e untada com óleos aromáticos especiais trazidos de terras distantes e preparados previamente de forma ritualística pelos sacerdotes.

Alguns sacerdotes eram também escribas, e ficavam encarregados de tomar notas de todo o ritual.

Havia ainda os sacerdotes cantores, aos quais eram dada a função de realizarem cânticos especiais para os rituais.

Os sacerdotes podiam casar-se, se bem que os Altos Sacerdotes geralmente não o faziam, dedicando-se somente aos trabalhos nos templos, porém não podiam manter relações sexuais nos dias em que fossem participar certos rituais específicos.

Além dos rituais feitos por sacerdotes existiam os rituais feitos por sacerdotisas para determinadas Deusas como Isis e Hathor.

Os rituais feitos pelas mulheres eram semelhantes, porém as mulheres não necessitavam depilarem-se totalmente, no entanto, estas não podiam participar de nenhum ritual quando estavam em seu período fértil.

Apenas uma vez ao ano era permitido que o povo visse o Deus. Isso ocorria durante o festival conhecido como Festival de Opet, no caso de Deus Amon, quando o Deus era transportado em uma barca sagrada pelo Rio Nilo para encontrar-se com sua esposa a Deusa Mut no templo de Karnak.

Muitos atributos dos antigos rituais egípcios permanecem vivos em Sociedades Secretas atuais, mantendo assim um legado importante da humanidade, criado há mais de 3.500 anos. 







Olga Maria Dantas
Presidente da Egiptologia Brasileira
http://www.egiptologiabrasileira.com.br