sábado, abril 13, 2013



 

                                                                    Desabafo de uma Filha de Jó
Uma de nossas sobrinhas, Filha de Jó, desapontada com a visão de mundo e de vida maçônica que lhe tem sido apresentada nos enviou esta carta de desabafo que foi lida em loja na sessão econômica de instrução da Montsalvat e é reproduzida na íntegra abaixo. Serve como reflexão para todos nós sobre o que fazemos para construirmos nosso mundo melhor.

Belo Horizonte 07 de outubro de 2007
Queridos Tios, Amadas e eternas irmãs, Demolays,
Resolvi através desta carta colocar para fora toda raiva, toda minha revolta, todo o sentimento de impunidade que tem tomado o meu coração.
Desde criança ouvi meu pai falar de um mundo em que ele acreditava e que desejava para mim e para meus irmãos. Um mundo talvez irreal aos olhos profanos mas um mundo justo, diante dos olhos de um iniciado. Um mundo onde a liberdade, a igualdade e a fraternidade prevalecessem, onde viver em mundo com “Homens Livres e de Bons Costumes” era privilégio para poucos e que eu deveria honrar a oportunidade para que os ideais e a honestidade de uma Sociedade Secreta fossem transmitidos ao mundo profano. Um mundo onde a irmandade, o respeito a todos e principalmente as mulheres prevalecessem.
Infelizmente ou felizmente cresci, passei a perceber que este mundo tão sonhado era irreal aos olhos de uma Filha de Jó, que em suas reuniões sempre ouviu que o objetivo das Ordens para-maçônicas era transformar jovens em líderes, verdadeiros exemplos para a sociedade e que teríamos o caráter moral e espiritual lapidado. Magoei como toda criança ao descobrir que um mundo idealizado e prometido não existia. Que o aperfeiçoamento do caráter, da moral só é válido para quem realmente os têm. Percebo que alguns possam até ter tido caráter, mas foram corrompidos pela vaidade, pela busca de um “poder” que não existe. A maioria esquece que “das colunas vieram e para as colunas retomarão”.
Que tipos de líderes estamos formando? Será que estamos sendo exemplos como deveríamos ser? Que igualdade é esta que pregamos, que é linda, mas que na prática não funciona? Os líderes que estamos formando serão no futuro como os Femandos, Renans e Martas? O que é a Maçonaria? O que é ser Maçom? O que é ser Filha de Jó? O que é ser Demolay? Onde estão as nossas regras, a nossa irmandade? Estas perguntas provavelmente ficarão sem resposta para aqueles em que não souberam absorver a essência maçônica
Às vezes em minha insignificância pergunto a Deus: que mundo é este onde a lei do ”mais” forte predomina? Até quando a vaidade, a hipocrisia e a mediocridade de alguns membros serão “escondidas” e tampadas por quem deveria dar o maior exemplo? Até quando pessoas de bem desistirão de lutar em prol de nossas Ordens por não chegarem a lugar nenhum?
Não falo apenas da Maçonaria, falo da Ordem das Filhas de Jó e da Ordem Demolay. Falo da família que escolhi por afinidade a sua essência e seus ensinamentos. Não falo como uma Filha de Jó sonhadora e imatura. Falo como Membro de Maioridade, uma mulher de 27 anos que amadureceu apesar de todas as dificuldades enfrentadas durante estes 10 anos de Ordem. Aqueles que me conhecem sabem do meu amor pela Ordem. Da minha vontade de ter um mundo melhor. Das infinitas vezes que me emocionei vendo o estandarte e a bandeira do Bethel. Já perdi as contas das vezes em que quis brigar com padres, colegas de faculdade, vizinhos, evangélicos por causa da Maçonaria. Tudo para não omitir a condição de pertencer a esta família.
Estou magoada, já pensei em desistir, “chutar o balde” várias vezes. Mas este mesmo pai que me prometeu um mundo justo, me ensinou a amar e a respeitar a Maçonaria. Ensinou que devo lutar pelo que acredito, pelos meus princípios e pelos meus ideais. Que devo amar a Deus sobre todas as coisas e acreditar em sua justiça. Que o Grande Arquiteto do Universo NUNCA falha, que estamos nesta vida de passagem e que colhemos o que plantamos. Apesar de tudo, ainda tenho orgulho em dizer: “Sou filha de Maçom”, “Sou Filha de Jó”.
Peço perdão àqueles tios, primos e irmãs que não se enquadram nesta realidade. Peço também que todos avaliem como tem sido feitas as nossas sindicâncias, como tem sido o nosso comportamento, como temos passado ao mundo o que aprendemos com a Maçonaria. Que não sejamos corrompidos pela vaidade. Que não sejamos omissos diante dos fatos.
Desculpem-me pelo desabafo, se fui inconveniente me perdoem. Não quis agredir ou magoar ninguém. Só estou querendo chamar a atenção para um mal que assola a nossa Ordem e que muitos fecham os olhos.
Que o Pai Celestial dê forças a mim e a todos que lutam para o bem de nossas Ordens.
Fraternalmente,
Maira A. Gonçalves da Silva
Past Guardiã do Bethel Marília de Dirceu n° 32.
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