terça-feira, setembro 06, 2011

Valores Simbólicos Explícitos e Ocultos na Maçonaria

Valores Simbólicos Explícitos e Ocultos na Maçonaria



         Dando seguimento aos trabalhos ou pranchas que nos dispomos apresentar, com vistas a melhorar nosso conhecimento e galgar a compreensão dos mistérios Maçônicos, abordaremos a simbologia como referencial que norteia toda a ritualística no Templo.
         A Maçonaria é rica culturalmente. A sabedoria trazida à baila através das inúmeras representações históricas nos faz viajar em  um amalgama de enredos que são traduzidos por imagens e símbolos que nos conduzem a pensamentos e reflexões profundas.
         Ao primeiro olhar somos induzidos à compreensão do sentido fático dos sinais, como, por exemplo, ver uma maçã em um altar e considera-la uma oferenda ou buscando o significado simbólico dela estaria representando o universo, ou quem sabe o pecado original, ou o paraíso, ou a fertilidade etc.
         O simbolismo, de um modo geral, é a prática do emprego ou uso de símbolos. Na Maçonaria é usado como elemento fundamental de seus ensinamentos, constituindo os símbolos uma linguagem própria dentro da Ordem. Símbolo é um objeto material que serve para representar uma idéia; por exemplo, a cadeia é símbolo da união, o pavimento mosaico simboliza a igualdade entre raças, etc. Como foi dito acima, analisamos um símbolo primeiramente de uma forma simples e logo depois procuramos seu significado filosófico; podemos até dizer que o símbolo sintetiza um acúmulo de conhecimento, resume objetivos, idéias e normas que procuram dirigir a mente humana por caminhos mais esclarecidos.
        Segundo Goethe “O simbolismo transforma os fenômenos visíveis em uma idéia, e a idéia em imagem, mas de tal forma que a idéia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível. Já a Alegoria, transforma os fenômenos visíveis em conceito, o conceito em imagem, mas de tal maneira, que esse conceito continua sempre limitado pela imagem, capaz de ser inteiramente apreendido e possuído por ela, e inteiramente exprimido por essa imagem.”
        A Maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo. Este caráter peculiar de instituição simbólica e também a adoção deste método genuíno de instrução pelo simbolismo, emprestam à Maçonaria a incolumidade de sua identidade e é também a causa dela diferir de qualquer outra associação inventada pelo ser humano. É o que lhe confere a forma atrativa que lhe tem assegurado sempre a fidelidade de seus discípulos e a sua própria perpetuidade. 
“ Albert G. Mackey” : A maçonaria não inventou o método de instrução ela o adotou.
        O simbolismo é a ciência mais antiga do mundo e o método de instrução dos homens primitivos. É graças a ele que tomamos conhecimento hoje, da sabedoria dos povos antigos e dos filósofos. O acervo religioso, cultural e folclórico da humanidade está preservado através do simbolismo, desde a  pré-história.  
        O princípio do pensamento simbolista está fincado em uma época anterior à história, nos fins do período paleolítico. Os mestres da humanidade primitiva podem ser facilmente localizados, através de estudos sobre gravações epigráficas. A Maçonaria é a legítima herdeira espiritual das sociedades iniciáticas da antiguidade , como já havíamos aventado em nosso primeiro trabalho, porque  perpetua o tradicional método de instrução, no ensinamento de suas doutrinas.
       Conforme Aslan, os símbolos podem ser divididos em cinco classes:

1.    Símbolos místicos e religiosos tradicionais:
·       Deus, a criação e perfeição, são representados pelo Selo de Salomão ou pelo Escudo de Davi;
·       Evocação da Idéia de Deus, representada pelo Triângulo, Delta Luminoso ou por Três Pontos;
·       Sol, representado pelo Círculo com um ponto central;
·       Símbolo do Poder, representado pelo Tau grego.

     2. símbolos da arte da construção:
·       Medida na pesquisa, representada pelo Compasso;
·       Retidão na ação, representada pelo Esquadro;
·       Vontade na aplicação, representada pelo Malho;
·       Discernimento na investigação, representado pelo Cinzel;
·       Profundeza na observação, representada pela Perpendicular;
·       Emprego correto dos conhecimentos, representado pelo Nível;
·       Precisão na execução, representado pela Régua;
·       Poder da vontade, representada pela Alavanca;
·       Benevolência para com todos, representada pela Trolha;
·       Trabalho constante, representado pelo Avental;
3. símbolos herméticos e alquímicos:

·       Os quatro elementos herméticos, representados pelo Ar, Água, Terra e Fogo;
·       Os três princípios da Grande Obra, representados pelo Sal, Mercúrio e Enxofre;
·       Ainda temos outros símbolos herméticos e alquímicos, como por exemplo, o Sol e a Lua, as Colunas B e J, o VITRIOL, etc.

4. símbolos com significado particular:

·       A união entre os Maçons, representada pela Romã;
·       A união fraternal, representada pela Cadeia da União;
·       A Iluminação, representada pela Estrela Flamejante;
·       O conhecimento, representado pela letra G;
·       A imortalidade e inocência, representadas pelo ramo da Acácia;
·       O Amor e a abnegação, representada pelo Pelicano;

5. outros símbolos tradicionais:

·       Pitagóricos, representados pelos números;
·       Cabalísticos, representados pelas sefirotes;
·       Geométricos, religiosos e muitos outros que servem a um significado maçônico.

      O nosso propósito não é esgotar o tema do simbolismo, mesmo porque isto certamente levaria uma centena de anos e com certeza não terminaria, pois a riqueza oculta nos símbolos do conhecimento humano vão além da fronteiras do perceptível atingindo   esferas    inimagináveis,    ainda        incompreensíveis
as   pessoas como nós, os aprendizes. Some-se a isto o fato de que cada Grau evolutivo na Maçonaria, incluindo os filosóficos, capitulares, etc, tem sua própria gama de símbolos inerentes a sua ritualística, devendo ser mote de estudos no futuro, se o G.A.D.U, permitir.
      Contudo, complementando a pesquisa, vamos oferecer o nosso próprio entendimento a respeito de alguns símbolos considerados importantes neste primeiro momento:
v Estrela de Cinco Pontas: significa a Estrela do Oriente ou a Estrela da Iniciação, representa o nascimento de JESUS.É também o símbolo do homem perfeito, da humanidade plena entre Pai e Filho; o homem em seus cinco aspectos; físico, emocional, mental, intuitivo e espiritual; Totalmente realizado e uno com o Grande Arquiteto do Universo. È o homem de braços abertos, mas sem virilidade, porque dominou as paixões e as emoções. As estrelas representam as lágrimas da beleza da criação. Olhemos para cima, para o céu e encontraremos a nossa estrela guia. Na Maçonaria e nos seus Templos, a abóbada celeste está adornada de estrelas. A estrela é o emblema do gênio Flamejante que levam às grandes coisas com sua influência. É o emblema da paz, do bom acolhimento e da amizade fraternal;
v As colunas: significam os limites do mundo criado, da vida e da morte, do elemento masculino e do elemento feminino, do ativo e do passivo. Mas também representam a força e a beleza, o sustentáculo do templo, a união da terra com céu, encimadas pela abóbada celeste.Outro significado interessante são os arquétipos de Booz e Jachim, o primeiro um antepassado de Davi e o segundo um sacerdote do templo de Salomão.Outra representação bastante marcante é a dos Pilares do Templo de Jerusalém, uma representando Jesus, o Cristo, Rei dos Judeus(coluna Real) e a outra representando o Jesus, Barrabas( Bar + Arrabas)Filho de Deus(irmão de Jesus, Tiago)(coluna sacerdotal)o legítimo fundador do Templo de Jerusalém;
v O pavimento Mosaico: o branco e o negro do piso lembram a diversidade que enriquece a Maçonaria, a complementaridade que completa a aprendizagem do eterno aprendiz que é todo Maçom, refere também o trabalho maçônico onde nos deparamos com os princípios contrários: o bem  e o mal, o sol e a lua, o espírito e a matéria, o ativo e o passivo, a vida e a morte, a luz e as trevas;
v Ramo de Acácia: a planta símbolo da Maçonaria representa a segurança, a clareza e também a inocência e a pureza. A acácia foi tida na antiguidade, entre os hebreus(habirus), como árvore sagrada e daí sua conservação como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas. A acácia é inicialmente um símbolo da verdadeira iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura.
v Avental : símbolo do trabalho maçônico, branco e de pele ou tecido para aprendizes e companheiros(com alguns detalhes) e branco orlado de azul ou vermelho para os mestres;
v Compasso: símbolo do espírito, do pensamento nas diversas formas de raciocínio e também do relativo(círculo) dependente do ponto inicial(absoluto). Representa também os limites naturais do ser humano, até onde ele pode ir sem adentrar nos direitos dos outros.Os círculos traçados com o compasso representam as Lojas, também pode representar o aspecto masculino;
v O número 9 : é o princípio da luz divina, Criadora, que ilumina todo o pensamento, todo desejo e toda obra, exprime externamente a Obra de Deus que mora em cada homem, para descansar depois de concluir sua Obra. O homem novenário que pelo triplo ternário, é a união do absoluto com o relativo, do abstrato com o concreto. O número nove, no simbolismo maçônico, desempenha um papel variado e importante com significados aplicados na sua forma ritualística. O número 9, é numero dos Iniciados e dos Profetas, dos Cavaleiros templários que escavaram o templo de Herodes a procura das relíquias de Jesus, por nove anos;
v Delta: triângulo luminoso. Símbolo da força expandindo-se, difere ritos, representa o Grande Arquiteto, podendo conter um olho humano ou Olho de Horus (Filho de Osíris e Isis (Sol e Lua) o olho que tudo vê, símbolo da onisciência, onipresença, da clarividência;
v Esquadro: resulta da união da linha vertical com a linha horizontal, é o símbolo da retidão e da ação do homem sobre a matéria e da ação do homem sobre si mesmo. Significa que devemos regular nossa conduta e as nossas ações pela linha e pela régua maçônica, pelo temor de Deus, a quem temos que prestar contas das nossas ações, palavras e pensamentos. Emite a idéia de inflexível da imparcialidade e precisão de caráter. Simboliza a moralidade e também o aspecto feminino;
v Malho ou Maço: emblema da vontade ativa, do trabalho e da força material, está relacionado ao grau de aprendiz. Ferramenta para desbastar a pedra bruta, ou educar a agreste e inculta personalidade do aprendiz para uma vida ou obra superior.Simboliza a energia, decisão e o aspecto ativo da consciência, necessário para vencer e superar os obstáculos. Está também relacionado ao Deus Nórdico Thor, dos agricultores e da benevolência:
v Malhete: Está relacionado com os mestres, símbolo de direção, poder e autoridade. Muito usado por Julgadores na Antiguidade.
v Cinzel: Instrumento que o aprendiz utiliza para desbastar a pedra bruta, significando com isso o trabalho de aperfeiçoamento no conhecimento próprio, no campo intelectual e como ser social. Sugere o trabalho inteligente, nos alerta para nossas atitudes, ficam indelevelmente marcadas, na superfície e no íntimo de quem as recebe.Temos que possuir, em nosso espírito e consciência, a perene vigilância de nossa atitudes para que possamos nos tornar legítimos instrumentos da Maçonaria.
v Régua de 24 Polegadas: É o símbolo da retidão, do método da Lei, Retidão necessária também para todas as artes e ciências. Representa a boa administração do tempo que deve ser dividido no auto conhecimento,meditação estudo e repouso. Lembra que devemos observar a divisão do tempo com sabedoria; A régua nos lembra que o nosso tempo, nosso dia, é suficiente para realizarmos nossas tarefas de Obreiros desde que nos organizemos, sem negligencia ou preguiça, a fim de efetuarmos todos os nossos deveres com o próximo e coma pátria.
v Pedra Bruta: Símbolo das imperfeições do espírito que o maçom deve procurar corrigir, e também da liberdade total do aprendiz e do maçom em geral.
v A Letra G: É a sétima letra de nosso alfabeto e que sabiamente, os Maçons apresentam grandes questionamentos, e que através de estudos, apresentamos um resumo dos diversos significados: Gravitação – é a força primordial que rege o movimento e o equilíbrio da matéria; Geometria ou a Quinta Ciência – é fundamento da ciência positiva, simbolizando a ciência dos cálculos, aplicada à extensão, à divisão de terras, à construção de templos, de onde surge a noção da parte que nelas a nós compete, na grande partilha da humanidade e dos direitos da terra cultivada; Geração – é a vida perpetuando a série de seres.Força criadora que se acha no centro de todo ser e de todas as coisas; Gênio – é a inteligência humana a brilhar com seu mais vivo fulgor; Glória – a Deus; Grandeza – o homem, a maior e mais perfeita Obra da Criação; Gomel – uma palavra hebraica, entende-se os deveres do homem para com Deus e os seus semelhantes.Concluímos, sintetizando, que a Letra G, encerra realmente um dos maiores segredos da maçonaria, senão o maior de todos os mistérios, porém em nosso entender existe uma palavra que revela todos os mistérios – GNOSE – é o mais amplo conhecimento moral  o impulso que leva o homem a aprender sempre mais e que é o principal fator de progresso e evolução, fazendo do homem iniciado um eterno aprendiz.;
v Três Pontos: Símbolo com várias interpretações, aliás, todas conciliáveis: luz, trevas e tempo; passado, presente e futuro; sabedoria, força e beleza; nascimento, vida e morte; liberdade, igualdade e fraternidade; Aprofundando um pouco mais vemos que o significado simbólico dos três pontos está, evidentemente, relacionado com o ternário e como todos nós sabemos, o significado é variado e abrange todos os símbolos relacionados com o número três. O primeiro ponto é a origem criadora de tudo que existe, o Uno, a Mônada, o Princípio Fundamental, a Unidade, A Mente Criadora, é Deus. Os dois pontos  inferiores são a Dualidade, eles são gerados pelo primeiro ponto e se se juntarem, voltam à unidade, da qual tiveram nascimento. O ponto superior corresponde ao Oriente em Loja, que é o mundo absoluto da Realidade, é o Delta Sagrado, e os dois pontos inferiores correspondem ao Ocidente, ou seja, o Mundo relativo, o domínio da Aparência, são as duas colunas, como mais um emblema da dualidade. Como podemos ver, a interpretação dos três pontos, são muitas e nelas não poderemos ficar restritos, para não pecas de dogmáticos. Em síntese A mônada gera a díade que com ela formam a tríade, resolvendo-se na unidade.
v Romã: Por derradeiro, vamos analisar o significado do fruto romã que é o símbolo da multiplicação e da solidariedade da família maçônica unida num ideal comum, mesmo que concedendo a cada maçom a sua liberdade individual expressa nas sementes que as compõem. Há referências deste fruto no Templo de Salomão, sobre os capitéis das colunas e também citadas em vários tratados cabalísticos. Era uma fruta conhecida dos hebreus, sírios e gregos, fazendo parte inclusive do simbolismo e tradições do Egito.Há interpretações de que romã traria o significado popular de fecundidade, geração e riqueza, sendo por vezes confundida com a maçã do paraíso.Numa última interpretação, até mais ousada poderíamos dizer que a romã comparada a uma galáxia, seria uma imensidão de estrelas e mundos e os seus grãos são inevitavelmente nós maçons, e a fertilidade atribuída aos mesmos é a do potencial de nossas obras dentro da maçonaria e no mundo profano, as quais devemos realizar disseminando a fraternidade no povo maçônico não só na cidade, mas como no próprio universo. Disto concluímos que trabalhando este potencial em nós mesmos, unindo-se a nossos irmãos numa cadeia de união, cobertos pelo manto do amor fraternal em cujos laços a ordem maçônica nos colocou, podemos dar continuidade a Grande Obra do Arquiteto do Universo, construindo um mundo melhor e conservando os segredos sagrados da maçonaria que nos são transmitidos através deste riquíssimo acervo simbólico.



Jean-Pierre Bayard, em sua obra “A Franco-Maçonaria”, define o simbolismo:

“O simbolismo é a linguagem da ascese. Para além do tempo e do espaço, liga a dimensão individual quotidiana, psicológica à escala cósmica, supra-individual. Pode variar na sua expressão, nas suas representações exteriores, mas os seus fundamentos permanecem imutáveis.” Diz ele, que “os símbolos não são simples imagens passivas, transformadores de energia psíquica, modificam a natureza secreta do homem. O símbolo não é um conceito sábio, em entidade abstrata, mas sim uma lei profunda, que exerce o seu poder sobre a natureza interior do ser humano. O símbolo permite a transmissão da mensagem, veicula o elemento central da idéia, para além das diferenças de cultura e de civilização. Ele é intemporal.”




O símbolo oferece-se em silêncio àquele cujos olhos do coração estão abertos.
Edson de Souza Couto

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