terça-feira, abril 03, 2012

Vanitas Vanitatum et Omnia Vanitas


Quando me preparei para editar este artigo, muitas e muitas coisas me passaram pela mente. E perguntei a mim mesmo: afinal, o que fazemos na Maçonaria? O que realizamos? Por definição, “A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista”. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins supremos são: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
A vaidade pueril e o sórdido interesse levam os homens pelo nariz, até a morte, este esquecimento definitivo e motejador supremo. O fundo da maior parte das almas é a vaidade. Ora, que é a vaidade? “É o vácuo. Multiplicai os zeros quantas vezes quiserdes, sempre valerão zero; amontoai nadas e a nada chegareis, nada, nada. Nada, eis aí o programa da maioria dos homens”! (Eliphas Levi).
A Maçonaria prega a prática da virtude, mas, infelizmente, existem Irmãos com tamanha vaidade e muito orgulho, como se fosse seu único oxigênio. O maçom que se presa não precisa de autoelogio e nem age de modo tão vaidoso. Isso desmerece as tradições da nossa Sagrada Instituição. Ao autêntico maçom, interessa, apenas, a sua conduta ética. Devemos usar nossos instrumentos simbólicos, que, na verdade, têm como principal tarefa auxiliar-nos em nosso duro trabalho diário de edificadores de Templos, lutando contra os vícios e vaidades e enaltecendo as próprias virtudes. 
Não nos esqueçamos, jamais, de que, como Mestres Maçons, mesmo participando dos Graus Superiores, deveremos entender que o essencial para o verdadeiro maçom é o seu crescimento espiritual, a sua regeneração, a sua vitória sobre a vaidade e os vícios, a aceitação da humildade e o bem que possa fazer aos seus semelhantes, e que a política interna, a proteção mútua, principalmente na parte material, é importante, mas não essencial.
Para sermos Maçons, devemos nos identificar com a nossa Ordem. Os detalhes construtivos serão um trabalho árduo e (por que não dizermos?) demorado. Afinal, não nos aprimoramos de um dia para outro. Para termos um bom aprendizado, devemos nos aprimorar nos Graus que nos foram concedidos.
Quanto mais nos afastarmos dos verdadeiros princípios, mais nos afundaremos em uma construção que, por nossa vontade, deverá ficar velha e empoeirada. Na Maçonaria, redescobrimos, dentro de nós mesmos, uma vontade pura de ser uma pessoa melhor, mas, em nossos templos de iniciados,não sendo construtores de nós mesmos, sentimo-nos perdidos, precisando de ajuda para começar a reforma.

Devemos ser conscientes de que, na verdade, não devemos julgar toda uma sociedade pela ação isolada de um de seus membros. Existem maçons e “maçons”! Embora, após uma indicação, haja uma rigorosa averiguação do indicado, não há como detectar, através dela, a personalidade de cada um! Somos seres humanos, todos nós sujeitos a vários defeitos de caráter. Alguns, algumas vezes, são dominados pela vaidade e prepotência, máxime quando oriundas de um Venerável Mestre, que deveria ser exemplo de serenidade para os demais Obreiros. Não obstante a sociedade maçônica lute contra esses sentimentos, nem sempre seus membros assimilam tais ensinamentos, o, que, realmente, não deveria acontecer!
No sentido prático, atitude, que raramente acontece, para que não haja retaliações maçônicas e profanas, o que qualquer Irmão pode e deve fazer, constatando certas atitudes de Irmãos, é procurar se informar sobre qual a Loja, que ele frequenta, e denunciar sua atitude à Ordem. Comportamentos sórdidos não condizem com a filosofia maçônica e devem ser denunciados, preferencialmente, com provas testemunhais.

A Maçonaria é uma Instituição de princípios morais; somos pessoas do Bem, voltadas somente para o lado das virtudes, a fim de tornar feliz a humanidade, infelizmente, alguns se tornam vaidosos e orgulhosos. Geralmente, trabalhando-se bem os instrumentos simbólicos, com o tempo, aprende-se que ser maçom não faz de ninguém melhor ou pior do que os outros. Aprende-se que ser maçom é aprender eternamente sobre si mesmo, para que, assim, possa tornar-se alguém melhor… mais útil à sociedade!

A Maçonaria, no desejo de manter os seus adeptos sob controle mútuo, adota sinais, palavras, gestos, que nos identifiquem como tal. Tal prática nos coloca numa situação servil. Enquanto a naturalidade desaparece, o sentimento de soberba e vaidade pessoal passa a dominar. Orgulhamo-nos de fazer parte de um grupo seleto de iluminados que se iluminam a si mesmos. Nossa sina como humanos será ter de continuar a acreditar nos outros, na amizade, embora, às vezes, as decepções possam surgir. Mas, se assim não fosse, então, nossas vidas seriam bem mais decepcionantes.
Vanitas Vanitatum et Omnia Vanitas” (Vaidade das vaidades e tudo é vaidade). Palavras do Eclesiastes sobre o nada das coisas deste mundo, sobre cujo sentido os verdadeiros maçons devem meditar.  
José Valdecir de Souza

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