quinta-feira, junho 30, 2011

O Poder e a Venerança

O Poder e a Venerança















Quando nossa Ordem preconiza, em seus regulamentos, a necessidade de três anos de mestrado, para que um mestre Maçom possa candidatar-se ao Trono de Salomão, está agindo com absoluta prudência e muita sabedoria.
Ser Venerável Mestre de uma Loja vai muito além das funções supostamente administrativas e burocráticas, como erroneamente se poderia pensar. Para suportar o peso do primeiro Malhete é necessário, antes de tudo, despojar-se da dependência e das limitações da mente, algumas vezes embalsamadas por exclusivismos, vaidades, e orgulho. O trono a sabedoria requer de seu ocupante muita preparação, muito discernimento e muita sapiência.
Ao ser escolhido para ocupar o cargo de Venerável, de uma Loja Maçônica, por mais tranquilo e experiente que seja o Irmão acaba se deparando com uma sensação que não imaginara. O frio percorre a espinha dorsal ao escalar a escada que conduz ao Trono de Salomão, o assento ao trono, a abertura dos trabalhos e a impaciência dos irmãos, querendo ajudar, são fatores que acabam influindo na condução dos trabalhos.
O Venerável que assume se constitui no alvo das atenções e qualquer deslize, por mais insignificante que seja se torna motivo de observações. Por isso é importante um preparo prévio.
O Venerável que não tiver a mínima tendência para a liderança acaba sendo dominado e transformado em uma figura apenas decorativa, se deparando daí, com outra situação, talvez a mais insólita e angustiante: o isolamento!
O desejo do “poder” tão-somente “pelo poder”, normalmente nasce, com muita força, no coração do despreparado, invariavelmente despertado pelo sinete do orgulho. Querer ocupar o maior cargo em Loja simbólica não é censurável, muito pelo contrário, faz parte da ascensão ao topo da Escada de Jacó.
O desafio é iminente. Por isso a Maçonaria é tida como uma verdadeira escola da vida, de aprimoramento, de crescimento, de dinâmica de grupo, de formação de líderes. Quem estiver disposto a assumir esse desafio, aprendendo com ele, será um vencedor que conquistará o coração de todos os irmãos do quadro.
É importante ter em mente que, embora seja a Maçonaria uma Instituição alicerçada nos princípios da espiritualidade, fraternidade, solidariedade e amor ao próximo, existem em seus quadros irmãos que, conscientes ou não, se mantém, sempre em desarmonia diante das regras adrede estabelecidas, com argumentos prolongados que muitas vezes não se coadunam com os assuntos em questão.
A experiência que se adquire ao assumir o malhete é muito enriquecedora. É nessa posição que melhor se visualizam e se sentem as pulsações comportamentais dos obreiros.
Não se trata aqui de uma preparação apenas cultural antes de tudo o conteúdo fundamental será humano e espiritual. Ninguém está em condições de prejulgar quem quer que seja, mas todo aspirante ao principal Malhete deve estar cônscio do seu apostolado junto à tão grandiosa missão.
Os irmãos que aspiram ao cargo de venerável precisam, em primeiro lugar, refrear o instinto de vaidade. Devem se preparar, não com relação á ritualística dos trabalhos, fundamental sobre todos os aspectos, mas também, com relação à administração, não negligenciando a importância do controle do fluxo de caixa, balancetes, organização dos arquivos, com os dados históricos dos obreiros, trabalhos realizados e apresentados, enfim, uma loja maçônica deve ser administrada com o mesmo espírito com se administra uma empresa, com colaboração de todos os irmãos que lhe insuflem energia e sabedoria.
A loja é um organismo que pulsa e que se manifesta no espaço e no tempo, constituindo-se em uma expressão ativa em constante evolução. Ela é comunidade e, assim, terá de relacionar-se com outras comunidades, sem deixar de lado um detalhe muito importante, que muitas vezes passa despercebido: a comunicação entre todos os irmãos do quadro, independente da simpatia ou da possível antipatia que possa existir com alguns deles. Esse espírito de fraternidade e de solidariedade deve existir também com relação às cunhadas viúvas e com os irmãos, que, por motivo de idade ou doença, já não frequentam mais a oficina, ficando em melancólica solidão, sem um manifestar fraterno, sem um alô de saudade e de amizade, chegando mesmo a partirem para o Oriente Eterno sem que ninguém fique sabendo.
A Hospitalaria de uma Loja Maçônica é muito importante, pois a missão do seu ocupante é a de comunicar-se assiduamente com todos os irmãos, principalmente com os ausentes e com os doentes. Se o irmão hospitalário não tiver disponibilidade de tempo, disposição, paciência para o relacionamento público, não deverá nem aceitar a indicação para o cargo.
Essa atividade é um exercício de doação e de solidariedade.
Já o ocupante do cargo de Venerável deve irradiar segurança, desprendimento, ter muita paciência, tolerância e certa vocação para o comando. Ele deve ser autêntico, pacificador, aglutinador, e evitar, com sabedoria, as possíveis manipulações que possam ofuscar o brilho da gestão. O cargo propicia ao seu ocupante um rico aprendizado e uma condição primorosa para os mais atentos, que é a de se analisar. O Irmão, como Venerável, deve se autoanalisar e examinar como está se comportando sentado no Trono de Salomão e empunhando o Malhete que, em dados momentos, pode tornar-se mais pesado do que aparenta.
Atento a esses pontos fica mais fácil compreender que, no recinto sagrado de uma Loja Maçônica, todos os irmãos são iguais. Merecem ser respeitados sejam aqueles que ainda se encontram na categoria de Aprendiz e,  que, pela circunstância do próprio grau, se posicionam de maneira indecisa e pouco afinada com a sistemática dos trabalhos, sejam os irmãos do grau de Companheiro, que se encontra em meio á jornada, trazendo a insegurança do grau de Aprendiz e a ansiedade para galgar o grau de Mestre que se vislumbra à sua frente. Esses irmãos já estão prontos para uma participação mais efetiva nos trabalhos, na expectativa de sua almejada exaltação.
Entre os Mestres encontramos o amadurecimento e o equilíbrio da Loja. Dentre eles estão os irmãos abnegados, laboriosos, assíduos, muitos dos quais, embora antigos, nunca se preocuparam ou não tiveram de se sentarem no Trono de Salomão e, nem por isso, se sentem diminuídos e menos Maçom.
Esses irmãos que dão a medida exata de tudo àquilo que se aprende quando ainda se está no grau de Aprendiz.
Ainda entre os mestres existem os Past-Masters que, como é natural, trazem no íntimo o orgulho de sua gestão. Esse sentimento merece todo o respeito e consideração, pois, de cada gestão, sempre ficam marcas importantes e diferentes que enriquecem a história da Loja.
O Venerável que sai deixa, para sempre, uma marca, uma lembrança e, ao mesmo tempo, acaba levando uma sensação agradável das experiências vividas, dos desafios enfrentados e do dever cumprido.
Cada um dos obreiros é uma personalidade, é uma identidade. Tem seus anseios e desejos. Tem necessidade de consideração, de reconhecimento e de estima. Quando essas tendências são percebidas e respeitadas, o ambiente se transforma no calor que dá a energia que, por sua vez, impulsiona o grupo para frente em uma loja sempre viva e dinâmica.
Todos os componentes de uma loja maçônica possuem muito valor e potencial e todos se dispõem a colaborar quando chamados. Estamos, portanto, diante do princípio maçônico: união, compreensão, força, companheirismo, lealdade, solidariedade, paciência, prudência, modéstia, respeito e humildade!
Assim, ao Venerável é transferido o malhete para ser usado com sabedoria e coerência, não se alterando diante de possíveis contrariedades que possam ocorrer, pois é na diversidade de pensamentos que um grupo ganha maturidade e crescimento.
Lamentavelmente é deixar de lado o amor fraternal e provocar disputas infecundas dentro de nossas Lojas! O verdadeiro poder é o moral, aquele conquistado através da humildade e da nobreza das ações, do consenso de opiniões e da harmonia entre todos os irmãos.
É mais comum do que podemos imaginar os antagonismos provocados pelas disputas de poder, que quase sempre acabam se transformando em focos de divisões entre irmãos. Esta triste situação é típica quando o egoísmo e o orgulho suplantam a tolerância e a humildade. Esta postura não está coerente com todos os princípios basilares da Maçonaria.
Sedentos de poder, alguns irmãos perdem a consciência da realidade, ficando subjugados às paixões trazidas do mundo profano!
A correção desses desequilíbrios compete aos Mestres Instalados, cuja experiência e a serenidade deverão prevalecer sempre. Divergências de opiniões, sempre existirão por isso a sabedoria daqueles que já ocuparam o trono principal, ser o fiel da balança nessas situações.
Quando se alcança a presidência de uma Loja através da atração fraternal de todos os pares, este amor transcenderá as portas do Templo, causando em todos uma sensação de igualdade, alegria e felicidade. A Loja e todos os obreiros que a compõem progredirão muito mais e atrairão para o seu círculo outros irmãos afins.
As energias positivas, fruto da harmonia e da concórdia entre os irmãos não ficarão circunscritas ao ambiente da Loja, elas fluirão para todo o universo.
Sentimentos contrários também afetarão a Loja e todos os seus obreiros, pois a mente coletiva é a responsável direta pela formação e manutenção da egrégora. Um ambiente onde a ambição e o apego ao poder são predominantes cria uma atmosfera desagradável e negativa.
Nas associações, instituições e empresas do mundo profano, até compreendemos certa tendência de seus integrantes para a formação de facções sem qualquer comprometimento com o grupo. Dentro de nossas Lojas, porém, esse tipo de atitude está totalmente equivocado e muito distante do amor fraternal e da tolerância. É reprovável toda iniciativa na direção separatista.
São enriquecedoras as discussões construtivas, nascidas das diferenças de opinião entre os irmãos, afinal somos diferentes uns dos outros. O grande mérito reside em harmonizá-las. O quadro não perde quando os irmãos trabalham com desprendimento e humildade em torno do consenso de opiniões, ao contrário, ele sempre se fortalecerá.
Por outro lado, ninguém sai vitorioso quando prevalecem as vaidades, o orgulho e a sede pelo poder.
De forma inteligente, como aspirante a Veneraria deve contornar as querelas entre obreiros, visando em primeiro lugar e acima de tudo, garantir a paz e a harmonia dentro da Loja.
Aquele que pretende ocupar o trono principal de nossas lojas necessitará ter como qualidade principal a humildade, pois sem ela dificilmente conseguirá administrar as diferenças oriundas do mundo profano. Nenhum obreiro, por mais iluminado e culto que seja jamais será o senhor absoluto da verdade.
Ao futuro ocupante do Trono de Salomão, é conveniente lembrar o que ele, o próprio Salomão, pediu a Deus quando se tornou rei:
“… Agora, pois, ó Senhor, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo, em lugar de Davi, meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me.” 1-Reis 3.7

“… Teu servo está no meio do teu povo que elegeste povo grande, tão numeroso, que se não pode contar”. 1-Reis 3.8

“… Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente possa discernir entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?”. 1-Reis 3.9
Salomão, nos três versículos acima mencionados, dá prova cabal de sua “Humildade” – Reconhece sua fraqueza humana, não é orgulhoso (“não passo de uma criança, não sei como conduzir-me”), pede segundo sua vontade divina e segundo suas necessidades.
Coração compreensivo quer dizer “coração dócil, pronto a ouvir” – nas entrelinhas pede antes de qualquer outra coisa a “Sabedoria”, pois sabe de sua grande responsabilidade (“povo grande, tão numeroso, que não se pode contar”).
Nunca é demais lembrar:
“… A SABEDORIA deve orientar-nos no caminho da vida; a FORÇA, animar e sustentar-nos em todas as dificuldades; e a BELEZA, adornar todas as nossas ações, nosso caráter e nosso espírito”.
“… porque a SABEDORIA exige sacrifícios que só podem ser realizados pela FORÇA; mas ser SÁBIO com FORÇA, sem ter BELEZA, é triste, porque é a Beleza que abre o mundo inteiro à nossa sensibilidade”.
Mais uma vez, de forma inteligente e sábia, nossa Ordem recomenda-nos a consonância necessária entre os ocupantes das três principais Colunas que sustentam nossas Lojas. Não é por acaso que para as três exige-se o mesmo tempo de experiência e mestrado.
Conscientes dos nossos deveres e de nossas responsabilidades como Mestre Maçom durante a escolha do futuro Venerável Mestre, que todos reflitamos muito antes de emitirmos nossos juízos e pensamentos.
Que as nossas palavras e as nossas atitudes estejam sempre revestidas de ternura, amor e concórdia, que elas jamais sejam focos de cizânias e desarmonias.
Não podemos em circunstância alguma, colocar nossos interesses e a nossa vontade pessoal acima da Maçonaria, contrariando “nossos próprios princípios e rituais” “Intransigências” e “Paixões” estão exclusas da ordem do dia!
Meditemos sobre a alegoria do pavimento Mosaico:
“O Pavimento Mosaico, com seus quadrados brancos e pretos, nos mostra que, apesar da diversidade, do antagonismo, de todas as coisas da natureza, em tudo reside a mais perfeita harmonia…”
“… pois toda a Humanidade foi criada par viver na mais perfeita harmonia, na mais íntima Fraternidade”.
Reflexão sobre o cargo de Venerável
A Maçonaria, através de sua história, muito tem contribuído para o engrandecimento do país. Ela é o celeiro de homens valorosos que se projetaram no cenário nacional e internacional, deixando registrados seus feitos e realizações. A Maçonaria é o berço e o nascedouro de muitas ideias que ganharam repercussão e que serviram para modificar comportamentos e situações adversas. Ideias que forjaram o progresso!
As nuances que acompanham a história da humanidade estiveram sempre ligadas ao comportamento das lideranças existentes em suas respectivas épocas. No caso da Maçonaria, os líderes nascem no seio da própria loja. É na oficina que se forja o homem que deverá zelar pelos destinos maiores da Instituição, quiçá alçando voos mais altos na iniciativa privada e ou pública.
Quando a têmpera é boa, o líder se mantém, sem imposição, sem forçar nada. Seu valor será medido pelo grau de apoio e de oposição que recebe. Sua respeitabilidade torna-se inabalada, sua conduta retilínea. Os lampejos de frustração e de desilusão transformam-se em momentos de fé e de esperança. O homem mantém-se e cresce n medida da força interior que possui.
O tempo passa, o mundo se transforma. A Maçonaria transforma-se em função da renovação dos obreiros. Muitos se projetam e se matem na humildade e na proporção de sua formação maçônica e espiritual, tornando-se afáveis, conselheiros, mestres por excelência, respeitabilíssimos acima de tudo. E para concluir,  nada mais oportuno do que deixar uma mensagem aos futuros ocupantes do cargo de Venerável que é a de gravarem em suas mentes um pouco do espírito contido na carta do Apóstolo Paulo a Timóteo, o que recomendava, na exaltação final, fugir das disputas levianas que a nada levam, mas recomendando pelejar uma boa peleja, com toda a força e todo o ardor, não esmorecendo e não temendo nada, em momento algum, irradiando sempre uma expectativa de esperança e de fé, pois a disciplina dá a convicção e a confiança para a realização de um trabalho de coalisão com a participação e cooperação de todos os irmãos do quadro.

Comportamento do novo Venerável Mestre
Por mais que você sofra de perfeccionismo, todos nós temos defeitos. Afinal, somos seres humanos
Mesmo experimentando incompreensões e dificuldades, o Venerável Mestre é amigo de todos, como um sol que se irradia a todos que o recebem.
Por mais que você sofra de perfeccionismo, todos nós temos defeitos. Afinal, somos seres humanos. O erro é não admiti-los e, pior, não tentar corrigi-los.
O cargo de Venerável é temporário, e o exercício dignifica seu ocupante, por ter sido escolhido entre seus pares para a distinção de representá-los e conduzi-los à continuidade da Loja, visto, pois, como iluminado para a direção dos trabalhos, e tudo fará com sabedoria precisa para a orientação dos obreiros do quadro. Poderá até ser impecável no quesito administrativo, mas deverá evitar esbarrar em problemas como: falta de tato nas relações com os obreiros; acomodação; individualismo e até ausência de ética.
Siga alguns conselhos para não cometer nenhum desses pecados.
Na essência, o Venerável Mestre é um coordenador, um instrumento gerador de frequência, de vibração, um modelo organizador, mediador, aglutinador, preceptor, e não um mandante, decisor, chefe ou ditador, mesmo porque lhe cabe manter a união do grupo, a harmonia do todo, o exemplo da conduta maçônica.
Desinteresse – Desinteressados são os que não vão atrás de soluções para os problemas. Presos à rotina, eles não buscam novos desafios. Para não ficar na acomodação, o Venerável deve trabalhar, como se a Loja fosse uma empresa de sua propriedade, assumindo os riscos e se responsabilizando pelo que resultar, certo ou errado. Muitos Irmãos que passaram pelo trono Salomônico contam que é preferível o ocupante de um cargo,  que erra a aquele que nada faz que não “veste a camisa”, que é omisso.

Individualismo – O dirigente da Loja não deve ter a ideia errônea de que só a informação é suficientemente poderosa para o bom desempenho das atividades. O que importa é o espírito de equipe. Chama os Irmãos pelo nome, presta atenção e não começa outra pauta sem concluir a que está em discussão. A questão da estrutura muito rígida está desaparecendo. A hierarquização orgânica é necessária para a distribuição de deveres e responsabilidades, proporcionais e limitadas à importância dos cargos.
Uma Loja não é um quartel onde prevalece a hierarquia sobre a democracia. Hoje a Loja trabalha por planejamento e precisa de um time coeso para bem administrá-la. Sempre que possível é bom repartir com os irmãos assuntos que tenham despertado interesse e que tenham, de alguma forma, pertinência com a vida da Oficina em particular ou maçônica em geral.
O titular de um cargo da administração da Loja que não tiver o perfil de colaborador deve ser substituído de imediato. Para corrigir essa falha, fica mais fácil sermos conscientes, enxergarmos que sempre precisamos de ajuda espontânea e consciente. Desenvolve-se uma visão de conjunto, assimilando as atividades de forma mais ampla e realista. Aprende-se, acima de tudo, a respeitar o outro.
Falhas de comunicação – O Venerável pode ser extremamente competente, mas, se não souber se expressar, como vai mostrar seus resultados? O poder da oratória inclui também o marketing pessoal e a negociação. Vale tudo para se aperfeiçoar, estudar, informar-se, ler, não fazer nada de improviso para poder falar com convicção sobre qualquer tema.
Formas procedimentais – Embora não seja muito frequente, ocasiões existem no dia a dia, especificamente em Sessões de Câmara do Meio, que reclamam intervenção rápida e fundamentada do Venerável, diante de uma situação de anormalidade, por fatos inesperados. Às vezes, surgem discussões ásperas, não havendo condições de os Trabalhos prosseguirem.
De nada resultará o dirigente fazer valer a sua autoridade e se pôr a golpear com o “malhete”. Deve acabar com as disputas rapidamente. Um dos tributos do Venerável eficiente é a habilidade de ser pacificador, de ser o catalisador da reconciliação.

O que deve fazer o Venerável?
Usar do meio ao seu alcance. Comandará o “de pé e a ordem”. E pedirá a “exclamação” e a “bateria”.
Esses “sons” neutralizarão as vibrações contrárias e a serenidade voltará a reinar.
Poderá acontecer se houver a necessidade, para benefício dos próprios Trabalhos, contornarem alguma “crise”, seja da Loja em si, seja de um membro do Quadro, que o Venerável se veja obrigado a lançar mão de outros remédios para que os resultados se façam sentir.
Se as formas procedimentais não surtirem o resultado desejado, então não haverá como deixar de utilizar o recurso jurídico-maçônico posto à disposição do Venerável: suspender os Trabalhos ou levantar a Sessão.

Sindicância Maçônica – A Maçonaria, assim como outras instituições profanas, utiliza a sindicância como instrumento de coleta de dados relevantes sobre um Profano proposto à iniciação maçônica. Trata-se, portanto, de um procedimento sério, que, não raro, é desvirtuado pela falta de perfeito cuidado do Venerável e de compreensão, dos sindicantes, quanto à sua correta extensão maçônica.
Não obstante, convém não confundir a sindicância maçônica com a sindicância profana, uma vez que, apesar dos inúmeros pontos de contato, elas têm algo diferente: a sindicância maçônica tem por escopo maior oferecer dados à Loja sobre o profano proposto à iniciação, a fim de que ela possa deliberar sobre o pedido, acolhendo-o ou rejeitando-o.
Os sindicantes deverão investigar cuidadosamente e com o máximo critério, toda a vida passada e presente do Candidato, principalmente quanto às suas qualidades morais, sociais e econômico-financeiras
- O Venerável nomeará particularmente três Mestres para realizarem, independentemente, a sindicância, trabalho esse que não poderá ser recusado, salvo por razões de impedimentos justificáveis.
- Portanto, para que se tenha uma atuação satisfatória dos sindicantes é necessário que a designação recaia em mestres qualificados para o trabalho. É aconselhável indicar sindicantes que estejam próximos do candidato em relação à profissão, idade, estado civil, cultura etc., um médico conhece melhor pormenores da profissão de um colega do que um militar, industrial ou fazendeiro, e vice-versa. Supondo-se que essa qualificação exista, pode-se assegurar que a atuação dos sindicantes deverá ser norteada pelos critérios seguintes:
- Seriedade: Exaustividade – O relatório deverá abranger o suficiente para fornecer as informações que realmente interessam á Loja e não a cunhada que às vezes acompanha manter sigilo absoluto.

- Imparcialidade; Criticidade – O relatório deverá conter, de modo fundamentado, a visão do sindicante no que diz respeito com a possibilidade de o Profano afinar-se com a filosofia maçônica. Nunca esquecendo que os valores espirituais e morais são mais importantes porque, sendo perenes, sobrevivem à existência material.
Um mestre recém-Exaltado ainda não tem traquejo maçônico suficiente – e muitas vezes não tem mesmo conhecimento adequado, para ser sindicante. Poderá ser autor de desatinos danosos para o Profano e para a Maçonaria.
Talvez esteja na hora de as Lojas iniciarem a responsabilização daqueles sindicantes desidiosos, autores de sindicâncias maçônicas que merecem essa qualificação. Isso deveria acontecer todas as vezes que se puder provar que os sindicantes, de caso pensado, fizeram sindicâncias imperfeitas para favorecer ou prejudicar o Profano proposto à Iniciação.
Considerando a diversidade de aptidões para a compreensão da parte filosófica da Maçonaria, é necessário admirar a sua moral antes de tudo – mas praticá-la.
Os que não se limitam em apenas extasiar-se diante da moral maçônica, que a praticam e a transformam no sentido mais abrangente, na regra de proceder a que obedecem, são os verdadeiros maçons, ou melhor, os
Veneráveis que a Loja precisa.
Os princípios que a Maçonaria revela passam a ter por meta, em seu veneralato, a conquista ou manutenção de valores morais e espirituais, fundamentados nos ensinos dos Rituais.
Saberá que não conseguirá uma alteração imediata de comportamento do conjunto por força dos hábitos (usos e costumes), mas trabalhará, a partir daí, no sentido da busca permanente da renovação de sua Oficina, caracterizada pela conquista de novos e melhores hábitos e só iniciarão homens realmente “livres e de bons costumes”.
Por isso é que se diz: “Reconhece-se a Loja pelo Venerável que a dirige”. Ou, ainda: “Reconhece-se o verdadeiro Venerável pela transformação moral e pelos esforços que emprega par domar as inclinações deturpadas ou más de sua Oficina.
Texto; Ir. Gabriel Campos de Oliveira

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