Papai Noel é bundão
Nelson Cadena
Papai Noel é bochechudo, pançudo e bundão e nós não temos culpa disso. Recebemos ele pronto. Design americano que começou como uma representação do bispo Nicolau com traços decaricatura, no século XIX, popularizado em revistas, para mais tarde ganhar feições mais suaves e definidas e, nesse contexto, um biótipo redondo. Um perfil estético que jamais seria brasileiro. Se a representação do Papai Noel fosse arte nossa__ imaginem vocês o bom velhinho no lápis de Agostini, Julião Machado, K-Listo, J. Carlos, ou mesmo Ziraldo__ certamente que teria menos bochechas e com certeza menos barriga e menos glúteos. E o saco? Não vou sugerir uma pouchete na cintura, seria debochar do velho. Quanto ao Ho, Ho, Ho, sou mais Ha, Ha, Ha.
Papai Noel é invenção da mídia como tantos outros mitos construídos e alimentados pelos veículos de comunicação. Originalmente era o Bispo de Mira, uma lenda oral, que supostamente teria vivido nessa cidade, hoje pertencente à Turquia e daí as feições turcas, nariz proeminente e senho franzido com sobrancelhas fartas das representações primárias. Usava roupas vermelhas, com aqueles saiotes e anáguas cumpridas, característica do figurino das igrejas cristãs da época. O Bispo de Mira, tornou-se Nicolau e mais tarde Santa Claus e foi nessa condição que a revista semanal Harper’ s encarregou-se de popularizar o personagem no país que mais crescia no mundo e já se insinuava como uma grande potência: Os Estados Unidos.

Papai Noel fumava
Foi Thomas Nast, americano de sangue Batavo, quem vulgarizou a figura através de suas caricaturas no “Harper’s Weekley”, cujo slogan era Journal Of Civilization, a partir de 1.862. O traço de Nast mostra um personagem sisudo, meio gnomo, quase um duende. Sempre olhar circunspeto, antipático, assustador na representação visual com grupos de crianças, hoje sugeriria um pedófilo.
Foi Thomas Nast, americano de sangue Batavo, quem vulgarizou a figura através de suas caricaturas no “Harper’s Weekley”, cujo slogan era Journal Of Civilization, a partir de 1.862. O traço de Nast mostra um personagem sisudo, meio gnomo, quase um duende. Sempre olhar circunspeto, antipático, assustador na representação visual com grupos de crianças, hoje sugeriria um pedófilo.
O objetivo era mostrar um bruxo, um mago que transformava sonhos em realidades.Foi esse Papai Noel de traços nórdicos que os ilustradores brasileiros imitaram de forma rude em inícios do século XXnas campanhas dos cigarros York, Veado, Casas Pernambucanas, Ao Parc Royal, dentre outros.
A indústria do cigarro foi o primeiro segmento publicitário a divulgar no Brasil a figura de Papai Noel que aparecia sempre fumando.
Tinha sentido a ilação já que Nast na sua representação do Bispo Nicolau, preservara-lhe o cachimbo original, conforme descrito por Washington Irving em 1808 e mais tarde (1822) por Clement Clark Morre no seu poema : “The Nigth Before Christmas” .
Mas o Papai Noel que a Souza Cruz nos apresentou na capa de seu house-organ, edição de dezembro de 1916 (olhando de soslaio o seio de Yolanda, insinuado no maço dos cigarros do mesmo nome) era tipicamente americano, de traços suaves, muito semelhante (sem as bochechas) ao desenhado por Haddon Sudblon, a pedido da Coca Cola em 1931.
Justiça seja feita a Sudblon, não foi ele o primeiro a engordar e arredondar o Papai Noel.
O ilustrador do “Saturnay Evening Post”, J. C. Leyendecker já exagerava nas proporções. Desde a década de 20 apresentava Santa Claus de fato obeso, barriga proeminente e bunda farta para equilibrar do outro lado.
Norman Rockwell manteve o protótipo até inícios da década de 30 quando Sudblon desenvolveu o modelo que a Coca Cola com a sua cobertura e freqüência de mídia popularizaria mundo afora. O resto a indústria cultural americana encarregou-se de distribuir e difundir em todo o planeta.
Tornando para sempre, e enquanto o mundo existir, Papai Noel bochechudo, pançudo e bundão.
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