terça-feira, fevereiro 01, 2011

Iniciação e Ritual - HT

À GLÓRIA DO G.’.A.’.D.’.U.’.
V.’.M.’. e vós todos, meus Irmãos e Irmãs, em vossos graus e qualidades,
Iniciação e Ritual
Leitura do Livro I ― Poimandres ― Hermes Trimegisto
Uma consciência que nos liga operativamente ao divino
Iniciar: começar.
Iniciar-se é começar, empreender, ser no presente. Uma presença, uma consciência que nos liga operativamente ao divino.
No centro onde os caminhos se cruzam, onde tudo é UM, lá onde se efetiva na consciência o reencontro com o eixo vertical no plano horizontal.
Iniciar-se é sempre começar e não continuar
... como antes
... para depois
Iniciar-se
... um eterno presente!
Um processo alquímico e íntimo.
Trata-se de um processo alquímico: um processo íntimo e sutil. Para que haja passagem a estados sucessivos, é preciso que efetivamente exista mudança, Iniciação, presença, consciência. É preciso que o processo seja empreendido, que comece verdadeiramente.
E por isso, o papel do processo iniciático faz com que os fenômenos aparentes e figurados pelo Ritual se desdobrem em planos mais sutis.
Senhor, ainda outra vez eu vos digo, toda cerimônia maçônica se desdobra em planos sutis de realização oculta.”

Nostalgia e Sono
A nostalgia aplica-se ao passado como ao futuro: um passado que não será mais.
Um passado que não foi aquilo que teria podido ser.
Um futuro que já
De modo previsível
Não será tal ou qual
... que será, pois, reunido ao passado
...àquele que teria podido ser.
Tantos estados e processos mentais que manifestam a condição humana em seu estado de declínio e encerramento no passado matéria, dual: pode-se dizer em estado de adormecimento!
Mas Deus, que nós amemos este estado!
... “a natureza sorriu de amor, porque ela viu a beleza do homem na água e sua sombra na terra. E ele, percebendo na água o reflexo de sua própria forma, toma-se de amor por esta e deseja possuí-la. A energia acompanha o desejo, e a forma privada de razão foi concebida. A natureza apodera-se de seu amante, envolve-o inteiramente e eles se unem em amor recíproco. Eis por que, de todos os seres que vivem sobre a terra, o homem é duplo, mortal pelo corpo, imortal por sua própria essência. Imortal e soberano de todas as coisas, ele é submisso ao destino que rege aquilo que é mortal; superior à harmonia do mundo, ele é cativo de seus laços; macho e fêmea como seu pai e superior ao sono, ele é dominado pelo sono” (H, 3R)
Sabedoria, Força e Beleza
É pela consciência que somos ligados ao divino.
Consciência e Inconsciência só têm sentido no plano operativo.
Não têm sentido no presente.
A presença
O espontâneo
O jorrar
Não têm sentido porque sinalam a participação ou o adormecimento do ser em relação à sua reintegração... Em relação ao seu regresso... Sua ascensão em direção ao divino.
A consciência não tem sentido senão quando ela ultrapassa em Sabedoria, Força e Beleza o encanto da experiência que conduzimos sobre a terra,
Movimento iniciático, estado vibratório.

Não se trata de uma consciência do tipo inteiramente mental, eventual ou puramente especulativa.
A manifestação da tomada de consciência sobre os planos da personalidade desdobra-se em planos mais sutis e opera, então, transformações propriamente iniciáticas.
Para manter ou provocar esse movimento iniciático, importa manter um estado vibratório, uma oscilação propícia
... o símbolo, a alegoria permitem provocar a solicitação de diferentes planos do ser; de seus aspectos matéria e daqueles do espírito: inteligência, razão, crença, imaginação.
O símbolo não é nada se não vibra, se não se inicia por um movimento interior que vai manter o movimento iniciático da consciência, no seio da qual vai se suceder indefinidamente a alternância do fixo tornado volátil... tornado fixo por sua vez.
E durante nosso sono
A criação se deslinda muito bem sem nossa consciência e parece nos inscrever de todas as maneiras, de fato, em todas as suas manifestações.
A natureza funciona muito bem, segundo as leis da harmonia que lhe são próprias, a despeito de nossas considerações ou de nossos debates sobre o consciente, o inconsciente... o supra consciente...
Sobre o plano da manifestação “Nada se perde, nada de cria, tudo se transforma”.
As leis da harmonia regem o mundo.
Nosso consumo, nossas produções e nossas poluções se integram, se desintegram, tomam de empréstimo e restituem...
A polução retarda nossa consciência, aniquila-a; é nosso livre arbítrio que ela capitaliza, nossa Iniciação que ela freia, pois que ela nos fixa na negação, cegamente.
Eis aqui os arcanos da Gnose
...que aqueles que têm olhos
E ouvidos”
Da Manifestação à Essência
O Ritual, se ele for mais ou menos inspirado, é de qualquer sorte transcrito pelo homem em sua condição terrestre, e em muito tomado de empréstimo ao mental, que dispõe principalmente de uma aproximação dual da criação e de um ambiente que ele “personaliza”.
Não se deve, todavia, negar ao ser humano, mesmo o dito “profano”, a memória esporádica de um conhecimento das coisas que ressurgem do divino.
O Ritual esforça-se para nos levar da manifestação à essência, entrar novamente em intimidade com aquele do qual é dito
Tu que a natureza não criou”
Bom! Compreendeste bem que minha concepção de Iniciação, que transcorre velozmente com a primeira revelação de Hermes Trimegisto, nutria-se de um Ritual deísta!
Importância do Ritual
Que Ritual para qual Iniciação?
A maçonaria deve, sem dúvida, sua parte “universal” ao fato de que ela oferece uma profusão de Ritos que se unem, com algumas poucas exceções, sob a bandeira comum do G.’.A.’.D.’.U.’..
Não vou me deter sobre os fundamentos dos diversos Ritos que serão objeto, neste ano, de uma peça de arquitetura bem detalhada por um de nossos irmãos. Simplesmente parece claro que um Rito induz a um Ritual que suportará uma procura iniciática específica.
E é segundo cada um: escolhe-se o próprio Ritual ou se o descobre uma vez que se o pratica, segundo o grau de consciência na escolha e sua adequação à busca iniciática, sua eficácia mostrando-se então maior ou menor.

O Rito de Misraim
O Rito de Misraim funciona sobre a concepção do criador universal do qual emanam todos os poderes e todas as manifestações. Ele procede igualmente, em sua essência, suas aplicações e suas modalidades, da unidade trina. Ele se relaciona a concepções dos monoteísmos e liga-se diretamente ao hermetismo tal e qual sua expressão “as três revelações de Hermes” e pode prefigurar o Cristianismo.
... Quando o incenso se espalha
... Arquiteto de todos os Mundos, tu que disseste: “Eu criei todas as Formas com minha Palavra, quando ainda não havia nem céu nem terra”
… Antes da cadeia de união
Potência eterna e soberana que se invoca sob cem nomes diferentes, Arquiteto Supremo, Ordenador de todos os Mundos, neste Templo e em direção a Ti voltam-se nossos corações em sua fidelidade.
… No testamento filosófico
… Considerando que a Filosofia ensina a conceber, e a observação ensina a admitir a existência provável de uma Inteligência ativa em todo Universo, Inteligência cuja Luz elementar é provavelmente a primeira manifestação tangível, e um agente criador e organizador da Matéria Universal,
O princípio evocado é aquele da eternidade.
Ele não é fixado, porque é ele que fixa e que anima pelo presente, lugar da consciência, perfume de eternidade... Espírito dos seres e das coisas animando a matéria mergulhada no passado e futuro, noções fugidias, incompreensíveis.
O eixo Zênite Nadir é o eterno presente
Ele tenciona passado e futuro ― plano horizontal da manifestação ― e lhes permite então existir em consciência no círculo do Ouroborus, no exato local onde este morde a própria cauda: existir pelo despertar, a memória dolorosa que ressurge.
Iniciar-se é aprender a morrer.
Aprender a morrer
Remontar à origem
Aprender a viver em consciência, lembrando-se de que a vida engloba a passagem terrestre, de que o corpo é um empréstimo tomado à Dama natureza (a natura naturanda) que lhe será restituído
O intelecto divino entra no espírito
O espírito entra na alma
A alma entra no corpo
O fogo toma um invólucro de ar que se insufla na água que penetra a terra
... assim o fogo penetra a terra sem queimá-la
... Morrer
Após havê-la integrado, será preciso desintegrar o corpo que não é mais então animado, entregando seus constituintes à natureza.
A Ascensão em Direção ao Divino
Em tudo se desdobrando em planos mais sutis, as diversas viagens do candidato figuram e dão o ensinamento da morte do corpo e das paixões que se ligam à alma.
... Após o sopro do M.’. de Cer.’. nas faces do candidato
Senhor, esta viagem dá continuidade à série de purificações naturais que sofre a Alma humana em sua ascensão ao divino. Despojando sucessivamente os envoltórios sutis que recobrem esta faísca divina que denominamos alma...
… Poimandres à Inteligência
Tu me instruíste de tudo, como eu desejava, ó Inteligência; mas esclarece-me sobre a maneira como se faz a ascensão.
Primeiro, diz Poimandres, a dissolução do corpo material, entregando seus elementos a metamorfoses; a forma visível desaparece; o caráter, perdendo sua força, é entregue ao demônio; os sentidos retornam às suas fontes respectivas e confundem-se às energias (do mundo). As paixões e os desejos entram na natureza irracional; aquilo que permanece eleva-se assim através da harmonia (...)
Assim se justificarão então, talvez, para alguns, todas essas bizarrias, essas alegorias e este simbolismo que, quando não são bem aproximados, conjecturados, sub-ordenados e sinceramente explorados, tornam-se objeto da negligencia e da derrisão... E o Ritual, falto de sentido, podado, despojado, corre então todos os riscos de não mais preencher sua função iniciática.
Iniciar-se é empenhar-se. É escolher.
A pergunta formulada em diversas ocasiões
Senhor, consentis em morrer para vossa vida passada?”
Senhor, antes de dar prosseguimento a esta cerimônia, eu vos convido a refletir. Quereis?”
... não vos arrependereis de nada daquilo que vos será imposto?”
Aceitais fazer a terceira viagem? Senhor, aceitai?”
Iniciar-se é dissolver-se e ainda renunciar

Bebida do Esquecimento
Lenta, mas seguramente, a egrégora que anima e conduz nossa antiga Sociedade vos penetrará, sua vontade substituirá a vossa e, no próximo aniversário de vossa recepção, nada mais restará do homem que atualmente sois.
Purificação pela Água
Vós não sereis mais (...) que “semelhante ao cadáver que a mão do lavador de defuntos remexe como quer”
Enquanto sobre o adro
A Iniciação prossegue sobre o adro, no entrechoque entre as ferramentas e o ego!
Martela-se a pedra, o ego, para retirar-lhe as asperezas, suas fraquezas, para torná-lo forte uma vez dominado para que a pedra talhada participe do edifício.
Sobre o adro não se destrói, forma-se e forja-se (com o fogo exterior que não é o fogo alegórico do templo)
Enfim, meus irmãos (e minha irmãs), sobre o domínio da Iniciação que nos prende, e o espírito, o coração, os sentimentos, as emoções, e ainda nos provoca vertigens, mas às vezes nos retira da raiva e do escárnio
... Um pouco de beleza, de força e de sabedoria. O convite à viagem: ....
O 1º Reino é a existência antes da existência
O 2º Reino, reino deste mundo
O 3º Reino é o intervalo que atravessamos após a pequena e a grande morte.
O 4º Reino é a ressurreição sobre a terra que se desperta e o retorno à condição original.
O 5º Reino é o jardim e o fogo.
Saiba que desde que Deus criou os seres humanos e os fez surgir do Nada, eles não cessaram de ser viajantes. Eles não têm nenhum lugar onde repousar de sua viagem, a não ser no jardim e no fogo, e cada jardim e cada fogo é a medida de sua pessoa.
E tenho dito, VM.

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