quarta-feira, novembro 13, 2013

Esquadro Nível e Prumo
João Guilherme da Cruz Ribeiro
O primeiro registro de joias maçônicas de que se tem conhecimento até agora está nas atas de 24 de junho de 1727, da primeira grande loja, quando se resolveu:
Que, em todas as lojas e nas comunicações quadrimestrais e nas reuniões gerais, o mestre e os vigilantes usem as joias pendentes de uma fita branca, quer dizer, que o mestre use o esquadro, o primeiro vigilante o nível e o segundo vigilante o prumo.
Faz sentido que as joias que identificam os principais oficiais da loja tenham sido inspiradas nas ferramentas de aferição dos antigos maçons operativos.
Essa associação entre as joias e os cargos existe desde tempos remotos, remontando ao nosso passado operativo. O irmão J. S. Purvis mergulhou em antigos documentos que fazem referência a maçons, na cidade de York, entre eles as atas da paróquia, sediada na famosa Catedral York Minister. Fica patente, pelos registros, "que, dos meados do século XVI, ou até antes, há evidências de um sistema bem definido ou ordem entre os maçons da Catedral de York".
Mais adiante, ainda pesquisando nas atas da Catedral de York, ele encontra um trecho importante, na parte referente a 1370:
É ordem que nenhum maçom seja recebido para o trabalho da igreja sem que seja provado, por uma semana ou mais, quanto à sua destreza; e, depois que seja considerado competente em seu trabalho, que seja recebido com o assentimento geral do mestre e vigilantes da obra e dos mestres maçons e que jure sobre o livro, tão verdadeira e operosamente quanto puder, sem subterfúgios ou malícia, guardar todos os pontos desta obrigação em tudo que lhe diga respeito ou venha dizer.
Mais adiante, ele relaciona uma lista de ferramentas no inventário da loja de pedreiros, no ano de 1400: "incluía 69 malhos, 96 cinzéis de ferro, 24 malhetes com acabamento em ferro, um compasso de ferro e duas tábuas de delinear". É importante notar que não constavam esquadros, níveis ou prumos, ferramentas imemorialmente associadas aos responsáveis pela loja operativa. Isto porque elas são ferramentas de aferição, de verificação dos trabalhos executados pelos artífices. E, como tal, guardadas individual e zelosamente por aqueles responsáveis, o mestre e os vigilantes.
É preciso entrar no contexto. Então, o nível de bolha, a versão moderna da ferramenta tradicional, pode ser excelente para o mestre de obras com a mão na massa, mas não tem lugar na loja maçônica, por favor!
Fonte
1.      GUILHERME, João, Tudo tem Razão de Ser, Cada Coisa tem seu Nome, ISBN 978-85-7252-319-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 212 páginas, Londrina, 2013.

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