domingo, setembro 16, 2012



A Maçonaria e o Cristianismo

ESTATUTOS

Em 1723 foi publicado o primeiro estatuto da novel organização (A
Grande Loja de Londres) conhecido mundialmente como "Constituições de
Anderson", por ter sido compilada e redigida pelo Rev. Presbiteriano
James Anderson (1680-1739). Outros dizem ser as "Constituições" obra.
de seu prefaciador, o Rev. Anglicano João Teófilo Desaguliers
(1683 - 1744) de família huguenote francesa que emigrou para a
Inglaterra após a revogação do Édito de Nantes.

INFLUËNCIA PROTESTANTE

É inegável que a Maçonaria Moderna foi organizada sob
influencia protestante. Os redatores do primeiro Estatuto (Anderson e
Desaguliers) por suas crenças, não poderiam deixar de introduzir
princípios evangélicos na nova organização, principalmente
devido ao fim a que ela se destinava. Provavelmente devido a tais
princípios, a Maçonaria se desenvolveu muito nos países onde
predominava a influencia protestante (Inglaterra. Alemanha e América
do Norte), propagando-se depois para o resto do mundo.*

A MAÇONARIA E OS BATISTAS NO BRASIL

Os emigrados dos EUA que se estabeleceram em Santa Bárbara em São
Paulo fundaram em 10/09/1871 a Igreja Batista em Santa Bárbara (4.
pg. 230), a primeira Igreja Batista estabelecida em solo brasileiro (Pr.
Richard Ratcliff), fundaram também em 1874 a Loja Maçônica "George
Washington" (4, pg. 44), onde se encontravam cerca de oito batistas
sendo que pelo menos cinco deles foram também fundadores da Primeira
Igreja, entre eles estava o Pr. Robert Porter Thomas .

O Pr. Thomas foi interino por diversas oportunidades tanto na Primeira
Igreja quanto na Igreja da Estação (2a), fundada em 02/11/1879 (Pr.
Elias Hoton Quillin). O pastorado interino do Pr. Thomas nas duas
Igrejas somou cerca de 25 anos de profícuo trabalho, sendo o que mais
tempo pastoreou tais Igrejas.

Em 12/07/1880, a pedido da Igreja da Estação, foi formado um
Concílio reunindo as duas Igrejas, para Recepção e Consagração
ao Ministério do Irmão Antônio Teixeira de Albuquerque, tendo
sido batizado pelo Pr. Thomas. Foi moderador do Concílio que se
realizou no salão da Loja Maçônica, o Pr. Ouillin, conforme se
descreve na carta subscrita pelo moderador e pelo secretário do
Concílio (4, pg. 249 - tradução e pg. 407 fac-símile do
original) ao Foreign Mission Board of fhe Soufhern Baptist Convention
(Richmond, VA., U. S.A. ).

Destaco o fato curioso de que o Primeiro Pastor Batista Brasileiro,
além de ter sido batizado por um Pastor que era Maçom foi ainda
consagrado ao Ministério da Palavra no salão da Loja Maçônica.

É importante recordar que a Igreja em Santa Bárbara era uma igreja
missionária. Foi ela que insistiu e conseguiu, que a "Junta de
Richmond" nomeasse missionários para o Brasil, estabelecendo- se
então em Sta. Bárbara a "Missão Batista no Brasil". O primeiro
missionário foi o Pr. Ouillin (1878), com sustento próprio.
Seguiram-se, sustentados pela "Junta": Bagby (1880), Taylor (1882),
Soper (1885), Putheff (1885) e outros sendo que Bagby, Soper e Putheff
foram pastores da Igreja em Sta. Bárbara, que tinha entre seus
membros, um expressivo grupo de maçons

Em 1921, Salomão Luiz Ginsburg, Missionário da Junta de Missões
Estrangeiras de Richmond, publicou o seu livro "Um Judeu Errante no
Brasil ", sua autobiografia. Encontra-se em algumas partes de seu relato
a descrição de sua condição de Maçom (5, pg. 82 e 83 ).**

Da imensa obra de Ginsburg desejo destacar poucos tópicos. Foi
Ginsburg o editor do primeiro Cantor Cristão (16 hinos) em 1891 e na
edição atual do referido Cantor ele aparece como Autor ou Tradutor de
102 hinos. Destaco ainda, conforme nos informa o Pr. Ebenezer Soares
Ferreira (veja O Jornal Batista nº 30 de 24/07/94), Ginsburg foi o
fundador, na cidade de São Fidélis no Estado do Rio de Janeiro, da
Loja Maçônica Auxílio à Virtude (02/07/1894) e da "Egreja DE
CHRISTO, CHAMADA BATISTA" (27/07/1894) . que foi a primeira Igreja
Batista em São Fidélis Segundo o mesmo autor (9, pg. 64), o
primeiro Templo Batista construído no Brasil, foi o da Primeira
Igreja Batista de Campos, edificado sob o pastorado de Salomão
Ginsburg e com a colaboração financeira dos Maçons.

O Pastor José de Souza Marques, que foi Presidente da Convenção
Batista Carioca e da Convenção Batista Brasileira, tendo em 1940, na
Convenção da Bahia, organizado a Aliança dos Pastores Batistas
Brasileiros, que mais tarde tomou o nome de Ordem dos Ministros Batistas
do Brasil, permanecendo em sua Presidência até 1962, cujo fruto
todos conhecem, exerceu cargos importantes na administração
maçônica, tendo sido inclusive presidente, por muito tempo, do
Supremo Tribunal de Justiça Maçônica. Ainda hoje, a única foto
existente no Salão do Conselho do Palácio Maçônico do Lavradio,
é a do Pr. Souza Marques. No mesmo Palácio, a sala de Tribunal de
Justiça tem o nome de José de Souza Marques. Foi também Membro
Efetivo do Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e
Aceito, encontrando- se em sua sede em exposição, um retrato pintado a
óleo do Pastor Souza Marques.

Inúmeros outros Homens de Fé, verdadeiros cristãos, inclusive
batistas de relevância na Denominação, têm sido maçons sem
encontrar incompatibilidades entre a Fé Cristã e a prática
Maçônica. ***

OS ADVERSÁRIOS DA MAÇONARIA

Existem pessoas que têm razões para se oporem à Maçonaria.
Todos os que defendem princípios contrários aos princípios
maçônicos são adversários da maçonaria. Entre tais
destacamos: Os Papas da Igreja Romana, os sectários contrários ao
livre arbítrio, os totalitários (nazistas, comunistas, membros da
TFP e outros); os fanáticos e muitos outros.

A perseguição aos Maçons, devido aos princípios que defendem,
é antiga. O primeiro documento encontrado combatendo a Maçonaria
é uma Capitular de Carlos Magno do ano de 779, proibindo a reunião
de Guíldas. As autoridades laicas alegavam que os associados se
reuniam em banquetes periódicos a fim de se entregarem ao vício da
embriaguez, e as autoridades eclesiásticas afirmavam que a
perseguição que moviam contra as Guildas era por causa do juramento.
Diziam-se preocupadas pela salvação da alma do jurador no caso dele
perjurar-se. Na realidade, tentavam com semelhantes pretextos
especiosos, impedir o funcionamento das Gui1das temidas politicamente
(8, pg. 46).

A perseguição dos Papas da Igreja Romana contra a Maçonaria
começou pela edição da Bula "II Eminenti" (6, pg. 379) em 28 de
abril de 1738, por Clemente XII e até 1907 seguiram-se mais 25
documentos entre "Bulas", "Encíclicas" e outros, de ataque à
Maçonaria.

Em 18/05/1751, o papa Bento XIV publicou a Bula "Providas" (6, pg. 381),
onde, referindo-se à "II Eminenti", declarou: "Finalmente, entre as
causas mais graves das supraditas proibições e ordenações
enunciadas na constituição acima inserida a primeira é: Que nas
sociedades e assembléias secretas, estão filiados indistintamente
homens de todos os credos; daí ser evidente a resultante de um.grande
perigo para a pureza da religião Católica."

Seguem-se mais cinco causas; proclamando- se contra a obrigação do
segredo, a forma de compromisso, a liberdade de reunião e outras.
Conclama os Bispos, Superiores, Prelados e Ordinários, a não
deixarem de solicitar o poder secular, para a execução das referidas
regras.

Foi assim decretada a "Inquisição" contra os Maçons, pela
oposição papal à Instituição, com as conseqüências que a
história amplamente registra. Outros cristãos têm se
manifestado contra a Maçonaria; os Neopentecostais, os
Fundamentalistas modernos os Cismáticos e outros.****

É interessante notar que as causas de oposição dos modernos
adversários dos maçons são muito antigas, são as mesmas
utilizadas pelos papas na antiguidade.

Entre os cismáticos devemos destacar o Ex. Ministro presbiteriano
Eduardo Carlos Pereira, que no início do século, com a oposição
aos Maçons dentro da Igreja Presbiteriana, conseguiu separar-se com
seus seguidores estabelecendo a Igreja Presbiteriana Independente. O
tema tem sido tratado em muitas Igrejas, sempre visando provar que a
Maçonaria é Seita ou Religião, para poderem assim combatê-la
com facilidade no meio Cristão. O maçom Rev. Presbiteriano Jorge
Buarque Lyra, respondeu à altura as questões postas por Eduardo
Pereira".

NOTAS

* Bruno de Bonis é cristão evangélico, diácono da Igreja
Batista do Méier, no Rio de Janeiro, membro ativo da Loja Maçônica
Trabalho e Liberdade n° 1391, filiada ao Grande Oriente Estadual do
Rio de Janeiro (GOB).

** Salomão Luiz Ginsburg fundou, em 1902, o Seminário Teológico
Batista do Norte do Brasil, o qual, no próximo ano estará
comemorando o seu Centenário, inclusive com a realização da
Assembléia Anual da Convenção Batista Brasileira nesta Cidade do
Recife como parte da efeméride. Salomão Ginsburg toi membro da
"Duke de Clarence Lodge°, na Cidade de Salvador, da , Restauração
Pernambucana, em Recife e, na jurisdição da Grande Loja Maçônica
do Estado do Espírito Santo é patrono da Loja nº 3 - Loja
Salomão Ginsburg.

*** David Mein, reitor do Seminário Teológico Batista do Norte do
Brasil, durante quarenta anos, Pastor da Igreja Batista do Cordeiro
(segunda Igreja Batista fundada na Capital), Presidente da Convenção
Batista Brasileira em várias oportunidades, foi maçom atuante,
membro da Loja Cavaleiros da Cruz.

**** A obra "Antimaçonaria e os Movimentos Fundamentalistas do Fim do
Século XX". de autoria de Descartes de Souza Teixeira, cristão
batista, maçom ativo, membro da Grande Loja Maçônica de São
Paulo, traça um perfil detalhado dos movimentos antimaçônicos
entres os evangélicos.

REFERËNCIAS BIBLIOGRAFICAS

1 - Aslan, Nicola, A Maçonaria Operativa, Editora Aurora Ltda, Rio de
Janeiro (RJ), 1979.

2 - Constituições dos Franco-Maçons de 1723 (As), Reprodução do
original e tradução de João Nery Guimarães, Editora A
Fraternidade, São Paulo (SP), 1982.

3 - Autores Diversos, O Cantor Cristão, JUERP, Rio de Janeiro (RJ),
1971,4a. edição com música.

4 - Oliveira, Betty Antunes de, Centelha em Restolho Seco, Edição da
Autora, Rio de Janeiro (RJ), 1985.

5 - Ginsburg, Salomão Luiz, Um Judeu Errante no Brasil, Casa
Publicadora Batista, Rio de Janeiro (RJ), 1970, 2a. edição.

6 - Aslan, Nicola, A História da Maçonaria, Editora Espiritualista
Ltda, Rio de Janeiro (Rl), 1959.

7 - Ferreira, Ebenezer Soares, História dos Batistas Fluminenses ,
Rio de Janeiro (RJ), Edição do Autor, s.d

8 - Aslan, Nicola, Histórica Geral da Maçonaria - Período Opera
ivo, Gráfica e Fditora Aurora Ltda, Rio de Janeiro (RJ), 1979.

9 - Reimer, Haroldo, Maçonaria - A resposta a uma carta. Edições
Cristãs, Ourinhos (SP)- s.d.

10 - Pereira, Carlos Eduardo, A Maçonaria e a Igreja Cristã,
Livraria Independente Editora, São Paulo (SP), 1945, 3a edição.

11- Lyra,.Jorge Buarque, A Maçonaria e o Cristianismo, Editora
Espiritualista Ltda, Rio de Janeiro(RJ), 1971, 4a edição.

12 - Prober, Kurt, A História do Supremo Conselho do Grau 33 o
Brasil, Livraria Kosmos Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1 981.

13 - Pereira, I. Reis, A História dos Batistas no Brasil, JUERP, Rio
de Janeiro (RJ), 1982.


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