terça-feira, maio 08, 2012



A REALIDADE NÃO LOCAL
- as linhas tortas da realidade adaptadas à maçonaria -

           É um fato que o ritual maçônico é um teatro psicológico que funcionando como um psicodrama pode influenciar a vida daqueles que o praticam. Entretanto, os céticos de plantão, não devem ser rápidos demais em descartar o funcionamento dos rituais em âmbitos muito mais sutis. Realmente, muito do sucesso dos rituais pode ser explicado por meios físicos diretos de causa e consequência, mas alguns poucos anos de prática revelarão alguns resultados que simplesmente não podem ser satisfatoriamente como Neuro-linguística. Algumas vezes o maçom se verá diante de casos em que a materialização dos desejos projetados acontece por vias aparentemente “não causais” e “não locais”.
           A matemática da Teoria do Caos já revelou que não podemos dar um soluço sem deixar de mexer com as estrelas. Entretanto, as pessoas ainda pensam “pequeno” e se limitam a um raciocínio linear de causa e efeito. O mundo a nossa volta, contudo, não é uma fila na padaria com os fatos esperando sua vez para serem atendidos. Para cada acontecimento temos incontáveis causas que colaboraram com sua existência e para cada ação infinitas repercussões. Não é absurdo, portanto,  supor que muitos destes caminhos possíveis sejam ainda desconhecidos pelos atuais modelos de como o mundo funciona.
          A cada ano o modelo padrão da ciência se mostra mais convencido de que não existem sistemas isolados. A física moderna estipula que  cada partícula elementar do universo está em comunicação instantânea com todas as outras partículas que existem. Não estou dizendo que o mago, o maçom deve forçosamente acreditar em qualquer teoria mágica que aparecer na sua frente. Mas sim que mantenha a mente aberta para o fato de que o mundo é um lugar muito mais complexo do que jamais poderemos entender. Citarei a seguir três exemplos de pesquisas científicas que podem nos ajudar a entender que as forças, usadas em um ritual maçônico, vão muito além da mera psicologia aplicada. Os exemplos seguem uma ordem de complexidade crescente, revelando que a não localidade é uma realidade no mundo físico (atômico), no mundo biológico (orgânico) e no mundo mental (humano).
O Teorema de Bell: A Física Não-Local
           Uma das implicações do desenvolvimento da física no início do século XX foi à descoberta de que sob certas condições uma mudança feita em uma partícula se propaga instantaneamente para outra, não importando a distância que as separam, como se não fosse necessário "ir" para "chegar".
            Era algo tão perturbador que a opinião geral era de que isso se tratava de um problema de medição, uma falha da observação humana. O físico irlandês John Bell foi o primeiro a propor que essa comunicação não-local não era uma falha de observação, mas parte da realidade. Ele expressou esta conclusão matematicamente em 1964 no que ficou conhecido como o "Teorema de Bell".
           Poucos anos depois surgiram experimentos capazes de comprovar empiricamente o teorema de Bell. Em um deles é que  pares de 'fotons' eram criados e enviados em direções opostas. Cada um deles encontrava em seu caminho um polarizador que pode ser ajustado pelo cientista que conduz a experiência. Os resultados podem ser de quatro tipos (++, --, +- ou -+) e cada um deles é registrado por um 'contador de coincidências'.  Os resultados obtidos sempre superam em muito o mero acaso estatístico.
          Estes experimentos quânticos não provam que exista uma rede magica não local que ligue todos os seres vivos. Entretanto eles provam matemática e experimentalmente a existência da não localidade como um fato elementar na estrutura da natureza.
Campos Morfogenéticos: A Vida Não-Local
          Assim como a gravidade afeta pedras e elefantes a realidade não local deveria se espelhar em algum aspecto da vida orgânica assim como se manifesta na física nuclear. É exatamente isso que o doutor em biologia Rupert Sheldrake da Universidade de Cambridge, diz acontecer para explicar o surgimento de uma mesma função adaptativa em populações biológicas não relacionadas. Em sua primeira experiência, proposta em 1980, Sheldrake treinou a um grupo de ratos de uma dada espécie a escapar de um labirinto, em um laboratório em Londres. A seguir observou o comportamento dos ratos da mesma espécie e raça em outro laboratório em Nova York e conclui que o segundo grupo resolvia o problema apresentado de forma muito mais rápida.
          Experiências semelhantes foram repetidas numerosas vezes depois, sempre confirmando que uma adaptação uma vez aprendida por uma população específica torna-se instantaneamente mais fácil de ser aprendida pelas populações da mesma espécie separadas geograficamente.
          Sheldrake propôs a existência dos "Campos Morfogenéticos".
          Campos que unem os membros de uma mesma espécie e fornecem uma comunicação imediata de suas adaptações evolutivas. Se os Campos Morfogenéticos forem uma realidade então uma das consequências seria que é mais  fácil aprender algo que outras pessoas já aprenderam.     
           Sheldrake organizou em 1983, outro experimento para falsear esta hipótese. Nele uma figura oculta numa ilustração devia ser encontrada por voluntários separados, continentalmente, na Europa, Américas e  África. Os números  revelaram no fim do experimento que o índice e velocidade de acertos dos testes subiram medida que mais pessoas encontravam a solução anteriormente.
           Os experimentos de Sheldrake não provam que telepatia funcione ou que você possa perceber que alguém queira e esfaquear. Entretanto ele mostra que o fenômeno da não localidade presente nas partículas subatômicas se manifesta nos seres vivos, que afinal são feitos de partículas subatômicas.
O Experimento de Grinberg-Zylberbaum: A Mente Não-Local
          Sendo o cérebro humano fruto da evolução biológica podemos supor que ele também possua sua parcela de não localidade. Não estou falando aqui dos milhares de casos de experiências extracorpóreas relatadas durante a "morte clínica" e que podem ser induzidas pelas técnicas do doutor Stanislav Groff ou por altas doses de LSD. Estes são casos que colaboram para percepção do universo como um sistema complexo, mas que infelizmente não podem ser testados em laboratório. O neurologista mexicano Jacobo Grinberg-Zylberbaum, entretanto, executou em 1994, um experimento que atende este requisito empírico.
          Dois sujeitos A e B interagem durante 30 minutos e então são isolados em duas Gaiolas de Faraday (que bloqueia os sinais eletromagnéticos). Ambos são monitorados por um equipamento de eletroencefalografia (EEG) e não possuem qualquer comunicação entre si. Sem aviso prévio um sinal luminoso piscante é mostrado a um dos dois voluntários. O sinal provoca uma resposta no eletroencefalograma do voluntário exposto, como deveríamos esperar. Entretanto ao monitorar o outro voluntário nota-se no mesmo período de tempo um sinal, de forma semelhante, mas de menor intensidade, mesmo sem ele receber qualquer estímulo direto.
          Devemos destacar que o fenômeno não ocorre todas às vezes. Ele é registrado apenas quando os voluntários passam por alguma interação emocional e com mais frequência quando um dos dois relata algum grau de clarividência espontânea.
          Talvez no futuro tenhamos um "contador de coincidências" entre seres humanos que nos dê alguns dados estatísticos interessantes. De qualquer forma este experimento basta para mostrar que a não localidade é um fato observável no cérebro humano.
          O experimento de Grinberg-Zylberbaum mostrou que uma mesma informação pode fazer-se presente entre duas mentes humanas simultaneamente, ainda que nenhuma das duas esteja ciente deste fato. Os casos espontâneos desta comunicação são estudados pela parapsicologia desde a década de 1930 e pelos ocultistas desde muitos séculos. Quando essa informação é consciente podemos chamá-la de clarividência e telepatia. Quando esta informação é recebida inconscientemente podemos chamar de Sugestão.
         Diante de tudo isso,  podemos conjeturar que os rituais maçônicos podem trabalhar de maneiras muito mais sutis do que imaginaríamos em um primeiro momento. Considere apenas que a psicologia moderna já mostrou o imenso poder que o inconsciente tem na tomada de decisões e no comportamento das pessoas, incluindo no comportamento psicossomático que determina sua saúde.
          Assim, se alguém realmente pode por meio de um ritual, atingir a Mente de alguém, então a Lei Tríplice nos mostra, que também poderá influenciar sua realidade. Desta forma quando dizemos que um maçom se faz em Loja, queremos afirmar que aquele que mantem laços de interação com seus irmãos, profundamente, também se beneficiaram de tudo que ocorre dentro de Loja mesmo estando longe dela, contudo estes laços devem estar fundamentados não somente na fraternidade, mas num profundo vinculo de amor e verdade.

Edson Couto


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