quarta-feira, maio 09, 2012


Mestre Perfeito

imagem Recanto das Letras

O Templo apresenta decoração diversa; o recinto dos trabalhos denomina-se de Câmara; é a Loja do Mestre Perfeito.

As paredes são na cor verde e em cada um dos quatro ângulos, apresenta-se uma Coluna branca; em cada um desses ângulos é colocado um Candelabro de quatro braços.

Não sendo um Grau iniciático, mas por comunicação, inexistem Templos específicos; são adaptados com cortinados nas paredes. O Dirigente representa a Adoniram com o título de Três vezes potentíssimo e Respeitável Mestre.

Adoniram foi um dos principais recebedores de tributos do Rei Salomão e o chefe e 30.000 operários que foram ao Líbano para o corte dos cedros; seu nome significa: "O meu Senhor é excelso".
Diz a lenda que casou com a irmã de Hiram Abif.

Na Loja existe, apenas, um Vigilante com o nome de Zabud que foi ministro do Rei Salomão, sendo filho de Natan.

Os Irmãos tomam o nome de: "Veneráveis Mestres Perfeitos" e seu traje é o comum (em preto), com luvas brancas; usam um Colar verde com uma jóia que representa um Compasso aberto a 60 graus aposto sobre um semicírculo graduado.  Avental branco com abeta verde; no centro, sete círculos concêntricos e no meio,
uma pedra cúbica com a letra "J", inicial da Palavra Sagrada. Quanto a esse Avental, existem variações; uma delas, substitui os círculos, por duas Colunas cruzadas.

Existem palavra de Ordem, de Reconhecimento e o Toque, específicos e sigilosos. A marcha é formar um quadrado por meio de quatro passos. A idade é a de um ano para a abertura dos trabalhos e sete para concluí-los; a  hora para a abertura do trabalho é a primeira hora do dia; o encerramento é na quinta
hora.

A Lenda do grau é a trasladação do corpo de Hiram para a tumba final e a decisão da vingança. O Grau 5o é grau intermediário e é transmitido por comunicação, ou seja, dispensando a Iniciação; é convidado o Candidato para assistir à sessão do Grau, em Loja devidamente preparada, e lhe são ministrados os conhecimentos do Grau, cingindo-o com o Avental próprio e o Colar, instruindo-o quanto às Palavras de Passe e Sagrada, bem como Toque e a parte da Lenda correspondente.
 
Trata-se de um Grau que complementa o procedente. É um Grau de origem israelita-salomônica e sua lenda diz respeito ao terceiro sepultamento de Hiram (o primeiro, sob os escombros dentro do Templo; o segundo, fora de Jerusalém, numa cova provisória e o terceiro dentro do templo, com toda pompa). Sua filosofia prende-se ao conhecimento humano através da inteligência; são os conhecimentos genéricos que todos devem possuir para a própria subsistência intelectual e material e o conhecimento esotérico que nem todos alcançam, seja por falta de preparo, seja por falta de oportunidade. O Grau 4, do Mestre Secreto, inicia uma jornada dentro de um mundo desconhecidos na busca do centro do interesse; encontrado esse centro, deverá surgir o aperfeiçoamento; é, justamente, para esses poucos que surge o Grau 5.
 
A trasladação do corpo de Hiram caracteriza-se por uma cerimônia de "pompa fúnebre"; os funerais como ordenara Adoniram, deveriam ser executados com grande pompa. E a fase inicial das honrarias póstumas, quando se cerca o homenageado de todo esplendor, numa demonstração de reconhecimento pela passagem na vida com brilhantismo. Nos funerais todos os Obreiros da construção do Templo deveriam comparecer e participar, com cânticos, choro, lágrimas, atapetando o percurso com palmas e flores, perfumando o ambiente com essências preciosas. Simboliza o trabalho exterior o ensolaramento sobre o luto negrume da morte. É a iluminação de quem fora "apagado" injusta e prematuramente. O reconhecimento público, por meio de ondas sonoras vibráteis, em homenagem ao corpo e ao que executara trabalho relevante.  Os funerais iniciam-se com uma procissão; retirado o corpo putrefato de seu segundo e provisório túmulo, limpo da terra que o envolveu, lavado com essências  oleosas, vestido com ricos panos e finos paramentos, colocado em seu peito o Triângulo de ouro onde cotava inserida a sua "porção" da Palavra Sagrada, perdida com sua morte, foi colocado em um ataúde e conduzido sobre os ombros de nove Mestres, até o Grande Templo. A decoração do Templo para os trabalhos do Grau 5, reproduz, palidamente, o recinto onde se encontra o mausoléu. Eis a descrição contida no Ritual: "O Templo é forrado de verde, tendo dezesseis Colunas (há Rituais em que as Colunas são, apenas, quatro), quatro em cada ângulo, dispostas de modo a dar à Câmara o formato de um Círculo. No centro do Templo, fica o mausoléu, em forma de Pirâmide triangular, tendo numa face a letra "M", na outra, a "H" e na última, "C". No solo, em frente a cada face está uma pedra tosca e irregular, por fora da qual haverá uma cercadura baixa em forma de Círculo. Esse Círculo simboliza Deus, o Grande Arquiteto do Universo, que não tem começo nem fim; as pedras representam a ignorância, isso é, material imprestável à construção. No Tronos coberto por um pano verde, com franjas de ouro, ficarão: a Carta Constitutiva da Loja, os Estatutos do Supremo Conselho, um Malhete e uma Espada. Por sobre o Dossel do Trono, ver-se-á a Jóia do Grau. Em cada ângulo, um candeeiro de quatro braços. O Presidente representa Adoniram com o título de Três Vezes Poderosos, ou simplesmente: "Douto Mestre".

Não há registro quanto ao tempo dessas exéquias, a partir da morte de Hiram; contudo, "a carne desprendia-se dos ossos", o que atesta um estado de putrefação adiantado. Não seria o caso de embalsamamento, tanto porque não era costuma hebreu, como pelo estado do cadáver. Por outro lado, a construção do mausoléu demandaria algum tempo; o fator "tempo", aqui, não é aspecto relevante; tratando-se de uma lenda, posto envolvendo uma personagem que existira, realmente, a trasladação constituía a parte final de uma obra. Hiram, dentro do Templo, passava a ser mais um ornamento.

O ponto central de Lenda é a trasladação do corpo de Hiram e a vingança pela sua morte. É de estranhar a decisão de vingança que, indubitavelmente, tratar-se ia de um ato de Justiça e jamais de vingança. A morte dos três assassinos obedecia à tradição da época e o clamor do povo; a pena de morte era comum, daí não pensar-se em vingança, mas sim, em Justiça. 

O Mausoléu foi erigido em forma de Pirâmide Triangular, o que é um tanto, contraditório, pois, a própria marcha do Grau, que são quatro passos fechando um quadrado, demarcaria a base do Mausoléu, e se essa é quaternária, sem dúvida, a Pirâmide possuía quatro faces.

A Pirâmide é originária do Egito e talvez, na oportunidade houvesse a influência mística egípcia. O sepulcro sempre foi símbolo da última etapa de vi-a, no entanto, para o Maçom, é o símbolo da oportunidade de enclausurar-se como faz a larva em seu casulo, para ressurgir como ser alado, capacitado a elevar-se aos paramos celestes. A Pirâmide com sua base quaternária, ou seja, terrena e material, possui os seus lados em forma de Triângulo cujos lados se alongam até encontrar o Ponto, comum às oito linhas; a soma dos três lados de cada Triângulo, resultará no número doze que encontra na simbologia do Zodíaco, o caminho Místico de Natureza. A Loja em si constitui o próprio Sepulcro em forma circular; Sepulcro externo, eis que, em seu centro fica o Mausoléu. 

Todo Maçom aprende que ele é o Templo do Deus vivo, transformando-se em ser sagrado, e com isto obriga-se a um comportamento moral, exemplar, para não conspurcar o Templo de Deus. Não basta, porém, essa finalidade moral, dentro do Templo que é o ser humano, surge o Sanctus Sanctorum, que é o local do sentimento da razão, e no caso místico, o cérebro. Dizer que o coração representa o Sanctus Sanctorum, não é correto; o coração representa o túmulo. Para o Maçom, obviamente, o Túmulo de Hiram; para o cristão, o Túmulo de Jesus, o Cristo. A Vistoria nos apresenta a lenda da ressurreição; portanto, o Túmulo cristão,
dentro de nós, está vazio, mas jamais deixará de ser Túmulo. Trata-se de uma concepção religiosa, enquanto, o Túmulo de Hiram, ou seja, nosso coração maçônico, contém, sempre, a presença de Hiram, pois a lenda não o deu como ressuscitado.

A cor verde simboliza a Esperança; o branco, a Paz; esperança e Paz. A cor verde é composta da Azul e da Amarela; o azul simboliza o infinito; o amarelo, o ouro; ou seja, a preciosidade do infinito. 

O 5o Grau é outorgado por comunicação, ou seja, os fatos lendários são tornados conhecidos, ao Mestre Secreto. Durante a instrução ritualística as exéquias "pomposas" são revividas e o candidato participa colhendo as suas lições que o conduzirão ao recebimento de outro título: Mestre Perfeito. Hiram Abif passou à história hebraica pelo seu exemplo e conduta somados a uma alta especialização de artífice, ou seja, quem recebeu o encargo de "embelezar" o Grande Templo. A História Sagrada nos revela que esse Grande Templo foi festivamente inaugurado e consagrado, o que vem comprovar que Hiram Abif concluiu a sua obra.
 
Para nós, os Maçons, isso é exemplo do cumprimento do dever e da colaboração. O prêmio que Hiram recebeu foi o de seu corpo ser sepultado dentro do Templo e sua obra descrita na Palavra Divina, vencendo o tempo e permanecendo como Grande Artífice da casa de Deus.

Rizzardo da Camino

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