sábado, abril 06, 2013


A Maçonaria no Brasil

Obra registrada na Biblioteca Nacional – Direitos Autorais:
Nº do registro: 444.566
Livro: 834
Folha: 226

Não há registros da chegada da Maçonaria no Brasil, mas teria sido trazida por comerciantes ingleses e franceses, no início do século XVIII. Muitos pesquisadores postulam que, havia clubes e academias literárias, cujos ideais eram, na realidade, maçônicos.
Há muitas controvérsias, com relação à primeira Loja Maçônica instalada no Brasil.
Segundo antigos registros, 1786 teria sido o ano do surgimento da Maçonaria no Brasil, com a volta do maçom José Alves Maciel da Europa. Alguns pesquisadores apontam a instalação da primeira Loja, em 1787, “Cavaleiros da Luz”, na povoação de Barra, em Salvador, Bahia. Outros autores defendem a hipótese de que a primeira Loja brasileira teria surgido em Pernambuco, em 1796 - o “Areópago de Itambé” - que foi fundada pelo ex frei carmelita, médico e botânico formado pela Faculdade de Montpellier, França, Manuel de Arruda Câmara e dissolvida em 1801, por autoridades portuguesas, que descobriram conspirações contra a Coroa.
Outros autores, afirmam que a primeira Loja Maçônica fundada no Brasil foi na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1800, e recebeu o nome de "União"- um ano depois, devido ao grande número de adeptos, sofreu reestruturação e passou a denominar-se “Reunião”. 
De acordo com o Mestre Maçom Raimundo Rodrigues (SP):
“Segundo o manifesto de José Bonifácio publicado em 1832, a primeira Loja Simbólica regular no Brasil foi instalada em 1801, debaixo do título de Reunião, filiada ao Oriente da Ilha de França, e nomeado para seu representante o cavaleiro Laurent, que a fortuna fez aportar às formosas praias da Bahia de Niterói e que presidira a sua instalação.
Na mesma página, o autor informa:
Em 1801 a Loja “Reunião” é regulamentada e instalada sob o reconhecimento do Oriente da Ilha de França, seguindo-se as Lojas “Constância” e “Filantropia”, subordinadas ao Grande Oriente Lusitano. Se a Loja “Cavaleiros da Luz”, foi a primeira Loja Maçônica no Brasil e o “Areópago” o primeiro núcleo secreto revolucionário, a Loja “Reunião”, à luz dos documentos, respeitadas as leis e tradições maçônicas foi a primeira Loja Maçônica Regular no Brasil.
Mário Verçosa, Past Grão Mestre da Grande Loja do Estado do Amazonas, relaciona as primeiras Lojas do Brasil:
“Reunião”, no Rio de Janeiro, RJ – 1801;
“Virtude e Razão”, em Salvador, BA – 1802;
“Constância”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 
“Filantropia”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 
“Emancipação”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 
“Beneficência”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 
“Distintiva”, em Niterói, RJ – 1812; 
“Comércio e Artes”, no Rio de Janeiro, RJ – 1815; 
“Pernambuco Oriente”, em Recife, PE – 1817; 
“Pernambuco Ocidente”, em Recife, PE – 1817; 
“Revolução Pernambucana”, em Recife, PE – 1817; 
“União e Tranquilidade”, no Rio de Janeiro, RJ – 1817; 
“Esperança de Niterói”, em Niterói, RJ – 1821; 
“Conciliação de Pernambuco”, em Recife, PE – 1822; 
“Nove de Janeiro”, no Rio de Janeiro, RJ – 1822.”

Em 1802, o capitão-mor de Olinda, Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, fundou na cidade do Cabo (província de Pernambuco), no Engenho de Suassuna, de sua propriedade, a “Academia de Suassuna.” E em Recife, foi instalada pelo padre João Ribeiro Pessoa a “Academia do Paraíso”, tendo como secretário o  monsenhor Muniz Tavares.
 O “Areópago”, embora citado como marco inicial das organizações maçônicas no Brasil, não pode ser considerado como Loja Maçônica, pois, não formava novos maçons.
Com  a chegada ao Brasil de D. João VI, em janeiro de 1808, depois de uma fuga precipitada de Portugal ante a invasão napoleônica, automaticamente o governo passou às suas mãos. Em sua corte havia inúmeros maçons portugueses, que colaboraram para a diminuição das restrições à Maçonaria, promovendo o revigoramento da atividade no Brasil.
A partir de 1809 foram fundadas várias Lojas no Rio de Janeiro e em Pernambuco.
A História do Brasil e Maçonaria estão intimamente ligadas. Os mais importantes eventos da História Brasileira, foram gestados dentro de Lojas Maçônicas: a Revolução Pernambucana de 1817, o Fico, a Proclamação da Independência, a Abolição da Escravatura, a Proclamação da República.
Na Inconfidência Mineira, não há registros de participação da Ordem. Porém, ressalta-se a contribuição de um maçom ilustre, Francisco Antonio Lisboa, o Aleijadinho. Este grande gênio da humanidade, autor de esculturas sacras, homenageou a Maçonaria em seu trabalho. Os três anjinhos, formando um triângulo, os quais se tornaram sua marca registrada, reverenciam a Maçonaria, com seus três pontos em formato de triângulo.
A própria bandeira do estado de Minas Gerais foi inspirada na Maçonaria: o triângulo, no centro da bandeira é o Delta Luminoso, o Olho da Sabedoria, símbolo maçônico.
A Revolução Pernambucana de 1817 teve seu embrião no desejo de Independência que crescia nas Lojas maçônicas. Mas, a insurreição fracassou e, a Maçonaria passou a ser duramente perseguida, e em 1818, Portugal proibiu o funcionamento de sociedades secretas.
Em 1821, a Coroa determinou a volta a Portugal do príncipe Dom Pedro I. Sem seu príncipe regente, o Brasil voltaria à condição de colônia. O maçom Francisco Maria Gordilho de Barbuda, coronel do Exército Colonial, que mais tarde tornou-se o Marquês de Paranaguá, ficou encarregado de falar com o príncipe e, obteve sua adesão à ideia de permanecer no Brasil. Depois de alguns contratempos, Dom Pedro I resolveu ficar, dizendo a célebre frase: “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico.” Por esse gesto, Dom Pedro I foi condenado por autoridades portuguesas e, deveria ser conduzido preso a Lisboa. Maçons orientaram o povo num levante, apoiando a atitude do príncipe. Houve uma batalha entre o povo e o exército português - os ideais libertários e o povo foram os vencedores.
Dom Pedro I foi iniciado maçom em 13 de julho de 1822 (na Loja “Comércio e Arte”), com o nome simbólico de “Guatimozim” (último chefe asteca). Três dias depois foi elevado a Mestre e, em 2 de agosto de 1822, elevado a Grão-Mestre. Essa ascensão tão rápida aconteceu, para não melindrar o príncipe - para que ele não recebesse ensinamentos de maçons que estavam numa posição hierarquicamente superior - Dom Pedro I como autoridade máxima no Brasil, não deveria se sentir constrangido.
A Independência do Brasil foi engendrada pela Maçonaria, em 22 de agosto de 1822, no Grande Oriente do Brasil. O grito de Independência dado por Dom Pedro I, “Independência ou Morte!” em 7 de setembro de 1822 foi uma confirmação. O Brasil já estava, praticamente, desligado de Portugal, desde 9 de janeiro de 1822, o dia do Fico.

A Abolição da Escravatura, no Brasil, aconteceu por iniciativa maçônica. A Maçonaria, cumprindo sua missão de lutar pelos direitos humanos, considerando a igualdade entre os seres, empenhou-se pela emancipação dos escravos.
Confirmando essas afirmações, verifica-se a presença de vários maçons entre os líderes abolicionistas. Destacaram-se: Visconde de Rio Branco, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queiroz, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Cristiano Otoni, Castro Alves, e outros.

A Proclamação da República, também foi um empreendimento maçônico. O primeiro Ministério da República, sem exceção de um só ministro, era constituído por maçons - e, não foi um acaso, pois foi organizado por Quintino Bocaiúva, maçom, que havia sido Grão Mestre.
Obra registrada na Biblioteca Nacional – Direitos Autorais:
Nº do registro: 444.566
Livro: 834
Folha: 226


Hipólito José da Costa:
O jornalista brasileiro,  Hipólito José da Costa (nasceu em 1774, em Sacramento, que na época pertencia a Portugal) teve papel decisivo durante os movimentos de libertação, na divulgação dos ideais republicanos e na representação da Maçonaria Brasileira na Inglaterra.
De Sacramento, a família de Hipólito mudou-se para Pelotas, RS. Ele concluiu seus primeiros estudos em Porto Alegre, e cursou em Portugal, a Faculdade de Direito de Coimbra. Formou-se bacharel em Direito na Universidade de Coimbra (formou-se em três cursos superiores: Filosofia aos vinte e dois anos; Direito aos vinte e três anos; e em Letras aos vinte e quatro anos), ingressando na Maçonaria nesse período.
Em 1798 Hipólito foi enviado aos Estados Unidos (Filadélfia) por D. Rodrigo De Souza Coutinho, Conde de Linhares e Ministro da rainha Dona Maria I, como Encarregado de Negócios de Portugal. Viveu nos EUA por dois anos e ingressou na Maçonaria Americana.
Em 1801 voltou a Portugal, onde foi nomeado Deputado Literário da Junta da Impressão Régia. No mesmo ano viajou a serviço da Coroa Portuguesa a Londres, oficialmente, para comprar obras para a Real Biblioteca e máquinas para a Imprensa Régia. Porém, secretamente, seu objetivo era estabelecer contatos entre as Lojas Maçônicas Portuguesas e o Grande Oriente em Londres.
Assim que retornou a Portugal, foi preso por ordem de Diogo Inácio de Pina Manique, sob a acusação de disseminar ideias maçônicas na Europa, o que era considerado uma heresia. Hipólito foi capturado pela Inquisição Portuguesa, e permaneceu encarcerado por três anos.
Em 1805, conseguiu fugir para a Espanha, com o auxílio de outros maçons. Da Espanha é conduzido à Londres, onde é protegido pelo também maçom, Duque de Sussex, filho do rei George III da Inglaterra. O Duque conseguiu sua naturalização como cidadão inglês, para evitar qualquer possível pedido de extradição pela Coroa Portuguesa. Em Londres é iniciado na Maçonaria Inglesa e casa-se com uma inglesa. De Londres, passou a editar o primeiro jornal brasileiro, o “Correio Brasiliense” ou “Armazém Literário”, que circulou de 1 de junho de 1808 a 1823 (vinte e nove edições). Hipólito defendia ideias liberais, e contribuiu para a emancipação do Brasil colonial, dando ampla cobertura à Revolução Pernambucana de 1817, à Revolução Liberal do Porto de 1820 e aos acontecimentos que conduziriam à Independência do Brasil.
Morreu em 1823, sem saber que fora nomeado cônsul do Império do Brasil em Londres. No Brasil é considerado o patrono da imprensa.
Martha Follain
Obra registrada na Biblioteca Nacional – Direitos Autorais:
Nº do registro: 444.566
Livro: 834
Folha: 226

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